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Ação Mais Intenção

Dr. Michael Laitman“O Criador é bom e faz o bem”. Nós temos de aceitar isso como o único axioma na espiritualidade. Nada de ruim vem do Alto. Pelo contrário, a Luz permanece em um estado de completo repouso, e só o bem absoluto é revelado.

O único problema reside no vaso, no desejo da criatura. Em outras palavras, tudo depende da pessoa, em seu esforço e preparação. A ação em si pode ser de recepção ou de doação, e a intenção pode ser para si ou para outra.

Nós começamos o nosso desenvolvimento a partir da “recepção para si mesmo”, que é a ocultação dupla ou Lo Lishma. A ação é a recepção, a intenção é para si mesmo. Mas, depois, os nossos esforços nos levam ao grau de “doação para si mesmo”. A transição da “recepção para si mesmo” para a “doação para si mesmo” implica em mudar somente a ação mecânica. Isso nós podemos fazer!

Nós não temos nenhum controle sobre a intenção, que só pode ser corrigida pela Luz. No entanto, nós somos capazes de mudar nossas ações de recepção para doação, desde que isso seja feito por nós mesmos. Nós doamos a fim de melhorar o nosso estado. Este trabalho é chamado de “comprar um amigo para si”.

Mas, para mudar de “doar a fim de receber” para “doar a fim de doar”, nós temos que mudar a intenção, e para isso precisamos da influência da Luz que Corrige. Nós nos esforçamos e fazemos o que for necessário no grupo e no estudo, mas a mudança na intenção é feita apenas pelo poder da Luz.

E quando nós alcançamos o “doar a fim de doar” (o grau da fé, Lo Lishma, recompensa e castigo, a primeira revelação), nós vamos nos elevando conscientemente ao grau de “receber a fim de doar”, ambos através de nossas ações e sob influência da Luz.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 9/06/10, Artigo: “Poderia Alguma Coisa Negativa Descer do Céu?”

Imagine-se no Infinito

Recebi uma pergunta: O senhor disse que existem três componentes da intenção enquanto lemos O Zohar:

1) Tudo o que leio no Zohar acontece dentro de mim;

2) Eu sinto que estudo O Zohar junto com meus amigos, e eu os sinto; e

3) A unificação entre nós é possível somente devido à Luz Superior. Como é possível manter essas três intenções simultaneamente e continuamente; qual delas teve ter prioridade?

Minha resposta: A intenção deve sempre consistir de todos os três componentes juntos. Como Baal Hasulam escreveu: uma pessoa deve constantemente estar em intenção, “Israel, Torah, e o Criador são um”. Se a pessoa escolhe um deles em detrimento dos outros, ela se distancia do caminho. [Leia mais →]

O Dia Inteiro É Uma Preparação Para Uma Hora de Estudo

Recebi uma pergunta: O trabalho em relação à intenção que devemos ter durante o estudo do Livro do Zohar deve ser feito durante o dia, bem antes da aula?

Minha resposta: A pessoa deve trabalhar com a intenção durante todo o tempo. O mundo está disposto de tal maneira que nós estamos em contato com o grupo e os estudos somente por um breve intervalo de tempo.

Milhares de pessoas em todo o mundo estão assistindo a aula agora. Muitos estão ouvindo através de traduções simultâneas. Existem aqueles que entendem a tradução com muita dificuldade, porque ela só está disponível nos principais idiomas. Porém, não faz nenhuma diferença para o avanço espiritual dessas pessoas. Com respeito ao Zohar, estamos todos na mesma posição. Chegamos à aula como a um posto de gasolina. Nós nos abastecemos com a Luz e então vivemos nela durante as horas restantes. [Leia mais →]

O Campo Das Intenções

Laitman_728_01Uma pergunta que recebi: Existe a intenção pessoal e a intenção do grupo. Qual deve ser a intenção do grupo durante o estudo do Zohar?

Minha Resposta: Ela deve ser a mesma. A intenção do grupo não pode ser diferente. O grupo é a soma total dos indivíduos no grupo; ele só amplifica a intenção individual de todos.

