Textos na Categoria 'Estudo Cabalístico'

O Pranto Do Rabbi Shimon

Dr. Michael LaitmanPergunta: Está escrito que o Rabbi Shimon chorou enquanto escrevia O Livro do Zohar,  porque ele temia revelar o segredo. “Ai de mim se eu contar e ai de mim se não contar. Se eu conto, os pecadores aprenderão a trabalhar para seu mestre. Se eu não contar, os amigos perderão esse grande recurso”. Qual é o grande segredo oculto no Livro do Zohar pelo qual o Rabbi Shimon chorou?

Resposta: O segredo do Livro do Zohar é que ao nos relacionarmos com ele da forma correta, é possível atrair a Luz Superior a parrit dele, que nos faz retornar à Fonte. Essa Luz pode se tornar o elixir da vida para nós, bem como a poção de morte, dependendo de nossa atitude para com O Zohar e a Torá em geral.

Porém, vemos que não havia proibição em estudar o Pentateuco ou o Talmude, mesmo que eles tivessem sido escritos por Cabalistas. Somente O Zohar foi ocultado e proibido por muitos anos, e isso porque existe uma Luz muito poderosa oculta dentro desse livro que somos capazes de atrair. Claro, a Torá também contém Luz, mas ela é quase inacessível por causa da sua altura excessiva.

A Luz do Zohar está mais próxima de nós, mas se a pessoa ainda está dentro de seu ego, ela desejará usar essa Luz egoisticamente. Então, essa Luz se tornará numa poção de morte para ela.

Se eu quero alcançar a doação, essa Luz será o elixir da vida para mim e me ajudará a alcançá-la. Se, porém, a pessoa estuda a Torá sem a intenção de alcançar a doação, ela se torna mais egoísta e começa a se considerar especial, maior que os outros, e justa. A Torá se torna um veneno para ela e aumenta seu ego. Ao invés de se diminuir e sentir que é menor do que os outros, a pessoa começa a sentir o oposto: o orgulho.

Pois a maior parte de tudo isso aconteceu recentemente, no último século, quando o egoísmo alcançou um novo nível. É por isso que os Cabalistas temeram que as pessoas também começassem a estudar a ciência da Cabalá egoisticamente, tendo orgulho disso, e transformassem isso num negócio que vende “meios mágicos”, como fitas vermelhas, água santa, e bênçãos. 

Isso iria confundir as pessoas e as afastaria para longe da correção, fazendo com que perdessem muitos ciclos de vida até que finalmente revelassem que essa abordagem é uma fraude e uma mentira. Mas, quanto tempo e sofrimento levaria para se chegar até lá!

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 14/12/10, “Uma Serva que é Herdeira de sua Senhora”

Nova Tradução: O Ponto no Coração

O PONTO NO CORAÇÃO

Nós estamos vivendo um momento muito especial. Pessoas de todas as partes do mundo estão insatisfeitas com suas vidas, sentem que a vida deve lhes oferecer algo mais e, portanto desejam obter isso. Esse desejo é o despertar do “ponto no coração”. Todos nós o temos, e agora, ele está começando a emergir em milhões de pessoas.
Cada seção neste livro é única e instigante, pois de modo suave e sincero lida com as questões mais profundas que dizem respeito, hoje, a todos nós. Nestas páginas você também irá encontrar pinceladas da sabedoria contidas no livro do Zohar (o livro mais importante de todos na Cabala) e em outros textos Cabalísticos. Este livro não se compromete a ensinar Cabala, mas introduz ideias selecionadas dos ensinamentos. Você está prestes a embarcar em uma jornada que não só irá expandir as profundezas do coração, mas também a elevação do pensamento.

Rav Michael Laitman, PhD

O Juiz Mais Rígido

Dr. Michael LaitmanAté que você receba a realização espiritual, você deve aceitar as histórias dos Cabalistas como fatos que não precisam de prova, mas só como uma condição para o seu próprio desenvolvimento. Você não pode usar as descrições deles como uma lei espiritual e agir de acordo com ela, porque você não está no nível em que ela foi escrita.

