Textos na Categoria 'Estudo Cabalístico'

O Grande Rabash

917.02Comentário: Posso me identificar com você e com os escritos de Baal HaSulam, mas sinto que Rabash está de alguma forma no meio, e não consigo compreendê-lo completamente.

Minha Resposta: Eu entendo você por um lado. Mas, por outro, não é bem assim. Rabash nos deu todos os fundamentos do trabalho espiritual . Antes dele, eles não haviam sido apresentados sistematicamente. Os Cabalistas escreveram comentários sobre a Torá, cartas e artigos, mas uma apresentação sistemática do trabalho interior que uma pessoa deve realizar para alcançar o Criador nos foi dada apenas pelo meu mestre Rabash.

Ele escreveu quase 500 artigos sobre o tema. Neles, expressou absolutamente todos os estados de uma pessoa que inicia o caminho espiritual do zero e segue em frente.

O que o Rabash fez é uma contribuição inestimável para a Cabalá! É uma ajuda inestimável e insubstituível para um iniciante, algo que não pode ser extraído do Livro do Zohar, do Estudo das Dez Sefirot ou de qualquer outra obra!

Por um lado, ele era um grande Cabalista, e por outro, muito reservado e astuto na forma como se escondia, como escondia tudo e permanecia na sombra de seu pai!

Você tem razão quando diz: “De alguma forma, eu não o vejo, ele simplesmente passa despercebido”. Ele realmente se diminuiu: “Quem sou eu? Meu pai foi o grande Cabalista”.

Rabash foi o maior Cabalista, com tantas descobertas, conquistas, escritos, e ainda assim ele constantemente escondia isso: “Eu só estudo um pouco”, e assim por diante. Ninguém o conhecia ou o compreendia.

Ele foi um grande praticante, um grande sistematizador, um grande professor, um grande educador!

Em seus artigos, ele expôs o sistema de trabalho espiritual em várias formas, adequadas para cada pessoa, cada alma, cada estilo, em todos os momentos e estados pelos quais passamos.

Eu poderia falar sem parar sobre o que ele fez! Não porque ele fosse meu professor, a pessoa mais próxima e querida para mim, mas porque ele realmente fez algo por nós, sem o qual não poderíamos dar um único passo adiante. Não poderíamos!

Agora que finalmente começamos a estudar seus artigos seriamente, espero que percebamos isso. É uma obra muito séria, incomparável a qualquer outra.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. O Grande Rabash”, 09/03/10

Um Presente No Monte Sinai, Aguardando O Recebedor

740.03Pergunta: Qual é o significado da festa da Entrega da Torá (Matan Torá) e o que significa que recebemos a Torá? Parece que não guardamos os seus mandamentos. É o oposto. Ela diz “não roube” — nós roubamos; “não cobice a propriedade alheia” — nós cobiçamos.

Como a Torá se relaciona com a nossa vida hoje? Será que o Criador se enganou ao dar a Torá especificamente ao povo de Israel?

Resposta: Existe a entrega da Torá e existe a recepção dela. O problema é que, embora a Torá nos tenha sido dada, nunca a recebemos. A sociedade israelense de hoje está muito distante do que deveria ser, vivendo de acordo com as leis da Torá. Portanto, ainda somos considerados exilados.

Pergunta: Mas nós temos a Torá, nós a temos!

Resposta: Temos o livro que diz “Torá”, mas isso não basta. A Torá é a luz superior que retorna à fonte. A luz corrige nossa natureza egoísta e nos leva ao amor e à participação mútua, até que amemos os outros como a nós mesmos.

Isso se chama a realização da Torá. A Torá é a luz, como se diz: “Eu criei a inclinação ao mal e a Torá para corrigi-la”. O povo judeu tem o egoísmo mais desenvolvido, e não é à toa que nosso povo é chamado de “obstinado”. Portanto, recebemos a Torá para sua correção — a luz que reforma.

No passado, durante a época do Primeiro e do Segundo Templo, o povo de Israel usava essa luz para correção. Mais tarde, eles caíram desse nível, o que é chamado de destruição do Templo, e foram para o exílio. É um exílio de uma vida baseada na lei do amor ao próximo.

