Textos na Categoria 'Egoísmo'

Boa Vontade E Uma Boa Atitude

Dr. Michael LaitmanDepois de milhares de anos de desenvolvimento humano, a humanidade alcançou o reconhecimento do mal de sua natureza. Nós finalmente percebemos o que está acontecendo e vemos que todas as nossas vidas estão cheias de sofrimento e que toda a nossa história é uma história cheia de muita dor.

Nós pensávamos que éramos sábios, avançados, iluminados, e muito desenvolvidos, e, em última análise, somos vazios, sem esperança e sem um futuro para a nova geração que nasceu.

Numa situação tão difícil e crítica, eu estou pronto para pensar em um método e uma nova forma de vida. Essa não seria uma vida derivada de meus impulsos internos egoístas da exploração dos outros de geração em geração, mas de uma inclinação diferente: a exploração de mim para o bem dos outros.

Esta é a escolha que está diante de nós, a única abordagem que é ditada pela natureza, o dilema entre as duas inclinações: a inclinação ao mal (egoísta) e a inclinação ao bem (altruísta). Não há outra possibilidade. O ser humano se desenvolveu por milhares de anos com o desejo de explorar o ambiente, a natureza inanimada, vegetal e animal e os seres humanos, e tudo isso é para si mesmo e só para si mesmo. Agora só resta uma coisa: mudar esse modelo para um modelo oposto. Isto significa alcançar o equilíbrio com o ambiente. Na verdade, eu sofro porque todo mundo quer explorar o outro, como eu o faço. Em última análise, nós estamos esgotados. Nós esgotamos um ao outro. Nós ficamos chateados e indefesos. Em suma, nós chegamos a um beco sem saída.

Simplesmente não há outra escolha. Nós devemos examinar a nós mesmos, compreender como depende de nós mudar a nossa abordagem em relação à vida, e assim, em vez de “todo mundo puxando o cobertor para si mesmo” é claro que a única solução é falar sobre a cooperação e o equilíbrio entre nós.

Na verdade, a Terra está pronta para nos fornecer tudo o que precisamos, mas, por causa do nosso ego, somos como crianças tolas que roubam uma da outra, e, finalmente, ninguém é feliz e ninguém recebe qualquer satisfação real na vida. Assim, a única solução é equilibrar as relações entre todos nós. Nós começamos com isso: Como nós vamos mudar?

No momento, eu quero puxar tudo para mim, mesmo que eu não precise disso. A principal coisa é não deixar nada para os outros. É assim que eu desfruto não apenas a minha satisfação, mas também a privação dos outros. Não basta que eu tenha mais do que os outros. Eu não quero que eles tenham nada. Basicamente, o fato de que eles têm algo me incomoda, porque eu sempre meço a minha situação em relação aos outros, e estou feliz que eu tenho mais e eles têm menos.

Portanto, cabe a nós entender o que é bom e o que é ruim em nossa natureza e como podemos compensar, completar, e corrigi-la.

Pergunta: Mesmo se eu quiser alcançar o equilíbrio, em que bases eu posso avaliar minhas atividades? Como posso saber o que vai me ajudar e o que vai me prejudicar?

Resposta: O que torna as coisas melhores para os outros vai ajudar, e os outros vão pensar sobre o que é bom para mim. Nós tentamos fazer o bem uns aos outros, para fazer o oposto do que está acontecendo hoje.

Pergunta: Cada um dos outros tem seus próprios desejos. Será que isso significa que cabe a mim ser mudado internamente, para me ajustar a eles? Isso me obriga a ser muito sensível para com as pessoas.

Resposta: A principal coisa é o desejo de fazer o bem aos outros e ter uma boa atitude para com os outros. Primeiro de tudo, a atração a isso vem de uma falta de escolha, e nós continuamos a trabalhar nisso. Nós realizamos workshops, jogos, eventos e discussões, até que, dentro de nós, temos a certeza de que é possível conviver mutuamente (bem, com amor), elevando-se sobre o nosso ego, que não desaparece, mas permanece e se torna mais forte.

Nós organizamos a conexão especificamente a despeito do ego, acima das diferenças de opinião, acima da oposição, e construímos um bom relacionamento entre nós e nos conectamos com equilíbrio.

Com isso, nós projetamos um novo padrão de vida, um novo nível chamado homem (Adão), deixando o nível anterior.

