Textos na Categoria 'Egoísmo'

Como A Pessoa Se Torna Independente?

Dr. Michael LaitmanA independência é um conceito muito vago e problemático. O que significa ser independente num mundo onde estamos todos conectados juntos? Como é possível ser independente se eu estou conectado com milhares de fios a todos os tipos de instituições governamentais, empresas e pessoas?

Uma questão muito mais profunda está escondida aqui. Como a sabedoria da Cabalá diz, uma pessoa é um desejo de receber, um desejo de prazer, e em cada momento de sua vida, ela procura como atingir o maior número possível de confortos: sentar-se, levantar-se, mover-se, deitar-se, tentar algo, comer, olhar para algo, ouvir algo. Se eu tiver que fazer alguma coisa, como posso fazer da maneira mais confortável e fácil, gastando menos energia?

Em última análise, nós somos geridos pelas leis da natureza. Nós queremos desfrutar e extrair o máximo, dando e sofrimento minimamente. Se eu sou construído assim, o que significa ser independente? Como eu posso ser independente? Está escrito: “Os mortos são livres”. Portanto eu só vou me tornar livre depois que morrer e meu corpo não exigir mais nada?

Como é possível tornar-se livre? Como uma pessoa saudável vivendo neste mundo se torna independente se eu dependo de milhares de fontes de prazer, comida, ar, trabalho, meus filhos e minha esposa, basicamente de tudo. Cada um destes pode exercer pressão sobre mim e me afetar. Eu não posso ser independente. Talvez só se eu fugir para outra galáxia vou me tornar livre, mas isso não é chamado de independência.

Nós temos que entender que não pode haver independência enquanto a pessoa não abandonar seu desejo de receber, a sua natureza. Na minha natureza egoísta eu nunca posso ser independente, porque dependo de tudo e de todos. Eu não posso viver sem filhos, sem uma esposa, sem amigos, sem todas as pessoas. Hoje eu não posso viver sem toda a humanidade, pois tudo o que tenho na minha casa tem incorporado dentro de si uma partícula do trabalho de todo o mundo. Assim, a independência é impossível se eu pensar em como satisfazer a mim mesmo, pois assim eu necessito de todos e dependo de todos.

Teoricamente, uma pessoa pode ser independente quando deixa de se preocupar com si mesma e começa a desfrutar a doação aos outros. Se eu posso viver assim, não recebendo prazer ao tomar de todos o tempo todo, mas ao dar e doar aos outros, então eu me torno independente. Eu preciso de todos para que possa doar e dar a eles e receber prazer ao doar. Então eu sou independente e livre, já que não dependo deles da mesma maneira que dependia, a fim de receber prazer deles.

Em última análise, eu não tenho nenhuma possibilidade de desfrutar por meio da recepção, mas apenas através da doação. Pois com a recepção, eu dependo dos outros, enquanto que com a doação, eles dependem de mim. Portanto, eu posso ser superior a todos, posso me tornar verdadeiramente independente. Eu posso me sentir como seu senhor, no sentido de que sou superior a eles, mas amo-os. E como eu doo e dou a eles, satisfazendo-os, eu desfruto sem qualquer restrição de sua parte. Nós alcançamos um estado tal que a sabedoria da Cabalá descreve como o futuro da humanidade, quando todo mundo doa e dá aos outros e sente-se independente.

Do Programa da Rádio israelense 103FM, 19/04/15

Como Alcançar A Verdadeira Democracia

Dr. Michael LaitmanExperiência de Cingapura: A Ditadura Correta

Pergunta: Em março deste ano, Lee Kuan Yew, um dos fundadores do “milagre econômico de Cingapura”, morreu. Num local vazio na fronteira de uma Malásia pantanosa, com nada ao redor, exceto uma base militar inglesa, dentro de um curto período de 50 anos, a nação mais próspera do mundo foi estabelecida. Mas neste país, não há um grão de democracia no sentido em que a entendemos nas nações desenvolvidas. Como é que esta nação teve sucesso em fazer o que grandes nações como os Estados Unidos e Inglaterra fizeram, mantendo a liderança mais estrita e a ditadura da lei?

