Textos com a Tag 'Zohar'

Página Diária 27.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

Trabalhe em Benefício do Criador com Alegria!

Pergunta de um aluno: Porque o trabalho em prol do Criador deve ser com alegria?

Resposta do Dr. Michael Laitman: A “alegria” é um sinal que você está trabalhando com o intuito da doação, e não obrigado, por não ter outra escolha, ou por temer as crises. Uma mãe não fica contente quando está alimentando o filho, e este quando recebe dela e desfruta isso? Veja como ela conta para todo mundo como ele comeu e aceitou o seu alimento.

Como é possível que o ato de doar, que vem do amor, não causaria alegria? A alegria é um sinal, o resultado das boas ações. Por outro lado, a pessoa que está sob o controle do seu desejo de receber, sob controle do ego, normalmente está estrassada, com raiva, ansiosa em relação ao Criador.

Portanto, o nível de bondade, de fé, de anulação perante a Forca Superior, de modo que isso possa influenciá-lo e corrigí-lo em prol da doação, tudo isso deveria resultar em felicidade. É impossível se dirigir ao Criador, quando isso não for resultado da alegria. O choro não é ouvido lá em cima. Quando “O Zohar” escreve “Porta das Lágrimas”, isto significa que desejamos nos igualar ao Criador (“lágrimas”, dmaot, da palavra le’idamot, significa “assemelhar-se”). Isto se refere à deficiência da pessoa em se igualar ao Criador, e não ao ato de chorar. A pessoa está feliz por ter alcançado essa deficiência.

Se você se dirige ao Criador em prantos, na verdade você O acusa de ter arranjado isso para você, toda essa situação. É como se você estivesse infeliz com tudo isso, e você executa isso devido à falta de escolha, sem a capacidade de justificá-Lo.

Portanto, se a pessoa não está contente com cada estado que ela atravessa – tanto o melhor quanto o pior, isso significa que ela ainda está no desejo de receber para receber, e que não possui nada com que se dirigir ao Criador. Somente depois que ela se eleva a um estado de felicidade – e, portanto, não se importa com o que acontecerá a ela, porque pede a força da doação – ela recebe essa força.

Existem situações delicadas aqui, que nós ainda não somos capazes de digerir. Se eu estou feliz e satisfeito, como serei capaz de me dirigir ao Criador? A resposta é que, se a pessoa quer doar, a sua felicidade resulta daquilo que ela conseguiu realizar ao pedir a força da doação, e não importa a ela o que acontecerá em seus vasos. Ela não tem qualquer necessidade de algo para si mesma.

Porém, novamente, esse tipo de pedido vem somente da alegria. Você não pode ir até o dono da realidade chorando. Este é um sinal que você não está satisfeito com Ele , que você está reclamando de tudo que Ele faz, e se sente mal em Seu mundo. Caso contrário, por que você está pedindo algo para Ele? Você só deve pedir uma coisa: ser semelhante a Ele, ser até mais doador em relação a Ele. Mas este é um pedido que se estende da alegria, pois vocês já se assemelham a dois amantes que entendem a conexão entre si, estão em companheirismo, e aprendem como podem se conectar mais e satisfazer um ao outro. 

Porta das Lágrimas

Pergunta de um aluno: Se eu já sou feliz, porque eu deveria pedir a doação a Ele?

Resposta do Dr. Michael Laitman: Eu estou feliz por ter alcançado esse pedido, “A Porta das Lagrimas”. “A Porta das Lágrimas” é um estado cheio de alegria. Eu alcancei um estado onde estou explodindo de alegria, com a magnitude da condição na qual eu finalmente me encontro diante do Criador, com meu pedido sendo aceito, que a Luz vem até mim e me reforma, e com a capacidade de realizar um ato com o intuito da doação. Isto é chamado de “Porta das Lagrimas”. 

O Esforço é o Mais Importante

Pergunta de um aluno: A leitura do Zohar influencia a pessoa, mesmo que ela não perceba isso?

