Textos com a Tag 'Conexão'

Angústias Amorosas


O Zohar, Capítulo “Tazria (Quando a Mulher Dá à Luz)”, Item 70: “…angústias de amor são escondidas das pessoas”. Angústia de amor é o estado também conhecido como “Eu estou apaixonado”. Isso significa que eu não preciso de nada; eu só quero dar, doar. Meu único desejo é satisfazer o seu desejo.

Este é um estado intermediário em que eu quero muito dar, mas sou incapaz. Dado que ainda não adquiri uma tela, eu sou incapaz de receber a Luz de forma a satisfazer o seu desejo. O amor é um estado em que eu sinto o desejo do próximo mais que o meu próprio.

O Zohar, Capítulo “Tazria (Quando a Mulher Dá à Luz),” Item 72: Está escrito, “Melhor é a repreensão aberta que amar o que está escondido”, o que significa que a repreensão aberta é melhor. E se a repreensão é feita por amor, ela é escondida das pessoas. Similarmente, aquele que repreende o seu amigo com amor deve esconder suas palavras das pessoas, para que seu amigo não fique envergonhado por estas. E se suas palavras são abertas perante as pessoas, elas não estão com amor.”

No nosso mundo nós desejamos naturalmente esconder os nossos relacionamentos e o amor entre nós, pois o amor requer discrição. Queremos protege-lo de tudo o que possa potencialmente prejudicá-lo. Mas o que significa “estar envergonhado” ou “revelar amor diante dos outros” na espiritualidade? Eles são os meus desejos.

Se eu alcanço uma conexão com o Criador num único desejo, então os outros desejos nos quais eu não me posso conectar com Ele são chamados “os outros”. Desta forma, eu preciso prestar atenção a eles para que eles não prejudiquem o meu amor, assim como ter em mente que tudo está a acontecer internamente.

A Dor Curativa do Terceiro Dia


O Zohar, Capitulo “Miketz.” Item 161: “E ele colocou-os todos juntos na prisão por três dias”. Estes três dias correspondem aos três dias de Schechem, como está escrito, “E aconteceu no terceiro dia, quando eles sentiam dor”.

O terceiro dia está sempre conectado à dor. Ele é o dia mais difícil no processo da correcção, pois é o dia em que ocorre a inclusão mútua das linhas direita e esquerda. Não é como o primeiro dia, que é todo acerca da linha direita e quando nos armamos a nós mesmos com o poder de doar, nem é como o segundo dia, que é todo acerca da linha esquerda, em que verificamos quais das suas partes podemos nós conectar ao desejo de doar. O terceiro dia é sobre a inclusão recíproca de uma propriedade na outra, que resulta na criação de uma propriedade nova e intermédia.

A inclusão reciproca existe apenas na espiritualidade; ela nunca acontece no nosso mundo. Neste mundo existe apenas um tipo de conexão – quando dois objectos se unem. Por exemplo, o primeiro objecto contribui com seu intelecto, ao passo que o outro doa as emoções. Eles conectam-se e reabastecem-se um ao outro. Isto acontece porque no nosso mundo tudo possui apenas uma propriedade – o desejo de receber. Desta forma, toda a inclusão no nosso mundo ocorre apenas dentro desta única propriedade, que assume vários aspectos e formas.

A inclusão mútua na espiritualidade, contudo, significa que algo totalmente novo surge – uma terceira entidade compreendida das duas primeiras. Isto é, na verdade, um fenómeno completamente novo que não existia previamente. Este “algo” é chamado a Alma, o Humano, ou Adam.

Aprender a Construir a Perfeição


Apenas ao corrigir o que não está já corrigido é que nós podemos aprender a compreender o Criador e nos tornarmos similares a Ele. No nosso mundo uma criança aprende ao construir uma casa de blocos ou ao reunir um puzzle. Tudo se constrói a partir de peças quebradas do todo. Primeiro, a criança tem que desmontar um brinquedo para ver o que está lá dentro, e, então, ela monta todas as peças novamente para ganhar de novo a sua forma perfeita; é assim que ela se desenvolve.

Na espiritualidade, nós avançamos da mesma maneira. Temos de saber quais são as nossas falhas ou transgressões, onde a quebra ocorreu e como o repará-la – conectando todas as partes desmontadas cada vez mais, e colocando mais as partes quebradas juntas novamente. A percepção e a realização vêem do Criador para a criação, do todo e perfeito para o imperfeito. Quanto maior a distância entre a perfeição e imperfeição, mais conexões de um para o outro irão haver e mais significativa será a sabedoria resultante. A Sabedoria nasce da sua união, sob a condição de que há disparidade de forma e separação entre eles. Desta forma, quanto mais quebrado, separado, confuso, desiludido, e oposto à perfeição eu sou, tanto melhor.

