Textos com a Tag 'Amor'

Nosso Amigo, o Egoísmo

Pergunta: Quando os jovens, um homem e uma mulher, estão fazendo planos para o futuro, eles sonham sobre a maneira como eles vão viver. Poderia cônjuges discutir a imagem ideal de uma família integrante, de um grupo de educação integral para que todos pudessem contribuir com a sua própria visão disso?

Resposta: Isso é útil até hoje. Ao criar uma imagem de uma família ideal, precisamos entender nossa natureza egoísta e ter uma atitude completamente objetiva em relação a isso. Se eu puder objetivamente me abrir ao meu grupo, para “dissecar” a mim mesmo diante dele, e além disso, o grupo também poderia explicar-me desde o seu ponto de vista quem eu sou e de outra forma, então, por compreender os pontos de vista, hábitos e motivações um do outro, todas as coisas dadas pela natureza e instilada em nós, então iríamos tentar subir acima além disso, chegar a um sistema completamente novo de relações mútuas.

Nós não iríamos tentar quebrar uns aos outros, porque estamos criando algo mútuo  que é confortável e bom para nós. E todos os nossos impulsos negativos interiores egoístas seriam automaticamente transformados inversamente em unificação acima deles.

Começamos a ver que, se esse nosso egoísmo  não existe, então não somos capazes de entrar em contato uns com os outros. Mas, graças ao fato de que podemos construir esta superestrutura comum acima dele, o egoísmo é realmente nosso parceiro, amigo e auxiliar, agindo aparentemente contra nós, enquanto, na realidade, demonstrando que, precisamente através da resistência a ele, girando-a de dentro para fora em nossos relacionamentos mútuos criamos uma nova família, uma nova sociedade anti-egoísta.

O egoísmo desempenha um papel crucial nesta sociedade, pois sem ele, não seríamos capazes de conseguir qualquer coisa. É o próprio tecido da natureza, intencionalmente incutido em nós. O que diferencia uma pessoa de um animal? É precisamente o fato de que, ano após ano, geração após geração, o egoísmo cresce dentro do homem. Usando o egoísmo, exceto na direção oposta, criamos reciprocidade entre nós: em vez que repelindo-nos, chegamos mais perto, em vez de rejeição e ódio, há amor. Tudo está contido no presente.

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Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 6, 14/12/2011

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Crie Seu Próprio Eu

Penetrando O Amor Através Das Barricadas Do Ódio

Dr. Michael LaitmanSe eu sinto indiferença para com os amigos e nada me perturba, é um sinal de que eu não comecei a descobrir o ódio e, certamente, não amo. No entanto, se eu já me sinto repelido por eles, isso é influência da Luz superior que está brilhando em mim para me mostrar o meu mal, o meu ego.

Nem todos estão prontos para este tipo de trabalho: é possível que uma pessoa possa se conectar com outras e se sentir bem; é agradável, é interessante ir para o deserto com todos, com todos os abraços, e ela não senti nenhum ódio. O ódio só pode ser revelado pela Luz que as reforma.

Você se surpreende que esta é a maneira como Ela lhe reforma? Sim, este é o caminho para Ele.

É importante não se desesperar que você tenha descoberto o ódio que repele você. Não grite: “Onde está o meu avanço? Que tipo de recompensa é essa para os meus esforços?”.

Se você continuar, apesar de tudo, se você desejar se conectar com os amigos, porque não há outra escolha e os Cabalistas o aconselham a fazê-lo, se você se anular, então você vai entender que é possível chegar à doação e à revelação do Criador somente através da conexão. Mas você vê que sozinho você não pode se conectar e percebe que essa conexão só é possível com a ajuda da Luz Circundante.

O ódio em relação aos amigos também vem da Luz, mas isso acontece sem o nosso pedido. É a revelação do mal. Para corrigi-lo, a pessoa deve se relacionar com a força superior propositadamente e pedir para que Ela seja revelada de modo que tenha a oportunidade de se conectar com os outros.

