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Duas Formas de Percepção


Quando quer que comecemos a ler O Livro do Zohar, temos de nos sintonizar conosco mesmo de forma a fluirmos junto com o material preparado para nós pelos grandes autores deste livro. Eles nos dizem que a única coisa que foi criada é o desejo de desfrutar. Este desejo tem duas formas de perceber a realidade (ou o seu Criador). Uma é a percepção directa dentro do desejo, ao qual eles chamam “de cima para baixo”. Nesta forma o desejo pode apenas perceber o que sentimos neste momento “dentro de nós mesmos”. Tal percepção é chamada “este mundo”. A segunda forma de percepção ocorre acima do desejo, “fora” dele. É quando nós não nos satisfazemos a nós mesmos, mas os outros (ou, o que nos parecem ser os outros).

Nós não estamos acostumados ao segundo tipo de percepção, dado que não nascemos com ela. Parece-nos esquisita e estranha para nós, e ainda assim os autores de O Zohar dizem-nos que esta forma de percepção é a mais natural, pois deriva da natureza (o Criador). Em adição ao minúsculo mundo que sentimos dentro de nós mesmos, há vários outros mundos “fora” de nós.

O Zohar aponta-nos para que pudéssemos adquirir esta percepção adicional da realidade fora dos nossos corpos. Por esta razão, se queremos ver do que fala O Zohar, precisamos nos sintonizar para perceber a realidade que existe “fora” de nós, em vez de “dentro”.

Este livro descreve muitas coisas que soam como que fenômenos deste mundo, assim como criaturas mágicas, como anjos, espíritos ou câmaras. Todavia, independentemente do quão realistas ou sobrenaturais estas coisas nos possam parecer, O Zohar fala sempre da forma de percepção “dentro” de nós mesmos. Desta forma, se queremos compreender o que O Zohar nos quer dizer, ou pelo contrário, o que nos quer revelar dentro de nós, temos de nos sintonizar conosco mesmo na mesma direcção – em vez de aspirarmos por auto-satisfação, devemos aspirar sentir a realidade “fora” de nós mesmos.

Quem Oculta o Livro do Zohar?


Durante o período em que O Livro do Zohar estava oculto às pessoas – desde a sua composição no século II até à sua descoberta no século XI – ninguém lhe chamava “oculto”, pois ninguém sabia algo sobre ele. Hoje, porém, toda a pessoa deste mundo pode facilmente adquirir O Livro do Zohar e lê-lo; então, porque ele é chamado secreto ou oculto?

O Livro do Zohar contem tudo. Este tem a habilidade de revelar este mundo e os Mundos Superiores a nós na sua totalidade, pois este foi escrito do ápice de todos os 125 níveis, do alcance do universo inteiro, e ele narra todo o nosso caminho. O único problema é que este livro permanece fechado, pois a pessoa que o lê está a fechá-lo a si mesma na sua incapacidade de se concentrar, e de se sintonizar correctamente para ver o que está ocorre dentro do livro. Por conta própria, naturalmente, o leitor é incapaz de se posicionar correctamente perante o texto da maneira que o faz ao ler qualquer outro tipo de texto. Ele fica confuso com o texto de O Zohar, pensando que este descreve imagens do nosso mundo, história, geografia, fisiologia ou anatomia. Ele liga erroneamente os conceitos, objectos e acções usando a sua compreensão terrena.

Pense num aparelho eléctrico com muitos fios e detalhes, e você os liga a todos incorrectamente. Você será capaz de fazer o aparelho funcionar? Obviamente não! Tal é o caso com O Zohar: Tudo permanece aberto perante nós, mas o problema é que nós não conseguimos revelá-lo, pois somos incapazes de nos envolver adequadamente com este sistema ou de nos conectarmos correctamente a ele. Nós simplesmente não temos a abordagem correta do O Livro do Zohar.

