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Usar O Dinheiro Para O Bem Da Sociedade

Dr. Michael LaitmanComentário: Hoje em dia, a maioria das pessoas está em uma situação muito difícil, e a principal preocupação de cada pessoa é o seu sustento. Infelizmente, nem todo mundo tem renda suficiente para atender até mesmo suas necessidades básicas. O assunto do dinheiro desperta muitos medos e outros sentimentos associados com a incapacidade de ganhar.

Resposta: É verdade, mas é necessário compreender que tudo depende de valores existentes. Se dissermos que a humanidade está começando a mudar sua percepção hoje, este é apenas o primeiro estágio que expõe a incapacidade de uma pessoa de satisfazer-se de acordo com os valores anteriores. Estes valores foram criados por pessoas que queriam obter dinheiro e poder no mundo em detrimento de outros, porque o mundo era dominado pelo dinheiro.

Na verdade, o mundo é dominado por algumas dezenas de famílias que ao longo de centenas de anos acumularam poder que as possibilitou controlar o mundo. E todos os governos com que estamos familiarizados são sujeitos a elas.

Estas famílias determinam quais necessidades devem existir entre a população mundial e de que forma. Esses valores são projetados para provocar as pessoas a trabalhar e prover aqueles no controle com mais poder e lucro.

Nós vemos que nos encontramos num estado em que estas regras não valem nada. Se a humanidade descobre que não pode continuar a se desenvolver como anteriormente, esta situação chama-se reconhecimento do mal.

Hoje uma pessoa tornou-se aparentemente mais livre. Por um lado, ela não pertence ao seu dono, mas por outro lado, desejos que se desenvolveram nela a mantém em cativeiro. A ideia é que os desejos de uma pessoa não se desenvolvem no início da vida em direção a algo mais elevado: eu tenho uma carroça, agora quero um carro; eu tenho um carro pequeno, mas agora quero um grandão; eu tenho um carro grande e quero um avião.

Nossos desejos estão se desenvolvendo não apenas quantitativamente mas também qualitativamente. Um carro ou um avião, em vez de uma carroça, não cria algo diferente em princípio. Em vez disso, o desejo anterior foi simplesmente satisfeito e novas necessidades estão sendo sentidas.

Em última análise, nós nos encontramos em uma situação tensa e limitada em muitos aspectos. Em primeiro lugar, dentro da estrutura atual da sociedade, eu não estou preparado para suprir-me com as necessidades para a existência. Em segundo lugar, eu não posso me desenvolver como me desenvolvi no passado. Em terceiro lugar, eu vejo o fim deste desenvolvimento por parte da natureza. Em quarto lugar, sinto que não estou satisfazendo meus novos desejos e necessidades que de repente cresceram em mim porque não pertencem ao nível no qual fiquei decepcionado.

Historicamente, nosso desenvolvimento sempre mudou naturalmente para uma nova fase sob a pressão das circunstâncias. Mas esta forma de desenvolvimento é muito longa e difícil e é acompanhada pelas catástrofes que acontecem regularmente, e nós vemos que esses desastres estão aumentando.

Nós estamos falando de mudanças climáticas na direção do aquecimento ou resfriamento global e são fenômenos com os quais não podemos lidar. A humanidade pode realmente estar numa situação onde apenas um pequeno grupo de pessoas vai chegar à nova fase de desenvolvimento, no melhor dos casos 1 bilhão pessoas, ou até menos.

Não é melhor aprender com o passado, como afirmado no Talmude Babilônico, Tamid 32a: uma pessoa sábia vê o resultado e começar a se desenvolver somente através de novos métodos? Esta é a pergunta. Segue-se que tudo depende de explicar a situação em que estamos para que a humanidade entenda suas causas e em que direção devemos avançar.

Até agora, a humanidade desenvolveu um sistema educativo que é composto por escolas, creches, faculdades e universidades. Não há nenhum lugar onde as pessoas não recebem educação. E mesmo que um terço da população não saiba ler ou escrever, é possível apresentar uma explicação sobre o método de Educação Integral para a maioria da população, e isto será suficiente. Todo mundo vai apenas se juntar, quase inconscientemente, da mesa forma que elas agora vivem.

Para todas aquelas pessoas que podem ser alcançadas, é necessário dar uma explicação e trazê-las a um entendimento de que a solução para o problema está na mudança da pessoa. Mas isto requer esforço e trabalho de sua parte, e uma pessoa deve trabalhar nisso. E o trabalho necessário para assegurar um nível de vida racional não vai levar mais de duas horas por dia.

Todo o resto do tempo a pessoa vai trabalhar para garantir a cobertura “monetária” para si, para a satisfação das novas necessidades que a sociedade cria nela. E para estas necessidades, não existem limites, uma vez que podemos criá-las através de conexões sociais e da participação da pessoa na sociedade.

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/08/12

Fama Com Um Propósito Pacífico

Dr. Michael LaitmanPergunta: Muitas crianças e adolescentes sonham em se tornar famosos. A sua aparência é extremamente importante para eles. Como nasceu este desejo?

Resposta: Obviamente, essas crianças incluem todos os prazeres possíveis na noção de ser uma celebridade. Nós sabemos que comida, sexo e família são os desejos básicos que se referem às necessidades corporais.

Eles são complementados pelos desejos por fama, riqueza e conhecimento. A busca de popularidade é compreensível e específica do nosso tempo. Nossos desejos por riqueza, fama e conhecimento mudam continuamente, mas para um jovem eles são muito comuns e naturais. Sempre foi assim; nós apenas não percebemos.