Resposta: Eu não percebo a democracia da mesma forma como ela existe em todos os lugares, ou que mereça ser chamada de democracia. Este não é o governo do povo, mas sua imitação: um punhado de pessoas assume o controle sobre todos os recursos econômicos, políticos, sociais e militares; elas dizem que há uma democracia, e que operam em nome do povo.

Enquanto estivermos sob a influência do egoísmo interno sem a força da natureza altruísta para equilibrá-lo, não poderá haver uma democracia. A democracia é construída em contraste, um contrapeso e um equilíbrio entre duas forças, que são positiva e negativa: o nosso ego e a força de doação e amor. Há a força do ódio e da rejeição, e o poder da atração e conexão, que devem ser equilibrados mutuamente. Se o ego é equilibrado por uma força positiva, então não pode ser mau. Inversamente, o amor e a doação sem o ego podem levar a um extremismo ainda pior do que o ego.

Em outras palavras, nós fomos criados num sistema que está num equilíbrio de mais e menos, entre os quais o que resta é apenas inflamar algum tipo de tensão que dá a orientação certa para todo o trabalho do sistema. E se a força positiva não existe ou é mínima e existe apenas no medo da aniquilação, então não temos as condições para uma democracia. Nós “caímos” do sistema onde as duas forças são reveladas. Portanto, quando existimos apenas num sistema egoísta, o mais adequado para nós é a ditadura correta.

Se um rei governa uma nação, ele cuida de sua nação, de seus súditos, não os aniquila, e eles consideram que ele é ótimo! Ele é o mestre! Mas, numa nação democrática, não há mestre. Nós deixamos uma eleição decidir quem opera o volante por dois, três ou quatro anos, e depois? De que modo a elite se importa com o que virá depois disso?! Eles não vão ser eleitos novamente, então precisam pegar tudo o que podem enquanto estão no controle.

Assim, a ditadura em Cingapura é um maravilhoso sistema de governo. A democracia na forma de um Sinédrio.

Pergunta: Eu ouvi dizer que o correto chefe de Estado deve ser um Cabalista, que conhecendo as leis da natureza, vai gerenciá-lo no interesse de toda a sociedade. Qual será a base da unidade moral de seu comportamento? Será que ele não será infectado pela cobiça; ele não vai querer ficar rico depois que atingir o controle?

Resposta: Há um conceito como o Sinédrio (Grande Assembleia), onde 120 sábios Cabalistas se reúnem, se conectam num círculo, e discutem todos os temas da agenda. A discussão não é baseada em diferenças de opinião, o que é típico do nosso mundo, onde se acredita que a verdade nasce do debate. Não há verdade no debate, porque desde o início ele nos mantém num nível bestial e não podemos subir acima disso. E nós temos que subir acima de nós mesmos, porque o nosso estágio só pode levar a um nível superior. Parece que subimos ao nosso próximo nível, a partir do qual é possível ver como alcançá-lo.

Isso acontece quando as pessoas se unem numa única unidade completa, apesar de todas as diferenças de opinião, e ao aniquilar o seu ego, elas atingem um coração e uma mente comum. Essa é uma tensão interna única e um trabalho prático. A partir de um estado de unidade, e só com isso, elas se complementam; elas começam a chegar a uma opinião comum. Mas esta não está conectada a opiniões pessoais; em vez disso, é sentida através de uma unidade comum. É nessa forma que o sistema de governança para a nação e o povo deve se manifestar.

Como a luta e a discórdia podem ser evitadas?