Hoje em dia, ninguém mais pensa em amar os outros. Restam apenas as tradições externas da Torá.

Pergunta: Ainda não recebemos a Torá porque nem todos cumprem os mandamentos religiosos?

Resposta: Não estamos falando de mandamentos religiosos. A lei da Torá é amar o próximo como a si mesmo. Rabi Akiva chama isso de a grande regra da Torá, que inclui todos os outros mandamentos. Portanto, ao cumprir os mandamentos mecanicamente, a pessoa deve verificar: isso a aproxima do amor ao próximo ou talvez até a aliene? Cria uma divisão entre as pessoas e incita o ódio?

É esta a Torá que recebemos? Recebemos o remédio mais elevado, porque a Torá é luz, uma força superior que nos afeta, se cumprirmos condições especiais. Essa força pode corrigir nossa natureza e nos permitir abrir o mundo superior, abrir nossos olhos e ver onde realmente estamos.

A Torá é eterna e, com sua ajuda, também podemos alcançar a vida eterna. Mas isso só se verificarmos o que realmente significa a verdadeira Torá e o mandamento de amar o próximo como a si mesmo, que reúne todos os mandamentos.

De KabTV, “Nova Vida 560 – A Festa da Entrega da Torá”, 05/05/15

Rabash — O Criador Da Enciclopédia Do Trabalho Espiritual Interior

961.2Baal HaSulam era um estudioso dedicado à ciência pura. Ele escrevia em um estilo acadêmico elevado. E meu professor, Rabash, é muito próximo de nós. Ele nos segura em seus braços e nos mostra: “É assim que vocês devem andar. É exatamente por isso que vocês estão vivenciando tais e tais estados”. Ele constantemente os guia como uma criança pequena, ajuda, alimenta, envolve, faz de tudo para criá-los.

Rabash, em essência, criou uma enciclopédia Cabalística de trabalho espiritual interior. Ele revelou todos os estados pelos quais precisamos passar em seus artigos. Portanto, se uma pessoa os estuda constantemente, não terá problemas.

Ao trabalhar em uma versão resumida destes artigos e revisá-los repetidamente, percebo o quanto eles se assemelham à papinha de bebê, sem a qual uma criança não sobreviveria. Uma pessoa não pode receber o alimento da Cabalá que Baal HaSulam realmente lhe proporciona. Baal HaSulam lança uma luz tão forte sobre ela que é como se ele colocasse um bife na frente de uma criança.

Mas Rabash não. Ele transforma tudo isso em mingau, em vegetais cozidos, em leite, que pode ser consumido nas porções certas. Ele conseguiu fazer isso de forma incrível! E com esse estilo, com essa forma, é impossível descrever!

Lembro-me de como ele escrevia, um pouquinho a cada dia, um pouquinho mais, um pouquinho mais, e no final da semana o artigo saía. Ele me entregava, e eu fazia cópias e distribuía aos alunos. E durante toda a semana seguinte, nós o líamos, até que um novo artigo saísse. Então a mesma coisa de novo. Em outras palavras, era um trabalho sistemático, interno e espiritual de domínio do espaço espiritual.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. O Grande Rabash”, 03/09/10

Comece A Controlar Seu Destino

760.3Pergunta: Você consegue dizer às pessoas se existe um Deus ou não?

Resposta: Existe uma força única em toda a natureza, em todos os mundos, incluindo o nosso mundo imaginário. Ela se chama Olam Amedume — o mundo imaginário. Portanto, o poder supremo, que inclui absolutamente tudo, e claro, nós também, é chamado de Criador.

Pergunta: E como devemos interagir com Ele, com essa natureza, como você diz, com o Criador?

Resposta: É isso que a Cabalá ensina. Você definitivamente chegou a uma linha direta: “Como devo me dirigir ao Criador? O que devo fazer? Como O encontro? Como você regula seu estado em relação a Ele? E, de qualquer forma, o que devo fazer com a minha vida? Como devo viver? E se eu ganhar algo em troca?”