Resposta do Dr. Michael Laitman: A pessoa que se sentar para estudar O Zohar por dez lições seguidas, certamente sentirá que este livro a influencia e age sobre ela. Quem estuda O Zohar atravessa grandes e diferentes mudanças: primeiro, na concentração em relação à vida – para que tipo de coisas ela presta atenção ou não; segundo, ela se torna mais introvertida em seus sentimentos internos; terceiro, as atitudes em relação aos outros mudam – ela lhe dá mais espaço.

A pessoa que estuda O Zohar, de repente começa a pensar sobre suas ações, sobre o que lê no Zohar, e começa a vê-las como ações mais interiores do que o nosso mundo, etc. É certo que a pessoa que estuda O Zohar muda – O Zohar a transforma bastante, acalma-a, torna-a mais introvertida, mais séria, mais decidida. Nesse aspecto, a influência do Zohar é muito forte. E isso não depende do seu nível de entendimento, mas sim do seu esforço, à medida que a pessoa se esforça para entender o que está acontecendo aqui, o que está sendo discutido.

Página Diária 25.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

O Sistema Espiritual: Como Ele funciona?

Muitas vezes nós falamos de que como existe um Criador e uma criatura, que deve haver uma conexão entre eles, e que ambos devem chegar a um estado onde eles se encontrem. Mas como isso é possível se a criatura só recebe, ao passo que o Criador só doa? Isso pode ser demonstrado através do exemplo bem conhecido do anfitrião e do convidado. O Criador, o anfitrião, quer dar e, portanto, leva comida e bebidas à criatura, prepara cinco pratos para ela. A criatura não quer receber os pratos, mas finalmente diz: “Eu receberei só com o propósito de doar ao Criador”; assim, ela se aproxima da mesa e prova os pratos. Este é o lugar onde eles se reúnem em doação mútua – o Criador doa prazer à criatura, enquanto a criatura recebe o prazer, a fim de provocar satisfação no Criador.

Como é que esse princípio se manifesta no sistema dos mundos? O local onde as almas existem, é chamado de Mundos de “Beria“, “Yetzira“, e “Assiya” (Mundos de BYA). Abaixo está este mundo – o lugar que estamos agora. Se percebermos o ponto no coração que desperta em nós, seremos capazes penetrar o estado onde as almas estão, os mundos de BYA.

As almas que existem no mundo da BYA estão quebradas, ou seja, ainda não estão corrigidas. Este é um estado que eu alcanço depois que começo a trabalhar com meu ponto no coração, e descubro que o meu estado está quebrado, que eu não quero me conectar com os amigos, com os outros, que eu odeio todo mundo. E, na verdade, eu também odeio o Criador da mesma forma, só que eu não sei disso, e também não admito isso. Tal estado é chamado de “o reconhecimento do mal”.

Mas graças ao trabalho no grupo, com o professor e os livros, eu desperto em mim a importância da meta. Portanto, existem dois extremos em mim – o reconhecimento do mal e a importância da meta; e a partir daí eu começo a gritar, a pedir. Este pedido eleva-se acima do limite denominado “o Parsa“, que é a condição de que meu pedido será realmente para doação, para a correção.

E se este for o meu desejo, então não haverá mais o Parsa, não haverá diferença, ou uma parede entre mim e o sistema chamado “Malchut“, “Nukva“, ou “Knesset Israel“, e eu estou incluído nele. Este é o local mais elevado que as almas podem alcançar, e então “Malchut” se conecta com o Partzuf chamado “Zeir Anpin“, ou” o Criador “. Ou seja, se Malchut recebe de mim algum tipo de déficit para a correção, ela levanta esse último ao Criador, e de lá recebe a Luz.

Então, esta Luz vem até mim, corrige-me, e me permite entrar novamente nesse sistema na versão corrigida, integrar-me dentro dele, estar em contato com o Criador.

