Os Devedores

Dr. Michael LaitmanPergunta: A divisão em partes internas e externas entre “Israel” e as “nações do mundo” deve ser mantida quando o mundo inteiro atingir o fim da correção?

Resposta: Não. As letras da palavra hebraica “Israel” significam Li Rosh (eu tenho uma cabeça). Esta é a ordem da correção geral, aquela que é evocada e a qual é dado um desejo especial chamado “Israel”, e ela deve cuidar de todo o mundo servindo como elo entre o Criador e os seres criados. Não é um desejo comum já que o “ponto no coração” o gerencia pela conexão com o Criador. O atributo de doação foi inserido neste desejo, a parte posterior de Nefesh da Santidade. Este é o significado de “Israel”, Yashar El (direto ao Criador). Não se trata de certas pessoas, mas sim de um tipo especial de desejo que está conectado ao Criador, uma vez que tem o discernimento do que é doação. Apesar de ter sido oculto e fragmentado, ele ainda existe.

Como os desejos onde esta centelha (o discernimento de doação) não existe podem ser corrigidos? É possível se eles adicionarem Israel como sua “cabeça”; se as duas partes se conectarem e trabalharem juntas.

O mundo inteiro é a essência do desejo de receber que deve ser corrigido. Mas ele só pode fazê-lo através da conexão com outro desejo onde há uma centelha de doação. Portanto, as “nações do mundo” não são obrigadas a se corrigir. Por outro lado, sentem tristeza e dor, pois “Israel” não as corrige.

Este é o lugar de onde deriva o ódio que o mundo sente em relação a Israel. Claro, ninguém percebe isso, mas inconscientemente, de acordo com sua natureza, essas pessoas o sentem e expressam suas reivindicações abertamente.

A correção é o papel daqueles que pertencem a “Israel”. Eles têm que corrigir a sua atitude para com as nações do mundo o mais rápido possível. Na verdade, não há nada a corrigir em “Israel”, exceto a parte das “nações do mundo” neles. Se “Israel” processar corretamente esses desejos neles, elas vão entender como tratar os outros. Falando em termos cabalísticos AHP de Bina explica a Bina a forma como ela deve tratar ZON.

Assim, devemos primeiro corrigir “as nações do mundo” em nós, nossa parte externa, que nos permitirá conectar com a parte interna do mundo. Esta é a ordem da correcção. É nosso dever, e se não fizermos esforços para realizá-lo o mais rapidamente possível, os problemas logo chegarão. Chegou a hora, e as nações do mundo vão começar a nos pressionar, uma vez que a inclusão mútua que foi criada como resultado do exílio lhes permite sentir que Israel lhes deve.

Diz-se: “Por que foi chamado Monte Sinai? Uma vez que o ódio das nações do mundo desceu dele”. “Uma vez que Israel recebeu o método da correção. Então de onde é que todos os nossos problemas vêm? De Israel, uma vez que ele não cumpriu o que recebeu”. O método da Torá, obriga-nos imediatamente, enquanto a força superior gerencia as nações do mundo, e assim seu ódio é justificado.

Mas nós estamos avançando “contra a corrente”, esperando que os problemas desapareçam por si mesmos, sem a correção da nossa parte. É um absurdo. Afinal, estamos lidando com a força que evoca a correção. Não devemos nem pedir ou orar para que o ódio que as nações do mundo sentem por nós desapareça do mundo; só devemos nos esforçar para que ele seja corrigido. Aqui, também, não é porque seja um fenômeno desagradável, mas, pelo contrário, temos que ser gratos por ele, já que ele nos incita a nos voltar para o Criador.

Portanto, é um paradoxo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 05/06/12,“A Arvut (Guarantia Mútua)”