Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Processando O Desejo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando eu começo a dar alegria ao Criador conscientemente?

Resposta: Na fase de maturidade espiritual (13 anos), quando eu já tenho vasos de recepção que estão prontos para a correção, onde posso receber a Luz com a intenção de a fim de doar. Na medida em que eu recebo, eu realmente dou alegria ao Criador.

Até lá há apenas a preparação, o estado de “pequenez” (Katnut), onde ainda não somos obrigados a fazer coisas “maduras” e somos tratados com generosidade. Nós exigimos de uma criança porque queremos educá-la e não porque ela deve. Ela não tem que preencher todos os requisitos.

Pergunta: Quantos anos são necessários para atingir a maturidade?

Resposta: Não há tempo na espiritualidade. “13 anos” é um nível e nós realmente ansiamos por ele, realmente queremos entrar no estado de Ibur (gestação), entrar no sistema superior e senti-lo como um útero, um ambiente amigável, um ambiente em que os meus amigos pensam apenas em como ajudar a mim e o professor nos orienta à meta. Eu realizo a adesão com eles e por meio deles, como através do cordão umbilical, sou “alimentado” pelas Luzes que me influenciam. Este ambiente é um útero para mim, algo redondo, inteiro, uma esfera redonda em que estou dentro. Eu também sou como uma esfera e não me limito a nada, mas constantemente me restrinjo a fim de me aderir, nada mais do que isso.

Eu valorizo ​​a totalidade do ambiente externo, os amigos e os professores, e eles refletem e projetam os atributos certos em mim. Então meu “pedaço de carne”, o meu desejo, começa a tomar a forma de Adam, um ser humano. O ambiente imprime sua forma em mim, não o ambiente que eu vejo hoje, mas um ambiente diferente, que eu valorizo ​​cada vez mais.

Assim eu me desenvolvo como um embrião, constantemente me aderindo ao ambiente, embora eu esteja constantemente enviando diferentes interrupções e reclamações sobre todo o grupo ou cada um dos amigos. Eu aceito tudo na “fé acima da razão” e continuo trabalhando não em relação ao Criador, mas sim com relação ao ambiente, os amigos, entre os quais já identifico a essência interior.

Então, depois que eu os sinto, eu quero receber a sua marca, sua impressão. Eu espero por sua doação, porque descubro totalidade neles. Eu quero que eles se “imprimam” em mim com força. Eu estou pronto para isso e me esforço para que isso aconteça. Eu realmente correspondo a eles e peço que eles não abandonem, que eles trabalhem comigo e se imprimam em mim.

Tudo depende da Ibur (gestação); é a fase mais perigosa do nosso desenvolvimento. Se for bem sucedida, o resto é muito mais fácil. Toda vez eu recebo uma força mais defensiva, uma força mais forte de superação interior que me permite superar todas as coisas negativas que vejo no grupo. É porque eu olho para o desejo de doar aos amigos através do meu ego e descubro coisas terríveis.

Mas eu continuo a subir na fé acima da razão e digo-lhes para continuar trabalhando em mim, para me processar, para continuar imprimindo-me com a sua marca. Eu quero! Eu abaixo minha cabeça diante deles e estou pronto com antecedência para aceitar tudo o que vem deles.

Se a pessoa realmente quer isso, ela recebe uma marca completa e está pronta para nascer.

Pergunta: Mas, ao mesmo tempo, eu ainda não chego à equivalência de forma com o ambiente.

Resposta: É verdade, mas nada mais é necessário nesta fase. É como se eu estivesse diante de um quebra-cabeça em que uma peça está faltando: a minha parte. E eu enfio meu pedaço de argila na abertura, de modo a que a sua forma corresponda aos contornos das outras partes.

Como você faz isso? Eu peço aos amigos para me empurrar de todos os lados, para me apertar, me amassar, e me empurro para o grupo até tomar a forma correta. Esta forma é “eu” certo, junto todos os Sefirot e Partzufim, com todos os componentes certos.

O Criador é revelado neste quebra-cabeça quando ele está inteiro. Nós projetamos o desejo correto, construímos Malchut corrigida, e nela descobrimos o Criador de acordo com o princípio do “venha e veja”, Bo-re (Criador, em hebraico). Não há outro caminho; nós só podemos fazer isso junto, só se reunirmos pelo menos uma peça do quebra-cabeça humano. Quanto maior for esta peça, maior será a revelação.

Pergunta: Que importância tem em eu entrar neste quebra-cabeça conscientemente?

