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Cabalistas Sobre A Torá E Os Mandamentos, Parte 31

Dr. Michael LaitmanCaros amigos, por favor, façam perguntas sobre estas passagens dos grandes Cabalistas. Os comentários entre parênteses são meus.

O que é a Oração?

Quando ocultação (da espiritualidade, o pensamento sobre a doação e o amor dos outros) subjuga a pessoa e esta chega a um estado onde o trabalho (conquista da propriedade de doação e amor ao próximo) torna-se insípido, e ela não consegue imaginar e sentir qualquer amor (pelo Criador, a única propriedade de amor) ou temor (que não será capaz de responder a Ele com o mesmo amor que recebe Dele), não consegue fazer nada em santidade (alcançá-la por sua própria força), então o seu único conselho (é assim que isso é revelado a ela) é chorar ao Criador para que tenha piedade dela (uma vez que ela já não pode mais por si mesma) e retire a venda (o escudo de seu egoísmo) de seus olhos e coração.

A questão de chorar é muito importante. É como nossos sábios escrevem: “Todos os portões estavam trancados, exceto o portão das lágrimas”. O mundo pergunta sobre isso: Se o portão de lágrimas não está trancado, qual é a necessidade dos demais portões? (Por que a pessoa não pode entrar no mundo superior diretamente pelo portão das lágrimas?). Ele disse que é como uma pessoa que pede ao seu amigo algum objeto necessário. Este objeto toca seu coração, e ela pede e implora a ele através de todas as formas de oração e súplica. No entanto, seu amigo não presta atenção. E quando a pessoa vê que não há mais razão para orações e súplicas (não vê outra solução),  ela eleva sua voz em choro (como resultado da desesperança e do desespero; desespero porque ela quer desesperadamente alcançar o que é desejado, e desesperança porque se convenceu que isso está além do seu poder).

Diz-se sobre isso: “Todas os portões estavam trancados, exceto o portão das lágrimas”. Portanto, quando que o portão das  lágrimas não foi trancado? Precisamente quando todos os portões (que a pessoa experimentou na tentativa de entrar no mundo superior) foram bloqueados (ela tornou-se pessoalmente convencida da sua inutilidade). É quando (ela pessoalmente vê) há espaço para o portão de lágrimas, e ela percebe que ele não estava trancado (para ela, e só então ela é capaz de usá-lo, isto é, suplicar realmente pela redenção do egoísmo e aquisição da propriedade de doação).

No entanto, quando o portão da oração é aberto, o portão das  lágrimas e do choro é irrelevante. Este é o sentido do portão das  lágrimas que está sendo trancado. Portanto, quando o portão das  lágrimas não está trancado? Exatamente quando todos os portões  estão trancados, o portão das lágrimas esta aberto. Isso é  porque a pessoa ainda tem o consolo da oração e da suplica.

Este é o significado de “A minha alma chorará em segredo”, ou seja, quando a pessoa chega a um estado de ocultação, e depois, “Minha alma chorará”, porque ela não tem outra opção.
Baal HaSulam, Shamati (Eu Escutei), Artigo No. 18, “O Que Significa Minha Alma Chorará em Segredo”

A União De Vinte Bilhões De Pessoas

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós vemos que o homem é um predador. Todo o significado de sua existência é para devorar o seu vizinho e chegar ao seu próprio objectivo. Se alcançarmos a garantia mútua e a população da Terra aumentar para 20 ou 25 bilhões, como é que tudo isso realmente vai acontecer?

Resposta: Qual é o problema de ter vinte bilhões de pessoas? Imagine que todos eles são seus parentes e você se sente como um todo com eles. Não te incomoda nada que eles estejam juntos com você. Pelo contrário, você muda sua atitude para com eles: Você se sente bem quando todos estão o mais perto possível de você.

Pergunta cont.: Mas o que acontecerá se não houver limites?

Resposta: Cada pessoa faz um limite em si mesmo. Imagine uma mãe que tem vinte milhões de crianças. Será que este número a preocupa, se ela tem tudo o que precisa? Ela existe no mundo do Infinito, ou seja, no mundo da Luz absoluta, da satisfação, da realização e da abundância.

Naturalmente, é difícil imaginar como uma pessoa muda. Mas se você está ao lado de seu amado e realmente o ama, sem qualquer cálculo, então você quer ficar com ele o tempo todo. Você sempre quer estar ao lado dele e tão perto quanto possível.

Então, qual seria o problema de ter vinte bilhões de amados? Você não vai sentir que há vinte bilhões de pessoas. Você vai sentir que elas estão todas juntas com você. Este estado é o mais conveniente e confortável.

