Textos na Categoria 'Feriados'

O Diagnóstico E O Poder De Cura Da Torá

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o feriado de Simchat Torá (Regozijo com a Torá) vem imediatamente depois de Sucot?

Resposta: Durante os sete dias de Sucot, quando estou na Sucá, o que significa cercado pela Luz circundante, eu estou sendo corrigido. Esta Luz me alcança através da Scach (ramos que cobrem a Sucá), que por sua vez, é um mecanismo espiritual completo.

Eu tenho convidados todas as noites, tais como Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Aarão, José e Davi; cada um deles simboliza um atributo especial numa pessoa. Em outras palavras, trata-se de forças que corrigem meus atributos, transformando-os de mal em bem.

Eu executo o trabalho interno em todo o caminho para a perfeição e uso a Torá como a força de correção, e graças a isso, sou capaz de identificar o mal dentro de mim e identificá-lo de tal forma que, no final, não resta ninguém.

Após este diagnóstico, a Torá transforma o mal em mim em bem e eu me assemelho ao Criador, a bondade absoluta. Eu sou preenchido de amor e doação pelos outros e através deles pelo Ele, pois é realmente a mesma coisa. Assim eu descubro o que é chamado de “o mundo inteiro está cheio de Sua honra”. Ele está em tudo o que me parece externo.

Pergunta: O feriado de Simchat Torá simboliza alegria. Com o que a pessoa está realmente feliz neste feriado?

Resposta: É que ela usou a Torá corretamente e corrigiu-se em equivalência com o Criador.

Pergunta: Por que é tão agradável se assemelhar ao Criador?

Resposta: Visto que nós chegamos à adesão e equivalência de forma com Ele, agora podemos doar a Ele, assim como Ele doa a mim. É assim que somos feitos e não há um estado mais sublime para nós.

Pergunta: Ainda assim, o que se esconde por trás disso?

Resposta: Eu fui criado como um desejo de receber prazer. Portanto, num estado de completa equivalência de forma com o Criador, eu recebo prazer dele. Ao transformar todo o mal em bem, em equivalência com o Criador, eu começo a receber todo o bem e abundância infinita Dele. É porque eu também quero doar abundância infinita.

Assim, o simbolismo festivo do mês de Tishre descreve o caminho para o fim da correção, o que resulta no oitavo dia, o Shmini Atzeret, depois do qual não há mais nada para corrigir. A palavra “Atzeret” deriva da palavra hebraica “parar – atsar“, que simboliza o fim da correção.

Nós comparamos este estado perfeito a uma romã. Todos os meus 613 desejos são as sementes da romã que finalmente mudaram de mal em bem.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

O Que O Criador Sente?

Laitman_043No feriado de Sucot eu seguro na minha mão direita e na minha mão esquerda as “quatro espécies de plantas”, as conecto ao meu coração e balanço, significando que eu aparentemente atraio as Luzes. Todas estas coisas certamente são símbolos de atividades internas para atrair a doação do Criador, que eu evoco dentro de mim.

Então, eu me elevo, me corrijo, removo a ocultação e alcanço a revelação em seu lugar.

Todas as cerimônias do feriado Sucot não são mais do que sinais e símbolos do que está acontecendo no coração, onde a pessoa torna suas características compatíveis com o Criador. Então, ela é chamada de Adam (homem), da palavra “Domeh” (semelhante) ao Criador.

O Criador é totalmente o doador. Ele é a característica de doação e amor. Não há nada mais do que isso. Há apenas doação completa, amor completo, absoluto, puro, perfeito e infinito, e ele é revelado em nós no mesmo grau em que estamos prontos para absorvê-lo, para estar em sintonia com ele.

Em geral, eu só posso compreender e sentir cada característica se ela se encontra dentro de mim.

Quando eu vejo uma barata, não sinto que lhe falta algo, que ela ama seus filhotes e agora está correndo para eles com migalhas de comida. Eu não compartilho qualquer característica com ela para ser capaz de senti-la.

No entanto, se eu começasse a ir mais fundo para penetrar e explorar, em última análise, eu sentiria as necessidades do nível bestial. As pessoas são capazes de ser sensíveis aos animais que estão perto delas, incluindo os donos do animal de estimação ou os cientistas que se dedicam à pesquisa.

Por exemplo, na minha infância, eu tinha um amigo que sempre tinha pequenos animais que viviam nos bolsos: um rato aqui, um pássaro ali. Ele iclusive ia à escola com eles, e, mais tarde, passou a estudar zoologia. Portanto, ele os entendia. Ele podia encontrar um rato branco e acariciá-lo, e o rato não fugia.

Ele dizia, “você sabe, ele não tem medo de se aproximar de você,” como se ele estivesse sussurrando para ele.