Pergunta: Isto significa que o acordo fundamental não é suficiente? Ele não pode ser o botão que ativa o mecanismo de cooperação?

Resposta: Esse botão se encontra em mim, dentro do meu coração, e, para pressioná-lo, eu libero todos os meus bons impulsos e os utilizo em benefício dos outros, e eu fecho, contraio e congelo todos os meus maus impulsos.

Claro que, para isso, é preciso construir todos os sistemas auxiliares do novo mundo, construí-los com nossas próprias mãos. Com a ajuda deles, nós aprendemos a distinguir entre o bem e o mal, entre a doação aos outros e a recepção deles, entre usar a mim mesmo para o bem deles e explorá-los para o meu bem.

De KabTV “Uma Nova Vida” 10/04/14

A Luta Sem Fim Com O Ego

Dr. Michael LaitmanLivro, Shem MeShmuel, Parshat “Ha’azinu“: “Adam HaRishon disse a todas as criaturas, “Venham, vamos nos curvar e nos ajoelhar perante o Criador”; mas, devido ao erro, o conceito tinha se corrompido, até mesmo o bem daquela geração não teve a possibilidade de se unir para servir o Criador. Ao invés, eram indivíduos isolados. E a correção disso começou na geração da dispersão que fez uma divisão na espécie humana. Isto significa que a correção começou com a reunião e a associação de pessoas para o serviço ao Criador, a partir de Abraão, a paz esteja com ele”.

O desejo de receber deve chegar à correção e se assemelhar à característica de doação, ou seja, o Criador, cujo desejo é beneficiar as criaturas.

O desejo de receber vai ser como o Criador através da intenção. Ele não pode mudar a si mesmo e continua a ser um desejo de prazer. Mas, como resultado do processo, todo seu prazer está na doação. Ele avança nesta direção.

A correção começa a partir do estado desenvolvido, da fase avançada da extensão das quatro fases de Ohr Yashar (Luz Direta), quando o desejo já sente a si mesmo, sua recepção. Ele está ciente de que está recebendo, entende que é o oposto do doador, e a sensação dessa diferença desperta vergonha nele.

Assim, a correção não começa imediatamente. Adão, o primeiro Cabalista, foi o único em quem ela despertou. Como nós, ele fez perguntas sobre o sentido da vida: “para que serve tudo isso? Por quê? Como?”, e ele chegou à descoberta da Luz Superior.

Os desejos eram fracos e pequenos, então, o que é chamado de refinado. E as correções também eram diferentes do que as nossas correções. Certamente, o desejo de receber não só cresceu, mas também se dividiu em muitas partes. Não era só que a população da Babilônia não era grande. O número de seres humanos no mundo nos diz o quanto o desejo de prazer tem crescido e requer a divisão para que todos tenham o poder de corrigir sua parte.

Houve dez gerações entre Adão e Noé e Noé e Abraão, que liderou a correção de forma diferente e quis acrescentar a este processo todas as pessoas no mundo que ainda se concentravam em uma área.

Como sabemos, Abraão reuniu em torno dele todas as pessoas que queriam se juntar a ele e as levou para fora da Babilônia.

Na maior parte, não há nenhuma diferença significativa dos tempos antigos até os nossos dias: nem em essência e nem nas fases do processo. Claro, cada um sente sua forma única através de seu Reshimo individual. Mas, de modo geral, todas estas correções são chamadas de “serviço do criador”, ou “trabalho para o Criador,” que cabe a nós.

Assim, no tempo de Abraão, parte dos babilônios começou a se separar dos outros e eles se chamavam Yashar-El (direto ao Criador), Israel, de acordo com sua inclinação, seu objetivo. Quando eles se uniram, passaram por vários estados de conexão em níveis mais ou menos fortes, fases de análise, os níveis de Abraão, Isaque e Jacó.

Depois disso, eles se encontraram no estado baixo do exílio Egípcio e sentiram como seu ego novamente tinha crescido e os dominado, tal como tinha sido na Babilônia. Mas eles já se relacionaram ao seu domínio de forma diferente. Eles queriam deixar seu domínio, e naquela época eles tinham quase desaparecido, misturando-se tanto que foram engolidos dentro dele.

