Textos com a Tag 'Criação'

Não Seja Um Burro No Banquete Do Rei

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se o Criador primeiro criou tudo com perfeição, por que nós devemos corrigir algo?

Resposta: Sim, mas nós ainda não estamos no estado que Ele criou. Nós estamos fora dele, atrás de todo tipo de véus, ocultações. Essas telas só têm a ver conosco, uma vez que somos os únicos que sentimos a ocultação.

O Criador criou somente um estado, considerado o mundo do Infinito. Porém, para sentir que estamos realmente nesse Infinito, precisamos acumular toda sorte de experiências.

Suponha que alguém queira me convidar para algum prato de comida exótico, mas para que eu aprecie seu estado, eu preciso ter um desejo por ele. Eu presumo que tenho uma ideia do que ele é e como deve ser comido. De outra forma, eu não vou conseguir, como o fazendeiro mencionado no Livro do Zohar que viveu numa fazenda toda sua vida, cultivou trigo, e, até que visitou a cidade, nunca havia suspeitado quantas coisas deliciosas podiam ser feitas com o trigo. Tudo que ele conhecia era o grão duro.

Assim, enquanto estivermos na Luz do Infinito, nós a sentimos somente como um burro sente, mastigando o grão duro. À excessão do “grão” simples e da “água”, nós não desejaremos nada mais. Nós não sentimos na Luz do Infinito todas as delícias que o Criador preparou para nós.

Portanto, como começamos a desejar a Luz que preenche o Infinito e sentimos nela todas suas manifestações, em toda sua profundidade, com total clareza? Nós não temos tal necessidade. Nós precisamos criá-la dentro de nós mesmos.

Para construir um desejo para sentir o aroma da torta mais doce, ao invés do grão duro, para sentir o Infinito ao invés da mínima Luz de Nefesh de Nefesh, enquanto permanecemos no mesmo estado e na mesma Luz, nós precisamos cultivar o desejo. O desejo cresce através da ocultação, quando me mostram um pouquinho da Luz e, então, ela se oculta novamente, expondo- se e ocultando-se. Isso é considerado “flertar”, brincar.

Esse é um jogo muito sério, uma vez que a ocultação aumenta o desejo. É assim que a Luz joga conosco, expondo- se e ocultando-se. Por isso, nós nos retiramos do mundo do Infinito e nos separamos dele através de numerosas ocultações, até terminarmos nesse mundo, nessa total ocultação.

Tudo que precisamos é do desejo. No instante que eu o conseguir, eu receberei a “torta” preciosa. Tão logo ele cresça um pouco mais, receberei uma delícia maior. Em cada novo passo, eu preciso aumentar meu desejo, e a Luz superior começa a me iluminar com força total. Meu desejo permite que eu me conecte com Ela e que Ela entre em mim.

O Criador criou todos esses estados desde o início, mas de fora de todo o Infinito, você agora só pode sentir a mínima Luz de Nefesh. Isso ocorre porque você não tem um desejo próprio de querer especificamente isso e sentir dor porque lhe falta isso.

Esse desejo tem que ser totalmente novo, diferente do seu desejo instintivo. Você o recebe ao se obrigar, anular a si mesmo e lutar com toda sua natureza. Quando você começa a desejar a Luz dessa maneira, este será um desejo autêntico. Em outras palavras, você precisa desejar doar!

Atualmente, isso parece algo totalmente estúpido, certa doação estranha e amor. No entanto, essa são palavras simplesmente familiars que significam um novo tipo de desejo que ainda não existe em nós.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/05/11, Talmud Eser Sefirot

O Criador É Conhecido Por Suas Ações

Dr. Michael LaitmanOs Cabalistas começam nos contando sobre a criação, dizendo que “antes das criaturas serem criadas, a Luz superior simples preenchia toda a existência” (palavras iniciais do livro do Ari, A Árvore da Vida). Em outras palavras, a realidade já existia, a qual é o desejo da criatura de sentir prazer que foi preenchido com  Luz.

O plano da criação é deleitar os seres criados. E este presente que o Criador deseja doar só pode ser aceito com duas condições: a criatura deve se tornar como o Criador e, ao mesmo tempo, ser independente Dele.

