Textos na Categoria 'Egoísmo'

Entrando No Mundo Das Emoções

Dr. Michael LaitmanPergunta: Devem os participantes do primeiro curso de educação integral saber sobre os limites distantes da evolução da consciência humana, sobre as novas relações mútuas ou sobre como as novas oportunidades são reveladas quando se deslocam na mesma direção?

Resposta: Eu não creio. Pra quê? No primeiro curso as pessoas aprendem sobre a história da evolução egoísta da humanidade, que o ego atingiu os seus limites e não há nada à frente. Ao que parece, a Natureza é integral, e a humanidade se tornou integral. Apenas os seres humanos não estão integralmente conectados entre si, e por isso sentem uma crise, um estado de vazio material tanto interno quanto externo. Então, nós temos que falar sobre a integralidade da natureza, que é um sistema fechado, sobre seus sistemas de prestação mútua, apoio mútuo, sobre o sistema analógico, etc. Devemos educar as pessoas sobre o que este sistema nos oferece.

Aqui nós os colocamos num workshop, no formato de mesa redonda ou simplesmente em círculo. Eles devem sentir que a força da união e conexão revelada entre nós cria algo que é totalmente novo, que lhes permite sentir, ousar, ser preenchidos, e o mais importante, entender e explorar o nosso mundo e tudo o mais diretamente através disso.

De repente, novas opções são reveladas, e eles começam a ver que há uma chance maior nisso, mas descobrem por si mesmos: “Por que precisamos disso?”. Então, isso não vai parecer improvável e inacreditável, ou mesmo místico e imaginário. O melhor é levá-los de forma consistente e com sabedoria para o ponto onde podem realmente sentir. Afinal, se uma pessoa é realmente apenas um órgão que quer satisfação, já que queremos simplesmente nos satisfazer, não importa com o que, então, de repente, começamos a sentir que há oportunidades aqui e não precisamos de mais nada.

Mais tarde, enquanto trabalha no grupo e ouve as palestras, a pessoa começa a entender onde ela está em seu estado atual. Então, é mais fácil para ela entender o seu estado anterior. Tudo que a humanidade passou torna-se muito simples, um curto período de desenvolvimento egoísta. Afinal, o que são 100, 200, 300 milhões de anos?

Da “Discussão sobre Formação Integral” 25/05/12

O Teto Do Crescimento Egoísta

Dr. Michael LaitmanHoje nós temos uma oportunidade que nunca tivemos antes. O método de correção está sendo revelado, e se fôssemos usá-lo, seria muito fácil para nós atingir a necessária garantia mútua e a união. Muitas pessoas da nação de Israel já entendem isso e estão se aproximando disso. Nós criamos uma grande organização, que traz à vida os princípios da garantia mútua em Israel, e eu estou cheio de esperança de que a correção acontecerá de uma boa forma. Porque senão, gentilmente falando, a nossa viagem vai ser desagradável, mas vai levar ao mesmo lugar. De uma forma ou de outra, a meta é clara: todos devem se tornar um todo único.

Pergunta: Por que especificamente agora?

Resposta: Nós vemos isso pelo estado da humanidade e da natureza. O mundo chegou a uma crise comum, e quem primeiro chegou à crise foi a parte do mundo que determina o estilo de vida, a forma e o ritmo do avanço da humanidade. Além disso, não estamos falando de problemas com tecnologia, economia, educação, cultura, ciência, vida pessoal, divórcio, drogas, depressão, que está se tornando a doença número um, e assim por diante. Não, essa é uma crise interior e muito profunda do nosso ego causada pelo fato de que a linha esquerda, egoísta, completou o seu desenvolvimento.

Ao longo dos últimos dois milênios, enquanto o povo judeu estava no exílio, o egoísmo crescente empurrou-nos para diferentes objetivos e obrigou-nos a descobrir novos continentes, construir a indústria e o comércio. Nós continuamos avançando, formando novos sistemas e mecanismos. Nós pensamos que a existência egoísta era suficiente para alcançar uma vida boa. Nos últimos cem ou duzentos anos, o egoísmo cresceu exponencialmente, mas, de repente, ele como que chegou ao “teto” e parou.

