Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

“Reinicialização” Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: No primeiro semestre, eu senti que alguma coisa estava acontecendo dentro de mim; no segundo semestre, eu participei ativamente do trabalho, enquanto que no terceiro semestre, descobri que na verdade não entendi nada, e que nenhum sentimento permaneceu além do medo de me perder. E mesmo que eu ouça as lições matinais, eu não as ouço.

Resposta: Você, pessoalmente, juntamente com vários outros alunos, estão passando por um período interno exclusivo dos preparativos para o novo estado. Portanto, não se preocupe, isso vai passar. De repente, um despertar virá até você e você vai começar a sentir algo completamente novo. Esta ainda não será a entrada no mundo espiritual, mas já algum tipo de sensação espiritual.

A ideia é que o programa interno está mudando dentro de nós. Ele está sendo aperfeiçoado o tempo todo e tudo está acontecendo como num computador: você está carregando um novo software e depois você deve “reinicializá-lo para passar de um nível de trabalho para outro.

Isso é exatamente o que está acontecendo com você agora. A perfeição interior da adaptação do programa a isso e ao mundo espiritual está sendo realizada em você e em breve você vai começar a sentir mais.

E o estado de confusão, vazio, falta de compreensão e confusão, irá retornar muitas vezes; caso contrário, você não poderia avançar. Isso é comum a todos, mas aos poucos você vai se acostumar com isso.

Da Convenção Virtual em Moscou “Unidade Sem Limites” 14/12/13, Lição 2

Siga Em Frente, Não Pare!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que eu não consigo manter o sentimento de unidade, a “bola de framboesa”? Ela continua desaparecendo.

Resposta: Não importa se ela desaparece. Nós devemos olhar o benefício de nossos atos, e se eu consigo adicionar esforço, eu fico mais feliz por perde-la do que se eu a tenho, porque o que eu já tenho é meu. Se eu paro mesmo por um segundo no estado que alcancei, ela começa a apodrecer.

No momento em que começo a desfrutar o meu estado, eu devo entender que é um prazer egoísta. Se eu gosto da mudança de estados, o derivado, ou seja, não a velocidade, mas a aceleração, o aumento da velocidade das mudanças, então é o prazer correto. Se eu simplesmente desfruto o estado em si, então já é uma casca.

Assim como na física, um corpo que se move a uma velocidade constante que pode ser muito alta é considerado parado, e em relação a mim, ele não está se movendo. Só podemos considerar que ele está em movimento se sua velocidade muda. Portanto, se a sua velocidade cresce constantemente, você pode estar feliz, e é uma boa alegria. É chamado de “alegria de uma Mitzvah“, uma vez que você está constantemente adicionando, ou seja, que você está aumentando cada vez mais os desejos de correção.

Além do mais, você não deve desfrutar um estado constante. Você deve avançar como um homem velho que está curvado, constantemente à procura de uma deficiência, a fim de acelerar a sua velocidade.

Pergunta: Como podemos manter a bola framboesa?

Resposta: A bola de framboesa só pode ser mantida pelo esforço do grupo e com a ajuda da Força Superior. Nós temos que jogar constantemente com esta bola, como farinha quando assamos matzá, que você não consegue parar de amassar nem por um segundo, até que você a coloca no forno. Ela não pode ser amassada por mais de 18 minutos: as nove Sefirot da direta e as nove Sefirot da Luz Refletida, e logo em seguida colocada no forno!

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/14, Lição sobre o Tema: “9 Passos”

Não Passe O Trono Para O Ego

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Item 11: Pois o corpo, que é o desejo de receber para si mesmo, estende-se desde a sua raiz no Pensamento da Criação, através do sistema dos mundos impuros, como está escrito: “e [de] um jumento selvagem um homem vai nascer” (“Jó” 11, 12). E ele permanece sob a autoridade desse sistema durante os primeiros 13 anos de idade, que é o tempo da corrupção.

E ao se envolver em Mitzvot dos treze anos em diante, a fim de dar satisfação ao seu Criador, ele começa a purificar o desejo de receber para si mesmo impresso nele, e lentamente transforma-o a fim de doar. Com isso, ele estende a alma santa de sua raiz no pensamento de criação. E ele passa através do sistema dos mundos puros e se veste no corpo. Este é o período de correção.

