Textos na Categoria 'Egoísmo'

A Última Incognita Na Equação

Dr. Michael LaitmanAs quedas mostraram-me que nunca perceberei a importância do Criador sozinho; nunca sairei do meu egoísmo nem encontrarei forças dentro de mim. Contudo, todas as quedas me ensinam de forma diferente, iluminando fraquezas, qualidades e fases diferentes em mim. As quedas são seguidas de subidas, mas no fim, de uma forma ou de outra acabo sempre por descobrir a minha impotência.

Primeiro quero satisfazer o meu egoísmo, que é chamado “saber quantos anjos há no céu”. Depois mudo o meu foco para o Criador, desejando “apanhá-Lo”, ver o mundo espiritual. Parece-me que a porta para as mudanças tem de abrir-se à minha frente em vez de dentro de mim.

E finalmente, começo a perceber que as mudanças têm de acontecer dentro de mim. Apanho o fio da resposta à minha pergunta: a redenção tem de vir de fora porque eu sou certamente incapaz de fazê-la por mim mesmo.

Este trabalho é feito com a ajuda das quedas e subidas, até que a pessoa venha para o limiar da verdade, tendo percebido que tudo depende dela, da mudança da sua percepção. A Luz dá-lhe as forças para o fazer; você não as encontrará dentro de si.

As exigências da pessoa são ainda egoístas, mas ela ainda baixa a sua cabeça perante a Força Superior para que a mude. Então ela gradualmente concorda com o facto de que tudo vem de Cima.

Na etapa seguinte a pessoa percebe que tem de adquirir a qualidade de doação em vez da qualidade de recepção. A sua exigência é egoísta, mas já é um passo em frente.

Depois disso ela trabalha com o ambiente de forma a atrair a Luz que a elevará até o tesouro espiritual. À medida que ela aprende acerca da noção de grupo, ela faz-se independente nele, esperando ainda auferir benefício para si mesma.

Depois disso a Luz realmente leva a pessoa de volta à Fonte. Isso acontece porque ela construiu tudo correctamente e apenas um parâmetro permanece para ser mudado: a intenção, o resultado final – para quem quer ela obter benefícios?

É assim como reduzimos a jornada: virando-nos para o Criador através do grupo com o pedido correcto.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 5/1/11, Escritos do Rabash

Ao Atravessar Para A Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanFalando sobre atualizar a sabedoria da Cabala, nós devemos levar em consideração que o nosso atual Gilgul (ciclo de vida) está longe de ser o primeiro. Temos passado por múltiplos ciclos, e ninguém sabe exatamente quantos cada um de nós tem. Isto será revelado para nós mais adiante, mas, francamente, não há muita utilidade em rever as nossas encarnações passadas, já que todas estavam ainda nos níveis vegetal ou animal da evolução do desejo de desfrutar.

A nossa evolução aconteceu com base nisso. Primeiro, nós existíamos no nível inanimado de desenvolvimento, seguido do vegetal, quando experimentávamos a realidade como as plantas fazem. Mais adiante, cada um de nós evoluiu para nível animal, percebendo a realidade da mesma forma que os animais.

Assim, nós passamos por várias vidas, até que (como está escrito na Árvore da Vida do ARI e no Estudo das Dez Sefirot, Parte 3, do Baal HaSulam), do nível animal, através dos símios (nível intermediário entre o animal e o homem), nós finalmente alcançamos o nível humano neste mundo. Os seres humanos também são uma espécie animal, mas muito mais evoluídos do que os animais.

No nível falante deste mundo, nós também passamos por muitas vidas, até atingir nossa condição atual. Agora, nesta encarnação, estamos fazendo um tipo especial de trabalho, a fim de ascender a um nível completamente novo e experimentar uma nova realidade espiritual: a realidade do Criador.

Durante as transições, de nível em nível e de estado para estado, existem fases intermédiárias. Como o ARI descreve, entre os níveis inanimado e vegetal, existem corais que combinam ambas as características: inanimada e vegetal. Entre os níveis vegetal e animal, há uma criatura intermediária, um pequeno animal chamado de “cachorro do campo” que vive na terra e alimenta-se da terra como uma planta, mas cujo corpo se comporta como o de um animal. Entre o animal e o humano, existe o macaco, um mamífero com características humanas rudimentares.

Atualmente, nós estamos na transição entre o ser humano deste mundo, que vive como todos os outros sete bilhões de pessoas, e algo espiritual. Nós não sabemos ainda o que significa este “espiritual”, mas estamos entre estes dois estados.

