Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Como Merecer Receber A Torá

947O grupo deve garantir que os pensamentos da pessoa estejam constantemente conectados a ele. Não há meio-termo aqui — 24 horas por dia.

Como isso pode ser verificado? Observando se você sai com a sensação de estar integrado ao grupo, de que os amigos estão ao seu redor, de que todos juntos estão direcionados para um objetivo comum. Se essa sensação não estiver constantemente presente em você, o grupo não se estruturou corretamente para a espiritualidade.

Somente depois de nos programarmos para nos sentirmos parte do grupo e sob ataque 24 horas por dia, e isso se tornar rotina e hábito, começaremos a experimentar uma vida diferente, uma vida espiritual. Isso se chama se tornar uma nação, não indivíduos, uma nação que exige a Torá. Então merecemos recebê-la.

Da Lição Diária de Cabalá 08/02/26, Rabash, “E Houve Tarde e Houve Manhã?”

Uma Mudança Nas Definições Internas

530Pergunta: Como alguém pode se valer da ajuda do grupo ou do Criador para iniciar o trabalho espiritual o mais rápido possível?

Resposta: O fato é que uma pessoa sozinha, sem um grupo, é praticamente incapaz de chegar a uma definição de seu estado como escuridão e mal.

Sem fatores externos como o ambiente e o grupo, ninguém jamais poderá saber quais estados são mais avançados, mais corretos — aqueles que realmente o impulsionam em direção ao espiritual — e quais são meramente aqueles que lhe parecem assim e que lhe são apresentados dessa forma.

Portanto, se uma pessoa estiver disposta, com a ajuda do grupo, a definir seus parâmetros de forma mais correta, independente de seus sentimentos pessoais e dependente apenas da definição de verdade e falsidade, e não de uma dicotomia doce e amargo; se estiver disposta a suportar isso, apesar de ser amargo para ela determinar que essa é a verdade e, portanto, preferível (e somente o grupo, os livros e o professor podem esclarecer isso), sua escuridão se transforma em luz.

A definição que uma pessoa tem do que é chamado de escuridão e luz muda. Não se trata de uma mudança em seu estado, na realidade circundante ou na atitude do Criador em relação a ela. O que mudou foi sua definição interior, e isso é chamado de correção do próprio vaso. Ou seja, agora a pessoa examina suas sensações por meio de um vaso diferente, chamado o vaso da fé acima da razão.

Da Lição Diária de Cabalá 08/02/26, Rabash, “E Houve Tarde e Houve Manhã?”

Como Devo Me Relacionar Com O Grupo?

528.04Pergunta: Como posso exigir algo de uma reunião em grupo se eu mesmo não consigo dar isso aos meus amigos?

Resposta: Como posso exigir algo dos meus amigos se eu mesmo não sou muito bom nisso? Se eu fosse bom nisso, não exigiria nada deles; tudo estaria bem.

Afinal, entrei para o grupo porque me sinto fraco e incapaz de progredir sozinho, e ouvi dizer que isso é possível em grupo. Portanto, espero que o que me falta para alcançar meu objetivo seja encontrado neles. Preciso de outros instrumentos para revelar o Criador, e esses instrumentos estão dentro deles!

Isso significa que devo receber todas as impressões, todos os desejos e todos os pensamentos deles, e só posso adquiri-los se me aproximar com a intenção de doar. Se me relacionar com eles com a intenção de receber, receberei deles seus desejos egoístas; não preciso deles.

Na medida em que os trato com disposição para dar, nessa mesma medida absorverei deles ideias sobre as formas de dar. Caso contrário, um gosta de cigarros, outro de Coca-Cola, outro de bingo, e eu serei atraído por cada um de seus desejos. Eles me arrastarão para o futebol, etc.; eles me ensinarão a apreciar a vida corpórea.

Mas se eu me junto a um grupo para aprender com eles as formas de doação, eu absorvo deles a aspiração e a ascensão ao Criador. Portanto, há espaço para o trabalho do indivíduo: como ele se relaciona com o grupo e o que deseja dele.

O próprio grupo deve obrigar a pessoa a se relacionar com ele corretamente. Se alguém se aproxima de forma egoísta, o grupo deve resistir a essa abordagem. Deve direcionar a pessoa para o que lhe é benéfico, para uma atitude de generosidade para com o grupo. “Se você quer doar, seja bem-vindo. Se você quer receber, não tem lugar aqui.

Por quê? O que um grupo pode oferecer a alguém que veio para receber algo? Essa pessoa apenas aumentará seu desejo de receber, desejará dominar o grupo e manipulá-lo segundo seus próprios desejos. Portanto, o grupo deve nos ajudar a nos relacionarmos com ele adequadamente.