No entanto, nós precisamos desenvolver outros sentimentos dentro de nós para sermos capazes de sentir o Criador. Se meu amigo recriava os sentimentos do ratinho dentro de si mesmo, então nós precisamos dar forma dentro de nós ao sentimento do Criador de doação e amor.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

A Sucá No Quintal E Também No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que eu entendi corretamente a sua explicação, de que além da Sucá que construímos no quintal, cabe a nós construí-la também dentro do coração?

Resposta: Certamente. E o principal é construir uma Sucá no coração. Afinal, a construção de uma Sucá no quintal é apenas um costume.

Construir uma Sucá no coração significa organizar os desejos, intenções, pensamentos, anseios, preocupações, ansiedades, gratidão, orações, e tudo o que eu tenho dentro, separando-os dos desejos corporais bestiais, que são as preocupações com a existência física.

Cabe a mim diferenciar completamente a minha parte física da espiritual. A parte física está preocupada com comida, sono e reprodução, e todas as preocupações humanas comuns. Enquanto isso, a parte espiritual é a minha razão de viver, a meta da minha existência e o sentido da vida. Para alcançar o sentido da vida, eu devo examinar que desejos dentro de mim são relevantes para essa meta.

A parte dos desejos que se dedica a atingir a meta da vida é chamada de alma. Uma pessoa inteira é desejos. Há desejos corporais, físicos, que são relevantes para este mundo, como em qualquer animal; e há desejos que vão além da existência física: “Qual é a razão da minha vida?” “Quem está me governando?” “O que vai acontecer comigo?” “Quando essa vida vai acabar?” “Eu tenho que viver apenas como uma besta ou existe algo além disso?”.

A sabedoria da Cabalá explica que a pessoa deve subir para outro nível além da existência física. Ao longo da vida, a pessoa deve subir para o próximo nível e começar a viver no nível do Criador. O próximo nível é alcançado graças à aquisição das características de doação e amor, a partir das quais é possível ver uma realidade que está além deste mundo, ver um mundo de forças, uma realidade infinita, em que não há tempo, movimento, espaço, vida ou morte.

Nós chegamos a um desenvolvimento ilimitado que é chamado de mundo vindouro. E tudo isso acontece durante a nossa vida neste mundo, aqui e agora. Como está escrito: “Você vai ver o seu mundo durante sua vida”. Nós vivemos num período em que cada pessoa pode alcançá-lo, na medida em que assim o desejar.

Desenvolver dentro de mim características de doação e amor, ou seja, desenvolver a alma, chama-se a construção de uma Sucá dentro de mim. Por isso, cabe a mim examinar os desejos que existem dentro de mim que estão ligados entre si e estão em diferentes níveis de doação e recepção.

Todos esses desejos são apenas em relação a um relacionamento com os outros e são dirigidos fora de mim. Nenhum desejo é dirigido para mim. Quando eu comparo todos esses desejos, vendo quais deles estão mais perto da caridade, quais estão mais perto de se superar, quais estão mais ou menos limitados, eu construo uma espécie de envelope em torno da minha alma, que é como uma Sucá.

Pergunta: Será que eu examino todo o sistema de meus relacionamentos com outras pessoas e, a partir dessas relações construo as paredes e a palha para a Sucá no meu coração?

Resposta: Em certo sentido isso é correto, mas não é tão simples assim. É necessário muito tempo para descobrir os meus desejos e ver o que eles realmente são. Depois disso, quando eu leio livros de Cabalá, vejo que sou construído precisamente de acordo com o que está escrito neles, e assim, gradualmente uma Sucá é construída em meu coração como a vestimenta exterior deste sistema de relações.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Boa Luminescência Do Feriado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos começar a sentir no feriado de Sucot todos os conceitos que você está nos dizendo: ​​as luzes circundantes, a força superior da natureza?

Resposta: Ao estar conosco e participar das lições, atividades e refeições no feriado, a pessoa pode sentir um pouco esse gosto. No entanto, a fim de experimentar o verdadeiro sentimento deste feriado, é necessária uma enorme preparação. Como está escrito: “Prove e veja como o Senhor é bom”.

A pessoa só pode provar, ver e sentir a Luz superior, ou o Criador, a força global de toda a Criação, após o trabalho de preparação em que ela cria um órgão altruísta especial de percepção dentro de si mesma.

Para perceber qualquer fenômeno natural, é necessário um instrumento adequado especializado, um detector. O Criador é a força de amor e doação. Se dentro de mim também houvesse mesmo um pouco de doação e amor ao próximo, eu seria capaz de sentir e revelar o Criador.

No entanto, se não há amor dentro de mim, isso significa que o Criador está oculto. Não é Ele ocultando-se de mim, mas eu me oculto Dele, como está escrito: “Toda a Terra está cheia da Sua glória”. Esta força preenche toda a realidade, exceto eu. Eu não tenho o poder de amor e doação, e, portanto, sou incapaz de sentir que tal força existe ao meu redor.

Eu sou como um receptor de rádio que não tem a faixa de comprimento de onda necessária e, portanto, não posso captar Sua onda e não sei se Ele existe ou não. Para mim, é como se Ele não existisse.

