“Pessach E A Sociedade Israelense” (Times Of Israel)
Michael Laitman, no The Times of Israel: “Pessach E A Sociedade Israelense”
É Pessach. Além de ser o feriado da libertação da escravidão, há o costume de usar algo novo em Pessach. É uma daquelas épocas do ano em que tentamos trazer algo novo para nossas vidas. De fato, há muito que gostaríamos de renovar na sociedade israelense. A divisão está se aprofundando, o ódio entre as facções da sociedade está se intensificando, a corrupção e a violência abundam em todos os lugares, as taxas de divórcio estão subindo e as famílias que ainda sobrevivem estão lutando, e o relacionamento com nossos vizinhos árabes é (literalmente) explosivo. Enquanto todo mundo quer se tornar primeiro-ministro e promete resolver tudo, a realidade prova que ninguém faz ideia. Então, que novidade podemos oferecer a nós mesmos que realmente tornará as coisas melhores?
A “novidade” que precisamos é, na verdade, retornar às nossas raízes, às raízes de nosso povo, à base sobre a qual nossa nação foi estabelecida. Qualquer nação pode viver como quiser. Nós também escolhemos há muito tempo e, desde que nos apeguemos à nossa escolha, estamos felizes. Quando nos desviamos disso, é aí que os problemas começam.
Nossa escolha começou quando Abraão, o pai de nossa nação, quis entender o que estava acontecendo ao seu redor. Ele era um homem curioso, e na Babilônia, onde Abraão viveu, os egos das pessoas estavam exaltado. As pessoas deixaram de se entender e se tornaram violentas e beligerantes, como escreve o livro Pirkei de Rabi Eliezer, “metade do mundo morreu ali pela espada”.
Abraão percebeu que a existência só é possível através da complementaridade e conexão entre as pessoas, caso contrário as pessoas destruirão umas às outras. Ele entendeu que a natureza nos criou diferentes não para lutarmos um contra o outro até a morte, mas para nos complementarmos e nos beneficiarmos de nossa conexão.
Abraão explicou o que havia encontrado para todos ao seu redor. Pessoas que simpatizavam com suas ideias se juntaram a ele e formaram uma comunidade que Maimônides se referiu como “o povo da casa de Abraão” (Mishneh Torá, Capítulo 1). Essa foi a origem da nação judaica. Com o passar do tempo, nossos líderes e sábios aperfeiçoaram o ensinamento, mas permaneceram fiéis ao princípio das diferenças que se complementam e, assim, criam um vínculo mais forte do que seria possível se não tivesse sido formado pela elevação acima das disputas. O rei Salomão articulou este princípio no versículo: “O ódio suscita contendas, e o amor cobre todos os crimes” (Prov. 10:12).
O princípio da unidade acima da divisão e da disputa é único. Até então, e desde então, o comportamento padrão da humanidade era que quando há uma disputa, uma luta irrompe e o vencedor impõe seu caminho e vontade ao perdedor.
Porque Israel foi o único que concebeu uma conduta diferente, e por algum tempo até a realizou, eles foram ordenados a espalhar a informação sobre seu caminho para o resto do mundo. Eles se comprometeram com a lei da unidade ao pé do Monte Sinai, onde e quando se comprometeram a se unir “como um homem com um coração”, e foram prontamente ordenados a serem “uma luz para as nações”, ou seja, para dar o exemplo de unidade e amor ao próximo.
Essa é a nossa antiga raiz, a escolha que nos tornou uma nação. Até que voltemos a ela, não conheceremos a paz e a felicidade em nosso país.
Desde aqueles tempos antigos, nos desviamos muito do nosso princípio central. Para voltar a ele, devemos facilitar um processo educacional que nos coloque de volta no caminho da unidade acima da divisão. Não devemos suprimir nossas diferenças ou escondê-las, mas determinar que acima de nossas diferenças políticas, sociais, culturais e todas as outras, coloquemos um dossel de unidade, que a unidade é o valor supremo, e tudo o mais é secundário a ela.
Assim como os filhos de Israel foram redimidos do Egito quando se uniram sob Moisés, assim como alcançaram sua nacionalidade quando se uniram como um, devemos nos realinhar com nossos ancestrais e nos tornar um exemplo de unidade para todas as nações.
Pessach simboliza a passagem da escravidão para a liberdade. É hora de nos libertarmos do ódio e o libertarmos vestindo algo novo para Pessach: o amor ao próximo, o lema de nossa nação.