Há muitas subidas e descidas, decepções, e um longo período de impotência neste caminho, quando você não consegue se anular ou se transformar de qualquer maneira. Nós somos propositadamente esgotados desta forma até que finalmente a Luz de Cima vem para nos ajudar, e começamos a apreciar os amigos. Aqui, você também deve verificar se você os aprecia sem nenhuma razão, ou se você os aprecia porque você aprecia o Criador.

Israel, a Torá e o Criador devem sempre ser unidos num só, e isso lhe dirige na direção certa. Israel (você) é cheio de ódio; a Torá (a Luz superior) reforma você, ajudando-lhe a construir o amor em cima do ódio. Depois, na linha média, quando você se conecta corretamente à direita e à esquerda, você revela o Criador e tudo se funde num só.

Este é o foco do nosso trabalho.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/12/11, Escritos do Rabash

O Abismo Abaixo Dos Nossos Pés

É impossível alcançar o amor verdadeiro sem a base do ódio. Sem ódio só existe amorDr. Michael Laitman bestial, um jogo de hormônios: um instante e você ama, outro instante e você briga por amor. Em nosso mundo, o amor é realmente a busca de satisfação. Quando você quer comer, você ama torta, e quando você quer começar uma família, você ama o seu cônjuge e filhos. Estes são simplesmente tipos diferentes de satisfações que podem ser reconstruídas se implantarmos certos eletrodos no cérebro de uma pessoa.

O amor verdadeiro só é construído acima do ódio. Caso contrário é impossível senti-lo. Em nosso mundo, não há amor; nós estamos falando do amor humano, e não da atração animal que traz prazer egoísta.

Pergunta: Isso me lembra desenhos animados onde os personagens encontram-se no ar acima de um abismo e ainda continuam correndo por um tempo antes de olhar para baixo.

Resposta: Exatamente, eles descobrem que estão pendurados acima de um abismo, e depois caem. Isso é exatamente o que está acontecendo no mundo hoje. Esta é realmente uma boa descrição da crise. É por isso que os que estão no poder têm medo de olhar para baixo.

Pergunta: Como podemos compreender algo nesta situação? Como podemos alcançar o amor verdadeiro?

Resposta: Na verdade, eu sou uma pessoa pequena e não sinto coisas sublimes, mas só estou confusa no meu estado atual. Então o que devo fazer?

A resposta é simples: Você precisa de um grupo. Este é o diagnóstico da doença e sua cura.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 31/01/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Como Você Pode Resistir Ao Amor?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“: “Naturalmente, quem recebe essa Providência aberta tem certeza que não vai pecar de novo, como tem certeza que não vai cortar sua própria carne e causar a si mesmo terrível sofrimento. Além disso, tem certeza que não vai negligenciar uma Mitzva sem realizá-la no instante que chega às suas mãos, tanto quanto tem certeza que não vai negligenciar nenhum prazer mundano ou um grande lucro que chega às suas mãos”.

Nós não entendemos isso. O que significa “Providência aberta”? Se eu revelar o bom e o benevolente, parece que eu estou livre de todas as minhas preocupações, deitado nos braços do Criador como um bebê deitado nos braços de sua mãe. Será que ele não tenta resolver nada, entender nada? Não, ele é simplesmente envolvido com amor.

Será que este amor nos enfraquece? Ele não nos faz perder o nosso poder de auto-preservação?

Este é o problema. O amor dos pais estraga as crianças. Se ele as tratam apenas com amor, os filhos não têm limites e, finalmente, começam a odiar os pais.

Baal HaSulam escreve sobre o amor dos pais (na Carta 2): “Venha e veja um maravilhoso costume nesse amor, onde, aparentemente, se o filho é filho único de seu pai e sua mãe, ele é obrigado a amar seu pai ou sua mãe mais, porque eles mostram um amor maior por ele do que os pais que têm muitos filhos.

Mas não é assim na realidade, mas sim o contrário, que se os pais estão fortemente ligados aos seus filhos por seu amor, então o valor de amar os filhos é minimizado, até, por vezes, os filhos sentirem que “qualquer sentimento de amor em seu coração se extingue “, que é a lei da natureza que está no mundo.

