Textos na Categoria 'Egoísmo'

O Feriado Da Liberdade Dos Grilhões Do Ódio

Dr. Michael LaitmanNão muito tempo atrás, nós celebramos Purim e agora o feriado de Pessach já está se aproximando. Todos os feriados do povo de Israel simbolizam a unidade e a conexão que deve existir entre nós; eles são apenas indicados em seus diferentes níveis, sua diferente intensidade.

A ligação mais forte em toda a história de Israel é atingida em Purim. E a primeira vez que chegamos à conexão entre nós está em Pesach, o feriado da liberdade da escravidão do Egito.

A Liberdade é conhecida como a libertação do nosso ego, do ódio infundado em relação aos outros, da rejeição, dessas atitudes feias que são descobertos entre nós quando interrompemos uns aos outros na rua ou em qualquer outro caso em que os nossos interesses se chocam.

Quando conseguirmos reinar em nossa natureza má e alcançar a unidade, descobrimos que podemos corrigir todas as nossas vidas. Nós podemos diminuir o preço dos apartamentos e dos alimentos, nos dar bem nos relacionamentos familiares, transformar nossas cidades em cidades limpas, e acabar com a violência em nossas escolas.

Isso é chamado êxodo do Egito, o êxodo do exílio. Nós nos afogamos em nosso ego e não queremos ouvir mais nada. Mas, de repente, entendemos que é possível construir um bom relacionamento entre nós, chegar mais perto. Isso não é apenas possível, mas simplesmente necessário, porque é impossível continuar desse jeito.

Antes da última eleição, todos os partidos prometeram cuidar de nossas vidas em todas as áreas. Mas, na verdade, de acordo com a sabedoria da Cabalá, ninguém vai conseguir isso, a menos que se eleve acima de todas as diferenças e nos tornemos todos conectados acima delas. Está escrito em Provérbios 10:12: … o amor cobre todas as transgressões. Quando começarmos a nos unir, sem prestar atenção no benefício pessoal, essa nova forma de unidade começará a influenciar nossas vidas.

O feriado de Pessach e a história do êxodo do Egito são metáforas que indicam a saída das atitudes egoístas entre as pessoas e a formação de atitudes mais elevadas. Esta é a liberdade do nosso Faraó interior, do ego que nos domina. Se sairmos do seu controle e conseguimos amar os outros, isso é chamado de liberdade, redenção. Após o êxodo do Egito e vagando pelo deserto, o povo de Israel chega ao Monte Sinai e recebe a Torá. Eles são perguntados se estão prontos para se tornar como um homem com um coração, para viver em Arvut (garantia mútua), em unidade, em “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”. Isso é chamado de salvação, pois dentro da nossa conexão e unidade descobrimos uma força única que está escondida na natureza.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 15/03/15

O Desaparecimento Do Rei Do Egito

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati 159, “E Aconteceu No Decorrer de Muitos Dias:” Este é o significado de “o rei do Egito morreu”, que todas as dominações do rei do Egito, que ele estava fornecendo e nutrindo, tinham morrido.

O rei do Egito morreu dentro de nós e o controle do ego sobre nós desapareceu. Portanto, não fomos mais capazes de trabalhar. Nós estávamos sempre trabalhando a fim de receber e, depois, doar a fim de receber. E, de repente, não há ninguém para quem trabalhar, uma vez que o desejo de receber desapareceu. E se não há desejo, não há nada a fazer, nenhum desejo de doar ou receber. O ego desaparece, nós chegamos ao desespero e não sabemos para onde ir.

Não temos uma razão para nos mover, nos sentimos desconectados da vida, que de repente se torna em vão. Mas, certamente essa é exatamente a passagem para o próximo nível. Se neste momento somos impotentes, isso indica precisamente a nossa dependência da força do desejo e como ela nos mantinha em seu completo controle.

“O rei do Egito morreu”, isto é, o nosso ego deixou de ser importante para nós. Nós já não tentamos satisfazê-lo como antes, nem sentimos que há alguma vitalidade nesta realização.

Na vida comum, é claro para nós que se estamos fartos de um jogo, ele não é tão importante quanto antes, ou seja, que o rei do Egito, o ego, que era parte do jogo e nos satisfazia, não nos satisfaz mais. Portanto, nós devemos procurar outro jogo, mudando o nosso local de trabalho ou estilo de vida.

Mas, no trabalho espiritual não sabemos como mudar um problema. Na vida normal, temos TV, Internet, anúncios, e estamos constantemente escolhendo onde mais podemos encontrar prazer e o que mais pode ser experimentado. Nós entramos no supermercado e vemos infinitas variedades de vinho, queijo e carne nas prateleiras. Se você não quer uma coisa, toma outra. Isso confunde as pessoas e cria uma ilusão de uma variedade de prazeres, e isso acalma as pessoas, mostrando-lhes que há sempre algo para satisfazê-las. No entanto, vemos que com todos os sofrimentos, uma grande porcentagem de pessoas sofre de depressão, desespero completo e uso de drogas.