Os “13 anos” que o Baal HaSulam fala se refere a algo que não tem nada a ver com o nosso mundo. Em nosso mundo a pessoa não é considerada adulta aos 13 anos de idade, mas sim um bebê que ainda é operado por seus instintos naturais. Nós não esperamos que ela aja de forma racional e entenda o que faz ou esclareça profundamente suas ações. Assim, não há leis que ela deva obedecer.

Mas na espiritualidade é um conceito totalmente diferente, e se refere a uma pessoa que tem que completar o seu trabalho nos níveis anteriores. Ela anseia pela meta e quer alcançá-la pelos diferentes meios recebidos, e constantemente adquire os vasos negativos em contraste com seus vasos positivos. Mas de tempos em tempos ela descobre o maior domínio do sistema de ABYA de impureza que ela supera e não o deixa governar. Mas, então, ele surge ainda mais forte do que antes, e mais uma vez a pessoa não o deixa governar…

Uma pessoa realmente avança por dois sistemas, uma vez que não seria capaz de distinguir o sistema de impureza sem o sistema de Santidade. Por isso, é o sistema de impureza que na verdade a governa ao longo do caminho.

Assim, nós estamos sob a influência do sistema de impureza, a casca, durante a primeira fase do nosso avanço para a espiritualidade. O desejo espiritual para receber a fim de receber cresce constantemente nesses mundos, e a pessoa sente o seu domínio crescente. Ela não apenas o sente, mas o sente em relação à conexão e garantia mútua. Todos os nossos discernimentos são em relação ao vaso único, à reconexão em um homem como era antes da quebra dos vasos. É para isso que somos atraídos em nossa correção e, consequentemente, recebemos diferentes endurecimentos do coração, o que significa que as Reshimot (reminiscências) são reveladas uma a uma, em formas mais pesadas de intenção a fim de receber.

Isso continua até chegarmos ao estado de “deleitar o Criador”. Quando a pessoa é capaz de deleitar o Criador é um sinal do próximo estado, ou seja, que ela já está em algum nível de equivalência de forma com Ele por estar sob a influência dos sistemas dos mundos de BYA de santidade.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/14, Escritos do Baal HaSulam

Exercícios Básicos Da Natureza

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em cada sistema existem desvios que são considerados a norma. Portanto, é duvidoso que tudo possa ser ideal num sistema integral.

Resposta: Quando nós começamos a nos envolver em equilibrar o sistema através de uma sociedade integral, descobrimos que a natureza entra num equilíbrio dinâmico interno conosco. Isso nos dá os exercícios necessários para o nosso desenvolvimento, não para prejudicar, mas para nos beneficiar. É como se os pais dessem a uma criança todos os tipos de jogos que lhe apresentam um objetivo específico: a montagem de um quebra-cabeça, um conjunto de Lego, e assim por diante.

Torna-se claro para nós que a natureza está intencionalmente jogando conosco, a fim de desenvolver-nos. Portanto a partir das condições ameaçadoras, nós começamos a ver a sua relação sutil e a face amável para conosco.

Pergunta: Que problemas e exercícios a natureza pode nos apresentar?

Resposta: Estes podem ser de todos os tipos. Tudo o que acontece hoje em dia também são exercícios. Eles nos parecem ser muito duros, porque não estamos prontos para eles; nós estamos tão atrasados ​​em nosso desenvolvimento integral, que não podemos resolver os exercícios mais simples. Nós somos como alunos que foram deixados numa classe e perderam todos os materiais cobertos; nós olharmos para os registros que a natureza nos apresenta em forma de imagens e não entendemos nada. Uma pessoa dentro do grupo entende tudo, porque ela olha para o mundo de forma integral e correta através do centro do grupo. Para ela, este é um jogo.

Este jogo já tem uma natureza que é amigável e boa, e não perigosa! O que parecia ameaçador e letal para nós no passado, agora nós descobrimos o amor e uma enorme preocupação da natureza pelo nosso desenvolvimento.

De KabTV “Um Mundo Integral” 26/10/13

Mãe, O Que Você Me Comprou?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar”: Se não fosse pelo engajamento em Torá e Mitzvot Lishma (em Seu Nome), para dar satisfação ao Criador com eles, e não para nos beneficiar, não haveria nenhuma tática no mundo que pudesse nos ajudar a inverter a nossa natureza.