A juventude de hoje tem oportunidades muito mais amplas. Com o que eles estavam lidando anteriormente? Tornando-se um pouco mais hábeis nos ofícios de seus pais? Movendo-se de uma aldeia para uma cidade ou de uma província para a capital? De qualquer forma, as suas possibilidades eram muito limitadas. Agora, parece que o mundo inteiro está diante deles. Eles acham que podem abraçar o mundo inteiro e que estão conectados a ele.

Pergunta: Pode a aspiração por popularidade ser útil de alguma forma?

Resposta: A inclinação em alcançar o status de celebridade é muito comum nas crianças hoje em dia e nós podemos mostrar-lhes que qualidades são necessárias para alcançar a fama. O desejo de ser famoso as obriga a trabalhar em si mesmas, mudar para melhor, e revelar novas qualidades dentro de si.

As crianças frequentam dança, desenho e aulas de teatro para não crescer como pequenos animais e compreender que por trás de cada estrela há um trabalho árduo. Basta assistir a vídeos de ensaio de Michael Jackson e você verá o quanto de esforço e trabalho duro é preciso para alcançar a leveza que ele demonstrava no palco. Não há estrelas que só voam para cima, mas há inúmeros casos de queda no início. Estas questões devem ser explicadas para a geração mais jovem pelos meios de comunicação de massa.

Pergunta: Digamos, seu neto lhe diz que amanhã ele quer se tornar famoso. Você é o avô mais sábio do mundo! Em que campo você o aconselharia a se concentrar?

Resposta: No futuro, aqueles que forem capazes de criar boas e amáveis ​​relações entre as pessoas estarão em grande demanda e serão extremamente valorizados pela sociedade. Eu não estou falando de relacionamentos virtuais; eu quero dizer um verdadeiro sistema de comunicação entre os nós que seja similar ao que existe na natureza.

Só esta profissão vai ser realmente necessária e outras ocupações permanecerão apenas para satisfazer necessidades humanas imediatas. Aqueles que trabalham no campo do estabelecimento das relações corretas, criando a metodologia da interconexão entre as pessoas, e preparando educadores neste campo serão os mais populares e respeitados na sociedade do futuro. Isto é o que eu diria a meu neto.

Pergunta: Podem talentos individuais específicos na pintura, dança ou canto ser úteis à sociedade?

Resposta: Os talentos com os quais a pessoa planeja avançar e se tornar popular, devem permitir a autoexpressão de uma forma agradável.

Para isso, a pessoa tem que estudar psicologia, sociologia, filosofia e leis de comunicação. Ao se expressar, ela terá que ajudar os outros a se unir. Ao fazer isso, eles vão se realizar e satisfazer os outros.

De KabTV “Uma Nova Vida” 12/02/14

O Naufrágio Da Sociedade Consumista

Dr. Michael LaitmanFoi há apenas 100 a 150 anos que as classes mais altas da sociedade começaram a erradicar a ignorância numa época em que a maioria das pessoas era analfabeta. Por que elas fizeram isso? A elite precisava de mão de obra, de modo que ensinou as pessoas simples e as levou a um nível onde poderia usá-las.

Primeiro bastava que elas soubessem ler e escrever e, depois, também ler desenhos etc. As escolas surgiram na forma de um sistema de educação geral que incluía escolas primárias, secundárias e instituições de ensino superior.

Isso significava que as pessoas influentes estavam interessadas ​​na criação de uma classe média. Elas acreditavam que pessoas educadas entendem o benefício da classe alta e que esta podia contar com elas. Elas poderiam dar conselho à classe alta e realizar suas ordens, enquanto esta as controlavam de cima. A classe média poderia transmitir tarefas aos trabalhadores e às pessoas simples numa linguagem que elas podiam entender.

Esse período está chegando ao fim, porque o mundo não precisa de nada que seja redundante. Nós não sabemos por que isso está acontecendo desta forma, mas isso decorre da natureza humana. Antes, nós pensávamos logicamente que o desejo de ganhar mais dinheiro, comprar mais e se tornar mais bem sucedido era ilimitado. Mas, de repente, vemos que o balão da sociedade consumista está perdendo ar. Portanto, se as pessoas que controlam os meios de comunicação podem fazer algo, é só para uma nova abordagem global.

Hoje, a classe alta não só precisa das pessoas que elas ensinaram a ler, escrever e a aprender ciências, que possam ajudá-la a duplicar os seus bens, mas esta elite, e os meios de comunicação que elas possuem e servem seus interesses, precisa saber que é realmente a educação integral de toda a humanidade que será benéfica para elas.

Se o mundo é realmente fechado, redondo e integral, todos devem participar corretamente. O homem moderno deve saber a razão pela qual está vivendo, qual é a sua natureza, e qual é a natureza de todo o mundo e de toda a humanidade onde ele existe. Ele também precisa saber, de acordo com as leis que ele vive, como essas leis o afetam, e como ele tem que afetá-las.

Assim como nós investimos tempo em ensinar centenas de milhares de agricultores a ler e escrever durante a era industrial e tecnológica, devemos tomar cuidado para que todos sejam alimentados, vestidos, e providos com educação integral.

Estas são as três coisas essenciais que uma pessoa precisa, incluindo cuidados com a saúde, é claro. Eu me livraria de tudo o resto, já que qualquer coisa que não provém da conexão direita que leva à harmonia com a natureza, sem dúvida nos leva a uma queda.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

Coisas Predatórias Do Século

Dr. Michael LaitmanOpinião (de Psyfactor): “Os profetas do Antigo Testamento chamavam aquelas pessoas que adoravam objetos e coisas que faziam com as próprias mãos de ‘idólatras’. Seus ‘deuses’ eram coisas feitas de madeira ou pedra”.