Como nós progredimos em direção ao trabalho espiritual mútuo, hoje em nosso mundo as pessoas não entendem para onde o rei do Egito desapareceu. Antes ele fornecia aspiração ao trabalho, do qual recebíamos diferentes realizações. Mas hoje, tudo desapareceu e este é um problema em nossas vidas.

Nós entendemos que não podemos mais mudar de emprego; não há lugar para onde escapar, e vamos precisar nos concentrar em encontrar um novo rei. Ou seja, devemos receber o controle da força de doação sem qualquer recompensa, receber força de cima e executar ações que são direcionadas para cima e às pessoas fora de nós.

Nós só precisamos pedir para nos desconectar de qualquer benefício pessoal, de nosso futuro, da satisfação e de sentimentos bons ou ruins dentro de nós.

E depois, quando eles caminharam no deserto e chegaram a um estado de Katnut, (pequenez), eles desejavam a servidão que tinham tido antes da morte do rei do Egito.

Quando o homem já se desconectou de trabalhar para o seu ego e subiu acima dele, ele é novamente trazido de volta ao sentimento dos desejos, intenções, prazeres e realizações que teve no passado! Isso é feito para que, acima de seu sentimento de desconexão, ele construa o mesmo estado num nível espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/04/14, Shamati # 159

Um Escravo Não Consegue Entender Alguém Que Está Livre

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que Pessach, o êxodo da escravidão egípcia, é reminiscente de nascer de novo? A história começa com o conto do nascimento de Moisés e termina com as pragas do Egito, que são similares às contrações durante o parto. Após isso, eles cruzam o Mar Vermelho (“Mar Final” em hebraico), como se nascendo num mundo novo.

Resposta: A nova vida é concebida e cozida dentro da panela gigante chamada Egito. El aé formada a partir dos nossos discernimentos e tentativas de entender como lidar com a nossa natureza egoísta.

No final, nós percebemos que somos incapazes de resistir ao nosso egoísmo e não temos escolha a não ser fugir dele, ou seja, subir acima dele. Isso requer mudanças qualitativas: a substituição de todos os nossos hábitos, formas de relacionamento, bem como a educação anterior, que recebemos na Babilônia.

Quando começamos a nos unir usando o método de Abraão, adquirimos novos hábitos, uma nova atitude para com o outro, e uma nova perspectiva de vida, percebendo tudo através dos óculos da unidade.

Isso significa um novo nascimento, porque eu me transformar numa nova pessoa, aquela que aprendeu a olhar para si mesma, sua família, sua nação, o mundo, e toda a vida somente através da nossa unidade.

Se eu encontrasse o meu eu anterior, do jeito que eu era antes de ter passado pela formação de acordo com o método de Abraão e unido com os outros, então seriam duas pessoas diferentes que não se entenderiam. Uma delas é escrava e a outra é livre, independente de sua natureza egoísta. Isso porque ela adquiriu uma nova natureza, a natureza do amor em vez da natureza do ódio.

De KabTV “Um Programa Novo”

Desenvolvimento Com Ou Sem A Participação Pessoal

laitman_760_5Pergunta: Qual é a diferença entre o desenvolvimento com a participação pessoal e o desenvolvimento sem a participação pessoal?

Resposta: No curso do desenvolvimento, houve mudanças pequenas e insignificantes em diferentes tipos de plantas e animais, mas nós entendemos que um cavalo e uma vaca não poderiam mudar voluntariamente exceto como resultado do ambiente ou de certas alterações genéticas. Por outro lado, pensamos que podemos nos desenvolver de acordo com a nossa iniciativa desenvolvida de geração em geração por mudanças na estrutura social, ciência e sabedoria. Graças à correta nutrição, o homem tornou-se mais alto, a sua qualidade de vida melhorou. Mesmo os resultados de nossos testes médicos mudaram. E nós assumimos que é graças aos nossos esforços.

Mas estudamos que toda a matéria é o desejo de receber. Ele faz os máximos esforços para aproximar-se da realização, e em cada situação se distancia do sofrimento em todos os lugares de forma ideal, de acordo com a perspectiva que ele vê no futuro.

Educação e ciência o influenciam, mas, na verdade, o homem escolhe por si mesmo o bem e faz esforços para escapar do mal. Portanto, nós somos totalmente gerenciados de cima pelo prazer ou sofrimento; nós estamos entre duas rédeas sem qualquer liberdade de escolha, como se a pessoa não existisse.

Nós temos progredido dessa maneira até hoje, embora sejamos orgulhosos de nossas altas conquistas, criatividade, cultura, ciência e construção. Mas tudo isso é ainda sem o envolvimento do próprio homem. O homem sempre procurou o máximo benefício nas condições interiores e exteriores que o Criador moldou para ele.

Portanto, homem costuma mudar e fazer coisas como uma criança pequena que joga com um jogo que recebeu. No entanto, além disso, o homem também desenvolveu o reconhecimento do mal. Nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, ele desenvolveu uma forma instintiva, semelhante ao nível animal, e no nível do homem ele procurou o que era melhor ou pior para si.