Em outras palavras, na primeira vez o pedido é “dá-me força para doar”, e na segunda vez, quando esta força já está em meu poder, depois de eu ter me corrigido, eu já me elevo e existo num nível mais elevado. É sobre isso que O Livro de Zohar fala. Mas a verdade é que não importa o quanto nós sabemos ou compreendemos, mas sim que a coisa mais importante é nos esforçarmos de algo forma em adentrar os estados que ele fala. A entrada para a espiritualidade se assemelha às ações de um bebê na materialidade ─ assim como o bebê não sabe nada, e entra, ouve, e está incluído em tudo de maneira ingênua, nós também devemos nos esforçar durante a leitura para entrar no mundo que O Zohar fala.

Antecipando a Chegada da Luz

A pessoa pode começar a assistir às aulas do Zohar enquanto estamos no meio do livro ─ isso não importa. Se a pessoa que lê O Zohar não conseguir que a Luz que está dentro dele brilhe em cima dela e abra sua alma, então não importa onde e o que lê, porque ela não sabe do que se trata. Eu só explico um pouco a fim de delinear algum tipo de orientação, a fim de concentrá-lo; mas até que o livro seja aberto, nada do texto escrito será compreendido.

Talvez nós possamos dizer que entendemos alguma coisa, mas esse não é o objetivo. O nosso objetivo é que a Luz que nos dê a força de doação. Na medida em que eu alcanço a força de doação, a força de Hassadim (misericórdia), eu posso receber a Ohr Hochma (Luz da Sabedoria). A Ohr Hochma é a visão: a capacidade de ver, de sentir o mundo espiritual, o Criador, a alma, o meu estado eterno e completo. Por conseguinte, durante o estudo do O Zohar eu devo apenas antecipar a chegada da Luz. Se ela não vier, então, mesmo sabendo este livro de cor, isso não ajudará.

Isto é, o objetivo da minha leitura é apenas receber do livro, do estudo, do grupo, de todos, algum tipo de projeção, a inspiração que me transformará, que me dará força para doar. E se for meu direito, eu começarei a sentir a espiritualidade. É possível que muitos dos nossos telespectadores não entendam uma palavra sequer do O Zohar, e é possível que alguns deles pensem que são muito espertos ─ não há diferença entre eles. Toda a diferença reside no desejo de que o mundo espiritual se abrirá. E se isso existe: esta é a coisa mais importante.

Dejà Vu Enquanto Se Lê O Zohar


Você sabe que está estudando corretamente O Zohar quando você continua lendo repetidamente, ainda que você não entenda nada. Você não precisa ter medo disso ou tentar mentir para você mesmo. Ao contrário, você precisa aceitar o fato de que é desconhecido como a um bebê, e então ele irá realmente ganhar claridade.

Estudar O Zohar traz uma sensação de Dejà Vu, onde algo que você já leu antes de repente aparece em sua memória enquanto lê uma parte diferente do texto. Quando você o lê pela primeira vez, você não entende nada, mas agora subitamente tudo se junta, parecido a como algo em nosso mundo se revela a um bebê.

Se parece que o material é claro para você, então esse é um grave erro de sua parte que atrasa seu progresso. Você precisa entender claramente que você está lendo sobre fenômenos que atualmente não existem dentro de você.

Se sua alma se corrige, então você os perceberá apropriadamente. Mas por agora você está meramente ouvindo as palavras sem saber o que elas realmente significam. Por exemplo: você lê a palavra “escuridão” e pensa que você entende seu significado, mas na verdade ela significa algo completamente diferente; ela se refere à inabilidade de perceber alguma coisa. Afinal de contas, o livro fala sobre doação, enquanto você só conhece como receber.

Sua oposição à Luz, a esse estado elevado de doação, é chamada escuridão. De um modo similar, sua semelhança com a Luz e a habilidade de se conectar a um mais avançado desejo é chamada Luz. Nesse aspecto, não importa se você não entende e não pode imaginar essas noções. O que é importante é seu desejo. Isso é o que atrai a Luz – a força que desenvolve você.