O melhor estado de existência é sentir a presença do Criador. É o maior prazer, e ele deve ser sentido independentemente de qualquer outra pessoa. O ser criado deve ser completamente autônomo e igual ao Criador.

Portanto, a força superior está oculta. Neste momento, estamos rodeados por varias ondas de rádio, mas a unica pessoa quem tem conhecimento delas é a que possui um rádio capaz de receber algo que possa reproduzi-la interiormente, com as  propriedades delas. Estamos cercados por uma luz branca, mas nós a percebemos como azul, vermelho e todas as outras cores. Enquanto a luz em si não tem cor, a cor é criada por aquele que a recebe, absorvendo apenas certas ondas através de um prisma próprio.

Assim, a luz nos parece amarela, azul e vermelha. Na verdade, a razão para isto é o vidro que pára e reflete essas ondas que se parecem com cores. Mas não há sombras na luz em si.

Desta mesma forma nós percebemos o Criador. Na medida em que pudermos nos igualar a Ele, Sua propriedade de doação, em cada um dos 613 desejos, nestes muitos desejos e níveis, nós  perceberemos o Criador. Então, gradualmente, começaremos a conhecê-Lo em pequenas porções.

No homem, há sempre 613 desejos atuando, que são a base da nossa percepção. No entanto, podemos fortalecer o poder deste vaso espiritual ao nos elevarmos nos 125 degraus da equivalência com o Criador, até que todos os nossos 613 desejos se tornem totalmente idênticos a Ele. Assim, nós alcançamos o Criador, e isto é considerado como “conhecê-Lo por Suas ações”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/11, Escritos do Rabash

O Pior Pesadelo Da Criação

Dr. Michael LaitmanNós precisamos unificar Israel, a Torá e o Criador como um (a pessoa  esforcando-se diretamente à Luz e o Criador). Cada parte deve se esforçar para se unir com os outros, para que no final ela possa doar à Luz. É como no início, a Luz era a única a doar, tendo dotado Malchut com a sensação de Seu amor, levando-a a todas as ações que começaram com a Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph) e revelaram-se mais abaixo.

Mas quando, depois de todas esses correções, Malchut retorna ao mesmo estado de perfeição, plenitude e unidade, no seu amor e doação em relação a Luz do Infinito, nós começamos a ver que tudo isso é apenas uma criatura, que passou por todos os tipos de “sofrimentos”.

Estas “situações difíceis” são consideradas como os “mundos”, da palavra “ocultações” em hebraico. São ocultações do estado perfeito do Infinito, de maneira a retirar-se desta sensação de realização e se submeter a todos os tipos de experiências interiores,  impressões, escolhas e guerras, para construir dentro uma relação idêntica com a Luz, ao atravessar os estados de separação dela e, depois, aproximando-se do mundo do Infinito,  para finalmente chegar à adesão total.

Em todo este processo, existem infinitos detalhes, cada um dos quais está relacionado com o início e o fim do processo. Afinal, nós também participamos deste emaranhado de sentimentos que Malchut experimenta, causado pela colisão da Luz e do vaso, o prazer e o desejo, a força do Criador e a da criatura. Nós atravessamos os mesmos estados individualmente, como partes de Malchut, de modo que no final nós nos sentimos como uma única alma.

Afinal, há apenas uma criatura: Malchut do mundo do Infinito. E cada um de nós deve se unificar com todos os outros, tendo superado este terrível pesadelo e nossa separação ilusória, essa ocultação de um estado perfeito e eterno. Então, todos vão ver que estão incluídos em todos os outros com seus sentimentos, pensamentos, amor e doação.

Portanto, precisamos fazer tudo o que pudermos para acelerar o nosso despertar deste sonho. Está escrito que o Criador nos trará de volta “fora de Sião”, isto é, que há uma saída (Yetzia) desta realidade, deste sono. Então, vamos ver que estávamos em um estado de sonho e iremos nos unificar em uma só alma.

Espero que a próxima convenção nos ajude a dar um enorme salto adiante, para que acordemos e nos sintamos como uma só alma.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/03/11, Preparação para a Convenção NÓS!