Resposta: Você deve concordar que o grupo imprima a si mesmo, sua forma externa, em você. A fim de fazer isso você tem que concordar com os amigos em cada questão relacionada com a espiritualidade, valorizá-los como os maiores em nossa geração, pedir-lhes para influenciá-lo, e abaixar a cabeça diante deles, já que o Criador vive neles.

Pergunta: Mas se eu vejo algo que é totalmente oposto…

Resposta: Este é exatamente o nosso trabalho. O desejo egoísta permanece (em preto), mas do lado de fora ele assume uma forma, a forma de doação (em vermelho). Esta é a nossa educação espiritual, que é uma educação “formativa”. A matéria simples que é o desejo de receber não é suficiente. Tudo depende da forma; quando dois tipos diferentes de matéria tomam formas diferentes, nós recebemos uma educação que significa que começamos a compreender a realidade.

Pergunta: Por que é tão difícil para nós sermos incorporados no ambiente espiritual?

Resposta: Porque aqui a inclinação do mal é cada vez mais revelada a mim. Cada vez novos “espinhos” são revelados e cada vez eu tenho que tomar uma nova forma, ceder, anular a mim mesmo, e olhar para todos esses problemas na “fé acima da razão”.

Só ontem tudo foi bom, mas hoje não é mais, e eu tenho que trabalhar em mim mesmo novamente, a fim de ver nos obstáculos as formas corretas que pertencem ao corpo do embrião. No dia seguinte, as dificuldades aumentam e exigem que eu mude minha atitude. Assim, eu sempre supero as interrupções na “fé acima da razão” e me corrijo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/03/13, “Introdução ao Livro do Zohar“

A Pé Para A Convenção Na Alemanha

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como você sugere que nos preparemos para a Convenção na Alemanha, no final do mês?

Resposta: É preciso compreender que no primeiro nível em que estamos agora, nós estamos agindo na estrutura do tempo, espaço e movimento. Essas são as limitações corporais contra as quais somos impotentes agora e estamos sob sua forte influência.

Quando chegarmos aos níveis espirituais, será muito mais fácil e não teremos que sentir a presença corporal. Nós já vivemos numa realidade diferente; a vida espiritual será parte da vida corporal.

Nesse meio tempo, eu não vejo como saltar sobre o tempo e a distância. Este problema é apenas no nível atual de preparação.

O primeiro nível espiritual já nos une internamente, libertando-nos totalmente das limitações corporais. Mas, para romper com o mundo espiritual, nós temos que trabalhar neste nível atual e nos conectar como se tempo e espaço não existissem.

É exatamente por esta razão que temos workshops e Convenções, que nos unem, nos conectam fisicamente e fortalecem os laços entre nós. Não há outra escolha, já que este sentimento físico ainda age em nós. Não é por acaso que este mundo foi criado, e não é por acaso que sentimos este primeiro nível nele. Sem qualquer contato entre os desejos quebrados, sem sermos capazes de sentir o outro, não seríamos capazes de avançar.

É como um casal corporal em que um homem e uma mulher têm que estar junto, e não apenas ao lado um do outro, mas sim, um entra no outro. Nós temos que aprender com estes exemplos corporais que a nova continuidade nasce dessa conexão estreita.

Portanto, nós temos que ir à Convenção e atingir este abraço forte. Não importa se realmente nos abraçamos ou não, o que importa é que nós vamos realmente sentir a proximidade sentando ao lado um do outro, estudando juntos, comendo, cantando, dançando, e tendo discussões. Tem que haver ao menos um contacto físico, dois ou três dias por ano ou a cada dois meses. Isso já deixa uma impressão que nos permite mais tarde senti-la novamente, para sentir um ao outro melhor.

Se nós nunca nos vemos, não usamos os meios que recebemos. É impossível avançar sem isso. Os Cabalistas estavam sempre juntos. Baal HaSulam trouxe para Israel equipamentos para curtimento de peles e queria abrir uma pequena fábrica para curtimento em Jerusalém. Ele pensou que seus alunos trabalhariam com estas máquinas, ganhariam a vida, e também estudariam lá.

Curtimento é um trabalho sujo acompanhado por um fedor terrível. É impossível estar perto de um curtidor por causa deste cheiro; Baal HaSulam queria abrir essa fábrica para que as pessoas se mantivessem longe do seu grupo. Normalmente essas fábricas estão longe dos quarteirões habitados de uma cidade.

Ele trabalhava como juiz rabínico em Varsóvia, mas decidiu lidar com esse trabalho sujo porque sonhava com um grupo Cabalístico próximo.

