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A Alma Está Entre A Escuridão E A Luz

Laitman_023O Zohar, Capítulo “BaHar (No Monte Sinai)”, item 66: … há duas criações no homem, a criação para o bem e a criação para o mal. Com a Torá, ele as separa, e o Criador lhe dá uma alma d’Ele, para dominar sobre ambas – a que é boa e iluminada, o mundo vindouro, e a que é má e obscura, este mundo – como está escrito: “E Ele soprou em suas narinas o fôlego da vida”.

Toda a nossa realidade decorre da separação entre escuridão e luz, quando podemos realmente “filtrar” as qualidades que pertencem a este mundo e ao mundo vindouro. Nós começamos a construir a nós mesmos através de discernimentos, distinguindo as qualidades em prol da doação daquelas em prol da recepção.

Tudo aquilo que estudamos em nosso mundo é nossa existência animal, ou seja, nossa natureza. Por que animal? Porque o animal não cresce, mas permanece sempre no mesmo nível no que diz respeito à sua percepção.

Portanto, até que comecemos a usar a Luz, a fim de construirmos a nós mesmos, distinguindo as qualidades de doação daquelas de recepção, até que reunamos essas qualidades doadoras, desejando habitar nelas, e construirmos a nós mesmos a partir delas, nós existiremos somente neste mundo.

Assim como as gotas de esperma começam a se formar num embrião no ventre da mãe, nós temos que tentar utilizar o grupo, o ambiente, o estudo, as intenções, e várias ações para acrescentarmos e acumularmos continuamente as qualidades de doação interiormente. É assim que se forma um corpo espiritual.

Ainda asim, a todo instante nós revelamos outra parte na doação e desejamos uní-las, isso é chamado de nossa próxima reencarnação. Com efeito, nós vemos a nossa nova vida a todo instante e uma nova oportunidade de mantermos a união, acrescentando em nós as qualidades do nível humano que são semelhantes à doação e ao Criador (a palavra “homem” em hebraico é “Adão“, que vem de”Edome“, similar).

Da primeira parte da Lição Diária de Cabalá 26/04/10, O Zohar

Efeito Casimir Ou Entrada Numa Dimensão Superior

Laitman_911Uma pergunta que recebi: Se a direção para a Luz é positiva e a direção para a escuridão espiritual é negativa, e nós temos que trabalhar dentro do negativo para chegar ao positivo, então onde está o zero espiritual? Qual é este estado?

Minha resposta: Não existe zero no mundo espiritual; não podemos imaginá-lo. No entanto, há um estado chamado Klipat Noga (Luminoso), onde eu sou incapaz de decidir se viro para um lado ou para o outro, o que significa dizer, para o meu próprio benefício ou para o benefício da doação. Este estado intermediário não-equilíbrado é chamado zero.

Eu estou entre duas forças naturais. Não há terceira força, razão pela qual esse estado é instável. Ele exige que eu faça imediatamente uma escolha. O estado zero só existe na minha percepção pessoal, e somente no momento em que eu devo decidir o que fazer. Eu tenho que sentir que este estado zero é um abismo, porque eu nem tenho um estado.

Este é um estado muito bom, porque quando eu sinto o zero absoluto, eu não tenho nada para me agarrar. Nas outras vezes, eu estou ou na doação (santidade), e não tenho nada com que me preocupar, ou nos desejos egoístas (Klipa ou casca), sentindo que sou cúmplice do Faraó. Nesse estado, eu não aproveito nem a vida espiritual, nem a vida material.

No entanto, a pessoa que alcançou a Klipat Noga sente que não tem motivos para fazer uma escolha; ela não tem nem positivo nem negativo. De repente, eu estou numa encruzilhada e não tenho para onde ir. É um estado totalmente indeterminado. Eu pensei que fosse uma fenda estreita diante de mim, bem no meio, quando de repente ela se abre e vejo um abismo diante de mim.

Aqui é a saída para a dimensão mais elevada. Se eu me agarrar ao Criador e decidir que não tenho escolha, então eu tenho que subir ao nível da energia superior. É como se nós entrássemos num vazio espiritual e revelássemos o Criador nele. No momento em que você está pronto para entrar, Ele se revela para você.

