Textos na Categoria 'Egoísmo'

Um Olhar Imparcial Do Mundo

Dr. Michael LaitmanHá certas ações que uma pessoa deve realizar alterando a sua natureza egoísta. Afinal, nossa natureza nos obriga a amar somente a nós mesmos, a ganhar à custa dos nossos próximos, independentemente do sofrimento que isso causa aos outros e até mesmo desfrutando isso.

Da mesma forma, nós não levamos em conta o Criador. Se não fosse pelo temor da força superior, não pensaríamos nela de forma alguma. No entanto, há a ocultação, devido a qual eu não sei o que vai acontecer com a minha vida, meus filhos, pessoas próximas a mim, ou eu mesmo. Será que eu ainda estarei vivo no momento seguinte? O que o dia seguinte me reserva? Portanto, eu realizo um cálculo e decido ser bom.

Nós pensamos que o Criador tem algumas obrigações com respeito à pessoa, se ela realiza suas obrigações no que diz respeito a Ele. Em outras palavras, se a pessoa se comporta corretamente, o Criador a trata bem.

No entanto, há outra condição que nos obriga não apenas a nos relacionarmos bem com o Criador, mas também com o mundo inteiro e os níveis inanimado, vegetal, animal e humano. Eu preciso tratar o mundo que me rodeia como se eu tratasse a mim mesmo. Portanto, está escrito: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Meu próximo é qualquer coisa dentro do meu ambiente.

Imagine que eu trato tudo fora de mim com o mesmo nível de sensibilidade, cuidado e amor como eu tratasse a mim mesmo! Assim, eu paro de sentir a diferença entre eu e o que está fora de mim. Todo o mundo inanimado, as plantas, os animais e as pessoas se tornam como eu.

Eu sinto que eu, o mundo inteiro e todo o universo, somos como uma torta onde eu existo. Não há diferença entre o que eu tenho aqui dentro e o que está fora. Se nós atingimos esse estado, anulamos todas as fronteiras e adquirimos um sentido adicional que nos permite sentir o que está fora de nós. Eu sempre senti o mundo exterior ao julgar como alguma coisa é benéfica para mim. Agora eu anulo meu egoísmo, minha noção preconcebida, e sinto o mundo exterior.

De repente eu descubro que o mundo lá fora e eu nos fundimos num só, chamado mundo superior ou Jardim do Éden. O mundo está cheio de luz, energia, vida e prazer. Existe apenas a Luz Superior, que existe em repouso absoluto e tranquilidade. Não há separações, limitações, ou tempo.

Eu saio das limitações deste mundo egoísta e de nossas percepções egoístas e revelo uma nova realidade verdadeira, que não está vinculada às fronteiras do meu egoísmo.

Se eu chego a essa percepção, quando sinto o mundo inteiro como um todo, onde os mundos superiores e inferiores se unem, eu posso sentir toda a Luz que os preenche, a força única do Criador, então eu revelo a verdade, por que existo nesse mundo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 17/09/15

Será Que A Pessoa Age Ou É Ativada?

Laitman_712_03Pergunta: Por um lado, vemos que a pessoa é parte da natureza, e tudo o que acontece com ela a afeta. No entanto, por outro lado, nos colocamos no topo da pirâmide como a coroa da criação, algo superior que está acima de toda a natureza.

Nós somos diferentes das outras criaturas em inteligência, em nossa sabedoria, e na capacidade de planejar e desenvolver. Nós temos um acréscimo especial que não é o mesmo para qualquer outra parte da natureza. Qual é o lugar da pessoa no sistema da natureza?

Resposta: Sem dúvida, o homem é parte integrante da natureza. Nossos corpos pertencem ao nível animal; todos os seus sistemas são como os dos animais, e não há nada de especial neles. Nós produzimos filhos  exatamente da mesma maneira e cuidamos deles como qualquer animal.

Um ser humano começa onde seu pensamento, sua educação, e o poder do seu intelecto, sua inteligência, é despertado e desenvolvido de geração em geração, e junto com o intelecto, as emoções são desenvolvidas, a consciência de quem ele é e onde ele está. Estas perguntas são despertadas em cada geração, mas com uma nova qualidade.

Há um papel muito importante para a educação aqui. Além do desenvolvimento do lado da natureza, nós nos desenvolvemos com a ajuda de sistemas especiais dentro de nós, e passamos nosso conhecimento científico e experiência de geração em geração. Isto não é como a experiência de sobrevivência que os animais transmitem aos seus descendentes.

