Textos na Categoria 'Lição Diária de Cabalá'

Abaixo Da Linha Da Vida E Da Morte

232.05Atualmente, estamos em um estado em que o desenvolvimento começa a partir de um ponto que é simplesmente o desejo de receber. O que é esse Partzuf que começa a partir de um ponto? É o grau da intenção em prol da doação.

A questão é: o que é desejo e o que é intenção? Na espiritualidade, não é o desejo que é levado em consideração, mas apenas a intenção de doar algo. A magnitude de um Partzuf é a intensidade de sua intenção e, de acordo com o grau dessa intenção, ele já recebe algo por doar algo.

Portanto, em nosso domínio, abaixo do Machsom “não há julgamento nem juiz”; cada um faz o que lhe agrada. De fato, aqui não existem mandamentos nem transgressões, pois todos os mandamentos e transgressões existem apenas na intenção. “Em prol da recepção” é chamado de transgressão, e “em prol da doação” é chamado de mandamento.

Ainda estamos abaixo, no que se chama de mundo imaginário, abaixo da linha da vida e da linha da morte. Acima do Machsom, quando a alma está imersa nas Klipot, isso é chamado de linha da morte, o estado de morte; e quando está imersa na linha direita, isso é chamado de linha da vida. Mas estamos abaixo de tudo isso.

A partir disso, devemos compreender que intenção, direção, conexão e um anseio apaixonado pelo Criador são, em essência, a medida de uma pessoa na espiritualidade.

O que se quer dizer não é o desejo em si, mas o grau de orientação de uma pessoa para o Criador, o quanto o coração de uma pessoa anseia e se esforça apaixonadamente pelo Criador. O estado espiritual dela é medido de acordo com isso.

Da Lição Diária de Cabalá 06/06/26, Rabash, “Por que a Torá é chamada de ‘Linha do Meio’ na Obra? – 1”

O Egoísmo Como Catalisador Do Nosso Desenvolvimento

548.01Pergunta: O egoísmo é importante para o nosso desenvolvimento?

Resposta: O egoísmo não é meramente importante para o desenvolvimento, não há nada além dele. Ele não deve ser suprimido; deve se desenvolver.

Devemos nos preocupar com sua correção e uso adequado, não com sua supressão, porque o egoísmo é da nossa natureza, o desejo de receber. É impossível destruí-lo.

O mundo inteiro é um grande ego operando em diferentes níveis: inanimado, vegetativo, animado e falante. E o propósito do mundo é chegar à plena utilização do poder do egoísmo, não destruí-lo.

Você quer destruir a própria matéria? Isso é impossível! Você pode transformar uma pessoa em uma planta aplicando a injeção apropriada. Claro, ela sentirá menos e sofrerá menos, mas por quanto tempo esse estado pode ser mantido, mesmo com a ajuda de vários métodos?

Portanto, nem as religiões nem os diversos métodos são a solução. Isso já está ficando claro.

Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que é acima da razão na obra?”

Alcance Sua Fonte

248.03Comentário: O ser humano é um desejo de receber para si mesmo. Ninguém deseja sofrer.

Minha Resposta: Correto, uma pessoa não pediria por isso, mas o que é sofrimento? Vários desejos se revelam em uma pessoa, desejos que diferem do desejo do Criador, mas que devem ser completamente semelhantes a Ele.

O Criador ilumina a pessoa contra todos os seus desejos, e então, gradualmente, ela começa a sentir que algo está errado, embora ainda não compreenda o que está acontecendo. Esses sofrimentos são a constatação da nossa diferença em relação ao Criador.

Mesmo agora, seja qual for a razão do meu sofrimento, é um sinal de que, de alguma forma, sou diferente Dele. Isso acontece tanto no plano físico quanto nos mais elevados níveis espirituais. Qualquer sofrimento se deve à falta de semelhança com o Criador, à discrepância entre o Kli e a luz. Tal revelação impulsiona a pessoa em direção à meta. Não é preciso ser um intelectual brilhante para isso. Se prestarmos atenção, podemos acelerar nosso desenvolvimento e nossa consciência disso. Mas, se não prestarmos atenção, receberemos um sofrimento ainda maior.

Pergunta: A que devemos prestar atenção?

Resposta: Qual é a origem do sofrimento?

Comentário: Mas eu não sei o que é isso.

Minha Resposta: O que é conhecimento para você? É aquilo que você ouviu de alguém ou leu em um livro.