Antes e depois da leitura, a pessoa deve aprender constantemente a se sintonizar com este novo foco, compreensão e visão. Além disso, ela tem de avançar gradualmente, sem se apressar. O processo de sintonia é necessário, pois se ela simplesmente abrir O Livro do Zohar e o começar a ler, ficará apenas confusa, e mais tarde será muito difícil corrigir a desordem e voltar ao principio.
Desta forma, a maior dificuldade reside em aprender como entrar correctamente no Livro do Zohar. É por isso que O Livro do Zohar é acompanhado de materiais que falam sobre como sintonizar o nosso instrumento ou percepção – a alma.

O Nosso Mundo é como uma Imagem na Tela do Computador


Para percebermos a verdadeira realidade, não devemos imaginar nada, exceto o nosso próprio desejo. Desde que nascemos nós temos sido condicionados a ver um filme que mostra o todo como estando fora de nós. Porém, este existe apenas dentro do nosso desejo. Temos de travar uma guerra interior com nós mesmos de forma a nos convencermos que tudo acontece dentro do desejo. Contudo, este facto não revoga a realidade, dado que o desejo é a realidade.

Normalmente, nós pensamos que um desejo é simplesmente quando queremos algo. Porém, o desejo é tudo. Uma parede que impede o nosso caminho também é um desejo – quando vamos contra ela, vamos contra um desejo. Tudo à nossa volta são desejos ou forças, que são retratados de certa forma na nossa tela ou ecrã. Quando olhamos para uma fotografia numa tela de computador, não pensamos que são objectos reais dentro do computador. Sabemos que a imagem é criada por forças eléctricas. Todavia, quando olhamos para o nosso mundo, não nos apercebemos disto, porque não vemos a tela na qual este mundo é projectado.

Embora, na realidade, tudo o que ocorre seja ainda mais simples. O que vemos numa tela de computador parece acontecer fora de nós, na tela, e daí a imagem entra no nosso olho, é processada, comparada com que está armazenado na nossa memória; então, ela é reconhecida com ajuda de processos electro-químicos no nosso cérebro. Porém, quando vemos o mundo, vemos-o dentro de nós mesmos, no nosso cérebro. Na realidade este também está projectado numa tela, em que forças eléctricas descrevem uma imagem. Entretanto, nós pensamos que esta imagem está localizada fora de nós.

Se nos aproximarmos desta percepção autêntica com a ajuda de O Zohar, então veremos um mundo de forças e qualidades diante de nós. Estas forças e qualidades são operadas por uma força geral, o Criador. Ao alcançarmos esta visão e realização, revelaremos o Criador, que é o nosso maior desejo. Esta revelação ocorre dentro do nosso desejo, dependendo da sua equivalência de forma com o Criador. Todo O Zohar está apontado apenas à revelação da percepção correta da realidade.

Altere a Sua Realidade para Malchut do Mundo do Infinito


Quando nós lemos O Zohar, encontramos nomes como Jacó, Esaú, Abraão e Noé. Porém, se nós interpretarmos esses nomes através das nossas noções anteriores sobre a Torah, vendo-a como um conto histórico, então ficaremos completamente confusos e compreenderemos mal o que O Zohar nos conta. Nós devemos avançar em direção a um vácuo vazio no espaço sideral, onde não há terra e nada que tenha ocorrido alguma vez; tudo isto apenas pareceu-nos real. Tempo, movimento e espaço são uma ilusão que só existe na nossa imaginação. Nós pensamos que algo existiu há milhares de anos atrás, e que agora fazemos escavações arqueológicas sobre isso; nós encontramos ossos como prova da sua existência. Porém, tudo isto existe apenas nas nossas percepções, que chamamos realidade.

Porém, agora nós queremos nos elevar ao entendimento adequado – para ver o desejo que contém Reshimot (genes informativos). É isto que queremos investigar, em vez de escavações arqueológicas.

Eu quero ver este mundo inteiro dentro do meu desejo, dado que é o único lugar onde ele existe verdadeiramente. Eu tenho de mudar para perceber a verdadeira realidade, em vez de uma imaginária. Eu quero ver as pessoas à minha volta como várias formas ou imagens dentro do meu desejo, em vez dos corpos físicos que aparecem à minha frente. Eu quero ver como toda a realidade – até o Criador – está contida dentro do meu desejo. Então, a minha realidade será chamada Malchut do Mundo do Infinito.

