Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Vamos Dividir O Trabalho

Dr. Michael LaitmanPergunta: O particular e o geral são iguais. Se eu me conecto com uma pessoa, o general é incorporado em mim. Portanto, por que eu preciso de tantos amigos?

Resposta: Diz-se: “Na multidão do povo está a glória do Rei”. Primeiro, é mais fácil para você verificar a si mesmo se está realmente conectado a alguém ou apenas atraído por ele egoisticamente. Pode ser que exista apenas uma conexão habitual entre vocês com base em atributos ou interesses comuns.

Além disso, não pense que é mais fácil se conectar com uma pessoa do que com dez pessoas, por exemplo. Pelo contrário, é muito mais fácil se conectar com 10, uma vez que você é impressionado com a grandeza da auto-anulação de cada indivíduo, da sua preocupação mútua e seu desejo de alcançar a meta juntos. Ao olhar para eles você é “arde” e queima de inveja.

Mas se houvesse uma pessoa diante de você, como você conseguiria ver suas ações em relação a você e não em relação aos outros amigos? Você é um prisioneiro de seu ego e por isso não consegue ver o efeito desejado.

Por isso, é desejável estar num grande ambiente. No geral, o mínimo de uma maioria é dois, mas ainda é uma minoria, já que é muito pouco e neste caso você terá que trabalhar muito.

Na verdade, não é uma questão de quantidade. O que importa aqui é que você anula seu ego, de modo que começa a ver tudo que é externo a você como seu. Você anula os limites e já está fora de seu corpo. É como se seus desejos fossem derramados para fora e incluíssem o mundo inteiro dentro.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/10/12, Escritos do Rabash

Um Bolo Com Creme

Dr. Michael LaitmanPergunta: Diz-se: “Aquele que ora por seu amigo é atendido em primeiro lugar”. Isto é Lo Lishma (não em Seu nome) real; é o egoísmo total, o simples egoísmo absoluto.

Resposta: Claro que, nesse meio tempo, você avança egoisticamente e seu ego cresce, mas você vê que cada vez o Faraó está ficando mais e mais difícil, já que “Eu endureci o seu coração”, e isso é um bom sinal.

Pergunta: Como eu posso crescer do ódio para o amor e não para a supressão pessoal?

Resposta: É impossível construir o amor sem ódio e inveja. Todos os discernimentos negativos estão finalmente implantados no amor e você precisa de cada um deles. Afinal, o que é o amor? Em que base ele está firmemente estabelecido? Sobre o ego nos vasos de recepção, em perceber os outros como perto.

Anulação não significa que tudo é anulado. O ódio nunca é anulado; é preservado em sua plena intensidade, e é exatamente acima dele que você constrói o amor. É como você cobrisse todo este “Monte Sinai “(a montanha de ódio) com creme e obtivesse um bolo chamado” Montanha de Santidade”.

Isto significa que o ódio está dentro. A diferença entre o Criador e a criatura permanece, pois, caso contrário, a criatura não existiria.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/10/12, Escritos do Rabash

A Inveja É Útil Quando Aumenta A Sabedoria

Dr. Michael LaitmanTudo depende de como a pessoa olha para a vida e o que quer dela. Se ela quer atingir a meta espiritual e essa é a coisa mais importante na sua vida, então todos os meios que lhe ajudam a atingir essa meta são bons. Acontece que eles estão no mesmo nível superior espiritual, como a própria meta, já que por eles ela constrói o estado final e através deles cumpre a meta.

Assim, na vida diária no mundo egoísta, a pessoa normalmente odeia aqueles que a invejam e às vezes também odeia o atributo que evoca a inveja nela. No plano do trabalho espiritual, no entanto, nós buscamos evocar a inveja em nós por nós mesmos. Como se diz: “A inveja dos escritores aumentará a sabedoria”.

“Escritores” (Sofrim em hebraico) refere-se a quem quer contar (da mesma raiz em hebraico) suas realizações e que avança invejando o avanço dos outros. Tal pessoa, portanto, respeita e valoriza os amigos e os ama; ele ama o ambiente que permite que ele constantemente inveje o sucesso dos outros.

