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Um Raio De Luz Na Escuridão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que os autores de O Zohar escrevem usando uma linguagem muito mundana em alguns trechos, o que só nos confunde, como se estivessem falando sobre o nosso mundo, e em outros trechos escrevem usando a linguagem dos Partzufim e Sefirot?

Resposta: A linguagem que foi criada desde Adão HaRishon contém várias Segulot  (qualidades milagrosas). Por que existem as Segulot? Porque nós não entendemos o significado do mundo espiritual. Nós não o alcançamos e não podemos imaginá-lo corretamente. Não podemos expor o mundo espiritual com precisão diante de nós, qualquer que seja a sua forma.

Inicialmente, está claro que todos os nossos conceitos, mesmo os deste mundo, são totalmente falsos. Como pessoas cegas, estamos tentando avançar sentindo o caminho a nossa volta, sem saber com o que nos deparamos e o que está acontecendo. Todas as nossas lembranças e imagens fictícias são incorretas e falsas.

Estamos em um estado tão obscuro que nunca provamos o sabor da verdade. Nem mesmo um tênue raio de Luz penetrou nesta escuridão a fim de iluminar, mesmo que seja um pouco, quaisquer detalhes do mundo em que vivemos, bem como as conexões entre nós.

É por isso que surge uma pergunta: é possível falar com estas criaturas? É ainda pior do que cavar minhocas no chão e tentar ensinar-lhes a Torá. Isso é não é uma piada!  A diferença entre nós e o mundo espiritual é muito maior do que entre nós, seres vivos, e um verme no chão, que também é uma criatura viva.

Você difere do verme pelo tamanho da sua consciência e conhecimento, na mesma escuridão em que ambos existem. No entanto, você e uma pessoa que está na espiritualidade estão separados por percepções opostas – um abismo que é impossível até de imaginar.

Adão HaRishon foi a primeira pessoa que revelou o fato de que além de nosso estado, existe uma fonte – o mundo espiritual, a verdadeira realidade, enquanto que nós estamos na escuridão total, como vermes no chão que nunca se arrastaram para o exterior e nem ao menos sabem que existe um mundo diferente. Por isso, nós devemos receber ao menos a ponta de uma corda onde possamos nos agarrar.

Assim, aqueles que atingiram a espiritualidade a partir de Adão HaRishon inventaram o que parece ser todos os tipos de histórias. No entanto, elas não são histórias, mas um sistema que nos conecta com o mundo e as almas que atingiram a espiritualidade, com a conexão entre elas e a Luz que está nelas.

Neste momento, nós não sabemos qual é o significado de nenhuma dessas palavras – nem sobre esse mundo, nem sobre as almas, nem sobre a conexão, nem sobre a Luz – nada! No entanto, eles traçaram certa conexão a partir do estado que é desconhecido para nós, e nós não temos idéia do que seja essa conexão. Mas eles fizeram isso para conectar de certa forma este estado a nós. E se usarmos esta conexão seguindo seus conselhos, isso nos influenciará de forma gradual.

Portanto, é totalmente irrelevante perguntar porque eles escreveram usando um tipo ou outro de linguagem – uma que é mais sensível ou racional, uma que é mais clara ou menos clara. Nós só conseguimos ficar confusos com as descrições que parecem mais mundanas e próximas de nós.

Existe apenas uma oportunidade de se aproximar do Zohar: conectar-se mutuamente, o máximo possível. Conforme nos unimos através dos esforços para estarmos acima do nosso ego, nós damos a estes estados espirituais a oportunidade de serem revelados. Mas enquanto eles não forem revelados, não descobriremos o que eles são. Está escrito: “Eu vi um mundo inverso”. Você verá que o mundo espiritual é completamente diferente daquilo que você era capaz de imaginar.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/1/11, O Zohar

Tornar O Criador Feliz

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que podemos fazer agora para tornar o Criador feliz?

Resposta: Tudo que eu faço ao aspirar unir-me com os outros, a fim de dar ao Criador a oportunidade de doar, significa dar-Lhe prazer, mesmo que eu ainda não tenha atingido o tipo de união dentro da qual Ele possa trazer Sua abundância.

