Textos com a Tag 'Criação'

Unindo-Se Em Torno Da Fonte Comum Da Vida

Dr. Michael LaitmanNós entramos na fase de desenvolvimento do maior nível de desejo, Malchut. E o mais importante, esse desejo é comum.

Este é o início da era do Messias. Se nós víssemos 6.000 anos de desenvolvimento como seis dias, então estamos nos últimos mil anos, no último “dia”.  A diferença é que agora estamos revelando a conexão universal, Malchut, que está conectada a Yesod.

Se Malchut se revela a si mesma, este é o nível animal. Mas se a conexão de Malchut  com Yesod, com Zeir Anpin, se revela, esse já é o nível humano. Portanto, esta conexão que se revela desperta a nossa aspiração por algo maior, levando-nos a procurar o sentido da vida.

Parece que nós temos uma conexão com Yesod, que é a fonte da qual a vida, a Luz de Hochma, chega até nós. Nós sentimos que precisamos de mudanças e todo o nosso mundo exige correção. Yesod também une tudo de cima para baixo, pois ela é a soma das cinco Sefirot anteriores (Hesed, Gevura, Tiferet, Netzah e Hod).

Por outro lado, Yesod é o lugar da união com o Criador (Brit, circuncisão), que concentra todas as correções da conexão entre o Criador e criação. Esta é a fonte de onde Malchut recebe toda a Luz da vida.

Em nossos dias, estamos começando a sentir Yesod. Estamos despertando repentinamente e não entendemos o que é a nossa vida: De onde ela vem? Nós morremos, mas será que existe vida acima de nós?

Nós começamos a ficar impressionados por sentir a conexão com Yesod, que está aos poucos se revelando para nós. Este período é chamado de era do Messias, quando a Luz de Yesod deve nos atrair para cima (a partir da palavra Moshech,arrancar). Yesod é uma qualidade masculina, enquanto que nós, a criação, somos uma qualidade feminina, Malchut. Nós devemos provocar a união dessas duas partes, o macho e a fêmea.

Por enquanto os nossos pontos no coração estão despertando porque uma pequena iluminação sai de Yesod e atinge Malchut. Por um lado, cada pessoa sente dentro de si um despertar individual. Por outro lado, sentimo-nos conectados uns aos outros porque Yesod reune todas as Luzes de cima para baixo.

Quando todas essas Luzes passam através de Yesod, elas se unem e chegam até nós como uma única Luz, que inclui muitos componentes e, portanto, desperta uma consciência em Malchut, de que estamos todos conectados. Nós temos que alcançar a equivalência com Yesod, e a Luz que recebemos dele desperta essa conexão universal dentro de nós.

Por enquanto, essa conexão não está correta, não está boa. Nós ainda temos que passar pela compreensão do mal e outras correções. Entretanto, esta conexão já surgiu. Estes dias são chamados a era do Messias, porque ele nos arranca (Moshech) e nos eleva.

Da lição sobre o Talmud Eser Sefirot em 7/1/11.

O Comentário Sobre Toda A Criação

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar inclui muitas partes:

1. A Introdução do livro, que também é escrita pelo Rabino Shimon;
2. Os capítulos semanais ou comentários sobre as porções semanais da Torá;
3. As partes comentando sobre os Profetas (Nevi’im) e os Escritos (Ketuvim).

O Livro do Zohar era um comentário completo sobre as Escrituras Hebraicas (TaNaCh para a Torá, Nevi’im , Ketuvim). Nós ficamos com apenas uma parte deste grande Livro, e, provavelmente, com uma parte muito pequena, uma vez que parece não existir mais nada, exceto os comentários sobre a Torá. Além disso, como o Baal HaSulam enfatiza várias vezes, também faltam muitos comentários sobre a Torá. Nós temos visto como, em alguns lugares, o texto muitas vezes acaba abruptamente.

Mas parece que do ponto de vista governo superior nós precisamos exatamente das partes do Zohar que temos recebido. Assim, não há necessidade de se sentir mal que nem todo o Livro do Zohar tenha sido encontrado. Nós devemos ser gratos pelo que temos dele e usá-lo de acordo com sua finalidade.

Agora nós estamos lendo a “Introdução do Livro do Zohar”. Todos os artigos desta introdução são muito úteis e profundos. Mas, “O Condutor de Asno”, “A Noite da Noiva”, e “As Letras do Rav Hamnuna Saba” são os artigos mais fundamentais, onde os autores do Livro do Zohar explicam os princípios básicos da criação.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 9/01/11, “Introdução do Livro do Zohar”, Artigo ” Yitro (Jetro)”

Você Viu Sete Céus No Céu?