Se tentarmos agir por conta própria, não teremos a menor chance. Só nos engajando na Torá, ou seja, na metodologia Cabalística com a intenção Lishma podemos inverter nossa natureza.

Em primeiro lugar, há um problema com a terminologia: eu não sei o que a Torá e os mandamentos são ou o que é a intenção Lishma. É claro apenas que se trata de algum remédio, alguma “ferramenta de trabalho”, pela qual podemos converter nossa inclinação ao mal numa inclinação ao bem. Como podemos entender isso?

Do meu atual estado egoísta (1), eu tenho que passar para o próximo degrau altruísta. Para isso, eu tenho que cobrir certo caminho, chamado de “A Torá e os Mandamentos (Mitzvot) Lishma” (2). Mesmo que no começo eu não entenda nada, eu estou enfrentando certa “realidade” que não posso esconder. Eu sou originalmente colocado nesta realidade e estou neste caminho, que se torna extremamente difícil se eu não tenho o desejo de aprender como implantar a Torá e os Mandamentos para obter a intenção correta.

De qualquer forma, eu vou ter que fazer a transição do primeiro para o segundo estado. Mas, eu posso fazê-lo de duas maneiras:

  1. pelo sofrimento;
  2. pelo caminho da Torá e Mandamentos (Mitzvot).

Dizem-nos que há duas opções que temos que escolher. E nem sequer pense que o caminho do sofrimento também leva você para frente. Simplesmente, a cada momento em que você não está pronto, primeiro você vai pelo caminho do sofrimento e depois você salta para a implementação da Torá com a intenção Lishma.

É impossível avançar sob os golpes, porque nós temos que nos tornar mais sábios e mais experientes em nosso caminho, temos que entender mais e reunir os fragmentos do sistema numa única imagem, etc., e tudo depende da nossa prontidão em revelar a Luz que desce até nós. A Luz vem até nós e nós podemos imediatamente dar um passo à frente, sem sofrer no caminho benevolente se estamos preparados para isso de antemão; porém, se não estivermos preparados corretamente, vamos mergulhar nos sofrimentos.

Pergunta: Que tipo de “caminho benevolente” é esse? Ele é realmente tão bom que continuamos sem tropeços?

Resposta: “O bom caminho” é que não importa o que acontece conosco, nós ainda o achamos agradável, belo e grande. A diferença está na preparação. É difícil de entender, ainda.

Imagine que uma mãe traz para casa um livro e dá para seu filho. Seu filho pensa que é uma história de aventura sobre piratas e tesouros, mas depois de desembrulhar, vê que é um livro de matemática. É uma pena! Agora, sua mãe é ruim e todo o dia é terrível.

No entanto, se ele for um menino inteligente, devidamente preparado e disposto a se tornar um “grande homem”, ele vai entender que precisa aprender mais. Neste caso, ele vai ficar chateado se sua mãe lhe der um livro de histórias com fotos. Afinal de contas, ele não precisa de piratas; ele precisa de conhecimento.

Assim, ele vai ficar muito feliz ao receber o livro, este é um presente! Sua mãe é boa, o dia é perfeito, e toda a vida é uma aventura. A preparação adequada transformou a matemática em verdadeiro deleite.

Assim, toda a questão é o que a pessoa considera um prazer e o que ela quer alcançar? A mesma Luz desce até nós; no entanto, ela pode nos trazer sofrimento e escuridão – escuridão em vez da Luz do dia. Sem a preparação adequada, a Luz é muito forte para os nossos vasos, desejos. A Luz e os vasos não “se encaixam”: a Luz não é absorvida porque não podemos protegê-la com a Luz de Hassadim. Portanto, ela se transforma em escuridão para nós.

Na verdade, não há escuridão. A sensação de escuridão é causada apenas pelo fato de que não podemos aceitar a Luz com a vestimenta de Hassadim.

Pergunta: Ainda assim, será que o bom caminho nos permite evitar a dor que vem de mudar nossa própria natureza?