E a razão é simples, que o amor de um pai a seu filho é natural… e o filho não tem medo que este amor possa diminuir, e ele não espera que seu amor crescerá, o qual é chamado de “amor absoluto”; então, gradualmente, o filho cresce preguiçoso mostrando as boas obras de seu pai… e isso se torna sua segunda natureza, próxima ao ódio…”

As crianças precisam de duas forças; não podem se manter numa única força. Cada pessoa precisa de duas “rédeas”: a força de recepção e a força de doação; uma “casca” do lado da recepção e uma “casca” do lado de doação. Só isso nos dá algum “sistema de coordenadas”, e nos coloca em algum lugar.

Mas se todo mundo me trata carinhosamente, isso me confundirá e irritará. Eu tenho que decidir, estabelecer-me em algum lugar. Meu cérebro não consegue aguentar isso e pode finalmente chegar a odiar.

Como posso proteger-me quando o Criador é revelado, para que eu possa lidar com a revelação de Seu amor? Como posso criar bordas em torno de mim, os limites, para não perder a minha independência, meu “eu”? Como posso estabelecer a minha atitude para com ele também?

Afinal de contas, eu não devo me esconder do amor do Criador. Ele quer revelá-lo a mim ao máximo, e eu pareço rejeitar; “Não, isso é o suficiente. Eu já vejo que você está me tratando bem”. Isto seria mostrar desprezo a Ele.

Assim, a revelação do Criador traz muito mais problemas do que Sua ocultação. A pessoa tem que estabelecer sistemas internos que lhe permitirão gerenciar a si mesma sob limitações muito mais rigorosas. Esta é a subida aos níveis espirituais: limitações mais rigorosas, a fim de trabalhar acima do egoísmo e construir outras Masachim (telas) maiores .

Ao mesmo tempo, quanto mais forte é o desejo, mais forte é o amor. Em nosso mundo nós também amamos crianças desobedientes mais do que crianças tranquilas. O amor absoluto é realmente percebido em desejos e vasos “maus”. É lá que ele é sentido como positivo ou negativo e, de lá, finalmente, ele recebe uma resposta do Criador. Finalmente, quando os piores vasos de uma pessoa são corrigidos, ela pode devolver o mesmo amor absoluto para o Criador…

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 24/01/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

O Mandamento: Ama Ao Próximo

Dr. Michael LaitmanNão é fácil chegar ao entendimento de que a coisa mais importante para nós é a deficiência (carência) e que, dia e noite, bem e mal, são medidos em relação a ela.

Se há uma deficiência, isso é bom e é chamado de “dia”. Se não houver deficiência, é chamado de “noite”. É assim que você deve sempre verificar a si mesmo. Isto é completamente oposto ao que estamos acostumados, porque não coincide com os sentimentos em nosso desejo de receber, mas sim em nossa tendência à doação, à santidade.

Você deve se imaginar em pé na frente do Rei, tentando agradá-Lo, para doar a Ele. Mas o que você pode doar a Ele, com o que pode agradar a Deus para que isso possa ser considerado a nossa doação? Nós devemos verificar o que Ele desfruta.

Todas as ações que o Criador desfruta são chamadas de Mitzvot, e só podem ser executadas com a ajuda da Luz que reforma, chamada de Torá. Todas as Mitzvot estão nas conexões entre as criaturas, e assim o ‘ama ao próximo como a si mesmo’ é uma grande regra na Torá. Ela é chamada de correção do desejo geral por meio da Torá, porque a Luz nela reforma (corrige). Então, graças a todas as ações nas quais nos conectamos, uma grande doação é criada, chamada de vaso geral, a alma única.

Este anseio é chamado de dia, e as ações de conexão são chamadas de Mitzvot. O atributo geral que é revelado é chamado de atributo de doação, ou Masach, a Luz que Reforma, na qual o prazer do Criador é revelado e o próprio Criador. A Luz direta é revelada na Luz que retorna de acordo com a equivalência de forma. Assim nós avançamos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/01/12, Shamati # 175

Satisfação A Partir Do Sentimento De Amor

Dr. Michael LaitmanPergunta: A qualidade de doação é o vaso ou a satisfação?