A unificação tem de ser total. O nosso Kli se divide em cinco partes, e em mais cinco, e assim sucessivamente até a 125ª parte. Este é o menor grau de união entre todos, e isso já é suficiente para que o Criador nos dê a dose correspondente de Sua Luz, que sentiremos.

Portanto, o nosso trabalho consiste em preparar o Kli, o vaso na unificação entre nós. Nós não devemos trabalhar em relação ao Criador, mas entre nós, aspirando a Ele. Ao contrário da União Soviética, não nos unimos em prol de nós mesmos, mas para dar ao Criador a oportunidade de doar-nos. Então, Israel, a Torá eo Criador realmente serão um.

E isso é suficiente. Nós trabalhamos entre nós, mantendo a intenção de beneficiar o Criador, a fim de preparar os vasos para Sua doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/01/11, Escritos do Rabash

A Europa É Um Osso Duro De Roer

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial na Convenção de Berlim? O que temos que fazer lá? O que cada um de nós deveria fazer, bem como entre os grupos?

Resposta: Agora mesmo, quer queira quer não, você está sob a impressão das coisas que eu digo. É como se você estivesse ligeiramente anulado e incluído por mim em um único desejo, um pensamento unificado. E isso nos une.

Todas estas qualidades, meios, desejos, pensamentos, as coisas que já processamos, as coisas que desejamos, nossas aspirações, a enorme quantidade de pessoas e grupos – tudo isso se junta em um só. O resultado é que isso age em nós, dando-nos um poderoso e progressivo impulso.

Mas nós temos um “pequeno problema”: parece-nos que temos um pequeno egoísmo e que devemos somente superá-lo, ligar um pequeno botão, pressionar certa tecla, e com isso terminaremos o trabalho. Nós não entendemos que aqui existe um grande sistema em ação. Não é apenas uma “engrenagem” que alguém em cima quer ou não quer mudar. Estamos em um sistema de duas forças opostas: doação e recepção. E até que esse sistema não funcione por sua dialética, por seu movimento para a frente, pela lei da união das partes, isso não acontecerá.

Nós só aceleramos o tempo com os nossos esforços, mas nunca seremos capazes de dar um salto. Isso é impossível, devido à natureza das coisas. Tudo é feito por meio do movimento gradual, sequencial, e estritamente determinado, passo a passo. E através deste movimento adiante, passo a passo, chegamos constantemente mais perto do sucesso, quando o egoísmo será “lançado para fora”. A transição acontecerá! E será súbita.

Nossas Convenções aceleram consideravelmente o movimento e, portanto, elas são muito importantes. Durante os vários dias em que estamos juntos, e ao nosso redor também há muitas pessoas ao redor do mundo, ocorre um processo muito sério nos graus do nosso desenvolvimento interior.

De uma forma ou de outra, um milhão de estados têm que passar por nós. Nós temos que passar por eles. E cada Convenção ocorre de forma diferente, com novos aspectos, novas formas e sentimentos.

Portanto, a Convenção de Berlim tem a obrigação de ser especial, pois será um encontro de pessoas que são permeadas pelo desejo e as qualidades do ambiente onde vivem. Esse ambiente é muito ruim; a Europa é um continente muito problemático, a fonte de todos os problemas e guerras, e com o egoísmo extremamente grande, embora ele já esteja diminuindo agora, junto com toda a nossa civilização do passado. Ainda assim, ela é um osso duro de roer. É por isso que esta Convenção não é simples e, de fato, é a mais difícil.

A Convenção mais fácil é a realizada na América Latina. As pessoas de lá são ardentes, de coração aberto e sinceras. Eu nunca conheci pessoas assim em qualquer outro lugar. Depois vem a Rússia. Mas na Europa as coisas são mais difíceis, e quanto mais difíceis são as coisas, mais interessante, e mais espetacular é o resultado e a eficácia do trabalho.

Portanto, eu espero ter o apoio de vocês, tanto físico quanto virtual, para que possamos “influenciar” a Europa juntos.

Da Lição em Moscou em 16/01/11, Escritos do Rabash

O Parâmetro Absoluto do Progresso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que ajuda no nosso desenvolvimento espiritual saber exatamente onde estamos nos níveis inanimado, vegetal, animal e humano? Do que depende o nosso progresso? Que instrumentos podem nos ajudar a determinar onde estamos? E como podemos mudar?