Um animal não pensa, ele sempre sabe o que fazer. Ele recebe o reconhecimento da situação e o comando ao mesmo tempo. Não é o caso do homem. Portanto, ele deve desenvolver a ciência a fim de saber como se comportar de forma ideal em cada momento. O processo no qual nós nos desenvolvemos chama-se “em seu tempo” (Beito). E nós éramos capazes de continuar a nos desenvolver, mas nos encontramos diante de grandes problemas. Não há mais instruções de cima quanto ao que fazer, nem mais dicas para soluções instintivas. Agora, por nós mesmos, precisamos enfrentar corretamente as situações próximas, “elevando MAN (oração) e boas ações”. É por isso que precisamos de uma nova ciência que se opõe à nossa natureza, porque agora precisamos tomar isto sobre nós mesmos, além da “obra de Deus”.

Para isso precisamos receber “a parte Divina de cima”. Se o Criador não a está dando para nós, devemos exigir-Lhe que traga para baixo o software superior, e de acordo com o software nós seremos capazes de progredir. Isso significa que precisamos da alma, a parte que nos permite compreender como continuar a nossa existência em novos termos.

Seja “em seu tempo” ou “apressado” (Achishena), nós seremos obrigados a adquirir o novo software, a nova operação, a consciência, a solução e os sentimentos. Nós seremos obrigados a ser equipados com todas as forças para continuar de agora em diante numa forma independente e não de uma forma instintiva. Portanto, esta é a razão para a sabedoria da Cabalá ser revelada e nos guiar. Nós temos que entender que estamos numa nova era.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/04/14, Escritos do Baal HaSulam

O Erro Dos Que Não Se Importam

Dr. Michael LaitmanA humanidade chegou a um beco sem saída que já se faz sentir. Nós vivemos numa aldeia global moderna e relutantemente descobrimos que temos que nos conectar, começar a pensar e falar sobre isso. É hora de tomar o nosso lugar no nível humano dentro do sistema geral.

Um Perigo para o Sistema

Toda natureza (os níveis do inanimado, vegetal e animal) é global, integral e mutuamente conectada em todas as suas partes. Todos os seres criados, desde os juncos até os maiores predadores, são soldados num único sistema, e, juntos, mantêm a ordem geral. Por outro lado, nós não fazemos parte desse quadro. O homem é a única parte verdadeira e prejudicial na natureza. É porque não temos limites na satisfação das nossas necessidades. Isso é típico de toda a raça humana em todos os aspectos da vida, incluindo a família, o trabalho, as relações sociais, etc.

A taxa de divórcio, por exemplo, está crescendo e também o abismo entre pais e filhos. Os jovens acham cada vez mais difícil encontrar um companheiro e começar uma família forte. Essas mudanças extremas tiveram lugar nos últimos 50 anos ou menos. Elas têm inclusive um impacto sobre o povo judeu que sempre se preocupou em ajudar os jovens a se casar e ajudou com o começo de sua casa.

Indivíduos Inseparáveis

A razão para tudo isso é o nosso ego, que chegou a sua última fase.

O egoísmo se refere ao fato de que eu não posso me identificar com os outros. Eu sinto os outros apenas na medida em que posso me beneficiar deles. Idealmente, eu quero espremer tudo o que puder dos outros. Isto não é uma acusação, é claro, mas um fato psicológico sobre a natureza humana. Esta é a nossa natureza.

No entanto, por outro lado, nós temos encerrado o mundo inteiro em laços mútuos de uma única rede que não pode ser quebrada, no desenvolvimento global, econômico, financeiro, social, familiar e político. O problema é que esta rede está cheia de ódio, conflitos, confrontos, egoísmo e orgulho.

Consequentemente, o mundo treme como resultado dos contínuos obstáculos, preocupações e ameaças. A falta de unidade entre nós invoca inadaptablidade à natureza em geral e, portanto, o mundo sofre terrivelmente.

Não É Problema Meu!

Pergunta: A maioria das pessoas vive uma vida normal e, apesar de lucrar em detrimento do outro, elas não estabelecem qualquer armadilha especial e não conspiram contra aqueles que as rodeiam. Portanto, onde elas erram? É difícil se ver como um egoísta absoluto no fluxo contínuo de preocupações diárias, na luta constante para sobreviver.

Resposta: Isso é verdade. Mas se você se justifica dessa forma, você ainda sofre. Portanto, você deve descobrir o porquê. Isso requer uma abordagem científica sólida, mesmo antes de se referir à sabedoria da Cabalá, que resume e inclui todo o mundo.

Uma análise racional indica que sofremos porque não podemos nos dar bem, não podemos nos dar bem um com o outro.

Você pode perguntar o que se pode esperar de um homem pobre que vai trabalhar de manhã e volta à noite. Mas, essas pessoas pobres miseráveis ​​criaram uma rede de sete bilhões de partes que não possuem as conexões certas entre os nós. Esta é a razão pela qual estamos todos em oposição à unidade incorporados na natureza.

O que é exigido de nós hoje é a unidade e a conexão correta. Nós não vamos acabar com essa guerra se não entendermos o problema.