Se eu sou capaz de aplicar todos os esforços possíveis, usando todos os recursos disponíveis a mim, então eu devo começar a montar a perfeição a partir da imperfeição, de forma a deixar a “escuridão brilhar como Luz”, e trazer todas as partes para a harmonia e equilíbrio dentro de uma fonte. Isto significa que eu compreenderei quem é o Criador – Aquele que criou esta criação quebrada. A palavra “criação” (Beria) significa “tirada além dos Seus limites”. No principio o Criador fez o mal, uma propriedade que é oposta a Ele e deu-nos a oportunidade de O conhecer apenas ao criar as conexões certas, e ao atravessar o processo de correcção. É por isso que não nos devemos queixar sobre as nossas dificuldades; elas vêm até nós para que ao as corrigirmos, construímos a perfeição.

Reunindo As Peças da Perfeição Quebrada


Após a quebra da alma comum, uma parte da minha alma permaneceu no Mundo Infinito, onde está conectada com todas as outras partes. Quando eu me corrijo agora, eu corrijo aquela pequena parte da conexão com todas as outras, mais do que corrigir a pequena parte mesma.

Inicialmente, todos os nossos desejos estavam conectados pela força da Luz, a Força Superior. Eu não era consciente de minhas ações então; eu estava doando aos outros e recebendo deles também porque a Luz nos guiava a fazer isso. Assim é que existíamos no Mundo Infinito – o Kli (vaso) de Keter estava preenchido com a Luz de Nefesh, e o Kli (vaso) foi mantido nessa condição pela força da Luz Superior.

Porém, agora não é suficiente para nós estarmos simplesmente conectados. Quando retornamos àquela condição depois da quebra, com cada um de nós sendo um pequeno vaso de desejo (Kli), nós entendemos o sistema inteiro, o completo corpo comum da alma. Ganhamos consciência dele e compreendemos todo o infinito, e adquirimos o conhecimento de como nos conectar com as outras partes, como doar a elas, e dar-lhes vida.

Assim, a quebra foi necessária para que todos se mesclassem com todos os outros e para que cada um de nós tivesse os registros de informação (Reshimot) necessários. Agora, que começamos a despertar depois da quebra, todos estamos começando a sentir como essa mútua inclusão está emergindo em nós numa forma corrupta, expressa como um abominável ódio a todos. Se nós não nos corrigirmos, não haverá nenhuma pessoa no mundo que você queira que esteja viva. Mesmo que essa pessoa não o incomode diretamente, você ainda vai querer que ela morra.

Esse vai ser o sentimento comum a todos; todos nós iremos desejar que os outros desapareçam porque cada pessoa inclui tudo que está nesse desejo quebrado. A única saída é corrigir esse sistema.

Página Diária 23.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

Medidas Para o Avanço

O avanço é obtido exatamente através de decepções, confusões e consternações que ocorrem entre os estados.

E a coisa mais impressionante sobre isso é que, apesar de sabermos e termos experimentado essas mesmas sensações várias vezes no passado, toda vez que a pessoa se encontra entre esses níveis e estados, ela fica confusa e não sente ou alcança absolutamente nada: entretanto, ela experimentou até certo ponto esses discernimentos de desespero, decepção, raiva, e discordância com o que está acontecendo com ela. Mas esses estados progridem e, eventualmente, ela consegue superá-los. Em outras palavras, quanto mais a pessoa sente que está avançando, também sente que ainda não avançou. Mesmo assim, não devemos nos conformar, pois estados contrários também podem ocorrer.

Portanto, os Cabalistas escrevem que a medida mais precisa para saber se estamos avançando é através do grupo e do ambiente. A pessoa sempre pode medir o quão importante o ambiente social foi para ela ano passado, o quanto ela é presente dentro do grupo, fortalecendo-o, servindo-o, e criando um grupo unificado – em comparação ao que ela sente atualmente. De acordo com essa escala de importância que se revela dentro dela, ela pode ver se está avançando.

 

Livre-se das Falsas Obrigações

Nós devemos entender que todas as nossas obrigações no avanço espiritual, exceto o amor ao próximo, são imaginárias. O que isto significa? Que essas obrigações não trazem o resultado necessário, ou seja, o avanço espiritual. A pessoa pode se destacar nos estudos, e em muitas outras coisas, mas se ela não une a intenção pela adesão entre os amigos à todas as coisas que faz, o vaso espiritual não será formado dentro dela, e o tempo passa e ela não entenderá. Então, todas as suas obrigações na Sabedoria Cabalística são também chamadas de “falso”. Apesar disso, o Baal HaSulam coloca todas as esperanças do grupo na adesão entre os amigos, e somente nisso.

