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Os Quatro Cantos do Mundo


No Zohar, o capítulo “Chayei Sarah (A Vida de Sarah),” Item 201: “E o pó voltará à terra ,como era, e o espírito retornará a Deus que o deu.” Quando o Criador criou Adão, Ele tomou a sua poeira do local do Templo e construiu o seu corpo a partir das quatro direções do mundo. E cada uma delas deu-lhe força. Depois, Ele derramou sobre ele o espírito da vida, como está escrito”, e soprou em suas narinas o fôlego da vida”. Então ele se levantou e sabia que ele consistia do acima e abaixo, e depois ele aderiu ao Criador e sabia a sabedoria superior [Hochma].

Os quatro espíritos do mundo são Hochma, Bina, Tifferet e Malchut. Eles são chamados dos quatro cantos do mundo, e eles também são divididos nas linhas da  direita e da esquerda: Hochma e Bina; Tifferet é a linha média com Yesod no seu final, seguido do local de adesão com Malchut. [Leia mais →]

Ajuda Contra Você

Se quisermos fazer progresso espiritual, precisamos da ajuda de uma força egoísta chamado “mal”. Na verdade, se não fosse por essa força do mal que se revela, gostaríamos de permanecer em um lugar que não há nada para fazer. Uma vez que as linhas da direita e esquerda se opõem umas às outras, somente elas, por si, não podem nos ajudar a avançar neste caminho. Assim, precisamos de um disparador externo, que é a interferência do mal. Seu objetivo é empurrar-nos para o nascimento de uma nova vida.

Isto é o que se refere como “ajuda contra você.” Ela age pela força do mal que trabalha devotadamente, evocando uma cadeia de estados dentro de nós. Portanto, um salto para um novo estado e transição para o nível superior é impossível sem ela.

Ou seja, tudo está pronto para Malchut para dar nascimento a novas almas, exceto que ela é incapaz de faze-lo. A fim de alcançar o nascimento, o mal deve evocar-se em Malchut, dando-lhe um adicional desejo egoísta. Só então ela será capaz de se entregar e ligar-se com a Luz em um novo nível.

A Tela Não É Só Uma Divisão, Mas Um Sistema Completo


A pessoa é um mundo pequeno, o que significa que o mundo todo está dentro de mim. Eu estou diante da Luz Superior e do Criador com todas as minhas propriedades e características internas. Sou incapaz de imaginar algo fora de mim.

Nós já passamos por uma preparação suficiente para evitar associar o que está escrito no Livro do Zohar com as imagens do nosso mundo, com a história ou geografia. Podemos agora ver que o texto descreve a nós mesmos, o Criador e a tela entre nós e Ele. Agora temos que tentar ver o sistema e a estrutura do relacionamento que temos que construir entre Ele e nós.

A tela não é só uma divisória entre o Criador e eu, mas um sistema completo. Afinal de contas, eu sou somente um ponto de desejo criado “do nada” e o Criador é também como um ponto, uma centelha de Luz que me criou, o ponto do desejo.

A tela se refere a um imenso sistema que existe entre ambos os pontos: eu (um ponto negro) e o Criador (um ponto de Luz branca). A tela não está posicionada acima do desejo de desfrutar, mas está incluída nesse desejo. Com o auxílio da tela eu posso calcular quão estreitamente posso alinhar meu desejo para ser compatível com a Luz; por isso a tela deveria abraçar completamente meu desejo.

Rosh (a cabeça) do Partzuf é o lugar onde eu decido qual parte do meu desejo deveria se prender à Luz. A parte do meu desejo que sou capaz de alinhar com a Luz é chamada de Toch (a parte interna) do Partzuf. A parte que ainda não sou capaz de alinhar com a Luz é chamada de Sof (o final) do Partzuf.

A tela opera dentro de todas essas partes, sendo um sistema que me conecta com o Criador. O sistema está dividido em três partes:

1. Rosh, a cabeça do Partzuf, que executa o esclarecimento e o cálculo;
2. Toch, a parte do Partzuf, que recebe a Luz e alcança semelhança com ela em ação;
3. Sof, o final do Partzuf, onde um cálculo separado é executado conforme minha habilidade de ser semelhante à Luz.

Não é suficiente para mim simplesmente decidir que parte do meu desejo eu posso tornar semelhante ao Criador e jogar o resto fora. Eu também preciso checar quais partes eu não posso alinhar com o Criador e por quê. O final do Partzuf tem que ser tão claro quanto a parte interior.

O Anfitrião me pergunta sobre cada pequeno detalhe: “Por que você não aceita a Minha Luz? Eu então tenho que checar aquele detalhe e explicar a mim mesmo porque não posso receber dentro dele. Então, a tela é um sistema completo de conexão entre o Criador e eu mesmo; não é simplesmente uma divisão que desenhamos nas nossas ilustrações.

Quando estudamos o Zohar, estamos constantemente aprendendo sobre esse sistema – a conexão entre nós e o Criador. Eu estou abaixo e o Criador está acima, e entre nós existe um sistema inteiro que chamamos “a tela”, que consiste de três partes principais. Esse sistema abarca todos os mundos.

O Desejo é um Meio para Alcançarmos O Criador


O desejo criado pelo Criador é dividido numa infinidade de partes ou desejos; então, ele passa por uma série de transformações, até que se estabiliza num estado onde ele é revelado e chamado de “eu” (self). Este desejo é percebido como um desejo interior existindo num desejo externo, num mundo de desejos estranhos, na imagem de pessoas, animais, aves, peixes, vegetação e rochas. Entretanto, tudo isso faz parte do mesmo desejo que desceu de Malchut de Ein Sof (Infinito) para um estado onde ele começa a perceber e sentir que se origina do ponto interior chamado Adam HaRishon, após a quebra.

Este é o “eu” dentro de cada um de nós – o menor grau do desenvolvimento do desejo. Neste nível, o desejo começa a reunir todos os desejos fragmentados que pareçam estranhos, retornando assim a um estado de plenitude e perfeição. Ao reunir todos os desejos, nós estudamos o nosso “eu”, a forma como foi ele criado, e o nosso Criador. Como resultado, esse “eu” torna-se semelhante e equivalente a Ele.

No entanto, eu não sou o desejo. Eu sou o ponto fora do desejo criado. Assim como eu, o Criador também existe fora do desejo que Ele criou. Ele criou esse “eu”, e criou o desejo diante d’Ele, de modo que estudando esse desejo, “eu” pudesse alcançá-Lo.

O desejo entre nós é como o alimento entre o cliente e o anfitrião: ele permite que ambos se aproximem mais, até alcançarem o amor absoluto e a integração. Em outras palavras, o desejo criado pelo Criador, é o meio para a minha união com Ele.

O Criador existe fora desse desejo, assim como “eu”. O Criador tem um ponto de contacto com o desejo, como eu. Conseqüentemente, nós dois somos iguais! Entre nós está o desejo que Ele criou, bem como a Luz que o preenche. Eu sou a sensação ou a consequência da quebra, uma centelha existindo fora do desejo, a qual me é dada para que eu possa alcançar o Criador.

Dentro do desejo, Ele construiu mundos, Partzufim e Sefirot – e o meu trabalho é restabelecer a sua plenitude e perfeição, para trazer de volta o Uno, Único e Indivisível. Então, eu serei completamente equivalente a Ele, e eu O conhecerei de acordo com Suas ações.