Pergunta: Hoje muitas nações estão tentando recriar esse modelo de uma forma ou de outra. Tomemos por exemplo a Turquia, onde o governo se tornou progressivamente concentrado nas mãos de uma pessoa, ou a Rússia, que nem sequer esconde que vive e prospera graças a uma pessoa. Há também uma infinidade de outros exemplos em nações menos desenvolvidas. Segue-se que a formação de pirâmides governamentais como essa é o único caminho possível para a humanidade seguir? Portanto, onde é possível tomar pessoas como essas que estão satisfeitas com tal método de governo? E, por fim, em Cingapura, que não era originalmente corrompida, todos os lugares-chave foram ocupados por parentes de Lee Kuan Yew. Em última análise, uma espécie de casta foi criada.

Resposta: Certamente esse modelo não pode existir para sempre num estado ideal, uma vez o suborno, as lutas pelo poder, e assim por diante, começam. Por algum tempo ele pode manter sua posição em algum ideal, mas depois disso, tudo se deteriora ao longo das trilhas egoístas habituais.

Pergunta: Como os Cabalistas evitariam chegar a esta situação no governo da nação?

Resposta: O fato de que eles estão unidos entre si, os 120 maiores sábios do povo evitariam conflitos e diferenças de opinião. Especificamente nesta situação, eles começariam a discutir algum assunto e da sua unidade, eles receberiam uma resposta. Afinal de contas, a unidade entre eles é o seu próximo objetivo, que eles devem alcançar e incluir todas as pessoas com eles.

Pergunta: Será que as discussões em círculos, que seus estudantes organizam, constituem uma pequena versão desta forma de unidade?

Resposta: Sim. As discussões na forma de mesas redondas são organizadas em todo o mundo, não apenas em Israel. Nós criamos ativamente uma reunião, um círculo de discussão de homens e mulheres, que implementam a unidade, desprendendo e subindo acima de si mesmos. Cada um investe em todos os outros e todos anseiam em ser absolutamente iguais, sem maior ou menor, de forma alguma. Nós aspiramos a encontrar um sistema preciso de equilíbrio interno entre nós e procuramos fazê-lo de modo a que todos sejam iguais e integrados com o outro, percam-se na nossa unidade, e do “Eu” chegará o estado de “nós”. Depois, partir do estado de “nós”, chega-se ao estado de “um”, como um homem com um coração.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 01/04/15

Simplicidade Cognitiva: Vida Em Preto E Branco

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (de Psychologies.ru): “Nossa vida flui e passa a perder suas sombras, transformando-se em “preto e branco”, amigos e inimigos, heróis e vilões. Os psicólogos chamam essa perspectiva de simplicidade cognitiva.

“Esse fenômeno aparece na infância. Todos nós sabemos que podemos adquirir a complexidade deste mundo com o tempo através de nossos relacionamentos com as pessoas.

“É melhor para os nossos líderes se as pessoas percebem o mundo como um lugar simples, já que é simplesmente mais fácil governá-las e controlá-las. Muitos concordam e estão dispostos a aceitar as regras deste jogo.

“A simplicidade como uma forma de proteção psicológica ajuda a lidar com a complexidade do mundo. A percepção simples do mundo permite que uma pessoa não só veja a meta de forma mais clara, mas também atingi-la.

“A simplicidade cognitiva é a base para a manipulação que se resume a capacidade das pessoas de alcançar a metas recebidas, enquanto convencem outras a também querer isso. Essas manipulações são baseadas em ideias que têm que estar subordinadamente em comum com aqueles que se assemelham. As manipulações referem-se a ações contra a confiança, cooperação e autonomia.

“Torna-se necessário imaginar os nossos estados e os dos outros não só de forma lógica, mas também de forma emocional. A consciência do indivíduo tem que incluir a posição daqueles que o cercam. O destino de uma pessoa é a tentativa de unir e de se preocupar com os outros não menos que consigo mesmo”.