Resposta: Tudo isso é determinado no momento em que a pessoa chega ao grupo. Ela pode começar a avaliar-se apenas em relação ao ambiente: o quanto ela aspira por seus amigos, ao desejo comum de doação, a fim de sentir a todos como um único desejo?

Este desejo comum é a Alma que foi criada. Se nós a alcançarmos como um todo, sentiremos nela a qualidade de doação, o Criador. Foi exatamente para permitir a mensuração, a realização, bem como o controle sobre o nosso estado, que a alma comum (a criação) e o desejo foram divididos em várias partes infinitas. Cada parte do desejo, cada pessoa, recebeu assim a oportunidade de imaginar a outras partes como unidas, de acordo com sua aspiração por esse estado.

Se essa pessoa ou parte começa a trabalhar para se unir com todas as outras partes, vendo-as como perfeitas e recebendo delas a aspiração correta para avançar, a motivação, a importância e o valor do desenvolvimento espiritual, então ela ganha habilidades totalmente claras para medir seu estado e receber ajuda de fora.

Da Lição em Moscou, em 14/01/11, O Zohar

A União É Um Trabalho Espiritual

Dr. Michael Laitman with StudentsEu recebo a força para alcançar a espiritualidade do ambiente, e ela é uma força única. Chegamos à sabedoria da Cabalá com o desejo pela espiritualidade, mas esse desejo é egoísta: obter tanto este quanto o mundo futuro.

Este desejo enorme empurra a pessoa para frente, mas quando ela pretende relacionar-se com os amigos, ela tem que anular-se e aumentar a importância do amigo. Assim, ela eleva a sua atitude para com o amigo a um nível espiritual mínimo. Ela anula-se, deseja unir-se, e reconhece o amigo como o mais importante.

É um esforço muito desagradável e repulsivo, mas não há outra escolha: precisamos nos unir. E se fizermos isso, eu recebo do amigo a importância do objectivo, a força para subir. Esta força é espiritual. Afinal de contas, a fim de voltar ao amigo, eu me anulava e realçava o seu valor. Visto que eu me relacionei com ele de acordo com a regra espiritual, a importância do amigo, eu recebi dele a força para subir, apesar do fato dele ser igualzinho a mim.

Mesmo se eu atuar sem esperança, porque quero obter o mundo espiritual de forma egoísta, recebo o verdadeiro poder do amigo, que me eleva acima de mim mesmo. Agindo desta maneira com os amigos, eu adquiro a abordagem correta para com a espiritualidade. Além disso, os amigos podem não prestar nenhuma atenção a isso, nem sequer ter consciência do que me abastece com energia espiritual. Eu adquiri isso através da realização de um ato egoísta, anulando-me em relação a eles, apesar da força do ressentimento.

É muito difícil, mas se eu conseguir me superar, eu recebo dos amigos a força para avançar. Esta é a essência do nosso trabalho, e este é o objetivo da futura Convenção.

Da Palestra no Dia da União 31/10/10

O Esforço Vem De Baixo E A Sensação De Cima

Dr. Michael LaitmanPergunta: À medida que nos preparamos para a Convenção Européia em Berlim, estamos passando por dificuldades ao tentar receber forças do ambiente. Enquanto realizamos as ações físicas, como podemos evitar a perda da conexão com o objetivo interior?

Resposta: Em primeiro lugar, é bom que as pessoas sintam a falta da intenção, porque sem o componente interno, a intenção de doar, os esforços externos não podem ter êxito em alcançar a revelação do Criador. Então, onde podemos obter a intenção correta pela união e a conexão, dentro da qual agiremos?

Nós devemos tentar, da mesma forma que uma criança pequena tenta ser um adulto, manter com todas as nossas forças a intenção e não esquecer que realizamos todas as ações externas a partir donosso esforço interior. Até que ponto seremos capazes de fazê-lo, isso já não tem relação com o nosso sucesso.

É possível que o Criador queira nos mostrar que realmente somos pequenos e mal sucedidos, de modo que deixemos de ser orgulhosos de nós mesmos e sintamos que sem a ajuda do Alto, não seremos capazes de manter a intenção e não seremos capazes de unir-nos com nossas próprias forças. Se fossemos capazes de fazê-lo por nós mesmos, não teríamos necessidade do Criador e não alcançaríamos o estado de “Vamos ao Faraó”. Em essência, a pessoa nunca tem razão em reclamar sobre os estados que recebe. Eles são revelados como resultado de seu progresso e, portanto, a todo instante estão corretos. A questão é como podemos construir a atitude correta em relação a eles com a ajuda do grupo.