Isto significa que é impossível ter sucesso sem contato físico. Eu não consigo imaginar um estudante que se recusa a vir para a Convenção e encontrar-se comigo, embora ele possa. Se a pessoa tem vontade, ela estará pronta para andar por um mês se não tiver dinheiro para um avião ou trem. Lembro-me que muitas vezes no caminho para Rehovot (onde eu morava) meu carro tinha uma pane no carburador. Então eu gostava de deixar o carro na beira da estrada, pedir carona até certo ponto, e depois ir a pé o resto do caminho. Tudo isso também faz parte do próprio esforço.

Mas, sem contato físico, sem estar ao lado do outro na mesa durante a aula ou num workshop, cantando juntos ou dançando, é impossível avançar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/03/13, Escritos do Baal HaSulam

A Diferença Entre Uma União Egoísta E Uma Altruísta

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre uma união espiritual e uma união corporal egoísta?

Resposta: A união de egoístas irá produzir um resultado egoísta. Suponha que um grupo de pessoas se reúna para bater em alguém. Neste caso, eles certamente obtêm algum benefício para si. O mesmo é verdade em negócios e tudo o mais, onde o forte vence o mais fraco.

E como se manifesta uma conexão altruísta? Como eles podem se conectar? Eu quero dar, você quer dar, ele quer dar, mas onde e para quem damos? Nós podemos dar a alguém de fora? Então, não seríamos compreendidos.

Quando altruístas sem juntam, eles criam um campo altruísta entre si, onde descobrem a força boa chamada “natureza” ou “Criador”.

Eles revelam essa força entre eles, entre seu movimento altruísta mútuo, e a sua realização é sentida como a conquista da vida eterna para além do nosso mundo, acima do nosso mundo. Eles existem numa nova dimensão, num novo campo criado por eles como parte de uma “bolha espiritual”, e existem nela.

Fora desta “bolha espiritual”, que eles criaram entre si através do movimento altruísta mútuo, eles não veem o nosso mundo como uma pessoa comum o vê. Eles não veem a matéria e imagens, mas as forças que estão por trás de nossos corpos e os objetos deste mundo. Eles têm uma percepção completamente diferente da realidade.

Eles sentem a matéria do nosso mundo, não só através de seus cinco sentidos, mas também através da propriedade geral de doação que eles alcançaram, e veem as forças que governam o universo. Isso se chama: eles alcançaram a sua alma. É por isso que uma união de altruístas, em contraste com uma união de egoístas, leva-os ao próximo nível, à próxima dimensão.

Pergunta: Será que eles definem esta meta, ou ela é o resultado da ação?

Resposta: Eles estabelecem uma meta bem clara para si: atingir o nível da propriedade de doação, o nível do mundo altruísta superior. Esta é a meta do lado do Criador e do lado do homem.

Da Lição Virtual 03/03/13

Uma Oração Só Para Si Mesmo Prejudica

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Fruto do Sábio”: Durante uma oração comum, a pessoa está proibida de se separar dos outros e pedir para si mesma, mesmo que ela queira dar prazer ao Criador, mas vai fazê-lo por si mesma e não com os outros. Afinal, aquele que se desconecta da sociedade e pede por sua alma individual não a constrói, mas ao contrário, prejudica a sua alma, tornando-se o “homem orgulhoso, com quem o Criador não pode estar junto”.

Não é fácil superar este difícil problema psicológico. Nosso ego não nos permite compreender, lembrar, aprender e adotar a regra que só saíndo dos limites do nosso corpo vamos encontrar o vaso da nossa alma. E tudo o que eu psicologicamente vejo agora como meu “eu” existe somente na minha fantasia, para que eu anule este pensamento, me anule e me veja fora dela.

Para aceitar este fato, esta visão de mundo, e viver com ela, nós temos o forte apoio do ambiente e dos estudos, e um trabalho duro em garantia mútua. Qualquer ação de correção começa a partir disso, porque um egoísmo cada vez maior é adicionado a nós, e nós temos que trabalhar com essa carga adicional para decidir que, apesar disso, nosso vaso está acima dela.

Essas mensagens: “O que é odioso para você, não faça aos outros” e “Ama teu próximo como a ti mesmo” nos parecem simples regras de cortesia, comportamento “cultural”, sermões morais. Mas não, nós falamos de uma orientação interna que deve existir numa pessoa se ela quiser encontrar sua parte interior, sua alma, e começar a corrigi-la.