Meu Comentário: Eu acredito que apenas um acréscimo ao egoísmo que nos governa por si só, a segunda força da natureza, a força positiva de conexão e amor, fará com que o nosso mundo e o homem vivam nele equilibrados pelas duas forças. Nós vamos ser capazes de gerir a nós mesmos e o mundo e construir um sistema equilibrado do mundo. Se não, vamos cair num egoísmo cada vez maior que nos leva a terríveis sofrimentos, e, finalmente, depois de guerras mundiais e aniquilações, ainda vamos reconhecer a necessidade de nos complementar com a força positiva da vida e construir a humanidade como um sistema equilibrado. A força positiva de conexão só pode ser descoberta no processo de workshops e círculos de discussão que são baseados na sabedoria da Cabalá e na sabedoria da conexão.

Ciúme E Inveja São Exclusivos Do Homem

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Cabalá nos diz que o ciúme e a inveja só existem nos seres humanos, mas eu também vejo isso no meu gato e cachorro. Como você explica isso?

Resposta: Você está certo. A inveja no nível do nosso mundo é um sentimento egoísta comum, um meio competitivo de lutar por uma fonte de prazer, seja num animal recebendo prazer de seu dono ou uma pessoa que recebe prazer de uma pessoa amada.

A sabedoria da Cabalá fala sobre o conceito de inveja e, especialmente, o conceito de vergonha, no que diz respeito às emoções que uma pessoa sente quando atinge o atributo de amor e doação aos outros. Isso significa que ela atinge o atributo do Criador (natureza), ou seja, o nível humano, Adão.

A não ser que cheguemos a esse nível, somos considerados animais, assim como o seu gato e cachorro. A natureza dos nossos sentimentos é a mesmo e isso decorre de nossos medos egoístas de permanecer sem uma fonte de prazer (comida, sexo, etc.).

A Ociosidade Do Parlamento Europeu

Dr, Michael LaitmanEu li no artigo “Rússia Alemanha“, que em 2015 apenas algumas dezenas de leis foram tratadas no Parlamento Europeu, que é composto por 751 representantes.

A manutenção deste criativo exército legislativo custa aos contribuintes 1,7 bilhões de euros por ano. De acordo com as perspectivas deste ano, os representantes aceitarão prontamente essa diminuição em suas atividades e vão continuar com o seu próprio negócio, sem qualquer sentido de haver um problema.

Meu Comentário: Eu acredito que essa é a forma como a composição (da UE) está gradualmente tornando-se obsoleta e irrelevante. No entanto, isso pode ser bastante benéfico, uma vez que muitas pessoas aprenderam com esse projeto, que foi um fracasso desde o início. A única razão para o seu fracasso foi que não foi baseado em qualquer forma de integração, mas em simples cálculos egoístas. Porque tudo isso está ocorrendo numa época de verdadeira integração da natureza; qualquer forma de integração artificial está condenada a desmoronar. No seu conjunto, este projeto acabará por ter que ser completamente encerrado.

A Sorte Dos Gatos

laitman_564Pergunta: O que são estes 49 Portões de Tuma’a (Impureza) que eles atravessaram antes do êxodo do Egito?

Resposta: Nós tentamos sair do nosso ego rumo ao amor ao próximo, e não estamos prontos. Nós tentamos mais uma vez, e novamente não temos êxito. Nós tentamos de novo e de novo, até que, basicamente, descobrimos que todos nós estamos numa situação em que não queremos deixar o Egito. Nós não temos nenhuma possibilidade de fazer isso, nem força. Nós não somos capazes de sair. É uma situação completamente desesperadora.

Nosso ego, como é agora, nos puxa para todos os tipos de estupidez com as quais tentamos preencher nossas vidas. Portanto, de que forma as nossas vidas diferem da vida de um gato, além do fato de que o gato se sente bem consigo mesmo? Ontem, o tempo estava claro. Ele deitou e se aqueceu ao sol. Há algo para comer, então o gato come e dorme, e nada mais lhe preocupa.

A pessoa precisa receber milhares de vezes mais do que um gato para se sentir satisfeita. Portanto, quem é mais alegre e feliz, a pessoa ou o gato? Ao que parece, o gato é mais feliz. Ele fica no sol o tempo todo, sabe que seu dono sempre vai alimentá-lo, e não está preocupado com nada para si mesmo.