Dr. Michael LaitmanTodas as definições da Cabalá derivam da criação original, o desejo de receber prazer, que se opõe à Luz e precisa se tornar idêntico a ela. É por isso devemos avaliar o nosso desejo apenas em relação à Luz e não em relação às nossas experiências atuais.

O homem organizou todo um sistema de critérios de bem e mal, bom e ruim, agradável e desagradável,  o qual ele emprega. Agora, você está lendo um texto Cabalístico que lembra algo totalmente diferente, mas você não deseja penetrar no seu real significado. Você deseja distorcê-lo, para que ele sirva ao seu ego.

Nós estamos lendo textos escritos por Cabalistas e achamos que podemos entendê-los usando nossa percepção atual, pois ela se adapta às nossas definições de “bem” e “mal”, “doação” e “recepção”, “em cima” e “embaixo”, “corrupção” e “correção”. Mas, na verdade, nós não sabemos absolutamente nada sobre o verdadeiro significado deles.

O livro diz “este mundo”, e eu acho que isso significa o mundo em que vivo atualmente. Mas espere, primeiro você deve tomar o lugar do autor e ler com os olhos dele! Por exemplo, no livro Beit Shaar HaKavanot (O Portão das Intenções), o Baal HaSulam escreve: “E os sete céus que vemos neste mundo…”.  Onde você viu sete céus aqui?

Em outras palavras, nós precisamos compreender que esta frase refere-se a significados espirituais,  opostos ao nosso atual entendimento. Até que entremos no mundo espiritual, nós não os entenderemos; no entanto, devemos nos esforçar para, de alguma forma, nos familiarizarmos mais com eles.

Da 4ª parte da Lição Diária da Cabalá 23/12/10, “Paz no Mundo”

Bina É Um País Livre

Dr. Michael Laitman“Introdução ao Livro do Zohar,” Artigo “Hochma [sabedoria], na qual o Mundo Se Sustenta” Item 40: Aquele que não é mencionado, aquele oculto que não é conhecido, AA. Uma vez que a palavra Barah [criado] está na própria Bereshit [a primeira palavra na Torá], quem é que a criou? Sobre isso ele diz que é esse oculto que não é conhecido, Hochma Stimaa de AA, uma vez que ele tomou Bina fora de sua Rosh e a fez sua VAK, criando estes seis grandes limites superiores, implícitos em Bereshit.

Bina está relacionada com a cabeça (Rosh) do Partzuf. Além disso, representa Hafetz Hesed, que significa literalmente aquele que deseja misericórdia, isto é, que nunca sente qualquer tipo de falta. A misericórdia está sempre em abundância, e se você a quiser, por favor receba-a. Não há limite para ela; ninguém coloca quaisquer condições ou restrições a si.

É por isso que Bina é considerada “um país livre”, um “desejo livre”. Ela pode estar presente em qualquer sítio sem excepção e pode mesmo suprir Malchut, o desejo egoísta, com suas próprias propriedades. Nesse caso, o desejo de receber egoísta começa a doar e também se desloca para o nível de Hafetz Hesed. Portanto, Bina pode servir como o meio da correcção de Malchut, a transformação das almas.

As almas não conseguem subir por si próprias à Rosh do Partzuf. Não desejando nada para si própria, Bina permanece lá em perfeição. Contudo, sem qualquer dano a si mesma, ela pode habitar fora da Rosh, no local de residência dos Partzufim inferiores, e fornecer-lhes a sua perfeição.

Onde eles são miseráveis, onde sofrem e são incapazes de se preencher devido à falta de correcções, onde a Luz não consegue aparecer até que as condições da Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph) sejam encontradas, lá, Bina fornece-lhes a Luz de Hassadim (misericórdia), demonstrando-lhes o quão bom é estar na propriedade de Hesed.

E, de facto, Bina não tem nem restrições, nem problemas; ela não abre mão da perfeição mesmo no nível mais inferior. É por isso que “o pai” (Hochma), que não pode aparecer em nenhum lugar, revela “a mãe” (Bina), para que ela possa estar onde as suas crianças estão a sofrer, e, originalmente, fornecer-lhes a correcção por meio da misericórdia (Hassadim).

Então, elas adquirem a perfeição de doar; não estão mais subornadas ou escravizadas por seus desejos de prazer. Assim, elas começam a contemplar não só a “doação em prol da doação”, mas também a “recepção em prol da doação”. Afinal de contas, elas possuem o desejo de receber a Luz de Hochma, e agora, tendo-se protegido com a propriedade de Bina, podem despertar seu desejo.