Quanto maiores os outros lhe parecem, e quanto mais ele se humilha, mais ele vê que eles são atraídos à meta, que se dedicam ao trabalho, que tentam superar todos os obstáculos, e em que medida estão mais conectados uns com os outros do que ele está conectado a eles. Toda a sua perspectiva dos amigos não se destina a anulá-los, mas sim em elevar e apreciá-los ainda mais.

Com isso, ele ganha novos poderes e desenvolve novos atributos. Tudo isso existia nele desde o início, é claro, já que tudo está incluído no ponto no coração, que é a raiz da alma de uma pessoa e que inclui todas as informações sobre ela, como numa gota de sêmen, as Reshimot (reminiscências).

A pessoa, no entanto, tem que desenvolver este ponto. Então, quando ela inveja os amigos e vê a sua persistência e lealdade, os poderes que eles exercem apesar de sua fadiga, o fato de que eles não se permitem perder tempo, o fato de que eles se levantam muito cedo para chegar à lição, tudo isso preenche a pessoa com novos poderes e desenvolve os atributos nela, permitindo assim que ela avance.

Nós devemos alcançar grande inveja. Como se diz: “A inveja, a luxúria (cobiça) e a honra tiram a pessoa do mundo”, para o mundo superior. Esperemos conseguir alcançar a grande e correta inveja.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 15/10/12

Sintonia Fina Com A Freqüência Elusiva Da Felicidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Do que depende a nossa sensibilidade para despertar, que é ativada pelo Alto?

Resposta: Nós somos constantemente despertados pelo Alto, e se vocês soubessem com o que intensidade! Mas essa manipulação é feita numa freqüência que não sentimos, como a radiação ultravioleta ou infravermelha.

A fim de sentir este comprimento de onda, eu preciso calibrar minha audição através do grupo. Caso contrário, eu não ouvirei nada. Se eu organizo corretamente o grupo, graças a isso, eu recebo a oportunidade de ouvir, de sentir a influência superior.

Tudo depende de como eu desperto e apoio os amigos, como eu os trato e me preocupo que eles recebam a revelação espiritual. Nós também precisamos ajudar no nível corporal, mas, principalmente, elevar seus ânimos, inspirá-los sobre a importância da meta e do Criador. Se eu gentilmente me preocupo que tudo será para o outro, eu mesmo sou impressionado por eles e avanço com eles.

Não há outra maneira de avançar, apenas através do “desvio”, da rota alternativa do grupo e não diretamente.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, Shamati # 47

Abraçando Enquanto Se Soluça Ferozmente

Dr. Michael LaitmanRabash, Shlavey HaSulam (Degraus da Escada ), Artigo, “O Amor dos Amigos”: Embora a pessoa receba algum pensamento e desejo de que deva abandonar o seu amor-próprio, que chega até ela ao ouvir o que os escritores e os livros dizem, este é um poder muito pequeno, que nem sempre ilumina esta opinião para ela, de modo que ela vai ser capaz de considerá-lo ou usá-lo permanentemente…

Pergunta: O poder dos livros de Cabala é tão pequeno?

Resposta: É claro. Isso não depende dos livros, mas da própria pessoa, ou o que chamamos de “usuário”. Uma pessoa não vai conseguir sozinha, mesmo que tenha a fonte do sagrado Livro do Zohar. Nada vai ajudá-la, porque sozinha, ela não tem nenhum vaso. Seu sucesso não depende dos livros, mas em estabelecer uma atitude para com os outros.

Há duas forças ativas na natureza: o desejo de desfrutar (de receber) e o desejo de doar. O desejo de receber é a criatura e o desejo de doar é o Criador. A criatura está no desejo de receber aqui em nosso mundo. Se ela quer estar no mundo do Criador, ela tem que adquirir o desejo de doar, o que significa mudar para uma segunda natureza.

A fim de fazer isso, dois fatores devem ser ativados:

1. Conexão. Em nosso mundo uma pessoa se conecta com os outros para alcançar a sua segunda natureza.

2. A Luz que Reforma. Ela ilumina apenas em resposta aos esforços da pessoa que quer se conectar com os outros e adquirir a natureza de doação.

