Textos na Categoria 'Religião'

Perguntas Sobre Filhotes De Pássaros, Religiões E Cabalá

Dr. Michael LaitmanPergunta: Supõe-se ser uma grande Mitzva (mandamento), de acordo com os comentários, se alguém pega os filhotes de pássaros do ninho quando a mãe pássaro não está lá. Eu pesquisei o assunto um pouco mais, e os comentários dizem que é porque, quando a mãe pássaro volta ao ninho e não encontra seus bebês, ela grita ao Ha Kadosh Baruch Hu, e isso atrai o atributo da misericórdia (Rachamim) em todo o mundo. O que isso significa na Cabalá? Há um ninho na parede da minha casa com filhotes, e vemos a mãe e o pai entrando e saindo para alimentar as crianças. Não me atrevo a tocá-los.

Resposta: Você não deve! Tudo isso é decidido no nível espiritual, não no material. Há uma confusão enorme na realização dos mandamentos no mundo físico; veja o Rambam.

Pergunta: Se a religião é para todos, por que não aceitar as pessoas com orientações não convencionais?

Resposta: As pessoas criam religiões e as exploram. Assim, as religiões são transformadas e manipuladas como lhes convêm.

Pergunta: Eu cresci como Cristão, e há três tenho vindo estudar Cabalá. No entanto, alguns dias atrás, um amigo meu que é judeu me disse que a Cabalá foi destinada apenas a ser estudada pelos judeus, e que, de fato, era uma coisa pecaminosa para nós não-judeus ou gentios estudar Cabalá, que isso abriu portas muito escuras. No entanto, eu me sinto tão confortável estudando Cabalá.

Ela realmente me ajuda a encontrar uma conexão com o Criador. Eu não quero parar de praticar a religião dos meus pais, o Cristianismo. Minha pergunta é: É possível ainda acreditar na religião dos meus pais, ou pelo menos manter certo respeito por ela, e ser capaz de continuar no caminho da Cabalá, ou é apenas algo que eu definitivamente deveria fazer?

Resposta: Por favor, continue, e informe o seu amigo judeu que ele não entende nada de Judaísmo.

As Raízes Espirituais Da Tradição

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por favor, responda a minha pergunta: será que recitar a oração (Shema e Shema Yisrael) e colocar os Tefilin permite que você receba a Luz mais rápido? Se não, explique por que a tradição judaica faz isso?

Resposta: Não. Isto porque estas “tradições” são comportamentos em nosso mundo que são idênticos à maior correção que todos devem executar em seus 613 desejos, buscando-os no “amai ao próximo”.

Pergunta: Por séculos, os Cabalistas têm cumprido cuidadosamente todas as tradições e costumes do seu povo. Eles enfatizaram a importância da sua execução física e espiritual. [Baal] HaSulam e Rabash não foram exceção. Por que não aplicar importância espiritual às atividades físicas?
Se as ações físicas não são tão importantes, por que os judeus foram enganados todos esses anos? Por que não poderia tudo ser explicado com clareza para que as pessoas não perdessem tempo e esperança em vão?

Resposta: Agora chegou a hora de fazer isso.

Religião E O Processo De Integração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o papel da religião no processo de integração, e é possível a integração de todas as religiões do mundo juntas?

Resposta: Eu comecei minha vida como especialista em cibernética biomédica. Depois, eu comecei o meu PhD em filosofia, tornei-me professor de ontologia e teoria do conhecimento, que é o que eu venho fazendo há muitos anos. Não vejo qualquer conexão entre a religião e o método de integração que estamos falando aqui.

De um modo geral, as religiões falam sobre a necessidade de se tornar integralmente conectado a outros, para viver uma vida boa, ser gentil com os outros, amar o próximo, etc. Mas, na verdade, elas só falam sobre isso, e nada jamais é implantado. Além disso, as religiões estão cheias de rituais e fé cega, os quais estão ausentes no nosso método. Ele se dirige à pessoa, às todas as pessoas no mundo, porque toda a humanidade está integrada e interconectada.

Portanto, eu não acho que exista aqui espaço para as religiões. Ela é uma questão pessoal de cada um, porque a persuasão religiosa não machuca ou se opõe ao nosso método de forma alguma. Assim, você pode ser adepto de qualquer religião e praticar a formação integral ao mesmo tempo.

