Textos na Categoria 'Oração e Intenção'

Os Dois Polos Da Unidade

Dr. Michael LaitmanQuando eu sinto que me falta o desejo correto, eu preciso pedir por ele. Isso é chamado de “oração antes da oração”: eu oro a fim de despertar um pedido em mim pelo Criador, o desejo certo que eu não tenho no momento.

Agora, pelo contrário, eu preferia comer e tirar uma soneca, mas eu peço para ser despertado, eu quero sentir o vazio dos meus atuais pensamentos e acima deles despertar para a doação, amar e sentir satisfação com isso. O pedido em si, o voltar-se para o Criador, é o meu “alimento”, me enchendo de vitalidade. Você vê, desta forma eu estou ligado ao Criador, e não preciso de mais nada. Portanto, como eu poderia dormir agora?

Pergunta: Mas se eu não quero mais dormir, então eu não anulei este desejo dentro de mim, e não me elevei por cima dele?

Resposta: Agora eu estou precisando de outra realização. Eu amo o outro e quero doar a ele. Meu desejo anterior não desaparece; ele queima dentro de mim como antes, mas neste momento eu estou envolvido com a doação.

Não há nada que eu possa fazer sobre isso; na espiritualidade eu sempre tenho dois desejos, dois sentimentos. Por um lado eu sinto o meu vazio interior que não quero preencher como de costume, e por outro lado, eu quero ficar acima dele com o desejo de doar. Eu devo ter esse vazio como o meu “corpo”, que é o que eu tenho contido. Sem ele, eu não seria capaz de avançar.

A questão é como é possível sentir esses dois desejos ao mesmo tempo? O Tzimtzum (restrição) foi projetado para isso: eu assumo o controle sobre o desejo, apesar de seu poder, e acima dele construo um Masach (tela) com a intenção de doar e uma aspiração ardente por ela.

Esta é a dualidade que é descoberta na espiritualidade, e nós temos que nos acostumar com isso. Um dos seus exemplos mais proeminentes é dito na Torá: (Gênese 21:12) Em Isaac será a tua descendência considerada, o Criador diz a Abraão; e depois disso Ele ordenou-lhe que sacrificasse Isaac, na terra de Moriá, (Gênese 22:2) e oferece-o lá em holocausto. Como integrar estas duas determinações contraditórias?

Baal HaSulam escreve na Carta 51: uma pessoa não pode analisar o corpo e a alma como dois sujeitos. Ao contrário, ela é composta pelo Criador como uma só, ou seja, como um sujeito, e, portanto, a percepção espiritual é difícil para ela, realmente como dois opostos que são impossíveis de vestir num único sujeito. Apesar de tudo, nós temos que interiorizar este princípio, compreendê-lo um pouco, caso contrário, simplesmente não vamos sobreviver.

E se é ruim para mim hoje, se eu estou cansado dos meus esforços inúteis, perco a direção e prefiro tirar um cochilo, se o vazio me domina, o desespero, a impotência, e a vida começam a me surpreender com surpresas desagradáveis, por um lado, eu devo superar os problemas que são enviados a mim e vê-los não como obstáculos, mas como salvação. Você vê, sem eles eu não sentiria a necessidade do Criador, da ajuda do Criador.

Portanto, é necessário manter esses dois pontos juntos, estar em Bina e Malchut simultaneamente, e avançar desta forma. A pessoa deve ser “dividida” em duas: num único corpo (desejo de receber) e numa única alma (a intenção de doar). Ela requer esta divisão. No entanto, o desejo não desaparece, não é anulado, e eu vou precisar trabalhar nele o tempo todo. Dentro dele habita o vazio, e acima dele brilha a meta que eu quero alcançar. Assim, a “cabeça do Partzuf” faz o cálculo certo, apesar dos “murmúrios do estômago”.

