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Como Falar Sobre Um Mundo Desconhecido

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é muito mais fácil manter a intenção correta ao ler o Estudo das Dez Sefirot (TES) que ao ler O Zohar?

Resposta: A questão é que precisamos de uma linguagem para explicações. Afinal, não há palavras no mundo espiritual e os Cabalistas tem que usar a linguagem dos ramos, que nos confunde.

A linguagem dos ramos é boa para aqueles que já estão no mundo espiritual. Se eu estou acima da Machsom (barreira), eu não tenho problema com a compreensão, não importa a linguagem da explicação. Isso é porque eu realmente sinto este mundo, eu o entendo e percebo no nível dos 125 graus ao qual eu ascendi. Eu vou entender o que está acontecendo a partir da explicação da mesma forma que entendo um conto sobre este mundo com o qual estou familiarizado.

How To Speak About An Unfamiliar World

Mas se eu estou abaixo da Machsom, eu sou incapaz de compreender a linguagem alegórica dos ramos. É mais fácil para eu entender a linguagem do TES, que fala em termos técnicos e usa definições espirituais, nomes das Luzes, Sefirot, Partzufim, e as alturas dos níveis. Eu posso entender isso de alguma forma; pelo menos é claro para mim que o grau 120 é menor que o grau 125, e Nefesh é menor do que Ruach.

Mesmo que eu não entenda o que é isso, eu ainda posso de alguma forma comparar e avaliá-los. E isso é muito importante. Mesmo que eu não sinta esses conceitos em meu coração, eu posso, pelo menos, separá-los em níveis em minha mente: Reshimot Dalet/Gimel, Gimel/Bet, Partzufim AB, SAG, MA, BON.

Aqui qualquer um pode ser sábio se estudou o material. Mesmo que não tenha atingido praticamente nada, ele ao menos aprendeu a terminologia e pode explicar-se. É por isso que ele é tão necessário para nós e não seríamos capazes de expressar alguma coisa sem ele. Afinal, os Cabalistas devem estabelecer certa conexão conosco, a fim de usá-lo para atrair a Luz que Reforma sobre nós.

Eles precisam de certo fio que os conecta conosco para serem capazes de derramar constantemente um medicamento sobre nós através dele. Caso contrário, não conseguimos nos conectar a eles, porque eles estão em outro mundo que está separado de nós. Nós não vemos os canais pelos quais a informação flui até nós.

Os Cabalistas criam esse canal, contando-nos sobre os Partzufim AB, SAG, MA, e BON. À medida que nós os estudamos teoricamente e estabelecemos uma conexão externa com eles, basicamente sem qualquer entendimento, mas apenas repetindo obedientemente as palavras depois deles, desta forma nós expressamos nosso desejo de receber o medicamento a partir deles, a Luz da correção, e é por isso que nós a recebemos. Mas esta conexão é necessária.

Se os Cabalistas, em vez de falarem a linguagem do TES (Talmud Eser Sefirot – O Estudo das Dez Sefirot), falam a língua do Tanach, você imediatamente imagina que eles estão falando deste mundo e que você entendeu tudo. Este é todo o problema. As pessoas não entendem que a lenda pertence ao mundo espiritual, às ações de doação (chamada de Bina Sagrada, a qualidade de doação), e elas a atribuem a este mundo, que gera todas as religiões e crenças.

No entanto, à medida que as noções de grupo, conexão e disseminação se aproximarem de você, você vai sentir que o material no TES está se tornando mais claro. Você nunca será capaz de compreendê-lo apenas teoricamente com sua mente. Você pode memorizar todas as palavras, mas não vai avançar mais do que isso. Se a pessoa deseja avançar através da realização sensorial dentro de seu desejo, ela não vai entender o TES até conectá-lo a certa correção pessoal já atingida. Já antes da Machsom, ela vai começar a perceber o significado interno das noções, e se tornará mais fácil para ela estudar.

Quando uma pessoa avança corretamente, a realização vai da sensação à mente. É por isso que não é preciso ter uma grande mente para aprender. O conhecimento teórico não está de forma alguma ligado ao avanço espiritual.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/12, O Estudo das Dez Sefirot

Penetre No Mundo Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em sua opinião, foi importante ter manifestado a nossa exigência comum durante o workshop? Eu tive a sensação de que em algum momento você estava empurrando o foco do grupo para expressar “Criador, preencha-nos! Estamos prontos. Mude-nos”. Essas palavras devem ser ditas em voz alta? Ou talvez apenas “Eu sentia. Eu percebi…?”.

Resposta: Não. Nós temos que avançar por meio das fontes Cabalísticas. Nós precisamos ler artigos, analisá-los, e precisamente através destes artigos penetrar no mundo do Criador cada vez profundamente.

