Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

A Linha Média

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é a linha média? É a capacidade de agir corretamente entre as duas linhas (esquerda e direita)?

Resposta: A linha média é a união da Luz e do desejo. Ela compreende a adesão do desejo e da intenção, juntamente com a Fonte da Luz, o Criador. Ao usar o desejo de receber com a intenção de dar prazer ao Criador, o homem descobre a fonte do prazer, o Criador. Acontece que o desejo e o prazer eram apenas o meio para se encontrar a conexão entre o homem e o Criador. Estes três componentes: desejo, prazer e intenção unem-se como um: Eu e o Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 22/09/10, Shlavei HaSulam, Artigo 17, 1986

Um Espaço Comum Entre Nós

Dr. Michael LaitmanVocê não visa a meta se não estiver olhando para ela através do grupo. O grupo é como uma lente que coleta todos os raios da visão e os dirige ao alvo. Sem ele, você não será capaz de focar os olhos na meta. Apenas no grupo, na relação coletiva dos amigos, você será capaz de descobrir a obra do Criador .

Se nós não construirmos uma área comum entre nós, um “espaço comum”, onde exista apenas a doação e a nossa união, nós não teremos o “lugar” onde o Criador pode ser revelado. Eu preciso ao menos de uma outra pessoa, pois o número mínimo em um grupo é duas pessoas. Eu decido unir-me com o grupo, e agora eu penso constantemente nisso. Na união que nós criamos, no “lugar comum”, ocorre tudo o que O Zohar e a Torá falam. Mas se eu não estou conectado com os outros, eu não tenho um lugar para revelar o que está descrito no Zohar.

Se eu me uno aos outros, todas as histórias na Torá, no Zohar, no Estudo das Dez Sefirot, e no Talmude falam sobre sobre os tipos da nossa conexão e o que é revelado nela. Através de minhas próprias ações dirigidas a uma maior conexão, eu desperto a revelação do Criador. Isso é chamado de “Israel (Eu), a Torá (textos cabalísticos, estudos e grupo), e o Criador são  um”, e eu os unifico desde o início da minha correção até o seu fim.

Não é nada difícil concentrar-se em um ponto. Senão, o alvo imediatamente desaparece, e você deve se concentrar de novo. Existem obstáculos, e o desafio está em focar-se na meta através da união.

Primeiro, nós precisamos criar um espaço comum entre nós. E O Zohar nos dirá o que ocorre nele, como anular-se a fim de trazer a nossa união à correção completa, e revelar o Criador nela de acordo com a lei da equivalência de forma.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 20/09/10, Talmud Eser Sefirot

Como Podemos Desejar A Coisa Mais Importante No Mundo?

Depois de passar por muitos ciclos de vida, a pessoa alcança um ponto onde experimenta o despertar espiritual inicial – o ponto no coração (Reshimo). Ele é composto de duas forças.

– Vazio com relação à futilidade de sua vida transitória e perecível, e do desespero de não ser capaz de encontrar satisfação nesse mundo.

– Uma “chispa” interior que a empurra a um lugar desconhecido que está além desse mundo.

Por um lado, o desespero a empurra para baixo, e por outro lado, a chispa a empurra para cima. Eventualmente a pessoa escolhe seu caminho. Essas duas forças como um todo induz a formação de um Reshimo dentro dela ou uma nova direção para sua existência.

Esse Reshimo a leva para um professor e para um grupo de pessoas que estudam a Cabalá. Depois disso, ela gradualmente compreende que somente ao se unir com outros Reshimot que são semelhantes a ela será capaz de construir, junto com eles, a força da doação que é semelhante ao Criador. Nisto se situa sua única liberdade de escolha na vida e sua única liberdade de ação.

Seu sucesso depende de quanto ela será capaz de aumentar sua chispa com a ajuda do grupo a despeito de todos os problemas pessoais. Se ela aumenta essa chispa, então ela sentirá a necessidade pela fé (doação) e pelos outros (os meios). Tudo é determinado pela quantidade de influência do ambiente espiritual (a orientação do seu professor e da opinião geral do grupo) que ela pode receber (ou absorver).