No entanto, ambos devem ser percebidos pelo receptor, visto que são para a alegria da festa, continua Baal HaSulam. É precisamente entre estes dois polos onde a felicidade é encontrada. Através da nossa discussão de hoje sobre o contraste perpétuo entre eles, nós construímos os alicerces para a futuro Masach.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/01/14, Escritos do Baal HaSulam “Introdução ao Livro do Zohar“

O Cálculo Correto: Confiança Social

Dr. Michael LaitmanDo artigo do Rabash “A Oração de Muitos”: …Nós podemos interpretar as palavras do sagrado Zohar, que aconselha as pessoas com uma demanda interna, que não conseguem aceitar o estado em que se encontram porque não veem qualquer progresso na obra de Deus e acreditam no que está escrito… O conselho é pedir por todo o coletivo.

Em outras palavras, tudo o que a pessoa sente que lhe falta e pede por satisfação, ela não deveria dizer que ela é uma exceção, ou seja, que ela merece mais do que o que o coletivo tem. Pelo contrário, “Eu habito no meio do meu povo”, ou seja, eu estou pedindo por todo o coletivo, porque eu gostaria de chegar a um estado em que não terei cuidado comigo, mas apenas com o Criador ter satisfação. Portanto, não faz diferença para mim se o Criador tem prazer comigo ou pode receber o prazer dos outros.

O fato de que nós só percebemos um pequeno fragmento da realidade não é essencial. A verdadeira realidade é integral, fechada, única e unificada; este vaso único foi criado, organizado, e preenchido com uma Luz chamada de “O Senhor e Seu Nome são um” onde o Criador é a Luz e Seu Nome o vaso, o desejo.

Se quisermos finalmente começar a perceber a verdadeira realidade, respondendo a ela corretamente, tornando-nos seus participantes conscientes, sendo dignos de um nível de desenvolvimento humano, em vez de apenas nos comportar nos níveis inanimado, vegetal ou animal que são completamente subordinados à Luz, nós devemos começar a pensar apenas na nossa sociedade. Na verdade, todos nós já agimos em conformidade. Nós nunca cometemos erros, nem nós nunca cometemos atos “maus”, já que estamos apenas seguindo as ordens da natureza, mesmo sem reconhecer esse fato.

É por isso que somente aqueles que estudam Cabalá podem ser considerados “pecadores” ou “justos”, já que entendem que a realidade é global, integral, geral, unificada e que a Luz a preenche e age dentro dela. Se é assim, então como é que podemos fazer planos individuais pessoais ou confiar em nós mesmos? Como pode existir alguma coisa de natureza individual, se todo o sistema está completamente entrelaçado?

Não existe tal coisa como individualidade. Cada elemento é uma parte inseparável de um todo. Ele está incluído em todos os outros elementos do sistema e toda a estrutura é uma parte deles.

Existem apenas 10 Sefirot; cada uma é dividida em 10 partes e assim por diante até o infinito. É por isso que é impossível afirmar que temos algo que pertence exclusivamente a nós. Tudo é coletivo! Não há nada fora de nós, uma vez que estamos presentes em cada partícula de toda a estrutura.

Portanto, os cálculos corretos são sempre de natureza social. Não há nada particular. A “individualidade”, além de um traço comum, é apenas um ponto em que estamos de acordo que pertencemos completamente à totalidade e que nada exceto a totalidade existe.

Nós devemos pensar, sentir, receber e dar unicamente através do nosso sentido de compartilhamento: somente através da unidade!

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 27/01/14

Uma Oração Pelo Pilar Central

Dr. Michael Laitman“Introdução ao Livro do Zohar“, “A Torá e a Oração”, Item 184: E só depois que a pessoa está incluída em todas as três correções de nossos santos patriarcas, ela vai começar a corrigir a Divindade, a partir do lugar que o patriarca Jacó tinha deixado para nós: elevar o temor à qualidade de exaltação, porque Ele é grande e governa tudo. Depois, ela vai entrar na casa de reunião (assembleia) e vai fazer a sua oração. Ou seja, ela deve orar e estender as Luzes superiores sobre ela, com o temor da exaltação, para levá-la ao fim da correção. Em seguida, está escrito: “E Ele me Disse: ‘Tu és o Meu servo, Israel, em Quem hei de mostrar a Minha glória'”.

Nós começamos nossas correções a partir de Abraão (propriedade de Hesed), Isaac (propriedade de Gevura) e Jacó (propriedade de Tiferet). Estes estágios são chamados de antepassados: Abraão, Isaac e Jacó, e depois atingimos o nível dos filhos: Netzach, Hod e Yesod. É impossível atingir as correções dos filhos sem corrigir primeiro o nível dos antepassados, a partir do qual chegamos a uma oração que nos enche com os poderes para cuidar dos filhos. Assim, nós transmitimos todos os atributos de doação de HGT a NHY.