Eis porque aquele que ora para si mesmo não só não avança na espiritualidade, mas também causa grande dano a si mesmo, porque assim se isola dos demais, agravando a quebra. Ainda que seja claro que ações negativas também são inevitáveis, porque a pessoa precisa chegar à realização do mal antes que entenda e sinta de que se trata de uma atitude incorreta.

Mas nós estamos prestes a concluir este trabalho, e é por isso que devemos entender e constantemente reforçar a opinião geral de que a existência espiritual, o avanço e o resultado do trabalho estão somente em “Nós”, e não em “mim”, mas só entre nós. É para onde precisamos atrair todas as nossas forças, tentando nos acostumar com este ponto de vista e nos substituir com o “Nós” a fim de viver dentro da alma.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 03/03/13

Respeito Contra A Sua Vontade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há pessoas que nós gostamos mais do que outras; há amigos e inimigos. É possível manter boas relações com todos no grupo?

Resposta: Em primeiro lugar, você deve descobrir as relações corruptas entre vocês. Digamos, eu não gosto de alguém. Não o suporto, sem ter qualquer ideia do por que não gosto dele. Há algo nele que me repele, e não posso fazer nada em relação a isso. Meu ódio transborda e eu literalmente “espalho veneno”.

Assim, as pessoas ao redor “inadvertidamente” dizem coisas boas sobre essa pessoa para mim. De repente, eu ouço: “Você sabe, eu o vi recentemente e ele me contou que grande coisa ele realizou! É maravilhoso”!

A princípio, eu vou ficar chocado, porém, mais tarde, sob influência da opinião comum, vou mudar o meu critério de avaliação. É inevitável, uma vez que as pessoas que eu admiro e respeito referem-se a ele de uma boa maneira. Gradualmente, eu começo a valorizar esta pessoa e a ser muito educado com ela sem quaisquer vestígios de ódio.

Vamos prestar atenção em como o nosso relacionamento se desenvolve. Embora não nos tornemos melhores amigos imediatamente, é possível que ao menos meu conceito anterior em relação a essa pessoa mude para um respeito cauteloso e distante. Minha atitude prévia para com ela se “manifesta” em mim brusca e fortemente. Ela muda para uma abordagem positiva, ajudando-me assim a lidar com meus sentimentos negativos anteriores. Isso acontece naturalmente. Minha atitude em relação a esta pessoa transforma-se contra a minha vontade.

De Kab TV “Segredos de Equipe” 08/02/13

Alcançar O Outro É Alcançar A Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Muitas vezes nós falamos sobre o outro. O que é o desejo de receber do outro?

Resposta: Toda a realidade que você pode imaginar se resume ao outro. Em outras palavras, é tudo o que está fora do “eu”. Nós devemos entender que o “eu” é apenas uma centelha e pronto. Tudo o resto é restrito e sem importância. Você pode comer, beber e gozar a vida, mas apenas para sustentar a si mesmo. Tudo é determinado pela intenção da pessoa.

Você deve ver a si mesmo como uma centelha. Tudo o resto é o nível animal e você deve fornecer o que ele precisa, mas toda sua atenção deve ser destinada ao exterior, para o que é externo à centelha. Lá, fora de si mesmo, está o seu desejo, o seu vaso espiritual, tudo o que você pode imaginar: todos os níveis da natureza inanimada, vegetal, animal e falante.

Você pode controlar automaticamente os três primeiros níveis dos seus desejos externos (os níveis inanimado, vegetal e animal), pois não há resistência por parte deles. Mas nós temos problemas com a natureza humana, pois nela você vê a si mesmo, a sua essência, o que você é. É como o atlas de sua anatomia espiritual interna com todos os seus componentes. Tudo está lá, e ainda assim, é o seu desejo, e por isso você deve trabalhar com ele.

Isso não significa que você tem que corrigir os outros. Simplesmente por se preocupar com eles, você descobre que eles pertencem a você. É por isso que disseminamos. É como se você quisesse alcançar os outros, transmitir o método de correção a eles, mas para se aproximar deles você tem que entender e sentir que é o seu próprio “eu”. Então, ao se sentir realmente neles, você começa a entender o que está escrito nos livros dos Cabalistas.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/03/13, “Introdução ao Livro do Zohar“

Derech Eretz (O Caminho Do Meio) Aquecido Pelo Sol

Dr. Michael LaitmanA correção é possível através de grandes sofrimentos que não podem sequer ser descritos, uma vez que requer o pleno reconhecimento do mal em cada propriedade individual, a fim de recusar receber em cada um e passar para o caminho de doação. Este caminho é impossível, já que a pessoa não consegue suportar tais sofrimentos.