Eu tenho que unir tudo em um, dado que tudo está contido dentro de um desejo. A razão pela qual eu vejo imagens diferentes, acções, e movimento através do tempo e espaço (tanto no tempo e espaço material, quanto no espiritual) é porque a Luz, o Criador, age dentro do meu desejo. Desta maneira, gradualmente, passo a passo, isso me leva ao verdadeiro entendimento das Suas acções.

Mude o Filme da Sua Vida Para Um Melhor


Na vida não existe tal coisa como uma realidade rigidamente definida, porque toda a realidade depende de nós. Esta é a primeira lição que temos de aprender. A imagem que você percebe, vê e vive é simplesmente um filme projectado para você, mas você não pode se levantar e ir embora. Você está habituado a ele; você viveu nele desde que nasceu e sente-o como a sua vida, como se ele fosse real.

Contudo, um dia você descobrirá que se tornou terrivelmente entediado com este filme, porque os seus desejos evoluíram ou o sofrimento que é mostrado a você se tornou insuportável, e você anseia elevar-se acima dele e ver algo mais, um outro filme. Você anseia mudar o filme. Neste ponto, lhe dizem: “É possível! Você já sabe que a sua vida é apenas um filme mostrado a você, então vamos para outro cinema e ver um filme diferente”. É então que você se começa a perceber que tudo que você considerou como sua vida foi simplesmente uma projecção no ecrã.

Os Cabalistas nos ensinam que, a menos que revelemos a espiritualidade e ganhemos a habilidade de ver outros filmes, não compreendemos que apenas sonhamos. Por vezes sentimos a mesma coisa quando sonhamos, mas você fica com a impressão que está é a vida real, como se você ficasse no sonho para sempre. É exactamente isso que ocorre com você neste momento – você está adormecido!

Os Cabalistas, aqueles que fizeram a transição para outra realidade, dizem-lhe: “Você está adormecido e vê um sonho. Eleve-se acima dele, desperte!” Esperemos que o despertador toque neste momento, que nós saltemos da cama, e nos encontremos a nós mesmos noutro filme.

Página Diária 07.12.09

A ABORDAGEM CORRETA DO “O LIVRO DO ZOHAR”

Uma pergunta que recebi: Qual é o trabalho interno de uma pessoa que assiste às lições do O Zohar na Internet ou na TV? Muitas pessoas estão esperando estas lições ansiosamente e acordam no meio da noite pela primeira vez para assistir à transmissão ao vivo.

Minha Resposta: O Livro do Zohar é uma oportunidade para todos nós revelarmos a verdadeira realidade, que se revela no interior da pessoa. Por meio do estudo, a pessoa descobre que ela percebe toda a realidade dentro dela e conquista a capacidade de colocar o seu mundo interior na ordem correta, de organizá-lo e revelá-lo de uma forma que lhe permita sentir o mundo espiritual, além deste mundo.

Ela não experimenta nenhuma contradição, ilusão ou dúvida sobre a veracidade das suas sensações espirituais. Tudo se revela dentro de seus desejos. Simplesmente corrigindo os nossos desejos, nós revelamos a nossa capacidade interior de perceber e sentir o mundo espiritual dentro deles.

Mesmo as pessoas que não passaram pela preparação para perceber O Livro do Zohar, que não tenham estudado seriamente os princípios da Cabala durante vários anos, são capazes de juntarem-se a nós e merecem a mesma revelação, como um bebê em nosso mundo, que vive entre os adultos, e estes lhe fornecem tudo. Não importa se um bebê nascido no século XXI não saiba sobre as gerações anteriores que prepararam tudo para ele, e todas as coisas que agora o cercam. Ele recebe conforme o nível atual do nosso mundo. O nosso dever é receber tudo da geração anterior, prepará-lo e entregá-lo pronto para o bebê, a próxima geração.

Portanto, os “bebês” da Cabalá, aqueles que agora estão se juntando a nós, nossos novos amigos, merecem a mesma revelação que nós esperamos alcançar. A este respeito, não há diferença entre nós, desde que eles tentem ouvir à media que sejam capazes de juntarem-se a nós, e sintam temor, confiança e respeito por este grande livro. Isto é muito importante para se conectar a ele.