É para isso que se dedica todo o trabalho de mudar a si mesmo e corrigir sua atitude para com os outros, e com ele eu me sintonizo como um receptor de rádio ao comprimento de onda do Criador, a onda de amor e doação.

É por isso que a sabedoria da Cabalá tem este nome. É a ciência da recepção (Kabbalah), recepção do sinal do Criador. A pessoa não pode alcançar isso instantaneamente. Ela precisa estudar, a fim de primeiro sentir que propriedades ela tem agora e o que ela precisa mudar em si mesma, a fim de alcançar o estado de revelação.

O processo correto é, como está escrito: “Do amor das criaturas ao amor do Criador”. Nós existimos num mundo cheio de rochas, plantas, animais e pessoas, para que possamos exercitar a nossa atitude correta para com eles, de modo a desenvolver dentro da pessoa a sensibilidade a esse comprimento de onda no qual a conexão com o Criador é realizada.

Pergunta: Por que durante o feriado, um sentimento especial aparece e é vivenciado por muitas pessoas?

Resposta: Durante o feriado, há uma pequena Luz geral, espalhando-se entre todos. Isso acontece porque muitas pessoas estão esperando o feriado. Seu desejo age no mundo e gera essa iluminação. No entanto, ainda está muito longe da ação da Luz superior que a Cabalá está falando.

De KabTv: “Uma Nova Vida ” # 440, 02/10/14

Os Dias De Ascensão Espiritual

laitman_742_03Pergunta: Qual é o significado interior do feriado de Sucot?

Resposta: Sucot é uma festa muito importante porque celebra a ascensão espiritual. No final do ano, nós refletimos sobre os resultados da nossa autoanálise crítica.

Se nós trabalhamos bem ao longo do ano, em busca de como nos corrigir, de modo a voltarmos ao Criador, então nós descobrimos nossa culpa numa infinidade de transgressões.

E este é precisamente o resultado do nosso bom trabalho, a análise de nós mesmos, e nossa atitude para com os amigos, que mostraram quão cheios ainda estamos da inclinação ao mal, do ódio para com os outros, rejeição e cálculos egoístas.

Após julgar a nós mesmos, nós entregamos uma sentença chamada o início do novo ano: Rosh Hashana (cabeça do ano). Nós queremos que o Criador, a força de amor e doação, seja o nosso chefe, nosso rei.

Rosh Hashana é a coroação do Rei como o maior de todos, incorporando doação, amor, carinho e satisfação. Nós valorizamos muito essas qualidades, razão pela qual enaltecemos esta força da natureza e desejamos nos tornar como ela, até a total adesão a ela. Esta é a decisão a ser feita em Rosh Hashana, continuar a seguir com ela.

Assim, existem dois julgamentos em Rosh Hashana: um severo e um suave, que precedem os dez dias de arrependimento. Durante este tempo, nós devemos verificar o nosso trabalho na nossa unificação e esclarecer como alcançar a unidade. Afinal, quanto mais nós nos corrigimos, nos unindo como um homem com um coração, mais nos assemelhamos ao Criador único e singular.

Com esta decisão nós atraímos a Luz Circundante, uma luminescência especial, e vemos quais desejos em nós não estão sujeitos à correção, uma vez que não podem ser corrigidos em prol da doação e utilizados para unir com os amigos. Os outros desejos, no entanto, podem ser corrigidos e usados para trazer bondade, amor, conexão e unidade aos amigos.

Os dez dias de arrependimento separam em todos os meus desejos a parte que ainda não é corrigível daquela que pode ser corrigida. Esta separação é chamada de “Sua mão esquerda sobre a minha cabeça” – um abraço à esquerda que deixa de fora os desejos que não podem ser abraçados.

Então começa o feriado de Sucot, quando “Sua mão direita me abraça”. Durante Sucot, uma luminescência especial brilha sobre aqueles que desejam se unir com todas as criaturas e se aproximar do Criador, das qualidades superiores de amor doação e universal.

O feriado de Sucot dura sete dias, de acordo com as Luzes que temos que obter: Hessed, Guevura, Netzah, Hod, Yessod e Malchut, ou os convidados que se revezam visitando as festas diárias do feriado: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Arão, José e David.

Está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal, e a Torá cuja Luz volta à fonte”. O Criador criou qualidades más, ao invés de boas: a inclinação ao mal, o nosso ego, que nos impede de unir, tratar bem uns aos outros, e doar aos outros.

O amor ao próximo é a grande regra da Torá, mas não queremos observá-la. O mal em nós é tudo o que se opõe à nossa união com os outros. Este é o significado do trecho, “Eu criei a inclinação ao mal, e a Torá como tempero”. A Torá não é o livro físico que repousa na prateleira, mas um método especial de utilizar a força da natureza chamada “Luz”. Se eu fizer uso desta Luz, colocando-me sob a sua influência, eu converto todo o mal, intencionalmente criado pelo Criador, em bem.