Na realidade você não vai dividi-las em vinte bilhões, mas só há um você. Isso se chama inclusão.

O nosso obstáculo é um problema psicológico. Não podemos imaginar como isso vai acontecer. Nós imaginamos que existimos num corpo, mas quando atingimos a garantia mútua, em vez dos corpos sentiremos o potencial interior de cada pessoa.

Da 2a Lição da Convenção em Berlim em 28/01/11

Teste De Lealdade

Dr. Michael LaitmanRabash, Shlavey HaSulam (Degraus da Escada), Artigo “A Oração de Muitos”: Está escrito no sagrado Zohar (Beshalach – Quando O Faraó Saiu – e no comentário Sulam, ponto 11), “E ela disse: ‘Eu habito no meio do meu povo’. Ele pergunta: ‘O que significa isso?’. Ela responde: “Quando Din (juízo) está presente no mundo, a pessoa não deve afastar-se do coletivo e ficar sozinha, porque quando Din está presente no mundo, os que são observados e notados sozinhos são capturados em primeiro lugar, mesmo que sejam justos.

Nós entramos em  sintonia com a força superior através do Zohar. Somos informados de como sintonizar-nos para compreender esta força, o que leva à sua percepção e revelação. “Din” é uma de suas manifestações sob a forma de justiça. A transgressão de uma ou de todas evoca uma ação recíproca correspondente. Sob nenhuma circunstância deve o homem separar-se da sociedade a sua volta.

Como isso acontece? Diferentes ações e sensações são evocadas em nós. Isso me da a oportunidade de manter-me na sociedade, acima e apesar destas dificuldades e sensações, mesmo se, ao me separar da nossa sociedade, eu imediatamente sinto-me confortável e evito problemas. Todo mundo está sendo punido, mas posso afastar-me. Eles ainda me dizem: “Você pode afastar-se, isso não lhe diz respeito”.

E ainda, mesmo que os justos não pequem juntamente com o resto, eles são julgados em primeiro lugar quando se separam deles. Em outras palavras, o homem está a ser testado desta maneira para saber se quer entrar no egoísmo do mundo e permanecer em seu confortável estado “burguês”, ou se está disposto a permanecer junto com todos, em um pacote, para alcançar o mundo superior, mesmo que isso o torne desconfortável.

Por isso, a pessoa nunca deve afastar-se dos demais, porque a misericórdia do Criador é sempre em relação a todas as pessoas juntas. É por isso que ela disse, “Eu habito no meio do meu povo, e não desejo afastar-me deles”.

A atitude da força superior sempre se manifesta em relação a todos juntos e nunca em relação aos indivíduos em particular. “Entre o meu povo” significa, entre aqueles que querem se unir.

Nós precisamos levar isso em consideração. Quando estamos em grupo e começamos a sentir os atritos, as ações egoístas, precisamos entender que estamos sendo “manipulados” de propósito. Se nós ainda nos uníssemos, independentemente destes “jogos” (a cada hora, a cada momento), seriamos elevados.

Mas se tivéssemos algum ganho em ficar longe dos problemas, recusando-nos a resolvê-los em vez de subir acima deles na união, naturalmente voltariamos a ficar submersos em nossa vida diária e deixaríamos de entender o que a Cabalá nos diz.

Da Lição 2 en Moscou 16/01/11, “A Oração de Muitos”

Alegre-se Que O Mal Se Revela Em Você

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu gostaria de saber: onde reside dentro de mim a inclinação ao mal? É no coração ou no ego? Como posso encontrá-la, a fim de livrar-me dela?

Resposta: O Baal HaSulam escreve que se alegrou com a revelação de novas qualidades más dentro de si, porque elas não são novas, mas estão ocultas na pessoa, e não se sabe quando todo o nosso mal será revelado em nós, que ainda não foi revelado.

Na verdade, os tempos em que o mal se revela são desagradáveis. A pessoa começa a devorar-se, porque não concorda com isso e não quer isso. Essa abordagem também precisa ser corrigida.

Para dizer a verdade, nós só podemos ficar feliz quando o mal se revela, mas não como masoquistas. Se esse mal atingir a medida necessária, a pessoa explodirá e produzirá tal contestação interna, tal sentimento emergirá em seu coração, que ela receberá uma revelação do Alto.

Então, em relação ao seu coração, ela sai de outras pessoas e começa a sentir o mundo espiritual, que não pode ser sentido dentro de você, mas apenas nos desejos das outras pessoas. No entanto, este é um sentimento bom. Assim, a pessoa experimenta cada momento como uma grande aventura, onde seus desejos e intenções começam a abrir-lhe o mundo.

