Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Evitando Sofisma

Dr. Michael LaitmanNossa verdadeira existência se desenvolve no desejo e apenas nele. Não há nada além disso. Mas, além do desejo e da imagem que ele cria em nossos sentimentos, me foi dada outra imagem imaginária temporária, um acréscimo imaginário na forma de um corpo físico que está num mundo corpóreo. Esta realidade não existe realmente, mas agora me ajuda a estar numa existência ilusória. Quando um verdadeiro desejo de usar o meu desejo inicial for revelado em mim, eu irei abordá-lo.

De uma forma ou de outra, tudo ocorre no desejo, com o corpo físico que é simplesmente um “animal” que não tem livre arbítrio e não precisa fazer nenhum trabalho. Esse corpo é uma oportunidade de abordar o verdadeiro trabalho no desejo e nada mais do que isso. A imagem que é representada pelos meus sentidos corporais é o mundo imaginário.

É por isso que as abordagens filosóficas e outros métodos de sofismas estão tão distantes da verdade. É porque eles levam em conta o corpo, suas ações e seu potencial imaginário, supostamente elevando-o acima do nível animal.

Agora eu só tenho desejos corporais que criam a ilusão da existência de um corpo vivo. Como resultado, eu tenho que cuidar do corpo deste desejo, para guardá-lo e provê-lo com diferentes coisas. Este desejo corporal vive e morre.

Além disso eu tenho um ponto no coração (•). Eu o desenvolvo me conectando com todos os outros pontos, a fim de alcançar o amor, e assim, em contraste a ele, eu sinto aversão e ódio. Então, de zero a 100%, de acordo com o meu esforço, eu começo a desenvolver o verdadeiro ego dentro de mim, o desejo de receber espiritual. Isso acontece quando eu entro no grupo, no ambiente certo.

Até então, eu só tenho um “animal” e um ponto no coração que pode ter aparecido. Há pessoas que permanecem no sistema do corpo com o ponto por um longo período de tempo. Mesmo que elas estudem com os amigos, mas não envolvam o amor, o grupo, e não mantenham a primeira condição (1), elas não alcançam a segunda etapa, o sentimento de ódio (2). O ponto apenas as estimula um pouco. Mais tarde, quando elas começam o verdadeiro trabalho com o grupo, elas deixam o sistema anterior e passam para um novo sistema, que se torna a única coisa importante para elas. Tudo o que acontece com os desejos do corpo é totalmente irrelevante. Ele deve estar satisfeito com as necessidades básicas e não pedir mais.

Nós construímos um grupo entre nós, uma rede, e a preenchemos com a nossa doação mútua. No todo, este esforço é o nosso desejo de doar um para o outro. Nós elevamos um pedido (MAN) pela correção, e em resposta a Luz Circundante vem, corrige e nos conecta, e então fornece o preenchimento, que é chamado de minha alma.

Na verdade, o principal é a transição de um sistema para outro. Esta é a diferença entre a filosofia e as religiões de um lado, e a sabedoria da Cabalá do outro.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/06/13, “Corpo e Alma”

Não Deixe O Amigo Se Desviar Do Caminho

Dr. Michael LaitmanDurante os nossos estudos sobre a Sabedoria da Cabalá, não devemos prestar atenção no quanto nós entendemos os livros Cabalísticos. Sefirot, Olamot (mundos), e Partzufim não são importantes, porque nós ainda não atingimos os mundos espirituais e não sabemos o que está acontecendo lá. Nós estamos apenas fazendo malabarismos com as palavras.

No entanto, o trabalho em grupo é o principal; a conexão entre nós leva aos estudos corretos, onde nós, como crianças, queremos subir ao próximo nível. Algum tipo de desejo mútuo pelo próximo nível atrai a Luz superior sobre nós, a força que nos desenvolve.

Ela nos desenvolve na mesma medida em que desejamos estar acima. Essa é a única lei da natureza. Assim, nós precisamos agir dentro desta lei, e não esquecer de que nos unimos e conectamos para descobrir dentro de nós a conexão entre nós e o mundo superior, o Criador, pelo menos na mínima manifestação inicial.