Nós só podemos revelá-Lo se houver uma fonte Cabalística primária diante de nós. Sob nenhuma circunstância você deve confiar em seus pensamentos e desejos! É necessário seguir o texto. Se você não gosta de um texto, pegue outro, você pode alterá-los.

Eu abro um livro, digamos o Shamati, em qualquer página e começo a fazer um trabalho espiritual com ele. Se eu perceber que a página que abri não está certa e não corresponde exatamente ao meu estado, eu posso virar outras 15-20 páginas – isso não é importante. Então, eu começo a ler e trabalhar aqui. Mesmo assim, eu trabalho como o que quer esteja escrito no livro.
Afinal, um Cabalista descreve as ações sequenciais de causa e efeito que gradualmente o fazem avançar.

E se você estiver construindo as coisas com base nessa massa de pensamentos e sentimentos que surgem dentro de você, quem sabe aonde isso vai lhe levar. Quando pequenos, nós aprendemos a ser assim com crianças mais velhas, e elas nos dizem o que fazer, como e por que. Portanto, nós devemos continuar estudando assim, progressivamente.

Da Convenção de Vilnius 25/03/12, Workshop 2

Terapeutas Do Mundo

Dr. Michael LaitmanComentário: Há muita raiva e fúria fermentando sob a superfície do mundo atual. Parece que uma explosão está para acontecer…

Resposta: É verdade. Por enquanto todos estão falando sobre o crescimento pós-crise, e ao mesmo tempo há algo explosivo nessa mistura. Afinal, a crise não desapareceu e a pressão está subindo.

Em face deste estado das coisas, devemos trabalhar incansavelmente para explicar o que está acontecendo. Temos que apresentar às pessoas as causas e as soluções, que não é nada do que elas imaginam.

Na realidade não temos muitas opções. Nenhum progresso vai tornar todos ricos, porque simplesmente não há recursos naturais suficientes. Pelo contrário, as massas vão apenas se tornar mais pobres, se bem que seria desejável evitar isso. Fiquemos com uma terceira opção: nivelar o padrão de vida geral a um nível aceitável. Nós temos que chegar a isto. Então, vamos ser mais ou menos iguais entre nós e equilibrados com a natureza.

Hoje, nós simplesmente não pensamos sobre o que vai acontecer daqui a dez ou vinte anos. É como se a humanidade ficasse cega: nós esgotamos todos os nossos recursos e estamos fingindo que nada está acontecendo. Este é realmente um momento especial. Como uma criança deficiente, estamos de forma imprudente cortando o galho em que estamos sentados, desta forma nos privando de um futuro. Em última análise, vamos ficar sem nada.

No entanto, ninguém pode parar o curso dos acontecimentos. Pelo contrário, alguns da elite que tomam as decisões são os que promovem o consumismo. Na realidade, o anjo da morte está nos dando uma gota de veneno na ponta de uma espada, e estamos fechando os olhos e abrindo nossas bocas.

A única solução é explicar, fazer propaganda. Naturalmente, isso parece bastante impotente ao lado da festa global que está arruinando e poluindo o planeta. No entanto, este é o caminho. Temos que fazer tudo o possível. A pressão está crescendo. Estamos passando por um “período de incubação” de uma doença e, posteriormente, uma epidemia vai surgir. Neste período perigoso é preciso trabalhar o máximo possível com o mundo, utilizando todos os canais acessíveis. Há sempre algo a acrescentar, e o nosso trabalho vai certamente dar frutos.

Quanto à explosão que está para acontecer, é difícil dizer como ela vai ser. Uma possibilidade é a guerra, usada para desviar a atenção do público dos problemas originais. Espero que isso não aconteça. No entanto, esses planos, obviamente, estão sendo alimentados. Afinal, a situação está ficando muito ruim, e está sendo levada ao limite, ao ponto de uma dívida inacreditável e um desequilíbrio terrível.

Nós temos que usar todas as nossas forças para disseminar nosso material às massas e fortalecer nossa conexão interior mútua. Só então o sistema geral começará a revelar a Luz, que é a fonte de tudo.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 16/04/12, Escritos do Rabash

O Mundo Em Expansão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o propósito das infinitas transições de um estado para outro?

Resposta: Essa cadeia vai acabar num determinado momento. Cada vez você está entrando numa dimensão diferente, e é como se o mundo se abrisse e você alcançasse uma dimensão que é o dobro da potência. A partir daí você entra numa dimensão mais elevada; assim, você avança como se as camadas do céu se abrissem para você no mesmo tempo, movimento e lugar, cada elemento do nível anterior torna-se inanimado em relação ao novo nível.