De um egoísta que rejeita e detesta os outros sem qualquer razão, eu me passo a amar alguém, até que me unifico com todos como um homem com um coração.

Até Sucot nós nos ocupamos em julgar a nós mesmos, esclarecendo o que pode e o que não pode ser corrigido. E ocorre que estamos cheios de maldade, como uma romã que está cheia de sementes, mas está totalmente podre.

Em Rosh Hashana nós decidimos que queremos nos tornar doadores e elevar o Criador, a força do amor, para reinar sobre nós. Ao longo dos 10 dias subsequentes de arrependimento, vamos verificar as dez Sefirot da nossa alma, as dez partes do nosso desejo, esclarecendo o que pode e o que não pode ser corrigido. Pois nós contemos os desejos impuros (Klipot) que não estão sujeitos à correção, os quais, portanto, nós simplesmente restringimos, separamos ou congelamos.

E os desejos corrigíveis se tornam corrigidos nos dias de Sucot. Esta é a primeira correção do desejo, e ela é feita em virtude da Luz circundante que brilha sobre nós. O símbolo da Luz circundante é a Sucá, uma tenda ou copa especial.

Nós fazemos uma sombra, porque não queremos receber a Luz para nós mesmos, para nosso próprio benefício; em vez disso, nós desejamos mudança, conexão com o Criador, a Luz, pela simples razão de dá-la aos outros. Isso é o que representa uma pessoa justa: quem toma apenas o que é necessário para o seu sustento, e dá o resto. Essa é a recepção corrigida simbolizada pela Sucá.

De KabTV “Uma Nova Vida” # 439, 30/09/14

Benevolência Sob Raios-X

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) é o dia mais importante do ano para o povo de Israel. Qual é o significado espiritual deste dia especial? Como devemos nos relacionar com ele, a fim de corresponder às suas raízes espirituais e transferir a nossa vida para um novo grau?

Resposta: O Dia da Expiação (Yom Kippur) não é simplesmente uma tradição. Ele reflete um estado de espírito especial no desenvolvimento de uma pessoa. Não devemos olhar para este dia separadamente, mas como parte do ciclo de todo o ano.

Após a conclusão de um ano, sendo este o ciclo de mudanças internas, nós avaliamos tudo que passamos, o que é chamado de “arrependimento”. Assim, nós decidimos que isso é necessário para se subir a um novo grau, para se começar o ano novo (Rosh Hashaná), para fazer a transição para um novo estado, superior, mais puro e exaltado. Então, nós coroamos o Criador, a força de doação e amor, estabelecendo-O a reinar sobre nós como a propriedade mais sublime.

É quando nós começamos a nos julgar: será que nós estamos realmente na propriedade de doação? Todas as nossas propriedades são divididas em dez partes, dez Sefirot. E nós estamos esclarecendo que desejos nessas dez partes podem ser corrigidos, e quais não podem.

Em essência, a alma de uma pessoa precisa ser corrigida. E a alma é todos os nossos desejos, que ainda estão corrompidos e precisam de correção.

Pergunta: O que exatamente precisa ser corrigido: suas ações ou a alma?

Resposta: Em nosso mundo, as ações são realizadas com mãos e pés, ou através de palavras. Mas a sabedoria da Cabalá explica que o mais importante é a intenção corrigida, que é o verdadeiro desejo de uma pessoa.

Ações sozinhas não são suficientes, porque eu posso realizá-las simplesmente por hábito. Então, é realmente mais difícil para eu não fazê-las do que fazê-las. E estas podem ser as ações que eu de outra forma nunca teria feito na minha vida se não tivesse me acostumado a elas desde a infância.

Neste caso, já não é o cumprimento de um mandamento, mas tradições incutidas na infância que são executadas automaticamente. Para alguém poderia ser difícil realizá-las, mas para outra pessoa, é difícil não fazê-las.

É por isso que não estamos falando de uma ação, mas de uma intenção. Uma ação, afinal de contas, não muda: como a temos feito, assim vamos continuar. Mas, na intenção, na atitude de uma pessoa em relação à ação executada, sempre há mudanças.

A chave é a atitude de uma pessoa para com aqueles que a rodeiam. Afinal, “ama ao próximo como a si mesmo” é a grande lei da Torá. Este é o ponto de vista do qual eu preciso verificar a mim mesmo, a fim de ver o quanto sou capaz de amar o meu próximo.

A força superior é uma força de doação e amor, e nosso objetivo é nos tornarmos como ela. É por isso que precisamos alcançar o grau de homem, Adão, que significa semelhante (Domeh) ao Criador. Mas como podemos verificar isso? Onde está o médico que me irradiará com Raios X e me dirá exatamente o quanto sou semelhante ao Criador?

Esse médico não existe. Portanto, a pessoa precisa verificar a si mesma por conta própria. Este tipo de máquina de Raios-X requer uma luz especial, que nos abalisa. Esta Luz é chamada de Luz que Reforma.