Resposta: A qualidade de doação é o vaso e a satisfação. Ela é o desejo que me satisfaz! Se eu amo alguém, eu estou cheio de meu amor para com essa pessoa. Eu nem sequer exijo amor em troca; o que eu sinto em relação a ela é o suficiente; eu me sinto bem apenas com isso.

O sentimento de amor é a própria satisfação. Por amor eu quero dizer doação. O desejo de doar ao próximo é chamado de amor para com aquela pessoa.

A extensão do amor é medida pelo quanto sou capaz de me elevar acima do meu egoísmo e, apesar disso amar outra pessoa. Se eu o amo em congruência completa com meu egoísmo, isso é chamado de amor egoísta. No entanto, se eu amo contra o meu ego, isso é chamado de amor espiritual ou doação. Não pode haver amor verdadeiro sem resistência do lado do egoísmo.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/12, Escritos de Rabash

O Amor Que Abre O Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que dá mais prazer ao Criador: se experimentamos Seu amor e o devolvemos a Ele ou se o passamos adiante?

Resposta: Na realidade, o amor espiritual não é sentido como o material. Obviamente, para colocá-lo na linguagem terrena, nós damos prazer ao Criador aproximando outras pessoas Dele. No entanto, as palavras são enganosas.

Somente após a obtenção das qualidades de Bina é que entenderemos o que significa tudo isso. Sem a Luz de Hassadim, a pessoa não pode falar de amor, porque ela pensa com base em seus próprios desejos, mas não nos desejos do outro. De onde poderia vir o amor?

O amor é quando o desejo do outro se abre como o meu, quando eu quero o que os outros desejam; além disso, eu desejo isso ainda mais do que quero para mim. A distância entre nós só multiplica o meu sofrimento, causado pela falta de satisfação da outra pessoa, e eu quero satisfazer seu desejo ainda mais. A distância torna-se um amplificador da minha empatia.

Essa atitude surge por si só, automaticamente: é assim que eu penso, que eu percebo os desejos. Esta é a salvação, o milagre. Até então, o que poderia ser o amor? Se eu amo, eu me preocupo com os desejos do outro acima da minha própria rejeição e oposição. O egoísmo é revelado a mim, e eu trabalho na linha média: isso que é o amor.

Afinal, minha alma está fora de mim.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/12, “Introdução ao TES

O Amor Conquista Tudo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a dinâmica de grupo e a interação das pessoas, apesar de uma atmosfera singular, várias formas de tensão emocional também surgem: o ódio e muitos  outros conflitos…

Resposta: Eu acho que tudo isso será revelado cada vez mais, visto que para alcançarmos a concordância e o equilíbrio com a natureza e entre nós, vamos precisar de um egoísmo continuamente maior, na medida em que vamos penetrar em camadas mais profundas da nossa interconexão com a natureza. Ao nos elevarmos acima dele, unindo-nos acima de uma resistência tão grande, nós poderemos alcançar uma pressão maior, uma maior emissão de energia e uma maior revelação das partes internas da natureza.

Em nossa interação mútua, o egoísmo desempenha o papel de um resistor, uma resistência elétrica que fica entre nós. E quanto maior essa resistência, mais energia é produzida ali.

Portanto, a revelação do egoísmo deve tornar-se cada vez maior, e a oposição deve se tornar maior e mais viva. Conforme ascendemos sobre o egoismo, nós penetramos  profundidades maiores da natureza. Este é o nosso instrumento, com a ajuda do qual vamos sentir a natureza subjacente devido ao surgimento de um ódio continuamente maior, uma incongruência, mal-entendidos entre nós, que nos separam em todos os níveis e em cada ocasião.

Se nos unirmos apesar de tudo, a nossa união acima da resistencia se transformará no próprio intrumento que nos colocará em harmonia com a natureza. Isto é, a nossa harmonia vai ser construída em nossa conexão integral com a natureza, enquanto que a profundidade da nossa união com ela, a nossa penetração dentro dela, vai depender da força da resistência que superarmos entre nós.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Amor E Dano São Incompatíveis

Dr. Michael LaitmanPessoas que têm a realização espiritual conhecem as leis do universo e compreendem a natureza das massas. Elas não têm apenas conhecimento, mas também a experiência do seu próprio desenvolvimento, que também começou a partir do nível mais baixo, inanimado. Elas passaram por correções internas e aprenderam a empatia, as concessões, o amor. Elas adquiriram o “kit de ferramentas” necessário para cuidar das massas. Elas sempre agem para o bem das pessoas e não para seu próprio benefício, porque vivem numa natureza diferente, espiritual.

