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Liberdade Dentro Da Imagem Estreita Da Vida Familiar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Uma vez, uma mulher disse que sua liberdade é limitada por certas obrigações para com seus filhos, família, marido, casa, etc. Ela se sente mais livre dentro dessas obrigações. Mas, se tudo isso lhe fosse tirado, seu sentimento de liberdade desapareceria.

Resposta: Isso é verdade. Quando uma pessoa carece de limites estritos, é difícil para ela determinar onde a liberdade está, e ela simplesmente se sente perdida, porque a liberdade absoluta parece-lhe como uma absoluta falta de liberdade.

A liberdade, tal como qualquer outro sentimento, é definida entre o negativo e o positivo nela. Portanto, dentro de certos limites e a oportunidade de permanecer, agir e existir confortavelmente dentro deles, o que significa gerenciá-los, realizando quaisquer obrigações e desfrutar o seu alcance, isto é percebido como liberdade.

Mas, a questão é que quando nos tornamos parte integrante da nossa sociedade contra a nossa vontade, de acordo com o plano da natureza, somos incapazes de nos sentir aptos a criar o quadro correto, porque ele está sendo violado todo o tempo; por um lado nos tornamos mais interligados com os outros, e por outro lado, nós não sentimos que podemos fazer algo por conta própria dentro da nossa própria estrutura, porque dependemos de uma quantidade enorme de fatores externos.

É por isso que a única maneira de superar nossos limites é entrando no sistema integral, que dá a sensação de liberdade.

A natureza inevitavelmente nos empurra para nos sentir “encurralados” em um estado de necessidade, em uma luta constante pela sobrevivência dentro de nossa própria estrutura, em todos os lugares; em nossas famílias, no trabalho, em casa, na rua, em qualquer lugar afinal.

É aqui que temos que mostrar às pessoas que a liberdade só é adquirida pela correta interação com os outros: global e harmoniosamente.

Uma pessoa, especialmente uma mulher, importa-se apenas com os seus limites, seu conforto, dentro desses pequenos limites no nível animal e egoísta da existência. Quando ela tem um lar, uma família, filhos, responsabilidades, e ela é competente, capaz e equipada para proporcionar o bem-estar de toda sua pequena família, então, é claro, ela pode ter uma sensação completa de confiança, liberdade e realização.

Não é tão simples com uma pessoa moderna, mesmo uma mulher moderna. Ela aspira entrar nos negócios e se realizar. Mas, ainda assim, o determinante, a orientação básica do caráter feminino é dirigida à família, e para que as coisas estejam bem nela.

No entanto, vemos que as famílias estão quebradas. As últimas estatísticas são ameaçadoras! O número de divórcios e famílias com um só dos pais é maior do que 50%!

Aqui nós observamos uma tendência em empurrar a pessoa para fora do seu pequeno círculo familiar, onde ela se sente confortável apoiada por seus parentes, onde é suficiente para ela poder cuidar de sua casa e obter quaisquer necessidades para sua casa. Apesar de sua mente, o homem está sendo empurrado em direção a algo maior contra sua vontade.

Nós estamos amarrados com todos os outros. Nosso bem-estar interior depende de todo mundo. Assim, a educação integral é simplesmente necessária aqui para compensar a insegurança, os medos e a ausência de liberdade.

À medida que subimos ao próximo nível, adquirimos exatamente a liberdade, apesar do nosso atual princípio egoísta.

Quando eu me conecto com os outros, eu adquiro algo em comum com eles, desejos comuns e o entendimento comum de que, quando decidimos tudo juntos, interagindo uns com os outros, e não de outra maneira, é que eu me sinto livre.

Minha liberdade depende de mim. Ela não depende dos outros, porque todos os outros no grupo integral começam a parecer totalmente corrigidos para mim. Eles já estão no estado integral da garantia mútua, conexão, e eu só estou apenas começando a sentir que ainda preciso adicionar e me ajustar. Em geral, cada pessoa se sente assim em relação aos outros.

A pessoa adquire uma necessidade completamente nova para lutar constantemente por um bom relacionamento com todas as pessoas.