O conhecimento é a recepção da luz no Kli. Se uma pessoa simplesmente sofre, isso ainda não significa que ela conhece. “Conhecer” significa alcançar a fonte do sofrimento. Gradualmente, é revelado à pessoa como ela pode alcançar sua fonte. Então você deve apenas desejar investigá-la, trabalhar contra o sofrimento.

Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que é acima da razão na obra?”

No Mar Final

600.02Pergunta: Como uma pessoa pode saber que esgotou todos os seus recursos? Ou isso só se revela no final?

Resposta: Somente no final é que a pessoa descobre que esgotou toda a sua capacidade e se encontra diante de Yam Suf (mar final, mar vermelho em hebraico), que deve atravessar. Isso significa que ela já passou por todas as qualidades e fez todos os discernimentos necessários durante o período de preparação. Sempre que alguém exclamava: “Quando acontecerá? Quando?”, Rabash respondia: “A salvação do Criador chega num piscar de olhos”. Espere, pode acontecer a qualquer momento.

Cada momento seguinte pode ser decisivo. E sempre que você se sentir tomado pela decepção e pelo desespero, mas continuar buscando novas forças para seguir em frente e alcançar seu objetivo apesar de tudo, pode acontecer que, desta vez, em vez de tentar mais uma vez avançar por conta própria e aproveitar as novas oportunidades, você descubra repentinamente que não lhe resta nada. Nenhuma força. Nenhum recurso. Você chegou ao fim do mundo, e tudo o que resta é atravessá-lo.

Pergunta: Mas talvez, em vez de tentar constantemente encontrar novas forças e novos meios, não seria melhor simplesmente dizer a mim mesmo que esgotei tudo e chegar a um estado de completo desespero?

Resposta: Você não pode abandonar o caminho no meio do percurso e dizer: “Já tentei de tudo. Não há mais nada que eu possa fazer”. Porque esse ponto de fé acima da razão, a travessia do mar final, se revela precisamente através da sua persistência e dos seus esforços para romper as barreiras e seguir em frente.

Geralmente, após um período de desânimo e decepção, você começa a procurar o que mais pode ser feito. Você não sabe o que fazer, e parece que todas as possibilidades já se esgotaram e nada resta. É justamente essa busca, com a incapacidade de encontrar qualquer solução, que dá origem a uma súplica genuína, um verdadeiro clamor ao Criador.

E desse clamor, abrem-se os portões da santidade.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/26, Rabash, “E o Senhor apareceu a ele nos carvalhos de Mamre”

Como A Intenção É Medida?

243.04Pergunta: Como se pode medir a intenção? Ou ela existe ou não existe.

Resposta: A intenção pode ser medida em graus, em quilogramas, em qualquer unidade que você desejar. Suponha que temos um desejo dividido em quatro fases, ou em cinco ao todo se incluirmos a fase raiz. Essas cinco fases são subdivididas em cinco, e depois novamente em cinco, e assim por diante.

De acordo com o grau de desejo com que consigo revestir uma intenção em prol da doação em vez de uma intenção em prol da recepção, eu avalio meu nível.

Mas primeiro preciso adquirir uma intenção em prol da recepção. Isso também não é simples; tudo isso ocorre além do Machsom (barreira). Assim, se eu for capaz de atravessar o Machsom, adquirir uma intenção em prol da recepção e, em seguida, corrigi-la para uma intenção em prol da doação, a magnitude do desejo sobre o qual posso depositar essa intenção determinará a magnitude da própria intenção.

Por exemplo, quero beber uma xícara de chá. Meu desejo pode ser tão pequeno quanto um grama, ou pode ser de cem quilos. Sabemos por experiência própria que nossos desejos pelas mesmas coisas estão em constante mudança.

Digamos que neste momento eu queira beber chá com o prazer antecipado de dez quilos, e o queira com a intenção em prol da recepção. Se, após uma restrição (Tzimtzum) e a preparação necessária para “em prol da doação”, eu for capaz de mudar o uso desse mesmo desejo, a magnitude da minha intenção em prol da doação será de dez quilos.

Da Lição Diária de Cabalá 06/06/26, Rabash, “Por que a Torá é chamada de ‘Linha do Meio’ na Obra? – 1”

A Cada Instante, Uma Pessoa É Nova

276.03Pergunta: Como uma pessoa desenvolve medo em condições de ocultação dupla? Como ela pode se libertar desse estado?