Mas elas devem despertá-lo apenas na medida da sua capacidade de subordiná-lo à regra de Bina. Assim sendo, Malchut é gradualmente incluída em Bina. Por outras palavras, o desejo de receber das almas é incluído no desejo de doar de Bina, que as almas adquiriram. Nesse caso, elas recebem a iluminação de Hochma de baixo para cima, ao “filtrá-la” na doação.

Assim, as almas continuam a corrigir-se até à correcção final (Gmar Tikkun). É dito: “Bereshit,” Barah Shit, ou seja [Ele] criou os seis grandes limtes, VAK da iluminação de Hochma. Estas são, de facto, grandes correcções no caminho até o objectivo.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 20/12/10, “Introdução do Livro do Zohar”, Artigo “As Letras do Rabbi Amnon Saba”

A Letra Com A Qual O Mundo Foi Criado

Dr. Michael Laitman“Introdução do Livro do Zohar”, Artigo “As Cartas do Rabi Amnon Saba”, Item 26: Ele lhe disse: “Tzadi, você é Tzadi, e você é Tzadik, mas você deve permanecer oculta. Você não deve se revelar tanto para que a criação do mundo comece com você, para não dar argumentos contra o mundo”.

Pergunta: Se as letras do meu nome apontam para uma Klipa (casca), eu tenho que mudá-lo?

Resposta: Nós não estamos falando do nome de alguém, mas sobre os nomes das ações espirituais, os Partzufim . As “letras” são as qualidades despertadas nos vasos pela Luz. Nós não discutimos a Luz em si, que é inatingível para a nossa percepção. Nós percebemos apenas as reações do Kli (vaso) que, em conformidade com a Luz, entra em um determinado estado.

Em todos os níveis, o desejo de desfrutar encontra aspectos positivos em 22 estados de Malchut, ou, em outras palavras, em 22 “letras”. E de fato é assim : Não há nada supérfluo na criação. Mesmo uma parte da Klipa, a força da impureza, pode reivindicar ser digna de se tornar a base da criação do mundo se a centelha de Luz repousa sobre ela.

O Livro do Zohar explica-nos que nem um único estado de Malchut é perfeito, exceto o que foi criado pela letra Bet. No entanto, mesmo Bet não é perfeita por si só, mas somente graças à sua dependência de Bina. É por isso que a letra Bet, em particular, é digno de criar o mundo por si.

Por outro lado, o resto das letras não apenas estão incluídas em Bina; eslas também estão conectadas à Malchut, que as impede de se tornar a base para a correção do mundo. Em todas as outras formas de conexão, com exceção de “Bet“, há uma deficiência que necessariamente dificultará o caminho.

Assim, cada letra é um símbolo do nível de semelhança de Malchut em relação à Bina. As palavras formadas com as letras são as ações das Luzes, correções concretas.

Não existe nenhuma conexão com os nomes dados pelos pais aos seus filhos em nosso mundo. Você pode alterar ou adicionar um nome; isso não causará nenhuma mudança na espiritualidade. Se nós fossemos capazes de influenciar o mundo com esses truques, já o teríamos levado à ruína há muito tempo.

As esperanças de mudar a realidade simplesmente re-organizando as letras do seu nome são fúteis. A realidade só mudará quando nós nos transformarmos, atraindo a Luz sobre nossas qualidades. Quando você se transforma, você transforma o mundo. Afinal, só os nossos Kelim estão mudando.

É dito: “Mude de lugar, mude a sorte”. “Lugar” é o desejo. Mude seu desejo e você realmente passará por transformações.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/12/10 , “Introdução do Livro do Zohar”, Artigo “As Letras do Rabi Amnon Saba”

Os Contornos Das Combinações Espirituais

Dr. Michael LaitmanPergunta: Até que ponto as letras descem no processo de criação dos mundos?

Resposta: Elas descem até as sete Sefirot inferiores de Bina (ZAT) e se estabelecem em YESHSUT. Aqui, há nove letras, começando com Aleph (א) e terminando com Tet (ט).

Abaixo, em Zeir Anpin, existem nove letras, de Yod (י) a Tzadi (צ). E, em Malchut, há as quatro últimas letras: Kuf (ק), Resh (ר), Shin (ש) e Tav (ת).

Essa ordem deriva da Segunda Restrição (Tzimtzum Bet), quando Malchut ascende exatamente até  ZAT de Bina (sete Sefirot inferiores Bina ), levando para lá seus Kelim (desejos, vasos), seu desejo de receber. Ela não pode subir mais alto. Consequentemente, as qualidades de Bina e Malchut (doação e recepção) se misturam, formando o contorno das letras. Misturadas, as forças de Malchut e Bina se mesclam e criam diferentes formas de inclusão mútua, suas combinações.