O gato olha com desprezo a forma como o seu dono corre o tempo todo. Ele corre para o trabalho, faz mil outras coisas. Ele não entende por que as pessoas tomam uma vida tão agitada para si mesmas. Por que elas estão correndo tanto? Todos os dias, elas andam no mesmo círculo: eles colocam as crianças na creche e correm para o trabalho, para a loja, e para casa. Elas preparam alimentos, comem e vão dormir para começar tudo de novo. Vale a pena circular assim o ano todo, para sair de férias uma vez por ano por sete dias?

E o gato fica deitado todo o dia, se lambe, e é bom para ele. Então, qual de nós é mais alegre e feliz? Quem é mais completo? Certamente, é o gato, ao passo que a pessoa é uma criatura mais miserável, como está escrito sobre Ismael, “… a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele”. (Gênesis 16:12).

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/15, Escritos do Rabash

Tornando-se Livre Da Dominação Do Ego

A Torá, “Levítico” 25:44 – 25:46: O seu escravo ou escrava a quem você pode ter das nações que estão em seu entorno, a partir deles você pode adquirir um escravo ou uma escrava. E também dos filhos dos moradores que vivem no meio de vós, deles você pode adquirir [escravos] e de suas famílias que estão com você, que foram gerados na vossa terra, e eles tornar-se-ão sua herança. Você deve prendê-los como herança para seus filhos depois de ti, como os bens adquiridos, e pode, assim, tê-los atendendo-o para sempre. Mas, como para os vossos irmãos, os filhos de Israel, um homem não deve fazer trabalhar o seu irmão com rigor.

A Torá nos diz sobre os diferentes estados egoístas a que somos submetidos, um dos quais é a escravização ao nosso ego.

Não devemos perceber o que a Torá nos diz como uma história sobre as relações mútuas entre as pessoas, uma vez que as relações mútuas neste mundo são preenchidas automaticamente de acordo com os nossos atributos naturais. A Torá nos diz apenas sobre os nossos estados internos. [Leia mais →]

Servos Do Seu Próprio Livre Arbítrio

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:39 – 25:41: Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como diarista, como peregrino estará contigo, até o ano do jubileu te servirá. Então, sairá do teu serviço, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua família e à propriedade de seus pais.

Se eu tenho desejos que não estão prontos para existir separadamente, devo mantê-los comigo e com toda a seriedade, “fazer com que caminhem com suas próprias pernas”. Depois de terminar todo o trabalho em todo o aglomerado de desejos, eles se separam e se afastam de mim de forma independente e continuam a sua existência independente.

Nós estamos sempre falando de desejos e não de corpos. Isso se refere a um esquema no qual um imenso desejo explodiu em 600000 partes que devem ser reconectadas umas com as outras para se transformar novamente num todo geral, embora o egoísmo e a rejeição mútua estejam queimando dentro deles. Tudo isso permanece, mas é coberto e neutralizado pelo amor.

Segue-se que este enorme ego e o enorme amor, que foi criado entre eles graças ao ego, permanecem e reúnem intensidade, realização interior, e unidade interna com o Criador. Portanto, todos os problemas só são necessários para revelar de forma mais óbvia o estado de nossa união com o Criador. Tudo gira em torno disso; não há mais nada.

Os servos são os desejos que não podem ser independentes, de modo que parecem ter sido vendidos como escravos. Ou seja, eu concordo que preciso, como uma criança pequena, ser governado por alguém grande, porque há mal em mim e eu quero alguém mais maduro do que eu para me controlar, senão vou continuar num mau caminho. Então, eu concordo com isso voluntariamente.

