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Entrada No Jardim Do Éden

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Lech Lecha (Vai por Ti)“, item 104: Quando Ruach sai deste mundo e entra na cova de Adam HaRishon e dos Patriarcas, eles lhe dão uma carta como sinal, e ela vai ao Jardim do Éden. Quando ela se aproxima, ela encontra ali o Querubin com a espada flamejante que gira em todas as direções. Se ela é recompensada, eles vêem a carta que é o sinal, abrem o portão, e ela entra. Se não, eles a afastam para fora.

Quando lemos O Zohar, nós devemos imaginar um desejo de doar maior ou menor, ou apenas o desejo de receber, ou seja, devemos vislumbrar mudanças na doação. Esse é todo o mundo espiritual. No entanto, essas variações contêm todas as tonalidades de cor e gradações das qualidades. Tudo o que nós lemos no Zohar é sobre as mudanças na qualidade de doação, a qual se manifesta assim em nossa percepção.

A Escada Para O Infinito

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar nos fala sobre o Mundo Superior, que nós revelamos interiormente. Tudo que é descrito neste livro ocorre dentro de nós. Na verdade, nós percebemos o nosso mundo da mesma maneira. A diferença entre os mundos ou as percepções é que nós percebemos o mundo de forma individual, dentro do nosso egoísmo, enquanto que o Mundo Superior é percebido coletivamente, dentro de nossas relações e da conexão entre nós.

A conexão através da doação mútua e do amor é chamada de alma, e o que nós percebemos nesta alma é chamado de mundo espiritual. Ao fazermos as correções em nós mesmos, nós corrigimos a conexão inicialmente quebrada (Kli) e, assim, revelamos diferentes qualidades da conexão que O Zohar fala. A conexão comum de todas as partes da alma ou da criação é chamada de Criador. Todo o mundo espiritual é composto de diferentes tipos de conexões, chamadas de Abraão, Isaac, Jacó, diferentes anjos, bem como objetos inanimados, vegetativos, animados e espirituais. Todos esses são revelados nas conexões.

Hoje nós percebemos o nosso mundo e pensamos que ele existe por si mesmo. No entanto, isso é uma ilusão. A verdade é que nós percebemos um tipo de conexão entre nós que chamamos por esse nome. O último e mais inferior dos níveis de conexão entre as partes da alma (as almas individuais) fornece a sensação de uma conexão ruim chamada “este mundo”. Quando nós alcançamos a conexão absoluta de todas as partes do universo, essa conexão é chamada de “Mundo do Infinito”, pois é uma conexão irrestrita, sem limites finitos. Ela existe, na verdade, além do tempo e do espaço.

Entre a conexão plena no Mundo do Infinito e a completa ausência de conexão neste mundo, existem cinco níveis de conexão ou cinco mundos chamados Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira, e Assiya. Na verdade, existe apenas uma realidade que é o Mundo do Infinito, mas a nossa percepção dele depende de nossa atitude para com a conexão. Ela envolve: 1) egoísmo ou recepção, e 2) doação ou amor. A nossa vida é a sensação da qualidade da conexão entre as partes da realidade.

Se nós queremos revelar o verdadeiro mundo e compreender, alcançar, e apreciá-lo, nós devemos tentar ver a nós mesmos mais conectados ao ler O Livro do Zohar. Assim, nós começaremos a revelar uma maior conexão e o Mundo Superior. Este método de revelação do Mundo Superior é chamado de “Faremos e Ouviremos”(Naase ve Nishma).

Da 2a parte da Lição Diária de Cabala 18/08/10, O Zohar

Toda A História Está Dentro De Nós

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “VaYechi (E Jacó Viveu)”, item 24: O terceiro exílio é o longo exílio em que estamos, o qual corresponde a 100 anos na vida de Jacó em relação aos quarenta (anos) do exílio na Babilônia.

Nós não devemos ver esta história como uma recontagem histórica. Não existe tal coisa como a história. A realidade que nós pensamos viver transparece em nós como figuras imaginárias: ela se revela dentro do nosso desejo (Kli).

Tudo o que nós devemos fazer é corrigir o programa da nossa percepção. À medida que fizermos isso, nós sentiremos a verdadeira realidade através das nossas próprias propriedades (que são semelhantes ao Criador que as cria).