Por que existem apenas 22 formas e não mais? De acordo com as leis da Segunda Restrição, nós não empregamos Malchut em si, mas apenas uma conexão dela com Bina. Em Bina e Zeir Anpin, há dez Sefirot, cuja Sefira Malchut é proibida de ser usada. Assim, apesar de tudo, existem 18 Sefirot “viáveis”. Além disso, quatro Sefirot de Malchut revestem-se em Zeir Anpin, o que totaliza 22.

Além disso, existem cinco formas (MaNTzePaCh) pertencentes ao Parsa; elas são formas diferentes de certas letras, quando estas estão no final de uma palavra. Todo o processo de formação da letra ocorre no mundo de Atzilut, onde elas são chamadas para realizar a doação ao mundo de BYA (Beria, Yetzirah, Assiya) e as almas quebradas.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/12/10, “Introdução do Livro do Zohar”, Artigo “As Letras do Rabi Amnon Saba”

Remova Sua Sombra

Dr. Michael LaitmanNo momento, você está avançando, indagando, desejando algo. Quem insere esses desejos e ações em você? É isso que você precisa descobrir.

Gradualmente, à medida que você começa a conhecer a força unificadora agindo em toda a criação, você substitui os instrumentos de sua percepção: o coração e a mente. Você se torna mais ágil e começa a compreender melhor o que está acontecendo e entende as ações do Criador.

De repente, você vê um mundo enorme, que é muito mais amplo, mais profundo e mais complexo em todos os seus ângulos e aspectos. Tudo isso se torna diferente em relação a você. Mas depois você entenderá que é você que está mudando, e fora de você, tudo permanece o mesmo.

Mais tarde, você descobrirá que tudo o que você está vendo é apenas o Criador. Isso é assim porque não há outro além Dele, e o que você vê como mundo é apenas sua sombra sobre Ele; isso é assim até que você alcance a condição em que essa sombra desaparece.

Em outras palavras, para alcançarmos a adesão com o Criador, nós devemos sofrer várias alterações. Na sua percepção, essas alterações são chamadas de mundos de Assya, Yetzirah, Beriah, Atzilut, Adam Kadmon, e Mundo do Infinito. Estes são graus de sua percepção da realidade, que são mostrados a você em sua forma mais autêntica.

Então, o que mudou? Somente a sua percepção. Você altera seus órgãos sensoriais e testemunha quão gradualmente o Criador está sendo revelado a você, como a imagem do mundo adquire características muito mais nítidas, torna-se real, constante e eterna. Tudo depende do lugar que você está observando-o em relação à Luz do Infinito.

Então, você começa a entender que a sombra que você viu no Criador, todas estas ocultações, os mundos, tudo isso era para seu próprio bem. Pelo menos, você viu algumas silhuetas, certo esboço que você precisava apagar, percebeu dentro desta sombra o que você precisava para se tornar semelhante ao Criador, para fazê-la desaparecer.

Da Lição 26/11/10, Carta # 151 do Baal HaSulam

Não Há Nada Mais Doce Do Que Sentir O Abraço Do Criador

Dr. Michael LaitmanO Criador deseja que recebamos prazer Dele. Este é o plano da criação. Uma vez que Ele é Bom e faz o Bem, a única coisa que Lhe falta é alguém a quem fazer o bem. É por isso que Ele nos criou a partir de um material chamado “o desejo de desfrutar”.

Mas o que nós devemos desfrutar? Justamente Ele. Quando o nosso desejo sente que o Criador está próximo, que Ele o preenche e está unido a ele, ele experimenta o prazer. Por outro lado, quando ele se distancia do Criador, sente-se pior em relação a Ele, a ponto de sofrer e sentir-se vazio. No entanto, nós sempre sentimos apenas o Criador!

A nossa matéria é sensível à sensação e à presença do Criador. Se ela sente mais o Criador, percebe-O como prazer, e se sente menos, percebe-O como sofrimento. Isso acontece até que o desejo de desfrutar o Criador cresça cada vez mais distante dele, chegando finalmente ao estado de perder completamente o contato com Ele. Então, o desejo de receber prazer encontra-se neste mundo, onde não há conexão com o prazer ou sua fonte.