A pessoa que não pode servir e cuidar de seu ego por si mesma é subordinada a outra pessoa (um ego maior), e se estiver aderida a ela, está pronta para trabalhar com ela por o seu ego, porque, neste caso, aquele que é maior protegerá e cuidará dela. É como uma criança que compensa seus pais, dando-lhes prazer. É assim que a natureza nos criou. Eu dou ao meus pais prazer e em troca eles cuidam de mim. E se a natureza não tivesse me criado de tal forma que apenas com a minha existência eu desse prazer a meus pais, eles não se preocupariam em me cuidar. Portanto, o servo dá prazer ao seu dono e está pronto para trabalhar por ele. E o mestre assume a responsabilidade por ele, por sua vida e a satisfação de suas necessidades.

Em nosso mundo, nós entendemos errado a escravidão. A escravidão é um estado onde a pessoa entra por seu próprio livre arbítrio. Enquanto eu quiser ser um servo, eu continuarei a ser um servo. E se eu provar que quero ser libertado dos grilhões da servidão, isso vai acontecer imediatamente. Nós vemos isso no exemplo do Êxodo do Egito, que representa a servidão egoísta. Se você quiser abandonar o ego, então, por favor, tudo o que resta é mostrar aos seus desejos: para que você está pronto.

Eu estou pronto para viver de forma independente, sem o ego, e obter satisfação e comida para mim, para trabalhar no desenvolvimento deste processo? Eu entendo que isso não é em prol do ego, mas e prol do Criador? Como isto deve ser realizado? Se eu provo tudo isso, então, o caminho está aberto.

Pergunta: Mas, de um ponto de vista espiritual, um servo quer ter um mestre, pois isso é doce para ele, é uma boa situação. Por que ele deveria abandonar isso?

Resposta: A propósito, assim que aconteceu. A escravidão não era submissão e subjugação! Mas eu tenho que mostrar que amadureci, que quero e posso cuidar de mim e minha família. Eu já não tenho a necessidade de um mestre que me governe; eu estou pronto para me controlar. E o ego que me controla, sussurra-me: “Para que você quer isso, por quê? Viva com conforto!”

Nós vemos que sete bilhões de pessoas querem ser escravas. Não há ninguém que queira se tornar independente no lugar do Criador, ou seja, se preocupar com todos. Ninguém quer isso! Todo mundo quer a prosperidade material convencional, rodando entre eles, ajudando uns aos outros dentro de seu pequeno círculo fechado. Este é o seu pequeno mundo, e o que está fora dele não lhes interessa. Afinal, em um pequeno círculo, eu me sinto todos como eu. Enquanto que, num grande círculo, eu preciso saie dos limites do meu eu. Segue-se que a sociedade ainda não está suficientemente desenvolvida.

Eu só sinto parceria com alguém que é igual a mim e não me envergonho disso. A principal coisa é que eu vou ser como ele e ele vai ser como eu. Nós aspiramos a isso e prestamos muita atenção nisso. Todo o objetivo de nossa existência é alimentar a nossa besta (o corpo físico), e levar a pessoa a um estado de absoluta igualdade com todos. Isso cria uma situação muito interessante, um comunismo natural, onde existem pessoas de acordo com as leis da natureza, satisfeitos apenas com as necessidades mínimas de existência.

Suponha que eu plantei cenoura, repolho e batata no meu jardim. Para o inverno, eu tenho cinco sacos de batatas, dois sacos de repolho e não preciso de mais nada. Por que eu deveria trabalhar mais e trabalhar para outra pessoa? Seria pelo modo como os vizinhos olharão para isso?! Por que, de repente, eu deveria derrubar os limites do meu círculo? É assim que vivemos.

Comentário: É incrível, mas 70% – 80% das pessoas realmente não querem nem expandir seu lote de terra, porque o que elas têm é suficiente para elas.

Resposta: E este é um comunismo natural que se revela no nível animal. Afinal, os animais na florestal procuram sua comida para aquele dia, e no dia seguinte eles procuram outra coisa. Enquanto que, entre as pessoas, isso é revelado um pouco diferente. Elas sabem de antemão o mínimo que precisam para viver.