Este é o trabalho da nossa conexão. Por isso, diz-se que uma pessoa chega a um lugar chamado de casa de reunião (sinagoga), onde tenta ser incorporada nos desejos de todos e percebe até que ponto não consegue fazê-lo. Em seguida, ela eleva uma oração.

A oração é correta se ela vem do desejo de se conectar. Todos os nossos desejos, as nossas deficiências e nossos pedidos de conexão se unem e exigem conexão. Isso é chamado de oração coletiva, em resposta a qual vem a Luz que Corrige de Cima e nos conecta. Tal conexão entre todos torna-se um vaso que é chamado de casa de reunião e de onde recebemos uma resposta à nossa oração.

Uma casa de reunião (assembleia) não é um edifício corpóreo ou um lugar, mas sim o grupo onde a nossa conexão e união é realizada. Jacó é a linha do meio, o pilar central. Se nós chegamos à linha do meio, isso significa que oramos na frente do pilar, o que significa que pedimos pela correção de nossa conexão. Isso é chamado de ser um líder de oração (a fase de Jacó), que está incorporado em todos e ora para que a nossa conexão seja cumprida e que sejamos incorporados um no outro, nos dissolvamos um no outro e sejamos como um só.

Então este lugar se torna uma casa de reunião. A conexão entre nós é chamada de Shechiná, e nós somos preenchidos pelas correções da Luz que Reforma, e o Criador é revelado em nossos desejos corrigidos. Nós não devemos tentar escapar para lugar algum; em vez disso, só devemos esclarecer esta situação e realizá-la cada vez mais.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/01/14, Escritos do Baal HaSulam

De Acordo Com O Conselho De Abraão, Isaac E Jacó

Dr. Michael Laitman“Introdução ao Livro do Zohar“, Artigo “Torá e Oração”, item 183:  Por isso, a pessoa não deve entrar na casa de assembleia, a menos que tenha consultado primeiro Abraão, Isaac e Jacó, pois toda a nossa oração é para complementar o que ainda está faltando na Divindade, após as correções que foram feitas nela até agora. Assim, em primeiro lugar, nós devemos saber e ampliar todas as correções que já foram corrigidas na Santa Divindade, e assim saberemos o que ainda precisa ser adicionado a elas.

Normalmente, a questão é levantada: Qual é a diferença entre Malchut de Atzilut, Malchut de Ein Sof e Malchut do Fim da Correção, que é chamada Shechiná? Em princípio não existe diferença entre estes termos. A integração mútua das almas uma na outra realmente se transforma num todo único e fica face-a-face com o Criador. É a mesma criatura espiritual chamada Shechiná, Malchut. Se nós estamos falando de conexão, correção, então tudo se resume num único conceito.

Como eu preciso “me aconselhar com Abraão, Isaac e Jacó”? Se eu não me organizo de acordo com as “três linhas”, eu não estou pronto para elevar a minha oração ou para receber uma resposta dela. Abraão, Isaac e Jacó são a “linha direita”, a “linha esquerda”, e a “linha do meio”, que eu devo organizar dentro de mim. Isso significa que eu estou “diante do pilar”.

Existe uma regra geral de que é necessário orar diante do pilar. Certamente isto não significa o pilar de mármore. Um “pilar” simboliza a “linha do meio”. Nós devemos alcançar este estado, porque sem isso não há nada a fazer. Caso contrário, não podemos doar ao sistema superior, porque não estamos na mesma frequência com ele, ou seja, não estamos orientados na direção em que é possível doar.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 20/01/14, O Zohar

A Chave Para A Doçura

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Dois Pontos”, Item 121: …Assim, as fechaduras, as portas e os salões são três formas que surgem em nossa substância, o desejo de receber em nós. Antes de transformá-la em “recepção a fim de doar” ao nosso Criador, essa substância transforma a Luz em escuridão, e o doce em amargo, de acordo com o nosso gosto…

Na verdade, é a nossa intenção a fim de receber que transforma a doçura em amargura e nós sentimos amargo. Quando nós corrigimos a intenção, o amargo se torna doce. Isso significa que tudo depende da equivalência de forma entre nós e o que vem do Alto. Na medida em que temos a intenção a fim de doar, tudo pode ser sentido como doce e, acima de tudo, esta intenção é sentida como amarga já que eu não tenho nada para adoçá-la.