O ambiente não é só o grupo ou os amigos, mas a Shechina. A conexão com eles que eu adquiro é minha conexão com a Shechina, Malchut do Mundo de Atzilut, a alma comum de Adão.

Quando os amigos se unem para anular seu egoísmo e para alcançar a qualidade da doação, sua união evoca uma reação da Shechina e eles recebem dela a Luz da Correção (Ohr Makif). É assim que a pessoa começa a interagir com a Luz Circundante (Ohr Makif), que a leva para perto da revelação da qualidade de doação (fé) dentro dela mesma, e da Luz Interna (Ohr Pnimi) dentro dessa qualidade.

Todo o nosso trabalho vem para aumentar nosso desejo pela qualidade da doação e aumentar sua importância; o jeito de se fazer isso é com a ajuda do ambiente correto. É impossível se aprender a fazer isso. Isso só pode ser feito de acordo com o versículo: “Nós faremos e nós escutaremos”.

A pessoa se esforça para se conectar com o grupo mesmo que ela não sinta a necessidade disso, e em resposta ela recebe suporte e a necessidade geral. Ela é um desejo que os amigos acumulam entre eles – a necessidade da fé ou da doação.

Através Do Buraco De uma Agulha Para Dentro De Um Novo Mundo

Tudo vem como resultado do esforço. Não espere que algo mude por si só. Somente através de nosso esforço de união nós atraímos a Luz para nós. Quanto maior o esforço, mais forte a influência da Luz, e vice versa. A Luz permanece em absoluto repouso, e somente quando nós aspiramos à união nós A forçamos a nos unir.

Nós nos puxamos para mais perto uns aos outros, e fazendo isso nos acercamos mais da Luz. Tal como nos distanciamos uns dos outros, nos distanciamos da Luz. Mas, nossos esforços nunca são desperdiçados, e de “tostão em tostão” eles são acumulados em um grande capital. Toda vez que tentamos nos unir, a Luz nos influencia, e mesmo que nos distanciemos uns dos outros um pouco depois, a correção feita pela Luz permanece, nada é desperdiçado, e nos movemos adiante.

Esses processos de “compressão” e “expansão” são como entrada-saída ou como o trabalho do coração. Nós nos unimos, a Luz nos influencia, corrige nossa conexão e imediatamente evoca o próximo grau não corrigido. De novo precisamos nos esforçar, dando à Luz a oportunidade de nos unir mais uma vez, e de novo a correção nos dá o próximo estado não corrigido. E assim vai até que as 125 correções se completem.

Cada vez eu subo acima de meu desejo não corrigido, e então o levo à correção. O primeiro passo é quando meu ponto no coração cruza o Machsom. Então, ele puxa uma parte dos desejos por sobre o Machsom, a parte que pode ir acima (fé acima da razão, Bina acima de Malchut). E assim por diante, até que eu gradualmente transfiro para cima do Machsom todo o meu desejo, parte por parte, para estar acima dele, tendo adquirido as qualidades de doação acima das de recepção. É o grau de Hafetz Hesed ou Bina, doar por doar. Agora meus erros se tornaram méritos, e meus pecados em erros.

Então, eu continuo até a próxima fase. Através de um minúsculo buraco na próxima barreira eu atravesso para o campo do amor aos outros. Meu ponto no coração é o primeiro a fazer isso, e então, todas as partes do meu desejo são transferidas para esse grau. Na medida em que eu possa usá-los para o propósito do amor (realização) aos outros, eu transformo meu ego no desejo de receber para o bem do Criador.

Toda vez que trabalhamos com nosso ego em direção a uma união maior, atraímos a Luz através da nossa aspiração pela equivalência de forma. Eu desejo, e o Criador responde ao meu desejo, realizando todas as ações.

A Lei Dos Vasos Comunicantes

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que ter um grupo é tão importante para o estudo da Cabala?

Resposta: O papel do grupo Cabalístico é semelhante ao da família, amigos, parentes, previdência social e plano de saúde em nossa vida. Se eu estou em uma situação difícil, fico doente ou perco o meu emprego, há um sistema que me ajuda nesse momento de fraqueza.