Este era um perigo real, os “49 Portões da Impureza,” um estado quase sem solução. E apesar de tudo, com suas últimas forças, com a ajuda da força entre eles chamada “Moisés”, eles tiveram sucesso na escuridão, sob uma sucessão de golpes, para despertar tanto “no bem” e “no mal” e fugiram do domínio do ego, elevando-se sobre ele.

Isso foi chamado de “Êxodo do Egito” — eles subiram acima do ego e foram atraídos para o desenvolvimento. No entanto, o ego não desapareceu, mas eles o controlaram.

Este controle do ego e até mesmo a capacidade de usá-lo corretamente para a doação é chamado “Torá”. O exílio Egípcio, a descida ao abismo do narcisismo que foi descoberto, em última análise, lhes forneceu essa capacidade.

E depois disso, começou o período do deserto, onde eles ajustaram o ego e o corrigiram com o doar a fim de doar, preenchendo-o com Hafetz Hesed (deliciando-se na misericórdia). Mesmo que eles não tivessem nada, visto que estavam em devastação, eles passaram de desejo em desejo e cada vez descobriram o mal e o corrigiram.

A Torá nos fala sobre este período e nos explica como é necessário corrigir o ego, para ultrapassá-lo e controlá-lo. Mas é o controle apenas no primeiro nível: doar a fim de doar.

Assim, com a subida de Malchut à Bina, depois de “quarenta anos no deserto” estávamos finalmente prontos para corrigir Malchut. Este já era o nível chamado “entrada para a terra de Israel”. Nós continuamos com as correções e guerras, conquistando a terra, até que o povo de Israel dominou a terra de Israel.

Mas com isto a correção não foi concluída. Apenas seu primeiro estágio terminou, que tinha continuado desde Abraão até a construção do primeiro templo (Beit HaMikdash). Esta foi a correção somente daquelas pessoas que tinham saído da Babilônia, uma pequena parte da humanidade. Mas a correção geral que Adam HaRishon havia começado não tinha sido realizada.

Portanto, para prosseguir o processo, o grupo de Abraão que tinha se tornado o povo de Israel, teve que ser dividido e entrar em contato, em conexão, com todo o resto desses desejos, essas partes da humanidade que são chamadas de “setenta nações do mundo”. Entretanto, eles tinham sido espalhados por todos os lugares na terra; em outras palavras, de serem controlados pelo ego, eles passaram por todos os tipos de controle, criaram as religiões e crenças e despertaram várias forças que agiram sobre eles.

Então a nação de Israel não só tinha que cair de seu nível, mas também tinha que ser espalhada entre todos os povos, entre todas as forças, controles e métodos, para ser integrada com eles e integrada neles.

A destruição do segundo templo simboliza a queda final do povo de Israel em ódio infundado que foi pior do que entre todas as nações do mundo, porque eles quase perderam a conexão entre si, a característica do povo de Israel e de pertencer à terra de Israel. Na verdade, apenas sua orientação geral, apenas a necessidade de fazer a correção para o futuro, para o bem é o que os manteve juntos de alguma forma.

Depois disso, foi concluída a integração com o mundo e agora o despertar começou novamente. Em primeiro lugar, o povo de Israel entrou na terra de Israel. Depois eles se corrigiram, de ser um pequeno grupo até todas as pessoas habitando em Sião, depois que o povo de Israel se espalhou em toda a diáspora e depois gradualmente todo o mundo.

Tudo acontece gradualmente, de acordo com o refinamento dos vasos, desejos e com a integração dos Reshimot que permaneceram desde o tempo da quebra. Na verdade, não há ninguém que seja maior e ninguém que seja menor aqui. Nós vemos isso dentro do material de acordo com a intensidade do desejo de receber e os Reshimot que são despertados dentro dele.

Eles estão sob a influência da Luz que os desperta adequadamente. E todas as correções são sustentadas desde a correção mais leve até a correção mais pesada. É como acontece o desenvolvimento.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/07/14, Escritos do Baal HaSulam

A Arte Do Equilíbrio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a definição absoluta de bem e mal?

Resposta: Bem é equilíbrio, harmonia e integridade entre todas as partes da natureza. Mal é o oposto, a falta de equilíbrio, falta de integridade, erupções de uma das forças, levando a guerras e desastres.

Em outras palavras, o bem sem o mal também não é uma boa situação. Parece evidente que um dia ensolarado é melhor do que um dia chuvoso, mas se isso aumenta a um nível extremo, este calor vai queimar tudo.