Fato: Não desejamos mais nada novo. A geração jovem não define nenhum grande objetivo: tornar-se rico ou poderoso, ou fazer descobertas científicas. Pelo contrário, o desespero e o cansaço estão crescendo, como se os jovens nascessem velhos. Eles já não têm as mesmas aspirações como antes, pois não querem saber, aprender e sobressair-se. Estudos mostram que estes desejos atingiram a saturação e enfraqueceram. Assim, a linha esquerda parou de se desenvolver e nós já não vemos a luz à nossa frente.

A natureza também está nos mostrando uma imagem triste do fim da estrada: as fontes de energia estão se aproximando da exaustão e o meio ambiente está em colapso.

A sociedade humana também está desmoronando diante de nossos olhos: as relações familiares e interpessoais estão sendo quebradas e a separação é cada vez maior. Tudo isso aponta para o final da linha de esquerda, e agora, o povo de Israel deve ativar a linha direita.

Durante os dois mil anos de exílio, o povo de Israel só avançou na linha de esquerda, juntamente com o mundo. O mundo não é capaz de avançar na linha direita, apenas o povo de Israel é capaz disso. É por isso que ele está agora entrando numa fase histórica: ele carrega a responsabilidade de perceber a linha direita e combiná-la com a linha esquerda.

Os últimos dois mil anos já introduziram a linha esquerda nos judeus. Está escrito que os filhos de Israel foram para o exílio a fim de conectar as almas das nações a eles. Esta é a linha esquerda, do egoísmo, que hoje o povo de Israel tem de sobra, ainda mais que os outros. Desta forma, a única coisa que resta para eles a fazer é perceber a linha direita dentro deles e equilibrá-la com a linha esquerda, criando a linha média. Dessa forma, eles vão mostrar a direção para o mundo inteiro, e será fácil para as pessoas aceitar este caminho.

Trecho de “Uma Conversa” 05/06/12

Tornar-se Nada E Ficar Diante Do Criador

Dr. Michael LaitmanA pessoa constantemente se anula, constantemente realiza a vontade do Criador, constantemente “envia-se para o nada” acima do desejo, crescendo nele.

No início, eu me anulo acima do pequeno desejo do nível inanimado, e depois estou como que no ventre da mãe, no “repouso de nove meses”. Em seguida, um grupo de desejos, que pertencem ao nível vegetal, desperta em mim, e novamente, eu tenho que me anular contra ele.

No entanto, a fim de me anular, para me tornar nada, eu preciso me empenhar. Através das ações opostas ao Criador, eu crio o que é chamado “ajuda contra Ele” e anulo a mim mesmo ao doar a Ele.

No final, eu não descarto nada. Todos os desejos são usados, como é dito: “Tudo é adicionado à conta geral”. Eu peço apenas para me anular, mas isso vem somente através de meu entendimento e sentimento de mim mesmo e de cada um, o mundo inteiro. Isso me permite aderir ao Criador.

Pergunta: Eu posso dizer que a auto-anulação é amor?

Resposta: O amor não se manifesta na auto-anulação, mas na grandeza, quando eu uso todas as minhas propriedades para dar, doar. Amor significa que eu doo, estabeleço conexão e em geral sou ativo.

A auto-anulação é a qualidade de um feto ou bebê, e não uma expressão de amor.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar”

Doação Em Duas Fases

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar,” Item 32: E quando a pessoa é recompensada em estar totalmente no desejo de doar e de forma alguma para si mesma, ela será recompensada com a obtenção da equivalência de forma com seu NRNHY Superior, que estende-se desde sua origem em Ein Sof, no primeiro estado, através de ABYA puro e imediatamente se estende e a veste de forma gradual.

Nós temos um desejo de receber muito grande que cresce à medida que subimos os níveis de correção. Este processo começa a partir do momento que ansiamos pela conexão.

O desejo é revelado gradualmente. Primeiro nós podemos corrigi-lo no nível de “doar a fim de doar”, que em termos Cabalísticos é chamado de Hafetz Hesed, o nível de Bina, Hassadim. Depois, nós corrigimos o desejo no nível de “receber a fim de doar”, que já é o nível de Hochma.