Eu tenho de me conectar com outros porque a minha intenção não transporta qualquer poder para atrair a Luz que Corrige. Esta Luz revela para mim tudo o que eu leio em O Zohar. Se meus amigos me transmitissem suas intenções, e suas intenções se unissem dentro de mim, eu revelaria imediatamente a essência interna da história que eu leio em O Zohar. Isso aconteceria instantaneamente.

O problema é que eles não desejam transmitir-me suas intenções, da mesma maneira que eu sou incapaz de lhes transmitir a minha. Talvez eu esteja a falar sobre ela, mas isso não me incomoda tanto assim.

Aqui reside a essência da unificação. Ao me unir com outros, eu recebo suas intenções. Sozinho, eu não posso revelar nada. São as intenções que nós recebemos um do outro, nada mais. É apenas através da teia de intenções que eu me posso conectar com outra pessoa, e esta intenção ocorre apenas quando eu estou pronto para fornecer aos outros a energia da vida para que eles vivam na espiritualidade.

Ao pensar desta maneira, eu passo minha intenção para todos. Eu uno-me com os outros numa rede de um organismo vivo e então isso torna-se vivo. Eu dou-lhe vida. Então cada um dos meus amigos possui uma força de vida, uma vez que cada um deles tem a oportunidade de passar a Luz adiante.

A força da vida ou a Luz existe entre nós. Nós só podemos revelá-la de acordo com nossa intenção, nossa atitude um com o outro.

Isso pode ser comparado a um campo electromagnético. O campo não pode ser identificado sem um circuito eléctrico com seus condutores, o qual permite à corrente eléctrica fluir na rede, movimentar-se e executar o trabalho no campo magnético. Um condutor de metal movimentando-se no campo magnético passa corrente eléctrica; electrons livres movimentam-se nela. Estes são exactamente os mesmos processos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 18/04/10, O Zohar

A Indução Espiritual

No livro Beit Shaar HaKavanot (A Portaria das Intenções), o Baal HaSulam explica que a intenção depende dos desejos que não têm a tela (Kelim de Igulim). Por outras palavras, a intenção depende do nível do nosso entendimento, que nós estamos sob o poder destes desejos, assim como a nossa vontade de transformá-los em desejos com uma tela (Kelim de Yosher).

A tela, que é a força anti-egoísta, irá aparecer apenas se eu mesmo a quiser construir. Isto significa que eu devo distinguir a “cabeça” e os “pés” nos meus desejos, que são coisas que são mais ou menos importantes para mim. Quando eu quero trabalhar com a tela numa “linha direita”, eu começo a colidir com os desejos De Igulim. A tensão surge entre nós, pois eu quero definir uma nova escala de valores de acordo com Yosher, a tela anti-egoísta, e não de acordo com Igulim. Então, os Igulim começam a me influenciar e a me empurrar de tal maneira que, finalmente, eles me ajudam a chegar ao lugar em que eu preciso de estar.

Se nós queremos avançar, então a tela é necessária. E, pelo contrário, se nós queremos adquirir uma tela, então o avanço é através dos desejos De Igulim, que operam sem uma tela. Subsequentemente, isto é como acrescentar a sua “linha” ao campo dos Kelim de Igulim. É como um pedaço direto de fio atravessando um campo magnético, em que a electricidade (Luz), começa a fluir para esta linha de acordo com as leis da “indução espiritual.”

Ao querermos todos os nossos desejos orientados numa direcção (para o Criador), nós construímos uma “linha” (desejo sem uma tela) dentro dos Igulim. Esta é chamada de intenção ou oração. O Baal HaSulam escreveu o Beit Shaar HaKavanot como introdução a um livro de orações Cabalistico que ele queria escrever.

Uma página do Livro de Orações do Rashash (Rabino Shalom Sharabi):

Nunca Pare


Uma pergunta que recebi: Se eu mantiver a intenção correta durante o estudo do Zohar, eu sentirei algum resultado?

Minha resposta: Nós não sabemos se a nossa intenção é correta ou não. Muito provavelmente, eu estou bem humorado e sinto-me animado; eu dormi bem e percebo tudo perfeitamente. Assim, parece-me que a minha intenção é sublime, apropriada para a meta espiritual. Às vezes, eu mal consigo manter-me acordado, dormindo e acordando de novo; ou, de repente, eu recordo alguns eventos passados.