A Criação Multidimensional

Dr. Michael LaitmanO Criador criou um único desejo que, inicialmente, estava em total união com a Luz que o concebeu, em uma adesão sustentada pelo poder da Luz. Esse é o primeiro e, da parte do Criador, totalmente perfeito estado; somente a criatura não o sente. Isso é porque esse estado foi criado pelo Criador, e lhe falta a consciência da criatura. Essencialmente, não há criação ainda, há somente algo que foi criado e existe por causa da força que o gerou.

Assim, o ser criado precisa passar por um longo processo para ganhar autoconhecimento, e existem vários estágios nesse caminho. Primeiro, ele parece não existir de forma alguma, como “existência a partir da ausência” (Yesh Mi Ain). Porém, no final, a criatura é preparada para se tornar “existência a partir da existência” (Yesh Mi Yesh), isto é, como o Criador.

A criatura supera essa discrepância, de “Yesh Mi Ain” a “Yesh Mi Yesh”, gradualmente, pelo seu desenvolvimento passo a passo, adquirindo finalmente uma segunda natureza: a natureza do Criador. Porém, para alcançar isso, ela tem que agir independentemente, para alcançar por si mesma: o que a criação, “Yesh Mi Ain”, e o Criador, “Yesh Mi Yesh”, são e como eles diferem.

Ela tem que acessar constantemente esses dois estados ao concordar ou discordar com eles, isto é, ao declarar seus desejos, tendo recebido livre arbítrio. Assim, a criatura se aproxima ainda mais da forma do Criador e a aceita não porque ela seja mais prazerosa e benéfica (isto é, não por causa da sua aspiração egoísta), mas porque, de fato, ela adquire as qualidades do Criador, os atributos da doação pura.

Em geral, a realização só é possível através da equivalência de forma. De outra forma, nada pode ser alcançado. Nem o Criador nem Suas qualidades podem ser compreendidos se a pessoa não os possui. Assim, para que o ser criado alcance o Criador completamente e se torne semelhante a Ele, o Criador divide o estado que Ele partilha com o ser criado em múltiplas partes, estados consecutivos, e vários desejos e pensamentos.

Isso pode ser visualizado como a construção de blocos ou como um quebra-cabeça, mas não como um uni ou tridimensional, mas como a construção de blocos em um sem número de dimensões. Qualquer parte desse quebra-cabeça tem um número infinito de lados com os quais se liga a todos os outros, para que assim ninguém tenha nada de si mesmo, mas sempre sua parte superior se conecte com a superior, e sua parte inferior se conecte com a outra parte abaixo dela.

Todos estão todas conectados de tal maneira que ninguém tem nada que pertença a si mesmo, exceto uma coisa: o ponto central no Tabur (umbigo). É o lugar onde cada um decide o quanto quer participar de forma independente, com sua própria realização e consciência, e alcançar essa interconexão onde, contra sua vontade, encontra a si mesmo para dar toda sua força e desejo para sustentar a ligação.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11, Escritos do Rabash

A Conversa Entre O Criador E Sua Amada Criação

Dr. Michael LaitmanQuando eu começo a corrigir meus relacionamentos com o mundo inteiro, com todas as outras almas, e com os amigos no grupo que estudam comigo, de repente descubro que só existe o Criador e eu, e ninguém mais. Em outras palavras, existem meus amigos, o mundo, a natureza inanimada, vegetal, e animal, pessoas e almas, e tudo isso é, essencialmente, as manifestações do Criador que pertencem a mim.

Afinal, o Criador não pode Se mostrar a mim como a Luz sem o vaso (Kli), uma vez que eu não terei nada com que percebê-Lo. Desta forma, o Criador divide a criação em duas partes: a própria criação, sua alma, e os outros desejos além dessa criação que são qualidades do Criador.

“O Criador” (Boreh) vem das palavras hebraicas “venha” e “veja” (Bo e Reh). Em outras palavras, se o ser criado se conecta com o Kli que está aparentemente fora dele, ele expressa sua atitude para com o Criador, e nesse vaso surge a Luz. Tudo isso dá à criatura a oportunidade de perceber a força superior (relativo a si mesma).