Da Leitura no Salão do “Kabalah L’Am” em 21/12/10

Reincialização Da Percepção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na espiritualidade, por que nós temos que formar um desejo para cada novo prazer?

Resposta: Porque na espiritualidade não há prazer sem desejo. Sem desejar, você não conseguirá nada. E o desejo tem que ser novo a cada vez. Estes não são os desejos com os quais você nasceu no nosso mundo.

Quando nós nascemos aqui, nossos sentidos ainda não funcionam. Um bebê praticamente não percebe nada. Ele não ouve ou vê. Ele só tem algumas reações no nível animal. Então, nós imediatamente começamos a bombear e enchê-lo com os nossos programas de percepção.

Se nós dotássemos esta criatura que acabou de sair do ventre da mãe com outros programas, nós a transofrmaríamos em algo completamente diferente. Nós seríamos capazes de construí-la espiritualmente. Isso depende da educação, da criação, do método de desenvolvimento.

Com a nossa atitude desde o primeiro dia, nós criamos a criança para ser egoísta. Não obstante, ela está aberta a tudo: ela pode ouvir e ver de maneira diferente, pode perceber o mundo de forma oposta. No final, tudo depende do ambiente.

Agora, com a ajuda do ambiente, através do mesmo princípio, nós devemos transformar a nossa visão do mundo, a nossa atitude perante a vida.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/12/10, Escritos do Rabash

A Vida Vai Parecer Maravilhosa…

Dr. Michael LaitmanHá um movimento muito claro, seqüencial e gradual no mundo espiritual. Se eu não tenho a sensação de fome, o desejo pelo próximo nível, eu não tenho um Kli (vaso ou qualidade) para sentir isso, e, portanto, não sinto isso.

Um limite é necessário. Eu tenho que ascender do meu estado atual, o desejo # 1, para o estado seguinte, o desejo # 2. Se eu tiver subido para o nível seguinte, o desejo # 2, eu sinto a fonte da Luz que está lá.

Mas se eu ainda não tiver atingido esse desejo e estou em algum lugar no meio, em um dos 10 níveis intermediários (chamados 10 Sefirot), eu não sinto o próximo estado. Eu tenho que atingir o último nível, e só depois de atravessá-lo eu começo a sentir o próximo estado. Este é um método corpuscular preciso, onde tudo é formado por degraus, exatamente como quantuns em um átomo. E nós não podemos fazer nada em relação a isso.

Portanto, há um estado intermediário entre o meu desejo inicial, no qual senti certo tipo de satisfação, onde parecia que o sol estava brilhando, e meu segundo desejo. Este estado intermediário é sentido como vazio, fome e sofrimento. Mas se eu sei que estou avançando, que este é um processo cumulativo que vai acabar, e que vou alcançar felicidade e satisfação, então até mesmo este processo é necessário para eu atingir um novo desejo e, portanto, ele me direciona para a frente de forma correta.

As sensações dos estados ruins, confusão, incerteza e vazio, me levam para a frente, ajudando-me a avançar mais rapidamente. Se eu sentisse algum tipo de prazer e realização nesses estados, eles iriam me afastar contra a minha vontade e seria muito difícil para eu avançar. Eu não aspiraria avançar por bondade e por todas as coisas que são agradáveis, porque o meu egoísmo imediatamente me forçaria a sentar e relaxar.

Portanto, nós devemos nos relacionar com o sofrimento da maneira certa, compreendendo sua natureza de metas específicas e sabendo usá-lo corretamente. Assim que eu o conecto ao objetivo certo, esse sofrimento se transforma em antecipação do maravilhoso prazer que está para vir.

Se nós dominarmos este método, a vida parecerá maravilhosa.

Da 1ª Aula na Convenção de Berlim 28/01/11

A Internet Como Aceleradora Da Evolução

Dr. Michael LaitmanPergunta: Embora a Internet facilite a conexão entre as pessoas, nós ainda usamos essa infraestrutura com nossos interesses egoístas. Como podemos mudar isso e utilizar o mesmo sistema em prol da doação?

Resposta: Isso só pode ser feito ao se reconhecer o próprio mal. Mas, enquanto isso, nós usamos a Internet como o nosso egoísmo manda. E isso nos leva à verdadeira imundície: veja o quanto a Internet está cheia de sexo, pornografia, violência e mentiras. No entanto, por outro lado, também existe infantilismo e fantasias. Isso abre ao jovem o mundo dos adultos e, geralmente, demonstra para cada um de nós o lado escuro da vida.