Além disso, nós devemos aspirar a doar ao Criador, embora no início não sejamos obrigados a ter tais intenções puras, que virão mais tarde.

Portanto, há o meio necessário em nosso mundo: o grupo, que nos permite construir uma “infra-estrutura” entre nós, os relacionamentos certos, o vaso, embora ainda imperfeito, mas que demonstra o nosso desejo de sermos corrigidos. É claro que descobrimos que não podemos e não queremos nos conectar, que somos repelidos um pelo outro. Nós revelamos a inclinação ao mal e não o sentimento de êxtase da fraternidade e alegria completa: a irmandade.  Pelo contrário, nós temos que nos conectar, clamando ferozmente em relação ao quanto nos odiamos! Abraçamo-nos embora estremeçamos com repulsa.

Isso é muito bom, uma vez que assim você descobre o vaso quebrado. Então, você vai ter motivo para chorar e pedir a ajuda da Luz que Reforma. E ela vem, porque você estuda nos livros dos Cabalistas e quer passar pelos estados que eles passaram.

Assim nós vamos do nível do amor das criaturas ao nível do amor do Criador. Rabi Akiva disse: “Ama o teu amigo como a ti mesmo, é a grande regra da Torá”. Mas este ainda não é o fim do caminho. Quando você alcança o primeiro nível do amor, você se preocupa com o temor: “Será que vou conseguir amar mais? Não vou perder o que já adquiri?”. Você tem que agir “do outro lado”. Afinal, há sempre duas linhas no trabalho espiritual e você está no meio. Então, certifique-se de que seu amor é acompanhado pelo temor. Evoque os atributos do julgamento: é impossível sem eles.

Então, quando você alcançar o temor, você vai adquirir a “linha média”: a totalidade chamada doação ou fé. Este já é o final da obra, a realização do amor.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, Escritos do Rabash

 

Mudanças Internas: Faixa De Alta Freqüência

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós cumprimos a regra, “Ama o teu amigo como a ti mesmo”?

Resposta: É quando eu deixo de sentir a diferença entre eu e o amigo. Esta é a primeira regra, a qual nós temos que acrescentar o temor e a fé.

Uma mãe, por exemplo, tem um amor instintivo para com seu filho. Isso é suficiente? Não. O amor age nela e se expressa no cuidado pela criança e em constantemente se preocupar com ela.

Assim, o amor não é suficiente, deve haver também o temor, a preocupação com a pessoa amada, e a incorporação com ela, preocupando-se com seus desejos e uma verdadeira preocupação com sua satisfação. Portanto, quando eu sinto temor, eu expresso o meu amor e esta expressão é chamada de “fé”.

O amor é a atitude correta em relação aos outros, mas a meta da criação não é apenas isso.

Nós nos incorporamos com os outros, os preenchemos e criamos um vaso. E do amor ao próximo alcançamos o amor pelo Criador.

Pergunta: Como pode o amor ao próximo nos dar força e fornecer a energia que precisamos? Como pode uma pessoa que está submersa no amor-próprio sentir os desejos dos outros?

Resposta: Com a ajuda da Luz que Corrige. É claro que somente com ela.

Pergunta: Será que isso significa que temos que criar constantemente um desejo que almeje essa direção, para que a Luz no reforme?

Resposta: Sim. Nosso trabalho reside apenas em criar a deficiência pelo amor, pelo respeito mútuo, pela incorporação, querer estar dentro do outro e assumir o seu desejo em vez do meu.

Nesses tipos de ações você evoca a Luz sobre si mesmo.

Primeiro você tem que saber como pode se assemelhar à Luz, à sua natureza. Ela é única, infinita e simples; ela doa e quer fazer o bem a todos. Se você conseguir adquirir esta inclinação de alguma forma, na medida em que você fizer isso, você vai se aproximar da Luz e ela agirá em você. A Luz não muda, mas por sua atração a ela, você aumenta o seu impacto: tanto em sua inclinação ao mal quanto sobre a inclinação ao bem.

Nas leis deste mundo, ela é refletida pelo facto de que a influência do campo geral é inversamente proporcional ao quadrado da distância. Então, se você diminuir a distância pela metade, a Luz age em você quatro vezes mais forte.