E aqui precisamos entender o que é o Criador. Então, o que a Cabalá faz? Ela nos diz como nos comportar para não nos sentirmos mal.

E por que você ora? Trata-se de realmente sentir o controle remoto do mundo e começar a controlar o seu destino. É dado ao homem. E a força superior que conhecemos, o Criador, quer que cheguemos a isso.

De KabTV, “Notícias com Dr. Michael Laitman”, 12/05/25

Torne-se Um Modelo De Responsabilidade Mútua E Amor

259.02Pergunta: Como Israel pode assumir o dever de responsabilidade mútua hoje?

Resposta: Israel tem a obrigação de ser tanto um exemplo quanto uma fonte em relação ao mundo inteiro.

Deve tornar-se um modelo de responsabilidade mútua, amor e busca pela unidade com o Criador. Ao mesmo tempo, deve ser a fonte da força que espalha o poder de implementar isso por todo o mundo, para que o mundo inteiro entre em responsabilidade mútua, amor ao próximo e, como resultado, unidade com o Criador.

O que é importante para nós? Devemos nos concentrar apenas naqueles que atualmente são chamados de “Israel”? Ou devemos também nos envolver com aqueles que estão dentro das nações do mundo, ou com as nações do mundo dentro de Israel, pessoas que nem sabemos quem são? Como isso pode ser verificado? Por passaporte? Essa é uma grande questão.

Pertencer à nação de Israel nem sempre foi historicamente determinado pela mãe e, entre as nações do mundo, pelo pai. Isso começou há relativamente pouco tempo. Portanto, nacionalidade é um conceito muito instável. Por quais critérios podemos decidir quem é Israel e quem são as nações do mundo? Como devemos nos relacionar com uma ou outra? E podemos nos relacionar com elas com base nos dados disponíveis? Isso realmente corresponde à raiz da alma?

Qualquer um que tenha estudado história, mesmo que um pouco, vê quão instável tudo isso é e quão carente de uma base sólida.

Na Idade Média, havia Cabalistas que ensinavam Cabalá a representantes de outras nações, e imaginem que tempos eram aqueles! De acordo com as leis espirituais, eles determinavam quem era chamado de Israel e quem eram as nações do mundo. Após a fragmentação espiritual, tais distinções aparentemente desapareceram. Quem tiver uma centelha de Israel desperta em si mesmo, você pode ensiná-lo, e ele será capaz de iniciar a correção. Esse é um lado da questão.

Por outro lado, ainda precisamos trabalhar com aquela parte da nação de Israel que está conectada à parte externa da Torá, com a observância prática dos mandamentos sem intenção, e de alguma forma precisamos convencê-los a se envolverem com intenção.

Baal HaSulam escreve sobre isso no final da “Introdução ao Livro do Zohar“. Ele diz que essa é precisamente a essência da correção. Temos a obrigação de trabalhar com todos que a desejam, em todos os países e entre todas as nações, sem exceção, mesmo que não tenhamos ideia de quem sejam ou o que representem, isto é, com qualquer pessoa que tenha sido desperta.

Por outro lado, em última análise, seremos forçados a nos concentrar na sociedade religiosa e, dentro dela, a causar uma mudança na percepção de importância do externo para o interno. Baal HaSulam afirma na “Introdução ao Livro do Zohar” que é isso que mudará toda a realidade.

Se, dentro do povo de Israel, o próprio grupo que adere à parte externa da Torá desviar sua atenção para a parte interna, isso mudará o mundo inteiro. Pois então a parte interna será corrigida e todas as outras partes começarão a se alinhar de acordo.

Assim, o trabalho deve prosseguir em duas direções.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/05/25, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

Escrutínios Mútuos

942Pergunta: Se um pensamento vem como luz, mas eu não o deixo entrar no Kli, e ele não se torna realidade, mas permanece fora como luz à qual eu não dou forma, pode-se dizer que esse vazio já contém equivalência de forma?

A doação pode começar não do desejo, mas do vazio?