Assim, nós precisamos aceitar isso como hipóteses, suposições, que tais leis de fato atuam no mundo espiritual. Porém, elas não são transferidas para o nosso mundo material, isto é, o seu estado e o seu mundo.

Mesmo as palavras dos sábios são realizações deles, o mundo deles. Eles sabem como trabalhar lá e não cometem erros. Se você começar a usar os mesmos princípios no trabalho, você irá usar todas essas declarações da forma egoísta que você entende, isto é, mais para o seu egoísmo do que para a doação, como eles as usavam. Por essa razão, isso irá se revestir na forma mais egoísta para você. Portanto, é proibido fazer isso.

Cada pessoa deve ter seu próprio “juiz” que a impeça e diga: “Você só pode agir de acordo com suas próprias correções”. É proibido sair dos limites de suas correções, mesmo se você tiver lido ou ouvido sobre isso.

Porém, quem está lendo isso? Você! Quem está ouvindo isso? Você! Isso já passou por você, e já foi deturpado por sua percepção egoísta. Como você sabe o quão corretamente você entendeu tudo? Provavelmente, você entendeu de forma errada, uma vez que “julga de acordo com seus próprios Kelim (vasos)”, e percebe tudo que foi dito pelos Cabalistas em seus próprios defeitos.

Você entende de que forma o estudo vem somente através da Luz que Corrige, mesmo para os sábios Cabalistas? Se você não atrair a Luz que Corrige através dos estudos que transformam e lhe dão a oportunidade de trabalhar de acordo com essas mudanças, então você não está autorizado a ouvir nenhum conselho da Torá. Afinal, se você usar isso acima da sua correção, acima do seu grau, isso irá prejudicá-lo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabala 29/11/10, “Corpo e Alma”

Você Verá Isso E Nenhum Outro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você explicou que o texto que lemos no Talmud Eser Sefirot e no Livro do Zohar descreve as forças de conexão entre nós. Você pode me dar um exemplo desta conexão?

Resposta: Se você estivesse na espiritualidade, você realmente revelaria tudo o que lemos nos livros. Você revelaria as forças de conexão entre nós, incluindo o seu poder, caráter, como elas funcionam e como elas se unem em rede, conectando-nos.

Você participaria dessa rede de forças e do seu trabalho: a iluminação da Shechiná. Você veria o quanto é capaz de tomar parte ativa na mesma, o quanto você pode adicionar-se a ela. Ao ler o texto, você perceberia como se comporta toda esta rede.

No entanto, se você não vive dentro da realização espiritual, é impossível transmitir isso a você. O Baal HaSulam escreve em seu poema, “O que quer que seus olhos vejam, você verá e nenhum outro”.

Enquanto você não sentir a espiritualidade, você deve ler os textos na esperança de que ela seja revelada a você. Nós lemos os textos Cabalísticos na qualidade de Segula (uma qualidade milagrosa), e não sob a forma de fatos.

Por exemplo, suponha que eu sou cego e estou ouvindo um professor de física falar sobre as leis da óptica. Ele me diz como um raio de luz se divide em várias cores. No entanto, eu só estou ouvindo isso. Eu não entendo o que ele está falando, mas apenas ouço que esses fenômenos existem.

Eu posso continuar estudando dessa forma toda a minha vida, sem entender o que ele está falando. No entanto, se eu fizer esforços especiais e começar a sentir os fenômenos que eu ouvi falar, então eles se tornarão a minha vida. Isso é chamado de “Prove e veja o quão bom é o Criador”. Você tem que prová-lo – para receber essas Luzes e sentir seu gosto.

A verdadeira ciência Cabalística só começa depois que você tem essa sensação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/12/10, Talmud Eser Sefirot

Apega-te Ao Professor E Segue-o

Pergunta: O que devo fazer se a intenção que o senhor dá antes da aula desaparece no momento seguinte?

Resposta: Não há nada que você possa fazer; nós temos que continuar renovando as intenções! Eu coloco a direção, e você tem que se fixar nela. Se você faz isso, significa que você está me seguindo.

