Textos na Categoria 'Estudo Cabalístico'

Filosofia Vazia Ou Ciência Prática

Dr. Michael LaitmanAo longo dos muitos anos em que tenho explicado o método da cooperação integral, dou como exemplo o nosso corpo feito de diferentes órgãos. Todos os órgãos parecem operar por si próprios: o coração, os pulmões, os rins, ou o fígado. Cada um opera no seu próprio ritmo e ordem e em cada um existe um programa interno, um software, mas tudo é baseado na cooperação.

Embora todos eles operem em planos diferentes, em ritmos diferentes, com tarefas internas completamente diferentes, todos eles devem ter uma tarefa colectiva: manter o corpo todo num estado equilibrado, que depende apenas da cooperação correcta de cada parte corrigida. Uma parte corrigida é a parte que coopera com todas as outras, e o seu trabalho interno orienta-se apenas de acordo com todas as outras partes do corpo.

Nós, também, devemos cada um sentir-nos como pequenos órgãos num grande corpo. A criação do nosso vaso colectivo de percepção, de um novo órgão sensorial, depende do facto de que ninguém opera como um corpo separado, mas em concordância com todas as outras partes do sistema.

Portanto, tudo deve ser dirigido não para o nosso desenvolvimento individual interno, que na verdade não existe, mas apenas para a conexão!

Há ainda muitas pessoas que nos procuram e estudam a partir dos livros, mas apenas para saberem, verem o que está escrito lá. Mas elas não estão incluídas no trabalho geral de conexão e unidade, e assim elas não percebem para onde tudo isto se dirige. “Oh bem, é uma ciência, uma teoria, que fala sobre mudar de lugares e movimentos num espaço imaginário qualquer, para cima e para baixo, sobre diferentes conexões entre algum tipo de objectos estranhos. Onde estão eles? É tudo muito abstracto porque no nosso mundo nada disto existe. Portanto, o que devo eu fazer com isto?”.

Estas pessoas não percebem que têm de conectar-se entre elas, e apenas na conexão entre elas começarão a ver através destes laços: “Onde estão estas partes? Onde é este nível de Bina, a doação, a recepção, a restrição do desejo, a ascensão acima do desejo na conexão com os outros, recebendo deles e doando a eles?”. Até que tentem implementar tudo isto na conexão entre sia, a sabedoria da Cabalá será para eles uma filosofia vazia, que não diz nada.

Portanto o principal não é estudar o que está nos livros, mas desejar sentir o que estudamos, para o implementar na nossa vida, na conexão entre nós. Caso contrário, como os nossos professores nos dizem, uma pessoa “seca”. Ela simplesmente não vê os resultados do que ela lê. Claro, há muitas coisas interessantes lá, muita informação, mas é apenas um estudo abstracto e nada mais que isso. Enquanto que o próprio método é muito prático, e nós temos de o implementar entre nós.

Do Congresso em Vilnius 23/3/12, Lição 1

O Paciente Está Morto E Se Sente Bem Consigo Mesmo

Dr. Michael LaitmanO Talmude Babilônico, Tratado Taanit 7: Aquele que se ocupa da Torá em prol dela, a Torá se torna a poção da vida para ele, e aquele que se engaja na Torá não em prol dela, ela se torna a poção de morte para ele.

Se há um grande perigo oculto na Torá, talvez seja melhor não se envolver com ela? Afinal, se você estudar corretamente, você “sobe aos céus”, e se você não fizer isso, “você vai afundar no chão”, no abismo.

O problema é que se você não estuda corretamente, a Luz oculta na Torá coloca você em estados que são opostos à verdade, mas você não percebe isso. A Torá não lhe traz a morte, mas sim “a poção da morte”, quando você não sente que está morto. Você pode estudar a Torá dia e noite, memorizar página após página, e ao mesmo tempo estar morto, isto é, sem entender que isso é totalmente oposto à meta para a qual a Torá foi dada.

A Torá foi dada a nós para que alcancemos o amor aos outros. Ela diz: “Eu criei a inclinação ao mal, e criei a Torá como condimento porque a Luz nela reforma”. O que significa que ela reforma? Essa é a “grande lei da Torá” – “Ama teu próximo como a ti mesmo”, ou em outras palavras, o objetivo geral de tudo o que fazemos de acordo com a Torá.