É por isso que nós temos que tratar as narrativas do Zohar como um convite para revelar tudo o que ele descreve desde dentro, em nossas sensações e consciência, em nossas mentes e corações.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabala 16/08/10, O Zohar

Um Guia Para O Livro Do Zohar: O Grupo É O Meio Para O Desenvolvimento Espiritual

Dr. Michael LaitmanTrechos do meu futuro livro, Um Guia Para O Livro do Zohar

A fim de preparar-nos para o desenvolvimento espiritual, o Criador despertou duas sensações em nós. A primeira é o vazio deste mundo, e a segunda é a aspiração de atingir a fonte da vida, o despertar do “ponto no coração”. O ponto no coração, como uma carga em um campo elétrico, leva-nos a um lugar onde podemos dar-lhe sustento e realização. Este lugar é o grupo.

Na verdade,nós podemos ver como as pessoas em quem o ponto no coração desperta são atraídas uma a outra, naturalmente. É sempre assim na sociedade humana, onde pessoas com desejos semelhantes aproximam-se umas das outras e se reúnem em grupos. O grupo é um lugar onde as pessoas percebem a conexão com o seu próximo em um nível prático, baseado em novos princípios de amor e união, ao invés do ódio e do isolamento.

Portanto, o trabalho em grupo é necessário e obrigatório, a fim de se alcançar a revelação do Criador. Ele permite que a pessoa realmente avalie sua atitude em relação ao próximo e não caia em ilusões no que diz respeito à espiritualidade ou sua conexão pessoal com o Criador. Afinal, o Criador é a qualidade de amor e doação que habita na nossa conexão corrigida.

Tais grupos têm sido sempre criados ao longo da história humana. Ao mudar suas relações no grupo para a doação mútua e o amor, as pessoas criaram as condições necessárias para a percepção do Alto, a verdadeira realidade. A leitura dos livros que elas escreveram sobre o mundo que revelaram nos permite adquirir a enorme experiência acumulada por elas e compreender a forma de alcançar uma nova vida pelo caminho mais curto e eficaz.

Tal grupo é chamado grupo de Cabalistas. Seu objetivo é unir-se entre si no espírito do que está escrito na Torá: “Como um homem com um só coração”,”Não faça ao outro o que é odiado por você” e “Amarás o próximo como a ti mesmo”. Dessa forma, eles se corrigirem e alcançam a  equivalência com o Criador.

A Vida Coletiva Da Luz E Do Desejo

Todos nós estamos incluídos como partes do sistema geral dentro do único estado que lá existe: o Mundo da Infinidade. Ele existe como um corpo semelhante a um organismo vivo que consiste de vários subsistemas internos que transferem sangue, linfa, ou sinais nervosos. Nós estamos todos interconectados no nível do Mundo da Infinidade como um eterno organismo que funciona como uma máquina perfeita semelhante à Luz que o preenche. O desejo e a Luz trabalham juntos em harmonia.

Como em cada corpo saudável, processos de expansão-contração acontecem, como o pulso, a respiração, ou a batida do coração. Mesmo que o desejo de receber prazer e a Luz sejam contrários um ao outro, sua oposição cria uma dinâmica chamada “vida”. Todas essas mudanças produzem a sensação de vida.

Se só a Luz ou somente o desejo existissem, nada seria sentido de maneira nenhuma. A criação sente sua existência porque a Luz e o desejo atuam em conjunção um com o outro, isto é, em harmonia. Algumas vezes a Luz se expande e algumas vezes o desejo adianta-se. Durante todo o tempo, um completa o outro.

Algumas vezes a Luz é maior porque o desejo intencionalmente se diminui e deixa a Luz agir. Outras vezes a Luz permite que o desejo funcione. Um é maior, e então o outro, como num balanço. Isso é o que nos permite ascender, decolando para cima! Essa dinâmica dá nascimento à vida.

Ela trabalha assim no Mundo da Infinidade. Porém, nosso estado é intencionalmente corrompido em tal forma artificial que nós vemos “a vantagem da Luz apesar do estado de escuridão”. Isso nos deixa sentir nossa oposição à Luz e nos permite fazer nossos próprios esforços para nos corrigir. Somente sob essa condição somos capazes de apreciar a Luz.