Pergunta: Nós atraímos a Luz durante o estudo. Então, o que eu tenho que fazer durante o dia? Como devo trabalhar com os amigos para construir o desejo certo para a próxima lição?

Resposta: Durante o dia você também atrai a Luz, porque você ainda está em contato com a coisa mais importante. Além disso, você está conectado ao grupo mundial que nunca cessa seus esforços. Por exemplo, existem amigos da Austrália ou da América do Sul que estudam com a gente que estão recebendo a mesma mensagem. Nós somos um vaso e não se trata apenas do seu estudo individual. Claro, você ataria mais Luz durante a lição, mas no geral, nós trabalhamos 24 horas por dia em todo o mundo.

Pergunta: Como podemos atrair a Luz de forma mais eficiente? O que deve fazer cada amigo, não importa onde ele esteja?

Resposta: Nós devemos querer nos corrigir através do amor pelos amigos, nos unir a eles, e, assim, criar um lugar para a revelação do Criador. Com isso, nós Lhe damos grande contentamento; com isso, todo o nosso prazer é o prazer que Ele quer trazer a Suas criaturas.

Pergunta: Nós podemos verificar nossos esforços e obter uma resposta do sistema geral?

Resposta: Se cada um se esforçar, vai começar a sentir mudanças internas diárias, enquanto que agora experimenta algo novo uma ou duas vezes por mês. Mais tarde, as mudanças vão se tornar uma interminável cadeia: entrada – saída, entrada – saída, em poucos segundos.

Naturalmente, sua atitude também vai mudar e você terá um caminho estável e será capaz de resolver as subidas e descidas ao longo de duas linhas, avaliando-as a partir da linha média.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, Escritos do Rabash

Um Radar Para A Luz Superior

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você falou sobre o fato de que estamos constantemente sendo despertados de Cima, mas nós não sentimos isso porque não temos equivalência de forma. O que acontece Acima quando lemos O Livro do Zohar? Nós somos despertados mais fortemente ou nos tornamos mais sensíveis?

Resposta: Se você só lê O Livro do Zohar nada acontece. Você pode lê-lo ou não. Tudo depende de sua intenção. Se a sua intenção evoca uma equivalência de forma, então, conforme você é igual ao nível superior, você é impressionado por ele. Mas se você não está disposto a ser equivalente em forma, se você não abordá-lo, ele não ilumina você.

O nível superior é em um estado fixo e é chamado de Hafetz Hesed (que não quer nada para si). Você pode evocá-lo de modo que ele lhe impressionará se você se esforçar e aumentar o seu desejo. Então, ele ilumina você. Não significa que ele ilumina especialmente para você, mas você é impressionado por ele de acordo com seus vasos, seus desejos renovados.

Mas onde você pode obter novos vasos e desejos? Se você estiver conectado a outros amigos, então entre vocês, vocês criam o vaso espiritual. Nenhum de nós é um vaso que pode absorver a Luz. Deve haver, pelo menos, várias pessoas que queiram se conectar, a fim de anular-se perante as demais, e que isso já significa tornar-se igual ao superior. De acordo com certa equivalência de forma, elas podem sentir uma iluminação mais potente do superior entre elas.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, O Zohar

Juntando Os Estilhaços De Percepção

Dr. Michael LaitmanAtualmente, eu estou numa realidade fragmentada que é dividida em duas partes: o meu “eu” e o mundo exterior. Esta separação explica exatamente o que os Cabalistas queriam nos dizer: “Você tem uma chance de conectar estes dois elementos, internos e externos, numa única entidade. Você tem que fazê-lo; este é o programa da criação. Se você participar da reconexão deles, você vai perceber a realidade interna em que estava antes da quebra ter ocorrido”.

Os Cabalistas nos falam sobre o grupo, a disseminação e a importância de curvarmos nossas cabeças diante dos amigos. O grupo não é nada além da “externalidade” para nós, mas ele já está no nível humano (Adão). Aqueles que têm um ponto no coração, o desejo de se tornar semelhante ao Criador, pertencem a este nível. Assim, os Cabalistas nos dizem: “Na sua realidade, existem pessoas que são semelhantes a você e que também se esforçam em se unir. Elas são partes especiais selecionadas de sua alma. De uma forma ou de outra, tudo é parte de sua alma. Então, você deve usar essas partes, uma vez que elas são projetadas para ajudá-lo; elas vêm para conhecê-lo”.