Eu acho que ela serve como um enorme e poderoso acelerador da evolução humana.

Do programa de TV “Pergunte ao Cabalista” 20/01/11

A União Sempre Prevalece

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como a pessoa pode dizer que está agindo a partir do ponto no coração, ao invés de evitar o sofrimento do mundo exterior?

Resposta: Será que a pessoa age no grupo a partir do ponto no coração, em vez do seu egoísmo? Será que ela se dirige ao grupo ao invés do mundo exterior? Ela o faz se ela coloca os desejos, objetivos, meios e esforços dos seus amigos acima dos seus próprios.

E se os amigos estiverem errados? Eles sempre estão certos. Na verdade, mesmo que eles estejam errados, que diferença isso faz para mim? O mais importante é que eu sou parte deles. Essa é a única opção que tenho.

Suponhamos que todos eles estejam contra a minha opinião. Eu estou cem por cento certo, mas eles estão unidos como um só. Isso significa que tenho que anular a mim mesmo e ir junto com eles. No entanto, eles estão errados, não estão? Isso não importa. No mundo espiritual, o coletivo, a conexão, sempre prevalece.

Cerca de dois mil e quinhentos anos atrás, havia um grande sábio, o rabino Yossi. Ele tinha, digamos, uma dúzia de estudantes. Certa vez, ele foi convidado para ir a outro lugar, mas respondeu: “Eu não posso deixá-los, porque eu vou perder tudo que há dentro de mim”.  Isto ocorreu apesar do fato dele ser um grande sábio daquela geração. Quem eram os seus estudantes em relação a ele? “Eles são irrelevantes”, disse ele, “mas quando eles estão juntos, eu me conecto a eles e recebo tudo através eles. Sozinho, eu não posso receber nada diretamente”.

Afinal, o vaso de recepção, o detector, o localizador, é o grupo. Deixe o grupo ser constituído por pessoas sem importância, principiantes; não importa quem. Se eles se unirem entre si, isso é suficiente. Um sábio que se conecta a eles acrescenta-lhes sensibilidade e, assim, percebe tudo.

Sozinhos, eles não entendem ou sentem nada. Eles apenas se amontoaram como bezerros. No entanto, ao unir-se a eles, ele recebe a Luz que não teria recebido sem isso. Ao realizar gradualmente a sua união através dele, eles também começam a crescer. Isso é o que está acontecendo no mundo. Portanto, apenas a união traz o resultado correto.

Há uma grande quantidade de pessoas “inteligentes” no grupo, muito inteligentes, individualistas, e suas conquistas não valem nada! Quando eu considero o resultado que temos que alcançar, como grupo, eu tenho certeza: mesmo que a pessoa seja inteligente, crie grandes idéias, execute qualquer tarefa de forma brilhante, e consiga resultados surpreendentes, tudo isso, no final, não leva a lugar algum. Se ela não tem direção espiritual, não vai crescer como resultado de seus esforços, embora, exteriormente, tudo possa parecer perfeito.

Todas as coisas espirituais são alcançadas somente através da união. Se os principiantes se juntam, mesmo que eles sejam pequenos, ao unirem-se, eles conseguem resultados superiores aos indivíduos que são grandes, sábios, e talvez já Cabalistas. O rabino Yossi não teria conseguido nada sem o seu grupo. É por isso que ele não o abandonou.

Da Lição 2 em Moscou 16/01/11, “A Oração de Muitos”

Quanto Pior, Melhor

Dr. Michael LaitmanPrecisamos entender que a solução para os problemas modernos não é domesticar o nosso egoísmo, mas elevar-nos acima dele. É por isso que a sabedoria da Cabalá não é tão simples, pois está acima do nível dos métodos que ensinam como gradualmente assumir o controle e reduzir a sua inclinação ao mal.

A Cabalá diz: Não, de forma alguma você precisa lutar contra o seu egoísmo. De qualquer maneira, você não ganhará essa guerra, porque o seu egoísmo só continuará crescendo. Além disso, ele é mais inteligente do que você e sempre irá embora e levará tudo com ele.

Você só precisa aprender a afastá-lo de você, para fora. A sabedoria da Cabalá é a ciência que nos ensina a trabalhar com egoísmo. É uma ciência muito complexa, pois inclui quase tudo que existe. Ela nos permite empregar corretamente o nosso egoísmo, e como o nosso egoísmo continua crescendo, ganhar cada vez maiores oportunidades de sair de nós mesmos e alcançar o que nos rodeia.