Pela primeira vez, nestas transições que temos passado desde os níveis inanimado ao vegetal, do vegetal ao animal, e do animal ao falante (humano), ignorando o que aconteceu conosco e vivendo como todas as pessoas neste mundo, nós agora temos de fazer a transição conscientemente, participando dela de forma plena. Seremos nós que decidiremos se isso acontecerá ou não. Apenas o nosso desejo pode fazer com isso aconteça.

Esta evolução depende de nós. Essa transição é única e diferente de qualquer outra, porque somos nós que cultivamos o ser humano em nós, o humano idêntico ao Criador.

Assim, pela primeira vez na nossa história, em toda a nossa evolução, a sabedoria da Cabalá está sendo revelada para nós. Ela se destina a acompanhar-nos como um manual de instrução, a diretriz principal, um código de leis, uma ciência, com a ajuda da qual completaremos essa transição. Afinal, se não esclarecermos isso para nós mesmos, não a desejaremos e não a estudaremos; não seremos capazes de triunfar.

É por isso que somos chamados de “judeus” (“Ivrim”, da palavra hebraica “Laavor”, atravessar), pois estamos atravessando do estado de humano deste mundo para o nível humano espiritual, semelhante a Adam HaRishon, ou a imagem do Primeiro Homem. Épocas atrás, ele parecia ter sido quebrado em fragmentos, e agora temos que voltar a remontá-lo de novo, suas partes masculina e feminina.

Tudo isso tem que ser implemenatdo em nosso trabalho coletivo. Nós temos todas as ferramentas necessárias para isso, mas cabe a nos esclarecer tudo, aprender o que nos falta para nos transformarmos nesse Humano, e desenvolvê-lo.

Da Lição 2, da Convenção no Deserto de Arava 31/12/10

A Torá é Dada Aqueles Que Dela Necessitam

Pergunta: pode-se avançar pela fé acima da razão no grupo? Como?

Resposta: Sem o grupo é completamente impossível fazer isso. Ou você se une com um professor da forma como foi feito no passado, ou você se une com o grupo. Mas é impossível avançar por si mesmo.

Quando falamos sobre o relacionamento entre uma pessoa e o Criador, sempre significa a presença do meio ambiente. Sem ele eu não tenho nada para subir acima, nada para corrigir. Um apelo ao Criador é um fundamento para a correção. Mas a correção de quê? A única coisa que tenho a corrigir é a minha atitude para com o meu vizinho. Este é o egoísmo, a inclinação para o mal, o ódio infundado, o Kelim quebrado, o Templo quebrado.

Portanto, é óbvio que o que nós sempre queremos dizer que uma pessoa está no ambiente certo, com seu grupo. Este princípio se origina a partir do Monte Sinai, onde foi estabelecido uma condição: se unirem como um homem, um coração.
Só então você vai receber a Torá e ser capaz de se corrigir.

Se, no entanto, se você não tentar se unir e chegar a garantia mútua, então o que você vai corrigir? Nesse caso, você não vai receber a Torá. A condição para receber a Torá é uma necessidade dela. Mas se você não quiser se unir com os outros, então você não precisa da Torá. Destina-se apenas para corrigir a conexão entre as pessoas.

Portanto, nos nossos tempos, quando o mundo está sendo levado a uma situação sem saída de interconexão universal, quando torna-se evidente que sem as conexões corretas entre nós a civilização chegará ao seu final, as pessoas terão que usar a Torá. Elas terão a Força Superior, a força da Luz que irá uni-los.
Esta é a finalidade para a qual a Torá, o método Cabalístico, está sendo revelada. Todos os outros métodos não podem ser chamados de Torá, pois não se opõem a inclinação ao mal. As pessoas vão aos poucos revelando a inclinação para o mal neste mundo e terão então a Torá real.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabala de 2/1/11, Escritos de Rabash

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Ódio No Caminho do Amor

Nós falamos sobre o ódio que se revela entre nós, no entanto, não significa necessariamente que temos que nos odiar. Não existe tal mandamento. Estamos indo em direção ao amor.

Mas começamos com a alma quebrada que dividiu-se em milhares de milhões de peças. Temos que juntos voltar a tentar uni-la novamente. Um mundo global contemporâneo é uma indicação de uma grande responsabilidade que foi colocada sobre nós, pois querendo ou não, nós descobrimos que estamos todos interligados.

Depois de tentar unir, nós revelamos o ódio entre nós. Esta é a nossa natureza. O Criador diz: “Eu criei a inclinação para o mal.” Quando ela se manifesta? Quando nos aproximamos da unificação corretamente. Se você começar a unir-se incorretamente, você não irá revelar o ódio, mas vai ter resultados parciais, como a indiferença e assim por diante.