Os grandes estudantes do Rashbi, antes de começarem a descrever seus sentimentos e descobertas no Livro do Zohar, sentiram um ódio tão grande entre si que estavam até mesmo preparados para queimar uns aos outros. Isto significa que eles estavam num nível tão alto de realização, onde a linha esquerda, o seu ego, se manifestou de uma forma terrível. Nós precisamos crescer muito para alcançar isso.

Assim, diante de nós estão processos muito maiores, e se não estivermos prontos para eles da maneira correta, nós simplesmente vamos deixar esse caminho. Alguns de nossos amigos já deixaram o caminho, e mais estão propensos a abandonar. Assim, nós devemos sempre lembrar um ao outro que estamos envolvidos com o Criador que nos dá todos os tipos de estados e determina todas as relações entre nós, juntamente com o ódio, e se pedirmos, também o amor.

A principal coisa é que o grupo deve tomar para si o compromisso de lembrar a cada amigo antes da aula no que se concentrar. O que foi descoberto hoje em nossas relações mútuas? Apatia? Isso é bom, e amanhã pode ser que cheguemos a um estado em que vamos começar a sentir rejeição pelo outro. Isso significa que entendemos que tudo vem do Criador, que Ele revela de propósito o nosso ego e o intelecto dentro de nós! Apenas uma pessoa pequena recebe pequenas oportunidades para que não se desvie do seu caminho.

Se assim mesmo as pessoas deixam o grupo, é sinal de que isso não funcionou o suficiente, que não explicamos aos outros o método de avanço nas duas linhas: “Nós temos que avançar, apesar do ego crescente. No final, nós iremos subir junto com ele e nos transformar, por um lado, sendo totalmente opostos ao Criador conforme o nosso ego em desenvolvimento, e por outro lado, para receber os mesmos atributos Dele”.

Isto significa que, aparentemente, haverá dois estados dentro de nós: um que é oposto ao Criador e outro que é semelhante ao Criador, e juntos eles vão ficar de frente um para o outro; para ser mais preciso, um sob o outro. Abaixo, haverá o vaso, o Kli, que está completamente sob o Tzimtzum Aleph (a primeira restrição), e acima dele, vamos construir o segundo vaso (Kli), o atributo de doação, e, desta forma, vamos trabalhar com ele.

Da Convenção em Novosibirsk 08/12/12, Lição 4

“Bater A Sua Cabeça Contra A Parede”, Ou Começar A Pensar?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa pedir ao Criador? Onde está esse Criador? Como posso pedir algo Dele, se não sei nada sobre Ele?

Resposta: Você deve olhar para Ele! Todo mundo deve imaginá-Lo em seu coração, ou talvez em sua imaginação, embora os Cabalistas não lidem com a imaginação.

O Criador é chamado de força geral da natureza. Por que dizemos que nos voltamos a Ele? Isso é realmente muito confuso. Mas há uma força que eu posso descobrir de acordo com o meu desejo. Em nossa vida corpórea eu também descubro diferentes fenômenos de acordo com o meu desejo. Se eu não tivesse desejo, não veria, não respiraria. Para tudo há primeiro um desejo e você o experimenta, descobre, ouve e entende, abre mais os olhos, e dá um salto. Tudo de acordo com o desejo.

É o mesmo aqui. O mundo espiritual é apenas uma conexão que, por enquanto, está oculta de nós. Nele nós podemos descobrir a nossa vida que é independente do corpo; o corpo está morto, enquanto continuamos a viver nesta conexão. Isso é chamado de “alma”. Agora nós temos que descobri-la. Nosso corpo não interfere. Se nós o anulamos – o que significa que vivemos nele porque estamos vivos, sem dar-lhe nenhuma atenção especial, sem glorificá-lo, usando-o como é, alimentando-o, deixando-o beber, lavando-o e colocando-o dormir, e cuidando dele como cuidamos de um animal e não mais do que isso – e investimos o restante em descobrir a alma, então vamos descobri-la.