Não é fácil explicar às pessoas que a transformação não está em reduzir o egoísmo de alguém, mas sim, em aplicá-lo corretamente. Quanto mais egoísta você for, melhor. As pessoas não compreendem isso, perguntando-se: “Como isso pode ser melhor? Quanto mais prejudicial eu sou para outros, quanto mais invejoso, ganancioso, frugal e esperto eu sou, melhor?”. Isso mesmo!

Ainda assim, você se pergunta: “Como é que isso pode ser bom? Você está errado: nós precisamos eliminar todos esses vícios. Uma pessoa boa é alguém que não tem nenhum deles”. Mas isso não é assim! Uma pessoa boa é alguém que tem muitos miasmas egoístas, mas ela os transforma em uma conexão com os outros. Sua aspiração não é usar todos os seus terríveis atributos de alguma forma, mas sim, reciclá-los em bons. Nós devemos reciclá-los, mas nunca aniquilá-los.

É muito difícil explicar isso, mesmo para pessoas inteligentes e de pensamento profundo. Hoje estamos testemunhando um desequilíbrio com a natureza e a discórdia na sociedade, em nossas vidas pessoais, e todo o resto. Isto é para melhor ou para pior? É certamente para melhor! Quanto pior, melhor!

É difícil as pessoas entender isso. Esse entendimento não acontece de uma só vez. Mas tenha paciência; pouco a pouco, tudo se encaixará.

Da 2ª Lição Na Convenção de Berlim, 28/01/11

Sob O Chicote Do Egoísmo Universal

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que, especificamente, nós precisamos trabalhar em nós mesmos dentro de um grupo? Por que não podemos trabalhar em nós mesmos através da interação com o mundo exterior?

Resposta: Em primeiro lugar, temos de trabalhar entre nós em um grupo, ao invés do mundo exterior, porque os Cabalistas recomendam isto. Por que eles recomendam isto especificamente? É porque, juntos, precisamos criar um desejo comum, que terá qualidades semelhantes às qualidades do Criador, e então seremos capazes de revelá-Lo.

Se eu abordasse uma pessoa na rua e lhe dissesse, “Vamos nos amar”, ela poderia pensar que eu sou gay. Na realidade, a qualidade do amor é a qualidade do Criador. É Sua principal qualidade que se revela diante de nós. Eu preciso atingir esta qualidade de uma forma ou de outra. Como eu faço isso? Somente ficando com pessoas que me entendem.

Então, isso significa que nós devemos unir nossos desejos, sentir-nos uns aos outros como se estivéssemos juntos, como um todo. O egoísmo universal comum empurra-nos nessa direção.

A globalização, a interconexão que está sendo revelada, os golpes da natureza, tudo isso nos move em uma direção, nos obriga a ficar mais próximos, a “amontoar-nos” como pequenos animais que não têm onde se esconder. Todas as desgraças que estão prestes a se abater sobre nós nos forçarão a nos aproximarmos. Devemos nos tornar mais próximos interiormente, em vez de simplesmente nos aglomerarmos em um só território.

A Natureza irá trabalhar de forma sistemática; ela vai bater em um só lugar. É por isso que precisamos “nos amontoar” com as pessoas que nos entendem e, juntos, criar um desejo comum. Assim que o criarmos, este será o grupo transformando-se em um só coração, um desejo. Então, conforme a nossa unificação, vamos sentir o Criador: a manifestação da Luz de Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya, e Yechida entre nós.

Todas as almas estão incluídas entre si em todo o mundo, mas sendo parte delas, nós já nos unimos e deixamos passar toda esta Luz através de nós. Agora, ela gradualmente flui sobre as outras almas, e elas também começam a despertar. De repente elas começam a sentir que temos um tipo especial de realização. E as pessoas vão se sentir atraídas por nós. Vamos senti-las regozijando.

Mas para que isso aconteça, primeiro você precisa realizar uma condição especial, de modo que haja Luz em você. É por isto que você não pode trabalhar com outras pessoas que não possuam isso. Isto flui como resultado da correção dos mundos, e a Cabalá formula isso. Por quê? Porque esta é a lei da natureza.

Nós precisamos começar com os desejos não corrigidos que estão mais próximos da Luz. Ao corrigi-los, podemos utilizá-los para descer a um nível abaixo, até os desejos que estão menos corrigido. À medida que os corrigimos, descemos até os desejos ainda menos corrigidos. Estamos constantemente indo de um trabalho mais fácil para um mais difícil. É desta forma que evoluímos em nossas vidas. Nós resolvemos todos os problemas de forma gradual, do simples ao complicado. Esta é a lei da natureza.

Da Lição 2 em Moscou, 16/01/2011 “A Oração De Muitos”