Se eu estou estudando a verdadeira Torá, ou seja, a sabedoria da Cabalá, graças a ela eu começo a ver a verdade. Eu vejo o quanto sou egoísta, o que é exatamente é ruim em mim, e o que precisa ser corrigido, como se eu brilhasse Raios-X em mim mesmo.

Isso só é visível para mim, e os outros podem não notá-lo. Depois de eu ter me visto na imagem de Raios-X, torna-se claro para mim o que precisa ser corrigido. A Torá organiza esta imagem em que eu só vejo intenções, e apenas ao nível da profundidade que sou capaz de corrigir. Tudo o resto eu não vejo, e pode permanecer até o próximo ano.

Logo após o início do novo ano, eu me encontro nestas sessões de Raios-X, que são chamadas de dez dias de arrependimento. Eu irradio o meu coração, esclarecendo minhas intenções no que diz respeito aos que me cercam em cada ação, e recebo de volta as imagens.

A Cabalá explica que Malchut ascende à Bina e compara-se a ela. Malchut é o nosso desejo egoísta, que se eleva à Bina, o desejo de doação, esclarecendo o quanto difere dela, o quanto estamos longe de cuidar de nossos próximos, das boas relações, e como estamos apenas pensando em nosso próprio benefício.

Pergunta: O que é mostrado nestas imagens de Raios-X?

Resposta: Esta imagem é em preto e branco. Ela mostra o quanto de branco há em você, isto é, as intenções para o benefício de seu próximo. E o preto aponta para as intenções para o seu próprio benefício, que você pode corrigir.

Assim, o escopo do nosso trabalho nos é revelado. Este é um trabalho pessoal que está guardado cada um de nós, mas visa ao que é comum, à doação a todos, e através deles, ao Criador, visto que do amor pelos seres criados chega-se ao amor pelo Criador. O Criador é uma força, integrando todos juntos, e não algo que existe fora. Está escrito: “O Criador habita entre o seu povo”.

Assim, se eu me esforço em unir com todos e quero me transformar num todo com eles, eu revelo o sistema integral global que generaliza a nossa unidade, o qual é chamado de Criador. É assim que ele se revela em nossa percepção.

Portanto, durante o Yom Kippur, nós precisamos nos esforçar em amar o nosso próximo tanto quanto possível e o máximo possível, e mesmo para além do povo de Israel, estendendo-o a toda a humanidade. Esta é a razão pela qual durante o Yom Kippur é costume ler a história sobre o profeta Jonas, a quem o Criador instruíu a conduzir a cidade de Nínive, que simboliza o mundo, à correção.

De KabTV “A Nova Vida”, 30/09/14

Uma União Feliz Com O Feriado Da Natureza

Dr. Michael LaitmanAs mudanças internas necessárias para uma pessoa se conectar com outras pessoas numa completa adesão com conexão, unidade e partilha mútua, que nos equilibre com a natureza, não é um processo simples. As fases de mudanças deste tipo estão conectadas a um ciclo que finalmente se fecha num ponto inicial.

Cabe a nós passarmos por todo este ciclo, para nos corrigir e transformar numa parte útil da natureza, não um tumor canceroso dentro dela que devora tudo ao seu redor e destrói o globo. A pessoa deve ser uma fonte de saúde e conforto para todo o bem e equilíbrio na natureza.

Cada ano esses estados retornam como numa espiral e se repetem em níveis mais elevados. Basicamente, um ano é o número de etapas pelas quais devemos passar no nosso contexto, a fim de alcançar a meta.

Este ciclo de etapas de correção foi descoberto por Abraão em tempos antigos. Ele ensinou seus alunos, que se tornaram a fonte da criação do povo judeu. Portanto, isso é expresso no ciclo anual dos feriados judaicos.

Nós devemos entender que os feriados judaicos não são a tradição de uma nação em particular ou de um único povo. Ao contrário, eles são símbolos de estados espirituais únicos nos quais alcançamos a doação mútua, o amor entre nós em níveis mais elevados e uma maior profundidade de integração nesta conexão em coração e mente.

Esta não é uma celebração de eventos históricos especiais que foram experimentados por algumas pessoas isoladas e irrelevantes para com o programa geral da natureza. Estes feriados refletem estados espirituais do povo como uma comunidade. Eles já estão latentes na natureza como níveis particulares de nossa equivalência com a natureza à medida que avançamos rumo a estados de equilíbrio e harmonia.

Se nos identificarmos como um povo e nos conectarmos em um grau ou outro ao alcançar um nível particular de unidade que está latente na natureza, desta forma nós celebramos especificamente esse evento. Quando nós subimos um pouco mais ao próximo nível de conexão com a natureza e equivalência de forma com ela, nós comemoramos novamente esta realização.