Página Diária 20.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

ANSEIO PELA SANTIDADE NA ESCURIDÃO

Quando eu leio O Livro do Zohar, eu preciso sentir que ele está falando sobre mim. Ele me fala de um jeito diferente e estranho sobre o que está ocorrendo dentro de mim, e somente dentro de mim. Eu tenho figado, pulmões, rins, baço, sistema digestivo, etc., e além desse sistema, dentro de mim, existe também o sentimento, e esse livro está falando somente sobre esse sentimento. Dentro desse sentimento existe desejos diferentes, qualidades, pensamentos, todos os tipos de impulsos. Eu devo me perguntar: Com exceção da carne que está dentro de mim, quem é a pessoa dentro de mim? E eu pego essa especie de faca, abro-me totalmente, e olho dentro.

E o que eu vejo? O que exatamente os autores do Zohar descrevem para nós. Vocês devem se esforçar para ver e identificar isso. Dentro dessa “pessoa” dentro de mim existem qualidades chamadas Esaú e Jacó, boi e asno, pássaros e árvores, Adam Ha Rishon, e a Arca de Noé. “Árvore”, significa um desejo único em mim, uma qualidade especial. A Arca é uma qualidade única na qual eu posso me ocultar, que pode me proteger.

Eu devo começar a trabalhar com nisso. O que eu ganho com isto? A verdade é que isto não vai lhes trazer nada. Ao se esforçar em identificar essas coisas, uma força chamada “A Luz que Reforma” vem até você, e é por ela que devemos ansiar. Digamos que você deixa a aula e diz a si mesmo: ‘Eu consegui! Eu senti que hoje eu entendi quem é Jacó, quem é Esaú, quem é Israel, etc”. E daí? Isso não significa nada. Na próxima vez você vai embora e dirá a si mesmo: “Eu não entendi nada, eu não consegui me concentrar, tudo está árido. Eu consegui me esforçar por alguns minutos durante toda a lição”. Precisamente esses poucos minutos é que serão o seu ganho.

Isto é o “ocultamento”. Somente aquele que investe, e respeita esses momentos, a sensação de dissabor, a falta de clareza, e deseja avançar sobre isso em direção à “doação” somente através desses ganhos.

Eu estou dizendo a vocês por experiencia própria ─ às vezes é necessário estudar o Zohar por duas ou três horas, sem se levantar, até quebrar essa não falta de receptividade, e entrar num estado em que você começa a trabalhar com essas forças.

Mas as correções que vocês fazem durante essas duas ou três horas, é a coisa mais importante. Não foi em vão que o Baal HaSulam escreve na “Introdução ao Talmud Eser Sefirot” (Introdução aos Estudo das Dez Sefirot), que exatamente nesses estados de ocultamento, estão os estados em que você pode trabalhar duro, e demonstrar que realmente deseja se aproximar da Divindade. Não há duvida que isso é completamente oposto a tudo que estamos acostumados neste mundo, onde julgamos tudo de acordo com nossos sentimentos egoístas.

Portanto, aquele que trabalha na escuridão, e sente que isso não faz sentido, precisa perceber que esses estados são muito benéficos para o avanço em direção à doação, de tal modo que com o tempo ele não desejará outro estado, mas sim entenderá que esse esforço grandioso é a recompensa. Estes momentos são dados para que você trabalhe arduamente sem receber nada que desperte o ego, suas tendências maldosas, o orgulho, o entendimento, a mente, e o sentimento ─ entretanto, você tem a opção de insistir um pouco e fazer grandes esforços ─ esses são os melhores estados. A capacidade de alcançar esse ponto de contato com a santidade na escuridão é uma recompensa. Em tais estados fica claro que você não será prejudicado pelo seu desejo de receber.

Portanto, nós devemos estar felizes nos estados que não têm sentido. Através deles a pessoa cresce. É óbvio que aqui o apoio do grupo é muito importante, a impressão e todo o entusiasmo, que inclui todos os nossos amigos ao redor do mundo. Quando você não recebe o apoio do Criador (mesmo que isso venha Dele), você pode ansiar pelo apoio do grupo ─ e essa é a melhor coisa. Aqui há espaço para a prece de muitos, para o esforço verdadeiro e correto.