Este é um nível totalmente novo. Ainda é egoísta, mas ao mesmo tempo, é um nível diferente e desejável, onde eu sinto que me falta uma maior integração. É que, depois de entrar nele, realizando uma virada psicológica dentro de mim, como se puxasse o gatilho e mudasse para o oposto, eu, de repente, adquiro liberdade.

É como quando um feto nasce do ventre da mãe; ele fica com a cabeça para baixo e parece perder tudo o que tinha, após o que ele aparece num mundo novo: nós precisamos virar de cabeça para baixo, começar a entender o mundo de outra maneira, e então, nós nasceremos num novo mundo integral.

Da “Palestra Sobre Educação Integral” #9, 15/12/11

Onde Está A Democracia?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Criador limita a minha liberdade de acordo com as leis da natureza; mas, e se eu não quiser isso? Afinal, Ele não me pediu. Onde está a democracia?

Resposta: Na verdade, o Criador desenvolve as pessoas modernas de forma diferente, e, consequentemente, elas fazem perguntas relevantes sobre Ele. É assim que deve ser. É por isso que nosso mundo está mudando, de modo que as questões sobre Ele sejam despertadas em nós. Como resultado, todas as perguntas e exigências devem ser dirigidas ao Criador. Tudo é feito para a pessoa alcançar o desespero.

Por um lado, parece que já há liberdade neste mundo e que eu posso fazer o que quiser. Por outro lado, minha mente “infantil” gradualmente percebe que o mundo é controlado por um sistema de leis e que eu não posso fazer o que eu quiser de forma alguma. Há uma diferença entre o que é desejável e o que é.

Gradualmente, eu entendo que tudo é sobre as leis do mundo, que são regras rígidas. Elas são reveladas a mim de forma mais clara e me obrigam cada vez mais. Como resultado, eu não me sinto tão confortável e bem, mas no geral é assim que eu aprendo.

No início, a criança gosta de tudo e seus pedidos são realizados. Mais tarde, nós começamos a limitá-la. Nós ensinamos a ela as regras da vida e exigimos coisas dela. É assim que ela cresce.

Você está falando de democracia, de liberdade. Mas, que tipo de liberdade é essa? Liberdade de quê? Liberdade para quê? Liberdade em que condições? Afinal, você não está vivendo no vácuo, você já tem determinados atributos, você já é alguma coisa.

Para você, “liberdade” é quando você imediatamente obtém tudo que deseja: “Eu quero um palácio”, e lá vai você. “Eu quero ser forte e inteligente”, e lá vai você. Desta forma, você está livre de quaisquer limitações, você é onipotente.

Mas, você não escolheu sua mente e personalidade, o que significa que você não está totalmente livre. Além disso, seus desejos dependem dos valores com os quais você foi educado, o que também não é liberdade. Já existem condições preliminares em você, que influenciam você. Então, que tipo de liberdade é essa? Não é do jeito que você a imagina. Você simplesmente não esclareceu isso.

Por outro lado, o Criador realmente quer que você seja livre. Então, você estará livre do que Ele inseriu em você e em vez disso, você vai construir os atributos opostos acima disso. Você vai encontrar a verdadeira liberdade entre os 613 “pecados” e os 613 “mandamentos”, o que é algo novo, um terceiro fator, a linha média, o mundo espiritual. Ele não existe sem você. Se você não o criar, ele não vai existir.

Entretanto, não se esqueça: você é uma criatura e, portanto, não é livre, você está limitado em suas qualidades e desejos.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 15/02/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

Descer Para Subir

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Liberdade”: “No entanto, quando ele alcança o objetivo da Criação e o Criador recebe prazer dele, pois é feita a Sua vontade, a essência do homem se veste em Seu contentamento, e lhe é concedida a eternidade completa, como Ele. Assim, ele foi recompensado com a liberdade do anjo da morte”.

Baal HaSulam explica a liberdade no contexto da percepção da realidade. Nós vivemos num mundo de forças. Não há matéria; ela é apenas representada a nós sob a influência de diferentes forças que estabilizam este sentimento para nós.

Eu percebo a natureza inanimada em todas as suas formas e maneiras, e também os níveis vegetal, animal e humano da natureza. Estas quatro categorias que enchem meu campo de sensação são forças que são representadas no meu desejo e que atraem, como numa tela, a imagem variada do mundo tridimensional.