Você penetra muitas vezes numa nova dimensão entre dois momentos de transição. Cada nível anterior perde seu valor e sua vitalidade, assim como em nosso mundo. A vida é realmente sentida durante a transição, e é por isso que é tão diferente da vida que sentimos hoje.

Nós estamos fora da espiritualidade, porque estamos presos num estado estático, como em um casulo. De repente, você avança através de uma pequena abertura para o grande mundo. Esta abertura também não existe, mas você tem que criá-la por si mesmo, pela transição de um nível para outro.

O Partzuf espiritual de uma pessoa é formado por estas transições. É uma estrutura qualitativa formada pelos seus esforços em criar tais transições. Na verdade, ele não existe por si mesmo; somente o transmissor sobre o qual ele constrói a si mesmo existe.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/04/12, Escritos do Rabash

Fuja Da Imagem Egocêntrica Do Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quais são os nossos primeiros passos da aproximação com o Criador, que é o objetivo da sabedoria da Cabalá?

Resposta: Na espiritualidade, a aproximação não é determinada pelo tempo ou espaço, ou por movimentos mecânicos, mas por alterações nas propriedades, na qualidade. Eu preciso desenvolver sensações adicionais dentro de mim, uma sensação totalmente nova chamada doação. Neste momento, eu percebo toda a criação somente na qualidade egoísta, buscando receber constantemente satisfação e desfrutar tudo o que é bom para mim, enquanto afasto tudo o que eu acho desagradável.

Eu vejo o mundo somente através destas categorias de bem e mal. É como um cão que percebe o mundo inteiro apenas por meio de cheiros e que pode distinguir uma coisa da outro apenas com base em como cheira. Ele não vê praticamente nada e recebe 99% de suas informações a partir de olfato. Da mesma forma, hoje, nós distinguimos tudo à nossa volta só em relação ao nosso desejo egoísta: preto e branco, cores diferentes, alto e baixo, distante e próximo, agradável e desagradável – milhares de propriedades diferentes que eu percebo neste mundo.

Eu nem sequer percebo que só faço julgamentos com base em quão bom ou ruim eu me sinto pessoalmente. Há uma grade dentro de mim que discerne todas as impressões, dependendo se me beneficiam ou prejudicam, e é assim que eu determino todas as cores, distâncias, tempos, movimentos, bem como vários objetos e seus comportamentos – eu distingo tudo conforme o princípio egoísta.

Eu não entendo isso, porque essa sensação egoísta é a única coisa que eu tenho, e não posso reconhecer a sua presença dentro de mim, pois nasci com ela. Tudo é percebido na grade do detector chamado “meu desejo de desfrutar”. Como na fotografia, que exige uma placa sensível à luz ou filme, dentro de nós há uma tela de que é sensível ao que nos traz benefício ou prejuízo.

De acordo com isso eu distingo várias formas e objetos, até mesmo coisas inanimadas: um copo de água sobre uma mesa, diferentes cores, pessoas, frio e calor, ou distâncias. Eu avalio tudo da perspectiva do que é melhor e que é pior para mim. Estas são as diferenças tão refinadas que me pintam as imagens deste mundo, que eu vejo na minha frente. Mas tudo isso só existe na percepção do desejo egoísta de desfrutar.

A fim de não depender dele totalmente, a sabedoria da Cabalá está nos levando para o desejo de doar. Dentro desse desejo eu começo a ver um “mundo invertido”, ou seja, eu vejo toda a realidade através dos olhos da doação, à medida que cada coisa é útil para a minha doação aos outros.

Está escrito: “O Criador fez um contra o outro”, e na revelação de ambos os paradigmas eu posso me elevar acima destes dois princípios de percepção. Graças a isso, é como se eu subisse acima de toda a criação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/04/12, Shamati # 190

No Meio Entre O Criador E O Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é tão difícil entender o que significa a conexão em si?

Resposta: É difícil para nós realizarmos essas ações porque, inicialmente, nos relacionamos com elas e as abordamos egoisticamente. Eu não posso impedir a minha mente de perceber o mundo, o grupo e a mim mesmo, e começar a esclarecer a situação usando uma mente fria externa.

Em primeiro lugar devemos entender a razão de nossas ações e o que eu sou obrigado a fazer. O Criador quer que eu realize a correção do mundo. O mundo é toda a realidade que surge diante de mim. Isso significa que eu tenho que me relacionar com ele nesse sentido e ser incluído no público, nas pessoas, que em seu nível de desenvolvimento também estão exiladas no Egito; mesmo que elas não estejam nos estágios finais, elas estão em estágios muito avançados. As pessoas já estão sentindo que chegaram a um beco sem saída; elas estão sentindo que é o fim do mundo, pois têm encontrado problemas ecológicos, guerras, fome, suicídio, desespero, etc. Este é o “exílio no Egito” para elas, um exílio da prosperidade que conheciam antes e do desamparo.