Assim, tudo de bom está escondido dentro do equilíbrio. Isso significa que eu tenho que manter o equilíbrio nos três níveis da minha existência: corpóreo (bestial), humano e espiritual. O nível corporal é saúde, economia doméstica, nutrição saudável, sexo saudável, e relacionamentos saudáveis ​​na família. Nó devemos ensinar às pessoas tudo isso porque elas, ao contrário dos animais, não herdam traços como estes instintivamente.

O nível humano é o meu relacionamento com a sociedade, com o ambiente. O nível espiritual é a minha aspiração espiritual: meu objetivo na vida, a minha percepção da realidade, como eu imagino o que é superior. Estes três níveis juntos exigem equilíbrio.

Pergunta: Como a pessoa pode descrever o equilíbrio no nível humano, nas relações com o ambiente?

Resposta: Nós não sentimos uma divisão entre nós, nós pertencemos a uma comunidade unificada, a um corpo humano; nós estamos conectados num único sistema. E entre nós, nós queremos providenciar relações equilibradas de cooperação mútua.

Em última análise, nada nos separa; nós somos um todo único. Nós dependemos uns dos outros e sequer sentimos esta dependência, as respostas para todas as minhas solicitações vêm nesse momento, imediatamente me abastecem com o que está faltando, e de bom grado eu dou aos outros o que eles não têm.

Isso é chamado de equilíbrio na sociedade humana, isto é uma interação recíproca com base em duas forças opostas que existem em todo o mundo. Um por todos e todos por um. Nós temos que alcançar isso.

Pergunta: Então, como vamos fazer isso? Como vamos manter a direção certa para o objetivo?

Resposta: Em primeiro lugar, temos que estudá-la. Se eu tentar organizar a minha vida na família e em outras estruturas como esta, eu vou começar a sentir o equilíbrio, a harmonia, entre nós e o ambiente. E nestas imediações algum tipo de poder compartilhado é revelado, o bom e benevolente.

Por um lado, nós o criamos, mas por outro lado, ele está latente na natureza, está acima de nós. Disto se segue que não criamos o poder em si, mas as condições para a sua descoberta. Então, nós nos conectamos a ele: ele nos preenche e nós o construímos e criamos, mais e mais, até que haja completa harmonia entre nós e essa força. Este é o objetivo, e ele é chamado de “o bem perfeito”.

Pergunta: Isso significa que a minha “bússola” é a boa força que é descoberta em cada conexão e interação entre eu e o ambiente?

Resposta: É precisamente entre nós. Nós somos iguais e, aparentemente, desaparecemos, deixando apenas um desejo, e isso é para manter o equilíbrio de toda a harmonia e unidade.

E de acordo com esse estado geral integral entre nós, eu agora definir o conceito do bem e mal. Eu chamo o equilíbrio de “bem” e a falta de equilíbrio de “mal”.

Eu repito: o mais importante é alcançar o equilíbrio com o ambiente imediato, na conexão de cooperação mútua. Aqui “mais” (positivo) e “menos” (negativo) se encontram, dar e receber, como a troca de materiais; aqui há uma troca de sentimentos e relações que estão sendo realizada. É como no nível inanimado, vegetal e animal, mas já num nível mental e espiritual.

E neste nível, nós desenvolvemos dentro de nós um “sentido” do mal, a capacidade de reconhecer o mal com base numa vara de medição universal: equilíbrio entre as pessoas, amor mútuo, conexão, tudo isso é o bem. E a partida da unidade, o distanciamento dela, é o mal.

Isto é o que deve se tornar a base da educação do ser humano moderno. Isso ocorre porque, basicamente, ele não precisa de nada mais do que isso. Isto irá trazer-lhe sucesso na vida.

De KabTV “Uma Nova Vida” 10/04/14

Não Há Outro Meio De Correção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por um lado, Israel tem um problema externo, ataques aéreos constantes, e por outro lado, no seio do povo, há uma divisão em muitas facções e direções. Todo mundo puxa para o seu lado e odeia os outros. Como esta separação interna afeta nossa segurança externa?

Resposta: A razão é a mesma: não há unidade entre nós. Então, é claro, há uma divisão entre nós, e nós não concordamos com o outro.

Apenas uma pequena parte da população tem conhecimento da necessidade de unidade, do método de unidade. Todo o resto não sabe disso ainda, e eles não estão muito interessados ​​em ouvir sobre isso.