Da Convenção de Vilnius 22/03/12, Lição Preliminar

“A Religião Poderá Ser Extinta Em Nove Países”

Dr. Michael LaitmanOpinião (Jason Palmer, repórter de Ciência e tecnologia, BBC News): “Um estudo utilizando dados do censo de nove países mostra que a religião está pronta para a extinção, dizem os pesquisadores. O estudo encontrou um aumento constante daqueles que afirmam não ter filiação religiosa…

“O modelo matemático da equipe tenta dar conta da interação entre o número de entrevistados religiosos e os motivos sociais por trás de ser um regligioso. O resultado, informado na reunião da Sociedade Americana de Física em Dallas, EUA, indica que a religião irá quase desaparecer por completo nesses países.

“A equipe teve dados do censo, retrocedendo até um século, de países onde o censo consultava a filiação religiosa: Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Suíça.

“‘Em um grande número de modernas democracias seculares, tem havido uma tendência do povo em se identificar como não filiado à religião’. … A equipe, aplicou seu modelo dinâmico não-linear, ajustando os parâmetros para os méritos sociais relativos e utilitaristas de membro da categoria “não-religiosa”.

“Eles descobriram, num estudo publicado on-line, que esses parâmetros eram semelhantes em todos os países estudados, sugerindo que um comportamento semelhante conduz a matemática em todos eles.
Em todos os países, as indicações eram de que a religião dirigia-se para a extinção…

“Obviamente, nós realmente não acreditamos que esta seja a estrutura em rede de uma sociedade moderna, onde cada pessoa é influenciada igualmente por todas as outras pessoas na sociedade”, disse o Dr. Wiener.

“No entanto, disse ele à BBC, que ele pensava que isso era ‘um resultado sugestivo’.

“‘É interessante que um modelo bastante simples capture os dados, e se essas ideias simples forem corretas, sugere-se que isso pode estar acontecendo”.

“‘Obviamente, coisas muito mais complicadas estão acontecendo com qualquer indivíduo, mas talvez um monte delas faça parte da média”.

Meu comentário: Já que estamos num processo dinâmico do crescimento contínuo do egoísmo em nós, a pessoa se interroga constantemente como este ou aquele comportamento é rentável para ela, e se seu egoísmo não encontra nenhum benefício para ela, então este comportamento é rejeitado. Assim, nós sempre escolhemos novas ações, metas, ambiente, etc.

Antigamente, o nosso egoísmo nos trouxe para a religião, mas hoje ele a superou e nos tira das crenças não apoiadas pela realidade. Ele exige provas, e se não houver, não pode se manter obediente, sem um benefício evidente para si mesmo. É por isso que todas as religiões desaparecerão e serão substituídas por culturas. Em essência, mesmo hoje, toda religião é principalmente a cultura desta ou daquela nação, seus costumes, mas não a fé.

Uma Flexibilidade Louvável

Nas Notícias: Shalom Toronto! O maior jornal semanal virtual Israel-judaíco do Canadá publicou um longo artigo sobre os benefícios da Cabalá e do Zohar, com a aprovação das principais autoridades ortodoxas do Canadá. Mais notavelmente, a fotografia de Baal HaSulam está no coração do artigo sobre O Livro do Zohar, que até recentemente era inaceitável em um ambiente Ortodoxo. Curiosamente, o judaísmo ortodoxo é muitas vezes mais flexível em seus pontos de vista e as mudanças que as massas seculares.
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Encalhar Ou Render-se Ao Fluxo?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Essência da Religião e Seu Propósito”: Neste artigo eu gostaria de resolver três questões:

A. Qual é a essência da religião?

B. É a sua essência alcançada neste mundo ou no outro mundo?

C. É o seu propósito beneficiar o Criador ou a criatura?”

Evidentemente, estas três questões cobrem o imenso tema da religião. Então, o que é religião?

Uma pessoa que vive neste mundo tem estas três perguntas sobre sua vida. Ela quer saber: “Quem sou eu? De onde eu venho? Quem me governa? Como é que eu existo? Para onde vou?”.