“‘O significado de idolatria está em tranferir todos os sentimentos, a força do amor e o poder do pensamento a objetos externos. As pessoas contemporâneas são idólatras. Nós percebemos a nós mesmos apenas através de coisas que possuímos’”. (Eric Fromm)

“O mundo das coisas continua a crescer. O ser humano torna-se menor ao lado de tantos objetos. As pessoas contemporâneas definem a sua existência, anunciando: ‘Eu compro, logo existo’. Sendo uma ‘coisa’, nós confirmamos que estamos vivos apenas porque nos comunicamos com outros objetos”.

“Custos de casas, móveis, carros, roupas, relógios, computadores, aparelhos de TV são a base para o status social de um indivíduo. Quando as pessoas perdem uma parte de seus pertences, é como se perdessem parte de si mesmas. Quando elas perdem tudo o que têm, estão totalmente perdidas”.

“Durante as crises econômicas, aqueles que perdem parte significativa de sua propriedade cometem suicídio; eles pulam das janelas dos arranha-céus. Sua riqueza era de fato um substituto para a sua personalidade. Cometer suicídio como resultado da falência financeira em tal sistema de valores culturais é muito lógico. Os atos suicidas significar a falência de uma personalidade, de uma individualidade”.

“Anteriormente, as pessoas também se associavam com as coisas, mas nunca antes objetos inanimados ocuparam um ranking elevado no sistema de reconhecimento social, como nas últimas décadas, quando o consumo se transformou em meio de avaliação do estado de um indivíduo”.

“O programa de educação daqueles que subordinam suas vidas ao trabalho começou; uma nova fase foi lançada – o estágio de transformar as pessoas em “consumidores”. A economia precisava não só de trabalhadores disciplinados; clientes bons e disciplinados que conrtiuanavam comprando novos bens na medida em que eles apareciam no mercado eram extremamente essenciais”.

“A publicidade do comportamento do consumidor foi concebida para se livrar das tradições seculares de comprar apenas necessárias coisas. A propaganda de uma nova ideologia fez as pessoas pensarem que a felicidade era sobre um processo de compra sem parar de coisas novas”.

“Os consumidores ficam certos de que são os únicos que fazem uma escolha se devem ou não comprar determinados produtos. No entanto, os gastos com publicidade frequentemente atingem mais de 50% do custo das mercadorias vendidas. Esse fato fala por si só: os números mostram o quanto de energia e talento contribuiu para o processo de convencencimento dos consumidores a continuar comprando”.

Meu Comentário: Neste momento, nós podemos avaliar e compreender estágios anteriores de desenvolvimento, na medida em que nos afastamos do atual modelo de consumo da sociedade. Isso está acontecendo não porque nos tornamos internamente mais ricos e, assim, não precisamos de quaisquer sinais externos para demonstrar a nossa importância. Em vez disso, o desejo que requer um novo tipo de satisfação, uma realização do propósito de nossa existência, evolui constantemente em nós.

Embora afetações em palcos e telas nos empurrem para trás, o envolvimento contínuo de nossa aspiração em revelar a essência da vida é inevitável. Ele acabará por nos levar ao reconhecimento da sabedoria da Cabalá.

Referências:

Coisas Predatórias do Século, uma história de ficcção científica dos escritores soviéticos Arkady e Boris Strugatsky, escrita em 1964 e publicada na União Soviética em 1965, e depois de uma longa pausa em 1980. O livro tem uma epígrafe: “Há apenas um problema – o primeiro e único no mundo – para retornar as pessoas à espiritualidade, a ajuda espiritual `mútua”.

Erich Fromm Zeligmann (23 de março de 1900, Frankfurt on Main – 18 de março de 1980, Locarno), sociólogo alemão, filósofo, psicólogo social, psicanalista, representante da Escola de Frankfurt, um dos fundadores do neo-freudismo e freydo-Marksizmo.

Erich Fromm nasceu numa família de judeus ortodoxos. Sua mãe, Rose Fromm, nee Krause, era filha de um rabino que emigrou da Rússia. O pai, Erich Fromm Naftali, também era filho e neto de rabinos, e ao se ocupar do comércio, preservou e manteve a família nas tradições religiosas ortodoxas.

A Sociedade Do Futuro

Dr. MIchael LaitmanO processo revolucionário em que estamos participando começou com o Big Bang e continuou através de uma conexão cada vez mais forte: de partículas fundamentais a átomos, de átomos a moléculas, de moléculas a estruturas cada vez mais complexas, até o surgimento do corpo humano, incluindo o sistema cognitivo, o sistema nervoso, e sistemas adicionais. Alguns deles não são conhecidos e alguns não são entendidos por nós.

Em geral, esse processo evoluiu em duas direções: extensão e conexão.

Tudo aspira à conexão, e somente os seres humanos, suas sociedades e sua natureza, recebem uma forma oposta. Numa sociedade, nós nos tornamos cada vez mais conectados. No entanto, por outro lado, nós nos opomos uns aos outros, porque o ego nos separa. Como resultado disto, não podemos construir uma sociedade coesa baseada na ajuda mútua, de acordo com o princípio de cada organismo vivo, inclusive o nosso. Em vez disso, construímos algo muito estranho, e nossa sociedade torna-se como um câncer que, finalmente, se devora e morre.

Basicamente, nós não sabemos o que fazer. Estudos científicos das forças e mecanismos que nos movem descobriram que não temos possibilidade de evitar uma terceira guerra mundial e o caos. Os cientistas sabem disso e escrevem que não há solução real para esse caminho de desenvolvimento, e o que resta é apenas submeter-se à misericórdia do processo que nos leva em direção a um futuro desconhecido.