No passado, a pessoa costumava fazer mudanças em sua vida e encontrar alívio nisso. Hoje, não há para onde ir; a pessoa não encontra conforto em nenhum lugar. Não há conforto em casa e na família, e nenhum lugar para descansar. As crianças não mostram qualquer esperança de algo bom; no trabalho, é impossível a pessoa se contentar com o que realmente precisa, juntamente com os outros, pois não há bondade. A esperança de descansar quando nos aposentarmos está se tornando imaginária, e não podemos ter certeza de que quando envelhecermos vamos ter comida e abrigo. As pessoas vivem na incerteza: durante as suas vidas elas economizaram em algum fundo, mas se algum dia elas terão esse dinheiro de volta é uma grande questão. E estes são apenas alguns dos problemas.

Portanto, quando estamos nos aproximando do Criador, não levamos em conta o que Ele quer e o que nós queremos? O Criador quer a correção do mundo. É assim que nos aproximamos das pessoas, pegando os seus desejos e nos preocupando com eles? Eu não tenho certeza. Será que nós nos dirigimos às pessoas o suficiente, àquelas que, por sinal, sentem o exílio muito mais do que nós? Será que estamos incluídos no seu exílio, em suas dificuldades corporais? Será que nós podemos transformar gradualmente seus problemas em problemas espirituais em nosso nível?

Se a Luz influenciar as pessoas através de nós, as pessoas se sentirão bem. Isto é o que a parte do mundo chamada “Israel” deve fazer, tornar-se a “Luz para as nações”. Para todos aqueles que não têm contato com a Luz, eu tenho que ser o “adaptador”, seu enviado. Será que eu devo começar a partir disso?

O Criador quer levá-las à Luz e ao avanço, enquanto eu sou apenas o elo. Eu tenho que pegar a deficiência delas e transformá-la numa necessidade de se conectar no meu nível, a necessidade da Luz que Reforma, e transmitir este pedido para cima, e não os meus desejos pessoais. Isso significa doar.

Nós fazemos isso? Nós valorizamos a disseminação a fim de absorver os desejos das pessoas? A contagem começa desde o inferior e não no meio. A verdadeira deficiência está oculta no mundo, enquanto nós recebemos a nossa deficiência do Criador e só devemos fazer parte do todo.

Ao absorver a deficiência das pessoas, você tem que se conectar com os amigos. Caso contrário, por que você precisa desta conexão? Para quê? A quem se destina a sua futura doação? Sem o mundo não há como você alcançar isto. O Criador não precisa de sua doação, ele não precisa de nenhum favor de você. Você pode Lhe dar alegria se você passar a Sua Luz para baixo, se você conseguir convencer as pessoas que elas precisam mudar. Em seguida, pela discreta mudança nelas, você vai aumentá-la e elevá-la ao Criador e, portanto, atrair a conexão de baixo para cima. Você vai crescer da pequenez até Seu nível superior e terá o seu lugar no meio. Sem a conexão entre os dois extremos, você está brincando com algo que não se baseia em nada, exceto o ego.

Pergunta: Então o que estamos fazendo de errado? Afinal, estamos tentando levar a nossa mensagem ao mundo.

Resposta: Parece que não estamos impressionados com os desejos do mundo o suficiente para agir por eles. No final, nós ficamos apenas com uma impressão “fictícia” formal do trabalho que é feito. Tudo se inverte: nós queremos avançar e, por isso, usamos as pessoas como meio, em vez de sermos o meio para seu avanço e levarmos as pessoas para onde o Criador quer levá-las. Nós estamos virando tudo de cabeça para baixo: em vez de sermos servos, estamos nos tornando os donos da situação. O Criador depende de nós, as nações dependem de nós, enquanto nós olhamos para elas ficando no meio.

A questão não são as ações, mas a nossa atitude interior. A deficiência do Criador e a deficiência do mundo é o que deve ser importante para nós. É a partir destas deficiências que devemos estabilizar a nossa autodeficiência, de modo que ela conduzirá ao resultado desejado. “Israel” pertence ao nível de Bina, e não tem nada próprio. Sua parte superior é Keter e a parte inferior é Malchut. No meio existe apenas uma fenda. Então, como as duas partes podem ser conectadas? Nós é que devemos ser esta conexão e esta é a nossa única propriedade.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/04/12, Escritos do Rabash

O Mundo Na Encruzilhada

Dr. Michael LaitmanHoje, vamos falar da crise que afeta toda a humanidade e de sua possível solução, que o método da educação integral proporciona.