Os seres humanos transmitem a sabedoria, o conhecimento científico, e uma percepção do mundo para seus filhos. Portanto, nós somos mais fortes do que todos eles e estamos prontos para desenvolver meios que os animais não alcançam. O macaco não sabe como usar nada além de um pedaço de pau, e um ser humano inventa ferramentas mais sofisticadas.

Os animais são totalmente ativados pela natureza no nível dos instintos e não questionam de onde vêm as ordens que eles obedecem. No entanto, será que o ser humano pode questionar por que isto está acontecendo dessa maneira e será que é possível fazer isso de forma diferente? Ele procura saber como sair de situações desagradáveis ​​e alcançar o máximo conforto. É como se ele fosse guiado pelas mesmas motivações como os animais, mas os animais agem instintivamente, como uma máquina. E apesar de muitos instintos latentes e hábitos serem incorporados no homem e transmitidos de geração em geração, o que é único nele é que ele aprende constantemente.

Um ser humano aprende com um ambiente que o influencia muito fortemente, e ele muda de acordo com o ambiente. Latente nele está a aspiração de deixar o lugar onde ele está, se desenvolver, conquistar novas áreas, sentir que está no controle, entender e explorar tudo ao seu redor com suas próprias forças. Mas nós vemos que, se um ser humano age desta maneira, de acordo com seu desejo, ele deve escapar constantemente dos problemas que causa a si mesmo. Como resultado, ele se torna mais miserável, mesmo que esteja acima de toda a natureza.

Nós nos desenvolvemos sob a pressão do nosso egoísmo, o qual não existe entre os animais. Os animais agem apenas de acordo com os instintos, e os seres humanos têm liberdade de escolha: o que e como fazer algo. Assim, segue-se que em todas as situações na vida, eu tenho a possibilidade de fazer algo bom ou ruim em relação aos outros, e certamente faço uma escolha de acordo com o meu benefício pessoal. No entanto, eu devo verificar cuidadosamente o que exatamente é benéfico para mim. Afinal, uma pessoa é diferente dos animais por também ter o poder de destruição, e ser capaz de prejudicar a si mesma.

Este poder destrutivo é o controle do nosso ego, e os seres humanos devem cumprir os comandos desse poder mesmo que entendam que por causa disso, eles estão se condenando a uma vida muito difícil. Eles devem se submeter a essa aspiração interna. Eles vêem que estão no limiar da guerra, mas ainda não podem parar e estão prontos para a morte porque o seu ego é mais forte do que o seu instinto de sobrevivência.

Um animal nunca vai contra o instinto de sobrevivência. A fêmea está inclusive disposta a abandonar seus filhotes à mercê dos predadores para fugir destes. O instinto natural dita que uma parte maior e mais saudável é mais importante do que uma pequena e fraca, e, portanto, a fêmea deve ser salva primeiro. É assim que a natureza obriga os animais a agir, de acordo com o instinto de procriação. No entanto, uma pessoa pode agir de forma completamente diferente. A mãe está pronta para arriscar sua vida para salvar seus filhos, o que não é típico dos animais.

Um animal simplesmente luta por seu território, comida e continuação da geração. Mas no momento em que sente que é mais fraco do que o inimigo, se retira sem vergonha e remorso. Estes sentimentos simplesmente não existem nos animais. Eles têm um instinto normal, como se fosse uma força de trabalho, em vez de um organismo biológico. Eles simplesmente medem qual é a força mais forte, e o mais fraco se entrega. Mas o ser humano está pronto para lutar pela “verdade” e “justiça”, mas todas essas são expressões de seu orgulho, seu ego. O ser humano tem que provar que ele é justificado, e com isso manifesta seus sentimentos pessoais.

Nosso corpo não é diferente do corpo dos animais. O ser humano dentro de nós é o nosso orgulho, a inveja e a luxúria. É precisamente essas características que nos diferenciam do mundo animal. Assim, o lugar do homem na natureza não é como o lugar do inanimado, vegetal e animal, e nós instintivamente nos distinguimos deles. Além disso, nós podemos controlar outras partes da natureza: matar animais, colocá-los numa gaiola, domesticá-los e usá-los como alimento. Além disso, dominamos totalmente a natureza do vegetal e inanimado, por isso nos consideramos como estando acima de toda a natureza.

Mas se olharmos para o ser humano, vemos que o que se destaca é a sua inveja, sua aspiração por controle e respeito, características que são irrelevantes para os instintos animais, e assim eles elevam o ser humano acima de tudo. Ao mesmo tempo, mesmo os seres humanos são geridos pela natureza. Afinal de contas, se eu não sei o que vai acontecer comigo no momento seguinte, isso me leva ao nível do animal normal. Se eu não controlo o meu futuro, até mesmo no momento seguinte, já sou dominado pela natureza.