Isso acontece porque o meu desejo de receber divide a doação geral, chamada de Luz, em muitos tipos e graus de reações internas. No seu conjunto, ele constrói a imagem do mundo no qual eu sinto e vejo todas essas ações.

Assim, desde o início, me foi dado um sentimento para o qual eu não tenho que me preparar. Eu já tenho o desejo de receber e nele eu sinto o mundo. Além disso, eu vejo processos em larga escala na natureza inanimada, vegetal e animal, e também entre estes níveis. Na verdade, trata-se do nosso mundo interno, mas nós pegamos os nomes dos objetos e fenômenos nele do nível mais inferior, de acordo com o princípio do ramo e da raiz.

Quanto mais eu me elevo, mais eu me aproximo da Luz através das camadas do meu desejo. No lugar mais inferior eu vejo a imagem deste mundo. Então, eu subo para o próximo nível, para os desejos que estão mais próximos da Luz, e essas forças estão diante de mim na forma de Partzufim, mundos e Sefirot. Então, eu vejo a conexão entre o ramo e a raiz em tudo, e, consequentemente, eu chamo as formas que sinto como desejos e as relações entre as forças por nomes paralelos do nosso mundo. Assim, a linguagem dos ramos é formada.

Com a ascensão ao nível espiritual, meus desejos mudam. Em outras palavras, eu mudo, e assim subo para o nível onde me assemelho e sou, em parte, igual ao Criador. Mesmo que isto seja apenas o primeiro dos 125 degraus (1/125), eu já vivo neste grau. No nível seguinte, eu já vivo no grau 2/125. Isso significa que eu assumo a forma que não desaparece. Tudo visa à doação, semelhante à Luz. Eu estou aderido a ela. Eu sou o mesmo vaso que ela preenche. Assim, eu já estou na eternidade, no Criador. Eu entrei em Seu domínio com meus desejos, e esta é uma subida para o nível da vida, a fuga do “anjo da morte”.

Ao mesmo tempo, não me perturba que o meu primeiro nível esteja na minha percepção o tempo todo, até o final da subida. Eu tenho que descer até ele e permanecer nele, porque quando eu corrijo os meus desejos, é a partir deste nível que eu tenho que começar a subida o tempo todo. Eu não posso elevar-me do atual nível espiritual para o próximo nível. Eu devo descer e aceitar um acréscimo do desejo corrompido e, em seguida, subir para o mesmo desejo num nível mais elevado.

Todos os desejos corrompidos crescem a partir do lugar mais inferior. Portanto, embora as forças na tela dos meus desejos também retratem a imagem deste mundo, essa imagem ainda tem que estar constantemente diante de mim. É por sentir isso que eu posso me elevar a todos os graus da escada que leva a Ein Sof.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/01/12, “A Liberdade”

Coloque Seu Desejo Sob A Luz

Dr. Michael LaitmanBaal Hasulam, “A Liberdade”: “Toda a sabedoria deles não os ajudou a encontrar uma ponte sobre a qual atravessar essa fenda larga e profunda que se espalha entre a entidade espiritual e o átomo corporal. Assim, a ciência não ganhou nada com todos estes métodos metafísicos”.

A pessoa herda seus atributos de seus pais. Estes atributos não podem ser alterados, mas a sociedade os influencia e lhes dá diferentes formas. Finalmente, a pessoa não expressa a si mesma, mas sim a sociedade externa.

Os atributos podem ser diferentes, mas o que importa é a forma como são dados: a pessoa pode ser um grande gangster ou um grande cientista, pode abater animais ou abater pessoas. A distância entre um policial e um ladrão é muito pequena, e ambos entendem um ao outro.

Assim, a sociedade faz o que quer com a pessoa. Embora exista o núcleo preliminar numa pessoa, os fatores que influenciam fazem o que querem com ela. Esse é o estado das coisas no nível corpóreo, e por isso não decidimos nada aqui.

No entanto, no nível espiritual, nós temos que descobrir a raiz da alma da pessoa, o ponto no coração, e colocá-lo num ambiente que irá abastecê-lo com a Luz que reforma. Nós temos que construir um ambiente espiritual que fornecerá à pessoa esta Luz espiritual que influenciará o seu ponto no coração e o abrirá.