Resposta: Eu não diria isso. Vamos trabalhar as perguntas e respostas juntos, e você verá que, ao final da Convenção, o caminho ficará mais ou menos claro para você, o que estamos pedindo e como planejamos chegar ao fim.

Da Convenção Mundial de Cabalá, 22/05/25, Lição 1, “Não Há Outro Além Dele”

Entenda O Plano Do Criador

235Nas gerações de Adão a Noé e de Noé em diante, tanto no povo de Israel quanto entre as nações do mundo, a Aviut (a espessura do desejo) ainda era muito pequena.

Abraão é único em sua geração, pois um anseio pelo Criador foi revelado nele, apesar do fato de seu pai, Terach, ser um adorador de ídolos e se envolver em Avoda Zara (trabalho estrangeiro), o que significa que ele acreditava que há muitas forças no mundo além do Criador, cada uma agindo de forma independente.

Se uma pessoa “vê” que todas essas forças a governam para o bem ou para o mal, ela se volta para cada uma delas. Ela não considera que por trás delas existe outra força, uma que as une a todas, possui pensamento, tem um programa e um objetivo para a humanidade e usa todas essas forças meramente como seus mensageiros, mensageiros que não têm programa próprio, livre-arbítrio e nenhuma relação particular com uma pessoa. Ela não acredita que tudo seja governado por uma única força.

Esta é, em essência, a diferença qualitativa entre Abraão e seu pai. A abordagem de que se deve acreditar na existência de uma força única e buscá-la substitui a visão anterior da natureza como um conjunto de muitas forças. Isso se refere a um esforço e distinção qualitativos que exigem uma purificação especial do “corpo”, isto é, o desejo de receber.

Abraão ensinou isso aos seus seguidores; ele ensinou que por trás de todas as forças existe um único pensamento, um único desejo. Nenhuma das forças individuais contém o bem ou o mal; por trás delas há um pensamento que é bom e benevolente tanto para os maus quanto para os justos, que conduz a pessoa ao objetivo.

O bem e o mal, embora percebidos de forma diferente por nós, servem a um propósito. Devemos compreender o plano do Criador e aceitá-lo, relacionar-nos com ele de forma racional e correta, e nos desenvolver de acordo com ele.

O Criador exige que participemos do nosso desenvolvimento a partir do nosso próprio desejo independente. Esta é a única maneira de sermos verdadeiramente independentes; é fortalecendo-nos no caminho do desenvolvimento, isto é, aceitando o Seu programa e realizando-o.

Em essência, ninguém na geração de Abraão, exceto o próprio Abraão, compreendeu essa ideia. As pessoas ainda não possuíam um fundamento preparado em suas almas para revelar a verdadeira imagem da realidade. Abraão, no entanto, chegou a isso por meio da purificação, isto é, de uma qualidade especial na alma.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá de 14/05/25, Escritos do Baal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”

A Cabalá É A Linguagem Dos Sentimentos

275Pergunta: Como devemos lidar com a relutância em estudar “O Prefácio à Sabedoria da Cabalá” (“Pticha”)?

Resposta: Assim como em nosso mundo existem cientistas e poetas, aqueles que defendem as humanidades ou a tecnologia, o mesmo se aplica à Cabalá. Algumas pessoas são emocionais por natureza.

Elas chegam à sabedoria da Cabalá e, para elas, a conexão com o Criador é expressa por meio de textos mais emocionais, expressões, possivelmente canções, danças e certas sensações.

E há pessoas que abordam o mundo tecnicamente. Elas precisam de um projeto: desenhe-o para elas, e elas entenderão. Ou querem que tudo seja estritamente estruturado e sistematizado, e assim por diante.

É por isso que é tão importante estudarmos ambos os aspectos. Com o tempo, uma pessoa naturalmente se inclinará para sua própria especialização. Em cada grupo, haverá aqueles que são mais emocionais e aqueles que são mais práticos, mas todos precisamos seguir um caminho comum.

O caminho comum é aquele que nos foi dado pelo ARI e pelo Baal HaSulam. Você olha os diagramas e vê não apenas uma representação gráfica, mas uma representação de sentimentos.