A pessoa não estabelece para si mesma os feriados de acordo com sua decisão; pelo contrário, ela comemora a realização da equivalência e adesão que já existe na natureza. Assim, esses feriados não podem ser mudados.

Em nosso estado atual, nós somos completamente opostos à natureza integral. Todas as partes da natureza estão totalmente ligadas num sistema unificado. Apenas a espécie humana encontra-se na destruição total e oposta à unidade natural.

No entanto, se a humanidade, ou pelo menos parte dela, começar a se transformar em se tornar semelhante à natureza, a se aproximar da unidade e totalidade, então vamos chegar a um grau particular de conexão. Em primeiro lugar, cabe a nós reconhecer que nos odiamos. Essa é a natureza com a qual nascemos.

Isso é chamado de “reconhecimento do mal”, a consciência de que nossa natureza oposta não nos permite alcançar harmonia e equilíbrio com ela. Para isso, nós precisamos de um exame interno, e devemos orar para Lehitpalel (incriminar – Lehaplil) a nós mesmos. Tal confissão antes de Rosh Hashanah é chamada de “mês de Elul“.

Neste momento, nós examinamos nosso verdadeiro estado em relação a esse bom e maravilhoso estado de conexão que devemos alcançar. Isto significa que nós descobrir o que é dito ser o estado corrigido, o comparamos com o nosso estado atual, vemos a imensa distância entre eles, e por isso oramos para Mitpalelim (julgar a nós mesmos).

Nós entendemos que criminosos nós somos e o que temos que fazer com nós mesmos, então começamos a organizar o trabalho para começar a avançar em direção à conexão. O poder que é encontrado na natureza e conecta todas as partes nós proclamamos como o poder dominante que nos controla! Este poder mantém todo o sistema e se torna o nosso objetivo. Nós ansiamos em nos assemelharmos a ele. Isso é chamado de Rosh Hashanah, o início (Rosh) de nossas mudanças (Shinuim) e o novo ciclo no final do qual queremos ser como o poder geral que permeia a natureza.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/09/14

No Ciclo Dos Feriados

Dr. Michael LaitmanO Ano Novo é o começo de uma longa cadeia de correções internas que gradualmente passamos. Nós começamos a entender nossa missão nesta cadeia quando chegamos ao Dia do Julgamento (Yom Kippur), onde julgamos a nós mesmos de forma rigorosa.

Nós tomamos uma decisão sobre o que precisamos fazer para alcançar a força que estabelecemos como nosso objetivo. Esta força é unida, e, portanto, nós também precisamos nos tornar como um só homem, unindo toda a humanidade.

Desta vez, a unidade inclui não apenas o pequeno grupo que uma vez fugiu da antiga Babilônia, e não só a nação de Israel. Agora toda a humanidade deve alcançar a unidade com o sistema geral da natureza. É assim que entendemos a força e singularidade do Dia do Juízo.

O ápice do Dia do Julgamento é quando lemos um trecho do Livro dos Profetas, Maftir Yonah, que fala sobre Yonah (Jonas), o Profeta que o Todo-Poderoso enviou para Ninveh (Nínive) para avisar as pessoas que vivem lá que a cidade será destruída se não se arrependerem. A história nos diz que Yonah queria fugir de sua missão de levar toda a humanidade à correção, onde a cidade de Ninveh representava a humanidade. No entanto, o curso dos acontecimentos se desenrolou de forma que ele entendeu que não seria capaz de fugir e que tinha que cumprir a missão que lhe fora confiada.

A nação de Israel, como o Profeta Yonah, sabe sobre sua missão e tem o poder de cumpri-la, e deve tirar o mundo inteiro, toda a “cidade de Ninveh“, de sua situação.

Depois nós temos o feriado de Sucot, quando nos sentamos na sombra de uma tenda especial – a Sucá, ou em outras palavras, nós nos cobrimos com uma tela. Os quatro símbolos do feriado de Sucot – o Lulav (ramo de palmeira), Hadassim (ramos de murta), Aravot (ramos de salgueiro) e Etrog (uma fruta cítrica) – simbolizam o HaVaYaH completo, ou os quatro estágios da revelação da força superior em seu desejo de receber corrigido.

Nosso desejo egoísta tem quatro camadas que precisamos corrigir. O egoísmo é o que está entre nós, impedindo de nos unirmos. Se pudermos conectar todas estas formas de egoísmo junto (tomar todos os quatro símbolos de Sucot em nossas mãos) e apontá-las diretamente à força da unidade, isso significa que realizamos a bênção chamada “Arba Minim“.

Sucot é seguido pelo feriado de Simchat Torah (a alegria da Torá), quando nos regozijamos com a força superior que veio até nós o tempo todo e nos ajudou a fazer as correções e passar por todas as suas fases.

Depois nós chegamos ao feriado de Hanukkah – um estado em que não queremos nada. Nós só olhamos para as velas do feriado, mas não as usamos. Hanukkah é uma festa espiritual, porque nós só nos regozijamos com a Luz, em como a força superior é definida dentro de nós e nos separa de nosso egoísmo ou do mal dentro de nós, enquanto todos nós juntos desejamos nos conectar com essa força.