Mas cada um de nós se fecha em seu pequeno canto:

– Eu não sei de nada, o que você quer de mim?

– Você se sente mal. Você não quer corrigir e mudar as coisas?

– Eu quero, mas não é minha culpa; eu simplesmente vivo a minha vida normal.

Não é assim que se lida com os problemas. Nós gradualmente afundamos ainda mais em situações perigosas e o ritmo dos acontecimentos está acelerando de um ano para o outro. Alguns desses eventos já estão atrás de nós e devemos aprender com eles. Nós temos que finalmente perceber o que está acontecendo, em vez de se esconder em nosso covil, fingindo que não nos diz respeito, uma vez que a humanidade é feita de tais pessoas que dizem que não têm nada a ver com essas coisas.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

De Um Beco Sem Saída Para A Luz

Dr. Michael LaitmanOpinião (Paul Craig Roberts, economista americano e colunista do Creators Syndicate): “De acordo com o conto de fadas econômico oficial, a economia do EUA está em recuperação desde junho de 2009. Este conto de fadas suporta a imagem dos EUA como o porto seguro, uma imagem que mantém o dólar para cima, o mercado de ações e as taxas de juros para baixo. É uma imagem que faz com que uma grande parte dos americanos desempregados culpe a si mesma e não a economia estagnada. A produção industrial, devidamente esvaziada, permanece bem abaixo do nível pré-recessão.

“Parece que os economistas simplesmente desapareceram da face da terra. Ou, se alguns ainda estão presentes, eles perderam suas vozes e não falam.

“Considere o ‘globalismo’. Cada país foi convencido de que a globalização é imprescindível e que não fazer parte da ‘economia global’ significa a morte econômica. Na verdade, ser parte da economia global significa morte.

“Entendam a destruição econômica que o globalismo causou nos Estados Unidos. Milhões de empregos da classe média nas fábricas e trabalhos profissionais técnicos, tais como engenharia de software e tecnologia da informação, têm sido retirados da classe média americana e dado a pessoas na Ásia. No curto prazo, isso diminui os custos de trabalho e beneficia os lucros das empresas norte-americanas que têm postos de trabalho offshore (no exterior), mas a consequência é a destruição do mercado consumidor interno na medida em que os trabalhos que permitem a formação de agregados familiares são substituídos por empregos de meio turno menos remunerados que não permitem.

“Quando os trabalhos na indústria são transferidos para o exterior, as fábricas norte-americanas são fechadas, e a base fiscal dos governos estaduais e municipais declina. Quando os governos têm problemas servindo a dívida acumulada, a tendência é o não cumprimento das suas obrigações de pensão. Isso reduz os rendimentos dos aposentados, os rendimentos já reduzidos à zero ou taxas de juros negativas.

“Se as famílias não podem ser formadas, a demanda por habitação, eletrodomésticos e móveis diminui. Os graduados na faculdade voltam para casa para viver com seus pais.

“Postos de trabalho a meio turno ferem a capacidade de poupar. As pessoas só são capazes de comprar carros porque podem obter financiamento a 100 por cento, e mais, a fim de pagar um empréstimo de carro existente que excede o valor de negociação do veículo, num empréstimo de seis anos.

“Este desenlace da demanda do consumidor, a base para a nossa economia, era totalmente óbvio no início. No entanto, os economistas ou porta-vozes de empresas contratadas prometeram aos americanos uma “nova economia”, que iria fornecer-lhes empregos melhores, mais limpos e melhor pagadores, em substituição dos postos de trabalho transferidos ao estrangeiro. Como eu já apontei por mais de uma década, não há nenhum sinal destes postos de trabalho em qualquer lugar na economia.

“O globalismo, tal como a economia neoliberal, é um instrumento do imperialismo econômico. O trabalho é explorado, enquanto povos, culturas e ambientes são destruídos. No entanto, a propaganda é tão poderosa que as pessoas participam de sua própria destruição”.

Meu Comentário: O egoísmo é invencível! O Livro do Zohar diz que nós estamos sendo preparados para o veneno na ponta da lâmina que o anjo da morte traz à boca, e o ser humano infeliz não tem outra opção a não ser abrir a boca e engolir a gota de veneno.

Afinal de contas, ele sente prazer nisso e só depois: morte! Só pela influência da Luz Superior nós podemos trazer a sua correção. Isto é o que a sabedoria da Cabalá nos explica.

O Pensamento Da Criação Através Das Figuras Na Torá

Dr. Michael LaitmanAdam HaRishon (primeiro homem) é a estrutura da alma única que foi criada e que sofreu grandes mudanças após a quebra. Primeiro, ele existia no estado de Hafetz Hesed, e não recebia nada e não queria nada para si.

Este estado é chamado de Jardim do Éden (céu) ou um anjo.

Um anjo é uma força que não tem qualquer ego. Ele executa todo o trabalho que é necessário para a força geral da natureza. É dito que um anjo é parte do Criador.

Ele é gerido pela força superior que opera e avança toda a criação em direção à meta, para alcançar o atributo de amor e doação.