Eu posso esboçar um rabisco e, em vez de falar sobre ele por dez minutos, você apenas olha para ele e fica claro do que se trata, assim como transmitimos nossos sentimentos por meio de palavras.

Em essência, toda a Cabalá é uma linguagem de sentimentos porque o fundamento da criação é o desejo.

Da Lição de Cabalá de 04/04/19, Perguntas e Respostas com o Dr. Michael Laitman

Revelação Em Sentimentos

525Comentário: Eu sempre vi o mundo através da razão e da lógica. Mas hoje, durante a reunião de amigos, comecei a sentir muitas coisas através das emoções e pensei que estava ficando louco. Por um lado, quero me apegar a esse sentimento que experimentei na convenção, mas, por outro, tenho medo do que pode acontecer a seguir.

Minha Resposta: Enquanto ouvia você, lembrei-me de mim mesmo. Eu também costumava perceber o mundo apenas por meio de leis. Ainda sou assim, foi assim que fui feito. Preciso ver o sistema, suas leis, como ele é claramente organizado, onde está a entrada, onde está a saída, a fórmula pela qual opera, as interferências, sua regulação, etc. Essa é a minha natureza.

Quando comecei a estudar Cabalá, eu também estava focado apenas no sistema. Antes de vir para o RABASH, eu já estudava Cabalá há quatro anos, estudando a estrutura da criação: mundos, Partzufim, Sefirot, leis claras!

Qualquer coisa que tivesse a ver com sentimentos, eu deixava de lado. Eu não conseguia nem abrir aqueles livros. Eles me pareciam ficção, desabafos sentimentais, algum tipo de coisa açucarada. Eu não aguentava! Não conseguia compará-los, mesmo estando escrito que isso é uma ciência. Eu não conseguia entender como um se relacionava com o outro.

Lembro-me de ter lutas internas profundas. Mas eu simplesmente os deixava de lado como se não existissem. Como costumamos dizer: “Eu não acredito”. É isso, vou lidar apenas com o que consigo compreender.

Mas quando comecei a estudar com o RABASH, vi como tudo se encaixava nele. Estudávamos o sistema com seriedade: eu perguntava e ele respondia tudo com clareza, matematicamente, com lógica férrea, porque estávamos estudando a física de duas forças.

Basicamente, o que existe? São duas forças que interagem entre si de acordo com leis exatas. Como se costuma dizer, trata-se de um sistema de forças que desce de cima para baixo, de acordo com leis precisas, com o objetivo de revelar o Criador a uma pessoa neste mundo. Em outras palavras, é um sistema. Só isso.

Existe uma espécie de esqueleto, uma mecânica e forças atuando sobre a pessoa por meio desse mecanismo, para que, por meio desse sistema, ela possa compreender a força que opera dentro dele. Isso era muito claro para mim e se alinhava com a minha estrutura interna natural. Minha profissão também se encaixava nisso. Escolhi-a deliberadamente porque me senti atraído por uma visão sistemática do mundo.

Mas depois de estudar com o RABASH, quando de repente senti que ele estava falando sobre sentimentos, não consegui entender o que eles tinham a ver com qualquer coisa. A revelação está na razão! E ele diz: “A revelação está nos sentimentos”. Olhei para ele com devoção, como um cão para o seu dono, mas não entendi o que ele queria de mim. Ele falava, e eu assentia. Ele perguntava: “Você entendeu?” E eu respondia: “Sim”.

Isso continuou por um bom tempo. Eu não entendia o que me pediam! Que sentimentos?! Gráficos, diagramas, esquemas… Eu perguntava, e ele respondia. Mas o que sentimentos têm a ver com isso?! Eu não tinha nenhum.

Só mais tarde, depois de dois ou até três anos, quando comecei a compreender que a matéria é desejo, percebi que ela passa pelos sentimentos. Isso eu não conseguia entender. O que significa “matéria é desejo”? Matéria? Sim. Funciona? Sim. Desejo? Isso é mais e menos. Mas onde está isso em mim? Eu não conseguia conectar o que estava escrito comigo mesmo, com os meus próprios sentimentos.