Em cada preceito que realizamos, em cada detalhe, devemos avançar para o amor ao próximo. Somente através do amor ao próximo alcançaremos a meta final, o amor do Criador e a adesão com Ele, de acordo com a equivalência de forma entre a pessoa e o Criador.

Portanto, antes do estudo, temos que nos preparar e manter todas as condições necessárias para que o estudo da Torá nos leve à meta desejada: à adesão, ou seja, à correção das nossas intenções egoístas em altruístas. Esse trabalho é esclarecido somente no grupo, onde podemos verificar a nós mesmos na prática.

Cada vez nós descobriremos ódio entre nós e teremos a chance de subir acima dele para o amor. Para fazer isso, nós precisamos nos organizar corretamente: nós queremos nos conectar para alcançar a adesão e descobrir o Criador nela, dando assim contentamento a Ele. O Criador só pode ser descoberto no nosso vaso coletivo de doação. É necessário que nos preparemos para a aula dessa forma para abordarmos o estudo corretamente.

Pergunta: Se a poção da morte não me deixa sentir que estou morto, a poção da vida me permite me sentir morto?

Resposta: Eu sinto que estou vivendo da “poção”. Não é mais uma existência comum. Na intenção a fim de doar, acima da minha natureza, eu alcanço a vida. A poção tem o efeito de me fazer mentir para o meu desejo egoísta e não para mim mesmo. Por outro lado, a poção da morte me afoga na mentira, que eu não percebo, e, então, eu me vejo como “justo”, embora eu ainda não tenha entrado no nível de “malvado”.

Pergunta: Como a sabedoria da Cabalá pode salvar uma pessoa da poção da morte?

Resposta: Ela pode fazer isso através da Luz que Reforma. Se você organizar corretamente todas as condições para você, se você entrar no grupo e disseminar, o que é parte inseparável da preparação nesses dias, e se você participar em tudo o que o grupo experimenta para revelar a conexão, então você está se preparando corretamente para o estudo, e sua intenção durante o estudo não é ler outro parágrafo, mas receber a Luz que Reforma. Não é por acaso que o Baal HaSulam escreveu na “A Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, Item 18: “…que durante a prática da Torá, eles não colocam suas mentes e corações para atrair a Luz da Torá…”.

Tudo é resolvido pela preparação. O estudo correto é o estudo para o qual você se preparou corretamente. Então, você lê o texto corretamente, com a intenção correta, no grupo correto, com todas as condições necessárias. E o que você obtém do estudo? Você obtém a chance de trabalhar e subir: o sentimento de ódio e rejeição dos amigos…

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 13/03/12, “Introdução ao TES”

Um Medicamento Para O Dia Inteiro

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que uma pessoa pode fazer durante a leitura do Livro do Zohar, a fim de ficar em contato com o grupo durante todo o dia?

Resposta: Você recebe certo medicamento de manhã, uma injeção. Suponha que eu tenho pressão alta. Eu tomo um comprimido de manhã para que eu possa me sentir bem o dia inteiro. A pílula faz o seu trabalho porque trabalha no mesmo nível: inanimado, vegetal e animal.

Por outro lado, o nosso desenvolvimento espiritual depende dos nossos esforços. Minha cura depende da minha participação. Por quê? Porque graças a cura, a partir do nível animal, eu atinjo o nível humano (do homem).

Então, não basta tomar uma “pílula” de manhã, por exemplo, meia hora antes de ler O Livro do Zohar, quando estou muito entusiasmado e comovido até as lágrimas pelas fortes emoções. Não é o suficiente. Eu tenho que organizar uma programação diária para que eu possa estar sob esta influência o resto das 23,5 horas.

Em nosso mundo, a pílula tem um efeito sobre mim por 23,5 horas se eu a ingerir por meia hora. Gradualmente, à medida que os sucos digestivos são extraídos, a pílula libera todas as substâncias que contém de modo que estas são absorvidas pelo corpo durante várias horas.

Nos temos que fazer o mesmo. No entanto, a pessoa não pode fazer isso porque ela está constantemente em seu nível, enquanto aqui, ela tem que estar entre os dois níveis. Dois níveis, como diz O Zohar, são as letras “Hey” superior e “Hey” inferior. O “Hey” superior é Bina que age em mim, e eu sou Malchut, o “Hey” inferior. O que deve estar entre nós? O Criador.