Do mesmo modo, devemos entender que este livro funciona no grupo, e não numa única pessoa. Portanto, se nós não pensarmos sobre a unidade entre nós durante o estudo, perderemos a coisa mais importante. Durante a leitura do O Livro de Zohar, nós devemos estar unidos em cada palavra e discussão sobre ele, pensarmos apenas na unidade dos vasos.

Você pode dizer: “Mas você sempre fala sobre como devemos sentir o texto dentro de nós, que devemos nos aprofundar, e lá, dentro dos nossos desejos, procurar pelos animais, os peixes, Noé, o Criador, o ser humano em nós, o trabalhar com eles. Enquanto que aqui você retorna novamente ao grupo que você achou do lado de fora!”.

Exceto o problema que o grupo não está do lado de fora. O grupo é a seleção e a conexão de todos os desejos em mim, que são chamados de “fora de mim”. Tudo o que eu sinto como externo a mim, está na verdade dentro de mim. Eu devo ligar o conceito de “eu” que está dentro de mim, ao conceito de “externalidade”, os “outros” dentro de mim. Eu não sinto que os outros estão fora do meu corpo, mas dentro de mim, dentro dos meus desejos. É assim que os meus desejos estão divididos.

Nós também aprendemos isso com a sabedoria Cabalística – existe a internalidade e a exterioridade do vaso, circundante e interna, e eu devo corrigir a internalidade e a externalidade através da conexão entre elas. Portanto, “o grupo” é o desejo que eu junto a mim. Você pode dizer: “Um segundo, o que significa “unir todos a mim’? Mas existem desejos em mim que eu não posso corrigir? Portanto, eu respondo que você os conecta, os classifica, e só depois diz: “Este aqui, eu não posso corrigir, mas ele é meu, não há nada que não seja meu”.

Esta abordagem permite que a pessoa inclua o mundo todo, como está escrito: “A pessoa é um mundo pequeno”. Por isso, é necessário pensar sobre isso o tempo todo, e investir mais e mais esforços mútuos nisso a todo o momento – que cada um de nós buscará dentro de si, ordenará e organizará dentro de si todas essas coisas. É assim que nós devemos nos comportar durante todo o dia, de uma leitura do O Livro do Zohar para outra. Só assim revelaremos a plenitude e não ficaremos confusos.

 

PENSANDO NOS AMIGOS

Pergunta de um Aluno: Em Israel e em todo o mundo, existem amigos que estudam a sabedoria Cabalística com a gente e que estão atravessando tempos difíceis, mas eu ainda não os conheço. O que pode ser feito para estimulá-los, apesar disso?
Pense neles, estimule-os em seus pensamentos. Não há outro conselho.

Resposta do Dr. Michael Laitman: Pense neles, estimule-os em seus pensamentos. Não há outro conselho.

Continuação da Pergunta: Pensar na Hissaron (deficiência) coletiva do Kli Mundial espiritual?

Continuação da Resposta: Pense que você é o fiador para todo o “Kli Mundial” – para cada um e para todo o Kli como um todo. Você é o fiador para eles, com sua preocupação de que eles não cairão. Ou que eles cairão, mas entenderão imediatamente porque estão caindo, e imediatamente se prepararão com a força do grupo, reconhecerão a importância da meta e, imediatamente, serão elevados para a execução de uma ação espiritual. Em outras palavras, você deve pedir em favor deles, conectar-se a eles, e rogar ao Criador: “Se isso acontecer, eu quero que eles reconheçam de imediato o sentimento negativo como um meio para o avanço, como um meio necessário para o avanço, e não que o meu amigo irá falhar”..

E se você pensa dessa forma – antes de mais nada, veja o quanto esses pensamentos o influenciam, o quanto o corrigem: Eu penso que em favor de alguém, e de repente começo a sentir que ele está perto de mim, que é realmente o meu desejo. Na verdade, eu não penso sobre ele em absoluto, mas sim penso secretamente sobre a maneira na qual eu seria capaz de trazer o meu desejo mais perto de mim. Então já não existe “eu” e “ele”, mas nós dois nos tornamos um. Assim, essa cadeia de pensamentos lhe traz a correção. Nós achamos que pensando em alguém, estamos fazendo um favor, ou dando Arvut (garantia mútua) a outra pessoa. De jeito nenhum! Dessa maneira eu me salvo.