Resposta: O ideal é que você não vai sentir qualquer dor. No entanto, como Baal HaSulam escreve, nós praticamente não avançamos por meio do sofrimento, nem pelo caminho da Torá, mas sim pelo nosso caminho “corporal”, “do meio”, no qual ocorrem todas as diferenças. No entanto, ao mesmo tempo, nós podemos manter a conexão sem nos desprender do processo espiritual, e podemos entender por que obtemos tudo o que nós passamos. Nossa disposição é variável, mas nós sabemos que estamos no caminho e tudo depende da nossa preparação.

Pergunta: Por que “golpeiam” meus pés enquanto estou no meu caminho espiritual? Por que isso acontece comigo se eu já estou tentando acelerar o tempo?

Resposta: Você não é “golpeado” nos pés! Você percebe as Reshimot (genes espirituais) quebradas inerente a sua alma.

A Luz vem para todos e brilha para todos igualmente. No entanto, novas Reshimot aparecem em nós a cada momento e é por isso que vemos “faixas” pretas ou brancas contra a Luz.

Antes existia um vaso espiritual que era corrigido e perfeito. A Luz derramava-se nele. Então, o vaso foi danificado, e agora é como se estivéssemos assistindo a um filme sobre isso, quadro a quadro.

Há uma “lâmpada” num projetor espiritual, e um filme está rodando diante dela que mostra várias imagens: pessoas, animais, casas, etc. O filme inteiro, todas essas imagens, é, em essência, apenas as Reshimot de uma alma quebrada. É assim que nós as vemos enquanto estamos “deste lado” do projetor. Nosso cérebro percebe essas “imagens;” nós as “vemos” com a parte do nosso cérebro que funciona como uma tela, onde as imagens do mundo que nos rodeia são representadas para nós.

Em essência, tudo o que nós vemos é uma Luz branca imutável. Não há mudanças no lado do Criador; Ele é o Bem e faz o bem a todos. Ele não muda, apenas as Reshimot da alma quebrada mudam. Nós vemos a nós mesmos e assistimos os nossos próprios “filmes” que são criados por nossos vícios! É por isso que se diz: “Todo mundo nega acordo com suas próprias falhas”. As únicas coisas que são mostradas para nós são os nossos defeitos. Todo este mundo não é nada, exceto o eu “quebrado”.

Pergunta: Como este “filme” se torna-se diferente se nós aceleramos o nosso caminho?

Resposta: A diferença é se nós estamos preparados ou não. Depende de nós, de como construímos o nosso progresso: se estamos “dentro do cronograma”, ou aceleramos? Como podemos acelerar o processo? Podemos fazê-lo com a ajuda do grupo.

Acontece que temos tudo que precisamos. Nós recebemos coisas muito específicas que necessitamos. Quantos anos nós temos que olhar para este mecanismo para finalmente entender como ele funciona?

Se o grupo estiver devidamente preparado, nós nos congratulamos com o “filme” como um menino que desfruta um livro texto e não de ficção. Nós aceitamos os “quadros” de nossas vidas e aprendemos a apreciá-los.

Não é por acaso que o mundo moderno está em crise. Onde ela vem se, tecnicamente falando, podemos corrigir todos os problemas? Antes, as pequenas crises nos empurraram em frente, ao passo que agora, não importa o que façamos, nós não melhoramos as coisas; todas as mudanças serão apenas para o pior.

Hoje toda a humanidade assiste a esse “filme” e vê uma série de novas condições que são causadas pela falta de conexão entre nós numa escala global. É por isso que temos que estar preocupados com a nossa correção geral.

Assim, sem uma preparação correta, todos os “quadros” subsequentes nos aparecem em formas muito desagradáveis; cada vez eles vão se tornar piores. Afinal de contas, a espiral das Reshimot continua a se desdobrar; elas se revelam em nós uma após a outro, mostrando, assim, a imagem do mundo para nós.

Isso significa que não há outros remédios, exceto a preparação correta de um indivíduo, um grupo ou toda a humanidade. Tudo depende da preparação. A Luz pode vir ou não à tela (Masach) na Rosh do Partzuf. Se não houver nenhuma tela, a Luz vai para a força de restrição (Tzimtzum) mesmo que ela queira entrar dentro do desejo. Neste caso, o Partzuf irá cair completamente na impureza.