Então, eu tenho que colocar o Criador diante de mim, o que significa que todos os despertares que minha Malchut sente, o meu desejo, como resultado de receber meia hora de “infusão”, toda a sua preparação potencial para a correção, tudo deve ser revelado praticamente durante as 23,5 horas. Eu tenho que ajudá-la tentando não me separar do objetivo: “Israel (aquele que anseia pelo Criador), a Torá (a Luz que as reformas), e do Criador são um”. Para isso eu recebi a injeção.

Claro, eu só posso fazê-lo com a ajuda do grupo em que estamos em um pensamento e, portanto, influenciamos uns aos outros. Não há outra escolha. Uma pessoa não pode fazê-lo por si mesma. Mesmo que ela escreve milhares de memorandos e os coloque em toda parte, ela não vai vê-los. Mesmo que ela pegue um servo para lembrá-la, ela não vai ouvi-lo.

Isso só é possível na forma que está acima dela, quando a força que a obriga a ouvir, isto é, para estabelecer uma conexão entre as duas letras “Hey“, vem até ela. Você só pode fazer isso no grupo.

Portanto, a garantia mútua é expressa quando você está nessa atividade, na absorção do medicamento que já está dentro de você. Se você o engolir e não usá-lo, é como se você recebesse veneno de uma cobra, porque todo remédio é veneno. Não é por acaso que o símbolo da medicina é uma cobra enrolada em torno de um copo de veneno.

Se você não usar esse meio corretamente, ele se torna a poção da morte. Então, você vai descobrir isso através do sofrimento e não da Luz. Esta é a mecânica, e ela deverá funcionar desta maneira. Não há nada aqui exceto as leis da natureza.

Esta é a raiz de todos os erros que as pessoas fazem ao longo de suas vidas e ao longo da história humana. Você poderia escrever romances inteiros sobre o assunto, mas a humanidade já não tem tempo para lê-los…

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/03/12, O Zohar

Quem É O Professor Para Mim?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em que momento nós devemos introduzir os alunos que estudam por meio de cursos virtuais do Centro de Educação aos alunos veteranos e aos grupos?

Resposta: Eu não acho que seja possível restringir essa conexão de qualquer forma. Em geral, é melhor não intervir; isso deve ocorrer por si só. Certamente, alguns de nossos amigos experientes precisam ajudar o professor no trabalho com os novos alunos, dando palestras, respondendo às suas perguntas, e ajudando a estabelecer a comunicação com eles. No entanto, os veteranos precisam ter cuidado para não se mostrar como “grandes”, pois ao fazê-lo prejudicariam a imagem do professor aos olhos dos estudantes e impediriam a possibilidade deles aprenderem da maneira correta.

Só é possível aprender a partir de um “grande homem”. Por outro lado, se você acha que ele é pequeno, você já é o professor e ele o aluno. Assim, é muito importante que os assistentes não se destaquem, mas continuem, como assistentes do professor e demonstrem respeito pelo professor. Eles vão servir de exemplo para os estudantes e elevarão o respeito pelo professor aos seus olhos, e isso vai ajudar os alunos a receberem mais dele.

Afinal, na sabedoria da Cabalá, o material é compreendido de acordo com a importância do professor. Quanto mais o aluno se anula diante do professor, mais ele será considerado um estudante melhor. Nós não estamos falando aqui do conhecimento que eu compreendi com a inteligência, mas especificamente sobre como eu me vejo pequeno em comparação com o professor, ou o professor grande em comparação a mim. Quanto maior o hiato entre nós, mais abundância descerá sobre mim. Não há medição para a abundância em si. Eu defino a sua intensidade exatamente de acordo com a mesma grandeza com que eu elevo o professor aos meus olhos. Isto é muito importante. Os assistentes precisam construir corretamente a relação dos novos alunos para com o professor. O sucesso depende disso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/02/12, Aprendendo Cabalá

Seja Relevante

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando começamos a falar sobre os problemas globais durante a aula, muitos de nossos amigos tomam isso negativamente sentindo que estamos “perdendo” parte da aula. Eu sinto que esta atitude deve ser alterada. Sem assuntos atuais não temos o direito de existir. Se não formos pessoas relevantes (pertinentes) não vão nos ouvir.