Nós não sabemos como isso funciona; cada pessoa está sempre recebendo motivos especiais e os esforços que deve realizar. A coisa mais importante é simplesmente continuar, independentemente do resultado. A pessoa só deve tentar imaginar a imagem espiritual que O Zohar descreve em cada situação. Pode ser muito difícil conseguir isso, mas mesmo se a pessoa está no estado mais difícil, ela, no entanto, consegue pegar “o fio da meada”, e então atinge um sucesso muito maior do que se estivesse inspirada desde o início.

É claro que não devemos ignorar os estados de entusiasmo que nos são dados, mas também não devemos prestar muita atenção para as condições internas ou externas que nos encontramos. Quaisquer que sejam as condições dadas a uma pessoa, são as condições sob as quais ela deve tentar fazer tudo possível.

Estando Numa Intenção Com a Luz

Uma pergunta que recebi: Normalmente leva-se tempo para entrar na corrente do texto de O Zohar. Como nós podemos acelerar esta entrada?

Minha Resposta: Isto depende do estado da pessoa. Leva-me pelo menos 20 minutos, por vezes até 40, para começar a sentir O Zohar e conectar-me a ele, para começar a trabalhar juntamente com ele na mesma respiração, flutuando nas suas ondas.

A pessoa tem de continuar a ler e esperar que isso aconteça. Mas o tempo de preparação não é um desperdício. É um grande trabalho, um tempo em que a pessoa deve ter fé que O Zohar em breve será revelado a ela. Você já experimentou e você sabe como isso acontece. Você compreende que tudo o que tem de fazer é continuar e, finalmente, certo tipo de conexão se abrirá.

Por virtude desta conexão, começamos a sentir O Zohar, a percepcioná-lo mais perto de nós. Começamos a receber uma iluminação maior dele à medida que o texto “brinca” connosco, despertando mudanças internas.

Isso leva tempo; o tempo de preparação é necessário para se estabelecer contacto com o livro. Este tempo é muito importante e você tem de ser paciente, dando-lhe tanto tempo quanto necessário. Afinal, é muito importante que isto aconteça, e a pessoa tem de estar certa que isso irá realmente acontecer. Você tem de esperar por isso, desejá-lo; ao o fazê-lo você irá conectar-se com o livro.

Mais tarde você irá sentir que não é apenas certa imagem tornando-se mais clara para si, mas que você está a entrar num oceano de sensações e mudanças internas. Você começa a experimentar muitas ascenções e descidas à medida que O Zohar o faz mover para a esquerda ou para a direita (em respeito às suas sensações espirituais). Você irá sentir fenómenos muito claros e drásticos dentro de si e irá sentir como a Força Superior opera dentro da sua matéria.

Ao longo de tudo isso, o avanço da pessoa reside no facto de que ela aguarda que o estudo a corrija, isto é, leve-a à união, ao amor pelo próximo, e à união com o Criador. É por esta razão que ela lê e se esforça. Nesse caso, a pessoa avança numa única intenção com a Luz.

A Portaria das Intenções


Umapergunta que recebi: Que tipo de livro é Beit Shaar Ha-kavanot que começamos a estudar hoje? Qual é a atitude correta que deveria ter ao estudá-lo?

Minha resposta: tudo já está expresso no seu título, “Beit Shaar Ha-kavanot” (Entrada Das Intenções), o que implica o alicerce, a base das intenções. Ao estudar este livro, você deve ter a mesma intenção dirigida para o desenvolvimento da alma, como você faz com outros livros cabalísticos.

Tudo o que uma pessoa lê afeta sua mente e o coração corporal de uma determinada maneira, e isso depende do estilo do conteúdo em todos os níveis de PARDES (dica, parábola, segredo). Em outras palavras, um livro tem maior influência sobre os sentimentos, outro sobre a mente, enquanto o terceiro livro é completamente incerto. Entanto, a pessoa deve aspirar a extrair apenas uma coisa deste livro: a Força de doação. “É a Luz , que retorna à fonte”. Ao mesmo tempo, devemos tentar entender este livro e se conectar com ele, tanto quanto possível.

No entanto, isso deve ser secundário para manter a boa intenção de atrair a potência máxima de doação a partir dele. Nossa aspiração primária deve ser direcionada para a correção, ao invés de conhecimento. Caso contrário, é como se “uma pessoa subestimasse suas ações.”

