Textos na Categoria 'Oração e Intenção'

Filhos Do Sol

232.05Diz-se: “Eu criei a inclinação ao mal e criei os meios para a sua correção, nos quais se esconde a luz que retorna à fonte”.  Disso se depreende claramente que nada se consegue por conta própria, mas apenas por meio de um pedido, por meio da oração.

O esforço para avançar na direção da intenção de doar, para o benefício dos outros, mesmo que não seja sincero e seja completamente contrário aos desejos que atualmente nos dominam, é chamado de oração, ou a elevação de MAN.

Nós recebemos uma pequena centelha de espiritualidade e, para romper a barreira do mundo espiritual e entrar na segunda parte da realidade, só nos falta o desejo. Portanto, todas as nossas orações têm um único propósito: adquirir o desejo.

Mas existem estados em que uma pessoa não deseja absolutamente nada. É preciso compreender que esse estado também nos é dado por uma força superior e não é meramente fruto da nossa preguiça ou indiferença. Uma pessoa é uma espécie de “caixa-preta” despertada por sinais vindos do alto. A luz que incide sobre a nossa matéria, sobre o desejo de estar em sintonia, desperta-a mais ou menos, ou a deixa completamente indiferente.

Dependendo disso, despertamos e nos abrimos, como uma flor em direção à luz do sol ou à chuva, ou murchamos e caímos, sem receber forças vitais. Portanto, se não há força ou desejo para o trabalho espiritual, é preciso compreender que, assim como em algum momento você recebeu inspiração divina e se lançou à frente, ardendo em zelo e trabalhando, o desejo também lhe é retirado do alto.

Este estado é dado intencionalmente e medido com precisão de acordo com as qualidades e a preparação individuais de cada pessoa, a fim de criar um espaço de oração para você. E você deve tentar, com a ajuda do grupo, dos livros, do professor e do ambiente, mobilizar toda a sua força para um pedido.

A oração nasce da impotência, da falta de desejo ou, ao contrário, de um intenso anseio; não importa como, todas essas são condições dadas pelo alto. Da mesma forma, o nosso ambiente é preparado pelo alto: um grupo, um professor, livros. E nós, através do estudo conjunto e do grupo, devemos encontrar a luz que nos reconduzirá à fonte.

Quando estudamos juntos, este é o momento ideal para a oração. Pois estamos em conexão com o sistema superior, com Malchut e Zeir Anpin do mundo de Atzilut, isto é, com o Criador e Sua Shechina. Nos tornamos parte deles, não cada um individualmente, mas todos juntos, e assim damos origem a uma oração coletiva. Através disso, exigimos e atraímos para nós o poder da mudança.

Da Lição Diária de Cabalá 06/03/11, Rabash “O Que Significa que a Caridade para com os Pobres Forma o Santo Nome, na Obra?”

Oração Adequada

Uma oração adequada deve consistir em duas part947es:

1.1. Gratidão – louvar o Criador por nos trazer para o grupo, nos unir, nos formar em um único todo, por responder aos nossos pedidos e caprichos um pouco bobos e não bobos. Caso contrário, a quem nos dirigimos?

2.2. Um pedido urgente um para o outro, não para si mesmo. Afinal, se todos nos unirmos corretamente, esse pedido um para o outro não faz mais sentido, porque imediatamente se transforma em um pedido para o Criador, ou seja, desejamos nos voltar a Ele.

Uma condição obrigatória deve ser o entendimento de que somente o Criador pode responder ao nosso pedido. Ele é o Único que existe, o Único que responde e age em todo o sistema da criação.

Além disso, devemos sofrer com o fato de que temos um grande desejo, mas ainda não recebemos uma resposta para isso. E mais tarde, quando recebo uma resposta ao meu pedido, sinto alegria, prazer e realização. A diferença entre a magnitude do sofrimento durante a oração (não o sofrimento animal, não para si mesmo, mas para o benefício dos seres criados e do Criador) e meu prazer em receber a resposta constitui a quantidade e a qualidade da alegria que me preenche, ou seja, o grupo.

Portanto, quanto mais esforço investirmos na moldagem adequada do desejo pela luz, mais perto chegaremos a ela e mais rápido passaremos o caminho de formar o desejo correto ao qual a luz responderá entrando nele. Assim, nos será concedida a revelação do Criador.