Os animais não estão preocupados com isso. Eles nascem naturalmente, vivem sob a regra de seus instintos, e morrem sem se fazer todas as perguntas. As perguntas despertam apenas na raça humana, e não em todos. Noventa por cento das pessoas não pensam sobre tudo isso. Elas aceitam o nascimento, a vida e a morte como dadas. O que acontece é óbvio e claro para elas.

No entanto, e se a pessoa pensa em algo maior, sobre a razão? Esta razão vem do Criador.

Como sabemos, cada etapa é dividida em quatro níveis de Aviut, isto é, a profundidade ou a aspereza do desejo. Se uma pessoa já alcançou um nível mais profundo, mais corrupto, ela tem mais perguntas. Ela experimenta vários medos, quer ganhar dinheiro, busca a verdade e se aprofunda. Assim, as pessoas tornam-se cientistas e filósofos, e, em geral, desenvolvem uma atitude particular em relação à vida.

Na última etapa desta escada, a pessoa começa a se relacionar com o que está acontecendo objetivamente, independentemente de si mesma. Não é apenas uma abordagem científica; ela quer descobrir o segredo da vida, apesar de grande interesse pessoal, mantendo-se o máximo possível independente em seu juízo.

Um cientista tradicional obtém dados, ignorando a si mesmo, sem revelar sua própria relação com o assunto. Ele estuda apenas a natureza material, na qual não há respostas às perguntas sobre o significado. É por isso que cientistas e filósofos não conseguem descobrir a dimensão que está acima desta vida, desdobrando-se nos cinco órgãos dos sentidos corporais.

No entanto, se uma pessoa percebe que ela deve revelar a essência da vida acima de sua natureza, para além de si mesma, ela deve se desligar desta vida, superá-la, e tornar-se um verdadeiro cientista. Ela não pode ficar prisioneira de sua própria natureza, que lhe dita a sua visão do mundo e comportamento.

Assim, na busca do sentido da vida, nós devemos chegar a um nível tal onde somos realmente independentes da nossa natureza, que é a coisa mais objetiva e completamente separada de tudo o que existe dentro de nós. Como pode ser isso? Este é um grande problema, e a sabedoria da Cabalá lida com isso acima de tudo.

Nosso progresso na vida é dividido em dois estágios. No primeiro estágio, nós temos que subir para o nível da independência, armados com todas as facilidades, ferramentas e detalhes de percepção necessários para ocupar a “terra de ninguém”, onde não devemos nada a ninguém: nem a este mundo, nem ao mundo futuro, nem ao egoísmo, nem à doação, nem a inclinação ao bem, nem a inclinação ao mal, nem ao Criador, ou à criatura. Nós devemos estar no meio, no lugar chamado Klipat Noga ou o terço médio de Tifferet.

Nós não entendemos como isso pode ser. Afinal, não há nada exceto o Criador e a criatura, nada, exceto a Luz e o Vaso. E já que estamos falando de nós mesmos, da criatura, então, por definição, nós estamos no vaso do desejo criado. Como podemos ser levados a um estado onde não dependemos nem de nós, nem da Luz? Como podemos caminhar no fio da navalha? Quem realmente toma decisões nesta situação, e de que lado nós podemos escolher se somos neutros?

Aqui, temos que entender que fazer uma análise imparcial da nossa vida só é possível se nos elevamos acima de nós mesmos, das nossas próprias propriedades. Assim, pairando no ar, nos tornamos independentes de nós mesmos em primeiro lugar. Então nós, possivelmente, vamos achar que estamos sob a autoridade do Criador e teremos de nos livrar disso também. Como poderia ser de outra forma?

Assim, para responder á pergunta sobre a essência da religião, é necessário entender a origem da minha vida, o que me controla, e para onde vou. Afinal, eu sou levado pelo fluxo, mas esse conhecimento pode me ajudar? Eu poderia mudar o meu destino para melhor?Revelando o sentido da vida, eu poderia melhorá-lo, ou ao contrário, é a minha ignorância uma bem-aventurança?