Pergunta: Existe um Reshimo (reminiscência) do estado de Adam HaRishon em nós?

Resposta: Existem Reshimot, genes espirituais, de todos os estados em nós. É porque nós descemos ao nosso mundo a partir do nível espiritual de plenitude absoluta, e agora temos que subir uma vez mais por nós mesmos usando os Reshimot que foram preservados em nós, mas devemos fazê-lo de forma consciente ao atrair a força superior e corrigir a nós mesmos por ela. Esta força é chamada de Torá, da palavra hebraica “Ohr” (Luz).

Nós gradualmente aceitamos a Luz Superior, pois ela chega de forma gradual, de acordo com a nossa ascensão. O sistema superior de iluminação nos formata e afeta, nos eleva e corrige pela reintegração de todos numa estrutura geral que é a mesma alma geral que foi inicialmente criada.

Isso resume toda a história da nossa descida de cima para baixo e nossa ascensão de baixo para cima. A subida de baixo para cima começou quando a alma geral chamada Adão foi quebrada e descobriu que era totalmente egoísta, e que não estava pronta para o contato com a Luz, com o Criador. Isso é chamado  pecado de Adam HaRishon e a expulsão do Jardim do Éden.

O Criador desapareceu dos sentimentos das pessoas, e elas foram deixadas para vagar pela terra na escuridão corporal. Esta é a razão pela qual todos nós estamos totalmente quebrados, separados e distantes um do outro neste mundo.

Vinte gerações de Cabalistas após Adão tentaram corrigir esta situação, mas as primeiras dez gerações entenderam seus problemas e que não podiam fazer nada até que Noé aparecesse. Noé foi salvo durante o dilúvio, enquanto a maioria das pessoas morreu.

Esta não foi uma morte e perda, mas a purificação, porque não há morte real. As pessoas que morreram simbolizam os desejos egoístas que não podemos usar num determinado momento.

Esta é a razão deles serem considerados mortos. No entanto, mais tarde, eles voltam à vida na forma corrigida e, portanto, aparentemente aparecem nas próximas gerações.

Eles são os mesmos desejos que passaram por fases de purificação através da morte em sua forma egoísta anterior e depois voltaram à vida de uma forma altruísta. Assim, as dez gerações que se seguiram a Noé já são gerações que estão mais perto de Abraão, do reconhecimento do correto avanço espiritual.

O último nível antes de Abraão foi seu pai Terach. Terach é o sentimento do ego que nós queremos usar e gozar, enquanto Abraão é o reconhecimento de que esse ego é mau, o que significa o seu lado oposto.

Abraão e Terach são um único conjunto, mas a parte chamada Terach quer trabalhar com o ego e a parte chamada Abraão já entende que está proibida de trabalhar com o ego e que isso significa a morte.

É por isso que eles se separam. Abraão muda sua atitude perante a vida, em relação ao mundo chamado Terach e torna-se Abraão, ou seja, o pai da nação em hebraico. Isso significa que ele se torna o pai de todos os desejos que, no final, serão corrigidos.

De KabTV “Segredos do Eterno Livro” 18/06/14

Uma Deficiência Digna Do Nosso Esforço

Dr. Michael LaitmanNós temos que tentar dar o nosso melhor ao máximo, a fim de avançar à meta da criação. Afinal de contas, esta estrada é muito mais do que o nosso desenvolvimento natural.

Uma Noz Dura

A natureza nos empurra para frente e desenvolve diferentes desejos e deficiências em nós; e nós, é claro, corremos atrás e buscamos o que nos falta. O que nos falta são prazeres que estão associados à comida, sexo, família, dinheiro, honra e conhecimento.

Esta é também a forma como os macacos constantemente cuidam de suas necessidades, e de sua lista de necessidades semelhantes às nossas. Na verdade, nós temos um estilo de vida comum: estabelecemos a mesma hierarquia social na sociedade humana; amamos o poder, e, além disso, amamos dinheiro. A natureza nos obriga a fazer isso e é assim que avançamos.

Mas nós não temos avançado de forma significativa nesta forma natural e não mudamos a sociedade humana de forma significativa nos últimos 5 a 50000 anos.

Se falamos da meta da criação, no entanto, trata-se de se tornar equivalente ao Criador, aderir-se a Ele. O Criador é uma força oposta à nossa natureza. Nós temos uma ligeira inclinação a ela que está envolta numa variedade de “vestes” muito sutis, cobertas por uma casca como uma noz.

Para alcançar a meta da criação, nós temos que estar equipados com uma nova deficiência não prevista pela natureza. Esta deficiência, o anseio pela meta da criação, não vai crescer em nós por si só; nós precisamos desenvolvê-la dentro de nós por nossos próprios esforços, certamente com a ajuda dos meios que nos foram dados: a sociedade, o método (a Torá), e o professor.

O problema é que muito poucas pessoas querem isso, menos ainda tendem a verdadeira busca, e menos ainda alcançam o que é desejado.