Revele o Mundo dos Desejos


Na leitura de ontem, alguém me perguntou: “Como deverei agir com relação às pessoas a minha volta se elas existem dentro de mim? O problema é que existe o que é a realidade e existe o que nós desejamos. A realidade é o que nós sentimos e percebemos, de acordo com o princípio, “Um juiz não tem mais do que seus olhos podem ver”. É isso que deveríamos usar para avaliar tudo em nosso mundo e para agir de acordo. Nesse mundo, os únicos que agem são eu mesmo e as pessoas ao meu redor.

O desejado é o que eu descobrirei no futuro, nas minhas qualidades corrigidas. Naquele mundo eu estarei unido com o ambiente e com o Criador. Aprendemos que existe outra realidade onde tudo é percebido dentro de nós e nada é percebido fora de nós. No entanto, agora tudo isso é ainda irreal para nós. É possível que tudo o que imagino como o quadro do futuro não seja realmente nada como imagino. Nós não percebemos o quanto nossa vida mudará. Não é que nosso mundo não irá mudar de alguma forma: ao contrário, um mundo completamente novo emergirá.

Então, quando nós lemos o Livro do Zohar , temos que nos desligar de tudo o que é familiar para nós e tentar nos imergir nesse livro, como se entrássemos nele. Quando eu leio o Livro do Zohar e estou nele, então eu realmente vivo dentro dele.

Por enquanto eu não posso existir em dois mundos simultaneamente. Por agora, eu sou capaz de estar em um só mundo. Então, nós nos desligamos desse mundo material e tentamos construir outro quadro, como a criança que deseja crescer. Ela deseja ser um adulto em todos os aspectos, como nas roupas que veste, no jeito em que atua, e da forma como os outros a veem. Ela quer que todos a tratem como a um adulto.

Da mesma forma precisamos imaginar em todos os nossos sentidos e em todas as nossas fantasias que o Zohar está falando sobre o nosso novo mundo, no qual estamos situados. Em outras palavras, ele está falando sobre minhas qualidades internas, nas quais eu existo e nas quais eu vejo a nova realidade. Esse “jogo” produz a influência da Luz que Reforma, e então aquele novo mundo é revelado.

Não é que um novo mundo é revelado e o velho mundo desaparece, e nós voamos pelos céus. Mais exatamente, eu revelo que estou vivendo nos desejos: quer dizer, dois desejos – o meu e o do Criador, que se tornam revelados um contra o outro dentro de mim. Eu os sinto e existo entre eles como a linha média, que é meu “eu”. Não há nada exceto isso; eu existo entre duas forças.

Deixe o Zohar Levar Você ao País das Maravilhas dos Desejos


Enquanto estudamos o Zohar, nós deveríamos nos concentrar somente no quadro interno onde tudo se conecta. Temos que nos aprofundar e não pensar sobre nada que permanece fora de nós. Nós temos que estar completamente mergulhados nesse livro, como se tivéssemos entrado num país de maravilhas e estivéssemos viajando por ele, desejando ver e aprender tudo que existe lá.

Escutamos vozes, vemos cores diferentes, e não entendemos o que está acontecendo ali, como nos afeta e o quanto nos afeta. Entramos no mundo de nossos desejos e qualidades, e estamos perambulando entre eles. Por exemplo: é como esses filmes onde a câmera penetra no corpo da pessoa e viaja através dos vasos sanguíneos, mostrando tudo que está acontecendo lá dentro. Da mesma forma, nós penetramos dentro de nós mesmos e ficamos rodeados por nossos desejos. Entramos em um mundo que consiste de nossas próprias qualidades e desejos, assim como as Luzes, Kelim e telas, que temos que imaginar.

Nós o podemos imaginar como se existíssemos dentro dele e ele nos rodeasse por todos os lados. Ou podemos imaginar que ele está dentro de nós e que sempre estamos escavando dentro dele tentando entendê-lo melhor.