Se o Partzuf tiver uma tela, ele irá aceitar a Luz como algo que ele aspira; ele se apega à Luz e produz uma interação com ela (Zivug), uma conexão com o Criador.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 19/12/13, Escritos do Baal HaSulam

Unidade E Oposição De Desejos E Intenções

Dr. Michael LaitmanEm seu artigo “A Paz”, Baal HaSulam escreve: Isto é feito através da lei do desenvolvimento impressa na Criação contra a vontade da humanidade, onde as próprias obras dos ímpios necessariamente instigam as boas ações, como mostramos acima.

Nós estamos todos sob a influência dessa lei que nos impulsiona para frente através do sofrimento.

No entanto, o Criador deu ao homem a mente e o poder, e deixa-o controlar e guiar a lei. É possível acelerar e impulsionar o processo de desenvolvimento livremente, independente do tempo.

Como podemos perceber esta oportunidade que nos foi dada?

Nossos desejos são irrelevantes, pois eles sempre permanecem absolutamente os mesmos, e não podemos diminuir, aumentar ou desenvolvê-los de forma alguma. Nós temos que esquecê-los, como se eles não existissem, porque nós não os controlamos. A Cabalá diz que só podemos controlar as intenções. Não se trata de limitar nossos desejos, nem do que devemos fazer com eles. Está escrito assim, mas o que está implícito nestas palavras é a intenção.

No entanto, se formos capazes de alterar de alguma forma a nossa intenção, como vamos fazer isso? Para isso, este mundo é dado a nós. Nós estamos num estado muito interessante: ao contrário de espiritualidade, nós podemos agir de forma altruísta, dar, conectar e amar com a intenção “em prol de nós mesmos”. Em outras palavras, este mundo permite que nos enganemos.

Este estado interessante está debaixo de todos os mundos espirituais.

Cinco mundos descem do mundo do Infinito até o nosso mundo: Adam Kadmon (AK), Atzilut (A), Beria (B), Yetzirah (E), Assiya (A), e o último, o nosso mundo.

Geralmente nós pensamos que ele é um mundo muito primitivo, sem valor. Na verdade, não é assim. Aqui, nós podemos agir com intenção. Intenção e ação existem em todos os outros mundos espirituais, mas lá elas estão unidas e são iguais; lá, elas atuam apenas na medida da sua intenção de doar.

Neste mundo, é o oposto: uma pessoa pode agir tanto em prol da recepção e doar simultaneamente. Ao mesmo tempo, as nossas intenções são dirigidas exclusivamente a receber “em prol de nós mesmos”. Em outras palavras, neste mundo, nós podemos realizar ações que são opostas às intenções e ter intenções que contradizem as ações. É um fenômeno muito interessante.

Quando nós vemos uma criança pequena, vemos claramente suas ações simples e intenções muito naturais: ela pega tudo só para si. Os animais agem da mesma maneira. É óbvio. É por isso que nós os amamos, já que eles não mentem para ninguém, suas ações e intenções não se contradizem. Eles carecem totalmente de malícia.

Um homem adulto age externamente com intenções internas. Ele pode ser muito educado, respeitoso e gentil e, ao mesmo tempo, perseguir um objetivo que pode machucar alguém só por causa do seu próprio benefício.

No entanto, esta oportunidade nos é dada só neste mundo em que são possíveis ações e intenções contraditórias, para começarmos nossa subida ao mundo superior de forma independente, objetiva e completa. Nós somos aqueles que escolhem a forma de subir à espiritualidade, porque nos é dada a oportunidade de agir em prol da doação, embora as nossas intenções permaneçam más: em prol de nós mesmos.

Como podemos nos puxar para o mundo superior? É muito fácil. Temos que nos colocar numa comunidade de pessoas que têm a mesma oportunidade de agir e ter intenções de outras pessoas normais, egoístas e astutas neste mundo, ou seja, aquelas que entendem sua natureza pelo menos um pouco. Elas têm um desejo de mudar suas intenções, embora a única coisa que possamos realmente mudar são as ações, e não as intenções.

Se juntarmos este grupo de pessoas e agirmos supostamente em prol de trazer prazer e benevolência uns aos outros, nós desejaríamos nos conectar num todo unificado e fazer da doação mútua o nosso objetivo; neste caso, nós agimos corretamente, em prol da doação, mas nossas intenções estão erradas. Nós não podemos fazer nada sobre elas.

