Textos na Categoria 'Lição Diária de Cabalá'

Em Direção À Meta Através De Descidas

599.02O ser humano é constituído pelo desejo de receber e, essencialmente, nada mais é do que uma célula sensorial; todo o intelecto, conhecimento e decisões derivam daquilo que ele sente.

Portanto, a pessoa só pode se aproximar da meta por meio de subidas e descidas. Ou seja, aproximar-se do Criador acontece por meio de descidas, por meio do distanciamento Dele.

Uma pessoa se distancia da espiritualidade, é repelida e percebe o quanto ela é oposta à meta; seu próprio mal lhe é revelado. Chamamos isso de reconhecimento do mal. A pessoa vê que não pode fazer nada sozinha e que é inadequada para a santidade. A partir de todas essas sensações, um estado finalmente amadurece dentro dela, no qual ela percebe que não tem escolha, que deve transcender a própria razão.

Como ela chega a tal estado? Somente após inúmeras quedas, uma após a outra, semelhante ao exemplo em O Estudo das Dez Sefirot do homem que se esforça para alcançar o palácio do Rei com todas as suas forças, enquanto guardas e sentinelas o empurram para trás, bloqueiam seu caminho, e ele rola montanha abaixo onde se ergue o palácio do Criador.

Mas, a cada queda, ele se levanta e retorna. É empurrado para trás com ainda mais força, e se levanta novamente, seguindo em frente com paciência e persistência. Por fim, através de todos esses conflitos e períodos de afastamento da espiritualidade, ele constrói dentro de si um desejo genuíno de alcançar a meta.

Sua busca apaixonada pela meta é o que, posteriormente, desencadeia um sentimento de rejeição. Sempre funciona assim — por meio de opostos. Ao ser rejeitado, ele desenvolve uma compreensão da importância da meta. Cada coisa dá origem ao seu oposto.

Portanto, se ela não tiver quedas profundas, agudas e devastadoras que tragam decepção e desespero, não será capaz de valorizar verdadeiramente a meta. Por outro lado, se não se esforçar o suficiente para alcançá-la, mesmo quando lhe parecer que só mais um pouco e a atingirá, apenas para cair repetidamente, não descobrirá o quanto está distante, de fato, dela.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/26, Rabash, “E o Senhor lhe apareceu nos carvalhos de Mamre”

Agindo De Acordo Com As Regras Do Grupo

938.03Se você perceber que algo no grupo não está alinhado com o objetivo, ou não leva à união com o Criador, analise cuidadosamente a situação ponto por ponto, busque citações, converse com seus colegas e leve o assunto ao grupo. Se o grupo perceber que isso pode levar a uma melhoria, aceitará a sugestão.

Devemos mostrar a todos, de forma clara e lógica, o que precisa ser melhorado e porquê, e sempre relacionar isso à necessidade de alcançar a adesão ao Criador, mas de uma forma simples e prática.

O que significa prático? Rabash escreve que as abstrações podem destruir o mundo inteiro. Abstração é uma forma não revestida de matéria. Não se pode dizer: “Você deve ser altruísta; quem não for altruísta deve ser expulso do grupo! Não há lugar aqui para o maior egoísta!”

Devemos seguir o caminho da forma revestida de matéria e agir somente de acordo com uma realidade que pode ser percebida e incorporada, e que define tudo para nós.

Está escrito que, assim como um burro anda de olhos vendados, você também deve fechar os olhos e andar. Como você pode fechar os olhos e ir? Só se o grupo puxar você. É claro que você não pode andar assim sozinho. Você ainda não sabe quais forças espirituais influenciam uma pessoa.

Eu sei disso por experiência própria. Houve momentos em que eu ficava sentado em casa e o Rabash ligava gritando: “Venha aqui!” Mas eu ficava sentado, soluçando ao telefone: “Não posso ir! Sinto uma força me impedindo”.

Portanto, devemos determinar antecipadamente como proceder. Uma pessoa não entra em um grupo sob a condição de aceitar algumas das leis do grupo, mas não outras, e assinar sob essa condição. Ela entra no grupo e assina tudo; entre os pontos há um que a autoriza a agir de acordo com as regras do grupo no que diz respeito à modificação de quaisquer pontos.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

A Cabalá Pode Funcionar Com Outros Métodos?