Saindo da Selva

A verdade é que hoje as coisas estão mudando, pois estamos diante de golpes globais que ameaçam toda a humanidade. Esses golpes nos obrigaram a pensar numa nova sociedade que não está organizada de acordo com uma hierarquia ou classes sociais que sempre elevam aqueles que são mais ricos e poderosos.

As coisas estão igualmente dispostas no mundo animal. De um modo geral, esta é a estrutura natural de um grupo, uma nação, uma sociedade, a humanidade: o maior babuíno bate no peito e exige submissão e obediência dos outros. Nós somos iguais: vivemos numa selva geral divididos em bandos.

Mas a nova natureza, a meta da criação, exige uma nova organização e reforma de nós; ela exige que nos tornemos um círculo, conectados, uma sociedade. Ela exige novos valores que não são baseados sequer no desejo de conhecimento, o que também dá um pouco de força, mas no amor e doação, no cuidado mútuo geral.

Ela exige que todos possam estar em pé de igualdade com os outros em vez de tentar dominar o outro. Em contraste com o velho paradigma, quanto mais uma pessoa sai de si mesma em direção ao cuidado do outro, ela pode se tornar mais adaptada à verdadeira meta da nossa evolução, que é o que devemos alcançar.

É hora de ser equipado com uma nova deficiência que se torna um círculo, uma conexão fora de mim, onde eu não tenho interesses próprios.

O Nascimento do Homem

Mas para eu florescer, algo chamado Adão (homem) precisa ser revelado; há a necessidade de um ambiente diferente que me forneça os exemplos corretos dos novos valores. Onde eu posso obter a necessidade disso? A natureza não me equipa com ela porque senão eu permaneceria um babuíno ainda que de outro tipo.

No entanto, um ser humano não é apenas uma estrutura social diferente, nem apenas a igualdade com os outros. Não, é uma atitude, uma inclinação; essa relação, conexão mútua, deve ser consciente de minha parte, para que eu queira a doação por causa de seu valor especial. Além disso, eu não tenho nenhuma inclinação por ela, nenhum poder que me desperte e me obrigue a desejá-la.

Aqui nós devemos de alguma forma estar equipados com um desejo, com uma nova direção, para a qual não temos nenhum desejo. A fim de fazer isso, há a força superior, a natureza, o plano da criação, que prepara uma ajuda para mim de uma maneira oposta, de modo que durante o processo de reconhecimento do mal, eu ainda seja capaz de compreender quem e o que eu sou. Gradualmente, por fases muito difíceis na ordem de causa e efeito, eu vou entender que deficiência eu tenho que desenvolver dentro de mim, a fim de continuar o meu avanço acima dela.

Quando eu entendo o problema que estou enfrentando na construção de um ser humano a partir do estado de um babuíno, eu considero esta nova deficiência como uma coisa muito valiosa. Se ela é revelada em mim, pelo menos até certo ponto, eu estou muito feliz porque é assim que um ser humano nasce, que está pronto para ascender acima da criação.

Exatamente o Oposto

Nós temos que nos relacionar com a deficiência que aparece em nós através da inclinação ao mal que o Criador criou. Ela é chamada por diferentes nomes: Faraó, Bilam, Balak, e Amaleque. Há 70 nomes para a inclinação para o mal, e em todos os níveis e em todos os estados, eles servem como ajuda contra, oposta à meta, e me permite avançar em direção a ela.

Esta ajuda invoca uma inclinação, um desejo em mim, que está focado justamente na meta. Isso me ajuda de forma qualitativa para que eu possa gradualmente entender como é diferente esta nova meta de meus sentimentos e mente atuais. Portanto, nós temos que nos relacionar com todas as perturbações que são invocadas em nós com grande sensibilidade.

Dias Vermelhos no Calendário

A mesma coisa se refere a todos os feriados judaicos e os dias vermelho no calendário. Rosh Hashana, Yom Kipur, Sucot, Simchat Torá, Tu Bishvat, Purim, Pessach, Lag Ba’omer, Shavuot e o dia 9 de Av são todos estados ao longo do caminho em que uma nova deficiência é revelada, uma revelação do novo mal que nos permite usá-lo corretamente, de forma intencional e consciente.

Isso é revelado dentro de nós desta maneira para que possamos ser livres em nosso avanço rumo à meta de uma forma consciente, como seres humanos e não como babuínos que a natureza empurra e que correm à frente apenas pela força do ego. Nós descobrimos diversas forças e equilíbrio entre elas.

A principal coisa que podemos aprender com estes feriados é que deficiências especiais nós precisamos descobrir a fim de ascender a todos os níveis que os feriados e dias especiais representam. Eles exigem uma deficiência que está focada em atingir a meta.

Essa deficiência decorre do nível humano que é externo a nós. Se olharmos corretamente para os problemas que surgem, vamos discernir a ajuda contra a força criativa dentro deles.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/03/15, Escritos do Rabash

A Grande Luz De Purim

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester (Meguilat Ester) 1:1: E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a India até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias. Assim começa Megillat Ester, o Livro de Ester. A palavra hebraica “Megillah“ é derivada da palavra “Gilui” (divulgação) e “Ester” significa escondido. Ester é o nome da rainha, a esposa de Assuero (Xerses). Megillat Ester simboliza a revelação do oculto, o que implica que, embora algo seja revelado a você, você deve se lembrar que tudo se mantém em ocultação.