É possível superar esse estado? Deve-se tentar fazê-lo com a ajuda da sabedoria da Cabalá, que começa a desenvolver os desejos não no sentido negativo, no sentido do ego, mas no sentido positivo, no sentido do altruísmo. Componentes igualmente altruístas e egoístas vão crescer nas pessoas. É assim que elas gradualmente crescem.

Comentário: É interessante que os sociólogos têm tentado despertar as pessoas, convidando-as a desenvolver um negócio, e percebendo que não podem motivá-las a fazer isso.

Resposta: Negócios para pessoas como essas simboliza sair do seu equilíbrio normal. Elas sentem que estão na situação certa que é boa para elas; elas não precisam de mais nada. Elas têm algo para vestir, o que comer, e isso é o suficiente. E se algo está quebrado em algum lugar, elas vão fazer um pequeno concerto, colocar algum tipo de placa e é assim que vão continuar a viver. Como é dito num provérbio russo: “Um camponês não vai atormentar-se antes de começar a trovejar”. Somente uma necessidade urgente irá forçá-lo a fazer alguma coisa.

A sabedoria da Cabalá fala precisamente deste nível, mas não de uma forma tão anarquista, quando a pessoa é completamente irrelevante. Ela explica que o próximo estado corrido da humanidade é a preocupação consigo e com os outros. Mas isso é apenas num nível de existência necessário para a vida; tudo o resto é dirigido para o desenvolvimento espiritual.

Portanto, se os Cabalistas chegam a essas pessoas e trabalham em seu desenvolvimento interior, sem tirá-las da mesma boa situação em que estão, a alma começará a ser desenvolvida nelas. Se uma pessoa trabalha para si mesma, acreditando que não tem mais nada, ela vai continuar a trabalhar para si mesma, e os Cabalistas irão desenvolver a sua alma, acrescentando o egoísmo espiritual, não físico.

Pergunta: É possível chamar a presente existência dessas pessoas de escravidão?

Resposta: Não, pois essas pessoas têm uma sensação de liberdade. Eu cuido de mim, eu ajudo meu próximo porque ele vai me ajudar, por sua vez. Nós dependemos uns dos outros. Nós somos como uma família. Eu não penso em nada além disso. Portanto, eu sou livre!

Pergunta: E se adicionarmos um componente espiritual a isso, é possível expandir o círculo gradualmente?

Resposta: Não. Não é necessário expandir o círculo, mas apenas aumentar a conexão entre as pessoas. Afinal de contas, as pessoas vivem para se sentir bem em si mesmas e apreciar uma a outro. Mas, na verdade, é especificamente os Cabalistas que criam esse componente de prazer entre elas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

O Que É Deus?

Dr. Michael LaitmanDeus é uma conexão de amor entre as pessoas. Mais precisamente, uma conexão é uma ação e a sensação que acompanha a ação. A propriedade que aparece como resultado disso é chamada de Deus. Não podemos imaginar esta propriedade fora de nós.

É por isso que é proibido imaginar Deus como uma imagem. Na Cabalá, proibido significa impossível.

No entanto, é viável descrevê-Lo como uma propriedade que se veste em cada um de nós como uma qualidade de amor, doação e fusão. É dito: “Eu conhecerei o Senhor de dentro de mim. Eu O conhecerei de suas ações”.

Deus só pode ser alcançado através de nossos esforços para nos unir, e o nosso apelo para unir em essência é uma chamada para revelar o Criador.

Assim que a humanidade admitir que um egoísmo geral e poderoso habita dentro de nós, e assim que aprendermos a considerar o egoísmo como uma crise que acompanha todas as nossas ações incontroláveis, será um verdadeiro sinal de que chegamos a um ponto de transição para o próximo nível de desenvolvimento espiritual. Este é um estado quando as pessoas estarão unidas, não através de relações egoístas, mas através da construção de relações altruístas entre elas.

Antes que essa transição ocorra, a manifestação oposta (reversa) do Criador, o egoísmo (Faraó, Aman, etc.) dentro de nós, nos pressionará para nos fazer continuar a nos desenvolver em prol de Sua revelação. Em outras palavras, é Ele quem nos impacta por seu lado oposto e nos faz revelá-Lo.