281.01Pergunta: É possível combinar a Cabalá com a ioga ou outros métodos?

Resposta: Isso é impossível porque todos os outros métodos são opostos à Cabalá, já que não utilizam o desejo de receber para atingir o objetivo. Todos eles se baseiam na supressão dos Kelim (vasos), em vez de seu desenvolvimento. Assim como a Cabalá é um método de receber, esses outros métodos são métodos de “não receber”, sem exceção.

Receber o mínimo possível, alimentar-se apenas com comida vegana, pensar menos, respirar menos, desejar menos, seja o que for, apenas menos. Ou seja, o objetivo é rebaixar a pessoa do seu nível ao nível de um animal ou planta, ou mesmo a um nível inanimado.

A origem de tudo isso reside no antigo Egito, onde até mesmo os corpos dos mortos eram transformados em múmias que não se decompunham. Esses são todos métodos orientais. É claro que isso tem uma raiz espiritual. Há também uma justificativa em nível material.

Quando se oferece às massas uma ideologia baseada na afirmação de que é preciso reprimir os desejos para que tudo fique bem, ela imediatamente dá frutos. É aceita porque faz sentido para todos. Mas se, além da ideologia, adicionarmos um componente espiritual, se a conectarmos com algo que transcende a vida e a morte, e afirmarmos que a pessoa receberá recompensa eterna por isso, ela se tornará uma religião. Essa é uma força poderosa.

Mas, ao longo de milhares de anos, o ego humano evoluiu continuamente de geração em geração. Quer queiramos ou não, percebemos nosso egoísmo, o que leva ao chamado desenvolvimento da humanidade. Como resultado dos novos desejos que se manifestam em cada um de nós a cada ciclo, estamos constantemente buscando algo novo. Portanto, mesmo as nações que se comprometeram com a ideologia de reduzir o desejo chegam a um ponto em que não conseguem mais contê-lo.

Nada restará desses métodos ao longo de um século. As pessoas que viajam para a Índia hoje estão apenas de passagem. Ninguém consegue realmente aplicar seu método. Aqueles que conseguem se tornar animais primitivos. Não quero me estender muito sobre isso, mas esta é uma espécie de último suspiro contra o desenvolvimento. Somos incapazes de resistir ao processo de desenvolvimento impulsionado pelo desejo de receber. Em 10 ou 20 anos, tudo isso terá passado.

Aqueles que hoje conseguem escapar do sofrimento recorrendo a essas técnicas — desligar parte da mente, rebaixar-se a um nível muito baixo e encontrar verdadeira satisfação nisso — não são para nós. Essa é uma forma primitiva e subdesenvolvida.

No entanto, o mundo está se desenvolvendo muito rapidamente. Afinal, tudo isso é contra a natureza. Isso não é uma correção, mas uma fuga da correção. Não alcançaremos nada dessa forma, apenas algum tipo de consolo artificial temporário.

Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que está acima da razão na obra?”

Uma Conta Pessoal Com O Criador

231.04As regras do grupo mudam conforme o progresso do grupo. Se um grupo estabelece leis e regras artificiais para si mesmo, então ou atrasa o seu desenvolvimento por algum tempo, ou mais cedo ou mais tarde descobre que não consegue cumpri-las. A regra pode até permanecer escrita em algum lugar, mas quem realmente a segue?

Suponhamos que definimos algo, escrevemos e tudo parece maravilhoso, mas ninguém realmente precisa disso. Costumo dizer que examinar nossas leis internas é o mais importante, porque através disso a pessoa examina a si mesma. Ela deve se relacionar com as regras do grupo como se fossem suas próprias regras internas, estar em harmonia com elas e progredir junto com elas.

Isso não determina meu relacionamento com os membros do grupo; em vez disso, determina o relacionamento entre todas as minhas forças internas, sentimentos e desejos. Portanto, antes de tudo, devo vê-lo como um modelo de como quero me ver internamente. Não estamos falando dos meus relacionamentos com os amigos; naturalmente, nos adaptamos uns aos outros de qualquer forma. A carta deve ser, antes de tudo, interna. Não deve haver diferença entre a carta externa e a interna.