No final, o que será, será. Assim, a pergunta sobre a essência da religião é muito complexa, e ao abordá-la, temos que resolver algumas tarefas preliminares.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/11/11, “A Essência da Religião e Seu Propósito “

Por Trás Dos Caprichos Da Natureza

Dr. Michael LaitmanNo final das contas, o que cada pessoa quer? Ela quer saber exatamente o que a influencia. É uma força, ou talvez sejam duas? Talvez existam milhares delas de cada lado? “Não importa. A principal coisa é se manter conectado a essas forças e torná-las boas para nós. Então, nós vamos ficar bem”.

Isto é o que exige o nosso egoísmo. Como o nosso ego evoluiu, nossa atitude para com o destino também mudou. As pessoas começaram a acreditar que suas vidas dependem de vários fatores externos. É nesta base que muitos credos e religiões foram criados.

A separação em “bom e mau” é subjetiva. Nós “entramos” numa imagem exterior dentro de nós mesmos e marcamos as coisas com “positivo” e “negativo”. Se não fizéssemos isso, não consideraríamos que tudo nos acontece “para o melhor”. Porém, percebemos qualquer fenômeno natural somente através do prisma de nós mesmos, e é por isso que somos incapazes de distinguir entre eles.

Milhares de detalhes de naturezas positivas e negativas surgem em nossa imaginação. Na medida em que nossos desejos egoístas crescem, nós sentimos a necessidade de detectar os fatores que influenciam cada um dos seus novos aspectos. Nós atribuimos algum significado superior a eles, uma vez que dependemos deles, para o melhor ou para o pior.

É assim que a nossa atitude é desenvolvida, através da mudança da nossa mentalidade para com o destino e para quem ou o quê nos dá nascimento, e depois nos envia para a morte nos levando sabe-se lá para onde. Finalmente, aos nossos olhos toda a natureza se divide em vários elementos e forças separados.

Se pararmos de associar desejos, sentimentos e poderes a essas forças, veremos que estamos simplesmente falando da natureza. Nesse caso, vários fatores não estão vestidos em trajes humanos e não têm desejos. Eles são apenas a “natureza cega”, nada mais do que isso. A natureza deixa de ser caprichosa, manifestando-se como “positiva ou negativa”, mas age de acordo com leis rígidas.

Como nós não aprendemos as leis da natureza e não temos controle do quadro geral que está sendo delineado por elas, estamos constantemente lidando com situações inesperadas. A questão é que nós simplesmente não temos conhecimento das leis objetivas da natureza, que não dependem de nada, exceto delas mesmas. 

O problema é que não vemos as causas dos eventos. Digamos que tudo desce até nós desde o nível mais elevado que desconhecemos, enquanto coisas óbvias se originam das leis da natureza cega. No entanto, a pessoa é incapaz de exercer tal abordagem porque esta depende de múltiplos fatores, que aos seus olhos são independentes. Então, ela começa a associá-los com os caprichos da natureza.

A pessoa não rastreia suas raízes e não vê a origem de suas ações, julgamentos e sensações; ela nem sequer suspeita que age de acordo com um programa especial instalado nela. Ela só vê a parte observável; é por isso que ela considera que ela mesma e os outros são independentes e arbitrários. Como resultado, ela atribui o mesmo conceito à natureza e começa a acreditar erroneamente que a natureza tem certa força de vontade própria que pode ser alterada dependendo das circunstâncias.

A pessoa confia que deve tratar a natureza positivamente, bajulando-a, satisfazendo-a, e pagando àqueles que possivelmente estão perto da natureza e podem proteger a pessoa. Nesta fase, a pessoa para de despersonalizar a natureza, mas atribui seus próprios desejos, pensamentos, e propriedades a ela. Esta é a raiz das crenças e das religiões.

Hoje em dia, vemos que os nossos desejos egoístas, que vêm crescendo ao longo dos séculos, nos levaram através dessas teorias e várias atitudes para com a divindade. No final, todas elas entraram em colapso. Algumas se inclinam a se segurar fanaticamente a certa teoria separando-se artificialmente do resto do mundo por causa de uma alegada estabilidade, mesmo que isso as impeça de crescer mais. Essa atitude pode ser rastreada no fanatismo religioso e no fascismo, isto é, nos tipos egoístas tacanhos de união que a princípio trazem estabilidade para a sociedade, mas no final se rompem, uma vez que tornam o avanço impossível.