É dito: “Não há outro além Dele”, porque nós somos governados por uma única força, não importa se ela é feita pela Sua frente, o lado direto, ou pelo oposto, o lado oculto, como é dito, “Tu me cercaste por trás e pela frente”.

Isto é o que nos faz crescer na fase inicial do nosso avanço antes que reconheçamos nosso egoísmo como a força do mal. A evolução final do ego, o lado oposto do Criador (Faraó, Aman, etc.) se revela gradualmente e sua aparência corresponde aos quatro estágios da propagação da Luz Direta. Ela pretende levar a criação (um desejo) a construir uma reação independente, as quatro etapas do exílio e da submersão no egoísmo, e os quatro níveis de libertação da autoridade do Faraó. Hoje, nós (grupo de Abraão, o povo de Israel) chegamos à quarta fase do nosso processo de libertação.

Só depois de passarmos por todas as quatro fases e admitirmos nosso egoísmo, ou seja, o lado oposto do Criador, nós podemos reconhecer e perceber que nosso ego é mal, podemos confrontá-lo. O egoísmo foi inserido artificialmente em nós pelo Criador para nos fazer decidir que lado do Criador nós preferimos escolher: o oposto, o lado negativo ou o Seu lado frontal, ou seja, o amor acima do egoísmo, a fé acima da razão.

É por isso que devemos entender que não há nada que nos prejudique; pelo contrário, tudo que enfrentamos está destinado a acontecer para promover nosso crescimento. Nós somos aqueles que definem o estado em que estamos, ao reagir aos acontecimentos que nos envolvem. Se nos relacionamos corretamente com as circunstâncias, com o entendimento de que não importa o que esteja acontecendo conosco é enviado pelo Criador, nossas aflições serão substituídas pelo lado positivo do Criador. Não há nenhuma condição intermediária. É o lado oposto do Criador ou Sua face.

Para resumir, não é o Criador que muda o seu impacto em nós de negativo para positivo; pelo contrário, somos nós que temos que alterar a nossa atitude para com Suas ações, de incompreensão e rejeição à compreensão e consentimento.

A diferença entre Deus e o Criador é que Deus é a qualidade superior separada, enquanto que o Criador é a propriedade atuante, governante, estreita e sensata. No entanto, todas essas definições são verdadeiras somente para os seres humanos que se esforçam em revelá-Lo (aspiram a senti-Lo).

Vejam as partes 1 e 2 da lição diária 20/03/15

Ao Pé Da Montanha

Dr. Michael LaitmanA porção semanal da Torá BaHar (Sobre a Montanha) nos fala sobre as leis que o Criador deu à nação através de Moisés. Estas são as leis que uma pessoa tem que cumprir dentro dela. Há uma montanha de egoísmo em cada um de nós, que é a mesma Torre de Babel, mas que agora é retratada a nós como o Monte Sinai (Sina – ódio).

A força superior está acima de seu cume e nos ajuda a satisfazer o ego e transformá-lo numa montanha sagrada, no Monte do Templo. Então nós construímos o Templo em cima dele, o Criador é revelado no vaso acima do nosso ego.

Se ficarmos ao pé da montanha e estivermos prontos para amar um ao outro, ser mutuamente responsáveis um pelo outro e ser como um homem em um só coração, recebemos a Luz da correção, chamada de Torá, e podemos transformar toda a montanha de ódio numa montanha de amor. É somente em cima dela que podemos construir a casa do Senhor.

Durante a entrega da Torá, apenas Moisés pôde subir o Monte Sinai. Então ele perde completamente sua santidade, pois o Monte Sinai é sagrado somente quando a pessoa recebe a Torá. Caso contrário, é apenas uma pilha de egoísmo. É por isso que a Torá nos diz alegoricamente como transformar a montanha de ódio numa montanha onde construímos o Templo.

De Kab TV “Segredos do Livro Eterno”12/11/14