Então, a criatura começa a entender a “linguagem” do Criador, a conversa que o Criador está tendo com ela. Algumas vezes, parece à criatura que esse Kli “externo” está acima dela, e outras vezes que está abaixo dela. De vez em quando ela vê o mundo como um vácuo onde não há nada. Porém, se a criatura entende que é o Criador quem cria esse espaço vazio, para a criatura preencher com seu desejo de doar por si mesma, ela recebe um lugar para trabalhar.

Nesse vazio, existe a falta da Luz da fé, a Lua da doação, Hassadim (Misericórdia). Se a criatura é capaz de preencher essa dimensão vazia com a Luz de Hassadim, consequentemente, ela se une ao Criador e também pode encontrar ali a Luz de Hochma (Sabedoria).

Existem estados opostos quando o Criador permite que a criatura se sinta satisfeita. Primeiro, você sente que está de pé diante de uma enorme Luz que por enquanto está fora de você. Essa sensação nos é dada nas primeiras nove Sefirot (Tet Reshinot). Você tem que fazer uma restrição nisso, elevar seu limite interno, para que assim você possa receber a Luz (no Nikvey Eynaim), e trabalhar nas três linhas para avaliar com sua tela a satisfação que está diante de você, ou discernir em qual medida você pode recebê-la para doar.

Assim, nós avançamos passando por vários estados, mas nem sempre conscientes deles. Porém, eles só se revelam quando nós não esquecemos que só há uma única Luz e um único vaso que está dividido em muitas partes para o nosso bem, e que temos que incorporar gradualmente em nós mesmos com a intenção de doar.

Nesse caminho, há dois estágios para nós. O primeiro é o patamar de Biná (Hafetz Hesed) onde a pessoa não pode realmente se conectar com os outros por agora e somente aprende a resistir a seu egoísmo, eleva-se acima de seus desejos, acima de sua “inclinação ao mal” que está sendo revelada e obtém os Kelim de GE (Galgalta Eynaim).

Depois, a pessoa começa a trabalhar com a “unificação da qualidade da misericórdia e o vaso” quando até mesmo os seus desejos de receber, que estão incluídos nele, são usados somente para doar.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11, Escritos do Rabash

Elevar-se À Raíz Da Criação

Dr. Michael LaitmanDizem que “todos os portões estão trancados” para a oração do homem, “exceto o portão das lágrimas”. Mas, pelo o que nós devemos orar e pedir, que decisão, se recebemos duas forças e discernirmos a sua oposição? A parte superior proporciona a força da Luz Circundante, o egoísmo desperta contra ela, e nós ficamos entre as duas forças: a da direita e a da esquerda.

Mas a propriedade que precisamos atingir pertence ao Pensamento da Criação de agradar a criatura. Ela está acima de todos os resultados, ações e forças. Esta mente, a cabeça da parte superior, é precisamente o que a parte inferior (a criatura) se esforça para alcançar!

Ela não tem a menor chance de conseguir isso sozinha, através do próprio esforço, já que existe uma diferença entre o pensamento superior (as decisões) e os seus resultados e ações. E nós, sozinhos, somos os atos do Criador.

Assim, quando o homem esgota todos os seus recursos, tendo feito tudo o que podia, descobre uma propriedade especial com a qual não tem nenhuma conexão. É uma decisão, um plano, criar a criatura, todo um programa concebido muito antes de sua criação. O homem consegue  saber quem é o próprio Criador, que idealizou tudo isso, e porque Ele o concebeu assim: a raiz próprio ponto do qual nasceu a criatura.

Este desejo está oculto na menor ação, e ele nos dirige desde o início! Mas nós chegamos a ele só depois de uma busca muito longa, após muitas ações. E quando nós chegamos lá,  descobrimos o que foi dito: “Todos os portões estão trancados, exceto o portão das lágrimas”.