A partir daí, eu começo a entender o que está escrito nos artigos que falam do grupo, da unidade, da necessidade de curvar a cabeça diante do grupo, e das relações entre amigos. Todos os itens acima descrevem a força auxiliar, que se desprende deste mundo, a que está separada de nossas outras partes que estão espalhadas por todo o Universo. Todo o Universo é apenas eu; é minha sensação atual. Mesmo as coisas que não posso sentir neste momento ainda estão comigo. Isso simplesmente significa que não ajuntei toda a gama de sensações dentro de mim, e que a minha percepção da realidade não é profunda o suficiente.

Portanto, no nível mais elevado (falante), há certas partes que realmente estão me ajudando, uma vez que abrangem a mesma aspiração que eu. Como resultado, se acontecer de eu me unir a elas, eu corrigirei todas as outras partes da minha alma.

Por onde eu começo? Eu começo com a parte mais sensível e desenvolvida, que está próxima a mim: a humanidade. Trata-se ainda da alma integrada da pessoa, que nós conduzimos à correção. Se a pessoa observa tudo por esse ângulo, se olha profundamente e percebe o que os Cabalistas escrevem, então ela começa a compreender melhor os seus textos, sua visão de mundo, e a forma como eles percebiam a realidade e todo o processo.

O principal é quebrar o “gelo” e “dissolver” a autopercepção comum e rotineira, bem como a forma como vemos o mundo. Nós devemos ter em mente que tudo o que existe é apenas o nosso “eu”, e que qualquer externalidade, na verdade, ainda está dentro de nós. Tudo é uma imagem que imaginamos num determinado ponto no tempo. No entanto, nós também recebemos a oportunidade de perceber e sentir que outra abordagem para esta questão também é possível. Em seu “Prefácio ao Livro do Zohar” (item 34), o Baal HaSulam escreve: … Mesmo que vejamos tudo como realmente estando diante de nós, cada pessoa racional sabe ao certo que tudo o que vemos é apenas dentro de nossos próprios cérebros. Assim são as almas: apesar delas verem todas as imagens no Doador, elas ainda não têm dúvida de que tudo isso é apenas em seu próprio interior, e de forma alguma no Doador.

Outra questão é qual nível de “senso comum” nós precisamos para isso? É claro que isso não é fácil e não está disponível para todos. No entanto, se conseguíssemos nos familiarizar com a opinião dos psicólogos e ‘físicos quânticos’, descobriríamos que sua compreensão da realidade é muito semelhante. Baal HaSulam respeitava muito a psicologia materialista, uma vez que ela é construída sobre o senso empírico comum: “A pessoa pode ser governada apenas pelo que vê”. Os psicólogos ainda estão parcialmente confusos com suas hipóteses, enquanto os físicos falam sobre essas coisas de forma muito séria: tudo está dentro da pessoa.

Portanto, nós temos que superar a diferença em nossa percepção. Se nos esforçarmos constantemente, não fisicamente, mas internamente, a fim de conectar essas duas partes (interna e externa), vamos extrair a Luz que Reforma e corrigir nossos vasos corrompidos. O vaso está danificado apenas dentro de nossa percepção, em nenhum outro lugar. Ela divide toda a imagem e mostra alguns dos meus vasos como estando fora, e a outra parte como dentro. Tudo isso é apenas em nossa percepção.

A fim de obter uma compreensão correta do que foi exposto, nós lemos os artigos e cartas escritas pelos Cabalistas. Se tentarmos compreendê-los a partir deste ponto de vista, eles não são o que nos parecem na abordagem psicológica comum. Eles revelam muito mais profundidade e clareza, e nós vamos sentir o que os Cabalistas tinham em mente. Porque eles vêem o mundo como uma entidade completa, unida; para eles, o mundo está concentrado no ponto de unidade que a pessoa tem que atingir. Eles não têm dúvida sobre a necessidade de se unir num grupo, nem por que a “gota de unidade” tem que ser o objetivo de todos.