A alma é a conexão entre todos. A fim de descobri-la, você tem um ponto, o início de uma alma. Se este ponto está faltando, não há nada que possamos falar: você está livre, vá lidar com o seu corpo, aproveite a vida. Mas se você tem um ponto no coração, o início da alma que evoca você, que não permite descanso, então você vem a um grupo Cabalístico e onde lhe dizem como começar a revelar a sua alma, a sua conexão com os outros. Não é uma conexão entre os seres humanos, entre os dois corpos, mas uma conexão entre os desejos individuais, na qual há um ponto, o início da alma.

Imagine que há uma rede oculta entre um milhão de membros de nosso grupo global (embora haja muitos mais). Isto é o que nós temos que descobrir. No momento que eu descubro a 1/125ª parte dessa conexão, eu já estou no primeiro nível do mundo espiritual, e nessa rede eu descubro o mundo espiritual, a minha identidade, a eternidade acima do tempo, espaço e movimento, toda a dimensão espiritual, e a fonte de tudo isso que é chamada de “Criador”. Nós somos atraídos a isso.

Há pessoas que já descobriram a espiritualidade, escreveram sobre ela, e nos disseram com precisão e detalhe como realizar esta revelação gradualmente, e o que devemos fazer. Tudo isso é chamado de “Torá”, o livro de instrução. Ele não fala de quaisquer ações físicas ou movimentos com o nosso corpo; podemos deixá-lo sozinho. Trata-se apenas de como podemos desenvolver a nossa sensibilidade através da conexão com os outros, em direção à força superior, e assim você vai alcançar a eternidade.

Pergunta: Eu estou sentado aqui com o texto do Zohar tentando sentir algo mais que há aqui como resultado de nossos esforços coletivos, mas não consigo. Eu continuo e falho novamente. Você está dizendo: “Peça ao Criador!”, mas eu não sei nada sobre Ele, não tenho nada para segurar!

Resposta: Meu conselho é que se você bater a cabeça contra a parede mil vezes, talvez algo tenha “se movido” em sua cabeça como resultado e você possa pensar um pouco mais profundamente no Criador: “Quem está se escondendo aí? Quem está no meu caminho? Quem colocou esta parede diante de mim?”. Você não está apenas batendo a cabeça contra a parede novamente, mas está adicionando pensamento nela. Uma pessoa fica mais inteligente, como resultado dos golpes, certo? Isto é o que eu espero de você.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/01/13, O Zohar

Não Um Espectador, Mas Um Participante

Dr. Michael LaitmanDurante a fase de preparação, a pessoa que estuda Cabalá ainda não pode usá-la como uma ciência exata e agir de acordo com os fatos. Nesta fase, eu me percebo no grupo, no estudo, na conexão com o professor, na conexão com o Criador, e através das fontes. Eu estudo as fontes Cabalísticas autênticas que estão além da Machsom (barreira), embora ainda não tenha transcendido a mesma. Aos meus olhos, o grupo também está além da Machsom, e especialmente o professor, assim como todos os outros Cabalistas e o Criador, a força universal superior.

Só que eu, miseravelmente, estou aqui embaixo querendo ser incorporado em todos eles. Eu sou incorporado neles através do grupo que tem um guia. Ele não guia ninguém pessoalmente; ele pertence a todos. Ele ensina o grupo de acordo com os livros Cabalísticos, que também foram escritos num grupo, e todos os amigos juntos querem descobrir o Criador na unidade geral.

Esta é a diferença entre a sabedoria da Cabalá e outras sabedorias: agora eu sou como uma criança tentando se comportar como um adulto, com a ajuda de diferentes “brinquedos” que seus pais lhe deram. Se eu fizer isso, eu cresço corretamente; eu tenho um grupo, livros, e um professor – tudo o que eu preciso. Se eu usá-los da maneira que deveria, vou avançar.

Um dos meios mais eficazes é o nosso workshop. Nós aproveitamos o máximo não a sabedoria, mas a conexão; um workshop é um ato de conexão.

Eu ouço o que os amigos dizem, e no meu coração e alma anseio estar com eles, participar de sua unidade, sentir o que eles sentem, pensar o que eles pensam. Eu estou incorporado neles, e com isso começo a aceitar as condições necessárias para a Luz superior.