A pessoa, por sua vez, tem que se rebaixar perante o ambiente adequado e neutralizar o seu ego, a fim de remover as coberturas egoístas do ponto no coração. Ela tem que trazer o seu ponto para fora e conectá-lo com os outros pontos, de modo que este realmente parecerá desejar a doação. Embora a intenção deles ainda seja egoísta, eles são atraídos para a doação mútua, para a força que lembra, ao menos em certa medida, a Luz que reforma. Esta é a única maneira de atraí-la. Esta Luz influencia as forças egoístas em nós que estão tentando manter contato, apesar do ódio que sentimos.

Portanto, há um ponto no coração preliminar, a raiz da alma de uma pessoa, e há a Luz que reforma, a força que desenvolve a raiz da alma. Todas as condições egoístas numa pessoa e no ambiente, ou seja, o grupo, foram feitas para desenvolver a força de doação, a intenção de alcançar a doação, tanto quanto possível. É por esta razão que vemos a nós mesmos vestidos com uma casca egoísta, e também vemos o grupo como repulsivo. Isso nos permite trazer para fora o nosso ponto e colocá-lo diante da Luz que reforma. Caso contrário, nós simplesmente não seríamos capazes de fazê-lo.

Portanto, a casca é chamada de “ajudante”. Ela permite que eu coloque o meu ponto sob a Luz.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/11, Baal HaSulam, “A Liberdade”

Onde Está A Nossa Liberdade?

Dr. Michael LaitmanNós já entendemos que o livre arbítrio não é um termo simples. Nós nascemos com atributos que não escolhemos, numa família e condições que não escolhemos, temos uma educação que não escolhemos … em suma, somos criados e moldados sem ter livre arbítrio.

Como resultado, a pessoa neste mundo é “cozida” por seus pais, o ambiente e a sociedade…  portanto, ela não tem liberdade e não podemos exigir nada dela, afinal, ela é uma máquina. Parece-lhe que ela tem seus próprios pensamentos, seus próprios desejos, suas próprias obras, mas, na verdade, estes são inevitáveis, e ela é obrigada a agir dessa forma.

Então, qual é o propósito da criação? Nós estamos falando de um pensamento da natureza, do desejo, da intenção, da grande sabedoria. Na verdade, o Criador, ou a Força Superior, por definição, tem grande sabedoria, muito mais do que toda a criação que está abaixo Dele.

Quando nós estudamos o mundo, descobrimos uma sabedoria inconcebível nele. Nós só conseguimos “arranhar” a superfície e toda a nossa ciência é baseada nisso. Na verdade, nós não começamos a descobrir as verdadeiras forças, relações e formas, e a conexão que existe nesta realidade.

Portanto, por que o Criador criou o mundo? Para que as criaturas sigam um plano predeterminado? Afinal, o início e o fim já são conhecidos, tudo está predeterminado e nós não temos voz nem livre-arbítrio. Todo o nosso desenvolvimento é predeterminado. Para o Criador o conceito de tempo não existe.

Então, tudo isso é inútil. Podem as criaturas fazer algo de forma independente, de alguma forma ou em algum momento? Algo pelo qualcvalesse a pena criá-las, juntamente com toda esta realidade?

A questão básica é: onde está o nosso livre arbítrio, pelo qual o Criador criou tudo? Os mundos espirituais, as inumeráveis formas ​​e fenômenos e o universo corporal em que vivemos, tudo isso é apenas para que a pessoa realize alguma ação independente em algum breve momento em sua vida? O momento único que dá significado a tudo.

Agora, este momento é evasivo, deixando-nos com uma pergunta para a qual não temos resposta. Mas, se encontrarmos o ponto onde podemos acrescentar um grama por nós mesmos, toda a realidade se iluminará e você descobrirá sua maravilhosa satisfação infinita…

Então, nós temos que descobrir onde está o nosso livre arbítrio. Se nós analisamos isso de forma lógica, a realidade não pode existir sem esta opção. Afinal, não haveria razão para a sábia natureza criar qualquer coisa de outra forma. Nesse caso, não haveria sentido para suas ações.