Ele é considerado como o “portão das lágrimas”, porque todas as tranças dos “cabelos” da Luz (Partzufim Searot, os “cabelos”), que se estendem até nós de Cima para baixo, da parte  superior que está “lutando” (Soer) e sofrendo enquanto antecipa a nossa chegada, são reveladas agora apenas como “gotas da sorte” (“Mazal“, do hebraico “Nosel” – pingar), as gotas de Luz que gotejam sobre nós. E a pessoa pode alcançar a sua causa, o motivo e a razão desses efeitos descerem a nós apenas para conhecermos Rosh de Atzilut (a cabeça do mundo de Atzilut).

Isso só pode ser alcançado através do portão das lágrimas, ou o estado onde a  pessoa consegue saber a diferença entre o “corpo” (Guf) do Partzuf e sua “cabeça” (Rosh). Ela não consegue alcançar e compreender a cabeça da parte superior, sua mente, mas graças a esta oração, ela a alcança.

De fato, ao estudar todas as ações do Criador, nós recebemos alguma idéia sobre Sua mente. Do mesmo modo que quando olhamos para uma mesa, conseguimos adivinhar o que o criador tinha em mente, nós também, ao estudarmos a nós mesmos e revelarmos interiormente as ações do Criador, constantemente acumulamos este ardente desejo de entendê-Lo e, gradualmente, chegarmos ao portão das lágrimas.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/11, sobre a Oração

O Diretor-Geral Do Criador, Que Governa A Criação Inteira

Dr. Michael LaitmanNós residimos em um sistema de forças que se expandem de cima para baixo. Portanto, uma escada de degraus foi formada neste sistema, onde cada degrau é feito de forças opostas, em suas várias combinações, tanto em altura quanto em qualidade. E toda a diferença nessas forças reside na profundidade do nível do desejo (Aviut) que elas trabalham, visto que a profundidade do desejo muda sua qualidade. Afinal, o desejo pode ser de qualquer grau: inanimado, vegetal, animal e falante (0-1-2-3-4).

Mas quando começamos a subir, nós só recebemos uma força, a princípio: a de recepção. Então, começamos a trabalhar com o grupo, e dentro dele vemos a segunda força: a de doação. É contra essa força que descobrimos a força de recepção, que não é o mesmo desejo terreno com o qual chegamos aqui, inicialmente.

Quando começamos a estudar Cabalá e tentamos nos unir ao grupo, nós atraimos a Luz que ilumina um novo desejo dentro de nós, que é contra a unificação, o grupo, o amor e a doação. Então, com a ajuda desta Luz, conhecemos o nosso mal.

Somente devido ao envolvimento no grupo é que estas duas forças emergem na pessoa e se colocam em oposição entre si: a força do amor e a força do mal, sendo que ambas estão conectadas à meta espiritual com a qual a pessoa está trabalhando, a fim de alcançá-la. E todas as qualidades e tendências que ela tinha ao chegar à Cabalá realmente não importam. Elas são simplesmente os atributos de seu corpo animal.

Portanto, todo o sucesso no avanço depende da forma como a pessoa se esforça para se envolver no grupo e chegar a união. Ela vai conhecer a força de rejeição, e ambas as forças vão começar a agir: às vezes uma após a outra e, outras vezes, chocando-se uma com a outra. Então, ela vai conhecer a força da oração, sem a qual é impossível unir essas duas forças em uma só.

Por um lado, ela não quer perder o seu “eu” sob o poder infinito da força de doação, mas ela também não quer continuar a ser escrava do seu egoísmo, a força de recepção. Na pessoa, cresce um caráter independente que fica bem no meio entre as duas forças e toma decisões. Ela quer superar estas duas forças, a direita e a esquerda, na linha média. É isso que ela pede ao Criador na sua oração.

A qualidade de Biná que a pessoa recebe, permite que ela mantenha as duas forças em equilíbrio e esteja acima delas. Ela adquire a força de “receber para doar”, que lhe permite doar ao Criador. Ambas as forças, recepção e doação, residem nela, enquanto ela mesma se torna a cabeça (Rosh) do Partzuf espiritual e decide como e de que forma ela pode doar. É assim que a pessoa avança ao longo dos degraus espirituais.