Em nosso mundo, depois que um país estabelece suas leis, ele também estabelece penalidades para quem as viola. Qual é o propósito dessas penalidades? Obrigar a pessoa a obedecer às leis.

No nosso caso, trata-se do que acontece a uma pessoa se ela não cumprir algo em sua conta pessoal com o Criador. Não podemos nem imaginar até que ponto as regras que estabelecemos dentro do grupo são aceitas “lá em cima”.

Baal HaSulam escreve sobre isso em “A Entrega da Torá”: o governo estabelecido pelo povo e o governo do Criador correspondem-se naturalmente. O que um grande grupo de pessoas determina torna-se, em certo sentido, uma lei do governo superior para elas.

Não leve isso tão ao pé da letra, falaremos mais sobre isso adiante. Quero apenas dizer que, ao tentar cumprir algumas de suas regras, mesmo que pareçam tolas ou insignificantes, vocês esclarecerão a carta mais rapidamente. Descobrirão o que é relevante para nós e o que não é, o que é mais importante e o que é menos importante.

Em última análise, seja trabalhando com a carta interna ou externa, seu objetivo é analisá-la e, assim, progredir. Como uma pessoa progride? Ela examina o grau em que se encontra: se é bom ou ruim, útil ou prejudicial, se é para seu próprio benefício ou para o benefício de alguém. Por meio desse exame, ela adquire uma compreensão mais clara de seu estado e da direção em que deve seguir.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

De Acordo Com O Cálculo Superior

533.01Pergunta: Aviut é o grau máximo de prazer que posso obter?

Resposta: Aviut é o grau da sensação de prazer dentro do desejo de receber. Se estou sentado ao lado da comida, mas não a quero, meu Aviut é zero. Mas se de repente eu a desejo, tenho uma certa medida de Aviut de acordo com a minha fome.

Como isso pode ser medido? Você pode medir pela quantidade de comida que é capaz de consumir ou, se possível, pela intensidade do prazer que sente. Mas tudo isso se refere a desejos. Não estamos falando do tamanho físico do estômago.

Pergunta: Por que a Aviut muda? Por que ela pode diminuir?

Resposta: Aviut, que significa a medida da sensação de prazer, pode mudar constantemente, e de fato muda o tempo todo de acordo com os tipos de conexão com o anfitrião que sou capaz de revelar através desta Aviut. Tudo está organizado para me levar a uma conexão com o anfitrião.

Portanto, não devo dar atenção ao que me é revelado em cada momento: se quero comer mais ou menos, ou se desejo desfrutar disto ou daquilo de uma forma ou de outra. Não devo me preocupar com essas coisas; elas não são problema meu.

Elas me são reveladas segundo um cálculo superior, enquanto minha tarefa é orientar-me continuamente na direção correta. Mas por que me é concedida agora uma descida, depois uma breve subida, ou algum outro estado por meio de um desejo ou outro? Isso, é claro, eu não posso saber. Enquanto eu permanecer em um determinado grau, nunca poderei conhecer suas causas, porque essas causas só podem ser reveladas a partir de um grau superior.

Da Lição Diária de Cabalá 06/06/26, Rabash, “Por que a Torá é chamada de ‘Linha do Meio’ na Obra? – 1”

Como Lidar Com Perturbações?

281.01À medida que uma pessoa se desenvolve, ela gradualmente começa a sentir um vazio dentro de seus vasos animalescos, porque o ponto no coração lhe mostra a ausência de preenchimento. Ela pode se preencher com comida, prazeres corporais, dinheiro, honra ou conhecimento, mas ao lado de tudo isso existe um corpo mais profundo que lhe revela a sua própria ausência.

A pessoa sente que tudo aquilo com que se preencheu não é suficiente. Isso acontece mesmo antes de começar a estudar Cabalá.

Quando ela começa a estudar, porém, surgem dificuldades diferentes. Novas condições são criadas internamente para ela. De repente, ela volta a sentir prazer com a comida, os relacionamentos, o trabalho e outras atividades mundanas. Isso se apresenta como uma “ajuda contra ela”. Antes de começar a estudar Cabalá, o processo era natural e vinha do Alto. Mas, de acordo com o esforço que ela investe no estudo, um desequilíbrio interno começa a despertar dentro dela, cada vez de uma forma diferente.