E não importa quão lindamente esse desejo seja formulado ou se ele esteja revestido de palavras elevadas. Só uma coisa importa – a sinceridade do coração no pedido para os amigos, para o grupo, para o mundo, para o Criador. Então meu desejo se tornará verdadeiramente um desejo de doar, ao qual a luz responderá instantaneamente de acordo com a lei da equivalência de forma.

Do Congresso Internacional de Cabalá, Moscou, 02/05/16, Lição 3

Atravesse As Barreiras E Entre No Antimundo

424.01Nosso mundo opera segundo o desejo de receber prazer; isto é, cada parte da criação instintivamente faz um cálculo interno sobre o que é mais benéfico para ela, de acordo com sua compreensão, constituição interna, qualidades inatas, educação e influência do ambiente. Somos incapazes de agir de outra forma.

Nem sequer nos damos conta do quanto estamos presos a esse cálculo egoísta a cada instante. E mesmo quando praticamos algum ato de misericórdia, é apenas para obter algo em troca; caso contrário, não teríamos motivação para agir dessa forma. É assim que toda a natureza funciona, da menor partícula atômica ao ser humano mais instruído e desenvolvido.

Mas há outra intenção: a de doar, não para benefício próprio, mas para benefício do outro. Este é o antimundo, a antimatéria, o completo oposto de tudo o que existe neste mundo.

Não pode haver ali sequer um pensamento sobre si mesmo; tal pensamento sofreu restrição (Tzimtzum) e foi eliminado. Tudo é governado e movido unicamente pela preocupação com o bem do outro.

Então, como podemos abordar tal visão e tais cálculos? Naturalmente, isso não está ao nosso alcance, pois tal força não existe em nosso mundo. Devemos atraí-la para nós daquela outra realidade oposta que existe além da fronteira do mundo espiritual, chamada Machsom.

Mas como é possível que essa força nos alcance, se tudo opera segundo a lei da equivalência da forma, e semelhante se conecta com semelhante? No entanto, existe uma força especial chamada “a luz que retorna à fonte”, a “luz que reforma” ou “luz circundante”, que pode brilhar sobre nós na medida em que ansiamos estar nesse mundo oposto.

Ela nos ajuda mesmo que nosso anseio seja falso, mesmo que não entendamos esse mundo ou o sintamos, contanto que tenhamos ao menos alguma relação com ele, um único ponto de contato, o “ponto no coração”, uma centelha do mundo espiritual.

Se trabalharmos nessa centelha, então, na medida de nossos esforços, a força espiritual brilhará sobre nós e transformará esses esforços em “carne espiritual” ao redor desse ponto, que começa a crescer. Até se tornar um vaso espiritual completo através do qual você rompe com esse próprio antimundo, e se encontra na “realidade oposta”.

O pedido pela força que traz mudanças — pela luz que retorna à fonte, que corrige nossas intenções egoístas para doar ao outro — é chamado de oração. E na medida de nosso anseio, nossa demanda, nossa persistência, essa força maravilhosa age sobre nós e realiza mudanças dentro de nós.

Da Lição Diária de Cabalá 06/03/11, Rabash, “O Que Significa que a Caridade para com os Pobres Forma o Santo Nome, na Obra?”

Que Oração O Criador Responderá?

942O desejo de espiritualidade que nos é dado inicialmente é o ponto no coração da pessoa. Portanto, a pessoa em quem esse desejo desperta precisa começar a trabalhar com ele e moldá-lo para que se torne semelhante ao desejo pela luz.

A luz desce até nós através de 125 graus dos mundos: 5 mundos com 5 Partzufim (grandes degraus), cada um dos quais possui 5 Sefirot, num total de 125.

Em nosso mundo, nós a recebemos na forma de uma luz muito pequena, Nefesh. “Nefesh” vem da palavra “Nefesha”, que significa inativa, existindo passivamente, vivificando no nível mais mínimo e nada mais.

Antes de começarmos a trabalhar em nós mesmos, a revelar nosso desejo, a moldá-lo (como, digamos, fazemos doces com massa) e dar ao desejo uma forma e direção específicas, é necessário compreender o que devemos almejar. Diz-se: “Faça com que seu desejo se assemelhe ao desejo do grau superior (o Criador), para que ele possa refazê-lo à sua semelhança”.

O problema é que não sabemos como alcançar isso. Para esse propósito, nos foi dado o nosso mundo, no qual podemos nos moldar corretamente com a ajuda do trabalho com nossos amigos em oração unida, em um desejo mútuo, unido e bem sintonizado.