Nós temos que buscar a nossa liberdade. Sem ela a nossa vida continuará programada, planejada, e continuaremos a ser geridos como marionetes numa corda. Nós temos que buscar o ponto do livre arbítrio e realizá-lo. Esta é toda a meta do homem.

O que é a liberdade? Liberdade de quem? Do Criador e Suas ordens? É claro; enquanto eu estou ligado a Ele, não sou eu. Ele me movimenta. Então, eu não tenho que estar livre de outras pessoas, nem de mim mesmo, mas, em primeiro lugar, Dele. O Criador criou certo estado onde eu posso estar separado Dele, de Seu controle. Então, eu serei livre.

A questão é: o que eu faço com essa liberdade? Que novas habilidades posso adquirir? Com que pensamento, com que sentimento e com que ação eu devo preencher o vazio que é subitamente revelado a mim?

Nós falaremos disso outra hora.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/11, Baal HaSulam, “A Liberdade”

Ele Está Em Toda Parte. Então, Onde Eu Estou?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Liberdade”: Assim, nós estamos nas mãos desses quatro fatores, como argila nas mãos de um oleiro.

Nós estamos rodeados pela influência do Alto de todos os lados. O Criador nos governa de uma maneira muito dura e absoluta, à medida que Ele controla todos os canais, tanto internos quanto externos, em nossos desejos, pensamentos, hábitos e natureza. Nós não temos nada que é nosso, e até mesmo as palavras que eu estou dizendo agora são organizadas por Ele.

Então, qual é o nosso livre arbítrio? Afinal, não podemos atribuir a liberdade a qualquer objeto, ação, pensamento ou a menor partícula do desejo de receber. O Criador o criou, Ele o influencia de forma absoluta. Então, o que pode ser livre nele?

As pessoas vieram com teorias sobre duas autoridades e politeísmo, sobre as quais o Baal HaSulam escreve em seu artigo “A Paz”. É difícil concordar que existe apenas uma autoridade que “cubra” tudo. Se o Criador é unificado, se não há outro além Dele, se tudo depende Dele, então estou sob o Seu controle absoluto, e é como se eu não existisse, mas sim me dissolvesse nele. Por isso, é preferível ter duas autoridades: uma boa e outra má. Isso é compreensível; entre elas há espaço para mim, e eu posso afetar as coisas.

Ainda assim, em algum momento eu percebo que por trás de tudo que me afeta há uma Fonte. Não é uma imagem que podemos imaginar, mas uma mente, um sentimento, algo unificado. Eu só tenho que descobrir a razão pela qual ela me afeta, o que quer de mim? O que eu deveria me tornar de acordo com a sua influência?

Ao saber o que Ele quer de mim, eu vou conhecê-Lo. Para quê? Apenas para conhecimento ou para cumprir o Seu desejo?

Qual foi Sua intenção ao me criar? O que Ele quer, gerindo-me desta maneira? Se Ele só quer que eu Lhe obedeça, é melhor não saber nada, mas simplesmente agir de acordo com as instruções que recebi. Mas, se Ele realmente quer que eu O alcance, revele-O, então eu tenho que fazer de tudo para alcançar este objetivo e não agir automaticamente.

Portanto, há muito trabalho a fazer com relação à causa inicial de tudo. Este é o nosso único trabalho: constantemente afiar, “polir” nossa atitude para com Ele. Quem é Ele? O que Ele quer de mim? Por que Ele me faz reagir dessa forma? Eu sempre subo os níveis de minha atitude e esclareço o que Ele quer me dar ao me exigir as coisas. O que Ele quer é que eu, graças à doação a Ele, O entenda.

Eu continuo esta cadeia e constantemente elevo o nível de Suas exigências para comigo. Assim, eu tenho que justificar o mal como o bem, uma vez que ambos vêm de uma só fonte. Eu tenho que entender porque Ele divide Sua doação em duas: graças a isso eu serei capaz de verificar a mim mesmo, ajustar o meu curso. Para Ele, essa dualidade não existe, mas minha realidade é dividida em doação e recepção.