O Livro de Ester (Meguilat Ester) 2:5-7 – 2:20: Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram. Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazi­das à cidadela de Susã e colocadas sob os cuida­dos de Hegai. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada a Hegai, encarregado do harém.

A moça o agradou e ele a favoreceu. Ele logo lhe providenciou tratamento de beleza e comida especial. Ester não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu a havia proibido de fazê-lo.

O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher; ela foi favorecida por ele e ganhou sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens;

Ester pertencia ao povo judeu que tinha uma conexão com a força superior, e se ela tivesse dito a verdade sobre sua origem, isso poderia ter prejudicado o seu relacionamento com o rei.

Ela alcançou graça e favor aos seus olhos, porque ela revelou certa parte de seu potencial espiritual em seu relacionamento com o rei.

Então, o rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, para todos os seus minsitros e oficiais. Proclamou feriado em todas as provín­cias e distribuiu presentes por sua generosidade real. Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Ester havia mantido segredo sobre seu povo e sobre a origem de sua família, conforme a ordem de Mardoqueu, pois continuava a seguir as instruções dele, como fazia quando ainda estava sob sua tutela.

…Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Mardoqueu (Mor Dror) é a força superior, uma força muito séria que está totalmente oculta. Ester continuou totalmente sua linha.

Isto significa a porta do rei superior, a força superior da natureza. Sentar representa o estado de humildade, de pequenez. Portanto, Mardoqueu esperou pacientemente pela oportunidade de passar o atributo da força superior a todas as pessoas na Terra. A população da Babilônia naqueles dias era, na verdade, toda a humanidade.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3-1, 3: 5-9: Depois desses acontecimentos, o rei Assuero honrou Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, promovendo-o e dando-lhe uma posição mais elevada do que a de todos os demais nobres.

Deve haver um grande desejo, a fim de revelar a força superior, a grandeza do Criador. Em primeiro lugar, ele decorre do ego, depois ele é corrigido e a revelação do Criador é recebida no desejo corrigido. Mardoqueu não tem esse desejo. Ele estava num estado de pequenez, sentado à porta do rei, por isso foi necessário incluir o ego nele, a fim de elevá-lo ao próximo nível. O ego que é adicionado ao Mardoqueu é chamado de Hamã.

Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado. Contudo, sabendo quem era o povo de Mardo­queu, achou que não bastava matá-lo. Em vez disso, Hamã procurou uma forma de exterminar todos os judeus, o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes. No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã, lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de Hamã a fim de escolher um dia e um mês para executar o plano. E foi sorteado o décimo segun­do mês, o mês de Adar.

Hamã representa o ego universal. Ele teve que matar o desejo chamado Mardoqueu, que constantemente ameaçava o ego. Ele planejou aniquilar e destruir todos os judeus, visto que o povo judeu é, na verdade, um canal para a Luz e o atributo de doação. Se eles começassem a doar a todas as outras nações certamente seriam capazes de corrigi-las e transformá-las em altruístas, transformá-las numa nação superior assim como eles; uma nação que não serviria mais a Hamã. Hamã sabia que não poderia corrigir-se e por isso não tinha outra escolha e foi obrigado a agir contra Mardoqueu.

Então Hamã disse ao rei Assuero: “Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todas as outras nações e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. Se for do agrado do rei, que se decrete a destruição deles…”.

Cada uma das nações que viviam nas 127 províncias do império babilônico tinha um território próprio, mas os judeus estavam dispersos entre todas as nações e não tinham a sua própria terra. No entanto, eles ainda atribuíam para si uma tribo em particular chamada nação de Israel.

Esta é a razão que Hamã disse: “Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império”, o que significa que eles não estavam conectados entre si. O ego os separava e os fazia sentir repulsa mútua. Eles não podiam ser uma nação, uma vez que todas as outras nações eram definidas por sua origem e tinham um completo egoísmo terreno, que os judeus não tinham. Eles diferem de tal forma que falavam aramaico entre si e não hebraico, sua língua materna.

Na época do Primeiro Templo, os judeus estavam num nível espiritual e falavam hebraico, mas quando eles caíram para um nível egoísta que era muito inferior aos das outras nações, eles realmente perderam sua língua, a língua de doação e amor mútuo, e começaram a falar aramaico, a língua que é o inverso do hebraico. Além disso, cada nação sentiu que pertencia a uma classe social e cada nação respeitava o rei e se curvava a seus ídolos, enquanto os judeus não tinham ídolos, não respeitavam o rei, e não há tinham relações sociais mútuas adequadas entre si. Eles eram os maiores egoístas que não se davam bem uns com os outros.

Pergunta: Se a nação judaica foi separada a tal ponto, que perigo ela impôs a Hamã?