No nível de Bina, toda a nossa inclinação ao mal parece estar corrigida, já que pelo menos ela não tem a intenção “a fim de receber”. Depois os erros se transformam em méritos e os males se transformam em erros. Nós atingimos uma espécie de neutralidade: agora o nosso desejo de receber não mais é mal.

Então, nós continuamos nosso trabalho até que toda a inclinação ao mal se torna bem, o que significa que ela recebe em rpol da doação. Esta é a razão porque os Cabalistas, por vezes, dividem o processo em dois, a correção do desejo e sua reforma final para a doação.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 10/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar”

O Inimigo Interior

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se uma pessoa fizer nossos cursos, mas ainda estiver contra a conexão, nós podemos chamar isso de “inclinação ao mal”?

Resposta: Não. Se depois de alguns cursos eu ainda não entendo que a rejeição que sinto em relação ao grupo é má, se eu aceito essa rejeição, significa que eu não revelei a inclinação ao mal dentro de mim.

Toda a questão é ver a inclinação ao mal neste desejo negativo. Eu tenho que determinar isso por mim mesmo e não apenas ouvir sobre isso de alguém. Eu tenho que sentir que esse atributo me prejudica, pois ele não me permite entrar na spiritualidade e atingir a meta. É este atributo que está no meu caminho, e se eu não o superar, se eu não me ligar ao grupo, eu não tenho chance.

Eu tenho que ver realmente que a inclinação ao mal bloqueia meu caminho. Ela parece me deixar formar uma conexão, mas no momento seguinte ela me desconecta de meus amigos. No final, exceto por breves momentos, eu estou constantemente separado do grupo.

Será que eu percebo isso como mal da maneira como deveria? Afinal, deve-se chegar a um nível onde eu não serei capaz de permanecer no meu ego e farei tudo em meu poder para me livrar dele: “Minha morte é melhor do que a minha vida. Eu tenho que matá-lo, já que é meu inimigo”. Nós devemos sentir que este é o único inimigo que temos, oculto interiormente como um tumor cancerígeno, como uma cobra que eu preciso remover.

Mas se eu não sinto isso, eu ainda não revelei a inclinação ao mal. Então, eu ainda não preciso da Torá como “tempero”, ou seja, como um método de correção. É apenas pela revelação da tirania do mal que eu procuro uma solução. Eu estou totalmente contaminado, ele está absorvido dentro de mim e é impossível escapar. Então, o que devo fazer?

Não tendo nenhuma escolha e sentindo-me impotente, eu começo a perceber que há uma força que pode me ajudar, que é a Luz. Ela não é mais um conceito abstrato. Eu sinto que ela existe e procuro uma oportunidade de exigir dela; eu procuro pelo sentimento interno que vai me permitir atraí-la para que ela me livre do mal.

Tudo isso vem somente quando começamos o trabalho prático da conexão…

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 10/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar”

Por Que A Ética É Irrelevante

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar, “Item 28: … Então embarcarmos num novo tipo de trabalho: inserir todo aquele excessivo desejo de receber na forma de doação. Daí, ele está curado, porque agora obteve equivalência de forma. …. Só que, ao mesmo tempo, ele tem sido dado às Klipot para a purificação. Mas no final, não deve ser um corpo diferente.

Há um desejo de receber que foi criado pelo Criador. Não é o desejo que todos temos para sustentar nosso corpo animal, mas um desejo que está fora deste mundo que nos foi dado para corrigi-lo, para corrigir nossa atitude para com os outros.

Tudo que está fora da atitude para com os outros não conta. Nossa parte “animal” é caracterizada por desejos por comida, sexo, família, dinheiro, respeito e conhecimento. Não importa a forma que eles tomam, pois eles não contam.

Educação, cultura, ética e outros valores só fazem parte do nosso mundo porque nós pensamos em como corrigir a atitude de uma pessoa com essas coisas, atribuindo alguma importância a elas. Mas nós inicialmente recebemos certa instrução clara: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Este é um princípio abrangente, universal. Esta é a única coisa que temos que corrigir e a única direção que devemos visar, independentemente de todos os outros desejos. É na atitude para com os outros que a “quebra dos vasos” ocorreu, e é aí que descobrimos a Luz superior, a adesão, através da correção.