Da Lição Diária de Cabalá 08/02/26, Rabash, “E Houve Tarde e Houve Manhã”

Introduza O Criador Na Imagem Do Mundo

239Quando a pessoa sai de um estado de esgotamento e segue em frente? Isso acontece quando ela sente toda a amargura da separação do Criador em seu estado atual. Isso dá origem ao próximo estado.

Todos os nossos estados são os degraus que percorremos desde o alto até este mundo, e dentro dele até o nível mais baixo. Agora, estamos iniciando a jornada de retorno, percorrendo os mesmos degraus, com a única diferença sendo como e em que ritmo os percorremos. Esta, em essência, é a nossa escolha.

Tudo já está traçado em minha alma, todos os passos, toda a minha jornada de volta. A única coisa que não está predeterminada é a minha atitude em relação ao caminho, ou seja, como o construirei: por livre-arbítrio ou por compulsão, pelo caminho da luz ou pelo caminho do sofrimento. Isso não significa que existam dois caminhos para o superior, pois o caminho é a minha atitude em relação à ascensão.

Portanto, a cada passo, assim que percebo o quanto estou distante do Criador, o quanto estou oposto a Ele, e quero corrigir isso, a etapa foi ultrapassada. Então, eu subo ao próximo nível para experimentar uma amargura ainda maior por estar distante do Criador e em oposição a Ele. Imagine quanta força espiritual é necessária para suportar esse sentimento constante de falta!

Mas se eu compreendo o objetivo e recebo o apoio de um grupo que me ajuda a manter sempre em mente a grandeza desse objetivo, todo esse sofrimento se torna doce porque vejo o Criador nele. Ao introduzir o Criador na minha visão de mundo, eu a “adoço” e a transformo completamente.

É como quando não conseguimos comer sem sal. Precisamos de uma espécie de “toque” interno, uma certa intensidade, em cada sabor que experimentamos; caso contrário, não sentiremos nada. Não distinguimos entre bom e ruim, apenas um em relação ao outro.

Se estou com muita fome, sinto o sabor precisamente na fronteira entre a carência (fome) e o prazer (comida) quando dou a primeira mordida. É assim que todo o nosso sistema sensorial funciona. Portanto, preciso de força a cada vez para revelar a carência na fronteira com o prazer, e essa sensação é sempre aguda e desagradável, de modo que somente o ambiente pode ajudar aqui.

Da Lição Diária de Cabalá 09/02/26, Rabash, “O Que Significa que, Antes da Queda do Ministro Egípcio, Seu Clamor Não foi Atendido, na Obra?”

O Grupo É A Reunião De Todas As Nossas Esperanças

939.01Pergunta: Se eu não estou conseguindo progredir no grupo, qual é o problema?

Resposta: Se você não está recebendo do grupo o que acha que deveria receber, uma das seguintes situações pode estar acontecendo: ou o grupo não está lhe dando atenção suficiente, ou, de modo geral, está desatento ao seu dever de despertar constantemente cada membro.

Talvez os membros do grupo não estejam dedicando energia e esforço suficientes ao pensamento comum, ao desejo compartilhado; talvez não estejam suficientemente atentos ao fato de que uma chama interior deve realmente arder entre os amigos, algo que precisa ser sentido no ar, não apenas em palavras, mensagens de texto ou outras coisas externas.

Deve ser o mais interno possível, mas de tal forma que ninguém consiga descansar e todos sejam forçados a mergulhar no turbilhão. Em outras palavras, o indivíduo é culpado por não despertar o grupo, e o grupo inteiro também tem culpa, já que inclui a todos. Afinal, o grupo é uma coleção de todos os nossos desejos, todas as nossas esperanças.

Pergunta: Por onde começar a corrigir uma situação dessas?

Resposta: Reunindo-nos e decidindo o que queremos. Assim que sentirmos que estamos perdendo o rumo, cada um imediatamente começa a “despertar” o grupo para que não desçamos do nível que estabelecemos. O mesmo se aplica às ações externas.

Embora as ações externas sejam apenas um meio para a conexão interna e a chama interior, me inspira a disposição de cada um em se esforçar dentro do grupo para avançar com ele.

Da Lição Diária de Cabala 08/02/26, Rabash, “E Houve Tarde e Houve Manhã”

Exija Do Criador

239Se você deseja alcançar um estado corrigido, de acordo com o plano do Criador, conforme Ele o faria, e não se importa com a forma como isso acontecerá com você, contanto que seja semelhante à maneira Dele, você deve exigir Dele um exemplo e instruções, e Ele os dará a você.