Resposta: Hamã sentiu que o tempo do despertar dos judeus para a unidade estava se aproximando. É dito que Hamã era um grande astrólogo. Ele viu de acordo com os sinais, o que significa de acordo com o seu sentimento interior, o que a nação judaica realmente é. Hamã é o lado oposto de um Cabalista, daquele que doa. Ele percebeu que algo estava prestes a acontecer que acabaria com o exílio da nação de Israel fim e que eles voltariam a sua terra, que para ele significava a morte. Eles tiveram que destruí-lo em seu caminho de volta, uma vez que era impossível reconstruir o Segundo Templo sem matar e destruir Hamã. Portanto, ele não tinha escolha, exceto destruí-los, não por maldade, mas de acordo com as leis claras e precisas da natureza.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10-11, 03:13: Em vista disso, o rei tirou seu anel-selo do dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agague, e lhe disse: “Fi­que com a prata e faça com o povo o que você achar melhor”.

Assuero (Xerxes) pensou em como elevar a nação de Israel. Ele percebeu que eles deviam ter medo e, assim forçou-os a se unir e se conectar, uma vez que o seu poder está somente na unidade e na ascensão ao nível superior. Mas isso só foi possível com a ajuda de Hamã. Os judeus tiveram que ser aterrorizados pelo seu ego e destruí-lo para que pudessem transformá-lo em altruísmo, e só então conseguirem se elevar. Eles não poderiam subir sem Hamã.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10; 4:1-2: As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império com a ordem de exter­minar e aniquilar completamente todos os jude­us, jovens e idosos, mulheres e crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, e de saquear os seus bens. Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Foi até a porta do palácio real, mas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permis­são de entrar.

Mardoqueu teve que dizer a todos o que estava prestes a acontecer e despertar as forças do bem e do mal, a fim de revelar corretamente o caminho que a humanidade devia seguir. Por isso, Ele saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Ele não era mais o velho despercebido que se sentou calmamente na porta da cidade. Na verdade, ele começou a ser ativo.

“Chorando amargamente em voz alta”, refere-se à revelação, à chamada, à conexão, que ele recriou entre Malchut e Keter. Até então, Mardoqueu estava num estado de pequenez (Malchut em Bina), mas agora, quando mudou para um estado de grandeza, um estado de revelação, ele conectou os dois pontos opostos da Criação, Malchut e Keter, através de Bina. É dito: Mardoqueu rasgou as vestes. Vestes é o estado atrás do qual a pessao se esconde. Rasgando suas vestes, Mardoqueu põe fim ao seu estado humilde anterior. Ele quer ser revelado.

O atributo de Mardoqueu é o atributo de Bina, doação completa. Não tem nada a ver com o ego e não pode fazer nada por si só. Existe a necessidade dessa conexão agora. As cinzas são o último nível egoísta. Quando coloca as cinzas na cabeça, Mardoqueu eleva este nível acima de si mesmo, o que significa que se coloca abaixo de todas as criações, abaixo de tudo. Estas não são apenas palavras bonitas, mas uma ação espiritual real; uma ação que ele realizou para que pudesse ser capaz de transmitir a grande força de correção a todos através dele. Assim, ele se prepara para o estado de desconexão do ego e para a subida ao atributo de Bina, quando ele poderia transmitir toda a Luz superior chamada Mardoqueu (Mor Dror), uma grande Luz, por meio dele.

De uma Conversa sobre Purim 19/02/15

O Livro De Ester É Nossa Herança Espiritual

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester 3: 8: Então Hamã disse ao rei Xerxes (Assuero): Exis­te certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todos os outros povos e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. A unidade foi sempre a base e o fundamento do povo judeu, e a força que não os deixou se dissolver no exílio.

Há um destino maravilhoso para esta unidade, e no início dela estava Adão, o primeiro homem a subir acima de si mesmo.

Herança Espiritual

Adão lançou as bases para a história espiritual da humanidade. Ele foi o primeiro entre todos os seres humanos que ascendeu acima das propriedades do ego e do amor próprio ao nível mais elevado do amor ao próximo. Nesta característica superior ele descobriu o mundo superior, um mundo fora de si mesmo e fora do seu ego.

Seus alunos continuaram a elevação espiritual de Adão, e com a passagem de 20 gerações, esta cadeia atingiu a antiga Babilônia, que foi o berço da civilização atual.

Abraão viveu aqui e continuou o caminho de Adão. Depois de reunir pessoas dentre os babilônios que possuíam uma visão idêntica, Abraão foi com eles à terra de Israel, a fim de dar ao mundo inteiro um exemplo de unidade real. A continuação deste grupo tornou-se o mesmo grupo que ainda assombra a humanidade.

Assim, o povo judeu não surgiu inicialmente numa base étnica, mas ideológica. Nossos ancestrais tomaram uma ideia ao longo da história da humanidade, e ela sozinha determina o nosso caminho comum: o caminho para a unificação universal da humanidade.

Com a passagem de quase 1000 anos depois de deixar a antiga Babilônia, nós caímos do nível do amor ao próximo para o do egoísmo crescente, e, com isso, mais uma vez nos encontramos na mesma Babilônia, e no exílio.

Do Folheto sobre o Feriado de Purim, 03/2015