Se você nasceu perfeito, você irá viver “automaticamente” e nunca irá revelar a perfeição em sua mais profunda medida. Essa é a razão porque as restrições e ocultamentos, distanciamento e a quebra aconteceram, até um ponto de completa separação da criatura do Criador. E essa corrupção existe somente em nossa percepção interna e em nenhum outro lugar mais.

Eu me sinto estando em algum corpo (isso é pura ilusão) dentro de algum (imaginário) mundo somente porque eu estou inconsciente. Eu existo no Mundo da Infinidade, mas minha falta de consciência produz várias ilusões de imagens imaginárias. Esses delírios são chamados “esse mundo”. É o último, o mais baixo, e o pior degrau de todos os estados possíveis.

Assim, é óbvio que nós temos que aplicar esforço e recuperar a consciência (sensação de perfeição). Somente depois de alcançá-la iremos compreender sua profundidade por completo.

Conectando-se Com A Luz

Todos os livros escritos pelos Cabalistas podem me dar a Luz que Reforma. A maior força da Luz descende até mim quando eu leio O Livro do Zohar, é quando acontece a conexão com a Luz.

Porém, a Luz atua somente se todos nós juntos desejarmos alcançar a garantia mútua, unidade, amor, e nos tornar “como um homem com um só coração”, semelhantes ao Criador. O quanto entendamos isso não é importante. Se eu sou incapaz de me unir, a Força virá desde o Alto e o fará.

Tão logo eu começo a sentir conexão com todos os outros num pequeno grau, o mundo espiritual será revelado a mim nessa conexão. Isso acontece dentro de nós da mesma forma como a pessoa que estava inconsciente começa voltar à consciência e compreende onde realmente está.

A ocultação desaparece, e eu sinto que essa realidade da qual eu antes não estava consciente sempre esteve e permanece aqui. Isso depende somente do meu desejo de me conectar com o resto das partes. No correto relacionamento entre nós, eu encontro a verdadeira realidade.

O Zohar É O Link Para A Força Superior

A única oportunidade de se estar em conexão com a Força Superior que nos corrige é ler O Livro do Zohar. Certamente, os outros livros também ajudam, mas O Zohar tem a maior força para nos conectar.

Se pudéssemos manter a intenção correta por um longo período de tempo, nós leríamos O Zohar com mais frequência. De fato, ainda somos incapazes de manter a intenção correta por mais de 45 minutos. Durante esses 45 minutos, porém, nós precisamos nos concentrar no que exatamente desejamos dele e em como imaginamos nosso estado futuro descrito pelo Zohar. Isso é muito importante.

No nosso mundo uma criança tira exemplo dos adultos, desejando ser semelhante a eles em tudo o que vê. Nada mais é importante para ela. Ela não tem entendimento, alcance ou nada mais e somente repete os exemplos que os adultos mostram para ela.

Da mesma forma, devemos desejar sentir a realidade da qual O Zohar nos fala e imaginar que tudo é a conexão entre nós. O Zohar constantemente descreve a conexão entre nós: Zeir Anpin, Malchut, as três linhas, limitações, etc.. Nós revelamos tudo isso entre nós uma vez que nossos desejos mútuos são o único “lugar” onde a revelação pode acontecer. Assim, não precisamos nada exceto um forte desejo mútuo para que a Luz venha e se revele na conexão entre nós. Todos esses fenômenos sobre os quais lemos no Zohar são para serem encontrados lá.

A ação em si mesma é bem simples, mas não é fácil de cumprir. Toma tempo para alcançar um estado no qual eu me sento frente ao livro, imagino que ele está falando sobre a conexão entre nós, e nele, eu revelo todas essas palavras e ações. Tudo está na conexão entre nós; é onde o Criador é revelado.

É bem difícil combinar tudo isso, mas quando você alcança isso, o desejo de revelar a conexão entre todos se torna o único link com a Força Superior. E você não tem outros meios com exceção do Livro do Zohar que descreve os estados que você irá revelar.

Então, como um bebê que aspira ser como um adulto, você deseja a revelação e aspira por ela com toda sua força.