Portanto, junto conosco agora, em partes selecionadas da humanidade, estão aqueles que aspiram a se unir. Se todos pensarmos nisso e desejarmos revelar a unidade, isso vai acontecer. Em princípio, bastam 10 pessoas, e nós somos muito mais.

E, novamente, a nossa unidade tem que ser construída sobre a base da igualdade. É dito: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo“. A Igualdade nos permitirá formar um centro de unidade, o ponto central de Malchut.

Da Convenção de União no Norte 20/09/12, Lição 2

A Prática Do Amor

Dr. Michael LaitmanEstabelecer as corretas relações mútuas no grupo é a coisa mais importante que precisamos implantar, uma vez que a sabedoria da Cabalá é uma sabedoria muito prática. Nós podemos usar outras sabedorias, mesmo sem compreendê-las. Por exemplo, eu me sento no carro e me é mostrado o que está ao meu redor, que botões apertar e sair. Isto é o que realmente acontece em tudo o que fazemos. Basta conhecer algumas coisas a fim de utilizar diferentes desenvolvimentos científicos. Às vezes, tudo que precisamos é de um pouco de conhecimento básico: por exemplo, entrar e se sentar no trem ou no ônibus irá levá-lo para o seu destino, embora você não tenha ideia de como isso é feito. Eu vou de um lugar para outro, como, bebo e participo de diferentes eventos sem conhecer a base técnica das coisas, assim como um bebê recém-nascido que é levado nos braços dos adultos ou empurrado num carrinho.

Na espiritualidade, no entanto, é diferente. Lá, eu só posso usar certas coisas se as conheço e compreendo. Eu não tenho controle sobre as coisas que ainda não alcancei ou descobri. Eu não posso simplesmente me sentar em algum “transporte espiritual” e ir para algum lugar. Não, eu tenho que saber quem eu sou, o que significa este “transporte”, como ele se move, como operá-lo, de onde para onde eu devo subir nele, como se parece o lugar onde comecei e qual é a natureza do meu destino final, etc. Eu tenho que saber o que está acontecendo, para estar no controle da situação e não apenas “pressionar os botões”. Só se eu realmente puder implantar isso de forma total, tendo dominado tudo, eu posso realizar um determinado ato espiritual. Caso contrário, eu simplesmente não existo no mundo espiritual.

Portanto, nós temos que imediatamente nos perguntar: que meio nos permite descobrir, conhecer e compreender a realidade espiritual e aprender a controlá-la? Os Cabalistas  explicam que tudo em nosso mundo está preparado para isso. Está totalmente pronto apenas para esta missão, para que a partir daqui eu aprenda a trabalhar com o mundo espiritual, viva nele, e o controle plenamente.

A partir deste mundo eu aprendo sobre o mundo superior. Aqui, a ferramenta principal é praticar o amor. Nós podemos chamá-la de prática da conexão, concessão, mas no geral trata-se do amor.

Por quê? Porque é disso que se trata. Agora eu amo a mim mesmo, o meu desejo de receber. Eu desfruto ao preencher e satisfazê-lo. É assim que o Criador me fez, Ele conectou a satisfação com o prazer. O “amor ao próximo” significa que eu não absorvo o prazer, mas sim o sinto Nele e com isso desfruto. É assim que uma mãe também desfruta de cada colherada que consegue colocar na boca de seu bebê…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/10/12, Escritos do Rabash

Familiaridade Com A Inclinação Ao Mal

Dr. Michael LaitmanTudo o que vemos nesta realidade é o desejo de receber. Ele foi criado em sua forma original e podemos senti-lo. Nós, de fato, somos um desejo de receber.

No entanto, além de sermos um desejo de receber, também temos uma capacidade de pensar, nossa inteligência nos permite verificar se estamos dentro do desejo, se sentimos o desejo. Os animais não são capazes de dizer tais coisas. É um privilégio exclusivo do ser humano.

É aqui que reside a diferença. Com a ajuda da minha mente, eu posso me separar dos meus desejos, analisar e medi-los, e até mesmo olhar para eles de fora. Portanto, eu recebi a chance de ser um “psicólogo” para os outros e para mim mesmo.