A humanidade entrou num período difícil e se transformou de tal forma que se sente completamente perdida.

As pessoas estão muito pouco preocupadas com família, sociedade, educação, formação e com os problemas públicos, governamentais e sociais; elas não conseguem encontrar soluções para os problemas que surgem em cada atividade individual, social e governamental. Nós nos encontramos num estado que não podemos compreender.

No entanto, nos últimos anos (79-80 anos), os cientistas suspeitaram do que estava acontecendo. Começando nos anos de 1920, os primeiros artigos apareceram sugerindo que o mundo estava entrando numa área completamente diferente de desenvolvimento, que estava subindo a um nível totalmente diferente: o nível do desenvolvimento integral. Muitos pesquisadores escreveram sobre isso. Na década de 1960, o famoso Clube de Roma falou sobre isso, bem como muitos pesquisadores e organizações.

Hoje, durante a crise, nós chegamos a um estado muito profundo do qual não conseguimos encontrar a saída.

Anteriormente, a crise tocava apenas os problemas da criação e educação de crianças. Nós estávamos insatisfeitos com o que estava acontecendo, mas de alguma forma suportávamos, embora víssemos que as escolas não educavam as crianças, que as nossas crianças sofriam intimidação, violência e abuso na escola. Mas nós tolerávamos isso.

Então, nós começamos a perceber como as pessoas de repente pararam de se preocupar com a família e a família começou a se desintegrar, o que não ocorria 100 a 200 anos atrás. Ao longo da história humana, aceitava-se que a pessoa vivesse numa família com seus pais e então criasse sua própria família. Depois, seus filhos nasciam, e eles permaneciam todos unidos numa casa comum; mas agora tudo está passando por um declínio crítico. As pessoas começaram a se divorciar, os filhos a se afastar de seus pais, as pessoas não querem se casar ou constituir família. Esta é também uma crise, porque este fenômeno não é natural para nós, como pessoas.

E o que vai acontecer com as gerações futuras? Nós já estamos enfrentando um problema demográfico, onde os idosos são mais numerosos do que os jovens. E quem sabe quem vai cuidar deles na velhice. O que vai acontecer com você se você não tem filhos? Quem vai apoiá-lo?

As pessoas nem sequer pensam que uma geração apoia a outra. Pelo menos três gerações são necessárias: os idosos, os pais e os filhos, para que eles apoiem, eduquem uns aos outros, transmitam conhecimento, cuidem da família; os jovens cuidam dos idosos e os idosos transmitem sua experiência e valores da vida. Não há nada como isso.

Então, há os problemas com drogas e a depressão, a qual é tão forte que os médicos consideram hoje a doença número um do século, não só a doença em si, mas também suas consequências. A causa, a origem da maioria das doenças no mundo é a depressão, a ansiedade intensa, o desapego e o desamparo.

As últimas crises envolvem a crise na ciência, na educação, em todas as coisas. A crise na ciência começou a partir do ponto que paramos de acreditar na ciência. Antes, nós pensávamos que através da ciência chegaríamos a uma boa vida, conquistaríamos o espaço, nos estabeleceríamos em outros planetas e teríamos possibilidades ilimitadas à frente. De repente, fechamos todos os programas espaciais; não estamos mais interessados ​​na exploração do espaço; nós não pensamos que podemos encontrar alguma coisa lá. No final, tudo está se desacelerando. A pessoa se sente deprimida, não quer nada.

A mais recente crise é a crise econômica. É a mais dura e mais difícil porque afeta todos os aspectos de nossas vidas. Alimentação, saúde, aquecimento, segurança, tudo depende da economia. Mas a economia se recusa a funcionar; ela já não funciona mais e não sabemos por quê. Empresas fecham, “bolhas” financeiras inflaram, e todo o tipo de mau uso do dinheiro ocorre. E tudo o que era para se desenvolver bem, para o nosso benefício, se volta contra nós.

Mas o que é interessante é que ninguém consegue lidar com isso, nem os eminentes economistas, nem os políticos, mas todos nós estamos dispostos a ajudá-los porque não vamos sobreviver sem a economia. Acontece que não sabemos o que fazer. Um grande número de altos políticos, chefes de estados, o G8, G20, se reúnem e não conseguem resolver nada. Eles não sabem o que fazer.