COMO COMPREENDER O LIVRO DO ZOHAR

O sucesso no estudo do Livro do Zohar não depende da capacidade mental da pessoa em organizar tudo que ele descreve. Por exemplo, um dia você pode sair da lição muito contente em relação a tudo que sentiu e entendeu, e feliz por ter entendido o que está por trás dos nomes e palavras nesse livro. Mas, no dia seguinte, você sai da aula desapontado, pensando, “Eu não entendi nada! O material estava tão tedioso que eu nem consegui me concentrar. Eu me concentrei apenas por alguns minutos, dentro de uma hora e meia de aula.”

A verdade é que você não é capaz de avaliar a situação corretamente; o seu maior ganho veio exatamente daqueles poucos minutos que você foi capaz de se esforçar. Nós não sabemos nada sobre o Mundo Superior ou sobre nós mesmos, ou as condições para revelar isso. Tudo isso está oculto. Mesmo assim, se a pessoa dá tudo de si e se esforça, então, precisamente quando ela está nesse estado de não se sentir satisfeita ou interessada no estudo, quando nada “brilha” para ela, ainda sim ela deseja provar que quer alcançar o desejo de doar – esse é o melhor momento e o melhor estado.

Eu posso lhe dizer por experiencia própria que isso geralmente me consome muitas horas de trabalho nos textos do Zohar, até que eu começo a atravessar a barreira que me separa dele. Porém, sentir que aquela parede impenetrável entre nós começa a se dissolver é a maior alegria do mundo….

As correções feitas durante aquelas horas de “entorpecimento” são os esforços mais importantes que você pode fazer em seu caminho ao Criador! É precisamente em resposta a esses esforços que a Luz Superior vem até você, em vez de todas as outras coisas que vêm facilmente. Assim, esse trabalho duro, é o melhor estado possível.

O Que É Verdade?


Baal HaSulam escreve que “Não há nada mais alto do que a verdade e nada mais baixo do que a falsidade”. Mas como podemos saber qual é a verdade e onde encontrá-la? As coisas só parecem verdadeiras na nossa imaginação e fantasias, mas sabemos que o que parece verdadeiro hoje se tornará uma mentira amanhã. Isso é assim porque nosso desejo muda, e quando isso acontece tudo o que vemos muda também. Porque a matéria muda, a forma que estava presente na matéria ontem não é mais visível para nós hoje.

Constata-se que hoje nós somos operados de acordo com a forma vestida na matéria, e nós consideramos que isso seja a verdade. Mas, amanhã nós a descartaremos e diremos que era uma mentira, dependendo no que vamos ver amanhã. Nós sempre temos que agir baseados no desejo e na forma vestida nele, durante o momento que estamos naquela forma. Não me importa se eu costumava pensar diferente cem anos atrás, e se eu irei pensar diferente daqui a duzentos anos. Tudo será novo – eu terei uma nova vida, um novo céu e uma nova terra. Todavia, hoje eu tenho que tomar todas as decisões baseado nos fatos de hoje.

Isso significa que não temos o direito de julgar os outros – aqueles que estão abaixo ou acima de nós. Como você pode julgar alguém num nível abaixo de você se ele não está corrigido ainda? Afinal, ele está certo em relação a sua posição.

Todos os erros, problemas e punições nos são dados para nos “meter” numa forma vestida em matéria, assim nós não nos separamos da matéria e nos envolvemos em raciocínios abstratos. Isso é extremamente importante ter em mente enquanto estudamos O Zohar. Afinal, O Zohar está programado para nos levar para o mundo espiritual, e nessa área nós somos tentados a fantasias e misticismos. Nosso corpo realmente deseja isso porque vai sentir menos sofrimento dessa forma.

Temos que fazer um esforço para nos manter baseados na estrutura da matéria. Fazendo isso, estaremos fazendo a correção. Temos que inserir a forma da doação na nossa forma de recepção egoísta, mas elas não se encaixam uma dentro da outra; elas são absolutamente opostas, e desta forma nossa tarefa é extremamente difícil!