Podemos imaginá-lo de diferentes formas, mas a coisa mais importante é não vinculá-lo à nossa atual realidade. No entanto, mais tarde descobriremos que essa realidade é também sentida dentro de nós.

O Zohar Constrói Nossa Alma


Ao estudar o Livro do Zohar, cada pessoa discerne precisamente o que é necessário para sua alma. Ao ler o Zohar, cada um de nós recebe suas próprias impressões, que são distintas das de outra pessoa.

A narrativa inteira do Livro do Zohar deve passar por nós. No entanto, o desenvolvimento da pessoa não acontece em virtude da influência da narração em si, mas pela Luz que Reforma. A Luz ilumina o desejo da pessoa, sua matéria, que contém genes informativos, Reshimot. É semelhante ao trabalho das células tronco -a base de todas as células do corpo humano.

Como a Luz influencia nossa matéria, ela desperta os Reshimot que estão dentro da matéria e que são únicos e específicos. Com o auxílio da Luz, esses Reshimot constroem certa estrutura, uma parte da alma, fora da matéria. Como resultado, cada pessoa possui sua própria construção de alma.

A Tela Não É Só Uma Divisão, Mas Um Sistema Completo


A pessoa é um mundo pequeno, o que significa que o mundo todo está dentro de mim. Eu estou diante da Luz Superior e do Criador com todas as minhas propriedades e características internas. Sou incapaz de imaginar algo fora de mim.

Nós já passamos por uma preparação suficiente para evitar associar o que está escrito no Livro do Zohar com as imagens do nosso mundo, com a história ou geografia. Podemos agora ver que o texto descreve a nós mesmos, o Criador e a tela entre nós e Ele. Agora temos que tentar ver o sistema e a estrutura do relacionamento que temos que construir entre Ele e nós.

A tela não é só uma divisória entre o Criador e eu, mas um sistema completo. Afinal de contas, eu sou somente um ponto de desejo criado “do nada” e o Criador é também como um ponto, uma centelha de Luz que me criou, o ponto do desejo.

A tela se refere a um imenso sistema que existe entre ambos os pontos: eu (um ponto negro) e o Criador (um ponto de Luz branca). A tela não está posicionada acima do desejo de desfrutar, mas está incluída nesse desejo. Com o auxílio da tela eu posso calcular quão estreitamente posso alinhar meu desejo para ser compatível com a Luz; por isso a tela deveria abraçar completamente meu desejo.

Rosh (a cabeça) do Partzuf é o lugar onde eu decido qual parte do meu desejo deveria se prender à Luz. A parte do meu desejo que sou capaz de alinhar com a Luz é chamada de Toch (a parte interna) do Partzuf. A parte que ainda não sou capaz de alinhar com a Luz é chamada de Sof (o final) do Partzuf.

A tela opera dentro de todas essas partes, sendo um sistema que me conecta com o Criador. O sistema está dividido em três partes:

1. Rosh, a cabeça do Partzuf, que executa o esclarecimento e o cálculo;
2. Toch, a parte do Partzuf, que recebe a Luz e alcança semelhança com ela em ação;
3. Sof, o final do Partzuf, onde um cálculo separado é executado conforme minha habilidade de ser semelhante à Luz.

Não é suficiente para mim simplesmente decidir que parte do meu desejo eu posso tornar semelhante ao Criador e jogar o resto fora. Eu também preciso checar quais partes eu não posso alinhar com o Criador e por quê. O final do Partzuf tem que ser tão claro quanto a parte interior.

O Anfitrião me pergunta sobre cada pequeno detalhe: “Por que você não aceita a Minha Luz? Eu então tenho que checar aquele detalhe e explicar a mim mesmo porque não posso receber dentro dele. Então, a tela é um sistema completo de conexão entre o Criador e eu mesmo; não é simplesmente uma divisão que desenhamos nas nossas ilustrações.

Quando estudamos o Zohar, estamos constantemente aprendendo sobre esse sistema – a conexão entre nós e o Criador. Eu estou abaixo e o Criador está acima, e entre nós existe um sistema inteiro que chamamos “a tela”, que consiste de três partes principais. Esse sistema abarca todos os mundos.