A intenção é que torna tudo amargo ou doce. Não há nada, exceto a intenção, e nós não precisamos trabalhar com nada, exceto a intenção. Deixe em paz seus desejos e atributos, eles não importam. Nós já sabemos pela nossa experiência que uma pessoa permanece com aquilo que ela nasce. Nada muda nela, exceto uma coisa. Portanto, só se preocupe com a intenção, com a sua atitude para com o Criador.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/01/14, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“

O Poder Da Intenção Está Em Sua Constância

Dr. Michael LaitmanEu devo tentar abrir meu coração em relação aos amigos e que todos os seus desejos, pensamentos e expectativas pela espiritualidade entrem diretamente em meu coração, sem qualquer oposição e crítica do meu lado. Para a intenção certa, nós precisamos do Criador no centro do grupo o tempo todo, e aceitar este estado com o coração aberto. Todos nós devemos nos concentrar em torno deste ponto e concentrar todos os nossos esforços nele. Só nisso reside o nosso livre arbítrio, o qual devemos entender. Esta postura em torno do Criador, encontrada dentro do grupo, é semelhante à posição em torno do Monte Sinai. Exatamente como lá, Arvut (garantia mútua) e apoio mútuo são exigidos de nós; através deles nós podemos chegar a uma intenção constante.

Na espiritualidade nada é medido de acordo com a quantidade de força, mas sim, de acordo com a qualidade. Uma intenção forte é uma intenção que nunca para. Uma intenção fraca pode ser interrompida. Mas uma intenção forte não pode ser parada e é constante e, portanto, se diz ser elevada. Certamente todos os tipos de distúrbios virão, tanto gerais como particulares, mas em face de todas as perturbações nós devemos estar preocupados apenas com uma coisa: uma intenção tão forte que nunca é interrompida. Precisamente com isso nós devemos nos fortalecer mutuamente, e esta é a garantia mútua que é realizada.

A partir de uma pequena e fraca intenção, nós devemos chegar a uma grande e forte intenção, ou seja, a partir de intervalos regulares, da perda do desejo espiritual, nós temos que passar para um só coração, para o centro do grupo, onde o Criador é descoberto, de modo que todos nós vamos nos conectar lá num único abraço com Ele. Nós devemos nos ajudar com garantia mútua, que a intenção não seja interrompida em qualquer um de nós. Pois com isso, nós poderíamos fazer um buraco no casco do nosso barco comum, em nosso coração comum. Se abordarmos a Convenção com esforços como estes, o sucesso estará garantido.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/14, Workshop

Meu Coração Está Nas Mãos Dos Amigos

Dr. Michael LaitmanNa ideia da intenção, o princípio, “Cada um vai ajudar o seu amigo”, está ativo. Pois, “Um prisioneiro não pode se libertar da prisão”, mas apenas os amigos podem tirá-lo. O apoio dos amigos é chamado de “Arvut”, e se ele for encontrado, mesmo por um momento,  não vou esquecer a intenção e meu coração estará sempre aberto na direção certa.

Eu não estou preparado para fazer isso por mim mesmo, mas só com os amigos. Meu coração se encontra nas mãos dos seus amigos, e só eles podem dirigi-lo ao Criador, que se encontra no centro do grupo. Portanto, eu dependo deles completamente. Como eu devo compensá-los em troca de um trabalho como esse? Eu os compenso com a mesma moeda, ou seja, de forma idêntica eu penso neles, estou preocupado com suas intenções. Nenhum deles é capaz de fazer isso sozinho, e cada um também requer a ajuda dos amigos.