Nós estamos destruindo o planeta, esgotando os recursos naturais, e fazendo com a natureza e a ecologia o que quer que nos agrade. Tudo isso não é porque isso veio até nós, mas porque não sabemos como construir sistemas que consistem de opostos que se conectam numa única estrutura. Essa união de opostos é precisamente a lei essencial de sistemas complexos.

Aqui, nós chegamos à sabedoria da Cabalá. Este problema surgiu inclusive há 3500 anos na antiga Babilônia. Por um lado, os seus habitantes eram muito próximos uns dos outros e dependiam uns dos outros. Por outro lado, não podiam se suportar. Eles se odiavam e sentiam repulsão mútua. E não havia nada que pudessem fazer sobre isso, a própria estrutura da sociedade era tal que estava devorando a si mesma.

Foi então que um homem sábio chamado Abraão descobriu que a transição para um novo nível de desenvolvimento estava escondida aqui. Basicamente, não havia nada de especial nesse estado. Assim como a transição do nível inanimado para o vegetal, ou do vegetal para o animal, também é a transição do nível animal para o nível falante. Esta transição exige que nós atinjamos o poder de conexão entre opostos, de modo que eles possam estar conectados e formar um sistema completamente harmonioso. Apesar das polaridades, apesar do ódio e da rejeição entre nós, nós podemos utilizar uma força única, uma rede única, a fim de alcançar o equilíbrio entre ambas e construir uma vida.

Nós realmente não entendemos o significado deste passo. Nós não entendemos o que é a fonte da vida e como dois opostos podem se conectar. No entanto, é precisamente as polaridades absolutas entre positivo e negativo que formam o átomo, um sistema estável no qual eles são opostos e ainda se conectam simultaneamente.

Para continuar, de acordo com esse princípio, combinações cada vez mais complexas são construídas, possuindo a capacidade de evoluir. Positivo e negativo são combinados entre si, a fim de atrair o que é útil para o desenvolvimento e o equilíbrio entre eles, e para repelir o que é prejudicial para esse equilíbrio. Assim, por meio de absorção e de repulsão, a vida é criada. Há um desenvolvimento cada vez mais complexo, até que haja a necessidade da construção de um novo sistema que os Cabalistas chamam de sistema espiritual. Em outras palavras, ele é mais elevado do que os sistemas que nos são familiares.

Abraão descobriu que existe uma lei universal na natureza que abrange todos os sistemas, que os mantém e desenvolve. É possível chama-la de poder da Luz, o poder do Criador, o poder superior. No entanto, ele tem um objetivo: manter todas as partes da realidade em harmonia e conexão mútua.

É possível atrair e usar essa força mesmo agora, quando queremos subir para o novo nível e nos tornar um sistema. Com isso, nós despertamos a força universal, e construímos o equilíbrio tão esperado entre nós.

Na Cabalá, a lei que Abraão descobriu é a chamada de lei da equivalência de forma. Se eu sou pessoalmente atraído à força única de equivalência de forma, nessa medida eu desperto sua influência sobre mim e ela constrói a conexão entre eu e outras pessoas a quem sou atraído. Ela constrói entre nós um sistema harmonioso e equilibrado entre todas as partes.

Abraão descobriu a camada mais profunda dessa lei geral integral da natureza, que já era conhecida e a qual ele chamou todos os babilônios a se juntar a ele.

Maimonides, filósofo do século XII, disse que Abraão escreveu uma série de livros e fez um grande trabalho de disseminação para que as pessoas oudessem entender o que ele descobriu e que ele estava falando especificamente sobre uma lei da natureza que não se deve opor. É assim que nós evoluímos, sem possibilidade de escapar de seu fluxo, da tendência natural ao equilíbrio, conexão e harmonia.

No nível inanimado, vegetal e animal, nós chegamos ao equilíbrio espontaneamente, sem liberdade de escolha. No entanto, no nível falante, isso já não tunha êxito, porque nós precisamos participar conscientemente na construção do equilíbrio e de um sistema humano universal. Cabe a nós entender, reconhecer, querer se esforçar e optar por tentar organizar corretamente a fim de avançar.

Então, graças a esses esforços, nós despertamos a força universal singular da natureza, que é o Criador, a Luz. Não importa como você a chama. Em resposta aos nossos esforços, ela vai nos influenciar e realizar a ação correta de conexão em nós. Isto é o que Abraão ensinou às pessoas.

A história posterior é conhecida. Algumas pessoas ouviram e compreenderam o método por um tempo, mas depois, e apesar de tudo, se retiraram do processo. É impossível construir um sistema harmonioso e equilibrado, se todo o resto da humanidade está quebrado. É por isso que nós chegamos à situação atual, onde a crise babilônica da separação retornou.

Por que especificamente hoje? Isso ocorre porque a humanidade, da mesma forma que naquela época, está descobrindo que está conectada num sistema universal. Nós estamos fechados dentro de um sistema, uma sociedade, uma família, sobre a face da Terra, e estamos todos ligados uns aos outros.

Hoje, nós não precisamos lutar. Basta romper as conexões com alguma nação e esta não vai suportar o isolamento. Armas modernas são as mesmas clavas bárbaras primitivas numa forma sofisticada. Ninguém precisa delas num sistema global que é como uma aldeia global. Hoje, as conexões comerciais, industriais, financeiras e logísticas determinam tudo. Se você cortar estas artérias para uma nação, é como desconectar algum órgão do corpo. É claro que ela não vai sobreviver sozinho.