Mas isso está sob a condição de que você não exija nenhuma remuneração antes mesmo de começar o trabalho. Você deve exigir conhecimento: como trabalhar.

Essa exigência de correção é chamada de elevar MAN. Então, de cima, recebemos um plano de como executar até mesmo a menor ação. Claro, uma pessoa sozinha não consegue encontrá-lo. Por si só, ela só pode organizar seu ambiente para que este lhe forneça a solicitação correta, que visa apenas à correção. Se isso funcionar, tudo ficará bem.

Por meio do ambiente, organizamos uma demanda ao Criador para que Ele nos dê um exemplo. Por nós mesmos somos inaptos, confusos, incapazes de resistir à nossa natureza e de cumprir a regra “Ame o seu próximo como a si mesmo”, mas se pedirmos, recebemos essa oportunidade. Esta é a única ação livre, e praticá-la é nosso dever.

Só para isso temos recompensa e punição. Ou a força nos chega no momento certo, no lugar certo, e a pessoa cresce na direção certa. Ou ela comete erros, e as forças não são distribuídas da maneira correta para dar frutos, e a pessoa perde a oportunidade.

O erro é que ela não se prepara para fazer o pedido correto, de modo que o Criador lhe dê um programa de correção. Normalmente, a pessoa pede por realização, não por correção. Ela deve pedir ao Criador por correção para poder alcançar o amor ao próximo, isto é, adquirir a qualidade de doação.

Da Lição Diária de Cabalá 02/02/26, Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo—1”

A Dezena Como Um Cubo De Rubik

938.03“Na multidão reside a glória do Rei”, conclui-se que quanto maior o número de pessoas no coletivo, mais eficaz é o seu poder. Em outras palavras, o coletivo produz uma atmosfera mais forte de grandeza e importância do Criador. Nesse momento, cada pessoa sente que considera tudo o que deseja fazer pela santidade, ou seja, doar ao Criador, como uma grande fortuna (Rabash, “A Agenda da Assembleia – 2”).

Tudo depende de quanto nós, no grupo, expressamos a importância do nosso objetivo, a importância de revelar o Criador e a importância de criar as condições para a Sua revelação. O principal é não esquecer isso e despertar constantemente em nós mesmos o fato de que o Criador é a luz que preenche tudo e que Ele se revela apenas na medida da nossa equivalência com Ele. Se atingirmos sequer 1% de semelhança, nessa mesma medida O revelaremos. E se houver 2% de semelhança, é essa a medida em que O revelaremos.

Portanto, por um lado, cada pessoa deve sentir que existe na dezena como um décimo dela. Por outro lado, deve sentir que é a Malchut dessa dezena e é responsável pelo desejo de toda a dezena.
Gradualmente, estudaremos todos os nossos papéis nessas dez partes, cada uma das quais moldará a alma comum, ou seja, desenvolverá qualidades adicionais dentro dela, e começaremos a sentir mais o Criador.

O quanto um embrião, ou mesmo uma criança pequena, sente o mundo? Falta-lhe os sentidos, as qualidades, para isso. Da mesma forma, devemos adquirir gradualmente a qualidade de cada Sefira e, assim, sentir o Criador cada vez mais intensamente. Ou seja, cada um de nós deve se posicionar como cada Sefira.

Assim, em diferentes combinações, em diferentes configurações, nos reuniremos e “giraremos” o Criador: em um estado, em outro, em um terceiro, como um Cubo de Rubik. Dessa forma, nos voltaremos uns em relação aos outros e revelaremos o Criador em transformações cada vez maiores.

Ao que parece, o que é uma dezena? Na verdade, revela-se uma infinita possibilidade de combinações de todas as qualidades e desejos, tanto do coração quanto da mente.

Da Convenção Internacional de Cabalá da Moldávia, 09/05/19, Lição 0

A Ciência Da Cabalá: Um Caminho Para A Harmonia Suprema

939.02Nós nos reunimos aqui para estabelecer uma sociedade para todos aqueles que desejam seguir o caminho e o método de Baal HaSulam [que nos descreveu todo este caminho], o caminho pelo qual subir os graus do homem e não permanecer como uma besta (Rabash, “Propósito da Sociedade – 1”).

Em nosso mundo, existem níveis da natureza (inanimado, vegetativo, animado e humano). Se quisermos transcender o nível humano, devemos nos unir uns aos outros.