Resposta: Isso também é verdade. Baal HaSulam escreveu sobre os Cabalistas de Jerusalém, que estudavam a Cabalá como a matemática e não percebiam que ela trata da conexão entre nós, sobre como corrigir o vaso quebrado. Hoje, nós descobrimos a quebra da alma comum de Adam HaRishon (primeiro homem), e por isso a sabedoria da Cabalá nos é revelada, a fim de corrigirmos a quebra.

Se não analisarmos os acontecimentos atuais a partir dessa perspectiva, então por que devemos estudar a sabedoria da Cabalá? É claro que nós estudamos somente por este motivo. Perder a lição significa que eu saí da aula e durante todo o dia não tenho nada no que me apoiar, de modo que a minha vida não terá um propósito. Se a minha sabedoria não está conectada à verdadeira “substância”, ela desaparece. Mesmo que eu me sinta importante, que eu adquiri alguma coisa, e que eu entendo alguma coisa, é apenas uma satisfação egoísta, nada mais.

Portanto, se alguém pensa que nós estamos falando sobre problemas atuais apenas para passar o tempo, então ele não deveria vir aqui. Afinal, ele está aqui graças à relevância destes assuntos atuais. Só por isso cada um de nós foi trazido aqui para que pudesse contribuir para a correção do mundo. Mas se a pessoa estabalece para si outro objetivo, ela pode sair. Nós não precisamos dela.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/02/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“

Vir Para A Lição Com Um Pedido Pela Vida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se nos prepararmos durante todo o dia para a lição como para uma reunião com um rei, onde é possível chegar com apenas um pedido, como ficaria a lição de amanhã?

Resposta: Você receberia uma luz muito grande. Você poderia sentir o quanto ela lhe dá. Através do material estudado, você começa a sentir o sistema espiritual que doa a você. Linhas áridas (do texto), ressuscitariam. Elas adquiririam profundidade e transparência e criariam volume interno em tudo. Ficaria claro para você que todo o nosso mundo é plano, como um retrato na parede. E por trás dele, você de repente vê uma nova dimensão, um sistema que move toda a imagem e monta suas peças. Quando você sentir a importância da meta, você começará a existir nele.

Entretanto, nós menosprezamos a meta, a rejeitamos inconscientemente e, é claro, ela está distante de nós.

De qualquer forma, nós devemos avançar, e antes de tudo nos preocupar com a compreensão de sua importância. Mesmo se estivermos avançando agora, devemos sempre passar pela linha esquerda, para um esclarecimento crítico, e peceber que ela não é suficiente. A cada dia nós devemos somar esforços para a conexão, e só isso.

Além disso, devemos agradecer aos nossos amigos de todo o mundo que realizam a disseminação e distribuição de materiais explicativos. Nós precisamos apoiá-los em seu trabalho, que realmente nos ajuda muito.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/01/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

Carga De Energia Espiritual Para Todo O Dia

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante uma convenção ou reunião dos amigos é fácil alcançar o sentimento de amor para com os amigos e a conexão. Mas, por que às vezes acontece o oposto durante a lição?

Resposta: A lição matinal não é para preencher (satisfazer) o estudante. A lição deve sacudi-lo fortemente e colocá-lo em seu lugar, para que depois ele seja capaz de escolher a direção correta, se esforçar durante a aula e continuar vivendo nela o dia inteiro.

A lição matinal é a porção mínima diária que todo mundo recebe e continua processando todo o dia. A partir dela ele escolhe vários princípios para o seu trabalho interno e para a disseminação. Eu me lembro que quando eu estudei, eu nunca perdi uma aula, com exceção de uma época em que eu estava muito doente. Se você passar a manhã sem uma lição, você só vai sentir o seu corpo físico durante todo o dia e vai servi-lo o dia inteiro.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabala 1/24/12 , Escritos de Rabash

Descubra A Bondade Do Criador, Não Seus Presentes

Dr. Michael LaitmanO Criador não se esconde de nós, mas sim, é o nosso ego que se esconde Dele. Nossa natureza oposta é que nos separa Dele. Então, como podemos tomar a forma do Criador? Como podemos alcançá-Lo de acordo com a lei de equivalência de forma? Como podemos descobri-Lo e descobrir que Ele está em nós?