Da Convenção de Vilnius 22/03/12, Lição Preliminar

Levar Em Consideração O Mundo Inteiro

Dr. Michael LaitmanÀ medida que nós investigamos o universo, descobrimos que todos os seus sistemas são interdependentes. Os planetas giram em torno do sol, enquanto seus satélites giram em torno desses planetas. Quanto mais investigamos esse enorme sistema, mais claro vemos que todos os seus componentes existem num movimento interdependente e se influenciam mutuamente. A lua acima da Terra influencia tudo o que acontece na superfície da Terra: nossa saúde, sentimentos, correntes oceânicas profundas, e assim por diante.

O sol também nos influencia: nós percebemos até mesmo as menores chamas solares que acontecem lá. Dizem até que alguns fenômenos no sol podem ameaçar a própria existência da Terra, à medida que são capazes de, literalmente, incinerá-la. Naturalmente, isso afeta todos os sistemas eletrônicos. O mundo em si é um “caldeirão fervente”, e nós estamos vivendo na superfície de uma esfera, que internamente está ardendo em chamas. Tudo isso existe num equilíbrio instável.

Os biólogos, zoólogos e botânicos nos dizem que o surgimento da vida na Terra só foi possível devido às condições absolutamente especiais que não existem em nenhum outro lugar no Universo. Até hoje, elas não foram descobertas em nenhum lugar, e é altamente duvidoso que elas existam. Uma vez que a origem da vida requer que muitas condições relacionadas com parâmetros (tais como a força gravitacional, quantidade de água, pressão, temperatura, e assim por diante) sejam satisfeitas simultaneamente, segue-se que todos estes parâmetros compreendem uma fórmula gigante. E só se fizermos um cálculo muito preciso de acordo com esta fórmula, seremos capazes de aprender quais são condições propícias para o surgimento da vida.

Nos noticiários geralmente nos dizem como estará o tempo nos próximos dias. Os meteorologistas podem preparar uma previsão do tempo para a próxima semana, mas não mais. Por que isso?

As previsões de temperatura, umidade ou velocidade do vento são baseadas em cálculos realizados através de fórmulas extremamente complexas e computadores potentes, levando em consideração as condições climáticas no planeta inteiro. Em resumo, as conexões entre esses parâmetros são tão multifacetadas, profundas e ricas, que mesmo uma única previsão para a temperatura do ar amanhã, a altura das ondas, e outros fatores que precisamos para planejar os vôos de avião, rotas de navios e todos os tipos de outros fins, fala da interligação de todas as partes da natureza, de como a natureza ainda influencia o vegetal, o vegetal influencia o animal, e o animal influência o homem, enquanto o homem, em resposta, influencia todos eles.

A nossa vida depende da natureza inanimada, visto que vivemos sobre a terra e extraímos todos os recursos necessários de suas profundezas. Nós dependemos muito da natureza vegetal, pois é nela que a nossa agricultura se baseia, e também da natureza animal, uma vez que estes são produtos alimentares necessários para a nossa existência. Acima disso, não seremos capazes de manter uma vida normal, a não ser numa sociedade onde cada um ocupe o seu canto correspondente dentro dela, executando alguma função particular.

Quanto mais nós progredimos ao longo da história, mais complexa a nossa sociedade se tornou, e mais dependentes nos tornamos uns dos outros. Hoje nós fazemos operações e transferimos dinheiro de banco para banco; enviamos navios com diferentes cargas de um continente para outro. E se considerarmos as roupas que vestimos, podemos dizer com certeza que não foi apenas um só país que esteve envolvido na sua fabricação. Alguém produziu a matéria-prima, alguém a processou, outros costuraram, e mais outras pessoas se ocuparam do marketing e vendas. Isso só enfatiza como somos dependentes uns sobre os outros.

Nós já estamos acostumados com essa interdependência e a tomamos como garantia. Só que isso é uma dependência totalmente comercial e financeira, e que nunca precisou de qualquer envolvimento emocional nosso. Mas, ultimamente, nós vemos que a conexão entre nós atingiu tais proporções que exige de nós uma cooperação mais profunda, mais estreita e próxima.

Além disso, ela se manifesta de tal forma que o que acontece num país afeta diretamente os eventos em outros. Não é por acaso que hoje vemos como um país pode intervir no negócio do outro, até mesmo mudando o regime e invadindo a sua independência. Um exemplo claro é que os protestos na Síria, onde os representantes de diferentes países estão expressando suas queixas sobre o fato de que muitos civis pacíficos estão sendo mortos. E o embaixador sírio não tem como responder a isso. Ele está agindo como se esse não fosse seu país e ele não tivesse nada a ver com isso. Assim, essa dependência obriga todos nós.

Nós vemos que estamos tão interconectados que agora exigimos vários mecanismos de governança internacional, sem os quais não podemos existir normalmente. Afinal, se quisermos ter comércio, desenvolver a ciência e cultura, se quisermos uma vida próspera, precisamos desenvolver sistemas muito semelhantes de educação cultura e abordagem da vida.