Ela não pede ao Criador que uma força derrote a outra, mas a oportunidade de unificá-las e estar acima delas com a sua “cabeça”. Isto é o que ela pensa o tempo todo. É por isso que ela é considerada como um sábio, um “discípulo do sábio” (Talmid Hacham) que, graças às suas orações, sempre aprende com o Criador (o sábio) a ser capaz de usar as duas forças corretamente.

Assim, a pessoa eleva-se acima da Criação e torna-se como o Criador, usando a força de doação e a força de recepção, permanecendo acima delas e tomando decisões. Da mesma maneira, a criatura começa a agir.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/11 sobre a Oração

A Criação Nadando Num Oceano de Luz

Dr. Michael LaitmanExistem apenas duas forces no universo: a força de doação – o Criador, e a força de recepção – a criação. Elas começam a partir de estados opostos entre si, onde a força do Criador é infinita, como um oceano de Luz que está num repouso eterno. E a força da criação começa com um pequeno ponto dentro desta Luz Infinita.

O objectivo do Criador é elevar este ponto de forma que ele se torne tão grande quanto a Luz e igual a ela em todos os sentidos, quer em tamanho quer em quantidade. Isto quererá dizer que o bom e generoso Criador terá conseguido fazer a sua boa e benevolente acção – a acção de doar.

Portanto, o Criador dá à criação todas as qualidades que estão presentes no desejo de receber prazer, em oposição ao que está presente no Criador, no desejo de doar, de forma que a criação possa decidir independentemente e escolha livremente o estado do Criador (doação), como a mais elevada e mais admirável qualidade comparada a tudo o que está presente na criação. Mesmo se recebesse a oportunidade de adquirir satisfação infinita para seu próprio benefício, iria preferir permanecer vazio só para estar perto da qualidade de doar.

Neste caminho a criação tem de passar através de uma quantidade enorme de discernimentos, mas eles podem todos ser divididos em dois caminhos: entendimento quantitativo e entendimento qualitativo. Todo o trabalho da criação assenta na percepção do mal. Tem de perceber o quão má é a sua qualidade egoísta de recepção em comparação com a qualidade de doar do Criador.

E a razão porque é má não é por causar sofrimento à criação. Nesse caso a criação escolheria doar de forma egoísta. Contudo estes entendimentos do bem e do mal não devem depender dos desejos da própria criação, isto é, não podem escolher algo que possam ser capazes de desfrutar naturalmente.

A escolha tem de ser feita do ponto que é independente dos seus desejos para que você prefira outorgar pelo bem desta qualidade, porque é a mais elevada. E não deve ocorrer porque você planeje receber algum tipo de satisfação ou benefício dela.

Portanto, neste caminho a criação começa sempre por perguntar, “Quem é o Criador para que eu ouça a Sua voz?” e “O que irei eu receber por todo este trabalho?” Isto é, revela todo o seu desejo, o vaso inteiro (Kli) e o seu tamanho, assim como qualidade, apreendendo-se e exigindo satisfação natural de acordo com as suas qualidades egoístas.

E quando tenta alcançar a verdade de forma a não depender dos seus desejos, a “suspender-se” entre o céu e a terra, vê-se a si mesmo como “metade pecador e metade correcto”, como na balança da justiça. A partir daqui começa já a trabalhar na sua própria liberdade de escolha.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/3/11, sobre o Orador

Levar O Filho Ao Ponto Do Livre-Arbítrio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu crio os filhos de acordo com o método da Cabalá, pode ser que eu esteja tirando seu livre-arbítrio?

Resposta: O que significa criar os filhos de acordo com o método da Cabalá? Significa que você se esforça para introduzi-los no ambiente, para prepará-los para os textos Cabalísticos, para levá-los ao ponto da livre escolha, para que eles percebam que o homem é criado pela Luz que Corrige. É precisamente o que eles têm de evocar.

Inicialmente, o “homem” (Adão) é a raiz da alma, e ele deve atrair tudo para si com a Luz que o desenvolve. Este é o nosso livre-arbítrio. Ou somos levados pela Natureza, ou evocamos uma força especial que está acima dela. Isso não é fácil. Isso requer que a pessoa se supere, vença, lute contra o impacto do ambiente comum e trabalhe a fim de atrair a influência da Luz. Se eu levar meus filhos a isso, será que eu tiro seu livre-arbítrio? Não, eu não tiro.