Então comecei a entender que, de fato, isso não pode ser conectado com meus sentimentos, porque sou um animal. Mas o que está sendo discutido aqui são outros tipos de sentimentos, em um nível mais elevado. Tratava-se dos sentimentos de doação e recepção, que não existem dentro de mim ou para mim, mas estão isolados de mim pela primeira restrição (Tzimtzum Aleph) e operam fora de mim. Lá, doação e recepção não estão dentro de mim, mas no outro.

Ou seja, preciso me isolar e começar a pensar constantemente no outro, nele está a recepção, nele está a doação, e em como meu sistema interage com o sistema dele. De repente, isso começou a se encaixar para mim como uma parte normal do sistema, porque me desapeguei da percepção de que o mundo está dentro de mim. Agora, “o mundo em mim” significa a sensação de mim mesmo fora de mim, nos outros.

Então ficou mais fácil para mim, porque essas não eram as mesmas emoções corporais com as quais eu constantemente me confundia. Este é um método completamente diferente, um sistema de relacionamentos diferente. É algo separado de mim. Eu coloco uma barreira e começo a construí-la fora de mim, sob o controle da razão, sob o controle do sentimento. Esses sentimentos não vêm do meu coração, mas da intenção de sair de mim e me sentir no outro.

Quando esta imagem se formou para mim, comecei a entender do que a Cabalá está falando. Lembro-me de como foi difícil para mim, porque acho que eu era mais insensível do que você. Mas, por outro lado, foi uma alegria, uma revelação tão poderosa. É incrível que uma pessoa tão grosseira, humilde e egoísta como eu estivesse constantemente sendo empurrada para este trabalho.

É por isso que o mais importante é entender que a Cabalá fala de “fora de mim”, “fora da minha pele”. Eu costumava imaginar tudo de forma diferente, como pegar uma maçã e descascar. Da mesma forma, eu pensava que tinha que descascar a minha própria pele, e então sentiria o mundo.

Mas acontece que não é bem assim. Você precisa sair e sentir tudo fora de si, apenas nos outros; é aí que você existe. Seu corpo permanece um animal; ele existe como um animal. Você só lida com a vida nos outros, é aí que estão seus sentimentos, sua mente, seu Kli (vaso).

Da Lição 1, Convenção em São Petersburgo, 12/07/13

A Cabalá É Uma Transmissão Sensorial De Informações

521A Cabalá é uma transmissão sensorial de informações. Os termos nela utilizados não são encontrados em nenhuma língua. Eles nem sequer são retirados do hebraico, mas sim da linguagem da sabedoria da Cabalá. Portanto, adotamos definições cabalísticas como Sefirot, Partzufim, Reshimot, etc., em qualquer língua.

Pergunta: Você está dizendo que isso não é hebraico?

Resposta: Claro que não é hebraico. Partzuf é “um rosto” em hebraico e, na Cabalá, é a estrutura de um objeto espiritual.

Comentário: Mas a palavra ainda é a mesma e é usada em hebraico.

Minha Resposta: Sim, mas tem um significado completamente diferente, até mesmo uma raiz diferente. Por exemplo, “Reshimot“. Em hebraico, é claro, existe a palavra “Roshem“, “Reshima” — “registro”, “lista”, mas na Cabalá, a palavra “Reshimo” significa informação.

Ou, por exemplo, uma tela, Masach: é claro, existe uma tela de computador, uma tela de TV, que é “Masach“, e existe Masach — na alma. Mas “Masach na alma” tem um significado completamente diferente — “agir”. Ou seja, a linguagem da Cabalá significa que ela está separada de todas as outras línguas e de todos nós.

Que diferença faz se você fala sua língua nativa, hebraico ou inglês? Se você é egoísta, você fala uma língua egoísta. E se você já adquiriu as qualidades de doação e amor, você fala uma língua altruísta, e esta é a língua da Cabalá. Ou seja, o significado é completamente diferente em cada palavra, em cada definição.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Linguagem Cabalística”, 25/08/10