Este sistema de apoio mútuo no desenvolvimento espiritual é chamado de “garantia mútua” (Arvut). A velocidade e a facilidade do nosso avanço rumo à meta – a revelação do Criador – dependem da força deste sistema. Ele influencia a todos, e sua força se acumula como resultado dos nossos esforços comuns.

O Rabash escreve: “Nós estamos aqui reunidos para estabelecer uma sociedade para todos aqueles que desejam ascender os graus do homem (Adão ), e não permanecer como uma besta”. Quando nós tomamos uma decisão em conjunto, de seguir o método do Baal HaSulam, elevar-nos acima do nosso egoísmo, e revelarmos o Criador na conexão entre nós, nós já estamos fazendo um acordo.

Nós temos que nos ajudar mutuamente, para valorizarmos a grandeza da meta e o Criador, vendo todos os amigos como o maiores da geração, inspirando-os com a grandeza da meta espiritual, e percebendo nossa própria insignificância. Eu garanto aos amigos que eu ajudarei com isso, independentemente do estado em que eu esteja. Estas são as condições do nosso acordo.

Depois disso, pode haver dois estados:
1. Ou eu apoio o grupo na inspiração, energia, união e grandeza do Criador,
2. Ou, assim que eu enfraqueço, eles começam a cuidar de mim.

É como dois vasos comunicantes. No momento em que um pouco de água é retirado de um deles, a água flui imediatamente para ele a partir do outro, e os níveis de água sempre permanecem os mesmos. A largura ou o volume de cada vaso não importa: se eles estiverem conectados, o nível da água será o mesmo em ambos.

Esta é a forma como nós estamos conectados no grupo. Eles me dão força, e eu dou força para eles. É impossível avançar sem tal garantia mútua.

Da Lição sobre o Artigo do Rabash , 17/09/10

Fé Constante

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é a fé constante?

Resposta: A fé é a força que eu recebo do Criador. Ela me ilumina, mantendo-me acima dos meus desejos, da minha natureza, como um ímã que mantém um pedaço de metal no ar, contra a gravidade.

Existem duas forças: a força da gravidade (o desejo de receber prazer) e a força de doação (o poder da fé, o imã) que atrai para cima um “pedaço de metal”. Estas duas forças se opõem entre si. Se a força da fé que o Criador irradia sobre mim eleva-me acima do meu desejo de sentir prazer, eu sou o “justo”. Se o Criador desiste de mim, eu caio imediatamente no egoísmo, e então eu sou o “ímpio”.

O que significa a fé constante? Eu atinjo o estado em que a minha conexão com o grupo fornece a aspiração constante para a doação, como se eu fizesse um pacto com o grupo em relação ao nosso apoio mútuo, e o Criador se tornasse a testemunha disso, prometendo sempre nos iluminar, mantendo-nos na doação acima do desejo de receber (fé acima da razão).

Da Lição sobre o Artigo do Rabash , 17/09/10

Por Que Eu Preciso De Um Grupo?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que eu preciso de um grupo e da união?

Resposta: O Criador não pode ser sentido senão dentro do desejo que Ele criou, o qual se torna semelhante a Ele, apesar de sua qualidade inicial. O que chamamos de Criador não é Ele (Atzmuto – Sua essência), mas a nossa percepção Dele através da nossa equivalência com Ele.

Pergunta cont.: Como eu sei que a minha percepção Dele e Ele são a mesma coisa?

Resposta: Nós só podemos sentir: 1) a matéria, e 2) a forma da matéria; porém, nós não sentimos: 3) a forma fora da matéria, e 4) sua essência. Portanto, nós só podemos falar sobre o que está revestido em nós e é sentido por nós de acordo com o princípio: “Eu O conhecerei a partir de Suas ações (sobre mim)”.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 20/09/10, Talmud Eser Sefirot

Os Mundos Entre Nós

Dr. Michael LaitmanÀs vezes, a linguagem do Zohar parece muito estranha, mas, na verdade, a história por trás dela é extremamente simples. Existe “eu” e o meu “próximo” (semelhante). Existe uma distância entre nós, dividida em cinco partes. A parte mais distante é sentida como “este mundo”. Se eu me conecto com o meu próximo de forma plena e alcanço a união total com ele, eu sentirei o “Mundo do Infinito”.