Portanto, eu devo esclarecer: quem sou eu realmente? Aquele que age ou aquele que é ativado? Parece como se eu ativasse os níveis que se encontram acima de mim. Mas eu não tenho controle sobre mim mesmo, nem sobre a sociedade humana. Pelo contrário, sou ativado de cima, isto é, recebo a oportunidade de controlar a natureza inanimada, vegetal e animal, mas não controlo a mim mesmo e o que está acima de mim, o meu destino e o meu futuro. Nesse, eu sou completamente controlado.

Essa é a tragédia do ser humano, que parece tão forte e bem sucedido em tudo o que faz. Ele possui emoção, inteligência, uma consciência desenvolvida e meios poderosos. Depois de termos nos desenvolvido neste nível, de repente descobrimos que não podemos sequer tocar o que é mais essencial.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/02/14

Quando Abrimos O Livro Do Zohar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando começamos a ler O Livro do Zohar, por que você muitas vezes pergunta: “Vocês têm algo a perguntar do Criador”?

Resposta: Com certeza, caso contrário, por que motivo você tem O Livro do Zohar? Afinal, por que você o abre? É para descobrir a verdade. A verdade é revelada somente se você despertar a linha direita, que é o amor. Quando você o desperta, você deve compreender, sentir e descobrir que, na verdade, não há amor dentro de você, mas apenas ódio. E mais, é um tal ódio que você não é capaz de se sentar ao lado de seus amigos.

A fim de não ficar indiferente ao outro, é necessário exigir que o Criador revele tudo isso para nós: o amor, o ódio, a cooperação mútua e os conflitos entre nós. Falta-nos o terceiro fator, que está se voltar e exigir! O Criador é uma força, uma condição, e um sistema que exige um constante voltar-se a Ele. Enquanto isso não existir, você deve fazer um monte de trabalho. Não há nada que possa ser feito sobre isso, uma vez que é impossível ignorar esses níveis.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 06/05/15

Na Sombra Da Nuvem Do Asteroide

Dr. Michael LaitmanPergunta: É impressão ou Adam HaRishon (o primeiro homem) era muito mais avançado do que nós, porque sentia a força superior que não sentimos?

Resposta: Não há nenhuma dúvida sobre isso! O desenvolvimento espiritual não ocorre paralelamente ao desenvolvimento físico. Pelo contrário, os primeiros Cabalistas estavam muito mais perto da força superior e dos mundos superiores do que nós. Se agora nós tivéssemos a sorte de encontrar com nosso pai Abraão, seria possível fazer-lhe muitas perguntas. No sentido espiritual, um declínio constante acontece mais e mais a cada geração. Nesse sentido, o nosso ego e o avanço tecnológico, juntamente com o desenvolvimento econômico e financeiro, têm crescido cada vez mais.

Em última análise, nós alcançamos o avanço tecnológico máximo e o desenvolvimento espiritual mínimo neste mundo. Assim, a crise global se desenvolve e irrompe, e ela está se movendo e é sentida em todo o mundo em nosso tempo. Nós só podemos resolver essa crise com a revelação da sabedoria da Cabalá a toda a humanidade. Se todos nós estivermos unidos, chegaremos a descoberta da força superior e este mundo subirá à altura dos mundos superiores.

Pergunta: Nós quase não ganhamos dinheiro para viver neste mundo, mas você quer que nos envolvamos com mundos superiores?

Resposta: A crise atual é apenas o começo. Terríveis golpes são esperados para o mundo. Eu não quero assustá-lo, mas, infelizmente, é assim que é. Nós já vemos sintomas claros agora de um futuro Holocausto em todo o mundo que ninguém pode parar.

A ideia é que o mundo está se tornando redondo. As forças espirituais superiores estão se aproximando do nosso mundo como a nuvem de um asteroide ou cometa. As forças superiores que estão ligadas numa única rede se comprimem num anel cada vez mais denso em torno do nosso mundo, que não está conectado numa única rede. Em vez disso, tudo é dividido, separado, esmagado e dilacerado por lutas internas. O nosso mundo e a rede de forças superiores que está se aproximando dele estão em oposição e contradição mútua, de modo que fenômenos muito desagradáveis ​​e negativos são revelados em nosso mundo. Eles vão aumentar cada vez mais até que começarmos a nos conectar e unir para estarmos cada mais ajustados à força integral única e singular. Só assim podemos ser salvos.

Pergunta: Será que todos os problemas do mundo moderno são enviados a nós como um castigo?