Subitamente, em vez de um anseio por espiritualidade, a pessoa passa a ansiar por coisas corpóreas, geralmente o desejo sexual, pois, segundo sua raiz espiritual, este é o fundamento de todos os prazeres. Ou pode ressurgir o desejo por dinheiro, honra ou conhecimento, embora isso ocorra com menos frequência, já que esses prazeres estão ligados à sociedade.

Uma pessoa que avança espiritualmente se distancia gradualmente da sociedade e se concentra em seu trabalho interior. Portanto, geralmente não luta tanto com dinheiro, honra ou conhecimento; em vez disso, desejos animalescos surgem dentro dela. Mas esse já é um processo completamente diferente. Essas perturbações são despertadas nela por uma força superior, de acordo com o esforço que investe em seus estudos.

Como lidar com tais perturbações? A pessoa decide intelectualmente que deve “apagar” seu próprio raciocínio e se submeter como “um boi à carga”. Ela diz: “Eu faço o que me mandam. Por quê? Porque aparentemente eles sabem, enquanto eu estou confusa e não sei de nada”. Ou: “Não devo dar ouvidos aos meus próprios pensamentos.”

Se eu tivesse escutado o que Rabash me disse! Só agora consigo entender quantos meses e anos eu teria economizado. Mas era impossível. É fácil dizer: “Se eu tivesse escutado!” Mas eu não conseguia ouvir na época.

Perturbações adicionais trazem Aviut adicional (intensidade do desejo) se a pessoa as aceitar e trabalhar verdadeiramente com elas. Ao usá-las corretamente, ela aumenta sua Aviut e finalmente ascende ao próximo nível: ela mergulha mais fundo e ascende ainda mais alto.

Mas se você não deseja essas perturbações e tenta, desde o início, se proteger delas, você desce a um nível inferior e se torna mais “sutil” ou mais fraco. Isso se chama ser deixado de lado. Elas podem retornar a você do Alto em algum momento posterior, mas ninguém sabe quando.

Portanto, quando uma pessoa enfrenta situações difíceis, é preferível usá-las como oportunidades de progresso.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/2026 , Rabash, “Estas são as Gerações de Noé”

Como Avaliar Corretamente Um Amigo?

938.03Uma pessoa deve usar todas as forças que existem dentro de si, especialmente o medo, para atingir o estado desejado. Não possuímos uma única inclinação, nem mesmo a pior, que não tenha sido criada com o propósito de alcançar esse objetivo, nem mesmo aquelas tendências que nos envergonhamos de admitir. As inclinações podem ser mal utilizadas, mas nada foi criado sem um propósito.

Tendemos a pensar que o problema reside no Criador, que aparentemente criou tudo de forma tão imperfeita: os doentes mentais, os autistas, os homossexuais, as pessoas com uma infinidade de problemas, para não mencionar as doenças comuns. Pensamos que existe algum tipo de “distorção” aqui.

Não se trata de uma distorção, mas de uma forma de governança que opera com imensa sabedoria e abrangência. Só mais tarde ficará claro por que a correção está especificamente contida no fato de você estar resfriado ou de alguém ter nascido com transtornos psicológicos.

Não se deve olhar para uma pessoa e avaliar se ela “combina conosco” ou não. Em vez disso, deve-se avaliar apenas o grau de sua disposição em estar conosco.

O grupo não deve se comportar como uma mãe excessivamente indulgente que tem pena do filho em demasia e, com isso, o prejudica. No fim, a criança só sofre mais. O grupo deve utilizar os meios de influência à sua disposição.

Você não deve tratar todos os amigos como se fossem iguais em todos os aspectos. Maior apreço e respeito devem ser demonstrados àqueles que se dedicam integralmente ao grupo. Quanto àquele que não se esforça para se dedicar, por um lado, deve ser ajudado, mas, por outro, deve-se fazê-lo entender que não há necessidade de laços estreitos nessas condições.

Não se deve abandoná-lo, mas também não se deve ser excessivamente afetuoso ou sentimental com ele. Pelo contrário, deve-se demonstrar que ele é visto como alguém distante.