Para isso, temos que executar determinadas ações. Quem realiza essas ações, nós ou Ele? Há provavelmente uma necessidade de cooperação aqui. Não podemos avançar sem a Luz superior. Ao nos “balançar”, Ele exige a nossa cooperação, que é chamada de “livre-arbítrio”. Esta cooperação é todo o nosso trabalho. Não há restrições aqui. Está aberto a todos e é implementado pelo estudo correto dos livros Cabalísticos.

Estas fontes podem ser o “elixir da vida” ou a “poção da morte”. Tudo depende de nossa abordagem.

• Se eu tenho a intenção de descobrir a minha inclinação ao mal e corrigi-la, eu posso ter sucesso, e a sabedoria da Cabalá será o “elixir da vida” para mim. Eu vou descobrir a “morte”, o meu ego, dentro de mim e vou querer corrigi-lo para vir à vida.
• Mas se eu estudo para atingir realizações egoístas, se estou buscando conhecimento, poder, respeito, controle, etc, então o estudo apenas reforça o egoísmo em mim e meu sucesso é oposto à doação e eu não estou sequer ciente disso. Tal estudo torna-se a “poção da morte”.

Assim, nós passamos por fases de ocultação do Criador. A ocultação é dividida em ocultação simples e dupla; a primeira revelação nos revela a governança como recompensa e punição e, depois, a revelação da Sua Providência eterna.

Na verdade tudo depende dos meus desejos, dos meus vasos. Com relação ao Criador, não há restrições. Ele não se esconde e não está oculto. São meus desejos, meus vasos, que O escondem, e se eu trabalho com eles corretamente, eles são gradualmente corrigidos, e de acordo com a sua correção, eu descubro o Criador. De uma forma ou de outra, eu sou aquele que O esconde de mim mesmo.

Em nosso mundo, nós também descobrimos muitos fenômenos que não notamos a princípio: diferentes tipos de alimentos, diferentes tipos de arte e cultura e diferentes tipos de animais. Estas coisas estavam lá o tempo todo, mas não para nós.

Com o tempo nós percebemos mais, graças ao nosso desenvolvimento emocional e intelectual sob a influência do ambiente, o que eleva a importância das coisas aos nossos olhos, evoca em nós a paixão, ambição e vaidade, e nos obriga a prestar atenção às coisas que eram totalmente sem importância para nós antes. Todo mundo diz que é importante; eu sou impressionado e entro nos desejos de outra pessoa. Isso é suficiente para eu me importar: eu descubro novos desejos, novos vasos, e saio da ocultação em relação a determinado fenômeno.

O mesmo ocorre quando se trata da sabedoria da Cabalá e do Criador. É o mesmo princípio aqui também: eu sou um egoísta e não me importo com nada, exceto minhas solicitações “bestiais” cotidianas. Então, se eu quiser algo mais sublime, eu tenho que entrar no ambiente certo que me estimule e me guie em direção a coisas maiores.

Portanto, tudo depende da correção dos meus desejos. Inicialmente, o fenômeno não existe para mim e está em ocultação completa. Então, eu começo a descobrir certo desejo, um anseio por ele, e depois a ocultação fica mais fraca, até que eu descubro algo novo.

No caminho espiritual eu olho para o Criador, mas não como uma fonte de prazeres; eu quero descobrir Sua atitude para comigo, porque Ele quer revelar que Ele é o bom e benevolente. A questão não está naquilo que eu recebo Dele, mas o que importa para Ele é que eu descobra sua atitude para comigo, para que eu possa ver a Sua bondade absoluta, ser impressionado por ela, e ser preenchido por esta atitude. Assim, Ele me “compra”.

Assim, todas as quatro fases de ocultação e revelação referem-se, na verdade, à boa e imutável atitude do Criador, que eu gradualmente revelarei de acordo com meus desejos. Quando eu descobro a boa atitude por parte Dele, eu vejo que ela já existia antes, só que eu não a sentia e compreendia por causa da minha corrupção.

Portanto, agora também, quando eu não vejo a bondade do Criador em tudo, eu tenho que avaliar a ocultação: mesmo se eu não prestar atenção em Sua bondade em certas coisas, pode ser que Ele esteja lá também. Talvez seja minha culpa que eu não veja a Sua bondade?

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/01/12, “O Estudo das Dez Sefirot“

Promessa Silenciosa

Dr. Michael LaitmanA fim de entender alguma coisa, a pessoa deve começar do início ou do fim – do início da criação ou do seu objetivo final. Afinal, o que está no meio pertence ao nosso trabalho, a livre escolha. Ao analisar o início e o fim, nós temos que entender o que nós temos que fazer no meio.