Há vida dentro dos meus desejos, e há uma capacidade de analisar esta vida. O que eu sinto dentro de um desejo particular? O que está dentro dos outros desejos que eu tenho? Como eu faço a transição de um desejo para outro? O que eu faço com eles?

À medida que eu vivo dentro do meu desejo, eu posso controlar a minha vida com a ajuda do meu intelecto, memória e capacidade de análise. No entanto, será que eu tenho uma chance de mudar algo na minha vida? Não, só posso “fluir”, juntamente com os desejos.

Isso é o que nós fazemos neste mundo, embora pensemos que somos nós que agimos e fazemos mudanças, escolhendo o “bem” e evitando o “mal” ao usar o nosso cérebro. Na verdade, nós somos incapazes de fazer qualquer coisa com a nossa natureza ou com os nossos desejos.

Há uma interconexão geral entre os desejos chamada de “humanidade”. Por outro lado, há uma unidade entre os pontos no coração (um sistema dos mundos superiores, Malchut do mundo de Atzilut, Shechiná).

Esta unidade representa algo de uma natureza completamente diferente. Se eu receber o seu brilho (um ponto no coração), eu sou capaz de construir outro tipo de atitude para com os meus desejos.

O sistema de interconexão entre as pessoas neste mundo é destinado somente a trazer dificuldades e problemas para elas. Como resultado, as pessoas avançam continuamente. Elas desejam poder mudar o sistema e alcançar mais sucesso na economia, segurança, condições de vida, saúde e assim por diante. A cada vez, ao subir um degrau a mais, as pessoas atingem um resultado oposto. Elas descobrem que a sua situação atual traz mais danos do que benefícios.

Por outro lado, as pessoas que revelam a unidade entre os pontos no coração podem entrar num novo sistema, um sistema de mundos e conexões quebradas. Aqui, separação e animosidade (isto é, a inclinação ao mal) se manifestam de forma plena.

Desejos e relações entre as pessoas neste reino não são parte da inclinação ao mal. Eles ainda estão no estágio “animal” de desenvolvimento. A inclinação ao mal é algo que nos impede a revelação do Criador, a propriedade de doação e amor.

Assim, as pessoas que revelam a força que confronta a unidade dos pontos no coração (amigos no grupo) começam a revelar a inclinação ao mal. Ela se revela apenas entre amigos conforme sua intenção de melhorar a sua conexão. Já é uma revelação da força espiritual, a primeira realização espiritual.

Ao reforçar sua unidade, os amigos do grupo começam a perceber que sabem o que é a inclinação ao mal. Ela nos obriga a necessitar a força de correção que está dentro de nós e para a qual devemos nos referir.

Todos juntos, nós devemos dirigir nossas orações e pedidos ao centro da nossa unidade, ao centro do grupo. Então, devido à “Oração Coletiva”, nós vamos receber a força, e ela vai corrigir a conexão entre nós. É assim que o nosso progresso está sendo implantado.

A força do mal que se apresenta entre nós é o Faraó, rei do Egito. Dependendo das especificidades de nossa percepção, é também chamado de Bilam, Balak, Aman, e assim por diante. De qualquer forma, a nossa única tarefa é unir. Diz-se que o mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, é a grande regra da Torá.

A unidade é a única solução que nos permite percorrer os vários tipos de conexões e alcançar sua maior e mais perfeita regra, para atingir o nível de amor. Como podemos amar os outros? É “como a nós mesmos”.

Este critério permite monitorar constantemente a nós mesmos. Será que eu me esforço para sair de mim mesmo? Os Cabalistas  explicam que “como a ti mesmo” significa mais do que a ti mesmo. Eu, naturalmente me coloco acima de todos os outros. Agora, eu tenho que favorecer e elevar os outros acima de mim. É assim que eu cresço.

Em geral, tudo está sendo revelado de acordo com o princípio: “O que você odeia, não faça a seu amigo”, e, em seguida, a transição para “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Esta é toda a Torá. Portanto, isso explica por que devemos trabalhar em grupo, estudar, e fazer tudo o que fazemos para o bem da unidade. Caso contrário, não vamos avançar. Esta é a sabedoria da Cabalá .

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/09/12, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”