A fim de expor o ódio, você precisa da Luz do Alto. Ao tentar unificar com os outros, você atraí a Luz, e que ilumina a ruptura,a separação entre nós. Então você sente sua oposição à Luz: Este é o ódio

Mas, como resultado disso você também começa a sentir que está sendo levado para, despertado para… o fundamento da unidade! A mesma Luz que mostrou quem você é também pode ajudá-lo. Então você pede: “Corrija-me!” E a Luz faz isso.

Portanto, nós não pretendemos odiar uns aos outros pelo menos. Uma pessoa corre do Egito, seu egoísmo, a fim de superá-lo e unir-se com os outros. E então ele descobre o ódio verdadeiro MonteSinai.
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De Lição 1, da Convenção de Arava 30/12/10

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Uma Arca Para O Grupo

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é o “dilúvio” para o grupo?

Resposta: Se o grupo como um todo é incapaz de superar seu desejo crescente, se os amigos alcançam o ódio e não conseguem vencê-lo, isso significa que eles estão se afogando nas águas do dilúvio.

Quando eles perceberem o dilúvio se aproximando e as forças que os dominam (Gvurot), eles devem realizar esforços mútuos para construir uma arca, ou seja, expressar a doação mútua, a fim de serem salvos do egoísmo individual de cada pessoa e do ódio comum. Foi exatamente assim que os autores do Livro do Zohar sentaram-se para estudar, sentindo ódio um pelo outro, e, depois, o amor revelador.

Tudo depende se os amigos usam ou não a Torá como foi planejado, se eles constroem a Arca, o Kli comum de doação , união e garantia mútua, no qual eles serão salvos do dilúvio.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/12/10, Escritos do Rabash

A Lei Da Compensação: Prazer Versus Dor


O mundo está cheio de problemas, e não conseguimos corrigir a situação, apesar de tentarmos com toda nossa força, geração após geração. A sabedoria da Cabalá explica porque somos perseguidos por todos estes problemas e infortúnios: eles estão nos empurrando para o desenvolvimento correto, para que possamos superar nosso egoísmo e  transcender a uma outra dimensão, isto é, à qualidade da doação, uma força diferente, uma outra percepção do mundo, o reino da doação, em vez do reino do egoísmo.

Portanto, o objetivo de toda nossa evolução é revelar o sofrimento e a inutilidade escondidos no desejo egoísta. Quanto mais tentamos usá-lo, mais decepção ele nos traz, a fim de nos mostrar que não podemos usá-lo para o prazer e satisfação, porque o desejo de receber é incapaz de receber qualquer coisa.

Nós não entendemos isso e continuamos repetindo nosso erro. Porém,  nós finalmente temos que perceber que é impossível satisfazer o desejo de forma egoísta, porque isto vai contra a lei da existência do desejo e da Luz. Começando com a Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph), eu nunca posso receber alguma coisa em meu desejo egoísta e satisfazer-me; isto nunca pode ocorrer na história ou na realidade.

Quando sentimos que estamos satisfeitos e estamos aproveitando, isto se deve ao fato de que estamos estendendo o prazer que sentimos desde o momento em que o encontramos até o momento em que ele se vai. Por aqueles breves instantes, enquanto ele está em nós e podemos senti-lo, teremos que pagar na íntegra com a dor que chega, à medida que o vazio recém-formado se desenvolve dentro de nós.

Esse vazio abrange a força do prazer e o tempo de sua presença dentro do desejo. Por exemplo, no nosso mundo, a energia é igual à tensão multiplicada pela força de uma corrente elétrica. O mesmo ocorre com o prazer. Eu posso receber 10 gramas de prazer e senti-lo por uma hora. Então, 10 gramas multiplicados por 1 hora é igual ao poder do prazer. Eu posso sentir 1 kg de prazer, mas apenas por um segundo, o que também irá determinar a potência do prazer.

Portanto, no fim, não importa o quanto de prazer conseguimos experimentar, pois todo este prazer vai se transformar no sofrimento do desejo vazio. Nós não somos capazes de nos tornar plenos de prazer com nossos desejos egoístas, pois isto é contra a natureza da criação e sua finalidade.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/12/10: “Paz no Mundo”

O Grande Substituto Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Cada pessoa quer ser única e perceber a raiz singular de sua alma. É por isso que ela se assusta com a explicação de que é uma mera engrenagem no mecanismo comum. Ela tem medo de perder sua individualidade na sociedade.

Resposta: Mas por que você deve se perder na sociedade? Pelo contrário, você pode se tornar um justo, aquele que é considerado como o “sal da terra”: doar a todos e fazer avançar o mundo inteiro. Quem está impedindo você? Não há nenhuma restrição na doação. Por favor, doe!