Se pensarmos juntos e estivermos preocupados que a intenção correta não cesse nos outros, que seus corações permaneçam sempre abertos e prontos para a descoberta do Criador no centro do grupo, com isso, nós garantimos a mesma preocupação e o mesmo tratamento dos outros. No final, eu vou descobrir que todo mundo já está no estado final corrigido e eu não via isso com meus olhos corrompidos, como está escrito: “Todo aquele que rejeita algo, o faz com suas próprias falhas”. E se eu me dirigir corretamente em relação ao trabalho com os amigos, doando a eles, vou descobrir a sua doação para mim.

Isso significa que todo o trabalho que eu faço em mim mesmo, eu faço através de um trabalho sobre os outros. Nesse meio tempo eu faço isso por motivos egoístas (Lo Lishma), onde estou direcionado para me corrigir desta forma. Mas, apesar de tudo, isso já está sendo feito no sentido correto: de mim mesmo para fora. De Lo Lishma nós chegamos à Lishma, à doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/14, Workshop

Preparação Para Uma Oração

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “VaYikahel“, Item 141: Portanto, é proibido estimular a voz do homem durante a oração, de modo que a voz superior, ZA, esteja nela, uma vez que o discurso sobe à Malchut e une-se com ZA através de Malchut, recebendo uma voz que é mitigada de ZA. Assim, a oração está apta para a recepção da abundância, e o discurso do mundo superior não precisa ser ouvido através da voz do homem.

Há uma regra, “não há vaso sem Luz”. Tudo é feito apenas pela Luz, enquanto nós só nos esforçamos, que é a pré-condição para cada ação. Cada ação individual é feita somente pela Luz que atua no vaso.

Nós só somos obrigados a nos esforçar. Nós não fazemos nada, exceto aumentar a intensidade da deficiência. Esta é a razão de estarmos no nosso mundo, uma vez que este é o único lugar onde podemos realizar diferentes experiências e ações, que da perspectiva espiritual não são consideradas ações. Elas só nos levam a um estado em que podemos pedir a correção dos vasos e o seu preenchimento.

É por isso que o nosso mundo é tão especial. Se não existíssemos nesta realidade, não seríamos capazes de influenciar a nossa ascensão espiritual de forma alguma, já que todas as ações são realizadas somente pela Luz. Portanto, como eu, estando em certo nível espiritual, posso influenciar algo que é superior ao nível? Com que meios eu posso fazer isso? Eu tenho que estar separado do mundo espiritual, a fim de pedir para ser elevado de um estado para outro, de um nível de esclarecimento para outro e de uma nova correção para outra.

Tem que haver uma realidade separada da escada espiritual, que é onde eu estou, onde posso sempre me preparar para a oração antes de uma oração. Esta é a razão das ações corporais em nosso mundo serem tão benéficas para alcançar um determinado estado e pedir a Luz que Reforma. Nós não devemos pensar que não precisamos do nosso mundo, que não podemos fazer nada, mas simplesmente conectar internamente e pronto.

Isso não é o suficiente. Pelo contrário, quanto mais a pessoa faz na prática, mais desejo, pressão e experiência se acumulam dentro de si, como resultado de todas as suas ações, as quais, no final, se somam a um grito, a uma oração antes de uma oração. A oração antes de uma oração é dirigida à Luz com um pedido para formar o vaso, o desejo. A oração em si é dirigida à Luz para que ela encha os vasos, ou seja, que ela realmente nos permita doar.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/01/14, O Zohar

A Boneca Problemática Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu posso imaginar a grande responsabilidade para com os amigos num submarino afundando. Como eu posso sentir essa ansiedade e essa tensão durante os workshosps, quando não há tal o drama acontecendo ao nosso redor?

Resposta: Escute, ninguém está lhe pedindo quaisquer truques, como um mágico, para tirar um coelho da cartola. Não há necessidade de realizar todos os truques, mas simplesmente tentar amarrar sua demanda, sua deficiência, à força superior, e isso é tudo. Tente exigir, pedir alguma coisa. No momento em que lhe faltar alguma coisa para o seu progresso espiritual, volte-se para o Criador imediatamente com qualquer pedido que você tenha. Se você conseguir amarrá-lo corretamente ao Criador, você não terá problemas.