Portanto, o avanço é geralmente em algum lugar no meio, entre o caminho do sofrimento e o caminho da Torá (o caminho da Luz), entre “eu vou apressá-lo” (Achishena) e “a seu tempo” (Beito), razão pela qual é chamado de “Derech Eretz (o caminho da terra)”. A pessoa avança à medida que é empurrada por trás pelos sofrimentos ou puxada pela frente pela Luz. Ela não pode estar no mesmo caminho o tempo todo.

É impossível mover-se pelo caminho da Torá desde o início, de forma incondicional, mas na medida em que tentamos fazê-lo – especialmente ao construir realmente a Shechiná, ou seja, ao construir a conexão entre nós na doação mútua, conforme o nosso esforço e nossa responsabilidade pelos outros-, nós deixamos o caminho do sofrimento e avançamos à meta ao longo do “Derech Eretz“, ao longo do caminho do meio.

Não é que a “linha média” seja melhor para a nossa ascensão espiritual, mas o “caminho do meio” é um compromisso entre as duas estradas em que devemos permanecer. A única opção é fortalecer a nossa sociedade, para que ela influencie a todos. Nós devemos ver os amigos como a área onde o Criador será revelado, o atributo de doação. Assim, eu vejo a minha alma e não a mim mesmo.

A pessoa pode verificar a si mesma e o seu avanço de acordo com a forma como se preocupa com os amigos e o grupo, de modo que a revelação ocorrerá neles, como uma mãe que se preocupa com seus bebês. Então ela pode ter certeza de que entende o que significa avanço, sabe o que adicionar a ele e pode realmente realizar isso neste mundo agora, e levar a sua intenção à totalidade.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 04/03/13

Realização Aqui E Agora

Dr. Michael LaitmanO Zohar é uma qualidade única, a Luz superior que vem para corrigir-nos se estivermos prontos para a correção e descobrirmos o lugar que precisa ser corrigido. Este lugar é a conexão entre nós, e uma vez que somos o resultado da quebra, temos que tentar nos conectar a fim de encontrar o atributo comum de doação entre os nossos vasos (desejos).

Quando descobrimos que isso não existe entre nós, nos arrependemos e queremos que a Luz nos influencie e transforme o ódio e a repulsa que ocorre entre nós na doação e amor mútuo que queremos descobrir. Então, vamos exigir que a Luz execute esse trabalho e nos transforme daqueles que são repelidos por aqueles que se aproximam e se conectam entre si e estão unidos.

Então, conforme a intensidade da conexão que alcançamos, vamos sentir a força comum de doação que é chamada de Luz de Hassadim. Se quisermos realmente nos esforçar para doar um ao outro, a fim de descobrir o Criador (que já é um tipo diferente e mais sublime de trabalho), então na mesma Luz de Hassadim que é revelada entre nós, vamos ver o que precisa ser feito, que esforços internos especiais, e neles vamos descobrir a real ação de doação chamada de “revelação do Criador às criaturas”. Nós sentimos como doamos e damos prazer a mesma força, ao mesmo pensamento, a mesma raiz. Nós temos que tentar alcançar tudo isso aqui e agora, na conexão entre nós.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/03/13, O Zohar

Como Penetrar O Texto Do Zohar

Dr. Michael LaitmanDurante a leitura do Zohar, a pessoa deve ansiar alcançar o estado sobre o qual ela lê ou ouve, de modo que sua conexão com os amigos e sua conexão com o Criador se tornem a mesma coisa para ela. É porque O Zohar, como todos os outros livros de Cabalá, fala sobre a conexão entre nós e a conexão entre nós e o Criador. Portanto, se o texto que eu ouço ao ler O Zohar me separa do grupo e do Criador, se a história não corresponde ao que penso sobre a minha conexão com o Criador, eu ainda não estou no texto, no entanto, eu estou absorvido nele.

Primeiro, antes de ler um texto, eu tenho que pensar no lugar que precisamos corrigir, na conexão entre nós num todo, e onde o Criador, a força geral de doação, a Luz, vai ser revelada em nós. Isso é exatamente o que lemos. Cada livro de Cabalá que eu abrir, seja Salmos, ou Shulchan Aruch, o Talmude Babilônico, a Torah, a Bíblia, o Zohar, ou TES, todos eles falam a mesma coisa: sobre como nos conectamos de todas as formas possíveis e como de acordo com o que o Criador isso é revelado.