No entanto, se estudarmos a Cabalá juntos, em grupo, aprendemos como a unidade das intenções e ações são implantadas nos mundos superiores. Em seguida, uma iluminação especial desce do mundo superior até nós e muda a nossa intenção.

Nossas ações são normais. Nós estamos orientados um ao outro, a fim de nos conectarmos, ao passo que as nossas intenções permanecem “para o nosso próprio bem” (Lo Lishma).

Sob a influência da Luz Circundante chamada Ohr Makif (O’M), que é uma energia especial, uma força extraordinária, nós começamos a mudar; conforme a nossa transformação, nosso ambiente também se modifica de “em prol de nós mesmos” para “em prol dos outros” ou “em prol dos nossos amigos” e, mais tarde, em prol de algo maior e mais alto. É assim que nos aproximamos do estado de Lishma e começamos a sentir-nos na intenção de doar.

Estar na intenção de doar é existir no mundo superior, porque nesta intenção, nós começamos a perceber propriedades totalmente diferentes, superiores da matéria. Nós começamos a sair de nós mesmos, do nosso estado limitado pelas sensações deste mundo, e como resultado, nós rapidamente avançamos ao mesmo objetivo ao qual a natureza nos leva.

Ao aspirar voluntariamente à frente, nós evitamos o sofrimento. Os nossos sofrimentos são agora chamados de “aflições do amor”, já que agora nós pensamos em como avançar de forma mais eficaz, como acionar melhor a Luz Circundante até nós, e como mudar mais rapidamente nossas intenções.

Nós realizamos ações minimamente necessárias em relação ao grupo e a humanidade, uma vez que a humanidade tem que subir para o mesmo objetivo: mudar da intenção “em prol de si mesma” para “em prol dos outros”. Ações físicas não importam muito. Nós precisamos delas só para mostrar o lugar onde podemos implantar o poder da Luz Circundante, a força da Luz de correção.

Portanto, o estudo da Cabalá, que nos fala sobre o que é percebido com a ajuda das intenções corretas – a chamado Luz de doação (Ohr Hassadim) e a Luz de Retorno (Ohr Hozer) – nos ajuda a mudar nossas intenções e começar a sentir e atingir a governança superior, a força superior.

Ela explica por que precisamos tanto de nossos amigos, porque só entre eles, só entre nós, nós podemos fazer o trabalho interno que corrige nossas intenções.

É por isso que o nosso principal objetivo é chegar ao desejo de alcançar um novo estado que é predestinado, por natureza, e persegui-lo. A natureza quer nos levar para fora do estado chamado “mundo” em que estamos hoje e nos elevar para o mundo do Infinito. Este é o nosso objetivo final.

Se nós entendermos claramente essas coisas, sabemos que é mais urgente e essencial para nós criar grupos que interajam entre si em todas as suas partes, de modo que todas as nossas ações sejam direcionadas para algum tipo de doação. Ao agir desta forma, podemos evocar a correta Luz Circundante até nós durante nossas aulas e corrigir as nossas intenções.

A Cabalá nos diz que tudo o Criador criou foi apenas um desejo, Malchut do mundo do Infinito. Então, nesse desejo surge a intenção que passa pela quebra (shevira) no mundo da Nekudim.


Além disso, nos mundos de Atzilut (A), Beria (B), Yetzirah (Y), e Assiya (A), aos poucos ela começa a ressuscitar, enquanto neste mundo, desejos e intenções permanecem divididos em 613 partes.

Nosso trabalho consiste na correção da intenção “em prol de nós mesmos” para a intenção “em prol da doação”, “em prol dos outros” em cada um dos nossos desejos. Então, o desejo será considerado corrigido.

Em outras palavras, quando estudamos a ciência da Cabalá, a Luz Circundante desce até as nossas intenções; por sua vez, elas se prendem aos desejos, e os desejos corrigidos entram no mundo superior. É aqui que nós começamos a sentir o mundo espiritual. Assim, corrigindo-nos gradualmente, nós subimos para o nível dos 613 desejos até alcançarmos a correção final.

Da Convenção Virtual em Moscou 13/12/13, Lição 1

A Responsabilidade Que Sentimos Um Pelo Outro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre o conceito de garantia mútua e 0 de bola (esfera) de framboesa?