Portanto, não é surpreendente que haja tal desunião e divisão no seio da nação. Todo mundo se preocupa com a forma de obter benefícios pessoais com essa situação. Há apenas um motivo: a falta de conexão.

Assim, nós devemos parar de culpar esses inimigos externos que nos cercam em todas as fronteiras, bem como os inimigos internos, ou seja, o nosso egoísmo que nos separa e nos faz odiar uns aos outros sem motivo. Você só tem que começar a trabalhar contra isso. Não há outro meio de correção.

De KabTV “A Missão do Povo de Israel”, 08/07/14

Não Há Nada A Invejar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que nós desejamos naturalmente receber a Torá como algo bom, que “supostamente” devemos receber?

Resposta: E quem disse que a Torá, o método de correção, é percebido como bom?

É dito: “Eu criei a inclinação ao mal, e criei a Torá como tempero”. Por um lado, o Criador criou o mal, e por outro lado, um “tempero” contra ele, a força da correção. Mas o que há de bom nela? O que há de bom se eu tenho um carro danificado que precisa ser corrigido?

Olhe para o mundo. Quem tem inveja do povo judeu, porque eles receberam a Torá? Exceto as pessoas que são atraídas para o propósito da criação, para a correção, os outros podem trazer uma variedade de definições da Torá, e ninguém nomearia a Luz que Reforma. Ninguém vai dizer que a essência da Torá é a correção do mal em si mesmo e que é preciso mergulhar nesse processo.

Nossa definição da Torá como a Luz que Reforma parece não prenunciar nada de bom. Nós estamos falando da força de correção, que confronta todo o mal que deve ser revelado em nós. A revelação do mal é sempre muito desagradável, desconfortável e não gentil. Isso é algo terrível: uma doença grave e uma cura para ela.

Não é por acaso que as crianças passam por algumas doenças que irão garantir a sua imunidade continuada. Nós precisamos experimentar todos os estados no caminho, descobrindo o mal em cada um, sofrendo com isso, e depois corrigindo.

Portanto, quem precisa disso? Na definição correta dessa palavra, o termo “Israel” não promete vida doce para ninguém. Se você olhar para a história do povo judeu, não há nada a invejar. Apenas um punhado de pessoas no mundo está ligado a Israel para compartilhar seu destino. Talvez elas possam ter herdado sua atração das Reshimot (reminiscências) das tribos perdidas.

É difícil esperar um afluxo maciço lá onde estamos trabalhando contra o egoísmo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/14, “Unidade do Povo”

Uma Teia De Aranha Dos Desejos Aprisionados

Dr. Michael LaitmanSe uma pessoa se cansa e perde o interesse em seu trabalho, se ela se sente impotente e pensa que esse caminho não é para ela, isso significa que ela não aprendeu a aproximar de si suas partes separadas, atualmente espalhadas pelo mundo. Ela não sabe como agarrar os vasos vazios onde pode receber um preenchimento.

Afinal, ela é como uma aranha no centro de sua rede que pega os desejos de outras pessoas nessa rede, que se tornam parte de sua alma…

É muito importante entender que, uma vez que devemos constantemente sentir e ansiar estar incorporados com os amigos e absorver todos os seus desejos, eu sou como um egoísta que sempre olha em volta com olhos grandes e ávidos pelo que mais eu posso receber dos amigos, o qual é um despertar, a importância da meta e conexão!

Eu constantemente os invejo. Eu não os desrespeito, mas realmente acho que eles escondem algo de mim. Eu estou certo de que cada um deles tem algo valioso para mim, e que de outra forma não teriam o direito de existir e eou nem sequer os veria. Se eu identificar que alguém existe, isso significa que ele é uma deficiência que eu preciso para completar a minha alma.

É assim como todos devem considerar seu amigo. Por isso, é dito que todos se destinam a me servir, e com isso eu quero servir o meu Criador.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 22/06/14

A Ciência Da Felicidade

Dr. Michael LaitmanOpinião (Karlheinz Ruckriegel, pesquisador da felicidade na Universidade de Artes Aplicadas Georg-Simon-Ohm Hochschule de Nuremberg): “Lá, onde as pessoas passam pela luta diária para sobreviver, é pouco provável que elas sejam totalmente satisfeitas com suas vidas. Elas têm uma relação direta entre renda e satisfação. Elas dizem que a felicidade não é o dinheiro, mas em sua quantidade.