Pergunta: A preocupação delas com o mundo visa a quê?

Resposta: Elas querem “criar um rapaz a sua própria maneira”. À sua maneira, mas criá-lo, ou seja, para gradualmente fazê-lo avançar por meio do estudo, explicações e exemplos, ao invés do sofrimento. Esses sábios realizam o trabalho principal, atraindo a Luz, enquanto as massas recebem o benefício dela.

Hoje, as massas sofrem: algumas ficam sem emprego, algumas estão com fome, algumas têm saúde ruim, problemas com suas famílias, crianças e assim por diante. Nesse ínterim, os sábios atraem a Luz que reforma e ensinam as pessoas num nível simples e acessível, permitindo que a Luz flua para as massas e as corrijam.

Como resultado, as pessoas recebem as Luzes de Nefesh e Ruach, enquanto as Luzes de Neshama, Haya e Yechida permanecem com os sábios em seus graus mais elevados, de acordo com a ordem inversa das Luzes e vasos.

Assim, as massas recebem a satisfação que corresponde exatamente aos seus desejos. As pessoas querem bons filhos, bem-estar de suas famílias, uma pensão segura, saúde, atividades, uma boa casa, férias agradáveis, segurança, etc. Elas não têm desejos de um nível diferente, e também não precisam deles.

Só mais tarde, como parte do processo geral, as massas começarão a se juntar aos sábios, e, assim, ocorrerá uma inclusão mútua. Mas, novamente, ela será passiva na extremidade das massas.

Assim, os grandes descem para servir as pessoas, mas eles não descem em seu interior. Precisamente seu alto grau lhes permite elevar as massas, nível após nível.

Pergunta: Será que isto não implica o risco de causar danos involuntariamente?

Resposta: Pode uma mãe amorosa causar dano a seu bebê? Afinal de contas, nós não colocamos um policial em cada mãe. Esta é a natureza da mãe: cuidar do bebê. E a mãe não apenas cuida do bebê, mas está impregnada de seus desejos. Assim, ela pode prejudicá-lo? Todos os seus pensamentos estão focados no que lhe dará prazer, o que o beneficiará. Qual o leite em pó, a temperatura na sala, na garrafa de água – a mãe não se desconecta dessa onda de amor por um momento sequer.

Da mesma forma, o superior não tem seus próprios desejos. Ele recebe os desejos do inferior e trabalha sobre eles. O amor o obriga a fazer o que é bom para aquele que ele ama. Eu posso amar tanto ele quanto eu. Se eu amar o próximo, eu subo acima do amor próprio, e uso tudo que tenho para servi-lo, deixando apenas o necessário para mim.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/12, “A Liberdade”

“Amor” À Venda

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nos países ocidentais, a publicidade em geral usa, na maioria das vezes, as mulheres num contexto sexual que é mais ou menos óbvio. Por que os homens modernos consideram a mulher como objeto sexual?

Resposta: Isso porque ao longo dos anos, a nossa inclinação ao mal (desejo egoísta) atingiu dimensões enormes. Nós não a corrigimos e ela ainda permanece num nível animal. A atração sexual é a chamada mais simples e natural de se implementar. Praticamente tudo gira em torno dela; é muito fácil criar toda uma “indústria do amor” composta de filmes, TV, música, etc.

Nunca no passado houve tal ideal de “amor” construído. Não importa a forma como nós percebemos os velhos tempos, as pessoas costumavam ser mais diretas e simples. Um homem se casava com uma mulher “adequada” de seu bairro e criava uma família sem envolver tais “questões de elevadas”. A glorificação maciça do “amor” foi lançada cerca de 150 anos atrás; antes, nunca houve qualquer “culto” associado a ele.