Esta separação é necessária para que pudéssemos desejar unir-nos com Ele e desfrutá-lo por nossa própria vontade, e entender que não há nada mais doce e melhor do que estar unido com Ele. Esta ação recíproca é chamada de “Zivug“(união espiritual), quando nos tornamos incluídos um no outro, de tal forma que é impossível distinguir e separar-nos. Essa é a união que devemos alcançar. E se adquirirmos a necessidade correta para isso, começaremos a sentí-Lo, uniremo-nos a Ele, e sentiremos  Seu abraço.

Da palestra em 02/11/10

Sentindo-se Responsável Por Toda A Criação

Dr. Michael LaitmanA primeira correção do desejo de receber é doar a fim de doar. Isso significa que eu restrinjo o uso do meu desejo devido à sua natureza egoísta (para o meu “eu”), recusando  infligir dano aos outros, como é dito: “Aquilo que você odeia, não faça ao outro”. Mas mesmo esta restrição do uso do meu desejo egoísta contém uma correção, já que não apenas me impede de fazer maldades. Se eu tiver uma chance de roubar e não for pego, o que me impedirá?

A correção implica que eu não apenas me desligo de todos os meus desejos, como se eles não existissem, mas eu vou mais longe. Eu devo experimentar em meus sentimentos o quanto eu machuco outra pessoa e quanto ela sofrerá. Essa sensação de sofrimento deve impedir-me de roubar, como eu disse: “Aquilo que você odeia, não faça ao outro”.

Eu absorvo os desejos do outros. No início, a minha consciência da inclinação ao mal parece manter as minhas mãos amarradas, para que eu não possa roubar. Mas depois disso, ela me liberta e me dá a oportunidade infinita de roubar tudo o que pertence aos outros e até mesmo ao Criador! Você está autorizado a fazer qualquer coisa, sem quaisquer consequências!

No entanto, eu começo a experimentar o “sofrimento da Shechina“, ou a dor dos outros, como se eu tivesse roubado algo, privado ou matado alguém. Eu sinto a dor dos outros dentro de mim como se eu fosse a causa disso. Em relação a eles, eu sou como o Criador que criou a inclinação ao mal. É assim que nos tornamos conectados. Eu me torne semelhante à Bina, uma mãe que sente todos os desejos dos filhos e o mal que ela está se impõe se não estiver cuidando deles. Mas, ao mesmo tempo, ela está consciente do quanto de bom ela pode fazer se estiver alimentando-os.

Em seguida, a segunda fase da correção se revela em nós: como nós podemos doar aos outros. Nesta fase, a pessoa já é capaz de servir como um canal entre o mundo e o Criador. Ela acha que só ela pode canalizar a satisfação a eles, e que seu crime não está em roubar, mas no fato de que ela não está satisfazendo seus desejos. Este é o verdadeiro amar aos outros como amamos a nós mesmos.

A pessoa deve experimentar estas duas fases da correção pessoal: “Aquilo que você odeia, não faça aos outros” e “Ama ao seu próximo como você ama a si mesmo“.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabala 28/09/10 “O Amor pelo Criador e o Amor pelos Seres Criados”

O Esquema Simples Da Criação

Dr. Michael LaitmanNa realidade, todos os mundos existem dentro do meu “próximo”. O “próximo” (ou o grupo) é Malchut do Infinito. Eu existo fora dela.

No início, o desejo de receber corporal desenvolve-se dentro de mim ao longo de várias gerações. Então, na nossa geração (na atual reencarnação da alma), um “ponto”, um desejo espiritual, começa a se desenvolver dentro de mim. Quando eu tento me aproximar do grupo, eu começo a sentir a minha natureza, o egoísmo e o mal; isto é, eu percebo a minha inclinação ao mal.

Quando eu estudo Cabala no grupo, à medida que eu percebo meu egoísmo como mal, eu exijo a correção através da Luz que Corrige, a qual me torna semelhante ao Criador. Tudo isso acontece enquanto eu ainda não estou conectado com o outro (“próximo”).

Quando eu chego à decisão de que sou obrigado a alcançar a conexão com o outro, é como se eu entrasse em contato com o grupo pelo lado de fora. Então, eu começo a conectar-me com o grupo com a ajuda da Luz que Corrige (Ohr Makif, a Luz Circundante), que brilha sobre mim de dentro, do centro de Malchut do Infinito.

Todas estas fases da minha conexão com o grupo, e a medida da conexão entre nós, formam os 125 níveis espirituais ou cinco mundos: Assia (A), Yetzira (Y), Beria (B), Atzilut (A), e Adam Kadmon (AK). Quando a minha conexão com o “outro” é realmente próxima e indissolúvel, por eu estar no “centro” do “outro” e completamente unido a ele, esse estado é chamado de “Mundo do Infinito”.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabala 17/09/10, O Zohar