Na maioria dos casos, nós ficamos com sentimento de culpa em relação ao passado, pensando em como agimos de forma errada, que fizemos algo ruim, perdemos alguma coisa, ou não fomos capazes de fazer algo, e assim por diante. Esta é a influência da força impura (Klipa), que nos leva de volta ao passado. O mesmo é verdade sobre estar desiludido com nossas qualidades: qual é a razão de nos culparmos, se é sabido que somos egoístas e continuamente revelamos apenas isso? Nós temos que criar a atitude correta acima deste estado.

Portanto, tudo depende do esforço. É impossível para uma pessoa estar insatisfeita e querer algo diferente, mas isso não importa, porque a sensação vem do Alto. Aos novatos é mostrado como eles são bem sucedidos, sendo incentivados e apoiados como crianças pequenas. Por outro lado, àqueles que avançam é mostrados suas falhas e erros, não para que eles se corrijam, mas para que exijam a correcção. E todas as reações são para nosso próprio bem.

O trabalho interno da pessoa em relação ao grupo deve ser separado das ações realizadas para organizar os estudos, as convenções e a disseminação. Uma coisa não tem relação com a outra. As subidas e descidas internas não devem afetar o trabalho externo. Deve haver uma rotina e um programa diário, de acordo com o qual nós agimos de forma independente dos desejos.

Em nosso trabalho interior nós nos esforçamos o máximo possível, mas a sensação que recebemos – boa ou ruim – depende do que exatamente devemos estar sentindo. Se não nos sentirmos inspirados, entusiasmados e, em geral, apoiados, isso significa que essa sensação está sendo enviada para nós para nos ajudar a nos desprender do egoísmo.

A decepção com os estados que chegam até nós, mostra à pessoa que o desejo egoísta não a apoia e, assim, ela naturalmente se afasta dele. O egoísmo nos ajuda a rejeitá-lo, o que é chamado de “ajuda contra você”. Nossa sensação desagradável no trabalho é uma ajuda do lado oposto, até que sejamos capazes de subir acima da nossa natureza e olhar de Cima, junto com o Criador. Isso se chama estar diante do Faraó, juntamente com o Criador. É assim que a pessoa sobe e atravessa a Machsom .

Da  Lição de 24/12/10, Escritos do Rabash

Adicionando O Universo À Partícula

Dr. Michael LaitmanO método Cabalístico é construído sobre o trabalho em grupo, na conexão entre nós, na aspiração de todos em nos reunirmos, para juntarmos todas as forças comuns, e com os nossos esforços mútuos ajudar a cada um a sair de si mesmo em direção aos outros. Na realidade, o método é muito realista e simples. A fim de perceber o Mundo Superior, nós temos que parar de prestar atenção nos “átomos” de nossos corpos e mudar a nossa atenção para o vazio no “espaço interatômico”. Nós odemos fazer isso na sociedade humana ou em um pequeno grupo que nos permita mudar a nós mesmos.

Nós temos que ficar juntos, ajudando uns aos outros mutuamente, e começar a mudar a nossa atenção, de nós mesmos para o que está entre nós. O trabalho é desagradável, obscuro, e muito artificial para nós. Mas é por isso que os Cabalistas escreveram uma quantidade enorme de materiais. Ao aplicarmos o método Cabalístico em nós mesmos, nos adicionamos a ele, o completamos, e o materializamos. Começamos a aceitar e a sentir ele dentro de nós. Como um todo, o adaptamos a nós e em tempo real, e implementamos-no no presente.

Portanto, nós o realizamos e o investigamos, bem como desenvolvemos a fase da realização prática de toda a Natureza. Hoje o método é aplicado em nós, aqueles que desejam complementar a sua sensação do universo com uma parte adicional e externa. Além disso, esta não é simplesmente uma parte adicional, mas a parte mais importante. Começamos a sentir forças, fenômenos e ações no espaço “interatômico”, ou seja, em 99% da realidade. Em primeiro lugar, este enorme volume é preenchido por um pensamento, um plano, forças e suas interações, e tudo que nos ativa, que são partes pequenas e microscópicas.