O grupo deve utilizar todas as forças disponíveis. A exclusão do grupo é a influência mais forte de todas. Use a vergonha e a inveja; elas estão entre os meios de influência mais eficazes. Você verá como um amigo começa a sentir o que o grupo realmente é e o que ele tem a perder. Use esses meios, mas com cuidado.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

Quando O Ponto No Coração É Revelado

604.02Inicialmente, nossa alma está “envolta” em um desejo de receber animalesco, um anseio por prazeres animalescos: dinheiro, honra e conhecimento. É assim que reencarnamos ao longo de muitos ciclos de vida, até que essa casca externa, a casca deste mundo e desse desejo, se torne pura e refinada através do sofrimento que uma pessoa vivencia de geração em geração, impulsionado pelo desenvolvimento da humanidade como um todo.

Esse desejo cresce e se torna imenso: por prazeres animalescos, dinheiro, honra e conhecimento. Basta observar a variedade em nosso mundo! Há cinco mil anos, não havia tantas pessoas lutando pelo poder. As pessoas se contentavam em permanecer escravas, contanto que tivessem o que comer.

Quantas pessoas desejavam dinheiro naquela época? Se você simplesmente as deixassem viver em paz, sentadas sob uma árvore, isso já seria suficiente para elas. Ao longo das gerações, quantas pessoas ansiaram por conhecimento e sabedoria? A situação melhorou de geração para geração, mas não se pode dizer que, em nossa geração, o desejo por prazeres animalescos, comida e sexo esteja diminuindo. Esses desejos aumentam junto com uma crescente sede de poder e conhecimento.

A humanidade está chegando a um ponto em que quer tudo! No entanto, em meio a todos esses desejos, um “ponto” se revela no coração da pessoa, e a pobre alma de repente percebe que não pode satisfazer esse imenso anseio por todos esses prazeres! Esse ponto no coração anula a sensação de plenitude, não importa o quanto ela receba.

Uma pessoa pode ter desejos imensos e todas as vantagens possíveis, riqueza como a dos Rothschild, poder como o de um presidente e conhecimento como o de Einstein. Mas se o ponto no coração estiver presente, nenhuma quantidade de satisfação mundana impedirá uma profunda sensação de vazio. O ponto no coração dá à pessoa a sensação de que ela não possui nada de espiritual. Ela ainda não sabe o que é espiritualidade, mas, de repente, sente uma sensação de total falta. Sente-se deficiente em todos os aspectos; essa é a conclusão a que as pessoas gradualmente chegam.

Em milhares de anos, nunca as pessoas estiveram tão desesperadas quanto em nossa geração. Considere a enorme quantidade de problemas psicológicos e emocionais que existem hoje! O mundo inteiro está deprimido. Há apenas um século, as pessoas se contentavam com o que tinham, mas hoje a satisfação se tornou um problema.

Existiam drogas há mil anos? Existiam, mas quase ninguém precisava delas. Mesmo há cem anos, seu uso era raro. Foi apenas na década de 60 que essa tendência começou, desencadeada pelo surgimento do ponto no coração, junto a todos os outros desejos, até mesmo aqueles que já estavam sendo satisfeitos!

Normalmente, esses fenômenos têm origem em países desenvolvidos. Onde o uso de drogas é mais prevalente? Na Europa, na América e na Rússia, lugares onde as pessoas têm a oportunidade de se realizarem de alguma forma, mas não conseguem. Aprendam, façam o que quiserem! Mas uma pessoa que não quer nada, não se sente realizada.

Em outros países que se encontram num estágio inicial de desenvolvimento, onde a consciência ainda não está suficientemente aguçada para que enxerguem o seu vazio, produzem e vendem drogas. Encontram satisfação no dinheiro, na comida e em tudo o que precede o desenvolvimento europeu. Não precisam de drogas para si mesmos. Vendem-nas para conseguir comida. No mundo desenvolvido, não querem comida, querem drogas.

Essa situação surgiu por um motivo: o ponto no coração foi revelado, expondo o vazio em todos os outros desejos. Os demais desejos são fortes, mas ocos; não oferecem nenhuma sensação tangível de realização.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”

Sob A Pressão Da Importância Da Meta

249.03Na minha jornada espiritual, estou constantemente buscando esclarecer, não com meu intelecto, mas através de uma sensação interior, onde me encontro: no campo de batalha enfrentando o perigo, onde minha vida está por um fio, ou estou livre para vagar pela vida, desperdiçar meu tempo e pensar: “Não é nada demais; não estou sozinho; tudo se resolverá”?