Durante as últimas décadas o turismo floresceu no mundo. Ao visitar diferentes países, podemos ver como durante este período os países se aproximaram uns dos outros em termos do nível de qualidade de vida das pessoas e sua capacidade de perceber seus arredores. Afinal, nós assistimos televisão, ouvimos as notícias, nos conectamos virtualmente através da Internet. Em breve, esta nossa conexão nos ajudará a eliminar todas as barreiras linguísticas: novas máquinas irão automaticamente fazer traduções para nós, e alguém que não sabe falar Inglês, que hoje é a língua internacional, terá a capacidade de estar conectado com todos.

De acordo com modernas pesquisas, parece que uma pessoa comum está conectada ao mundo inteiro através de quatro de seus conhecidos. Nós estamos nos tornando mais próximos uns dos outros, de tal forma que, por assim dizer, estamos dando as mãos. Hoje, nenhum país pode perfurar poços profundos, mesmo em seu próprio território, porque através disso, pode perturbar o equilíbrio na crosta terrestre, e tudo o que acontece num país terá conseqüências não apenas para seus vizinhos, mas para o resto do mundo também.

Nós assinamos acordos internacionais sobre diferentes esferas de atividades humanas que podem causar dano a outros, como, por exemplo, os acordos que estabelecem quotas de pesca. Cada país tem seu próprio limite sobre as emissões de elementos nocivos na atmosfera ou na extração de recursos naturais das profundezas da terra. Nós estamos começando a sentir, cada vez mais, que vivemos num planeta e que ele é nossa casa comum. De fato, aqui somos todos dependentes uns dos outros e não podemos simplesmente fazer o que quisermos.

Infelizmente, ainda estamos nos desenvolvendo egoisticamente e isso não nos permite levar o outro em consideração. Nós ainda preenchemos o espaço exterior, enviando foguetes lá fora, de modo que, neste momento, uma grande quantidade de satélites, bem como milhões de seus fragmentos, pequenos e grandes, circundam a Terra. E se algum tipo de acidente ocorre na estação espacial, todos os seus fragmentos podem cair em qualquer lugar e em qualquer um.

Nos também temos sido testemunhas desses fenômenos desagradáveis como a erupção de um vulcão na Islândia, que afetou toda a Europa, todo o caminho para a Sibéria, paralisando as operações de muitos aeroportos. E o tsunami no Japão, que foi provocado por um terremoto e causou danos a uma usina de energia nuclear, forçando muitos países a pensar que talvez valha a pena suspender o desenvolvimento da energia nuclear.

Nós vemos que uma única nação não pode construir a sua política interna e externa sem considerar dezenas e até centenas de fatores externos. Em cada movimento que faz, ela precisa levar o mundo todo em consideração. E isto se refere até mesmo aos forte países líderes que aparentemente não têm que se justificar a ninguém. No entanto, eles devem considerar os outros, porque somos todos dependentes uns dos outros, e quem sabe como até mesmo a menor mudança ocorrida num dos países terá impacto sobre os outros.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 5, 02/01/12

Inclusão Na Mente Global

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa a capacidade de “sentir o mundo através de todos”?

Resposta: Se eu estou incluído nos outros, se eu sinto o que eles sentem e penso o que eles pensam, então, obviamente, eu possuo capacidades muitas vezes maiores do que uma pessoa comum. Eu sou muito mais amplo, sou capaz de incluir muito mais coisas dentro de mim. Afinal, a nossa percepção de qualquer fenômeno depende do número de parâmetros que somos capazes de apreender, da resolução da nossa visão.

O número de parâmetros depende da quantidade de coisas opostas que estão incluídas em mim. Devido ao contraste entre elas, eu distingo as partes individuais e posso construir a partir delas, como blocos de construção, muitas opções. Ao mesmo tempo, compreendo que estas construções são compostas de como elas diferem umas das outras.

E se os sentimentos e a razão que recebo dos outros são absorvidos por mim, eu me torno dono de qualidades diferentes e opostas. Então, eu percebo o mundo de uma forma mais multifacetada e, em relação à percepção planar anterior, esta parece ser uma entrada numa nova dimensão.

Psicologicamente, esta é uma percepção completamente nova, um mundo novo. Através dela eu supero as limitações do corpo, associado com as categorias de tempo, movimento e espaço, já que estou incluído na humanidade. Eu adquiro seus sentimentos compartilhados, suas atuações mentais – os dados que vem da natureza.