Resposta: Não há castigos! Só as pessoas percebem o que está acontecendo dessa forma. Na verdade, a lei da natureza está simplesmente agindo em nós. Forças negativas cada vez mais negativas e piores estão despertando dentro de nós na medida em que vemos que o ego cresceu de geração em geração. Mas as forças espirituais superiores estão se aproximando de nós cada vez mais como uma única rede. A oposição entre estes dois sistemas está aumentando: por um lado, há o ego humano maligno, e por outro lado, existe uma rede superiores de forças benignas. Entre eles aparecem as possíveis diferenças e tensões que perduram.

Nós não podemos mudar a rede superior; precisamos apenas nós mesmos corrigir e unir. E amarás o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra geral na Torá (Yerushalmi Nedarim 30b); se não fosse por sua existência, não sobreviveríamos. O mundo inteiro está se tornando global e integral, ligado como uma única e pequena aldeia. Como tal, o mundo exige da humanidade uma idêntica conexão boa entre eles. Mas nós não estamos prontos para criar uma conexão assim, então sofremos.

Apenas a sabedoria da Cabalá pode levar toda a humanidade a relações boas e maravilhosas, por isso está sendo revelada em nosso tempo. Além disso, O Livro do Zohar, que foi escrito há 2.000 anos, apontou para o nosso tempo onde a humanidade alcançaria um estado onde seria obrigada a usar o método da Cabalá para se conectar e viver feliz. Portanto, eu desejo um ano bom e doce para todos, ou seja, um ano em que temos a chance de alcançar a boa vida.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 06/09/15

Yom Kippur: Alegria Ou Tristeza Universal?

Dr. Michael Laitman A Torá, “Levítico”, 23:26-23:28: Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor. E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso Deus.

A contagem dos meses no trabalho espiritual começa em Pessach (Páscoa Judaica). O sétimo mês a partir de Pessach se correlaciona com Malchut, à sétima Sefira que vem depois Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod. A décima e última Sefira em Malchut (Malchut de Malchut), que simboliza o décimo dia do mês, é Yom Kippur, quando a pessoa chega ao ponto mais baixo de sua natureza e eleva a oração dali. Isto significa que ela chega a um estado que não está em seu poder se corrigir por si mesma, então simplesmente se desprende e faz tudo o que está em seu poder para elevar um pedido de correção.

É um dia de alegria, quando eu tenho algo para o qual me virar e alguém a quem recorrer (a força superior) com este pedido. Eu posso realmente fazer isso desde que eu tenha atingido o ponto mais baixo por minhas ações. Em outras palavras, eu alcancei o último estado através dos meus esclarecimentos e pesquisa psicológica interna por quem eu sou, o que sou, no sentido de que minhas ações são destinadas, e o que estou vivendo. Eu descobri que é totalmente egoístico e que não existe qualquer conexão com os outros dentro deste estado.

Neste momento eu só posso gritar, e este é um ponto de expiação e perdão onde sinto minha natureza como o odioso ego e quero me separar dele com todas as minhas forças. Eu não quero usar o ego quando se trata de comida, água, ou quaisquer ações, e não posso superá-lo. A única coisa que posso fazer é elevar uma oração à força superior para que Ele me corrija. Este é o sentido da minha solicitação.

Nós podemos chegar a um estado de expiação e perdão a qualquer momento, independentemente da data do calendário do Yom Kippur. Isso acontece quando a força superior pode realizar correções em mim. Só Ele pode me ajudar; eu não posso me corrigir, mas posso pedir a Ele essa correção.

Comentário: Tudo o que acontece no mundo espiritual é o oposto de tudo o que há no mundo corpóreo, porque para nós, Yom Kippur é um dia de luto universal e não um dia de alegria.

Resposta: No passado, o estado do Yom Kippur era compreendido corretamente, mas durante os 2.000 anos de exílio, temos atribuído isso aos nossos próprios sentimentos e combinamos os nossos sentimentos com este dia. Na verdade, é um estado de alegria, porque todos os feriados são alegres.

De Kab TV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/15

Quem É O Culpado Pelo Pecado De Adão?

Dr. Michael LaitmanA descoberta do mal é chamada de “o pecado de Adão”. Mas, esse não foi de fato um pecado, pois o próprio Criador diz que Ele criou a inclinação ao mal. Isto significa que Adão não pecou; ele só descobriu o pecado, o seu mal, a natureza egoísta.

Desde o início fomos criados com uma natureza como essa, para que pudéssemos ter a oportunidade de subir acima dela, e a partir deste mal, tornar-se consciente do bem, o Criador. É impossível descobrir isso sem essa natureza, “Como a vantagem da Luz sobre a escuridão” (Kohelet Rabá 2:13).