“No entanto, a partir do PIB per capita de 10 mil dólares por ano, esta dependência enfraquece e após 20 mil é perdida completamente. Anteriormente, os trabalhadores simplesmente trabalhavam duro do início ao fim, eram pagos e não exigiam nada.

“Hoje, o que importa é a auto realização, de estar envolvido em assuntos interessantes. No trabalho, as pessoas buscam sucesso, amizade, reconhecimento, projetos com futuro e oportunidades para revelar seus talentos. Em geral, o produto interno bruto não é um indicador de satisfação do público.

“Quanto maior a desigualdade social, menos felizes são os seus cidadãos. Isto é particularmente evidente quando já no nascimento, as pessoas têm chances desiguais, e em toda a sua vida podem mudar essa situação. Isso afeta ambos os indicadores objetivos, como expectativa de vida e saúde.

“O nível de bem-estar é afetado por contatos sociais, participação ativa na vida pública, trabalho que traz satisfação, benevolência, saúde e a liberdade interior.

“As teses da ciência da felicidade já não são controversas, mas cientificamente comprovadas”.

Meu Comentário: O nosso egoísmo está crescendo e exigindo maior satisfação qualitativa. Então, hoje mais do que nunca, as pessoas estão estudando muito seriamente as fontes de felicidade.

As Doenças São O Resultado Do Ego

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que as doenças e os sofrimentos físicos são necessários?

Resposta: Estes são resultado do ego geral não corrigido. Enquanto ele existir nas almas, mesmo as almas corrigidas que estão em conexão completa com as almas não corrigidas vão sofrer.

Pergunta: É possível entender por que o sofrimento é necessário para os Cabalistas, de modo que possam aprender a subir acima do nível animal, mas o que acontece com as pessoas comuns?

Resposta: Nós estamos todos na dependência coletiva como uma entidade única, a alma, o desejo de receber. Se for “para o seu próprio bem”, então sofremos, se for “para o bem do Criador”, ou seja, semelhante à Luz, então nós desfrutamos.

Pergunta: Não é cruel preencher pobres criaturas com sofrimento?

Resposta: O Criador leva em conta o nosso estado final; Sua conduta é derivada da necessidade de nos levar ao completo fim da correção e perfeição.

Uma Aliança Cheia De Amor

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, item 119: É também por isso que o grande privilégio, quando a pessoa é recompensada em sentenciar-se a uma escala de mérito, ainda não é suficiente para ela alcançar o amor completo, ou seja, o quarto discernimento. Isto é assim porque agora ela não atinge o mérito do Criador como sendo o bom que faz o bem para o bom e para o mau, mas somente Sua Providência sobre ela.

No entanto, ela ainda não conhece Sua providência desta maneira sublime e maravilhosa com o resto das pessoas do mundo. Assim, nós aprendemos acima que, enquanto a pessoa não conhece as relações da pessoa amada com os outros, até que nenhum deles esteja faltando, o amor ainda não é eterno. Por isso, é preciso também condenar o mundo inteiro a uma escala de mérito, e só então é que o amor eterno aparece para ela.

No caminho para completar a adesão e alcançar o objetivo da criação, nós alcançamos todas as nossos deficiências e todas as ações do Criador em nós durante todo o processo que passamos quando a Providência superior estava em ocultação. Depois, a pessoa vê como em todas as etapas, em tudo o que ela passou, o Criador era bom e benevolente com ela em absoluto amor.

Como resultado, ela sente que ama o Criador de volta. Mas isso não é suficiente, já que ela também tem que trabalhar no futuro, para manter a mesma atitude. Isso significa que ela tem que desenvolver vasos dentro de si que são chamados de fé e confiança, de modo que em todas as fases no futuro ela não perca a fé no amor do Criador por ela.

Mesmo isso não é suficiente para determinar que o Criador é bom e benevolente, uma vez que é tudo verdade apenas em relação à própria pessoa, e agora ela deve determinar a mesma coisa em relação a todos os outros.

Isso significa que, no fim da correção, ela atinge o fim da correção de todos, e deste ponto ela vê toda a história humana e todo o caminho de todas as almas que passaram no processo de sua correção.