Por isso O Zohar toma tanto cuidado de nos manter vigilantes no que nos está acontecendo e quais formas estão vestidas em nós. Afinal, ao nos separar da matéria, nós poderíamos imaginar que já estamos no mundo de doação e sem fim.

Trabalhando Com O Criador Num Único Sistema


Se eu sinto as focas do mal, significa que estou pronto para entender o que são as boas forças, que estão situadas do outro lado das forças do mal. No entanto, eu não estou sob a influência das boas forças; ao invés, eu caio sob o domínio das forças do mal.

Por exemplo: eu tenho uma casa, que é boa, quente, e segura. Mas à noite eu me encontro numa floresta escura, onde eu me sinto assustado e miserável porque eu tenho algo bom para comparar com tudo isso. Mas, se eu não tivesse uma casa boa e quente, eu não sofreria; eu iria simplesmente me acomodar para viver na floresta. Ela não me pareceria escura e assustadora, mas seria minha vida normal. Da mesma maneira, nós nos acostumamos com a vida nesse mundo – o pior de todos os mundos.

Esse entendimento teria que nos ajudar a evitar sermos confundidos pelas imagens que O Zohar descreve. Quando lemos sobre figuras assustadoras, devemos nos dizer que “tudo isso que existe dentro de mim”. São meus desejos, nos quais desejo receber prazer. Todos esses demônios, espíritos, e inferno estão bem aqui.

Devemos entender claramente isso. De outra forma, iremos produzir toda sorte de imagens de inferno e céu, que são costumeiras nas religiões que nos dizem: você está proibido de ir ali, e permitido para ir até lá. Por isso Baal HaSulam criou o comentário ao Livro do Zohar, para nos ajudar a nos livrar dessas imagens inventadas e para buscar por tudo isso dentro de nós.

Estamos estudando a parte interior da Torah, que nos diz que tudo está dentro da pessoa e a pessoa é um pequeno mundo. Tudo isso sou eu, e não há nada exceto eu na vida. A única coisa que existe dentro de mim é o Criador (a Luz), ou a percepção oposta d’Ele. Só existe ele e eu, e Ele me diz como revelá-lo da sua ocultação. Ele propositalmente arranjou tudo dessa maneira, onde como resultado do meu esforço, e minha busca, eu O revelarei.

Ao corrigir meu desejo, eu venho a conhecê-Lo, o Único que me criou dessa forma. Ao alcançar o Criador, eu alcanço a mim mesmo – todas as minhas qualidade e capacidades e. Como alcanço essa correção? Eu peço constantemente a ele para me ajudar a juntar e entender algumas partes da minha alma. Em resposta, Ele vem e se revela a mim, e nós começamos a trabalhar juntos e unidos através desse trabalho.

Esse sistema no qual trabalhamos se tornará minha alma, onde Ele e eu existimos juntos. E O Zohar nos fala sobre isso.

Alcançamos O Mundo Espiritual Naturalmente, Como um Bebê


Recebi uma pergunta: Quando lemos O Zohar, nós presumimos que seguimos o texto como se estivéssemos dentro de nós mesmo. No entanto, não temos que também nos esforçar para exigir nossa correção?

Minha resposta: O Zohar mesmo dirige você à correção e aos pensamentos necessários. Ele irá dizer a você o que é bom e o que é mau dependendo do seu estado específico e o que você em particular precisa clarificar.

O livro em si vai prover você com essa abordagem. De nossa parte, precisamos simplesmente ser capazes de aderir-nos a ele e ao seu fluxo, para “nadar” com ele obedientemente e ir onde quer que ele deseje nos levar. Temos que deixar nossa mente e coração nadar suavemente junto com a corrente.

Tudo é predeterminado, inclusive meu desejo, os Reshimot nele, e a Luz que concretiza os Reshimot. No entanto, tudo depende do meu esforço e do meu consentimento para dar à Luz acesso aos Reshimot.