Esta noção semelhante a um culto do amor não surgiu por acaso; afinal, o homem deve ter algo para desfrutar. Com o que os homens poderiam se satisfazer? O que eles poderiam encontrar de bom na vida? É assim que a indústria do “amor por atacado” foi criada. Ela usa um prazer simples, poderoso e acessível, que, ao contrário dos outros, não requer quase nenhum investimento. Hoje, ele é usado em demasia na Internet e TV, sem quaisquer restrições.

Além disso, nós alimentamos à força nossos filhos com os efeitos colaterais da “revolução sexual”. Com a ajuda da mídia, a sociedade oprime a criança com os estereótipos do adulto que não são naturais para a geração mais jovem. Junto com os hormônios que as crianças ingerem nos alimentos, nós violamos o processo natural de crescimento e, literalmente, forçamos as crianças a “se modificar.” Este é apenas um lado da crise geral.

Nós nos consideramos uma sociedade racional e inteligente, com certos princípios e considerável experiência; em caso afirmativo, como podemos permitir que tais coisas aconteçam? No passado, os pais se esforçavam em proteger seus filhos das más influências, davam-lhes o melhor que podiam e cultivavam em seus filhos os valores espirituais elevados. O que fazemos com nossos filhos agora? Por que permitimos que meios de comunicação contemporâneos repletos de crueldade, cinismo e sujeira interferiram na vida de nossos filhos?

Por que nós toleramos a vulgaridade consentindo silenciosamente com ele?

A criança vai à escola, assiste TV e navega na Internet. O ambiente a molda de uma forma que ela se torna semelhante a ele. Por que nós não preocupamos ao menos com isso? Será que nós temos algo mais precioso do que os filhos?

Nós não podemos confiná-los em quatro paredes; assim, os canais envenenam os ouvidos de nossos filhos devem ser desligados. Vamos, pelo menos, cuidar de nossos filhos, uma vez que já fracassamos com os adultos. A sociedade deve ser responsabilizada pelo conteúdo que está sendo oferecido para a nossa geração mais jovem. Coisas desnecessárias não devem ser impostas à geração mais jovem.

Voltando ao tema da mulher. Nós não devemos obrigar as meninas a pensar que elas nasceram para seduzir os homens e, portanto, devem olhar dessa forma. Ao fazer isso, nós aumentamos a prostituição e criamos padrões errados nas relações entre os sexos, só porque alguém ganha dinheiro com isso. De uma forma ou de outra tudo gira em torno do dinheiro.

Enquanto deixarmos a mídia “educar” as pessoas, distorcendo-as, não poderemos esperar nada de positivo delas. Ao mesmo tempo, a situação só pode ser melhorada com a ajuda dos meios de comunicação, mas nós devemos controlar sua atividade.

A sociedade deve ser chamada à ordem; entre outras coisas, isso significa que a mídia tem que ser regulamentada. Nós não estamos falando da liberdade de expressão, mas sim sobre da liberdade do apelo animal. Os meios de comunicação devem ser organizados de forma diferente e continuar a trabalhar para o benefício público, em vez de deixar agências de publicidade e suas afiliadas ganhar mais dinheiro.

Nós temos que começar com a educação em massa; caso contrário não há ninguém com quem conversar. As pessoas já foram “esculpidas” e percebem o atual estado das coisas como a única possibilidade.

Assim, os pais transmitem prioridades vagas, pois observam com indiferença os seus filhos se degradarem.

Se uma pessoa em particular – alguém mais velhos ou um adulto – estivesse prejudicando meu filho, eu faria tudo ao meu alcance para evitar qualquer contato entre eles. Mas, de alguma forma, nós não agimos contra a mídia. Pelo contrário, nós conscientemente permitimos que ela entre em nossa casa e concordamos com o que está fazendo. O mesmo se aplica às escolas.

As pessoas simplesmente desistiram. Nós preferimos manter o nosso bom humor mantendo a situação e pensando que está tudo bem. Nosso problema comum é que nós estamos completamente (não parcialmente) consolados.

Alterar o ambiente nos trará alívio. Mas primeiro nós temos que limpá-lo um pouco. Até o momento, enquanto nós estamos sendo suprimidos pela nossa indiferença, o tempo passa…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/11, “A Liberdade”