Estas almas separadas descobrem as conexões entre si acima do mar de ódio em que estão imersas, que as separa e as mantém separadas. Através destas conexões de amor, elas sentem como o mar do ego as separa e, assim, descobrem que o Criador constantemente cuida delas da melhor maneira possível, e que todos os sofrimentos, golpes e problemas que elas têm passado em toda a história humana e a ascensão das almas através de todos os mundos até o mundo de Ein Sof (infinito) era tudo resultado do grande amor do Criador.

Quando a pessoa sobe a escada espiritual, ela se afasta do seu ego na medida em que sobe, e assim, vê que foi apenas no ego que sentiu as aflições. Se não fosse pelo ego e o desejo de receber para si mesma, em detrimento de outros, ela sempre sentiria só o amor e o grande cuidado do Criador por ela.

Isso significa que ela vê e entende que todos os sentimentos negativos não vêm do Criador, mas resultam de sua conexão com seus desejos egoístas. Assim, ela determina que está em contato, numa aliança com o bom e o benevolente, e que neste contexto, esta aliança está cheia de amor.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 18/06/14, Escritos do Baal HaSulam

Julgamento E Misericórdia

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é “Julgamento e Misericórdia” na espiritualidade? O que isso tem em comum com a moralidade regular?

Resposta: Baal HaSulam escreve que muitas pessoas pensam que a Torá fala sobre a moralidade, mas, na verdade, é uma má interpretação enorme e lamentável.

A moralidade é baseada na experiência de vida. Uma pessoa acumula conhecimento essencial de várias situações da vida. Mas a ciência da Cabalá não está associada com as experiências de nossa vida corporal. Nós seguimos o conselho de Cabalistas que nos puxam “pela orelha” para a realidade superior, onde o ouvido se refere ao nível de Bina (doação). Em outras palavras, eu não aprendo com a minha vida normal; pelo contrário, eu subo acima de sua experiência!

Neste mundo, tudo o que eu lido é com o meu egoísmo. Eu dou conselhos que se baseiam no meu ego e servem para me beneficiar. Nós advertimos uma criança para ela não chegar perto de um cão com raiva ou ele vai morder. Tudo o que eu sou capaz de diferenciar é as coisas que são boas ou ruins para mim; e isso é tudo que a moralidade faz.

Mas a sabedoria da Cabalá não opera no medo e punição. Ela nos ensina a mudar os nossos desejos e expô-los à Luz.

Em outras palavras, ela nos ensina como nos corrigir internamente, em vez de nos repreender ou assustar.  Ela não nos ameaça com um “cão bravo” ou um Criador “abusivo”.

A Cabalá não nos intimida, nem garante qualquer recompensa nos mundos futuros. Ela não manipula o nosso egoísmo; em vez disso, nos corrige com a Luz que Reforma.

A combinação de julgamento e misericórdia na espiritualidade é uma mistura de Bina (doação) e Malchut (recepção), o grau de inclusão de Bina em Malchut e vice-versa, bem como a sua capacidade de se apoiarem.

Malchut entra em Bina e uma gota de julgamento penetra a misericórdia e a diminui. Em outras palavras, a incapacidade de Malchut em corresponder à Bina desencadeia uma contração desta última, mas, ao mesmo tempo, revela Bina para um grau da adequação de Malchut a ela.

Por isso, a inclusão de Bina em Malchut ocorre e Bina leva uma porção de misericórdia à Malchut. Neste ponto, Malchut entra em Bina e contribui com uma parte do julgamento na última, definindo assim o quanto Bina permite Malchut doar e receber e identifica o grau de sua conexão.

Isso significa que, quando uma medida de misericórdia se conecta com uma porção de julgamento, eles começam a trabalhar em conjunto a partir de ambas as extremidades. A parte superior se contrai e utiliza parte do julgamento, apesar de preferir se revelar através da exposição da misericórdia.

A parte inferior se esforça em atingir uma medida de misericórdia, razão pela qual ela contribui com a propriedade de julgamento à parte superior e pronuncia: “Não doe para mim! Eu vou acabar com você!”.

Ou ela diz: “Você pode se revelar completamente! De qualquer modo eu não vou receber nada de você. Vou usar minha tela e receber de você apenas na medida da minha semelhança com você!”.

Isto não tem nada a ver com ameaças ou moralidade. Pelo contrário, trata-se da absoluta liberdade de exploração e a única liberdade de escolha que existe.