Eu só permito que a Luz aja, mas, além disso, tudo acontece seu meu conhecimento. Eu só testemunho tudo o que acontece dentro de mim. Meu esforço é chamado “Avodat HaShem” – o trabalho do Criador, eu somente sou um cúmplice nisso. O Criador disse a Moisés: “Vamos ao Faraó. Eu vou fazer tudo e você vai olhar como eu atuo em relação a ele”. Isso significa que meu ponto no coração, o primeiro Reshimo espiritual, me traz até a entrada de um novo mundo, do qual eu não conheço nada. À medida que eu aprendo sobre ele e me conecto com ele, serei capaz de viver nele.

Baal HaSulam escreve que do mesmo jeito que é impossível para os corpos materiais viver nesse mundo sem saber suas leis, regras, e condições, também é impossível para a alma viver no mundo espiritual sem receber o conhecimento necessário sobre ele. Assim, agora mesmo estamos tentando receber esse conhecimento necessário. Quando o recebermos, sentiremos que já existimos no mundo espiritual, porque na espiritualidade, conhecimento e sensação é a mesma coisa.

Agora mesmo eu sinto somente meu corpo animal – uma realidade ilusória; mas eu também tenho um ponto no coração que pode potencialmente sentir o Mundo Superior. Esse ponto que nos foi dado é uma tremenda oportunidade; porém, é a única coisa que me foi dada. Eu preciso desenvolver o resto por mim mesmo, e por isso me foi dado O Livro do Zohar, que fornece uma explicação para mim.

Eu aprendo sobre o Mundo Superior como um bebê aprende sobre esse mundo sem saber nada sobre ele antecipadamente. Um bebê não pode alcançar o mundo com sua mente, fazendo uma análise e uma síntese. Eu também não posso fazer isso com relação ao mundo espiritual. Eu aprendo sobre ele somente ao aderir ao livro e atraindo a Luz Circundante. Esse tipo de estudo é o mais natural. Nós descobrimos um mundo novo da mesma maneira como descobrimos esse mundo quando éramos bebês.

O Nível Superior nunca pode ser alcançado com a mente, desde que não o sentimos, vemos, ou entendemos. No entanto, temos que começar a senti-lo.

Não Ande em Solidão


O Zohar: está escrito sobre o pecador Bilam: “Ele andou em solidão … como uma víbora na estrada”, como uma cobra que rasteja sozinha, e um corvo ao longo de estradas sinuosas. Assim Bilam andou em solidão para fortalecer seu espírito de impureza.
Assim é com toda pessoa que anda sozinha, mesmo num lugar de destaque, mesmo numa cidade, em locais conhecidos, ela atrai sobre si mesma o espírito de impureza.

Tudo isto está dizendo-lhe: Una-se com os seus amigos. Os Cabalistas estão a dizer-lhe que você não pode embarcar sozinho no caminho espiritual. Se você quiser ir para a estrada, mas a estrada está escura, e você não consegue ver nada porque não tem Luz (nenhuma qualidade de doação, você ainda não se conectou ao sistema espiritual, às outras almas), então você não deve deixar sua “casa” sozinha. Você está no escuro porque está sozinho.

Assim está escrito: “Que o homem não ande em solidão numa estrada e numa cidade” – mas apenas em conexão com os outros, mesmo onde as pessoas caminham e habitam.

E também: “Que o homem não ande sozinho à noite” – porque nesse horário não há pessoas.

Você não deve dar um único passo sequer; isso não irá beneficiá-lo porque você ainda não é capaz de se unir com os outros apesar do seu egoísmo. Você não deve dar um único passo sequer, visto que este passo não será dado na direcção correta: na direcção da doação, do amor, do Criador. Primeiro você tem que se unir aos outros e só depois sair. E uma vez unido a eles, de repente você verá que lá fora não é noite, em absoluto, mas dia.

Mas à noite vocês não devem embarcar num caminho, mesmo quando juntos, porque isso significa que ainda não alcançaram o nível requerido de unidade. Como vemos em O Zohar, quando a noite cai, você tem que se esconder numa “caverna” – as qualidades de Bina (doação), como Noé em seu abrigo.