Ao nos esforçarmos para nos unirmos, falamos sobre nos aproximarmos, buscarmos o equilíbrio mútuo, a realização mútua e o apoio mútuo, a fim de nos unirmos em torno de um desejo comum, uma intenção comum, um objetivo comum.

Dessa forma, formamos um único desejo correto a partir de todos, que corresponde plenamente às aspirações de cada um de nós e que é aceito por todos no grau em que estamos. Só então ele receberá uma resposta divina.

E se o Criador não atender às nossas orações, isto é, se a luz superior não começar a ser sentida em nosso desejo, isso significa que ainda não há união. A luz reage somente ao desejo comum e ao pedido de dez pessoas unidas. Então, o desejo delas não se dirige a si mesmas, mas à doação mútua, a todos juntos, e de todos juntos ao Criador.

Tal desejo é imediatamente seguido por uma resposta da luz superior, que é imediatamente sentida no grupo que começa a descobrir por si mesmo a oração correta.

Da 3ª Lição do Congresso de Cabalá de Moscou, 02/05/16

Desejo Apaixonado

232.031Pergunta: Você nos aconselha a pedir ao Criador que nos corrija e nos complete. Como devemos pedir essa plenitude da maneira correta?

Resposta: Seu coração deve desejar a qualidade da doação e da conexão com o Criador, e sua mente deve compreender esse estado e se unir a Ele para que esse estado entre em seu coração como um anseio apaixonado: “Esta é a única coisa que eu quero”.

Pergunta: Mas aprendemos que não devemos pedir por nós mesmos. Aqui parece haver um viés de egoísmo. Como devemos lidar com isso da maneira correta?

Resposta: Você só pode processá-lo corretamente se pensar nele a partir de um estado de amor.

Da Lição Diária de Cabalá de 20/12/25, “Chanucá”

Um Passo À Frente

79.01Pergunta: Como uma pessoa percebe que seus vasos de doação não estão corrigidos? De que forma isso se expressa?

Resposta: Isso se expressa no fato de uma pessoa pedir ao Criador por correção. E o Criador entende que essa é a Sua parte na correção de toda a criação e, portanto, a corrige.

Então a pessoa já ascende a um degrau superior. É assim que acontece.

Da Lição Diária de Cabalá de 20/12/25, “Chanucá”

O Início Do Desejo Pela Espiritualidade

239Pergunta: Se concordo plenamente com o Criador, onde posso encontrar uma demanda pela luz que retorna à fonte? Afinal, concordo até mesmo com o fato de não ter essa demanda.

Resposta: Isso mesmo. Este é precisamente o início do desejo que devemos alcançar.

Comece a desenvolvê-lo a partir deste ponto. Ou seja, quero estar conectado com os amigos, com o Criador, com todos os nossos estados, e conectado de tal forma que me sinta desapegado de todos os outros desejos e objetivos.

Então poderemos erguer nossos olhos para Ele e clamar: “Salva-nos!”

Afinal, o mais importante a que devemos chegar não é receber o que estiver ali, em alguma prateleira, mas sim perceber que tudo isso está no poder do Criador.

A qualidade da doação, a qualidade do amor, a qualidade da conexão estão em Seu poder, e somos obrigados a implorar que Ele nos ajude. Isso é precisamente o que constitui a revelação do Criador a uma pessoa.

Da Lição Diária de Cabalá, 20/12/25, “Chanucá”

A Principal Lei Do Mundo

294.2Pergunta: Constantemente matamos os outros com palavras. E os mais espertos matam aos poucos, não de imediato. Para não se tornarem inimigos, matam gradualmente, espalhando boatos que se alastram entre os outros. É da nossa natureza menosprezar o outro.

Por que não me incomoda humilhar lentamente outra pessoa, tirá-la do meu caminho e matá-la?

Resposta: Acredito que a outra pessoa não me deixa viver, que ela é minha inimiga, que me vê como um obstáculo e, por isso, precisa me destruir.

Pergunta: Por que nos foi dada uma natureza que nos permite viver dessa maneira?

Resposta: Tudo isso pela mesma razão, para que corrijamos nosso egoísmo, para que possamos nos convencer de que “amar o próximo como a si mesmo” é a principal lei do mundo.