Resposta: Como uma pessoa desenvolve medo? Na verdade, é impossível desenvolvê-lo. A cada instante, um novo conceito se abre na pessoa, um mais significativo que o anterior.

Por exemplo, eu possuía Aviut (densidade do desejo) no nível de Shoresh (raiz); agora, digamos que recebi Aviut Aleph. O que temerei neste novo nível de Aviut  se toda a minha experiência anterior se aplica apenas a Aviut Shoresh, ao grau inferior anterior?

Consequentemente, no nível superior em que me encontro, não tenho experiência alguma, absolutamente nada. Tudo aquilo que antes me assustava agora não me afeta em nada. Por quê? Porque novos Reshimot (registros espirituais) estão sendo revelados.

“Nada desaparece no espiritual”. É simplesmente que o próximo grau abrange toda a experiência anterior, e eu não sei nada sobre ele. No novo grau, nada funciona — nem os medos anteriores, nem, pelo contrário, nada do que eu havia adquirido anteriormente.

Portanto, uma pessoa jamais poderá aprender sobre um novo estado com base em seu estado anterior. Até o fim do processo de correção, à medida que avança de grau em grau, ela deve primeiro falhar e cair, perder todas as suas conquistas anteriores, receber um novo Reshimo e, munida dele, recomeçar a realizar a triagem, a análise e a correção.

Diz-se que a cada instante uma pessoa é completamente nova. Ou seja, a cada vez ela renasce, como um bebê, e recomeça do zero. Do estado anterior, ela não pode levar nada para o próximo.

Talvez ainda seja possível fazer algo, visto que existe o geral e o particular. Portanto, cada estado inclui todos os outros estados que podem existir na realidade. Se você já concluiu pelo menos um curso superior, já possui alguma compreensão de todo o ciclo geral. Mas, além disso, cada estado é acima da razão.

Da Lição Diária de Cabalá de 13/06/26, Rabash, “E o Senhor lhe apareceu nos carvalhos de Mamre”

Para Ser Premiado Com O Conhecimento Supremo

229Quando uma pessoa está verdadeiramente pronta para deixar seu estado atual e seguir em frente, não importa qual seja esse novo estado, contanto que não seja o atual, ela se torna como uma semente que apodreceu na terra, pronta para perder sua forma anterior, sem querer levar nada consigo, e desejando apenas uma coisa: alcançar um novo estado a qualquer custo e crescer. Então ela entra nesse estado.

Essa exigência precisa se acumular dentro da pessoa. Isso acontece gradualmente, sem pressa desnecessária, com calma e serenidade, acompanhada da consciência de que é necessário e não pode ser feito de outra forma.

Por fim, a pessoa chega a um estado em que compreende que é absolutamente insuportável continuar a ser como é. Portanto, diz-se que ela abandona seu conhecimento e recebe um conhecimento superior; torna-se mais sábia.

Mas isso não significa que ela compreenda toda a sabedoria do nosso mundo; esse conhecimento é de natureza completamente diferente. Podemos ver, pelo exemplo de Cabalistas genuínos que alcançaram altos graus espirituais, que eles não eram necessariamente tão experientes ou hábeis em lidar com todas as pequenas complexidades do nosso mundo.

Eles compreendiam perfeitamente a verdadeira natureza do nosso mundo. Mas o conhecimento especial do Cabalista não se estende às construções artificiais erguidas sobre essa natureza, às coisas criadas em oposição à natureza, ou ao que se relaciona à nossa sociedade com suas leis artificiais, ou seja, a tudo o que não decorre diretamente das leis da natureza. Nesse aspecto, ele não será mais sábio do que as outras pessoas.

O conhecimento que um Cabalista adquire é um conhecimento de nível superior. Mas quanto a como roubar mais de um banco, você não aprenderá isso, então não espere por isso. Isso não se deve apenas ao fato de roubar ser proibido, mas porque tudo o que foi criado pelos humanos — todas essas leis, princípios e regras — são coisas artificiais e não naturais.

Um Cabalista, que ascende de grau em grau, adquire uma mente superior. Pode-se até dizer que, a cada passo, esse intelecto se distancia cada vez mais deste mundo.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/26, Rabash, “E o Senhor lhe apareceu nos carvalhos de Mamre”

Adquira A Razão A Partir De Um Novo Estado

243.07Aquele que avança pela fé, elevando-se acima da razão, alcança a razão superior.