A minha aproximação em relação ao meu próximo ocorre em cinco etapas: eu ascendo aos mundos de Assia, Beria, Yetzira, Atzilut e Adam Kadmon. Cinco mundos com 25 níveis em cada resulta em 125 níveis de nossa aproximação. Antes de começar este processo, enquanto eu ainda estou neste mundo, eu tenho que entender que estou separado do meu próximo (a compreensão do mal).

Eu percebo a mim mesmo e o mundo à minha volta na conexão entre eu e o meu “próximo”. O Zohar fala exclusivamente sobre o que está acontecendo entre nós: os níveis inanimado, vegetativo, animado e falante da natureza descritos no Zohar, representam, na verdade, os meus desejos dos níveis inanimado, vegetativo, animado e falante em relação ao meu próximo (as outras almas).

Toda a Torá fala somente sobre as formas de se construir a conexão entre eu e o meu “próximo”. É o que se chama de “método da correção”.

A Torá é a Luz que está oculta no texto, e eu posso extraí-la à medida que desejo unir-me com o outro. No momento que eu me conecto com o outro, eu revelo o Mundo Superior dentro desta conexão e existo na espiritualidade, conforme essa conexão.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabala 17/09/10, O Zohar

O Esquema Simples Da Criação

Dr. Michael LaitmanNa realidade, todos os mundos existem dentro do meu “próximo”. O “próximo” (ou o grupo) é Malchut do Infinito. Eu existo fora dela.

No início, o desejo de receber corporal desenvolve-se dentro de mim ao longo de várias gerações. Então, na nossa geração (na atual reencarnação da alma), um “ponto”, um desejo espiritual, começa a se desenvolver dentro de mim. Quando eu tento me aproximar do grupo, eu começo a sentir a minha natureza, o egoísmo e o mal; isto é, eu percebo a minha inclinação ao mal.

Quando eu estudo Cabala no grupo, à medida que eu percebo meu egoísmo como mal, eu exijo a correção através da Luz que Corrige, a qual me torna semelhante ao Criador. Tudo isso acontece enquanto eu ainda não estou conectado com o outro (“próximo”).

Quando eu chego à decisão de que sou obrigado a alcançar a conexão com o outro, é como se eu entrasse em contato com o grupo pelo lado de fora. Então, eu começo a conectar-me com o grupo com a ajuda da Luz que Corrige (Ohr Makif, a Luz Circundante), que brilha sobre mim de dentro, do centro de Malchut do Infinito.

Todas estas fases da minha conexão com o grupo, e a medida da conexão entre nós, formam os 125 níveis espirituais ou cinco mundos: Assia (A), Yetzira (Y), Beria (B), Atzilut (A), e Adam Kadmon (AK). Quando a minha conexão com o “outro” é realmente próxima e indissolúvel, por eu estar no “centro” do “outro” e completamente unido a ele, esse estado é chamado de “Mundo do Infinito”.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabala 17/09/10, O Zohar

A Principal Condição Para O Avanço

Dr. Michael LaitmanSe eu não recebo apoio dos meus amigos do grupo, eu não consigo avançar espiritualmente. No mínimo, eu devo receber um apoio passivo do grupo, na medida em cada pessoa é capaz de fornecê-lo.

É por isso que o grande cabalista Rabi Yossi Ben Kisma foi capaz de estar em um pequeno grupo de estudantes que, como os bebês, aspiravam a ele, e isso foi suficiente para ele avançar. Se ele aspirava de acordo com seu nível, e eles aspiravam de acordo com o nível deles, isso foi suficiente para ele atrair a Luz do Infinito por meio deles.

A Luz está em repouso absoluto. Ela é a mesma em toda parte e tudo depende da pessoa usá-la. Portanto, não há diferença entre um pequeno grupo de principiantes e um grande grupo de alunos avançados. Tudo depende da pessoa e do quanto ela realmente aspira à garantia mútua. Conforme ela se esforça no grupo, ela recebe o que precisa da Luz Superior. Por isso ela avança e também ajuda os outros a avançar.