A diferença entre o início e o fim do caminho está em adquirir a intenção de doar. Somente isso muda na realidade. Alterando a intenção, nós alcançamos nossa diferença em relação ao Criador e a corrigimos. Portanto, fica claro que nossa tarefa está apenas em atingir esta intenção correta.

Toda ação consiste em pensamento, ação e fala. Pensamento é o plano que antecede tudo, que inicialmente inclui o resultado da ação. No meio, entre o plano e a execução, há o discurso, ou seja, o discernimento.

A fim de tornar o discernimento adequado, deve haver concentração. É por isso que os Cabalistas têm o costume de ficar em silêncio, que também é feito neste mundo. Quando uma pessoa está prestes a atravessar um evento importante e quer entender como fazê-lo, ela se concentra nele, exigindo silêncio e tentando se fechar para não ser incomodado por conversas externas. Ela se prepara intensamente para realizar a ação corretamente.

É por isso que eu quero passar o fim de semana em silêncio, no silêncio, e pensar em como podemos alcançar a ação correta. Em vez de falar, vamos fazer discernimentos em silêncio.

Da preparação para a Lição Diária de Cabalá 10/01/12

O Violino Vai Tocar Quando O Vento Soprar

Dr. Michael LaitmanAntes de começar a ler ou ouvir o texto que carrega a informação espiritual, é preciso primeiro harmonizar-se ao lugar onde a espiritualidade é revelada. Está escrito: “Do amor às criaturas (ou seja, do amor pelos amigos) a pessoa chega ao amor pelo Criador”. Portanto, desde o início, nós devemos imaginar o grupo, a conexão correta entre nós, dentro da qual aguardamos a revelação.

Toda ciência da Cabalá dedica-se à revelação do Criador às criaturas. E o sucesso depende de como eu imagino corretamente o lugar desta revelação, ou seja, suas condições: a aspiração a ela, a avaliação elevada, a gratidão e, ao mesmo tempo, o sofrimento. Impressões boas e ruins, ou seja, uma grande inspiração e um grande desespero. Tudo isso junto.

Porém, no final, eu me concentro numa realidade na qual espero a revelação do Criador: a qualidade de doação, que governa o universo inteiro a partir da ocultação. “Não há outro além Dele” – a força de amor e doação.

Uma vez que eu me sintonizo dessa forma, a fim de me apegar a esta qualidade, tanto quanto eu posso imaginá-la com todo meu coração e alma, no meu coração e mente, visando todos os meus pensamentos, desejos e forças para ela, então eu posso ler o texto. Ele poderia estar falando em termos técnicos, tais como o Talmud Eser Sefirot, ou ser uma lenda, isso não importa. Por trás de tudo isso, eu tento ver como ele descreve as relações entre eu e a força superior de doação, ou seja, o quanto eu correspondo a ela.

É sobre issoo que o livro ou a voz do leitor me dizem. Não importa qual a forma em que eu recebo informações sobre a revelação do Criador, eu vou estar pronto para percebê-la.

Quando olhamos para nossa vida, também devemos tentar ver como revelar a atitude do Criador, que “se veste” no mundo. Antes de tudo, obviamente, no grupo. Ele desperta todos nós juntos, “dia e noite” (ou seja, em estados diferentes – subidas e descidas), de modo que finalmente nós O revelemos na conexão entre nós.

Todos nós juntos somos como um instrumento musical que deve ser ajustado bem e corretamente, estabelecendo as qualidades adequadas, as conexões mútuas, a harmonia entre nós, de modo que o instrumento seja tocado corretamente. Quando esse vento sopra, que tocou o violino de David, então, como esse violino, vamos tocar juntos.

Em geral, a pessoa deve tentar ver a expressão da força superior em todos os eventos de sua vida, mesmo que ela não entende porque e como as coisas acontecem. Por um lado, na vida normal, devemos tentar agir como normais e ser o mesmo que todos. Mas, ao mesmo tempo, internamente, devemos nos relacionar com tudo como se fosse a revelação do Criador para nós.

Por enquanto isso é como um jogo: não é real, porque você ainda não sabe exatamente como decifrar a imagem que aparece para você, mas ainda assim, você tem que procurar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/12, Escritos do Rabash