No Ano Novo (RoshHashaná) nós celebramos a oportunidade de nos elevarmos e atingirmos a força superior, o Criador, para nos tornarmos Adão (homem), ou seja, aquele que se assemelha a Ele. Isso está dentro do poder de todos, pois Adão foi simplesmente o primeiro quem fez isso. Como se diz, “porque todos Me conhecerão, do menor ao maior deles” (Jeremias 31:33), e “… porque minha casa será chamada de casa de oração para todos os povos” (Isaías 56: 7). Portanto, Adão é uma imagem que é relevante a toda a humanidade.

Se durante esse feriado nós fizermos a conta correta do ano passado, nós esclarecemos que ainda não alcançamos a correção e que não subimos com toda a humanidade para o ápice da nossa existência, o mundo espiritual, o nível de assemelhar-se ao superior, o poder eterno e perfeito. Para isso, nós pedimos perdão, ou seja, julgamos a nós mesmos que poderíamos ter descoberto a nossa inclinação ao mal e corrigi-la, subindo acima dela e nos unindo, mas não fazemos isso. Por isso, nós pedimos no início do ano que recebamos o poder que torna possível nos corrigir e atingir o objetivo da criação.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 06/09/15

Nós Podemos Aprender A Ver O Futuro?

laitman_928Pergunta: Eu realmente me identifico com a sua explicação sobre o lugar do homem na natureza, que, como resultado de sua evolução egoísta, torna-se inferior e mais miserável do que todas as outras criaturas. Às vezes eu olho para o meu cão e invejo a sua vida. Ele não está preocupado com dúvidas e não tem problemas. Seu único problema é o que comer agora.

No passado, quando a humanidade estava lutando para sobreviver, ela não se perguntava sobre o sentido da vida. Agora, quando chegamos a uma relativa riqueza e não temos que lutar pelo nosso pão de cada dia, a questão de “Por que precisamos de todo esse jogo chamado vida?”, de repente vem à tona.

Acontece que toda a nossa sabedoria, nossa evolução e nosso cérebro são inúteis, porque não nos fornecem a resposta a essa pergunta básica: qual deve ser a próxima fase de nossa evolução? Nós podemos ver o nosso futuro?

Resposta: Se há uma dúvida, um desejo não realizado, uma deficiência, de ver o futuro, então nós provavelmente podemos encontrar uma resposta. Houve pessoas em nossa história que podiam prever o futuro. Curiosamente, existe o futuro! A questão é se podemos nos conectar a ele.

Se nós evoluímos de acordo com o plano da natureza, então, aparentemente, podemos descobrir, ler, entender e senti-lo. Afinal de contas, ele já existe na natureza sob a forma de forças equilibradas. Os astrofísicos que estudam a vida no espaço também dizem que o universo inteiro é um pensamento. Os cientistas que exploram a natureza são bastante materialistas, e, ao mesmo tempo, afirmam que existimos num campo de pensamento.

O software da evolução que nos opera está incorporado na natureza. Nós somos o produto do software, e evoluímos de acordo com este cenário. Este software gerencia o equilíbrio entre as forças da natureza. Como resultado deste equilíbrio, partículas elementares têm se conectado em objetos e corpos, e é assim que todo o nosso universo evoluiu desde o Big Bang até hoje.

Como podemos descobrir esta camada oculta da natureza? Nós sabemos que a lei principal, e, de fato, a única lei da natureza que determina todos os nossos sentimentos, nossa compreensão e nossas percepções, é a lei da equivalência de forma. De acordo com essa lei, se eu sinto alguma coisa, isso acontece somente porque esse atributo existe em mim de alguma forma.

Se eu vejo uma cor amarela ou branca, se eu ouço sons e sinto sabores, isso significa que eu consigo discernir algo em meus sentidos, o que significa que essas forças, esses atributos, assim como o fenômeno que eu percebo, existem dentro de mim. Esta é realmente a razão de eu poder sentir esse fenômeno. Uma coisa determina a outra; meu modelo interno coincide com a imagem externa.

Nós podemos ver isso em crianças que não percebem muitos fenômenos em torno delas até que explicamos esses fenômenos a elas, damos jogos adequados, e as ajudamos a ver, sentir e gostar das coisas. Isto significa que a pessoa pode desenvolver internamente o sentimento do futuro desconhecido.

Nós podemos descobrir o futuro se primeiro explorarmos a natureza que está acima de nós. Se o universo inteiro é um grande software, como num computador, e o que nos afeta é este pensamento único, ideia única, nós devemos aprender a nos familiarizar com ele e aprender sobre seus planos com relação a nós. Como podemos nos conectar a ele? Quais sentidos, aromas, sensores ou pensamento nós precisamos? Como devemos preparar nossos corações e mentes, ou seja, nossos desejos e pensamentos, a fim de sentir o futuro?