Na verdade, uma pessoa é incapaz de transcender a razão. Como pode ela se separar da sua razão? Para ela, é como separar a cabeça do corpo.

O que significa “acima da razão”? A razão é o eu. Este é o nome dado a toda a informação sobre o que devo fazer com o meu desejo de receber — todo o programa de como devo preenchê-lo, o que fazer com ele e como me relacionar com ele.

Se eu descartasse todo o conhecimento que acumulei ao longo dos anos e retivesse apenas os instintos mais primitivos que até mesmo uma criança pequena possui, seria possível eu existir nessa situação? Portanto, uma pessoa não é capaz de querer se libertar do seu conhecimento, pois ele constitui a sua própria natureza.

O que finalmente alcançamos é o reconhecimento do mal. Quando compreendo que tudo dentro de mim — minhas percepções, experiências, minha compreensão de como agir em diferentes situações, o que fazer e como me comportar, e tudo o que constitui o meu eu interior — é incorreto e falho, então renuncio ao meu conhecimento, à minha razão e à minha experiência, e me separo completamente deles. Compreendo que tudo isso é mal porque percebo que não pode me ajudar a alcançar o que desejo.

O que pode me ajudar a passar para outro estado, o estado em que eu gostaria de estar? Preciso receber a razão desse estado em que quero entrar, o seu conhecimento. Daí vem o desespero, e dentro de mim cresce um anseio, uma oração.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/26, Rabash, “E o Senhor lhe apareceu nos carvalhos de Mamre”

Não Podemos Ir Contra A Natureza

571.03O desejo de receber está destinado a ser preenchido com a luz do mundo do infinito. Assim como foi infinitamente preenchido antes do Tzimtzum (restrição), também será preenchido depois dele, no Gmar Tikun (correção final).

Isso marca a diferença fundamental no método da Cabalá: nunca lidamos com o desejo em si. Em vez disso, adquirimos uma intenção para a realização através da luz circundante (Ohr Makif), que nos traz essa intenção, ou seja, a qualidade de Bina  dentro de Malchut.

Todos os outros métodos não podem utilizar a luz circundante porque não têm ligação com a fonte espiritual da qual essa luz emana. Portanto, voltam-se diretamente para o desejo de receber e concluem que este é a origem de todo o mal.

Disso deduzem que o mal deve ser eliminado. Em outras palavras, uma pessoa deve desejar o mínimo possível e restringir suas qualidades negativas. Mas isso é como cortar as mãos de alguém. Essa pessoa pode não ser mais capaz de causar dano com elas, mas será que algo foi realmente corrigido?

Portanto, tanto o desejo de receber quanto todas as ações realizadas em relação a ele permanecem intactos. Essa é a diferença fundamental entre o método da Cabalá e todos os outros métodos, uma diferença que se tornará cada vez mais evidente em um futuro próximo.

Hoje, diversos círculos e clubes surgiram em torno da Cabalá, cada um apresentando sua própria interpretação do método. Amuletos, fios vermelhos, cartas de tarô e uma miríade de outras crenças não faltam. No entanto, tudo isso serve, indiretamente, para esclarecer o que é a verdadeira sabedoria da Cabalá, para que ela possa emergir como clara, pura e autêntica.

Fico feliz que todas essas coisas estejam florescendo hoje. É um sinal de que a clareza está se aproximando. Esses métodos não devem ser suprimidos. Se, de acordo com o desejo de receber, ainda houver necessidade deles, se um pessoa puder encontrar satisfação neles e obter alguma realização, significa que ela ainda não os examinou completamente. E se não os examinou completamente, deve permanecer com eles por enquanto.

É por isso que a Cabalá não ataca nem destrói nenhum método. A Cabalá afirma que cada um tem seu lugar e seu tempo, pois todos surgem do desejo de receber humano. As pessoas os inventam, os desenvolvem e acreditam que podem se realizar por meio deles. Enquanto a pessoa não reconhecer o mal e perceber que esses métodos não a satisfazem verdadeiramente, ela deve continuar nesse caminho.

Portanto, tudo tem o direito de existir: métodos chineses, indianos e todos os outros. Quanto mais lhes for permitido desenvolver-se, mais cedo suas limitações serão reveladas. Assim como não devemos reprimir o desejo de receber, não devemos reprimir nenhum método que se mostre capaz de satisfazer esse desejo.