Os Cabalistas dizem que nós temos que descobrir o desejo egoísta nas relações recíprocas com os outros e reconhecer o fato de que tudo é para o nosso próprio benefício, em vez do benefício para os outros. Tudo é medido em relação aos outros, e é de acordo com este critério que chamamos de desejo de receber de “inclinação ao mal”, como os Cabalistas o definem.

Se minha força destina-se ao meu próprio benefício e não em benefício dos outros, ela é chamada de “inclinação ao mal”. Agora eu preciso transformá-la numa inclinação ao bem, de modo que a mesma força, o mesmo desejo, não será para meu próprio benefício, mas para o benefício dos outros. Por que isso? Porque com isso eu dou alegria ao Criador.

Se eu trabalho dessa forma, eu atraio a Luz que Reforma, a força que me corrige através de subidas e descidas. Agora eu considero minha boa atitude para com os outros como uma “subida”, enquanto que numa “descida” eu vejo que ainda sou contra a doação aos outros.

Eu continuo estes esclarecimentos até que todo o meu desejo de receber esteja realmente “morto” e seja  incapaz de qualquer coisa. Então, a partir do estado de morte, eu o revivo e alcanço a “ressurreição dos mortos”, e assim alcanço o Gmar Tikkun (a correção final).

Portanto, tudo ocorre dentro do meu desejo de receber que é destinado a outros: individualmente e em relação ao ambiente e, geralmente, em relação ao Criador. Nós devemos estar cientes disso, de uma maneira forte e clara.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar“

O Que Motiva Os Idealistas?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Até agora eu recebo prazer proveniente da recepção, já que não posso estar em contato com o nível superior, onde se recebe prazer proveniente da doação. O que eu posso fazer para mudar as coisas?

Resposta: Você acha que deve mudar da recepção para a doação e continuar desfrutando como se nada tivesse acontecido? É impossível simplesmente mudar de uma para outra. Afinal, você doaria egoisticamente, a fim de receber, a fim de desfrutar como antes.

Comentário: Mas eu não vou ser capaz de desfrutar a recepção se entender que o prazer proveniente da doação é muito mais sublime e não porque eu ganho algo com isso.

Resposta: Não, é impossível fazer um cálculo corporal e um cálculo espiritual nos mesmos vasos de recepção; quando você compara entre recepção e doação, você esclarece o que é mais vantajoso.

Na espiritualidade a conta é totalmente diferente; eu a faço não com base no que está no desejo, mas no que está no Criador: a fim de doar-Lhe.

Comentário: Houve muitos idealistas ao longo da história, e nós não vemos que eles receberam qualquer recompensa por suas ações. Alguns até deram suas vidas por um objetivo sublime.

Resposta: Isso é o que parece. No entanto, nossa natureza é totalmente egoísta, e é tudo um desejo de desfrutar. Nós podemos ver isso em crianças pequenas e ainda mais em adultos. Se há “matéria” não pode ser outra coisa senão o desejo de receber.

Portanto, os “idealistas” como você os vê não existem. Eles são simplesmente pessoas cujo desejo é dirigido de forma diferente, pois eles gostam de dar aos outros e se sentem bem com isso. Sua intenção é a mesma intenção de desfrutar, mas externamente ela é expressa de forma diferente, em doção.

Como um idealista é diferente de uma mãe que cuida de seu filho? Ela também lhe dá tudo. Então, por que não a chamamos de “idealista”? Porque ele é seu filho e nós entendemos que a natureza a obriga a cuidar dele, assim como fazem os animais.

Por outro lado, um idealista age para o benefício de estranhos, e não vemos o que o motiva. Mas a mesma preocupação também faz parte de sua natureza; ele desfruta dar aos outros e por isso age de acordo. No final, não há ideal aqui; é a natureza que motiva essas pessoas. Ela não trabalha contra o seu ego, mas sim de uma forma que é natural para ela. Se você a proíbe de cuidar dos outros, ela estará pronta para matá-lo, já por que com isso você a estará privando da possibilidade de desfrutar. Portanto, é o mesmo desejo de receber que dirige o idealista.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/07/12, “ Introdução ao Livro do Zohar”

A Realidade Ilusória Nas Ondas Do Egoísmo

Dr. Michael LaitmanCada um de nós contém 613 diferentes desejos, relacionados com a nossa conexão com o outro, que temos que corrigir. Primeiro eu tenho que ver que todos esses desejos são egoístas e que eu quero usar o próximo e o Criador.