Aqui, nós encontramos um problema muito sério. Afinal, a natureza, sendo o pensamento superior que nos sustenta e controla, é totalmente integral, redonda e mutuamente conectada. Ela não se quebra em componentes separados (natureza inanimada, vegetal e animal e o homem) ou em cores e sons distintos. Na natureza, tudo está conectado num todo que está ligado internamente.

Como resultado da evolução da humanidade neste planeta, ela gradualmente descobre a conexão entre as pessoas, que é cada vez mais forte. Isto apesar do fato de que nós não queremos nos conectar, e cada um de nós prefere se sentar sozinho e sem ninguém para perturbá-lo. Mas isso não funciona, e cada dia descobrimos a nossa interdependência cada vez maior.

Mesmo as diferentes áreas científicas estão se tornando integradas hoje. As mesmas leis, as mesmas relações, operam em todos os lugares, mas de uma maneira um pouco diferente, e como resultado, nós as dividimos em leis que atuam em corpos sólidos, líquidos, gases e plasma. Na verdade, não há diferenças na natureza. Nós somos os únicos que a dividimos em diferentes áreas (biologia, zoologia, mecânica, eletricidade) e estudamos cada área separadamente. Nós simplesmente não conseguimos perceber tudo como um todo, como uma forma integral.

Nós dividimos a natureza em diferentes áreas, de modo que sejamos capazes de entendê-la um pouco. No entanto, já existem muitas tendências que conectam várias áreas, como a minha primeira profissão, a biocibernética. Nós criamos ciências cada vez mais interdisciplinares, uma vez que percebemos que, na realidade, tudo é unificado.

Nos tempos antigos, quando a ciência não estava tão desenvolvida, os cientistas tinham conhecimento universal em todas as áreas, como Leonardo Da Vinci, por exemplo. Cada um desses grandes homens era um gênio em filosofia porque a filosofia incluía todo o conhecimento sobre a natureza. No entanto, mais tarde, nós desenvolvemos nosso conhecimento da natureza de tal forma que uma pessoa não consegue perceber tudo. Esta é a razão de dividirmos nosso conhecimento em diferentes áreas, mas, na verdade, é o mesmo sistema.

Portanto, nós devemos aprender, sentir, entender e conhecer o plano superior que nos opera quando que operarmos amanhã e nos muitos anos vindouros. Quando chegarmos a conhecê-lo, saberemos até o que vai acontecer conosco depois que morrermos. Afinal, a nossa consciência, nossos sentimentos e nosso conhecimento, não vão morrer junto com nosso corpo proteico quando ele deixa de existir. É uma questão totalmente diferente. Essas são forças que não desaparecem. Vamos aprender sobre a vida fora do corpo se nos tornarmos integrais como toda a natureza e nos familiarizarmos com o seu plano.

A fim de fazer isso, temos que desenvolver um sentido integral, para que todas as pessoas de todo o mundo e toda a natureza, se conectem num sistema unificado de modo que não haverá diferenças entre eles. Se eu construir minha percepção desta forma, vou sentir que eu e todas as outras as pessoas se conectam em um. De repente, vou sentir que vivo numa dimensão maior do que a que vivo hoje. Vou começar a sentir o plano da criação e as forças com as quais ele opera todos nós como um só.

Como resultado, você pode estar com medo de se perder e de se amarrar a outros, mas você deve saber que, na verdade, é graças a isso que vai começar a conhecer a si mesmo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/02/14

O Amor Só Existe Acima Do Egoísmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu me corrigir, na medida em que poderei amar incondicionalmente meu marido, não importa como ele seja, ainda vou ver seus defeitos?

Resposta: Se eu peço que a força de cima me corrija e me ajude a ver o meu cônjuge sem quaisquer condições, eu o vejo completamente corrigido. Isso é chamado de “o amor cobrirá todos os crimes”.

Da mesma forma, uma mãe não vê quaisquer falhas no seu filho, já que para ela ele é o melhor, mais inteligente e atraente.

Pergunta: Então, eu subo acima do meu desagrado por certa qualidade do meu marido, peço para corrigir a minha atitude em amor, e, de repente, isso parece bom para mim?

Resposta: A única maneira de chegar ao amor é corrigindo-se. Eu não estou tentando esquecer as falhas do meu parceiro e enganar a mim mesmo, mas subo acima delas, na medida em que quero amá-lo como ele é.