Isso é também o que aconteceu na antiga Babilônia, na Mesopotâmia, o berço da humanidade, quando ela se tornou uma sociedade. A mesma coisa está acontecendo hoje.

Os Cabalistas, alunos de Abraão em todas as gerações, falaram sobre isso e inclusive fizeram um cálculo numa linha do tempo de acordo com a lei do desenvolvimento humano para compreender que a humanidade iria retornar à mesma situação. A lei de unificação começou a ser esclarecida no final do século XIX, e de acordo com todos, chegou a esclarecimento no final do século XX. Mais precisamente, os Cabalistas escreveram sobre isso como sendo desde o ano de 1995.

Esta é a situação atual. Quando eu comecei a estudar a sabedoria da Cabalá em 1975-76, eu não acreditava que isso iria realmente acontecer. No entanto, houve na realidade uma transição muito forte, e de repente havia uma conversa sobre um sistema unificado, uma humanidade unificada, uma aldeia global e uma dependência absoluta mútua, etc.

Junto com isso, o mal da natureza humana foi revelado mostrando o quanto nós somos opostos uns aos outros e não estamos prontos para nos conectar de forma correta. Afinal, apesar das oposições entre nós no nível inanimado, vegetal e animal, a força universal nos conecta de tal forma que as polaridades são transformadas num dipolo que nos conecta e nos mantém em equilíbrio e harmonia.

No entanto, no nível falante, nas relações humanas entre nós, cabe a nós despertar em nós a influência da força universal e participar do equilíbrio entre positivo e negativo, entre os dois extremos. Isso exige de nós um trabalho específico.

Em primeiro lugar, cabe a nós compreender e reconhecer a situação em que nos encontramos e continuar a investir esforços compartilhados, a fim de construir o ambiente certo. Na Cabalá, esses esforços são chamados de elevar MAN, ou seja, fazer um pedido de conexão. Com isso, nós despertamos a influência da força universal sobre nós que nos conecta num sistema e em harmonia com toda a sociedade humana.

Isto é certo para o atual momento histórico. Hoje, a sabedoria da Cabalá, a ciência que Abraão descobriu, foi aberta diante de todo mundo. Isso porque todos nós devemos utilizar o sistema que foi criado e começar a usar corretamente as condições que foram criadas para a construção da sociedade do futuro. Caso contrário, a humanidade corre o risco de ser destruída.

Assim, os Cabalistas, as pessoas que estão envolvidas com este problema e sua solução, nos advertem sobre a verdade da nossa situação e do nosso futuro. Eles nos dizem que, de qualquer forma, nós estamos chegando a um equilíbrio coletivo. No entanto, se não despertarmos a força única da natureza que traz a nossa unificação e a conexão correta entre nós, então ela será revelado como o poder único que nos conecta e reúne, mas sem a nossa inclinação e desejo. Nesse caso, nós teremos que obedecer a essa lei contra a nossa vontade, e isso vai nos levar às situações muito desagradáveis ​​através de desastres, epidemias e guerras.

Esta é uma força boa, pois conecta a totalidade do sistema em um. No entanto, se nos opomos a ela, nós despertamos em nós mesmos a influência de forças opostas que atuam sobre nós como desastres.

Os Cabalistas tentam levar esse conhecimento a toda a humanidade e ensiná-la como chegar ao entendimento correto de conexão, despertando em nós uma atração em direção a ela, e de acordo com nosso desejo, estimular a descoberta da força única sem despertar desastres. Como necessidade, nós chegaremos mais perto do correto estado singular integral e avançaremos da forma mais agradável e desejável. Tal esforço é o que é exigido de nós.

Os problemas mais difíceis hoje estão sendo descobertos na sociedade humana, apesar de tudo de bom que existe no mundo. O avanço científico e tecnológico atingiu o seu pico, mas eles não se atrevem a mostrar um pouco dessa tecnologia moderna para a humanidade. Caso contrário, as pessoas não precisarão trabalhar e não haverá qualquer necessidade de se esforçar.

Basicamente, nós já saímos para um novo nível de desenvolvimento, mas ainda não estamos prontos para realizá-lo por causa da nossa incapacidade. Nós temos as ferramentas em nossas mãos, mas não estamos prontos para integrá-las corretamente no novo nível, porque a nossa abordagem não é integral, ou seja, a nossa estrutura interna não é integral. Pelo contrário, somos egoístas, e nossa tendência é estarmos distantes um do outro e não nos conectarmos em harmonia.

Como resultado, nós olhamos com temor para o estado futuro da humanidade unida, e não sabemos o que fazer com sete bilhões de seres humanos que não vão trabalhar. Não temos qualquer conceito de outra forma de existência e sobre uma conexão diferente entre nós enquanto subimos para outro nível de percepção, para diferente vida e maneira de viver.

Há uma infinidade de surpresas escondidas por trás da nova situação, mas ainda não estamos prontos para digeri-las, porque a nossa percepção não é integral.

A principal coisa no sistema integral é renunciar à visão individualista do eu contra o mundo. Em vez disso, eu devo adquirir uma percepção integral e ver uma imagem completa onde todos nós estamos conectados e completando um ao outro. Só então eu descubro o estado futuro em que a humanidade deve existir, e, assim, entendo e sinto essa vida que é esperada num momento propício.

Cabe a nós alcançarmos essa percepção, e é isso que a sabedoria da Cabalá nos ensina.

Da Convenção no México 01/08/14, Lição 1

Isolamento Para O Bem Da Sociedade

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significam as “Treze Partes da Correção dos Cabelos” em relação ao ego?