Essa direção, “Israel, a Torá e o Criador”, ou seja, do amor pelas criaturas ao amor pelo Criador, primeiro trabalha sob a forma oposta: usando o Criador e as criaturas em benefício próprio. Primeiro nós temos que discernir precisamente este fato, e isso se torna revelado sob a condição de que ambas as criaturas e o Criador são usados ​​corretamente.

Na primeira fase, desejando alcançar a conexão geral com todo o universo, através das criaturas até o Criador, nós descobrimos nossas transgressões e erros, e é assim que revelamos a inclinação ao mal. Isso não acontece de uma só vez. À medida que a pessoa avança, uma pequena parte do egoísmo é continuamente revelada. Nós exigimos a sua correção, e na Luz da correção revelamos uma maior parte do egoísmo e, novamente, pedimos para que ele seja corrigido.

A Luz vem do Criador através do grupo, iluminando e corrigindo o mal que nós descobrimos, e como resultado, nós descobrimos novas ondas de egoísmo, mais fortes e mais duras dentro de nós. É assim que avançamos de pequenos erros a erros mais graves, e, depois, de pequenas a grandes transgressões, gradualmente revelando e corrigindo a nós mesmos.

Mas nós sempre aspiramos ao amor, à unificação, à unidade de Israel, a Torá e o Criador num todo. Nós desejamos que o Criador se torne santo, “separado”, especial, ou seja, que a qualidade de doação seja sempre o maior valor para nós. É assim que ocorre o progresso.

E o aspecto mais importante deste trabalho é compreender que todas as correções estão concentradas fora da pessoa. Seu progresso espiritual ocorre fora dela. E fora dela só há a Shechiná e o Criador que a preenche.

Uma pessoa imagina que há um mundo inteiro em torno dela: inanimado, vegetal, animal e humano, mas tudo isso é apenas sua ilusão, sua imaginação. Na realidade, nada disso existe. Quando a pessoa começa a revelar a verdadeira realidade, ela descobre que tudo é desprovido de espírito de vida, e é animado apenas pela força superior do Criador, que está por trás de todas essas imagens e sombras. Por si só elas são apenas vestimentas, embalagens, não tendo preenchimento interior.

Esperemos revelar esta verdade de forma rápida e começar a trabalhar verdadeiramente com o Criador através destas vestimentas.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/12, Escritos do Rabash

Eu Escolho Vocês, Irmãos!

Dr. Michael LaitmanSe a pessoa compreende a natureza de seu trabalho, ela começa a tratar o seu ambiente de maneira diferente, porque vê que não tem vontade própria e que tudo vem do Criador. É por isso que ele não permite que ela seja considerada uma criatura.

Ela será chamada de criatura quando se virar para o ambiente e receber o desejo dele. Então esses desejos serão registrados em sua conta.

Ou seja, ela precisa abaixar a cabeça e entender que apenas os desejos que recebe do ambiente são chamados de Shechiná, o lugar para a revelação do Criador, que é chamado Shochen (Morador). É por isso que a inclusão no grupo é totalmente obrigatória para o avanço espiritual.

Diz-se que é necessário amar os amigos: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Afinal de contas, nessa conexão mútua, chamada de amor, a pessoa revela o mundo espiritual, o Criador.

Na verdade, eu não escolho os amigos. Minha escolha vem depois. No início, o Criador me traz ao grupo, e eu não tenho qualquer liberdade aqui. Minha escolha inicia mais tarde, quando eu realmente me conecto com eles e devo responder a pergunta: Por que eu preciso e o que quero receber deles?

Assim, eu avanço, cada vez escolhendo os amigos, porque tenho que ver todos eles como grandes, apesar do fato deles parecerem para mim cada vez mais insignificantes e vazios. Isso significa que eu os escolho, porque agora eu escolho precisamente esses amigos que o Criador me deu para o avanço espiritual.