Nós somos dez pessoas sentadas juntas e entre elas eu descubro uma sensação de calor comum. Mesmo que eu as veja numa TV ou numa tela de computador, eu estou, de fato, olhando para a conexão, a cooperação mútua entre elas. Eu observo e quero estar dentro.

Então eu começo a perceber a Luz que Reforma, a Luz Circundante, que desenvolve a minha alma.

É por isso que é tão importante ver o grupo e sentir que estou em seu centro. Eu me uno com os amigos; eu quero reuni-los, abraçar todos eles, e sentir um único desejo interior, um pensamento interior, em mente e coração.

Depois de vários exercícios, e começo a me sentir muito mais perto dos amigos, a tal ponto que através deles eu percebo espiritualidade.

Não subestimem os workshops, porque eles estão muito próximos da unidade. Ela virá por vezes, mais e mais, e não apenas na forma de inspiração, mas como uma experiência espiritual a partir da qual a iluminação da Luz Circundante vai se tornar a Luz real.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/13, “Corpo e Alma”

O Ano Do Movimento Para O Público

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que o ano de 2013 será um ano de grandes mudanças. Eu gostaria de ouvir algum tipo de benção, relativa a este ano.

Resposta: Eu penso que este ano transcorrerá com relativa calma no mundo. O mundo atrasará o fim. A economia continuará em queda, mas de uma maneira mais lenta. Governos imprimirão dinheiro, e todos os tipos de “bolhas” serão insuflados, e desta forma o colapso será impedido.

Mas nós precisamos compreender que esse período é especificamente bom para nos reorganizarmos, continuarmos a unidade, nos prepararmos intensamente para a formação e boa disseminação, de modo que possamos aprender a falar corretamente ao público e sermos capazes de alcançá-los de acordo com o nível deles, estar próximo a eles. Temos que mostrar às pessoas que existe uma maneira completamente diferente de desenvolvimento, e que é a única maneira correta, realista e original, de tal modo que elas entenderão que não existe outra maneira, e assim verão que estamos lhes oferecendo a única opção.

Não precisamos competir com outros para convencer as pessoas de que estamos certos, como o regime soviético fez no passado com a afirmação: “a vitória do comunismo é inevitável, porque é o certo”. Só precisamos trabalhar em nós mesmos, no movimento em direção às pessoas e gradualmente vamos vencer.

Assim, nossos workshops precisam estar mais perto do público, das pessoas. Isso não significa que estamos em declínio. Se uma pessoa consegue explicar coisas grandiosas com simplicidade, é sinal de que as compreende e que essas coisas vivem dentro dela. Ela as traduziu da linguagem do livro para sua linguagem interna, e depois a trouxe para os outros de uma maneira simples. Assim, é muito importante nos posicionarmos dessa forma, a fim de reduzir isso a uma simples explicação.

Da Lição Virtual 30/12/12

O Começo De Todos Os Começos

Dr. Michael LaitmanO conteúdo dos livros Cabalísticos pode ser dividido em duas partes.

Uma delas descreve o nosso trabalho nos sentimentos entre nós e explica como, por meio disso, chegamos ao Criador, O qual não está em algum lugar, mas entre nós.

Por outro lado, nós recebemos textos Cabalísticos precisos, como a Introdução à Ciência da Cabalá, O Estudo das Dez Sefirot e O Livro do Zohar, que são totalmente incompreensíveis para nós. Estes livros falam sobre o grau que temos que subir e as ações que devemos realizar, de modo que ao nos unirmos e recebermos a qualidade de doação, começamos a sentir o mundo superior nesta qualidade.

É por isso que, com base nos artigos e conselhos do Baal HaSulam e Rabash, nós devemos realizar ações de unidade entre nós mesmos, e ao ler os livros sobre os mundos espirituais nós atraímos a Luz superior sobre nós.

Em outras palavras, uma parte das fontes primárias é educacional, formando nossas conexões corretas até o ponto em que dentro delas nós sentimos a qualidade de doação, o Criador.

A segunda parte é dedicada em perseguir a meta de unidade entre nós, durante os estudos, na medida em que a Luz superior, as forças superiores, qualidades, graus, mundos e Luzes são revelados entre nós.