Se, acima de todos os obstáculos, rejeições, ódio e falta de vontade de se unir, conseguirmos alcançar a conexão entre nós, não precisaremos de mais nada. A ciência da Cabalá não nos ensina nenhuma ação além da união mútua.

Se em qualquer grupo, em qualquer lugar do mundo, as pessoas forem capazes de superar a rejeição mútua e se conectar umas com as outras, elas revelarão o Criador, a força superior, o mundo superior, sua imagem eterna, chamada de “alma”, porque criarão a condição para a revelação da força superior na conexão entre elas.

Portanto, a ciência da Cabalá é universal; não possui limitações, exceto uma: acima do seu egoísmo, conecte-se com pessoas como você, que desejam se unir para revelar o Criador. Não há outras condições além dessa.

Baal HaSulam acrescenta: não adianta esperar que chegue o tempo em que possamos alcançar o objetivo do nosso desenvolvimento de outra forma. Sem dúvida, só o alcançamos através da conexão entre nós. Então veremos que a força superior está impulsionando a todos em direção à conexão: os níveis inanimado, vegetal, animado e humano.

Observamos como todos estão se conectando cada vez mais, quer queiram ou não, sob a pressão de todos os tipos de problemas e sofrimentos. O mundo está se tornando cada vez mais interconectado, e a tecnologia e os meios de comunicação estão se desenvolvendo nessa direção. É assim que a força superior, a única que opera no universo, impulsiona o mundo inteiro rumo à unidade por meio de grandes pressões e sofrimentos.

No entanto, um novo caminho, diferente, se abriu para nós: podemos avançar rumo à unificação por conta própria, acelerar esse processo e trabalhar com outros “eus” como em um laboratório, conectando-nos cada vez mais e observando o que conquistamos nesse processo.

Portanto, seguindo o conselho dos Cabalistas, nos unimos em dezenas, em pequenos grupos, para que seja mais conveniente e fácil para nós e para que possamos nos conectar de forma mais flexível e gerenciável, e ver como revelamos a força superior em uma forma ou outra de conexão. De acordo com o tipo de nossa unidade, nós a revelamos, pois nosso vaso determina a revelação da luz nele contida.

Portanto, não precisamos avançar contra a nossa vontade rumo ao objetivo final, onde todas as partes da natureza se unirão em uma forma integral e global, como um único todo. Podemos realizar essa obra não sob a pressão do sofrimento, mas com compreensão, consciência e autocontrole; podemos escolher o ritmo do nosso progresso, observar como estamos avançando e também atrair toda a humanidade para nos seguir.

Afinal, se os trouxermos conosco, puxando-os atrás de nós, nos tornaremos mais fortes, e a força superior se revelará com maior poder, porque não serão mais milhares de pessoas que se unirão, como em nosso grupo mundial, mas milhões ou até mais.

Assim, revelamos o poder da força superior em toda a sua profundidade, em todo o seu alcance, em todos os seus sistemas; compreendemos como ela reina sobre tudo e governa tudo, como todo esse sistema opera. Isso é chamado de revelação da Shechinah.

Não há maior prazer do que contemplar essa harmonia, como todas as partes da criação — diferentes, dispersas, odiando-se umas às outras, distantes umas das outras — se conectam e, entre elas, não apenas se revela uma conexão, mas o amor mútuo. Isso nos preenche e nos dá a sensação da vida eterna.

Da Convenção Internacional de Cabalá, 17/07/15, Guadalajara, Lição 1

O Temor Que Determina O Poder Da Alma

539Pergunta: O que significa o temor diante do Criador? Como alguém pode se sintonizar com essa sensação?

Resposta: Diz-se no Livro do Zohar que o temor perante o Criador consiste em três partes. Se avançarmos seriamente, começaremos a sentir o nosso egoísmo, como ele nos guia e nos impulsiona em direção a certas conquistas e realizações. Ele nos força a nos preocuparmos constantemente: Será que esta vida será melhor para nós? Nos tornaremos mais inteligentes, mais fortes, mais sábios, mais compreensivos, mais avançados? Receberemos algo neste mundo ou no mundo vindouro?

Gradualmente, começamos a perceber que o mundo espiritual não está além dos limites da morte, e que a morte do nosso corpo não tem influência alguma sobre nada. A morte espiritual significa que simplesmente permanecemos em nosso Reshimo. E tudo o que nos acontece depende apenas de quanto reconhecemos nossos Reshimot e criamos um Partzuf espiritual a partir deles, isto é, uma parte corrigida de nossa alma, e tentamos desenvolvê-la até um nível completo onde a alma inclui o resto da criação: as partes inanimada, vegetativa, animada e humana da alma.