Desta forma, eu avanço e construo sozinho um novo desejo. Este próprio desejo que recebo do ambiente e no qual quero me tornar semelhante ao Criador, para revelar a força de doação, é chamado de ser humano.

Todo mundo é obrigado a mostrar o seu amor pelo grupo, porque nós temos que apoiar uns aos outros, que é chamado de garantia mútua. Todo mundo se torna uma garantia para o resto, que todos eles terão força o suficiente para revelar a força de doação e atingir equivalência com o Criador. É por isso que eu sou responsável por todos, eu assinei a sua garantia. Sua espiritualidade está em minhas mãos, assim como a minha espiritualidade está em suas mãos. E se um de nós fizer um buraco no barco comum, todos nós vamos nos afogar em nosso egoísmo, nossas intenções egoístas, e não seremos capazes de revelar o Criador.

É por isso que, quanto mais avançamos em direção à revelação do Criador, mais rigorosas e exigentes se tornam as condições. Nós precisamos entender que estamos diante das leis da natureza da Luz e do desejo, e não pode haver compromissos e concessões. Tudo é feito de acordo com as leis das relações entre essas duas forças.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/07/12, Escritos do Rabash

Um Salto Para Uma Nova Dimensão

Dr. Michael LaitmanComentário: Antes de saltar de paraquedas, a pessoa precisa preparar sua mente para o salto, e há um instrutor que a ajuda nisso. Normalmente, são os professores quem muitas vezes empurram seus alunos em direção ao passo decisivo. Até onde eu entendo, a coerção é proibida no método integral, e um professor, uma pessoa que já existe dentro da sensação integral, não tem o direito de fazer tais coisas.

Resposta: Como eu posso empurrar um estudante? Ele deve se esforçar por si mesmo, fechar os olhos e saltar do avião.

Ele precisa fazer um esforço interno, concentrar-se de tal maneira para reconhecer a necessidade de se unir com os outros. Somente nesta união, quando ele salta para fora de si mesmo, não de um avião, numa associação e integralidade, além de si mesmo e do outros, da recepção para a doação, quando ele faz essa inversão, esse salto, mas ao mesmo tempo se transforma de dentro para fora, só então ele pode experimentar isso.

Além disso, há uma força na natureza que não pressiona, mas nos ajuda a fazer esta mudança, esta transição de fase. Ela age somente com a condição de que exijamos a sua influência e ajuda. Esta é a chamada MAN (oração) que precisa ser formada na pessoa, isto é, uma necessidade urgente de mudar a si de recepção, sendo egoísta como uma célula cancerosa, para a doação, sendo compassiva, emanadora e preenchendo todos os outros.

Esta força é capaz de nos mudar e ela existe na natureza. Mas ela não existe em cada um de nós separadamente; ela só aparece quando nos reunimos, e em nosso círculo criamos uma comunhão entre nós, o nosso esforço comum dirigido à mudança. Então, cada um de nós e todos nós juntos passamos por essa mudança: nós nos tornamos um todo comum. Depois, ao nos afastarmos dela, nos tornamos egoístas novamente.

Assim, esta força nos constrói num todo único, sem alterar cada um de nós separadamente, mas precisamente o grupo inteiro de pessoas que se apóiam mutuamente e elevando este objetivo, criando uma demanda tão comum que realmente atrai até eles a força da natureza que os transforma. Mas para que isso nos influencie, nós precisamos ter acumulado certo potencial para isso. Daí a força nos mantém. Esta é a força doadora da natureza.

Duas forças existem na natureza: recepção e doação. Nós nunca usamos a força de doação. Ao desejar satisfazer a nós mesmos, nós sempre usávamos apenas a força egoísta e lidávamos apenas com ela. Agora, nós estamos perdendo gradualmente o desejo de trabalhar com ela e, desta forma, estamos chegando à revelação da próxima força.

Em nosso método, isto é conhecido como as duas linhas, onde a linha da esquerda é a que recebe e a da direito a que doa. Com a ajuda destas duas linhas, nós começamos a trabalhar no respeito mútuo e subimos à nova dimensão ao longo dos degraus da escada da realização, sensação e realização.

Da “Discussão sobre Formação Integral” # 33, 25/05/12