Mas a correção precisa começar com o amor dos amigos. Até que comecemos a corrigir as relações entre todos nós, não seremos capazes de corrigir os relacionamentos dentro de uma família. É por isso que a instituição da família está desmoronando e continuará a se deteriorar ainda mais. Chegará ao ponto onde os filhos vão estar matando seus pais, e os pais devorando seus próprios filhos, no sentido mais literal.

Comentário: Mas as pessoas estão procurando o amor romântico, não o amor dos amigos.

Resposta: Isto é porque as pessoas estão olhando para o amor material, egoísta, que elas nunca encontrarão. O amor só existe acima do egoísmo, e a pessoa deve procura-lo dentro de si mesma.

Não há necessidade de procurar um objeto atraente para amar. No momento em que eu percebo o que é o amor verdadeiro, devo procurar um parceiro que também entenda como alcançá-lo.

E, nesse caso, não importa se gostamos ou não da aparência um do outro. Eu iria a uma pessoa sábia e lhe falaria sobre o meu desejo de casar, e ela encontraria um parceiro adequado para mim com o qual pudéssemos construir uma família correta.

Tais cônjuges querem encontrar o amor que está acima deles. É por isso que eles não estão preocupados com o rosto ou caráter de seu cônjuge, mas apenas a sua vontade de construir uma relação de amor mútuo que está acima de todas as deficiências. Eles entendem que cada um precisa corrigir a si mesmo, e nessa medida, eles vão se aproximar e se conectar.

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/08/15

Atributos Especiais Da Terceira E Quarta Gerações

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 14:17-14:18: “Mas agora, que a força do Senhor se manifeste, segundo prometeste: ‘O Senhor é muito paciente e grande em fidelidade, e perdoa a iniquidade e a rebelião, se bem que não deixa o pecado sem punição, e castiga os filhos pela iniquidade dos pais até a terceira e quarta geração’”.

Há três gerações de Keter à Malchut: Hochma, Bina e ZeirAnpin. É assim que ocorre em cada estado espiritual. A imagem do Criador é formada no quarto nível, Malchut. A terceira geração é Zeir Anpin, o estado de pequenez, onde o ego é apagado e, depois, totalmente corrigido na quarta geração. Isto é simbolizado pelas palavras: e castiga os filhos pela iniquidade dos pais até a terceira e quarta geração. Trata-se da ascensão de Malchut através ZeirAnpin à Bina, à Hochma, e depois à Keter.

A Torá, “Números”, 14:19-14:23: Segundo a tua grande fidelidade, perdoa a iniquidade deste povo, assim como a tens perdoado desde que saíram do Egito até agora. O Senhor respondeu: “Eu os perdoei, conforme você pediu. No entanto, juro pela glória do Senhor que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinais miraculosos que realizei no Egito e no deserto, e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes — nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com juramento aos seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá.

Não há nada de mal nisso. Pelo contrário, trata-se de uma grande misericórdia que o Criador executa quando Ele mata todo mundo, o que significa que Ele mata todo o desejo egoísta.

A razão é que é apenas nos desejos altruístas, que substituem os desejos egoístas, que o povo pode sentir o estado chamado a terra de Israel. Toda essa raiva é necessária para corrigir o egoísmo em altruísmo. Nenhum egoísta pode entrar no estado do atributo de amor e doação chamado a terra de Israel. Ele deve morrer primeiro, ou seja, renascer e entrar nela, seja num estado de pequenez (a terceira geração) ou num estado de grandeza (quarta geração).

Portanto, quando a Torá fala sobre punição, destruição e morte, ela se refere ao egoísmo, que realmente deve ser destruído. Apenas os atributos de amor e doação que o substituem sentirão o estado da terra de Israel.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 29/03/15

O Imenso Potencial Do “Falante”

Laitman_712_03De um artigo do Baal HaSulam, “Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot“, Seção 3: Deixe-me explicar a questão. Nós distinguimos quatro divisões na espécie falante, dispostas em gradações uma sobre a outro. Essas são as massas, o forte, o rico e o sagaz. Elas são iguais aos quatro níveis em toda a realidade, chamados:
a. Inanimado,
b. Vegetal,
c. Animal,
d. Falante.

… Acima está o falante, que consiste de uma força emocional e uma força intelectual juntas. Por esta razão, o seu poder é ilimitado pelo tempo e espaço em atrair o que é bom para si e rejeitar o que é prejudicial, como o animal.

Isto é assim por causa de sua ciência, que é uma matéria espiritual, ilimitada pelo tempo e espaço. Pode-se ensinar aos outros onde quer que eles estejam em toda a realidade, e, no passado e no futuro através das gerações.