Agora vamos voltar atrás e perguntar: Qual é o significado de tudo isto? O objectivo de O Zohar não é assustar-nos com histórias horripilantes. Pelo contrário, é um livro sagrado que nos diz qual a abordagem correcta para corrigirmos nossas almas. Temos que abrir o livro com o desejo de corrigir todas estas forças dentro de nós, todos os desejos e qualidades sobre os quais lemos. Eles estão todos dentro de nós.

A Espiritualidade é Alcançada Através do Esforço


Enquanto lemos O Livro do Zohar, devemos traduzir instantaneamente todas as palavras e nomes em duas noções (ou qualidades, forças, categorias) que compõem tudo; estas duas noções são a Luz e o desejo. Toda a pessoa tem de dizer a si mesma: todas estas palavras são diferentes desejos e qualidades dentro de mim. Eu devo reconhecê-las dentro de mim e usá-las como exemplo, pois através delas o Criador me mostra a estrutura da minha alma, o meu mundo, a minha estrutura interna, e tudo na existência que Ele criou. Desta forma, Ele revela o meu estado eterno.

É assim que devemos tentar ver sobre o que fala O Zohar. E não devemos nos desesperar, porque tudo é alcançado através de esforços. À medida que cada um de nós emprega a soma de esforços necessária, ele revelará o seu Mundo Superior.

Não importa quão confusos estejamos durante a lição, quão “dormente” seja o nosso estado, quão incapazes nos sintamos na nossa mente e coração (no entendimento e nasensação), nenhum destes esforços depende de nós. Temos de agradecer ao Criador por nos dar a oportunidade de estar à frente deste livro.

Os Cabalistas chamam O Livro do Zohar simplesmente de “O Livro,” enfatizando que não há outros livros além dele. Porque o livro refere-se a uma estrutura, um sistema ou método que revela o Criador à criação.

Não depende da pessoa, de quão preparada ela esteja para ler este livro; depende da sua alma. No entanto, ela está agora colocada no melhor estado possível para ela e está sentada à frente deste livro e começa a escutar a lição sobre O Zohar. Isso significa que ela é capaz de revelá-lo.

O Que Pensar Antes de Ler O Zohar


Quando a pessoa começa a ler O Livro do Zohar, geralmente ela está num estado “adormecido”, e a partir dele ela deve começar a se sintonizar para ler e penetrar o material. Dependendo do quão correcta é a intenção da pessoa, como ela se posiciona, gira em torno de si mesma e se impulsiona numa determinada direcção, ela avançará mais na direcção correta à medida que lê o livro. Desta forma, é importante isolar seus sentimentos e pensamentos de todos os assuntos materiais e concentrá-los novamente na maneira sobre a qual O Zohar está escrito.

Há muitas formas de se “organizar” e se preparar para ler o texto de O Zohar. Aqui está uma delas:

Apenas uma coisa foi criada: o desejo de ser satisfeito pela Luz (o Criador). Dentro da pessoa, este desejo pode ser satisfeito fazendo com que você seja maior, mais elevado, mais forte e poderoso que as outras pessoas. Por outro lado, o mesmo desejo também pode ser satisfeito fora de você, ao se satisfazer os outros. Nesse caso, quanto mais você satisfaz os outros, mais você é preenchido com a sensação de satisfazer os outros. Ao medir esta satisfazção dentro de si, você mesmo é satisfeito.

Em ambos os casos você usa a espessura do desejo (Aviut), todos os seus cinco níveis (ou camadas) , mas você faz isso para o seu próprio benefício ou pelo benefício dos outros. O Zohar nos fala sobre as sensações que são sentidas no desejo de doar. O Zohar diz que o desejo de satisfazer a si mesmo não é natural, porque natural é o Criador. O Criador, a qualidade de doação, é contrário à forma a que estamos acostumados a sentir, porque nós nascemos com esta percepção.