Você está reclamando que é impedido ou não está autorizado a utilizar os outros. Obviamente, ninguém quer deixar você tirar proveito dele. Por outro lado, se você se tornar grande, não na recepção mas na doação, ninguém ficará no seu caminho.

 A pessoa pode ser única no sentido positivo da palavra, na doação. Por que, então, você insiste em ser diferente na forma negativa, no egoísmo? Todos querem ser especiais; então, por favor, deixe-os ser. Realize-se na espiritualidade.

A pessoa pode se assustar com o próprio aspecto das engrenagens interligadas. Ela imagina ser um robô ou um parafuso, mas este é um fato da realidade, uma imagem que existe na Natureza. Na Natureza, nada pode ser bom ou ruim, é simplesmente um fato.

Você pode concordar ou discordar; isto não mudará a realidade. Você só atrairá golpes sobre si mesmo, se não concordar com isso. Você pode dizer que não concorda com a lei da gravidade e negar a sua existência. Vá em frente; nós veremos como você cairá do telhado.

 É o mesmo caso aqui. Nós não entendemos como estamos estritamente conectados uns com os outros e ainda tentamos fazer o que nos satisfaz. Todo mundo está puxando o cobertor para si. Mais tarde, assistimos como todos sofrem, continuamente, durante milhares de anos.

Agora, nós estamos entrando num estado onde nosso ego cresceu ao nível mais alto em todos os nossos desejos mundanos e nos amarrou todos juntos, em todo o globo. No entanto, nós ainda não queremos admitir isso e continuamos tentando enganar e usar uns aos outros. No entanto, nós não entendemos que, ao fazê-lo, cada um traz para si mesmo a dor que causa nos outros.

Nós não percebemos, mas se isso fosse claramente revelado a mim e eu recebesse um golpe imediato e recíproco no momento que machucasse alguém, eu agiria como um animal que não tem livre-arbítrio. Eu continuaria oscilando entre os golpes e prazeres, funcionando como uma máquina, se a lei da conexão mútua me afetasse abertamente

Portanto, essa lei está oculta, a fim de me dar a oportunidade de aderir-me a ela usando o meu livre-arbítrio. A lei existe, embora oculta, e eu posso compensar a ocultação como se ela fosse revelada. Afinal, eu quero que ela funcione da seguinte maneira: eu quero que a doação seja enorme, poderosa e prevaleça sobre a recepção. Pode ser uma lei escrita em cada livro, mas eu quero que ela se revele na prática. Aqui reside o meu livre-arbítrio.

Eu recebi uma mancha branca que significa que o Criador está oculto. Eu posso tirá-Lo da ocultação e preencher essa mancha branca com Sua presença. Ela será a minha própria presença, já que eu serei exatamente como Ele. Eu chegarei ao local onde Ele está oculto e o substituirei. Será como se Ele e eu fossemos sócios, e eu prometo que farei o trabalho por Ele, onde Ele se oculta.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/12/10: “Paz no Mundo”

Todas As Medições São Feitas No Grupo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que existe uma fase no trabalho espiritual onde a pessoa pode dizer com certeza se ela é ou não similar à Luz, através de suas qualidades?

Resposta: Em diversas fases nós sentimos que estamos mais perto ou mais longe, mas o exemplo mais correto é a atitude da pessoa para com o grupo: o quanto ela sente que a essência interna do grupo é o lugar no qual ela quer sintonizar-se, onde quer “dissolver-se”como um embrião no útero da mãe, como uma criança nas mãos de sua mãe, com o intuito de desaparecer e perder-se?

Se a pessoa ainda tem algo que não desapareceu, que não perdeu, isso significa que seu egoísmo ainda está vivo. Mas assim que a pessoa se dissolve no grupo, a partir desse momento ela começa a crescer espiritualmente. Dentro de sua sensação, desejo, intenções e esforços, a pessoa pode medir onde ela está: em qual Reshimo, em que Sefira, em que estado, e quantas Luzes entram nos seus Kelim.

Ela mede tudo exclusivamente pela sua relação com o ambiente correto. Afinal, a pessoa não pode medir nada em relação à Luz. A Luz é um fenômeno dentro do vaso, mas não um conceito em si. Segundo a definição do Baal HaSulam, tudo que entra nos vasos chama-se “Luz”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/12/10, Escritos do Rabash

Isca Para O Egoísmo

Pergunta: Se eu sou inteiramente a vontade de desfrutar, então eu posso realmente querer fazer algo para o Criador desinteressadamente?