Essa é a razão da sua vinda à aula. Não é para exercitar sua mente aprofundando-se no texto! A essência do seu trabalho não está em usar seu cérebro, mas fazer um esforço para manter a intenção.

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Quanto Seus Olhos Vêem?

Dr. Michael Laitman“Um juiz não tem nada mais do que seus olhos vêem”. Esta é uma lei muito rigorosa que deve ser observada com muita precisão. Nós não podemos seguir nem mesmo o melhor conselho a menos que ele venha de nossas próprias correções, nossa equivalência com a Luz.

Também dentro de si mesmo, você deve sempre se perguntar: “Quem eu estou ouvindo agora? A pessoa que vive dentro de suas próprias fantasias, ou aquele que olha para as coisas como elas realmente são e sabe o seu lugar exato, sem pular muito alto?”.

Então, eu não percebo as coisas que ouço dos Cabalistas como leis ou mesmo conselhos, mas como uma “Segula“, um meio milagroso. Eu quero que ela me influencie e me transforme! Quando eu mudar, eu perceberei a verdade.

“Um juiz não tem nada mais do que seus olhos vêem”, o que significa que eu realmente terei a satisfação em minhas “mãos”, em meus Kelim de recepção, e eu “verei isso com meus olhos”, ou seja, dentro da Luz de Hochma. É quando eu serei capaz de agir!

Até que isso aconteça, você pode memorizar toda a Torá de cor, mas isso só vai funcionar como um “meio milagroso” ou um “tempero”. Você só será capaz de corrigir e usar o seu egoísmo na medida em que você pode adicionar esse “tempero” no seu egoísmo.

Então você verá exatamente quais desejos você pode usar e de que forma, ou quão profundamente (com qual Aviut). Esta primeira abordagem precisa de correção.

Uma abordagem completamente diferente de ensino segue-se disso, ou seja, que nós não temos nada a dizer ao aluno. Nós só podemos despertá-lo para que ele absorva o máximo possível da Luz que Corrige. É impossível dar-lhe modelos de comportamento já prontos, exceto o “meio milagroso”: a necessidade de unir-se no grupo com os amigos, e depois esperar que ele mude por conta própria.

Se isso não afeta o aluno, se ele não muda e não aceita os conselhos do professor, então nada pode ser feito em relação a isso. É impossível dar-lhe à força exercícios que estão acima do seu nível, mas apenas na medida em que ele se corrija e compreenda que deve fazer a análise, a mudança, e começar a agir.

Isso restringe muito as possibilidades do professor de ensinar um aluno em comparação ao nosso mundo, independentemente do aluno ser um adulto ou uma criança.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/10, “Corpo e Alma”

A Linguagem Universal Da Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós devemos nos sintonizar quando lemos os livros que revelam a “física” do mundo espiritual: Beit Shaar haKavanot (Os Portões das Intenções) ou TES (O Estudo das Dez Sefirot)?

Resposta: A minha principal tarefa é tornar-me semelhante ao Criador, para ascender a Ele. Por isso, eu preciso repetir Suas ações e atitudes: se o Criador trata o grupo como o “Bom que faz o Bem”, isso significa que eu deveria tratá-lo com o mesmo tipo de bondade.

É por isso que eu preciso primeiro cuidar da minha atitude para com os amigos, os quais recebo como trabalho, de modo que nos tornemos um todo em união e amor. Se eu alcanço esse estado, eu começo a tratá-los como o Criador o faz, e neste ponto eu começo a sentir o Criador. Afinal, nós nos tornamos íntimos Dele, segundo a lei de equivalência de forma, e sentimos uns aos outros. Desta forma, eu alcanço a adesão com Ele. Esta é a única coisa que devemos pensar.

Basta olhar em um livro e ouvir, contanto que este seja uma fonte primária genuína e verdadeira. Você pode até não conhecer a língua, isso é irrelevante; você não entenderá nada mesmo.

Você só precisa lembrar que agora está recebendo o remédio que pode curá-lo! Ele deve revelar um sentido adicional em você; assim, você sentirá o mundo espiritual e entenderá sem palavras, já que a sensação não pode ser expressa em palavras. Nenhuma palavra é necessária para se sentir. As palavras só são necessárias para contar essa sensação a alguém, mas, dentro da sensação em si, não existem palavras. 