Mas, repetidamente, tudo se resume a um único ponto: a importância da meta. Somente aumentando sua importância podemos nos livrar dos obstáculos que nos aprisionam e que nos trazem sentimentos de cansaço. Na realidade, não existe cansaço; tudo depende da necessidade.

Em última análise, todos os nossos sentimentos são determinados pelo desejo de receber. Não estamos falando de questões físicas, mas espirituais. Sabemos por experiência própria que, se o corpo, mesmo muito cansado, sentir que existe um objetivo valioso que justifique o esforço, ele se dedicará imediatamente à tarefa.

Portanto, tudo depende de quanto aumentamos a importância daquilo que podemos alcançar aos nossos próprios olhos. Nosso trabalho consiste unicamente em fortalecer a importância da meta. A consciência de sua importância se opõe a qualquer obstáculo no caminho e os anula.

Nenhum obstáculo resiste à pressão da importância da meta. Eles simplesmente desaparecem; deixamos de senti-los. Então percebemos que estavam em nosso caminho apenas para nos confundir. Aumentamos a importância da meta, e coisas que antes pareciam significativas — “Ah, isso não está funcionando, e aquilo também não!” — desaparecem instantaneamente.

Isso acontece porque todas essas perturbações são artificiais, não reais. Elas existem apenas como um contrapeso à importância da meta. Mas assim que adquiro consciência da importância da espiritualidade, a necessidade dessas perturbações desaparece. Elas simplesmente se dissipam e são anuladas.

Esta é a única coisa em que devemos trabalhar: aumentar constantemente nossa consciência da importância do Criador e da importância de alcançá-Lo. Nisto reside a solução para todos os problemas que surgem em nosso caminho.

Da Lição Diária de Cabalá 20/05/26, Rabash, “A Diferença entre Caridade e Doação”

Antes Da Revelação Do Ponto No Coração

222Atualmente, o ponto no coração das nações mais desenvolvidas revela uma sensação de vazio, a incapacidade de preencher suas vidas através dos cinco sentidos. Em seu desespero e confusão, recorrem às drogas e outras formas de fuga, buscando apenas escapar da realidade.

Veremos como a Europa gradualmente mergulha num estado em que até mesmo o desenvolvimento para, porque não haverá mais nenhum estímulo, nenhum desejo que o impulsione. O mesmo se tornará evidente entre os americanos que falam com tanta paixão sobre progresso, trabalho e dinheiro. Gradualmente, veremos uma sociedade inteira que não deseja mais fazer nada, e isso também faz parte do processo de desenvolvimento.

Por que, então, eles não vêm à Cabalá? Porque a hora deles ainda não chegou. Por enquanto, eles estão apenas começando a descobrir a futilidade de buscar a plenitude neste mundo. Os sinais estão por toda parte: a cultura não é mais importante, a literatura não é mais importante e até mesmo o próprio progresso parece não ter mais importância.

Não fosse o medo da sobrevivência física, o mundo já teria parado de se desenvolver há muito tempo. Tal é o caminho tanto do indivíduo quanto da humanidade como um todo. A pessoa começa a sentir que não consegue se realizar. Não tem forças nem vontade de fazer nada. Não sabe para que está trabalhando. Está confusa, sem rumo, sem entender o que vale a pena buscar ou almejar. Abandona tudo e, naturalmente, perde toda a vontade de trabalhar.

Gradualmente, esse processo abrangerá o mundo inteiro até que a humanidade descubra a futilidade de todo o seu desenvolvimento. Será que somos realmente mais felizes hoje do que aqueles que um dia viveram em cavernas? De que forma? Porque temos cem canais de televisão? Quem sequer os assiste? A pessoa chegará a sentir, em todos os aspectos da vida, que nada a satisfaz verdadeiramente.

Tudo isso ocorre antes que o ponto no coração seja revelado de forma aberta e tangível. Mesmo assim, esses estados são benéficos; são estágios de progresso. São estágios muito distintos. Basta observar como a humanidade progrediu nos últimos cem anos em sua compreensão da realidade em que vive.

Da Lição Diária de Cabalá 01/06/26, Rabash, “Estas São as Gerações de Noé”