Resposta: Não, eu não posso. Só estou pronto para fazer algo que dê prazer ao meu desejo. Esta é a minha natureza e eu não posso sair dela sozinho. Eu só posso agir se for proveitoso para mim. É assim que o Criador me fez e nada pode ser feito sobre isso.

Na linguagem da Cabalá esse estado é chamado de “este mundo”. Mas há também um outro estado, “o mundo vindouro” ou o “mundo superior” onde vou existir se eu não fizer meus cálculos com base no desejo egoísta de prazer, mas o desejo altruísta de doação.

Entretanto, eu não tenho esse desejo e eu nem quero que ele apareça! Isso é verdade, mas é oferecido ajuda para você:
1. Seu ponto no coração é despertado e você começa a pensar sobre isso.
2. Você é apresentado ao grupo, onde poderá ser reforçado com a ajuda dos amigos.
3. Lhe é dado livros e um professor, que o acompanha no caminho espiritual se você desejá-lo.

Desta forma, é fornecido a ti todos os meios necessários e uma explicação do fato de que, além de sua própria natureza, também existe uma natureza superior, o Criador da natureza, que opera através do cálculo da doação. O início está definido: Você tem uma faísca, um ambiente, e livros. Este é o ponto de partida, a “gota de sêmen”, da qual você pode desenvolver seu próprio futuro.

Todas as outras condições dependem de você. A bola está do seu lado. Se você usar os meios que você tem corretamente, então você irá adquirir uma segunda natureza. Enquanto isso, você receberá uma explicação de que isso é benéfico para você, que você vai se sentir muito melhor “lá”, que terá toda a eternidade, o triunfo, a perfeição, e assim por diante. Você recebe uma explicação clara para o seu egoísmo.

Entretanto, a realidade do mundo espiritual não será revelada em seu desejo atual, porque ele será transformado no processo. É semelhante à forma do mundo das nossas crianças que crescem com “promessas”. “Se você ler este livro, você vai ter uma bola de futebol”: Eu digo ao meu filho. Ele pega o livro na esperança de pegar a bola, mas como dizemos, ele muda gradualmente e agora ele já não precisa de uma bola, mas de uma bicicleta.

Depois de engolir a primeira “isca”, uma pessoa inconsciente entra no caminho do desenvolvimento e demanda cada vez mais uma recompensa “progressista” mesmo que ela ainda não enxergue a meta final. Nós também devemos confundir o nosso egoísmo, desta forma, a fim de participar na vida do grupo e, gradualmente, ser “permeado” pelo maior estado.

Temos que nos tornar senhores de “burlar” o nosso egoísmo. Uma pessoa neste mundo é um animal inteligente e temos que usar o ego, jogando a isca para que ele nos ajude no caminho, todo o caminho até entrar no mundo espiritual.
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Da primeira parte da Lição Diária de Cabala de 26/12/10,  Escritos do Rabash

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Quem é a pessoa dentro de nós

Pergunta: Se o fruto precisa de tempo para amadurecer, talvez o homem não precise fazer nada no momento, mas esperar até que ele amadureça, assim como as frutas?

Resposta: A humanidade já terminou sua evolução no nível inanimado, vegetativo, e animado. E nos últimos 5770 anos desenvolvemos o nível “humano” em nós, começando com Adão, o “primeiro” homem.

Nesses 5.770 anos,  nós fomos submetidos aos níveis inanimado, vegetativo, animado e humano dentro do homem. Até então, nós tínhamos vivido como animais, mas Adão foi o primeiro a iniciar a evolução da parte humana dentro de nós, nesta besta que chamamos de um “ser humano”.

Adam Ha Rishon (o primeiro homem) era uma pessoa que descobriu a espiritualidade, isto é, o “humano” dentro de si mesmo que é similar em propriedades com o Criador. Desde aquela época, todos nós temos existido no nível de desenvolvimento humano, e é aí que todos os problemas “humanos” começaram. Portanto, não vale a pena esperar até que tudo dê certo porque não vai, e nós só vamos continuar a cair mais e mais.

O ser humano dentro de nós é tudo o que ultrapassa o nível animado de existência. A fera precisa de apenas comida, sexo, família e abrigo, e assim o corpo animado do homem. Mas quando uma pessoa começa a usar o seu ego, em vez de animar os seus instintos naturais, isso refere-se a parte humana dentro de nós, que temos que harmonizar. E esta é a única parte que tem livre-arbítrio.

Onde está esse homem dentro de nós? Agora é só uma besta.
[30410] A
Da 4a. parte da Lição Diária de Cabala de 21/12/10, “A Liberdade”

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