Portanto, eu sempre leio sobre a ação que realizo e anseio que todos se tornem um todo: o texto que eu ouço e vejo diante de mim, e como eu imagino que é expresso no ambiente, na minha relação com os amigos e com o Criador. Eu anseio que eles sejam vestidos um em cima do outro. Então, quanto mais eu sinto a disparidade entre eles e quanto mais tento conectá-los, mais eu atraio a Luz que Reforma, que é uma oração, MAN.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/03/13, O Zohar

Retirada Não É Uma Opção

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“: Este ambiente irá ajudá-lo a obter a grandeza do seu Rav através do amor dos amigos que apreciam o Rav.

Pergunta: Como é que o amor dos amigos ajuda a atingir a grandeza do Rav?

Resposta: O termo “Rav” inclui o Criador, e em geral tudo que ajuda a pessoa a se elevar ao próximo nível. Os amigos não são aqueles que ajudam a pessoa a subir ao próximo nível, mas em reconhecer a grandeza desse nível. A pessoa não se vê no próximo nível, mas com a ajuda do grupo e graças à influência dos amigos, ela começa a imaginar a grandeza do próximo nível.

Nós usamos o “combustível” do grupo, embora ninguém tenha ainda atingido o nível mais alto. O espírito geral e a atmosfera geral são suficientes, porque esta é a nossa natureza: a pessoa aprecia os valores do seu ambiente e os considera importante. É de acordo com este princípio que nós crescemos.

Pergunta: Portanto, por que eu devo amar os amigos? Não basta simplesmente apreciá-los?

Resposta: O amor dos amigos já é a satisfação. O primeiro passo que eu devo dar é aceitar o caminho e a meta, concordar em aceitar o sistema e a ideia da força superior a qual conectamos e aceitamos. Então, como eu posso elevar esses valores acima de mim mesmo? Através do apoio do ambiente que vai me ajudar a sentir a grandeza da meta.

O “ambiente” são os livros de Cabalá, os amigos e o professor. Juntos, eles me levarão ao Criador. Isto significa que todos esses fatores devem ser constantemente importantes para mim, estar acima da minha autoimportância. Só então eu serei capaz de avançar.

Comentário: Ainda assim, na vida comum, o ambiente nos influencia até mesmo se não pensarmos positivamente nele.

Resposta: É verdade, quer gostemos ou não, o ambiente nos influencia usando o nosso ego, nosso desejo de receber que está sempre pronto para desfrutar. É simplesmente mostrado diferentes tipos de prazer; eles os percebem como isca e os engole.

Por outro lado, eu não sou atraído para as metas que o grupo apresenta. Pelo contrário, por causa delas eu tenho que desistir de coisas e aspirar receber prazer da doação, a qual eu realmente não entendo. Eu não a entendo a tal ponto que até sinto repulsa por ela. O caminho todo é feito de concessões, de autoanulação, de anulação perante o grupo, embora nada em mim seja atraído a algo assim.

Acontece que eu não gosto do grupo e da mensagem do professor sobre o Criador. Deve haver trabalho mútuo por parte do indivíduo e por parte do grupo. Os amigos têm que trabalhar juntos para que todos sintam que essas coisas são obrigatórias e desejáveis​​, de modo que cada um veja como elas são essenciais e importantes, e que o entusiasmo geral inunde a sua consciência e a sua alma.

Se não criarmos uma espécie de “lavagem cerebral” aqui, nós simplesmente não seremos capazes de avançar. Impressões externas não vão nos ajudar aqui, nem boas palavras ou ações amigas. Internamente, a pessoa ainda rejeitará a ideia de doação se ela não for reforçada pela atitude séria do grupo, onde todos estão prontos para investir nela e estimular um ao outro.

As pessoas que se agarram a sua exterioridade, girarm em torno da meta, do sistema, por décadas. Algumas se tornam Hassidim, algumas se envolvem no estudo árido, e outras lidam com a disseminação, mas não implantam o método de forma correta e eficiente.

Tudo isso é porque o ambiente não é forte o suficiente para varrer uma pessoa em direção à meta. Afinal, com isso nós lutamos contra a nossa natureza, o nosso desejo de receber, que temos que neutralizar e até mesmo atrair para a doação. Isto é extremamente difícil, mas esta é a chave. Se tivermos sucesso, vamos avançar em direção à dimensão superior, e se não, como se diz “vamos nos aposentar”. …

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/02/13, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“