 

Não Devemos Perder as Oportunidades de Conexão

Pergunta de um aluno: Qual é a aplicação interna do amor ao próximo para a pessoa que nos assiste na televisão ou na internet?

Resposta do Dr. Michael Laitman: Em primeiro lugar, esforce-se para compreender o método Cabalístico e veja algo importante no grupo que está envolvido, como uma ancora ou um salva-vidas. A Arvut (Garantia Mútua) é essa união, o sistema onde eu posso revelar o mundo espiritual, o Criador. A revelação do Criador só é possível, dentro dessa quebra inicial da conexão entre os amigos. Mesmo assim, você deve se esforçar para se conectar a eles o máximo possível, apreciá-los, agradá-los sempre que possível.

A Igualdade é Baseada no Conhecimento da Natureza Interna da Pessoa

É impossível alcançar uma distribuição igual e justa sem o conhecimento da natureza interna de cada pessoa. Qualquer apoio social ou muletas não vai ajudar aqui.

Sistemas sociais funcionarão por algum tempo, mas então o sistema inteiro desmorona tão logo a sociedade se torne mais interconectada. Perdemos a habilidade de regulá-lo, desde que agora precisamos estabelecer igualdade e justiça em escala global. Aqui os desejos de misericórdia, justiça e paz não podem substituir a verdade, e é quando emerge a crise.

A crise econômica é o resultado do desejo das pessoas de receber sem limites. Eles incharam bolhas financeiras além dos limites racionais, negligenciando a fórmula que equilibra o dar e receber numa proporção razoável, e esqueceram que é necessário distribuir algo e fazer alguma coisa pelos outros.

Está sendo revelado agora o quanto estamos fora de controle da situação e a nossa inabilidade para equilibrar a sociedade. É dessa forma que a Natureza nos empurra para a revelação da verdade e para o alcance das almas.

Uma alma é a parte interna da pessoa, sua base de vida. Se for possível alcançar a alma de outra pessoa, se alcançará todas as propriedades daquela pessoa, e então naturalmente se poderá conectar com essa pessoa conhecendo-se do que ela é capaz e o que se pode pedir dela.

Nós estamos indo agora para o maior princípio da Torah: “Ama o próximo como a ti mesmo”, devido ao qual nos conectamos uns aos outros. Isso significa que nos entendemos e sentimos uns aos outros e assim somos capazes de compartilhar com justiça. A humanidade não resolverá o problema da sua sobrevivência sem aprender e agir de acordo com esse princípio!

Percebendo o Mundo Através Da Qualidade Da Doação


Toda a nossa percepção é construída sobre as sensações deste mundo. Todos os produtos da nossa imaginação são derivados de nossas sensações, e nunca seremos capazes de imaginar algo que não tenha nenhuma conexão com nossas experiências anteriores.

Mesmo que eu tente imaginar um animal de um planeta diferente, a imagem continua a basear-se em algo com o qual estou familiarizado. É impossível imaginar algo que não tem igual em minhas sensações. Minhas ações sempre surgem a partir delas e eu sou limitado por elas. Eu sou um prisioneiro das minhas sensações, mas hoje, mesmo os cientistas estão descobrindo que, em uma base prática, todo mundo precisa mudar sua percepção do mundo.

Atualmente, eu percebo o mundo interior a qualidade da recepção, mas eu tenho que adquirir a qualidade de doação e perceber o mundo a partir dessa perspectiva – e não na imaginação, mas na percepção do real. Esta nova percepção será o mundo espiritual.

Minha atitude deve ser pragmática e prática, uma vez que a Cabala é um ensino prático que não é de forma alguma relacionado com resumo de conceitos filosóficos.

A Verdadeira Conexão com o Criador


Uma pergunta que recebi: Será que um Cabalista pode se tornar religioso, uma vez que ele revela o Criador?

Minha Resposta: Um Cabalista está preocupado apenas com uma coisa: como atingir a conexão com o Criador. O restante se desenvolve dependendo disso. Tudo que está acontecendo agora com você, ocorre em seu desejo não corrigido. Sua atitude em relação ao mundo, em relação a você mesmo e o Criador, está completamente errada. Então, como você pode ter uma atitude correta em relação a Ele?

Se você se corrigir, então não importa como será a sua conexão com o Criador. A coisa mais importante é que ela seja real e verdadeira, e é isso que o Criador espera de nós.