Na medida em que o egoísmo das pessoas cresce, os seres humanos permanecem “nus”, uma vez que perdem a oportunidade de se conectar com a natureza. Eles sentem que estão sendo cativados pelo poder absoluto que abarca todas as esferas da vida, que eles dependem do acaso e do destino, e que simplesmente não podem formar qualquer tipo de atitude subjetiva em relação a esses conceitos. Isso se torna um ponto de virada que, no final, irá remeter a humanidade à sabedoria da Cabalá. 

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 16/12/11, “A Paz”

Do Naturalismo Ao Politeísmo

Dr. Michael LaitmanA pessoa não conhece o mundo onde vive. Na verdade, ela pertence à natureza, que a joga de um estado a outro. Durante as várias décadas de sua curta vida ela não tem tempo para perceber o que está acontecendo. Curiosamente, cerca de 150 anos atrás, a expectativa de vida do homem não era 70 anos, mas 40 anos.

Independentemente da quase duplicação da nossa expectativa de vida, nós ainda não compreendemos a essência da vida. A humanidade ainda não sabe o que procurar e onde encontrar. O sentido da vida permanece ambíguo. Quando a vida começa, e aonde ela nos leva? Existe um propósito para ela? O que está acontecendo conosco? As respostas são vagas.

As pessoas estão sujeitas ao poder da natureza. Ninguém recebe um livro com as revelações de Cima. Todos nós revelamos tudo que está dentro do nosso mundo. As revelações que fazemos constroem nossa compreensão e consciência da realidade.

Exceto pela substância da qual somos feitos e nossos cinco sentidos, o ser humano possui uma capacidade inerente de descobrir algo maior. No entanto, tudo está em potencial, e, na realidade, nós construímos nossa atitude perante a vida e a natureza com base no que vemos. É assim que as teorias simples da criação foram feitas. Elas são condicionadas pela nossa vida nesse mundo.

Primeiro, o homem percebeu o mundo como natureza. Ele observou a natureza como um todo, como uma imagem completa, onde todas as peças estão interligadas. Depois, ele se sentiu próximo à natureza. É uma abordagem antiga que era totalmente clara, já que tudo era aparente e revelado.

Mais tarde, as pessoas começaram a classificar os fenômenos naturais em “bom” e “mau”. O homem se tornou egoísta e parou de se sentir como parte integrante da natureza. Ele descobriu que a natureza tinha várias limitações que pareciam positivas ou negativas. Ele separou os elementos que o influenciavam em “benéficos” e “prejudiciais” e, assim, criou a noção de forças do bem e do mal.

No início, era uma oposição geral do bem e do mal, que mais tarde começou a se dividir em várias forças independentes, até que comunidades e panteões de deidades foram criados. Assim, o nosso ego nos distanciou ainda mais da natureza unificada.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 16/12/11, “A Paz”

“Religião” Como Escola Para Avançar Em Direcção Ao Criador

Dr. Michael LaitmanO Ari escreve no livro A Árvore da Vida (século XVI) que após sair do mundo animal através da etapa de transição dos macacos, nós adquirimos a forma humana. Isto ocorreu tanto no nível físico, corpóreo, como no emocional, espiritual: Nós desenvolvemos interiormente os desejos das naturezas inanimada, vegetal e animal, até chegarmos aos desejos egoístas do quarto grau, o humano. O grau humano está também dividido nestes quatro níveis, mas como um todo, a humanidade é diferente do resto no seu padrão único de desenvolvimento.

O desenvolvimento anterior continuou no nível material, limitado a absorver e excretar substâncias. A natureza inanimada está quase sempre restringida a processos internos; a vegetal troca substâncias com o ambiente circundante: respira, consome e excreta, mas apenas de uma forma muito restrita.

Dado tudo isso, o grau vegetal da natureza depende inteiramente das condições externas; não se move de seu lugar e está sujeito ao ciclo das estações. A natureza animal tem menos restrições: seus representantes deslocam-se de um local para outro, possuem um desejo mais desenvolvido, têm formas especializadas de produzir descendência, e conseguem consumir melhor alimento e excretar resíduos. Isto, em essência, é a conclusão do desenvolvimento externo, material.

Deste ponto em diante um quarto grau especial é adicionado a ele. Mas primeiro perguntemo-nos a nós próprios: Porquê não pode o processo ser completo neste nível? Porquê não pode a terceira fase da Luz Directa tornar-se a final?