A Lente Espiritual


Nós não conhecemos as qualidades do Criador. Nós O percebemos da maneira como Ele é percebido por nossas almas, ou seja, da maneira como Ele nos é revelado quando Malchut (a alma) une-se com Ele através de Yesod – apenas por um ponto. Devido à sua unificação com Yesod, ele revela a imagem “do Criador”, algo que existe diante dele, dentro de si.

Isso funciona como uma lente ótica, através da qual a Luz chega até nós. Os raios focam num ponto, a partir do qual revelamos a Luz em Malchut. Este foco é Yesod, o único ponto de contato, e a revelação dele ocorre em Malchut.

Depois de passar por Yesod, os raios dispersam e criam uma imagem em nós, em Malchut. A imagem nos mostra o que existe antes deste ponto; todavia, nós ainda não conheçamos o Sistema Superior, pois não temos qualquer conexão com ele.

No entanto, ao reunirmos isso a partir deste ponto, que é o ponto mais inferior no sistema, nós revelamos toda a imagem daquilo que existe acima de nós. Assim, nós só precisamos encontrar o contato com este ponto; este é o nosso ponto de contato com o nível superior, Yesod. Para que isso aconteça, nós precisamos nos unir junto com Malchut, tornando-nos semelhante a Yesod. Nós temos que nos tornar um homem com um coração, com um objetivo, intenção e desejo, na mente e no coração.

Através deste ponto de contato com Yesod, dessa gota de unificação que nós alcançamos, o Mundo Superior, que está fora de nós, torna-se revelado. Está escrito: “Faça-Me uma abertura do tamanho do buraco de uma agulha, e eu Eu abrirei os Portões Superiores de Luz para você”. Através desses portõess revelaremos todo o Sistema Superior, mas o contato ocorre no ponto de menor foco. Exceto por isto, nada mais é sentido em Yesod.

Tudo é revelado em Malchut, a qual se chama, portanto, uma imagem (reflexão) do Criador.

Mude a Sua Intenção e Voce Mudará a Sua Realidade


Eu sou um pequeno mundo, e percebo tudo dentro de mim. Como o Baal HaSulam explica no “Prefácio ao Livro do Zohar”, existe uma  “câmera” dentro de mim que projeta a imagem do mundo numa tela, na parte posterior da minha cabeça. Assim, o mundo se apresenta para mim através do seguinte sistema de coordenadas: ” mundo, ano,  alma”. Portanto, a fim de ver a verdadeira imagem do mundo, eu tenho que organizar adequadamente os meus desejos, através dos quais percebo o mundo.

Ao corrigir cada um dos meus desejos, de recepção para doação, eu gradualmente começo a converter as imagens deste mundo, atualmente percebidas em função da recepção, para uma imagem do mundo em função da doação. Então, passo a passo, eu me aproximarei do retrato fiel da realidade – aquele que está fora de mim e independente dos meus corruptos vasos de recepção (Kelim). Eu verei a realidade em sua verdadeira forma, fora de mim; dito de forma diferente, eu “verei” o mundo espiritual.

Tudo o que tenho que fazer para conseguir isso é mudar o método de utilizar os meus desejos, de recepção para doação. Portanto, primeiro eu devo imaginar que o mundo que eu atualmente sinto e no qual pareço habitar é, na verdade, os meus desejos; é nesses desejos que eu habito, os quais são destinados ao consumo (recepção).

Como eu gradualmente começo a convertê-los de recepção para doação, ao sair fora deles, a imagem do mundo mudará. Isto é muito difícil para eu entender, porque estou acostumado a perceber o mundo como ele se parece atualmente para mim. No entanto, toda a imagem do mundo é criada por forças que descem do Alto, como a imagem numa tela de computador. Eu posso mudar meus desejos, e assim perceberei uma realidade diferente.

Nós estamos vivendo numa época especial, quando todas as forças, todas as condições, e todos os estados que atravessamos nos ajudam a desfazer a nossa percepção atual do mundo, a percepção da realidade corpórea, e desenvolvem o desejo de adquirir uma percepção diferente da realidade – a do mundo espiritual.