Resposta: Você pode definir o primeiro estado de unidade de várias formas. A ideia desta analogia simplesmente me ocorreu num determinado momento. Eu queria expressar o sentimento especial de calor que todo mundo sente, que é agradável e esclarecedor em si mesmo.

A garantia mútua é a conexão entre os vasos quebrados que se conectam acima da quebra, na medida que entendem que devemos estar conectados. A força da conexão, a sua necessidade, a sua vitalidade e a responsabilidade que sentimos um pelo outro é chamado de garantia mútua. Isto mostra até que ponto eu sou responsável pelos outros e os sinto dentro de mim como eu mesmo.

A garantia mútua é um estado interior de conexão que leva em conta todas as condições: como nos relacionamos, com que vasos, em que nível de Aviut (espessura). Refere-se ao vaso que está prestes a se conectar. É devido à separação entre estas partes e a sua conexão, ao crescimento da linha de esquerda e da direita da linha, uma em oposição à outra, que juntamos o conceito chamado garantia mútua.

Na garantia mútua, que é o nosso vaso espiritual, nós começamos a receber a Luz que Reforma e a ver que somos corrigidos. Então, a nossa garantia mútua é novamente corrompida e temos que corrigi-la mais uma vez. Tudo está incluído neste conceito. Baal HaSulam escreveu dois artigos: “A Entrega da Tora” (Matan Tora), visto que não temos como nos corrigir sem a força superior, e o artigo que se seguiu, “Garantia Mútua” (Arvut), que explica como operar e gerenciar a força superior para subir ao objetivo da criação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/14, Lição sobre o Tema: “9 Passos”

A Aliança Da Noiva

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“: …recepção a fim de doar é considerado doação pura.

Em Masechet Kidushin está escrito que com um homem importante ela dá e ele diz: com isso vocês são santificados. Porque quando sua recepção é a fim de deleitá-la, a doadora, considera-se absoluta doação e doação. Assim, a pessoa compra completa adesão com Ele, pois a adesão espiritual é equivalência de forma, como nossos sábios disseram: “Como é possível se apegar a Ele? Em vez disso, apegar-se às Suas qualidades”. E com isso, a pessoa torna-se digna de receber todo o deleite e prazer e a suavidade no pensamento da criação.

Comentário: Para começar, uma mulher deve estar ciente da importância do homem e desfrutar isso. Só então ela se dedica a ele.

Resposta: A mesma coisa acontece entre nós e o Criador. Nós temos que nos unir porque o amor pelos seres criados precede o amor por Ele.

Nós formamos uma força comum entre nós, o vaso espiritual comum que é chamado de “mulher” ou “Shechiná” em relação ao Criador. O Criador para nós é como o “Noivo”, e nós queremos Lhe dar todos os prazeres, todas as possibilidades, toda a nossa vida, ou seja, toda a intenção “a fim de doar”. Em seguida, na mesma medida, Ele nos “compra”, em outras palavras, nos aceita e satisfaz.

No entanto, no início, há a necessidade do despertar de baixo, a nossa subida até Ele. A noiva tem que atrair o Noivo, encorajá-Lo a se unir com ela. Portanto, primeiro nós temos que preparar a intenção altruísta. Se ela é grande e forte, se nós realmente queremos dar-Lhe tudo, nessa medida vamos obrigá-Lo a agir, porque Ele tem o desejo comum de trazer bondade.

Em seguida, o Criador vai se virar para o grupo, para nós, e vai querer unir, desejar entrar em adesão conosco, na “cópula” espiritual (Zivug).

Tudo isso se manifesta nas relações daqueles que estão direcionados diretamente ao Criador (Yashar-El – Israel), à força superior. Todo o rito de passagem, o casamento, indica uma conexão entre o Criador e os seres criados. A noiva não tem nada para dar, exceto o seu serviço ao Noivo. Isso é tudo o que ela pode fazer.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/14, Escritos do Baal HaSulam

Garantia Mútua De Um Bom Humor

Dr. Michael LaitmanNosso único problema reside em estabelecer a conexão correta. No momento, nós não estamos conectados, mas quando a conexão se tornar mais forte e estreita, teremos que descobrir como cumpri-la. Suponha que eu tenho vários milhões de cordas para amarrar e você tem vários milhões de cordas para amarrar e nós precisamos descobrir como conectá-las corretamente: que corda se conecta a outra, em que frequência e quando, em que sequência e ordem.