Keter, também conhecida como a raiz, fase zero, criou o desejo de receber, a primeira fase (Behina Aleph) e preencheu-o. Então, este desejo ansiou por tornar-se como o superior, que já é a segunda fase (Behina Bet), o desejo de doar. De forma a doar ao superior, a segunda fase toma uma decisão: “Eu devo receber”. Então, do centro de Bina forma-se um novo estado para si mesma, a terceira fase (Behina Gimel), Zeir Anpin, que recebe de forma a doar.

O que é que falta aqui? Aparentemente, a terceira fase tem tudo! Ela tem tudo excepto a sua independência, conhecimento próprio, e percepção do superior, tudo excepto o seu “eu”. Falta-lhe o desenvolvimento interior em relação ao superior. Por outras palavras, ele requer uma ligação com a sua raiz, a única coisa que lhe permitirá continuar o seu caminho.

É aqui que surge a quarta fase (Behina Dalet) ou Malchut. Esta é uma fase única, caracterizada pelo desenvolvimento interior, qualitativo.

Até este ponto o desejo já se desenvolveu no seu curso devido. Vemos isto no nosso mundo, que tem egoísmo mais que suficiente. Agora, nós temos de nos desenvolver qualitativamente de forma a apreender a raiz superior. O mundo já percebeu o seu egoísmo e compreendeu o que pode e o que não pode satsifazê-lo. Todas as formas foram tentadas, como resultado nós crescemos e destruímos tudo. A única forma que permanece agora é a questão da conexão com o superior, o Criador: de onde eu venho e para onde vou?

Esta é precisamente a quarta fase: o grau do verdadeiro desenvolvimento do homem, acompanhado pelos desejos das outras fases. Daqui é necessário entender o que a “religião” é no contexto do desenvolvimento. Ela é um mecanismo especial, um método especial que nos permite compreender a distância entre eu e o Criador. Ela pertence apenas ao nível humano.

Quem, então, pode começar a fazer este trabalho? Aquele que sente a separação do Criador, que sente a inclinação em direcção a isto. Por outras palavras, são apenas aqueles que têm um ponto no coração. Todos os outros estão nas etapas anteriores de desenvolvimento: inanimado, vegetal, e animal.

É por isso que percebemos esta diferença, a separação, a pressão, o impulso em direcção a algo. Ele desenvolve dentro de nós o sentimento de reconhecimento do mal.

O que é o mal? Talvez eu experimente sensações negativas porque não fui capaz de roubar algo e fugir despercebido? Ou é porque estou ciente do mal em relação ao Criador? Assim, a “religião” neste sentido é uma escola de educação interna e externa, que me revela o quão distante eu ainda estou do Criador e como eu posso superar o abismo.

Isto não tem absolutamente nenhuma ligação com as noções tradicionais de “religião”. Existe o homem, e existe a força superior. A questão está apenas no reconhecimento do quão opostos somos e na superação desta lacuna.

Da 4ª parte da Liçáo Diária de Cabalá 29/11/11, “A Essência da Religião e o Seu Propósito”

Não Consideramos Amor Aqui

Hoje chegamos à questão “Qual é o significado da minha vida?” E de repente descobrimos a sabedoria da Cabalá. Achamos isso não porque queremos dar ou alcançar o amor, conexão, e uma preocupação comum.

Não. Chegamos a ela exatamente com a pergunta: “Qual é o sentido da minha vida? Por que eu me sinto mal? Eu quero ter poder sobre minha vida! Eu quero me elevar sobre ela, ter a eternidade e a perfeição da natureza. “Eu quero, quero, quero … Viemos para a sabedoria da Cabalá precisamente através de perguntas egoístas, e não por meio de uma alma delicada, sensível. Ao contrário, somos levados pelo desejo de receber, para assumir o controle sobre as nossas vidas

Assim, quando chegamos à sabedoria da Cabala e começamos a ouvir o que ela fala, muitos não entendem: “Por que nós falamos sobre o amor e a união? Onde estamos? É este um jardim de infância, onde somos ensinados a ser bons? Esta é uma sociedade de idealistas? O que eles querem? O que eles estão falando? [Leia mais →]