Resposta: Esta é uma manifestação externa dos desejos que são dados para serem corrigidos. Nós os corrigimos como todos os desejos habituais, mas eles se revelam como exteriores e externos.

Isso significa que, de acordo com o estímulo que se revela na pele, que está em contato com o cabelo, a cabeça, e também o queixo, entende-se o que deve ser feito com essa pessoa e de que maneira ela deve ser isolada da sociedade. Isso é porque atualmente ela não é útil para a sociedade, porque está num estado patológico e se torna uma fonte de câncer. Através do seu desejo egoísta, ela só infecta a sociedade.

Isolar essa pessoa da sociedade significa não só mantê-la fisicamente longe, mas isolando-a do contato com outras pessoas. Ela não precisa estar associada a qualquer outra pessoa na sociedade de alguma forma até que se corrija separadamente. O tempo vai geralmente fazer isso quando ela estiver a sós com o Criador.

Problemas como estes aparecem em níveis superiores e corrigem uma pessoa, como no caso de Moisés, quando ele escondeu sua mão dentro, tirou-a para fora, e não havia lepra nele. Ele colocou a mão de novo, tirou-a, e ela estava limpa. Esta é uma manifestação de uma profunda patologia egoísta.

Pergunta: Suponha que num grupo existam pessoas que estão numa descida, dormem nas aulas, e não querem participar de eventos. Sua hora ainda não chegou; não é permitido tocá-las.

Mas há pessoas que são prejudiciais e elas começam a transmitir sua filosofia. Estas pessoas devem ser suspensas por um tempo, que pode até ser permanente. Esse é um estado de lepra que começa a roer a todos e que pode inclusive derrubar todo o grupo?

Resposta: Certamente, pois o leproso é uma pessoa muito forte, muito avançada, mas que descobre problemas como estes dentro de seu ego que deve de alguma forma conquistar por si mesmo, para não influenciar o grupo. Ele faz isso por si mesmo, já que está no nível de um sacerdote e pode se isolar, mas não pode curar.

Além disso, ele não se isola fisicamente. Pelo contrário, ele está trabalhando em si mesmo o tempo todo para não afetar o grupo. Isso é chamado de “expulsando-o do campo”, onde ele é alertado a não influenciar o grupo negativamente, e então ele gradualmente se cura da lepra.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 20/02/14

O Segredo Das Dez Tribos, Parte 2

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que os seguidores de Abraão tiveram sucesso na construção de uma sociedade justa?

Resposta: Em princípio, eles não foram atraídos para a criação de uma comunidade “linda”, “socialista”. Eles foram atraídos para o fato de que, na conexão mútua, eles alcançaram o próximo nível, mais profundo da natureza.

Abraão disse-lhes que a crise foi destinada para que eles pudessem subir ao próximo nível, a fim de revelar a força interior da natureza, seu significado, sua finalidade e desenvolvimento.

Na verdade, ele estava apenas um degrau acima deles, e eles também aspiravam a subir lá, ainda que inconscientemente. Eles não entendiam como fazer isso, como entrar no nível mais profundo da natureza, mas eles já tinham se aproximado da base, do limiar desse grau e, portanto, podiam ouvir Abraão. E ao abrir a porta, ele lhes disse: “Este estado de crise vai nos levar lá. É por isso que é necessário”.

Portanto, todos se tornaram como uma família. Isaac sucedeu Abraão, Jacó sucedeu Isaac. Em outras palavras, a família passou pelas fases de desenvolvimento chamadas de “Abraão”, “Isaac”, “Jacó” e “José”. Foi ele quem os trouxe para o Egito, tendo reunido todos os graus preliminares anteriores e resumido todo o seu potencial – e egoísmo -, esforçando-se pela espiritualidade acima dele. Assim, eles desceram ao Egito, isto é, na sensação da revelação do egoísmo.

Pergunta: Mas será que eles viviam em união até então? Não foram os irmãos que venderam José como escravo? Será que ele não previu que eles iriam adorá-lo? Então, houve discórdia, ódio, entre os irmãos.

Resposta: Claro, e muito fortemente. É porque eles tentaram amar os outros como a si mesmos. Se você não aspira a isso, você não revela os níveis de egoísmo. Quando tudo é suave, você pode gerenciar bem. Mas, de repente, alguma coisa, algum obstáculo, aparece, e você tem que lutar pela unidade, apesar de todos os problemas.

Eles surgem especificamente para você superá-los, sempre se esforçando no sentido de maior amor, conexão e unidade. A unidade só pode crescer acima de um sentimento de divisão.

Assim, os seguidores de Abraão se reuniram mais fortemente na luta contra o seu egoísmo até José leva-los ao Egito.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

A Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 5

Dr. Michael LaitmanJuntamente com seus filhos, Jacó entrou no Egito, onde morreu mais tarde. Isso aconteceu porque não só o ponto original foi “revivido” do Egito, mas todo o sistema surgiu a partir dele. O sistema teve origem no Egito, ou seja, surgiu do terrível estado fragmentado que era milhares de vezes pior do que a Babilônia.

Em essência, é a mesma Babilônia, apenas mais terrivelmente desconectada. Em vez de Nimrod, surge o Faraó, em vez de Abraão, surge Moisés.

A história se repete, mas numa nova espiral. A correção de um enorme e crescente egoísmo (“Egito”) começa a partir daí.

Pergunta: Então, em vez de ser apenas uma família ou uma tribo, eles se tornaram uma nação, certo?