A principal coisa é sentir a importância da meta. A garantia mútua é um sentimento interior que devemos alcançar que determina o estado interior da nova realidade. Não é apenas um ponto de conexão entre nós; ele, na verdade, se expande depois e se torna um ponto da nova realidade. É por isso que precisamos do sentimento de importância que nos capacite tanto e que sustente e promova o ponto da garantia mútua, que mais tarde se torna a garantia mútua entre nós, a qual inclui todo o mundo e o Criador.

Esta é a importância da meta, a importância do grupo, bem como a importância do amigo. Eu tenho que constantemente esclarecer coisas, descobrir o que preciso, a fim de aumentar a ideia da garantia mútua a qualquer momento: o que é redundante, o que significa, o que eu não preciso. A importância do trabalho deve ser grande e nós temos que evocá-la em cada amigo.

No final, nós voltamos à grandeza do grupo que deve impressionar a todos de uma maneira diferente, ao inflamar inveja, paixão, desejo de respeito e controle, em outras palavras, usando todos os meios para nos estimular e sacudir. É assim que todos devem trabalhar em todos os outros. A garantia mútua começa quando eu vejo que é minha responsabilidade que o meu amigo deve estar simplesmente de bom humor por estar entre nós, e daí esta garantia mútua se desenvolve mais e mais.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/12/13, Lição sobre o Tema: Preparação para a Convenção

Trabalho Em Círculos Concêntricos

Dr. Michael LaitmanAté o fim da correção (Gmar Tikkun), todo o nosso trabalho espiritual é realizado através do ambiente, até que esse ambiente e eu nos tornemos um todo. Todos esses níveis são como círculos concêntricos ao redor de um ponto central.

Desde o círculo mais externo, de mim mesmo, o egoísta completo, primeiro eu entro no primeiro círculo, no grupo, e começo a me mover em 125 círculos cada vez mais fundo internamente.

Quando mais eu estou incluído no grupo, mais eu me aproximo do Criador, que se encontra em seu centro. O ponto central é o ponto deste mundo, o ponto central do mundo do Infinito. Tudo volta a um ponto, o “ponto negro” de Malchut.

Todos os estados que estamos estudando falam do quanto temos nos conectado, circulando dentro da conexão, cada vez mais fortemente nos tornando um, qualitativa e quantitativamente. Deste modo são medidos os níveis espirituais. É possível dizer que eu começo do círculo maior e depois avanço em círculos cada vez mais contraídos, centrando-os cada vez mais do ponto de vista do esclarecimento, conexão e unidade, ou seja, qualitativamente.

Mas é possível dizer que com isso eu posso expandir para mais pessoas externas a educação integral, porque o Criador me deu o AHP para trabalhar, o qual é necessário para eu avançar. Então eu faço o oposto; eu vou do ponto central para círculos cada vez mais amplos. É possível dizer isso também: nesse sentido, eu saio para círculos cada vez mais amplos, para as massas, em outras palavras, transformando num “aumento quantitativo”; simultaneamente com o trabalho com esta quantidade maior, eu me contraio com meu conhecimento e emoção mais e mais em direção ao centro, ou seja, mais qualitativamente, cada vez mais perto de um único todo.

Da mesma forma, é possível dizer que, neste mesmo lugar que eu desenvolvi, nisso eu me torno cada vez mais como o Criador. Lá, no ponto central, eu encontro o Criador e passo a ser como Ele, começando com um ponto e crescendo mais e mais.

É possível expressar este processo em diferentes formas, mas, essencialmente, não existe nenhum outro trabalho, não existem outras realizações e meios além do ambiente. O ambiente é o grupo, o Rav, os livros e o Criador, que está escondido dentro deles e se torna o nosso objetivo final. Caso contrário, não podemos nos dirigir a Ele.

Nós nunca podemos nos voltar ao Criador se não O estabelecemos no centro da conexão do grupo. Tudo o resto será simplesmente falso. Além disso, trabalhar com o público externo mais amplo é imperativo.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/12/13, O Zohar