A pessoa deve esperar que a sensação espiritual se revele dentro dela sem qualquer palavra. Esta é a verdadeira ciência da Cabala: ela ajuda você a alcançar essa percepção!

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/11/10, Beit Shaar haKavanot

Idioma Eterno

Pergunta: O que é melhor: a leitura do texto original em hebraico, durante uma aula sem compreendê-lo ou ler um texto traduzido?

Resposta: Esta é uma grande questão. Em geral, a léxica cabalística é tão limitada que os alunos tornam-se gradualmente acostumado com ela. Estamos falando ha cerca de algumas centenas de palavras que nos permitem entender o texto hebraico. Vemos isso em Moscou que o grupo lê os textos originais em hebraico.

Eu não acho que, no futuro, qualquer pessoa que persiga o objetivo irá estudar a Cabala em qualquer outra língua. É muito difícil. Nós não aprendemos as letras hebraicas e ainda não começamos a estudar os seus significados internos ou externos.
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Cabalá: Sabedoria Ou Conhecimento?

Quando nos dirigimos nossa atenção às palavras dos Cabalistas, nós podemos também estudar a ciência ou a Torah (método de correção). “Ciência” indica ciências regulares tais como física, química, história, geografia, etc.. Isso é o que os acadêmicos pensam da Cabalá. De acordo com eles, O Zohar foi escrito na Espanha na Idade Média, e não 2000 anos atrás em Israel.

Os cientistas estão tentando atrair conhecimento e informação das fontes Cabalistas. Eles discutem o estilo, analisam textos, e tentam extrair uma correlação entre o texto e os eventos históricos.

Essa abordagem racional não tem nada que ver com o “estudo da Tora”. Porque a Tora é um método para a correção da nossa natureza e para nos tornar semelhantes ao Criador em nossas propriedades. O Criador se revela dentro de nós na medida dessa semelhança. [Leia mais →]

E Se Eu Não Entendo Nada?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante as partes da aula onde estudamos O Zohar e o TES (Talmud Eser Sefirot), eu experimento uma tremenda dificuldade em entender qualquer coisa. Qual é a correta abordagem do conteúdo, de modo que ele me ajude a fortalecer a união entre nós?

Resposta: O Baal HaSulam e o Rabash escreveram artigos, cartas, e outros textos semelhantes. Além disso, o Baal HaSulam escreveu um comentário sobre O Livro do Zohar, O Estudo das Dez Sefirot (TES), o “Prefácio à Sabedoria da Cabalá” e o livro Beit Sha’ar HaKavanot, os quais são as principais fontes das quais somos nutrimos.

Eu desenhei uma linha divisória entre eles por uma simples razão. Nós usamos os livros acima mencionados como um instrumento para atrair a Luz (Segula). E nós lemos os outros trabalhos não só para atrair a Luz, mas também para entender o conteúdo. No primeiro caso, o entendimento desempenha um papel complementar, enquanto que no segundo caso ele é o principal.

O Livro do Zohar não deixa nada para a mente se agarrar. Às vezes, ele explica algo ou fornece uma dica, embora nós não a precisemos especialmente. No final, nós precisamos de um método chamado “a Torá”, uma vez que a Luz que ela oculta nos corrige. Assim, não importa o quanto você entenda. Não é o sábio quem aprende. A inteligência não tem um papel aqui.

Algumas pessoas anotam cada palavra, o que é bom, desde que isso as ajude a conectar-se com a fonte de forma emocional, no desejo. Mas, se tudo é determinado pela mente, isso não tem importância. Nós não estamos na universidade, e dos estudo você não vai aprender nada execto o desejo de doar, a conexão com os outros, e o amor. Somente isso permitirá que você sinta o material, uma vez que o homem é um desejo, um vaso de sensação e percepção.

A mente é impotente; ela é um mero meio para se dirigir e fortalecer o desejo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 15/11/10, “A Essência da Religião e Seu Propósito”