Um Guia Para O Livro Do Zohar: A Linha Média

Dr. Michael LaitmanExtratos do meu próximo livro, Um Guia para O Livro do Zohar

Algumas almas dentro do sistema geral já estão corrigidas. Se nós também desejamos alcançar a revelação do Criador, mas sentimos que Ele está oculto, então, do ponto de vista espiritual, nós existimos na “escuridão” ou “noite”. É exatamente neste momento de “noite”, quando temos que nos esforçar e elevar nossas orações, a partir desse momento essas almas exaltadas, nas quais reina o Criador, irão influenciar-nos através do Livro do Zohar.

O Livro do Zohar foi escrito especificamente para que pudéssemos criar o vínculo entre nós e essas almas. Quando lemos O Zohar, nós estabelecemos contacto com elas, e em troca elas nos enviam, através deste livro, uma força chamada Luz que Corrige.

Por enquanto, não há qualquer compatibilidade (equivalência de forma) entre nossas almas e a Luz, de modo que essa Luz ainda não está penetrando nossas almas, preenchendo-as. No entanto, ela age sobre nós como um útero materno, envolvendo, abraçando e acariciando-nos. A Luz nos corrige gradualmente até que nós começamos a perceber: a Luz, as almas corrigidas com quem temos de estabelecer contacto com a leitura do Zohar, e o Criador que reina em todo o sistema de almas.

Essa luz é chamada de Luz Circundante. À medida que continuamos a corrigir-nos, ela entra em nós, preenche-nos, e se torna a “Luz Interior” da alma, que é a nossa vida espiritual.

Dentro do útero materno, onde esta Luz Circundante nos forma, cresce a linha média. A linha média é um cálculo preciso da minha parte, que combina as duas forças da natureza: a força do desejo e a força da Luz, na forma mais ideal para que a Luz corrija o desejo.

A parte do desejo que se torna corrigida neste processo e, portanto, equivalente ao Criador é chamada linha média. Em outras palavras, a linha média é a medida da minha capacidade de ser equivalente ao Criador. É a imagem do Criador que eu construí dentro de mim e fora de mim através desse processo. Tudo começou com este pedido: a oração que eu tinha elevado durante a “noite”.

O Caminho Mais Fácil Para A Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanO Baal HaSulam, o Rabash, e outros grandes Cabalistas nos dizem que se quisermos avançar, a maneira mais fácil de fazer isso é nunca pararmos de pensar e de imaginar que estamos todos juntos. Eles estão descrevendo a realidade espiritual enquanto já estão lá. Mas como nós podemos chegar lá? Para fazer isso nos foi dado um meio de auxílio: imaginar que estamos conectados através do amor e da garantia mútua com os nossos amigos que também desejam atingir a mesma realidade.

Desta forma, ao fazer o meu trabalho interior eu entro em um estado que está oculto de mim. Eu ainda não o vejo e não posso imaginar ou compreendê-lo. Portanto, vamos imaginar que estamos juntos. Isto certamente nos trará mais perto de revelar a realidade descrita pelo O Zohar.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabala 16/08/10, O Zohar

Exija A Capacidade De Sentir

Pergunta: Além do desejo de entender O Zohar, eu também quero realmente lembrar as definições das palavras, a fim de conectá-las entre si. O que eu devo fazer se eu constantemente esqueço?

Resposta: Você precisa exigir sentir! É muito bom que você esqueça. Os Cabalistas rezavam para esquecer tudo o que aprendiam a cada instante. Há sempre um intervalo entre os níveis, quando tudo o que você atingiu no nível anterior é esquecido e apagado da sua memória e de suas sensações.

Nós alcançamos através das sensações no desejo corrigido. Todos os nomes e títulos sobre os quais lemos no O Zohar (Havayah e Elokim em todas as várias combinações e manifestações) são revelados no desejo corrigido. Quando eles se revelam um após o outro no meu desejo, eu começo a trabalhar com meus sentimentos do mesmo modo que em nosso mundo.

Parece-nos que os sentimentos são menos importantes do que a mente. No entanto, os sentimentos vêm e se unem à mente, a fim de ajudar ou serví-la. Se nós aprendermos todas as partes do livro Estudo das Dez Sefirot, isto serve apenas para despertar-nos a usar todo esse conhecimento como base para exigir sentimentos. Afinal de contas, “aprender” significa “unir” e “conhecimento” é a unificação ou adesão (Zivug).

Da 2a segunda parte da Lição Diária de Cabala 11/08/10, O Zohar