Nós devemos nos esforçar nisso do mesmo modo que uma criança que sonha em se tornar um adulto é impulsionada por sua natureza egoísta. Esta continua pressionando-a, ensinando como crescer, e ela se envolve nisso incansavelmente. Portanto, no nosso crescimento espiritual, nós devemos tentar ser como crianças, e com a mesma energia, tão duro quanto, jogar o tempo todo com o próximo nível, para se tornar adultos, para explorar este mundo de adultos e os relacionamentos adultos.

Para fazer isso, por um lado, nós precisamos nos anular perante os amigos, e, por outro lado, estar acima deles, trabalhar na unidade dentro do grupo, procurar cada oportunidade de acrescentar, aprofundar, ampliar e concentrar isso, de modo que uma grande faísca se reúna e brilhe entre nós. Não devemos ter medo de nos “esfregar” uns contra os outros como nozes num saco, porque esse atrito também produz faíscas. Se soubermos por que fazemos isso, vamos ter sucesso.

Mais importante ainda, devemos estar permanentemente conscientes da necessidade de nos unir e aderir ao Criador e nada temer. Tão logo o grupo ou as pessoas esquecem por que estão aqui, elas imediatamente se transformam de um grupo Cabalístico para um “bando de escarnecedores”.

Como é dito nos Salmos: “Santificado é o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”. Com estas palavras, o rei Davi começa o mundialmente conhecido Livro dos Salmos, o livro das rogatórias e apelos do homem e apelos ao Criador. Eles são aceitos em todo o mundo como a efusão do coração humano. Essa é a coisa mais importante! Este é o começo de todos os começos!

Nós sabemos que os grupos têm muitas condições, problemas, mas todos convergem num único ponto: a realização da lei do “ama o teu próximo como a ti mesmo”, porque é a lei do Criador. Quando o egoísmo se corrige em amor, a pessoa se torna semelhante ao Criador.

Da Convenção em Novosibirsk 08/12/12, Lição 4

Nefesh, Ruach, Neshamah

Dr. Michael LaitmanAs qualidades espirituais recebem diferentes nomes: Nefesh (alma), Ruach (espírito), Neshama (alma). Nós começamos a entrar no mundo espiritual ao receber o nível de Ruach.

Nefesh, é o nível inanimado da Santidade, quando a pessoa não consegue se mover sozinha. Ela vem para a aula e acha que está tudo bem, que nada mais é exigido dela: hoje é igual à ontem e amanhã será igual à hoje. Ela não explode e não sente que permanece no mesmo estado, mas está feliz que mais um dia se passou e que está tudo bem. Ela aceita a rotina diária.

Mas também é uma conquista se a pessoa está no grupo, tentando não interferir com o seu avanço, pronta para se juntar a todos, e apoiá-los. Ela apoia o que os outros estão fazendo. Mas não demonstra nenhuma iniciativa especial; ela não tem o nível de Ruach. Não há nenhuma força nova crescendo nela. Assim, ela é chamada de Nefesh de Kedusha (da Santidade).

Mas ela ainda vem para as lições e os estudos. Eu queria que o mundo inteiro estivesse no nível de Nefesh da Santidade. No entanto, isso é chamado de “espiritualidade” do nível de Ruach. Ruach significa que a pessoa já tem algo a acrescentar. Ela não concorda em permanecer no nível inanimado da natureza. Se ela vê que nada mudou desde ontem e que não vai mudar amanhã, para ela é como estar morto.

Não é apenas um estado de imobilidade da natureza inanimada, mas uma sensação de morte, o que significa o pior estado. Portanto, ela se pergunta o que mais pode acrescentar. Enquanto isso, a única coisa que ela pode acrescentar é suas ações. Baal HaSulam diz no artigo “A Liberdade” que uma pessoa não tem outros meios para mudar seu estado, exceto escolhendo o ambiente certo.

A pessoa que escolhe uma forte influência do ambiente é digna de louvor. É através disso que ela pode avançar e não graças às boas ações. Ela não consegue fazer quaisquer boas ações, uma vez que não somos os senhores de nossas ações. Mas, graças a ter escolhido um bom ambiente que possa influenciá-la fortemente, ela começa a se mover.