Finalmente, nós devemos revelar constantemente o conceito de Unificado, e não mais do que isso. Se eu prestasse atenção nisso, eu veria que não há mais nada na minha vida. Mesmo no mundo corporal, tudo se resume a este esclarecimento que descobre a união, revela o Criador.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/12/11, “A Liberdade”

O Botão De Tração

Dr. Michael LaitmanCada momento, com todos os seus dados, vem do Alto. Tudo nele é pré-determinado e eu estou sob seu controle. No entanto, o momento seguinte está em minhas mãos.

Eu começo a analisar qual é o sentido de vida. Será que eu consigo entendê-la? De repente, percebo que não só posso entendê-la, com posso mudá-la também. Além disso, eu não só posso mudá-la, mas posso alcançar o mais elevado grau de percepção, sensação, consciência e controle da situação.

Acontece que entre milhares de botões, existe aquele mais importante. Todos os outros 999 botões não irão perturbar você quando você pressionar aquele botão único. É seu livre arbítrio.

Você tem que encontrar esse botão várias vezes, mover-se passo a passo, cada vez fazendo um trabalho diferente e realizando análises diferentes. Você não pode simplesmente pegar esse botão e segurá-lo até o fim. Não, você tem que procurá-lo novamente a cada vez, no meio de todos os outros botões. Agora, ele está aqui, então como posso alcançá-lo? No próximo nível, ele está num lugar totalmente diferente.

É assim que você muda sua vida. Isso não é um trabalho superficial. Ele lança você de um lugar a outro. Com a ajuda desse botão, você tem que ativar todos os outros. Esse botão é o acesso a eles.

No final, o livre arbítrio apenas obriga você a vir para o grupo. Isso não é complicado. Entrar no grupo e colocar-se sob a influência do ambiente adequado. Graças a isso, juntamente com o ambiente, em conexão mútua com ele, você vai encontrar o botão correto e mudar seu destino.

A realidade é muito mais simples do que imaginamos. Ela diz que o Criador criou o homem simples, mas as pessoas têm feito muitas complicações.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 18/12/11, “A Liberdade”

A “Caixa” Indispensável

Baal HaSulam, “A Liberdade”: No entanto, quando examinamos os atos de um indivíduo, vamos julgá-los como conpulsórios. Ele é obrigado a realiza-los e não tem liberdade de escolha.

Somos o desejo de receber criado pelo Criador. Este desejo responde apenas para o prazer ou a falta dele, que é a dor. Assim, podemos experimentar sentimentos positivos ou negativos.

No primeiro caso, uma pessoa se sente bem e confortável, então ela quer permanecer nesse estado. O que nos enche exatamente, e onde é que vamos sentir o prazer? Afinal, não estamos falando apenas de um vidro que enchemos com água.

Conforto e prazer, e isso é especialmente evidente nas crianças: Se fizermos um bebê se sentir bem, ele vai estar tranqüilo. Esta é a resposta do desejo de receber, e naquele momento ele não precisa mudar. Na verdade, ele não pode mudar porque o prazer preenche completamente o desejo. [Leia mais →]

A Medida Da Liberdade

Não há nada mais importante do que a liberdade. Quando estou acorrentado, quando alguém me controla, não importa quem seja. Não faz diferença para mim se é da natureza, ou o Criador, ou a força superior, ou Deus. Eu não me importo se ele tem uma mente e sentimentos ou, pelo contrário, não tem rosto e é indiferente. Isto não é o que importa.

Quando estou nas mãos de alguém ou de algo, eu não existo. O meu “eu” não existe. Existe apenas um certo ser em total potencial em uma força de uma ordem superior.

Qualquer item que falamos tem a sua própria essência nos nossos olhos. Ele existe por conta própria. Mesmo que seja uma cadeira ou uma casa, nós atribuímos uma existência independente a ele. Nós subconscientemente o personificamos. Por exemplo, ficamos com raiva com um computador congelado ou um carro estragado. Nada tem valor aos nossos olhos sem uma certa parcela de independência.

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Na Busca De Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso reconhecer exatamente o ponto do meu livre arbítrio?

Resposta: Em primeiro lugar, nós descobrimos que somos totalmente, cem por cento, não livres. Esta é a realização do mal.