Esta conquista da raiz nos leva para fora do estado de tempo, falta de visão e submissão – em essência, um estado de não-ser -, para um estado de clareza, eternidade e perfeição. É isso que a realização correta da ciência da Cabalá nos dá.

Tudo isso é realizado no grupo, quando começamos a sentir como ir para fora, para a percepção dos outros. Nós partimos da sensação de “o mundo dentro de mim” para a sensação de “o mundo no mundo”. Se há bilhões de pessoas ou almas além de mim, então, saindo de mim mesmo, eu começo a perceber as forças que atuam entre nós, e sinto todas as almas como um todo, como um sistema fechado.

Hoje mesmo no nível material algo já está nos dizendo que o mundo é global e integral, e tudo nele é interconectado. Assim, eu começo a perceber tudo do lado de fora de mim. Eu adquiro um grande desejo, força e satisfação, que estão à minha disposição. Tudo isso se torna o meu “eu”. Estas não são mais pessoas, mas simplesmente forças que existem nesta forma.

É assim que a pessoa começa a revelar o volume real e a visão do mundo.

Da Lição em Moscou, em 16/01/11, Escritos do Rabash

O Grupo É O Local Onde Nos Encontramos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se nós avançamos apenas em virtude do ambiente, quando a nossa escolha virá de nossa própria intenção altruísta (Lishma)?

Resposta: Nós temos que alcançar a perfeição, e ela contém dois parâmetros:

1. Por um lado, eu sou independente e igual ao Criador de todas as maneiras,
2. Por outro lado, eu sou semelhante a Ele em todos os sentidos.
Nesse caso, eu sou independente e perfeito.

Acontece que a independência e a perfeição devem se unir e levar-me ao estado final. Mas como a independência e a equivalência podem coexistir? Como eu posso alcançar a perfeição, elevando ambas estas qualidades, que são opostas entre si?

Para possibilitar isso, o Criador teve que acrescentar um terceiro fator aos dois já existentes (Ele e eu). Este terceiro fator será o local do nosso encontro, o lugar da revelação. É onde eu revelarei o meu “eu” independente e e o Criador oposto a mim.

É necessário criar um “território”, onde nós poderemos ser parceiros, em oposição mas iguais e unidos. Este território é chamado de “a soma das almas”, a Shechiná, Malchut. Após a quebra, nós, como o Criador, estamos fora dos limites da soma das almas, e agora temos que nos encontrar lá. Nós fazemos isso conforme somos capazes de participar neste processo e revelar um ao outro.

É por isso que a criação foi quebrada. Ela quebrou em muitas partes diferentes, que são os npiveis de independência da criação, ou seja, sua separação e distanciamento do Criador.

Nós temos que usar essa situação, razão pela qual o Baal HaSulam escreve que devemos manter a singularidade de cada pessoa. Afinal, ela nunca serepetirá em mais ninguém. Cada pessoa deve ser independente e especial.

Mas, por outro lado, devemos dar a cada pessoa a oportunidade e ajudá-la a alcançar a equivalência de forma com o Criador. Por meio de sua singularidade, por ter uma combinação única de qualidades e desejos, a pessoa as desenvolve a fim de dirigí-las à doação. É assim que ela chega à equivalência com o Criador.

Essa semelhança é realizada por meio da união com os outros. Por que isso não é feito através da união com o Criador? A fim de preservar a independência. Ao trabalhar diante do Criador, a pessoa se anula, enquanto que em relação ao grupo, ela pode ter um papel decisivo, à semelhança do Criador.

O lugar do nosso encontro é o território do grupo, que foi criado artificialmente e dividido em partes. Nós chegamos até lá na linha média e nos unimos. Lá nós realizamos o Zivug (acoplamneto) de HaVaYaH e Elokim, a união do julgamento e da misericórdia.

No entanto, se a pessoa não pensa sobre estes três elementos: ela e o Criador, unindo-se no grupo, então ela imagina de forma errada a realização do objetivo da criação que lhe aguarda.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/01/11, Escritos do Rabash

Um Desafio Para A Imaginação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos calibrar a nossa atitude, a fim de direcioná-la para a meta?