Mas sabemos que, em última análise, não há alternativa à sabedoria da Cabalá, o método para trabalhar com o desejo de receber, porque esse desejo é a própria essência da criação. Tentar ir contra a natureza não nos ajudará, porque a natureza está acima de nós.

Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que é acima da razão na obra?”

Supressão Ou Restrição?

232.09Pergunta: Qual a diferença entre métodos que suprimem o desejo de receber e o Tzimtzum (Restrição)?

Resposta: No processo de correção dos Kelim (vasos), chegamos a um estado em que restringimos o desejo de receber, paramos de usá-lo e, então, começamos a usá-lo recebendo em prol da doação. Qual é a diferença entre restringir o desejo de receber e os métodos orientais e outras abordagens semelhantes que suprimem esse desejo?

No momento em que uma pessoa começa a estudar Cabalá, ela começa a desenvolver o desejo de receber. Em lugar nenhum está escrito que devemos reprimi-lo. Em lugar nenhum!

Em vez de lutar diretamente contra esse desejo, você deve se esforçar para se aproximar do Criador, para que a luz corrija o desejo de receber. Quanto maior for esse desejo, maior será a luz necessária para corrigi-lo. Assim, você alcançará luzes cada vez maiores para corrigir um desejo de receber crescente. É assim que você progride.

Por meio do estudo e da atração da luz, você perceberá que cada um de seus desejos é essencialmente oposto à espiritualidade, oposto ao Criador, porque está direcionado ao prazer pessoal.

Chega-se a um estado em que, para passar de uma intenção em prol de si mesmo para uma intenção em prol da doação, é preciso deixar de usar o desejo de receber em sua forma natural. Então, começa-se a usá-lo de uma maneira diferente, em prol da doação. Entre esses dois estados reside uma ação chamada Tzimtzum (Restrição).

O que é Tzimtzum ? Eu não restrinjo o desejo em si, porque não posso suprimi-lo. Sob a influência da luz que age sobre mim, vejo que usá-lo em sua forma anterior é maligno. E como vejo que é maligno e contrário ao Criador, deixo de usá-lo dessa maneira. Abandono o antigo tipo de satisfação e passo a usar um método diferente para lidar com o desejo.

O propósito do Tzimtzum não é destruir o desejo de receber, mas sim deixar de usar a antiga forma de recepção e fazer a transição para uma forma espiritual. Minha preocupação deve ser apenas com a correção, com tornar o desejo de receber semelhante ao desejo do Criador, ou seja, que adquira a intenção de doar. Isso, e somente isso, deve me preocupar.

Não devemos nos concentrar em nossos desejos em si. Não devemos nos preocupar com os desejos que temos, mesmo os mais terríveis, pois todos eles vêm do Criador. Devo compreender que a sua revelação dentro de mim é um sinal de que sou capaz de corrigi-los. É por isso que a sabedoria da Cabalá é chamada de método da recepção: ela nos ensina a trabalhar com os vasos de recepção.

Todos os outros métodos, sem exceção, baseiam-se na supressão do desejo de receber, em receber o mínimo possível.

Por que esses métodos são tão atraentes? Porque a pessoa sente imediatamente que a vida ficou mais fácil. Veja quantas pessoas na antiga União Soviética se lembram com nostalgia de como a vida supostamente era boa no passado.

Não havia nada de particularmente bom nisso, mas a pessoa sabia que tinha um salário fixo, uma casa, um emprego do qual não seria demitida, filhos que frequentariam o jardim de infância e a escola; tudo estava planejado. Havia uma sensação de segurança em relação ao futuro. Claro, eu não tinha muito, mas ninguém mais tinha. Tudo era reprimido pelo governo, e “o sofrimento compartilhado é meio consolo”.

Ainda hoje, muitas pessoas voltariam com prazer àqueles tempos e ao que tinham. Por que eu precisaria da liberdade atual, onde todos fazem o que querem? Há inveja, arrogância e ódio por toda parte, enquanto antes parecia diferente. A cultura era diferente, todos eram iguais e tudo era planejado.

Se não fosse pelo egoísmo humano, que constantemente se consome e cresce, tal sistema talvez pudesse ser mantido. Na China, funcionou com ainda mais sucesso durante milhares de anos. Mas é impossível permanecer nesse estado para sempre.

Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que é acima da razão na obra?”