No entanto, por outro lado, o que há de tão ruim nisso? Se eu estou inteiramente sob o poder do Criador, ou da Natureza, não há nada para perguntar de mim. Não sou nem bom nem mau. O que há para exigir de mim? Não importa o que eu faço, não sou eu fazendo-o, como está escrito: “Vá ao artesão que me fez”.

A religião é baseada nisso. Eu sou uma pessoa pequena. Eu faço tudo o que Ele quer. Se Ele diz para fazer, eu faço. Desta forma, todas as minhas acusações são removidas, quaisquer questões são anuladas, e eu me livro dos problemas.

No entanto, nesse caminho, você perde a independência e a liberdade. Apenas seguindo os decretosdo Criador, mesmo involuntariamente, você encontrará sempre uma recompensa para si e facilitará sua tarefa – à custa do seu verdadeiro “eu”. É por isso que a religião é boa para as massas. Quando tudo vem do Alto, ela adiciona uma sensação de conforto para a vida e oferece apoio psicológico para fluir junto com todos.

Por outro lado, na Cabalá, eu exijo a independência, em vez da auto-anulação. Eu quero encontrar o início do meu “eu”. Nessa busca, nesta avaliação racional e lógica, eu descubro que, na realidade, eu não existo. Eu não decido sobre nascer neste mundo, eu não escolhi as minhas qualidades, minha genética, meus pais, meu país ou meu ambiente. Eu fui criado e educado pelos sistemas e instituições já formados, tais como creche, escola, meio de comunicação de massa, e assim por diante. Quem sou eu depois de tudo isso? Eu sou um pedaço de massa cozida num forno comum num naco de pão normal.

Quando eu percebo isso, uma pergunta surge em mim: Isso que é a vida? O que ela me dá além de preocupações infinitas, uma fuga constante do sofrimento e breves momentos de prazer? Esta é a realização do mal: eu começo a pensar sobre a essência do que está acontecendo, sobre a minha viagem e seu fim, e eu entendo que não existo. Há apenas uma máquina que eu não comando nem controlo. Quando há um conflito de algoritmo no computador, ele dá uma mensagem de erro. Eu também respondo aos problemas, embora de uma forma sensorial. A pressão salta de algum lugar, e eu sinto dor. Isso é tudo o que é.

Neste caso, eu simplesmente não tenho nenhuma razão para viver. Muitas pessoas chegam a esta conclusão. A única coisa que as segura é o medo instintivo da morte, e mesmo isso nem sempre funciona.

Aqui é onde eu começo a busca pela verdadeira liberdade, a minha verdadeira essência. O caminho para isso está em se tornar como o Criador, sem adorar ou anular-se diante Dele, mas realmente se tornando como Ele. Eu devo crescer e me tornar mais parecido com Ele. A independência e a liberdade absoluta são inerentes ao Criador. Não há outro além Dele em toda a natureza. Eu posso crescer de acordo com o mesmo princípio quando não há mais ninguém além de mim em toda a natureza.

Este é o método Cabalístico. Nós buscamos liberdade e independência. A coisa mais dolorosa é o fato de que eu não existo. Onde eu posso encontrar o meu “eu”? Essa busca do meu próprio “eu” é a minha vida inteira. Eu quero uma maior auto-expressão. Eu quero governar sobre todo mundo e receber. O que é tudo isso? É para o meu “eu” se formar e crescer. Aqui, a Cabalá explica que adquirir o seu “eu” significa adquirir as qualidades do Criador, em outras palavras, adquirir a liberdade.

Pergunta: Então, como eu posso encontrar o meu “eu” sem livre-arbítrio?

Resposta: O ponto inicial do meu “eu” se manifesta através de perguntas sobre o significado e a essência da vida. Uma pessoa que chega a Cabalá já tem este ponto de escolha, o ponto no coração, uma centelha, o outro lado da linha média, o reverso da liberdade, o sentimento de vazio e falta.

Eu não tenho liberdade, e é por isso que eu faço perguntas sobre o sentido da vida. Isso é exatamente o que me falta. Eu não me importo sobre a própria vida, eu preciso encontrar o meu “eu”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/12/11, “A Liberdade”