Na física quântica, um fenômeno similar é chamado efeito Casimir: a força do nada. Se dois condutores descarregados são colocados alguns micrômetros distantes num vácuo, então a energia do vácuo começará a fluir para dentro deles e criará uma força de atração. Tente realizar este experimento de física e você terá uma prova visual de que o Criador existe.

Da Lição Noturna do Zohar 22/04/10

A Verdadeira Mudança Versus “Maquilagem”


Uma pergunta que recebi: Como posso eu preencher o desejo de alguém se cada pessoa gosta de algo diferente?

Minha Resposta: Deve ser uma atitude interna em relação à outra pessoa: você tem de se preocupar com ela da mesma maneira que você previamente se preocupava consigo mesmo. Você deve exigir que a Luz Superior torne o seu amigo tão importante quanto você se considerava a si mesmo no passado, egoisticamente, para seu próprio benefício.

Não faça nada artificialmente. Nós temos de deixar a Luz Superior fazer todo o trabalho. Ela faz as correcções. Tudo o que nós podemos fazer é arruinar as coisas! Nós não temos a força ou o entendimento para fazer algo. Desta forma, se nós tentamos mudar, nós só o fazemos externa e artificialmente, e isso não é correcção.

O Rabash dá um exemplo usando uma parábola sobre gatos que, supostamente, eram treinados para serem serviçais nobres e importantes, de forma a provar que é possível mudar a natureza de alguém. Mas quando os gatos viram ratos a correr, eles atiraram suas bandejas para longe e apressaram-se a os apanhar. Nós somos iguais: Nós executamos mudanças externamente belas até que explodimos e saltamos violentamente em cima uns dos outros. Estas não são certamente as mudanças que a Cabalá fala.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/04/10, “Matan Torá”

Sistema De Cálculo Binário: Desejo Atual E Luz Prévia

Dr. Michael LaitmanQualquer estado é definido por dois parâmetros: a Luz e o desejo (Kli). Em acréscimo, quando não há Luz e nenhum desejo por ela (razão pela qual a Luz partiu), então o que sobra é um “registo” (Reshimo) da Luz e do desejo.

Suponhamos que eu tinha um desejo e prazer dentro dele, mas agora o estado mudou : não há nem a Luz prévia nem o desejo por ela. No novo estado eu tenho um novo desejo, mas como posso eu determinar que Luz aceitar dentro dele? Eu tenho um desejo distinto que eu sinto agora, mas eu ainda não recebi a Luz dentro dele, porque a Luz tem de vir de fora. Neste caso eu uso a informação (Reshimo) sobre a Luz do meu estado anterior e a informação sobre o desejo do meu estado atual.

Suponhamos que eu estava num restaurante ontem onde desfrutei de uma refeição custando 100 dólares. Hoje eu chego ao mesmo restaurante com apenas 80 dólares e não sei o que pedir com este dinheiro. Embora eu compreenda que não possa pedir tanto quanto eu pedi ontem, agora eu tenho de descobrir o que pedir baseado no que aconteceu ontem. Eu tenho de pedir um pouco menos e devo determinar precisamente quanto menos. Eu recordo o prazer (a Luz) de ontem, que é a minha única referência, uma vez que o prazer sempre vem de fora. Há apenas dinheiro (Kli) no meu bolso e eu sei que hoje eu tenho menos dele.

Cada estado espiritual contém sempre informação sobre o desejo (Reshimo de Aviut) e informação sobre a Luz que estava vestida no desejo anterior (Reshimo de Hitlabshut). Baseado nestes dois Reshimot é sempre possível compreender o que está a ocorrer. Sem estes Reshimot (reminiscências) a pessoa perderia toda a sua memória e razão. Ela não saberia o que aconteceu um momento antes e não compreenderia como se comportar no momento seguinte.

Nós agimos apenas de acordo com os Reshimot. Estes dados são construídos dentro de nós; nós fazemos todas as nossas comparações e cálculos baseados neles.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/04/10, Prefacio à Sabedoria da Cabalá

A Maior Luz é Revelada Acima do Maior Ódio


Uma pergunta que recebi: Como é que o meu ponto de vista realmente muda quando eu saio do amor próprio egoísta e vejo o mundo através dos desejos dos outros? Irei eu ver uma sala diferente, um copo diferente à minha frente, e irei eu ver todas estas pessoas diferentemente?