Resposta: Você tem que fazê-lo de acordo com o princípio: “Israel, a Torá e o Criador são um”. “O Criador” é a raiz pela qual nos esforçamos. A “Torá” significa todos os meios que nos ajudam ao longo do caminho, incluindo professor, livros, grupo e o estudo. “Israel” é o ponto no coração, o desejo espiritual inicial.

Pergunta: Para que eu resolva essa equação, o que precisa ser ocultado e o que precisa ser revelado para mim?

Resposta: Você precisa imaginar o estado corrigido onde todos nós estamos conectados e cada pessoa percebe o todo, ao invés de si mesma. Está escrito: “O geral e o particular são iguais”.

A força comum de amor e doação reina dentro de nossa união e preenche todos em igual medida. Esta força é chamada de “Criador” ou “Natureza”. Isto é o que você tem que ver como a meta final. No final, nós devemos chegar a essa imagem.

É por isso que nós estamos trabalhando para discernir a noção “de grupo”. Em essência, o grupo é o mesmo sistema no qual nós despertamos a mesma força. Essa força já está presente no interior do sistema; nós apenas não a percebemos ainda. Nós temos que revelar essa força que preenche o grupo, fortalece-o, manifesta-se nele, e corrige-o. Esta é a força chamada de “Criador” ou a Luz que se oculta em nossa união.

Quando nós nos esforçamos para crescer em nosso mundo, revelamos essencialmente a mesma força. Isto é porque nós temos a mesma direção, embora em um nível corporal. O “Criador” é a força comum que une todas as partes da criação.

Pergunta: Ainda assim, existem muitas incógnitas nesta equação….

Resposta: Você tem que continuar procurando e experimentando, uma e outra vez. É assim que você despertará novas sensações. Não há outra possibilidade de fazê-lo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/01/11, Escritos do Rabash

Os Esforços E Um Achado

Dr. Michael LaitmanNós fazemos muitos esforços e, a cada esforço devemos analisar: “Se eu não fizer isso por mim, quem o fará por mim?”. Devemos fazer todo o possível e discernir onde exatamente devemos nos esforçar: na união com os outros, no local onde ocorreu a quebra.

Devemos tentar restaurar a união dessa quebra, para que ele se torne novamente íntegro, e nós sejamos como um homem com um coração, vivendo na garantia mútua, ou seja, na união perfeita e sistemática. Às vezes, parece-nos que somos capazes de fazer isso, e algumas vezes que não. Nós queremos ajuda, mas não conseguimos pedir por ela, porque ainda não sentimos a real necessidade para isso.

Assim, etapa por etapa, a pessoa abaixa sua cabeça e se prepara para fazer novos esforços. Ela começa a trabalhar repetidamente neste lugar quebrado, a fim de juntá-lo. Ao mesmo tempo, ela sabe que tem que continuar trabalhando até que venha a precisar de ajuda, e sem esse desejo a ajuda não virá.

Mas, ao mesmo tempo, a pessoa tem que acreditar que “não há outro além do Criador”. Então, todo esforço é seguido pelo desespero e uma nova necessidade.

A pessoa tem que passar por todas essas fases, uma após a outra, até acumular um grande desejo, até atingir total desespero em suas próprias forças. É quando ela rompe o portão das lágrimas com o grito ou pedido correto. Todos os seus esforços se unem, estando diante de todas as Luzes que chegam a ela, levando-a ao desespero e deixando-a com a sensação de vazio maior. Ela tentou mas não conseguiu encontrar o que queria, até que, de repente, ficou evidente que ela não tentou, e encontrou. Em outras palavras, a ação em si não é feita por ela, mas pela Luz, que realiza seu desejo e a une com os outros em um único Kli .

Então, dentro deste vaso, uma Luz perfeita é revelada, a qualidade perfeita da doação, o Criador. É assim que a pessoa finalmente atinge o seu “achado”.

Seus esforços, ajuda, desespero e choro – tudo o que ela acumulou nos graus anteriores, finalmente assumem a forma certa. Tudo se funde no desejo e na decisão correta. E tudo isso ocorre em virtude de todas as coisas que a pessoa passou no caminho.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá o9/01/11, Escritos do Rabash