O próximo feriado é Purim, ao contrário de Yom Kippur (Ki–Purim: como Purim). Em Yom Kipur nós observamos um jejum especial, enquanto em Purim, ao contrário, comemos e bebemos para a satisfação do nosso coração, e nos alegramos. Em Purim há o mandamento de ficar tão bêbado que você não pode dizer Haman separado de Mordechai, um pecador de um homem justo.

Isso é porque nós já não somos tão efêmeros ou desprovidos de qualquer egoísmo como em Hanukkah, mas, pelo contrário, corrigimos o nosso mal. Nós corrigimos todo o egoísmo anterior e as inclinações ao mal contra a unidade. É por isso que este feriado é oposto ao Dia do Julgamento, o Yom Kippur, o qual é “como Purim“. Em Yom Kippur os desejos não corrigidos apenas se revelam, enquanto que em Purim eles realmente se tornam corrigidos.

Agora todos os desejos e aspirações podem ser conectados num todo. Cada pessoa pode dar presentes aos outros, demonstrando seu amor. É assim que chegamos ao estado em que não diferenciamos entre um pecador e um homem justo, já que tudo está corrigido. Você está autorizado a fazer o que quiser, e vai ser bom! Não existe diferença entre as pessoas. Todas as nossas aspirações, desejos e pensamentos são corretos.

O feriado seguinte, Pessach, simboliza o nosso êxodo constante do mal em bem, da escravidão à liberdade. Nós saímos do nosso egoísmo, “passamos por cima” (Pasah) dele, tornando-nos livres da escravidão, do poder do nosso desejo egoísta que reina sobre nós, e o transcendemos.

Depois começamos a contar os dias do Omer, onde contamos as correções de nossos desejos até alcançarmos o feriado de Shavuot, a Entrega da Torá. Nós discernimos que temos que receber a força superior, que nos corrigirá, porque a única coisa que temos dentro de nós é a inclinação ao mal. Porém, além da inclinação ao mal, um meio de corrigi-la foi criado – a Torá, a Luz que Reforma.

O feriado de Shavuot, a entrega da Torá, significa que nós temos que receber a força para a nossa correção de cima. Essa força nos ajuda a construir a nós mesmos, mas não podemos permanecer nesse estado e assim partimos. Este colapso é simbolizado pelo 9o de Av, que completa o ciclo.

Através da construção de nós mesmos, e depois a quebra, nós chegamos a compreender as razões para a nossa queda e toda a profundidade do mal. Antes disso, o mal estava escondido e não era suficientemente evidente, mas agora nós entendemos que precisamos de uma maior correção do mal. Ao corrigir isso, nós atingimos o fim da correção.

É muito parecido com prometer a si mesmo que você não vai comer nenhum doce, e em seguida, encontrar-se numa confeitaria onde você está cercado por tantas delícias que se esquece completamente de sua promessa e do fato de que açúcar é ruim para você. O prazer o escraviza e você acaba dominado por ele.

A mesma situação ocorre no 9o de Av, mas numa escala muito maior. No entanto, através deste colapso, nós aprendemos com que profundidade teremos que nos corrigir, a fim de suportar a enorme “confeitaria” que nos confunde. Isso é porque nós precisamos nos corrigir e não apenas em relação a um pequeno doce, mas em relação ao todo tremendo egoísmo.

É assim que alcançamos a correção completa. Nós alcançamos a unidade e, assim, chegamos à equivalência com toda a natureza. Mas isso não é suficiente. A história de Yonah, o Profeta, nos lembra que temos que cuidar do resto da humanidade. É quando, depois de se corrigir, a nação de Israel passa o método a toda a humanidade. Ela se dirige à humanidade como à cidade de Nivneh, a fim de corrigi-la.

Assim, o mundo inteiro atinge um estado de prosperidade, completando o ciclo que é simbolizado pelos feriados judaicos.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/09/14

A Fonte De Tradições

Dr. Michael LaitmanComentário: Um principiante que vem para a refeição de Pessach vê muitos costumes religiosos e não entende o que está acontecendo.

Resposta: Não se trata de costumes religiosos. Todos os costumes da nação israelense derivam da sabedoria da Cabalá, e são transcendentais e ilógico. Tudo isto não existe na natureza e por isso não precisamos segui-los cegamente.

Os 18 minutos durante os quais os Matzot (plural de Matza) são assados, por exemplo, são feitos de nove Sefirot da Luz Direta e nove Sefirot da Luz de Retorno. Se não conseguirmos cozer a Matzá durante este tempo, um processo de fermentação começa, o que significa que o desejo egoísta começará a inchar e crescer. Portanto, nós não comemos pão fermentado durante Pesach, já que o desejo fermentado não pode receber a Luz de Hochma (sabedoria).