Segue-se que o valor de uma pessoa do falante equivale o valor de todas as forças no vegetal e animal em toda a realidade nesse momento, e em todas as gerações passadas. Isto é assim porque seu poder os engloba e contém dentro de seu próprio ser, juntamente com todas as suas forças.

Depois que o desejo de receber foi criado, ele começou a se desenvolver não quantitativamente, como se o seu peso fosse de um quilograma e ele se desenvolvesse em dez quilogramas. Em nenhum lugar na natureza o desenvolvimento quantitativo é considerado desenvolvimento. Se uma criança crescesse aumentando apenas o seu peso, ela seria chamada de mentalmente subdesenvolvida.

Isso significa que nós sempre associamos o desenvolvimento com uma nova qualidade. Em primeiro lugar, há a reunião da sabedoria, o reconhecimento do mal, consultas e observações. E se nós precisamos de mais poder para isso, nós podemos obtê-lo em conformidade.

Aparentemente, apenas as alterações qualitativas são consideradas como desenvolvimento na natureza. O desenvolvimento quantitativo não é considerado. Qual seria o benefício de se adicionar mais um, mais um milhão ou até um bilhão a mais do mesmo? Mas é importante que a adição altere a qualidade, tal como uma mudança no número de elétron, prótons e partículas adicionais dentro do átomo, e, consequentemente, há desenvolvimento.

Os átomos se conectam em moléculas; as moléculas se tornam cada vez mais complexas e se conectam em células. O núcleo da célula aparece no centro da célula e está pronto para gerir os processos no interior da célula. As células ganham a possibilidade de se conectar, especializando-se em diferentes atividades. Isso não se refere ao número de células aqui, mas à sua qualidade. Diferentes tipos de células começam a ser formadas a partir de células-tronco, das quais o corpo humano é construído.

Isso significa que o desenvolvimento é sempre qualitativo. O Baal HaSulam não fala de quantidades. Existem quatro níveis de desenvolvimento no mundo: inanimado, vegetal, animal e falante; eles são níveis de desenvolvimento e são qualitativos. O desenvolvimento qualitativo é que o desejo de receber começa a entender cada vez mais o que ele quer.

E isso está certo: de onde ele poderia saber o que quer? Se eu sou o desejo de receber, para saber o que o meu desejo é, eu preciso saber o que o Criador quer de mim. Eu não sou consciente disso nos níveis do inanimado, vegetal e animal. E no nível falante, eu já começo a entender que o meu intelecto é uma cópia do intelecto do Criador, que o implantou em mim porque era especificamente Seu desejo que eu pudesse entender e pensar, e ser consciente Dele numa forma como essa.

Isto é chamado de desenvolvimento. Graças a um desenvolvimento como este, eu posso me controlar e controlar os vários processos. Mas cabe a mim entender que todos os sistemas que se encontram em mim, todo o meu intelecto e emoção, todos os resultados do desenvolvimento, são uma cópia gradual dentro de mim das características do Criador. Ele deixa apenas uma coisa em mim, a liberdade de escolha dentro destes sistemas, ou seja, se assemelhar ou não a Ele!

É assim que nos desenvolvemos de acordo com estes níveis, moldando sistemas cada vez mais complexos nos níveis inanimado, vegetal, animal e falante. E isso faz possibilita que nos aproximemos cada vez mais do entendimento de nossa natureza no nível falante e controlemos os níveis inanimado, vegetal e animal. Nós adicionamos cada vez mais desejo de receber a nós mesmos, e juntamente com isso, adicionamos à nossa capacidade de usá-lo.

No nível de Adão isso não se refere mais a uma maior capacidade de usar o desejo de receber, mas à capacidade de compreender o próprio desejo. O nível animal se realiza ao máximo. O Adão é construído de forma diferente, de um aspecto qualitativo, e para ele o mais importante é não realizar o seu desejo, mas o propósito para o qual está fazendo isso. O nível de Adão (homem) começa especificamente daí. Caso contrário, seria uma continuação do nível animal. Para um Adão, o que é importa é a razão pela qual ele quer se realizar.

Aqui começa o reconhecimento do mal. Nós perseguimos diferentes objetivos que só nos causam problemas, até que o Adão – pelo caminho de Beito (em seu tempo), pelo caminho do sofrimento – atinge a pergunta: Qual é a razão para viver? Isso significa que ele procura um propósito adequado não o incomode de dedicar sua vida. O desenvolvimento do desejo é feito de forma gradual e sistemática, e, finalmente, nos leva ao resultado correto.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/03/14, Escritos do Baal HaSulam