Para começar a se mover sozinha e ir do nível inanimado para o nível vegetal, para subir do nível de Nefesh para o nível de Ruach, para se tornar uma pessoa espiritual, eu tenho que constantemente evocar os que me rodeiam e escolher um ambiente cada vez mais forte que me influencie mais e mais forte e me ajude a ser mais espiritual.

Por essas ações eu constantemente acrescento de mim mesmo ao grupo e isso me influencia constantemente, e eu anseio pela espiritualidade, a doação, cada vez mais. Acontece que eu acrescento à doação e, finalmente, alcanço o próximo nível que é chamado de Neshama.

Eu atuo em relação a todos os outros e sou influenciado por eles através do grupo que me influencia. Assim, com a sua ajuda, eu sempre influencio a mim e subo. O ambiente serve como uma alavanca para me elevar cada vez mais.

Eu subo através do ambiente e quero começar evocando a mim mesmo, para me conectar a ele da maneira mais eficiente e prática. Eu quero aumentar a minha influência sobre espiritualidade para não ser passivo sob sua influência e esperar que ela me mude, mas quero doar ao ambiente por mim mesmo, para torná-lo mais forte, de modo que ele vai me influenciar mais fortemente. Então nós nos conectamos com o ambiente e subimos juntos ao mundo espiritual. Isso significa que eu alcanço o nível de Neshamah.

A questão principal aqui não é para relaxar, de modo que “cada dia seja como o outro”. Deve haver renovação constante, a cada momento, se não, você vai cair imediatamente num estado de morte. Não é tão fácil subir a partir do estado de morte. É impossível fazê-lo por um salto, a fim de retornar ao estado anterior. É impossível voltar ao mesmo estado. Nós temos que fazer uma correção: um novo nascimento e um novo crescimento, tudo de novo.

Mas se a pessoa não sente que tem que subir de novo, isso significa que nem sequer sente a sua morte, mas que realmente perdeu a consciência.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/13, Escritos do Rabash

Deixe A Pessoa Amadurecer

Dr. Michael LaitmanOs níveis inanimado, vegetal e animal da natureza agem instintivamente. Do mesmo modo a humanidade, localizada no nível animal do desenvolvimento, também age por instinto. Somente aqueles que estão começando a aspirar ao nível seguinte formam uma comunidade chamada “grupo espiritual”.

Novos corpos se conectam a este grupo. Os “corpos” se referem ao desejo ou às pessoas que começam a ser imbuídas da ascensão espiritual, sua necessidade e meta.

Nós somos um grupo que tem alguns milhões de pessoas em todo o mundo, mais aqueles que não sabemos. Eles não precisam estar em conexão com a gente; basta que nos ouçam e vejam na tela do computador. Eles ainda não têm a necessidade interior de se reunir e de se sentir mais perto uns dos outros; eles não devem ser perturbados e forçados a sair de seus nichos. Eu também estava no mesmo estado e entendo-o perfeitamente. A pessoa deve amadurecer.

Da Convenção em Novosibirsk 08/12/12, Lição 4

Individualistas Também Precisam De Um Grupo

Dr. Michael LaitmanÉ muito difícil entender o que é o grupo.

Eu sempre fui um solitário, um individualista, não comunicativo por natureza, preferindo a solidão e os livros a tudo o resto: eu não precisava de mais nada na vida.

Aos 33 anos, eu comecei a estudar com o Rabash. Nós não tínhamos um grupo, exceto 6 a 7 homens idosos, com os quais eu estava feliz, como uma criança entre adultos. Mas o Rabash disse que eu precisava de um grupo, e eu pensei: “O que poderia ser melhor do que as pessoas que haviam estudado com o Baal HaSulam e viveram a sua vida junto com o Rabash?”. Afinal de contas, entre eles eu me sentia tão seguro quanto um bebê nos braços dos adultos.

Mas o Rabash dizia: “Não há nada a fazer, você precisa de um grupo”. E eu organizei um grupo de 40 homens.