Portanto, o temor revela aquilo que eu temo. É uma função protetora natural do egoísmo, que treme constantemente: serei capaz de receber ou não, agora ou depois, tenho certeza disso ou não, perdi o que conquistei, ganhei mais hoje do que ontem, e assim por diante? O estado de temor é o mais essencial no egoísmo: ele treme constantemente para não lhe faltar satisfação. Essa é a sua propriedade fundamental.

Nossa tarefa é transformar o temor material em temor espiritual: Serei capaz de doar? Chegarei a um estado em que penso menos em mim e mais no Kli (vaso) externo? Incluo-me nesse processo, desperto para a qualidade da doação? Transponho a barreira psicológica que me separa de estar fora de mim, onde minha alma realmente reside? Dentro de mim existe apenas o meu egoísmo, e minha alma está fora de mim. Devo impor um Tzimtzum (restrição) ao meu egoísmo, proibi-lo e desenvolver minha atitude em relação aos outros. Consigo fazer isso?

É precisamente aqui que surge um novo temor: Serei capaz de doar, serei capaz de me libertar do meu egoísmo, serei capaz de criar o Rosh (cabeça) do Partzuf? Suponhamos que temos um desejo sobre o qual construímos uma tela (Masach) e trabalhamos com a luz acima dela.

O que criamos acima é chamado de Rosh (cabeça), e abaixo está o Guf (corpo).

Nós nos esforçamos para reduzir o temor e a ansiedade que sentimos em relação ao nosso desejo. É sobre isso que aplicamos a primeira restrição, Tzimtzum Aleph (TA), e então construímos uma barreira e trabalhamos acima dela.

Como se sabe, o ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão; portanto, na medida em que percebemos corretamente a luz vinda de cima, nessa mesma medida podemos trabalhar com ela.

Ao transferir o temor da “preocupação comigo mesmo” para o temor como “preocupação com os outros”, eu me incluo em seus desejos, o que se chama “amar o próximo”. Assim, construo o Rosh do Partzuf, e este se torna o elo entre mim e os outros. No Rosh, defino minha alma, que é construída acima do corpo, acima da tela. Nela, posso incluir o mundo inteiro e o Criador. É assim que funciona.

Portanto, como estudamos na “Introdução ao Livro do Zohar”, a preocupação pode ser interna e externa.

A preocupação consigo mesmo geralmente se transforma em ansiedade sobre o que me acontecerá neste mundo e no mundo vindouro. Essa preocupação é absolutamente incorreta, porque não existe “este mundo” nem “o mundo vindouro” — tal conceito simplesmente não existe.

Existe um mundo, um estado espiritual, no qual posso entrar ainda hoje. Chama-se Olam Haba, isto é, o mundo vindouro, o mundo que está por vir. No minuto seguinte, meu próximo estado, chama-se “mundo futuro”.

Portanto, devemos nos preocupar com os outros, incluindo o Criador, que se manifesta além da tela. É essa preocupação que determina o poder da alma.

Da Lição Diária de Cabalá de 20/10/13, sobre o tema “Grupo e Disseminação”

Justificar Um Amigo

235Pergunta: Como uma pessoa pode olhar para os outros e vê-los como imperfeitos, perceber seu desejo de receber de forma não corrigida, mas não enxergar isso em si mesma?

Resposta: Como é possível que uma pessoa olhe para os outros e veja que todos eles desejam receber, mas ela não?

Rabash dá um exemplo muito simples: eu tenho um filho e o vizinho tem um filho. Meu filho é fofo, adorável, inteligente e bem-comportado. Eu olho para ele e vejo um homenzinho. Mas quando olho para o filho do vizinho, ele parece sujo, ignorante, negligenciado, malcriado e barulhento. Por quê? Tudo está na atitude.

Meu filho é diferente do filho do vizinho? Ambos são crianças, não há diferença, mas no meu filho eu vejo a metade boa e no do vizinho a metade má. Ou seja, você e seus amigos são iguais. A diferença é que eu consigo me justificar, eu sei por que sou assim. Mas por que o amigo é assim? Essa é a diferença.

Mais tarde, você descobrirá algo diferente, verá coisas negativas em si mesmo e coisas positivas em seu amigo, e começará a invejá-lo. Essa será uma inveja boa. No início, é má, e depois talvez boa, quando você quiser estar mais perto dele para aprender com ele e se fortalecer com a ajuda dele. Você lhe dará algo, e ele retribuirá.

Da Lição Diária de Cabalá 20/01/26, Rabash “O que são Torá e Trabalho no Caminho do Criador?”