Primeiro de tudo, eles podem ignorar não só a tradicinal “comida para bébé”, mas também o que você está ensinando a eles. Não há diferença entre eles.

A pessoa recebe o livre-arbítrio apenas quando um ponto de o novo desejo surge nela, que anseia por um desenvolvimento pessoal que lhe permitirá tomar decisões independentes, em vez de ir atrás de você e sua “educação”. Então, por ensinar-lhe ao que você mesmo se adere, você ainda não vai além da tradição, embora essa tradição esteja mais próxima do ponto que tem que se revelar.

Nós vemos que é assim que acontece no mundo de hoje. Mas antes, a humanidade teve que desenvolver-se por meio da religião. Está escrito sobre Abraão que ele enviou ao mundo os filhos de suas concubinas e os mandou obedecer várias religiões

O judaísmo também foi fundado depois que a sabedoria da Cabalá desapareceu da vista das pessoas durante a queda do Templo, quando caimos do grau de doação e amor ao grau do ódio e egoísmo. Desde então, o povo Judeu atua apenas no nível externo, corporal. Em vez de trabalhar internamente em transformar a alma, purificando o desejo com a Luz que Coorige, estamos realizando ações físicas mecanicamente, sem corrigir o coração.

Isso é o que a religião é, ao contrário da sabedoria da Cabalá; é exterioridade, em vez de interioridade. Por esta razão, a Cabalá é considerada a essência interior da Torá.

No entanto, o exílio está chegando ao fim, uma vez que lhe foi atribuído um determinado exato. As mudanças já começaram, e o ponto do livre-arbítrio está em incubação nos corações humanos. Eles querem sair da educação forçada e testar-se: “Quem eu gostaria de ser? Como eu posso ser meu próprio guia?”.

Então, a pessoa faz uma escolha: ela precisa de um novo tipo de educação. Não é o tipo que a sociedade está fornecendo a ela: ela quer recebê-la diretamente do Criador. Deixe o Criador dê a ele, para que ela possa ser chamada de “homem” (Adão), que é semelhante (Domeh) ao Supremo.

Normalmente, a nossa educação baseia-se nos exemplos que recebemos daqueles que nos cercam e em ser semelhante a eles. Agora, eu quero receber o exemplo do Criador, para que eu possa ser como Ele.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/02/11, Escritos do Rabash

Por Que O Criador Precisa De Mim?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O propósito da criação é muito claro para mim. O que eu não entendo é por que o Criador fez isso? Para que ele precisa de mim? Por que ele fez tudo desta maneira?

Resposta: Ele fez isso por duas razões: primeiro, sua natureza é o “Bom que Faz o Bem”, o que significa que Ele quis nos dar satisfação infinita acima do tempo, movimento, espaço, e todas as limitações. Em segundo lugar, esta realização deve ser do mesmo grau que a do Criador, para que possamos desfrutar de um estatuto igual ao Dele e ser como Ele. No entanto, nós devemos alcançar isso sozinhos, ao receber independência e elevar o nosso “eu” ao nível Dele.

Nós ainda não compreendemos como é que podemos crescer com esse status, mas alcançaremos uma posição igual a do Criador, e seremos iguais a Ele em tudo. A força do amor e do bem que, na verdade, é o Criador, obriga-O a criar um ser e conduzi-lo à perfeição. Na verdade, porém, nós já estamos neste estado de plenitude, visto que inicialmente ele nos criou assim.

Ele não nos criou nesta forma desprezível que nos encontramos agora, para que tivéssemos que nos reconstruir novamente. Não, tudo que precisamos fazer é revelar a nossa verdadeira condição. Quanto ao Criador, ainda estamos perfeitos em relação a Ele.

Se não alcançarmos esse status de forma independente, não seremos capazes de experimentar o mundo e a vida no Infinito. Nós poderíamos expermentá-las agora, mas como os nossos Kelim (vasos, desejos) não estão desenvolvidos, nós percebemos este mundo em seu lugar.

Da Lição Introdutória “Por Que O Criador Está Oculto” 14/12/10