O que significa escapar do Egito? É uma transição muito rápida quando a pessoa sai do egoísmo e entra no altruísmo, fora do nosso mundo e para o sentimento do mundo superior, a sensação do Criador.

Aqui, como no momento do nascimento, você não pode parar, pois você deixará de ser nutrido pelo sistema anterior que lhe fornecia oxigênio e outros nutrientes. Ele operava sobre você através do cordão umbilical e seu corpo funcionava.

Agora, um sistema totalmente diferente opera sobre você, na medida em que seus pulmões começam a receber oxigênio através do ar e começa a respirar de forma independente e a funcionar; sua temperatura muda e sistemas totalmente novos começam a operar, um mundo diferente e sentidos diferentes. Tudo isso acontece ao mesmo tempo.

Todos os costumes judaicos derivam do mundo espiritual e não têm nenhuma base ou justificação corpórea. Eles gradualmente se tornaram costumes de outras religiões, na medida em que cada religião os recebeu a sua própria maneira e mudou-os para adaptá-los.

Para os árabes, uma oferenda é matar um cordeiro. A palavra “sacrifício” deriva da palavra hebraica “próximo”. Os costumes externos de diferentes povos não são muito diferentes, mas todos derivam de costumes espirituais antigos.

Da Lição Diária de Cabalá 17/04/14, Perguntas e Respostas com Dr. Laitman

Renunciando Ao Tesouro

Dr. Michael LaitmanOs vasos de doação são também o desejo de receber, mas não recebem ainda a fim de doar. Suponha que eu sou um convidado sentado à frente do Anfitrião. Quando eu vejo quão gentilmente Ele me trata na camada superior do desejo também, estou já pronto para O tratar da mesma maneira. Sua doação que está focada em mim trás-me à resposta correcta.

Ao mesmo tempo estou sob Seu domínio. Ele é tão maravilhoso, bom e benevolente que sua doação sozinha já me corrige e estou pronto a doar sobre Ele em resposta.

Assim eu respondo à Luz nos vasos de GE que estão focados em doação em prol de doar. Eles também têm uma certa Aviut (densidade) mas falando no geral eu não rejeito o Anfitrião. Quando absorvo Seu amor por mim, não O consigo prejudicar mais no meu desejo de receber. É difícil entender isto dado que estaríamos prontos para o prejudicar numa situação semelhante, porque se Ele me ama, este amor torna-O vulnerável e assim consigo aborrecê-Lo.

Mas estamos a falar do nível de verdade aqui: Se eu vejo que uma pessoa me ajuda do fundo do seu coração, mesmo que não seja fácil e exija grande esforço, estabeleço a mesma atitude para ela em mim. Não trabalho em prol de doar como ela ainda faz, mas pelo menos eu “Não faço ao meu amigo o que me é odiado.”

Assim, embora sejam somente as camadas superiores de Aviut, eu trabalho com todos os seus vasos, desejos, envolvendo-os só o suficiente para não usar a sua Aviut mais densa. Eu uso-a somente sob a condição que sinto Sua atitude para mim como grande amor. Entretanto, consigo responder somente ao pertencer a Ele e não mais que isso.

Isto não é fácil. Graças a isto, Ele pode fazer o que Ele quer comigo. Aqui dedicação, devoção e um nível de fé, doação, são necessárias, mas não mais. Eu anulo-me, “Usa-me como Desejas, Sou uma ferramenta nas Tuas mãos.”

Mas ainda não me consigo operar no nível humano; é contra minha natureza ser como Ele. Este é o próximo nível a que AHP se conecta, para receber em prol de doar, não só a redenção do desejo mas também nele.

Entretanto, contudo, anulo-me e é este estado que simboliza Chanuká. Eu sigo o Criador apesar de tudo. É me claro que estou a travar uma batalha, estou a matar os meus inimigos, mas somente aqueles que rejeitam espiritualidade; “Vive,” dizem eles, “Não pertenças à Luz, não te conectes à doação.”

Pergunta: Não compreendo o que isto tem a ver com o trabalho espiritual.

Resposta: Tenta focar-te a ti mesmo para que não sintas ódio para com ninguém e para que não queiras ter sucesso às custas de ninguém. Concordarás que todos se devem sentir bem. Até se não contribuíres nada, não estás a incomodar. Tenta alcançar esta atitude acima do teu desejo de receber.

Imagina que encontramos um tesouro que vale biliões de dólares. Agora vamos dividi-lo uniformemente entre todos, incluindo nós os dois. Talvez agora concordes, mas e se já estiver na tua conta bancária? Acredita que vai custar renunciar cada cêntimo, esta é a nossa natureza. Então não é tão fácil alcançar o nível de doar em prol de doar. Levam quarenta anos no deserto e eventualmente o milagre que é acumulado em pequenas porções, de tempos a tempos, acontece.

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A partir da Lição Diária de Cabalá 12/2/13 , Escritos de Rabash