Resposta: Sim. Este poder é chamado de “a nação”, embora todos eles sejam uma só alma. É sempre sobre uma só alma. Não há nada no mundo, exceto uma alma unificada, ou seja, um desejo que surgiu na Babilônia e foi dividido em dois segmentos principais:

  • Aqueles que se juntaram a Abraão e estavam dispostos a combinar todos os desejos em um.
  • Aqueles que não queriam se reconectar e se tornar como um todo. Os últimos foram espalhados por todo o mundo.

A parte que saiu com Abraão gradualmente se reconectou no primeiro nível, depois no segundo nível, e depois no terceiro: Abraão, Isaac e Jacob. Em seguida, eles receberam um egoísmo maior, adicional: o Egito e o Faraó, ou seja, as forças governantes que dominam o povo. Eles conseguiram superar o enorme egoísmo que os separava internamente. Por favor, usem a sua imaginação para formar uma imagem em que vocês sentem um desprendimento mútuo chamado “Egito”. Um desprendimento muito maior, óbvio, recíproco, cuja fonte é o “Faraó”. Ambos são denominações de novas camadas de egoísmo.

Assim, ao superar os níveis de desconexão denominados “Egito” e “Faraó”, apesar de todas as pragas do Egito que esse grupo teve que passar, eles se transformaram numa nação forte depois que saíram do Egito. Eles absorveram uma nova dose de egoísmo e a transformaram numa conexão mútua. Como resultado, eles se tornaram prontos para ascender ao método de correção de seus egos chamada “Torá”.

Aqui nós estamos falando de um novo tipo de conexão que é diferente da conexão de Abraão, Isaac, Jacó, ou mesmo de Moisés. É um novo tipo de unidade que se chama de “nação”, e que só pode ser alcançada se as pessoas não só usam os poderes naturais de união, mas também quando eles os induzem a partir da natureza com consciência.

Esta é a diferença entre todas as etapas anteriores (da Babilônia ao Monte Sinai) e a fase posterior de correção que começou a partir do Monte Sinai e continua mais adiante: a partir desse ponto, as pessoas fizeram esforços para atingir a força que as conecta. Não só elas aspiram a ser um e se reúnem, mas chegam a uma fase em que a sua realização cognitiva da força de conexão (o Criador) é ativada.

Pergunta: O seu avanço anterior também era baseado no princípio do “ama ao próximo como a ti mesmo”?

Resposta: Eles nunca tinham atingido o Criador. Apenas alguns deles, seus líderes, como Abraão, Isaac, Jacó, Moisés e Aarão, realizaram esta tarefa, na medida em que era “como se” tivessem falado com Ele diretamente. O resto da nação falhou em atingir este objetivo. É por isso que Moisés anunciou a seu povo o que exatamente o Criador lhe havia dito. Não havia qualquer percepção direta ou aparente do Criador naquela época.

No entanto, eles conseguiram ascender a um novo nível no qual juntos começaram a alcançar o Criador. Na época do êxodo do Egito, eles testemunharam muitos “sinais”, lenta e gradualmente o Criador começou a se manifestar entre eles: Ele falou do Tabernáculo, caminhou à frente deles, etc. Em geral, passo-a-passo, as pessoas começaram a perceber que viam “milagres”. Basicamente, o Criador se manifestou pouco a pouco.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 3

Dr. Michael LaitmanPergunta: A que se resume o trabalho no princípio do ‘ama a teu próximo como a ti mesmo”?

Resposta: Há muitos passos e estágios no caminho para esse estado. Este é todo o sistema da sabedoria da Cabalá.

Primeiro a pessoa simplesmente anseia por uma conexão com os outros. Existem diferentes exercícios especiais como sentar-se juntos, ter refeições em conjunto, debates, consultas e conversas sobre a aproximação, a qual, por enquanto, só pode ser teórica. Por enquanto há pouco trabalho prático aqui, já que nos primeiros níveis, as pessoas mal sentem os movimentos, a atração e a necessidade de conexão e unidade com os outros.

Comentário: Isto significa que elas devem ao menos se sentar ao lado uma da outra para começar.

Resposta: Sim, é assim que a conexão começa, de fora para dentro.

Mais tarde, elas estudam diferentes fontes que falam sobre isso, sobre como o mundo está num estado de conexão absoluta e que todos os elementos dos níveis inanimado, vegetal e animal estão conectados entre si, complementando-se mutuamente, e em que medida o sistema que gerencia o nosso mundo é totalmente integral, e que acima dele, há todo o sistema da criação.

Nós devemos apenas viver neste sistema, como fazemos agora. Forças e a percepção de que somos opostos a este sistema são intencionalmente despertadas em nós, para que através dessa oposição, a partir da escuridão, descubramos a Luz.

Agora nós somos pequenos elementos passivos governados de Cima e também somos parte desse imenso sistema analógico, integral e global, totalmente conectado e simplesmente perfeito. Mas não sentimos isso. Nós recebemos tais opções, tais condições, de propósito, para que possamos sentir plenitude só se pode chegarmos a isso por nós mesmos e na medida em que estamos de acordo com isso e entender que precisamos dela. Esta é a gradual correção interna de uma pessoa e que Abraão ensinou aos seus alunos.

Depois, eles começaram a ver os estados que estavam em comparação com os estados que deveriam alcançar. Primeiro, eles simplesmente discutiam isso verbalmente, sem qualquer base, repetindo as palavras de seu professor como crianças pequenas que repetem cada palavra dita pelos os adultos, mesmo sem entender do que se trata. Depois, eles começaram a sentir isso, como resultado de seu anseio mútua e da cooperação e unidade que afetava todos eles. Isto é, mesmo suas ações mecânicas afetavam seus estados internos e levavam a mudanças internas.