Comentário: Nesse caso, em algum momento, eu deveria me sentir mal por ser assim.

Minha Resposta: Sim, claro.

Pergunta: Vejo todas essas guerras agora, todas essas mortes, direta e indiretamente, e assim por diante. E em que momento me dou conta: “O que estou fazendo? Está tudo dentro de mim. Como posso me libertar disso?”

Resposta: No momento da revelação.

Pergunta: E quando isso acontece? Pode ser acelerado, ou algo pode ser feito? Eu entendo que este é realmente o momento mais importante da minha vida. Que tudo está em mim, que tudo é por minha causa, que eu sou o assassino. Isso acontece com uma pessoa de verdade?

Resposta: Quando ela se convence de que está cheia de maldade, sua verdadeira natureza é revelada nela, e ela não consegue mais tolerá-la e se volta ao Criador.

Pergunta: Isso acontece inesperadamente para a pessoa? Ou é como se ela já quisesse isso?

Resposta: Não, essa revelação geralmente vem acompanhada de um empurrão considerável.

Pergunta: Então existe algo antes disso; existe algum tipo de impulso, afinal?

Resposta: Sim.

Pergunta: Quando isso é revelado a uma pessoa, a oração ao Criador torna-se natural porque ela compreende que tudo depende somente Dele?

Resposta: Sim, então a pessoa se volta ao Criador, julga a si mesma e, ao se corrigir, corrige o mundo ao seu redor.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 03/12/25

Conversando Com O Criador

276.02Pergunta: Às vezes, nos deparamos com situações em que pedimos por nossos amigos e percebemos que nosso pedido é egoísta e que não temos nenhum desejo genuíno de pedir por eles. Mas pedimos porque está escrito que uma pessoa deve sempre praticar a Torá e os mandamentos, inclusive Lo Lishma. Essa é a maneira correta de agir?

Resposta: Precisamos mesmo estar num estado em que sempre nos esforcemos para comunicar com o Criador num estado de “Lo Lishma” e depois “Lishma”.

Pergunta: É possível adicionar algo a esses estados?

Resposta: Cada pessoa acrescentará tudo o que considerar necessário para si mesma.

Da Lição Diária de Cabalá de 11/10/25, Escritos do Baal HaSulam, Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Uma Oração Que Percorre Todos Os Firmamentos

962.3A oração de um homem é obra de Ruach [espírito], obra de Bechina Bet, que depende da fala. É um segredo bem guardado, desconhecido para a maioria das pessoas, que a oração de um homem rompe ares e firmamentos, abre portas e ascende (Rashbi, Zohar para Todos, Vol. 5 “VaYakhel”, “A Ascensão da Oração”).

Está escrito que a oração deve ser oferecida perto de um pilar. Isso não significa, na verdade, um pilar perto do qual se deva orar. A questão é que todos os Partzufim, do mundo do infinito ao nosso mundo, estão dispostos na forma de um pilar, onde os AHP do Partzuf superior estão localizados dentro de Galgalta ve Einaim (GE) do Partzuf inferior, e assim todos estão encaixados uns nos outros.

Não existe um único Partzuf que esteja disposto de forma diferente. Cada Partzuf está posicionado de modo que sua parte superior fique dentro do Partzuf superior, e sua parte inferior fique dentro do Partzuf inferior.

Ou seja, a parte superior do meu Partzuf está junto com a parte inferior do Partzuf superior, e a parte inferior do meu Partzuf está junto com a parte superior do Partzuf inferior. Acontece que na minha parte superior (GE) eu formo as dez Sefirot junto com os AHP do mais elevado, e na minha parte inferior (AHP) eu estou nas dez Sefirot com GE do inferior.

Acontece que, nas dez Sefirot superiores, estou conectado com o superior, e nas dez Sefirot inferiores com o inferior. Mas onde estou? Eu mesmo sou a parte que me divide em duas metades; chama-se Klipat Noga. Ela divide o Partzuf ao meio.

Klipat Noga é toda a nossa livre escolha. Se eu decidir me conectar agora com o mais elevado nas dez Sefirot superiores (1) para elevar o mais baixo (2), e estou trabalhando apenas para isso, significa que estou exercendo minha livre escolha em Klipat Noga, que está no meio.

A livre escolha é conectar-me com o Criador, em um nível superior, para corrigir o inferior. É assim que funcionamos.

Da Lição de Cabalá de 24/08/11, O Livro do Zohar