Isso era totalmente contra a minha personalidade. Eles eram muito melhores, mais amigáveis, e se sentiam iguais. Eu sempre me sentia como uma pessoa de fora; além disso, eu ainda tinha que servi-los, para ajudar o Rabash a organizar um grupo, embora por natureza eu não conseguisse superar isso! Foi muito difícil entender por que um grupo era necessário. O coração não queria aceitar a condição de que eu tinha que revelar o mundo superior nele.

Eu pensava que o mundo superior podia ser explorado com a ajuda de diagramas, para compreendê-los, para aprofundar meus conhecimentos e sentimentos, e para começar a analisar. Isto é conhecido na física, e eu não conseguia me afastar da abordagem científica. Eu desenhava, fazia esboços, e só fazia isso, até que, finalmente, comecei a compreender um esquema completamente diferente do universo, do outro lado.

De repente, eu comecei a sentir que o nosso mundo é o mesmo mundo superior, mas em seu nível mais baixo. Ele está intimamente ligado com o resto dos mundos, que, sendo cópias do nível superior, descem cada vez mais. Neste caso, a única alteração é na matéria, que se torna cada vez mais grossa, e no último grau se torna egoísta, oposta à matéria criada inicialmente.

Mas tudo o que vemos neste mundo é idêntico ao mundo superior, de acordo com a conexão com a raiz no mundo espiritual e seu ramo em nosso mundo.

Aos poucos, eu comecei a me acostumar com esse sistema, entendendo que esta é a forma como ele é, e não há mais nada. Portanto, nós precisamos ver o que está por trás do nosso mundo e acima dele e que, sem correção, elevando-nos acima deste mundo, não teremos sucesso. Esta é a única forma. Sozinho, você não pode entrar no mundo espiritual.

Acontece que você está amarrado por toda a rede do mundo e deve subir junto com ela! Não há saída. Você precisa entender esse sistema e se ligar a ele, embora num novo caminho: para subir, e daí você vai ser capaz de perceber a si mesmo. Isto é de um lado, e se você olhar para o sistema de baixo para cima.

E, do outro lado, isso me ajudou muito, porque eu comecei a estudar este sistema não de baixo para cima, mas de cima para baixo, a partir do Criador, como o Criador olha para o mundo de cima para baixo, como Ele nos vê na forma corrigida ou não corrigida, e age sobre nós para nos tirar do nosso estado egoísta e levar até Ele.

Estes dois pontos de vista opostos, de baixo para cima (como devemos crescer, tornando-nos constantemente semelhantes ao próximo nível) e de cima para baixo (como o Criador olha para nós), se uniram, complementando-se. Nós temos que trabalhar com eles, analisando claramente o caminho de baixo para cima e a visão de cima para baixo.

Então, os artigos do Rabash sobre o grupo se tornaram mais compreensíveis para mim, embora à primeira vista parecesse um tanto ingênuos e até mesmo instrutivos, com uma consequente moral. Na realidade, eles começam a identificar leis muito claras, que são muito rigorosas e poderosas que quaisquer leis naturais. E todas as leis de comportamento (eu as chamaria de “leis da comutação”) são baseadas em se tornar cada vez mais semelhantes ao nível imediatamente superior, para entrar nele, para fazer contato com ele, e incluir-se nele. Esta é a base de todos os artigos sobre a interação no grupo.

Da Convenção em Novosibirsk 08/12/12, Lição 4

Um Cuidado Constante

Dr. Michael LaitmanPergunta: Com o que devemos nos preocupar mais: com a saúde física de um amigo e seu bem-estar material ou com a grandeza da meta?

Resposta: Nós temos que mostrar ao amigo, tanto quanto possível, o que pensamos sobre o seu bem-estar material e espiritual. O problema é que nós estamos num determinado estado, onde os nossos recursos são limitados: estamos separados pela distância, estamos cercados por um monte de pessoas de fora e temos diferentes possibilidades.

No entanto, o amigo deve sentir que você se preocupa com toda a sua vida material e espiritual. Você já está pronto para livrá-lo de quaisquer preocupações. Então, seu egoísmo morre e há um estado em que ele se sente como se estivesse num hovercraft (aerobarco) criado por seu cuidado.

Da Lição Virtual 30/12/12