Portanto, nós não perguntamos como serão as nossas religiões no futuro, ou como as pessoas se comportarão, como serão suas vidas, e se esse mundo existirá. A coisa mais importante é que essa seja a verdade.

Se eu não estou corrigido agora, então tudo que eu sinto, vejo, penso e entendo é incorreto, tanto em minha mente quanto em meu coração. Portanto, nada disso permanecerá no futuro; todas as coisas quebradas serão substituídas por outras corrigidas.

Então, como será a vida? Eu não sei, e eu não consigo imaginar isso dentro das minhas qualidades corrompidas. Eu só posso lhe dizer que tudo se transformará em seu oposto, como está escrito: “Vi um mundo invertido!”. Você só tem que estar pronto para as mudanças que a Luz Superior realizará em nós.

O Livro do Zohar nos Mostra o Caminho para o Poço de Água Viva


Ao lermos O Livro do Zohar, nós devemos entender que ele só fala sobre a conexão entre as nossas almas e o sistema geral do qual fazemos parte. O Zohar fala sobre os diferentes níveis de conexão e as ações que nos unem. É exatamente com essa intenção que ele usa nomes de pessoas e objetos deste mundo, bem como nomes de anjos, Sefirot, Partzufim e outros objetos espirituais. O único foco em tudo isto é a correlação dos desejos, e o leitor deve se imaginar dentro dessa rede de conexões. Então, O Livro do Zohar começa a influenciá-lo.

Tente sentir que você está dentro de um mundo de forças e desejos, num campo que nos conecta todos juntos. Não há qualquer menção sobre o nosso mundo, mas tudo fala apenas da conexão interna entre as pessoas. Basta imaginar que tudo que ele descreve é sobre você – é você quem sobe e desce ao longo dos níveis espirituais, relativos às diferentes partes de Zeir Anpin, chamados de Jacó, Noé, Davi, Abraão, Isaac, e assim por diante. Tudo isso é você! Como resultado, você perceberá todo este quadro diante de você.

O esforço que nós exercemos para entrar neste quadro é o que criárá isso dentro de nós, porque é isso que atrai a Luz Superior sobre nós. Por exemplo, pegue o seguinte trecho:

Existem duas águas no seu buraco, e elas estão infiltrando a partir do seu poço. O buraco é um espaço vazio que não solta água, e o poço é a água se derramando rapidamente para fora. Porém, ambos estão juntos num único lugar, representando Nukva (criação, Malchut, o coração, ou o desejo). Até que ela se une com seu marido, o Criador, ela permanece ali como um buraco vazio, como um indigente que depende de todos. Mas quando ela se une a Ele, ela se torna um poço cheio de água. O poço fica cheio de água a partir do alto – a partir de Zeir Anpin, o Criador, e sua água se derrama para baixo, para as almas dos justos.

Cada pessoa deve imaginar que isso está escrito sobre ela e seu estado. Ou ela é um buraco vazio ou um poço cheio d’água; isso depende da sua capacidade em se conectar com as outras almas ou pontos no coração. No entanto, todo o sistema existe dentro do desejo da pessoa.

Se a pessoa se sente como um miserável que não tem nada (é assim que a pessoa se sente quando ele chga à Cabalá), então este desejo a faz sentir como Nukva (um desejo a ser realizado) diante do Criador. A pessoa deve perceber que ela só pode receber a satisfação na medida em que corrige seu desejo. Ou seja, quando o buraco vazio se tornar um poço cheio d’água, desejando satisfazer os outros e o Criador. É assim que a pessoa se torna uma fonte eterna, da qual jorra água viva.

O Criador Nasce nas Conexões entre Nós


Devemos nos esforçar em formar uma conexão forte entre os membros do grupo Cabalístico, para que as conexões possam se chamar “o Criador”. O Criador é uma medida da conexão entre nós, quando nós percebemos os outros da mesma maneira que percebemos a nós memos. Nós devemos sempre nos perguntar se estamos nos aproximando deste tipo de conexão ou não, e se estamos chegando mais perto do Criador.

Nós damos à luz ao Criador, conectando-nos uns com os outros, porque o que nós chamamos Criador nasce das relações, tensões, ligações e aspirações entre nós. Imagine que nós nos aproximamos tanto uns dos outros que somos puxados para um círculo dentro do qual é revelado algo chamado “Bore”(Venha e veja). Isto significa entrar e perceber o Criador.

Na realidade, o que nós criamos é um Kli comum com dez Sefirot de doação. O Kli comum é revelado e preenchido se a nossa missão for encontrar as conexões corretas com os demais. Em vez de fantasiar sobre nós mesmos e o Criador, nós devemos saber que a Sua revelação é o nosso objetivo.