Minha Resposta: Um animal irá permanecer sempre um animal, e isso pertence a cada um de nós. Você irá permanecer sempre dentro do ponto do seu “eu”; porém, quando você alcança a espiritualidade, você acrescenta um sentido completamente diferente (recipiente, vaso ou Kli) a esse ponto – os desejos de outras pessoas.

O Criador criou um desejo consistindo de dez partes ou Sefirot, chamado HaVaYaH. Neste momento, você só sente a camada mais baixa deste desejo, um ponto negro. Enquanto você nasce, e morre, você volta às mesmas dez Sefirot do seu egoísmo, que é a sensação deste mundo. Isto continua de uma geração até à próxima, de um ciclo de vida ao próximo (ou de um Partzuf ao próximo), cada vez atravessando os mesmos estados: embrião, amamentação, e amadurecimento (ou de um Partzuf ao próximo), e então novamente: embrião, amamentação, amadurecimento, e assim por diante.

Como pode você sentir o mundo de uma maneira diferente, não apenas dentro do ponto negro, mas através dos desejos das outras pessoas que estão fora de si? Quando isto acontece, o nosso “Eu” ainda permanece, e o seu mundo não irá mudar. Se você desaparecesse, em relação a quê iria você sentir os outros? Você tem de sentir os outros opostos a si, e vê-los como opostos e odiosos a si. Além do mais, este sentimento tem de continuar a crescer.

Um exemplo disto é o grupo do Rabino Shimom: eles revelaram o maior ódio possível entre eles. Mas acima dele, eles construíram o amor, e assim alcançaram a revelação da Luz do Zohar. Quando você tem um grande ódio interior e um grande amor por cima dele, isto fornece o contraste necessário no qual a Luz de Hochma (Luz da Realização) brilha. Há um enorme egoísmo interior, e acima dele há uma tela. Essa é a única maneira de revelar uma Luz maior.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala,26/04/10, “Matan Torá”

A Canção da Ascensão

No Zohar, o capítulo “Shemot (Êxodo),” Item 333: Os ministros inferiores são chamados de “levitas”, porque eles acompanham e participam “lá de cima” como um [Livui significa acompanhamento], e porque aquele que escutar o canto se une e se sua alma adere ao superior, o Criador.

A música é a revelação da Luz de Hochma na Luz Hassadim, a maior revelação que existe. “A Música Das Músicas ” é o pico de adesão, ligação e união entre a criatura e o Criador. Salmos são as canções que o Rei Davi (Malchut) revelou na linha média, pois elas são as revelações da Luz de Hochma na Luz Hassadim.

Às vezes parece que o rei Davi chora; sem saber o que fazer, e se esconde dos inimigos , ainda na escuridão, ele revela Hassadim, a misericórdia do Criador. Assim, é uma canção. [Leia mais →]

Seiscentas Mil Luzes Entre Nós

Tudo o que lemos no Zohar é revelado na ligação entre nós. O Zohar fala sobre a ligação entre as almas ao invés de sobre a alma por si. A alma, por si só é um desejo, não há mais nada para ela.

A singularidade de uma alma está em sua capacidade de obter uma tela e atrair a Luz refletida, e com a ajuda de ambas se ligar com outras almas. A Luz  (o Criador) surge no seu desejo mútuo de unir-se além do egoísmo. É por isso que nós tentamos imaginar que temos uma tela (contra o nosso egoísmo) e da luz refletida (a nossa aspiração para conectar-se em um todo.) Juntamos as nossas aspirações (Moisés, em cada um de nós) sobre o Monte Sinai (hatred/ódio.)

Cada um dos nós é um pequeno vaso espiritual (kli), um desejo egoísta que com a ajuda da tela e a luz refletida funciona como uma entidade dadivosa. Isso permite que todas as almas separadas se unam em uma só alma.

Desejo egoísta é a nossa natureza. Quando nós criamos uma tela acima, e atraímos a luz refletida, ela se torna uma alma, um desejo que é semelhante ao do Criador.

O Criador é então revelado dentro de nossa mútua luz refletida. A luz refletida de cada kli é a Luz do Hassadim. Dentro do campo compartilhado da Luz de Hassadim a Luz de Hochma revela.