Eles começaram a mudar a sua atitude mútua. Eles passaram por momentos de descidas e momentos de subidas, todos decorrentes de uma única fonte: cada vez que eles sentiam que eram incompatíveis com qualquer formato, eles tinham que ansiar em alcançá-lo.

Para atingir isso, houve a necessidade de descidas e subidas alternadas e constantes, a fim de elevar constantemente a oposição ao penetrar cada vez mais profundamente na perfeição que só pode ser alcançada através do estado oposto.

É assim que eles avançaram. Além disso, o seu avanço para uma aproximação cada vez maior simbolizava o desprendimento da Babilônia, do estado interior de total dispersão total e o movimento em direção à terra de Israel, o que significava mover-se para o estado de conexão. É para isso que Abraão os levou.

Aqui eu devo dizer que a sabedoria da Cabalá é perfeitamente lógica, pois coincide com as nossas perspectivas corpóreas, com o princípio “a matéria como uma realidade que nos é dada na sensação”.

Os estudantes de Abraão avançaram de uma forma natural e interna do estado de Babilônia para o estado da terra de Israel, e, consequentemente, também avançaram externamente da Babilônia para a terra de Israel. Eles sentiram que precisavam avançar.

Como uma pessoa obtém tais sentimentos?

Eu estou sentado aqui e, de repente, sinto como se estivesse indo em algum lugar, fazendo algo, como chamar alguém e falar. Eu tenho alguns pensamentos e desejos, mas de onde é que eles vêm? Eles também vêm de dentro, mas eu simplesmente não sei disso e não posso seguir esse mecanismo. Assim, parece que ele opera de forma aleatória e por coincidência.

Agora trata-se de desejos que não estão num nível fisiológico, mas num nível espiritual. Quando eu mudo alguns atributos espirituais dentro de mim, isso também afeta meus atributos físicos.

Assim, quando eles começaram a mudar internamente e se aproximar, as pessoas que seguiram Abraão começaram a sentir a necessidade de sair da Babilônia, e elas também se afastaram da Babilônia externamente.

Elas começaram a avançar e mover gradualmente suas tendas, toldos, ovelhas, cabras, camelos e burros e, assim, avançaram em direção à terra de Israel. Não foi uma grande transição como da Babilônia para a terra de Israel, que eles cumpriram interna e externamente.

Pergunta: Então, a terra de Israel, como que os “tranquilizou” e eles mudaram de nômades em agricultores?

Resposta: Eles não eram agricultores. O trigo era cultivado na Babilônia, mas os que seguiram Abraão ao longo do percurso histórico por quase mil anos depois da Babilônia eram pastores. Só depois de se instalar na terra de Israel, após o êxodo do Egito, é que eles se estabeleceram, e além de pastores, começaram a se ocupar com agricultura também.

Depois, após o êxodo do Egito, no mesmo princípio, eles sentiram internamente que aqui era o lugar para o Templo.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14

Sociedade Perfeita De Abraão, Parte 1

Dr. Michael LaitmanA antiga Babilônia recuou para as profundezas da história, mas ainda é refletida em nosso tempo. Todo o seu curso é um processo único, ligado do começo ao fim e do fim ao começo.

É por isso que quando vemos como a história se repete, mas em outro nível, temos que tirar as conclusões certas a partir do que aconteceu e está acontecendo.

Portanto, na Babilônia, que era governada pelo rei Nimrod, o grupo de Abraão foi formado, o qual desafiou o programa “oficial” de desenvolvimento com o seu próprio programa. Nimrod disse que o ódio e separação que deflagrou entre as pessoas deve ser superado de uma forma egoísta natural: estabelecer-se em lugares diferentes, a fim de ter menos contato um com o outro, em termos modernos, sair de acomodações compartilhadas para individuais.

A opinião de Abraão era diferente: nós não podemos fazer isso; nós devemos nos conectar. Agora nós temos que buscar não a divisão, mas a unidade.

Como resultado, três milhões seguiram Nimrod, e apenas cinco mil seguiram Abraão. Este pequeno grupo de pessoas angustiadas, que não estavam satisfeitas com o conceito geral das pessoas, chamava-se “Israel” e deixou a Babilônia. “Acumulando” anos, séculos e milênios de sofrimento, ele se moveu à sua maneira até os dias de hoje.

Pergunta: O grupo foi “empurrado para fora” da Babilônia e forçado a iniciar seu próprio movimento?

Resposta: Eu não diria que foi “empurrado para fora”. A pressão começou mais tarde, mas não no início.

Naqueles dias, Abraão era um grande sacerdote e sábio babilônico. As pessoas que se reuniram em torno dele perceberam que seu método de correção, ou o método de uma nova vida, as atraia pelo seu significado interior, que não é simplesmente um “divórcio” egoísta, uma separação, espalhando-se para lugares diferentes, mas um movimento interior. A mensagem correspondente, o pedido da alma, foi despertado nelas, e elas estavam prontas para isso.

Afinal, a humanidade não evolui apenas tecnicamente; ela muda de forma ao longo da história: escravidão, feudalismo, capitalismo, socialismo, etc. Em outras palavras, ela muda de forma, muda seu conteúdo. O crescimento quantitativo do egoísmo também adquire uma nova qualidade.

Assim, os seguidores de Abraão sentiram que não poderiam se desenvolver apenas egoisticamente; eles precisavam chegar a um nível completamente diferente, “saltar” para o próximo nível. Assim, eles aderiram a Abraão, que cumpriu a sua demanda interna.

De KabTV “A Babilônia Ontem e Hoje” 27/08/14