Seu trabalho é ser o elo, o adaptador, entre as deficiências e a fonte. Ninguém está pedindo para ser a fonte de energia e nem mesmo para ser o usuário dessa energia, ou seja, fazer algo por si mesmo. Seu trabalho é passivo: simplesmente se incomodar e continuar a pedir o que você quer do Criador. No entanto, você deve pedir sabiamente. Você deve esclarecer com precisão o que você quer exatamente, pedir por isso. Você deve compreender que o Criador organiza dificuldades para você precisamente para que você o incomode, aprenda com Ele e avance.

O problema é que você está deixando o Criador. Baal HaSulam diz que o maior pecado que uma pessoa pode cometer neste mundo é esquecer o Criador e se separar Dele. Portanto, não se separe e continue incomodando-O com seus pedidos. Essa é a única coisa que você é obrigado a fazer.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/01/14, Lição sobre o Tema: “A Preparação para a Convenção”

“Apenas” Volte-se Para Ele

Dr. Michael LaitmanExiste um único estado: a adesão entre o Criador e a criatura. Isso aconteceu no início. A correção final surgiu de imediato com o plano. O Criador não requer tempo para ações adicionais. Afinal, tudo se manifesta imediatamente em pensamento, sem qualquer necessidade de existir na matéria.

No entanto, na realidade, essa perfeição não foi manifestada, não é clara, reconhecida em sentimentos, embora o mais importante seja que a criatura se torna ciente disso, para sentir a sua adesão com o Criador.

Portanto, ela foi dividida em partes. Afinal, para as criaturas alcançarem, entenderem, quem e o que Ele é, acima de tudo, deve haver abundância.

Pequenos egoístas, lutando na parte inferior do sedimento lamacento do universo, revelam mais e mais egoísmo – mais crueldade, glorificam-se em ver o quanto são opostos um ao outro, e aos poucos se aproximam da virada, a fim de transformar uma descida numa subida. Eles devem pensar na doação, é claro, em impotência devido às Reshimot emergentes. No entanto, eles podem adicionar seus próprios esforços a isso. Então, eles avançam.

A coisa mais importante do seu lado é voltar-se ao Criador. Eles se conectam, trabalham juntos, organizam workshops, e muitos outros eventos, e, depois disso, voltam-se para Ele.

Este apelo forma o vaso espiritual. É o que não existia antes. Somente a criatura pode se voltar ao Criador por ajuda, e isso é o que lhe falta. Não se trata das nossas relações de amizade, nem de dizer “palavras bonitas” entre nós, mas que encontramos a necessidade de recorrer a Ele. Primeiro, nós temos que fazer isso, e depois queremos apenas isso e nada mais.

Então, eu não atuo para conseguir alguma coisa do Criador, mas de modo que tenha a oportunidade de voltar-me para Ele. Esta é a recompensa para mim. Isso não pode ser transmitido em palavras, mas em princípio. Nós estamos falando da equivalência de qualidades. Assim como Ele se volta para mim, eu me volto para Ele. Eu não tenho estado melhor do que se sou capaz disso. Eu trabalho para isso, não mais para mim.

Então, o Criador todo-poderoso não pode fazer com que a criatura se volte artificialmente para Ele. É por isso que Ele precisou da “revolução” para as criaturas não corrigidas – para que a criatura se volte para Ele.

Pergunta: No entanto, será que eu tenho uma conexão com o Criador dentro de mim hoje?

Resposta: Ela ainda existe, lá, dentro dos inúmeros “envoltórios”. Caso contrário, você não teria sequer ouvido falar do que estamos falando agora.

Pergunta: O que é um apelo ao Criador?

Resposta: Existem muitos apelos: “Dê-me, ajude-me”, ou vice-versa, “Entregue, proteja, salve…”.

Claro, um apelo ao Criador é sempre um apelo por alguma coisa, “por favor, dê alguma coisa”. A única questão é o que dar. Eu peço força para agir para dar-Lhe prazer. Esta adição de vasos espirituais nos traz a Luz, NRNHY.

No estado original, no Infinito, nós tínhamos apenas a Luz mínima, Nefesh de Nefesh. Então, a criatura não participou no que aconteceu, não podia viver e respirar a realidade infinita. O desejo de receber, mesmo a perfeição, permaneceu insignificante, efêmero, e apenas um apelo ao Criador dá vida a ele.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 06/01/14, Escritos do Baal HaSulam