Eu recebo a oportunidade de alcançar o sentimento e a mente inerente à natureza, que existem dentro dela como minha raiz. Todo o desenvolvimento no mundo vem disto. Neste desenvolvimento, eu vejo que volto para esse lugar, para esta raiz do sentimento e da mente dentro da natureza, de onde toda a cadeia da criação evoluiu: o inanimado, vegetal, animal e eu – o ser humano que alcança a raiz e, assim, completa o círculo de desenvolvimento.

Eu quero enfatizar que não é por acaso que a natureza está nos empurrando para um estado de garantia mútua, de modo que literalmente perderemos nossas qualidades individuais. Na verdade, nós não as perdemos, mas apenas nos elevamos acima delas porque elas são corporais, pertencentes ao nível animal.

Cada aspecto indivídual dentro de mim diz respeito a cuidar do corpo para que ele sobreviva da melhor maneira possível ao tempo que lhe é disponível. Mas o desenvolvimento consiste em nos elevarmos acima da preocupação com o corpo, a uma preocupação comum. Essa preocupação comum nos propicia qualidades completamente diferentes, não as corporais. Graças a elas, eu revelo o programa e o propósito da criação, a intenção da natureza na qual um único elemento não se desenvolve por acaso – tudo avança de acordo com um programa. E eu posso alcançar e compreender este programa.

Assim que eu me dirijo para uma visão integral, conectando-me com outras pessoas, eu imediatamente começo a entender esta visão integral, troco meus “óculos” por óculos redondos e integrais. Eu vejo a totalidade da natureza e não recebo dela apenas um canal estreito relacionado ao meu próprio corpo, do que quer que me traga benefício ou dano: alimentação, sono, entretenimento, e assim por diante. Não, eu não vivo por isso! Eu vivo num nível independente do meu corpo e já olho para a natureza que está acima de dos corpos. É como se eu não estivesse mais dentro de um corpo: eu julgo, verifico e controlo a partir da mente e do sentimento humano universal. Esta fase diferente fundamentalmente da atual.

Agora, eu sou apenas um animal avançado, dentro de certos limites, e não está claro se este avanço está numa boa ou uma má direção. Mas, devido à inclusão na mente global, eu atinjo uma nova dimensão. Eu mudo qualitativamente a minha percepção do mundo em que me encontro. Ela se torna verdadeira, já que eu não vejo o mundo através de uma estreita fenda egoísta, atraindo para mim o que é benéfico e afastando o que é prejudicial; pelo contrário, eu literalmente saio dela e vivo no mundo. Lá, a percepção é completamente diferente, não através de uma peneira egoísta, através da qual vejo somente o que é útil ou prejudicial para mim, mas completamente independente de mim. Isto é o que significa a nova dimensão inerente ao homem.

Então, eu realmente revelo a mente e o sentimento que existe lá, no interior do estado brilhante fora do meu corpo, por trás da parede com uma fenda estreita, através da qual eu espreito. Eu entendo todo o processo e finalidade da criação.

Nossa pesquisa mostra que isso é realmente assim, que isso é algo indescritível e imperceptível para nós. Mas nós já estamos começando a perceber que, evidentemente, este nível existe. Ele pode ser comparado à matéria escura: ele existe, mas nós não percebemos, mesmo que componha 90% de toda a matéria no Universo.

Da mesma forma, nós ainda não conseguimos revelar o sentimento e a mente comum que existem no Universo. No entanto, cientistas que estudam o cosmos falam da presença de um forte sentimento e mente lá, como sons que não podemos captar, ouvindo apenas algum tipo de ruído. Nós não podemos revelar esses fenômenos porque pertencem a uma dimensão acima de nós.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 3, 29/12/11

Despertar Do Mundo

Arava Convention_2-2012O mundo está esperando. Ele ainda não sabe, mas na realidade ele precisa. É por isso que vocês têm que se levantar o mais rápido possível e se preparar para o papel de guias.

É óbvio que hoje os governos são incapazes de governar o mundo. Afinal, já não ele não se comporta mais de acordo com as leis materiais. Este período terminou.

Os dois mundos se tornaram tão próximos que a “indução” espiritual já está atuando sobre nós de cima, embora ela ainda não seja tão clara. Hoje, a humanidade tem que despertar da maneira correta e esta é sua tarefa.

No entanto, essa é a finalidade de vocês se unirem. Eu não posso estabelecer um grito de socorro por vocês. Somente quando vocês realmente começarem a se unir cada vez mais com amigos é que vocês encontrarão o ajuste necessário. A coisa mais importante aqui é colar tudo junto, para que tudo se funda numa única coisa. Eu não farei isso por vocês, já que nós estamos falando da calibração dos desejos comuns que estão unidos como vasos comunicantes.

Da Convenção de Arava 25/02/12, Lição # 6