Se nossa mútua Luz Refletida atinge um certo nível de poder chamado de “seiscentos mil,” o Criador (a Torá, a Luz Superior a Luz da Sabedoria – Hochma )se  revela Nele.

Da 1a. parte da Lição Diária de 20/04/10, O Zohar

Material Relacionado:
O Zohar Espalha Luz Sobre a Conexão Entre as Almas
O Que O Zohar Nos Ensina

A Oração Do Coração

No Zohar, o capítulo “Shemot (Êxodo),” Item 368: Quando Rabi Elazar estava sentado em jejum, estava orando e disse: “É revelado e conhecido por Vós, Senhor meu Deus, o Deus de meus pais, que eu tenho sacrificado a minha gordura e meu sangue para Você, e eu os cozinhei com o calor e fraqueza do meu corpo. “

Existe uma diferença enorme em saber se eu li estas palavras de um livro de orações, ou acontece alguma coisa dentro de mim que provoca uma explosão interna em direção ao Criador.

Os sentimentos se formam dentro de mim, e eles se intensificam nas palavras e frases. Eu nem mesmo conheço esse idioma. Eu não sei como isso acontece, mas é a consequência do meu esforço para equilibrar os meus desejos com a Luz e unir-se com Ela. A reação da Luz e os desejos ocorrem na alma. Essas palavras são concretizadas no meu cérebro, o cérebro envia as ordens para os órgãos da fala, e eu pronuncio as palavras sem saber de onde elas vieram. [Leia mais →]

A Luz do Futuro

Eu leio O Zohar e desejo penetrar dentro do seu quadro interior. Que desejos e qualidades são estas? Eu quero apagar completamente esse mundo inventado, esse quadro imaginário. Eu quero ao invés disso imaginar o quadro verdadeiro. O que eu veria se tivesse essa revelação bem agora? Eu quero aspirar a ela como uma criança que quer crescer. Então, eu verei a conexão das qualidades e desejos em mim, mais do que nessas imagens corporais.

Com essa aspiração, eu desperto a Luz que Reforma que me iguala ao Criador. Eu não preciso pensar sobre essa Luz; a aspiração para ver o quadro verdadeiro a desperta. Realmente, não existe a “Luz que Reforma”; só existe um quadro avançado do mundo no próximo e mais elevado grau, que em comparação comigo agora, é chamado Luz. Se eu estiver profundamente impressionado por um quadro mais interno, isso é chamado a Luz em relação ao presente quadro.

Nós percebemos a Luz como uma estimulação especial no desejo. Nós registramos a Luz com letras da mesma maneira que registramos os desejos. “Eu aspiro à Luz”, significa que eu aspiro a um estado mais avançado de doação. E isso é o que a Luz é para mim.

Nós Só Disseminamos A Cabalá, A Luz Superior Faz O Resto

Laitman_107Uma pergunta que recebi: Atualmente, um grande número de pessoas ao redor do mundo está se unindo aos nossos estudos de Cabalá, novos grupos estão surgindo em diferentes cidades como cogumelos depois da chuva. Como devemos cuidar deles?

Minha resposta: Nós só temos que dar-lhes o exemplo e cresceremos juntos com eles. Eu não antecipo nenhuma dificuldade com isso. É impossível parar a vida. Nós já vimos uma árvore avançar numa rocha. Nada pode pará-la; ela encontrará seu caminho para a luz e crescerá.

O mesmo se aplica à nossa situação. Se o desejo da pessoa receber um pouco de Luz das fontes Cabalísticas autênticas, ela avançará e começará a crescer. As pessoas descobrirão centros de ensino e grupos de estudo; elas tomarão o nosso exemplo e evoluirão.

Nós só temos que disseminar o conhecimento Cabalístico o mais amplamente possível. As formas posteriores do seu desenvolvimento não são determinadas por nós. Este é um desenvolvimento livre. A nossa única tarefa é seguir os princípios Cabalísticos do desenvolvimento de uma pessoa e da construção de um grupo. Nós apenas disseminamos o material; a Luz Superior faz o resto.

Nós criamos a conexão com a Luz Superior dando livros às pessoas. Estes livros transmitem a Luz que Corrige e as pessoas começam a crescer. Isso acontecerá em todo o mundo. Esperemos que este seja um crescimento ascendente e exponencial.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/04/10, Artigo “Exílio e Reddenção”