Textos na Categoria 'Egoísmo'

Da Separação À União

Dr. Michael LaitmanA sociedade humana é dividida em duas partes. As pessoas cujo ponto no coração já despertou compõem uma pequena parte da humanidade: essa parte é nós. O resto das pessoas não têm o ponto no coração, ainda que um forte desejo egoísta esteja concentrado nelas.

Duas forças (positiva e negativa) agem em nós. Nós avançamos criando uma conexão entre o nosso ego e o desejo de alcançar o mundo espiritual, o qual desenvolvemos através do estudo e das forças recebidas do ambiente. A conexão construída pela combinação dessas duas forças é chamada de linha média.

O resto das pessoas, como a ciência da Cabalá explica, gradualmente se juntam a nós, achando que não há alternativa: o seu egoísmo, exigindo satisfação o tempo todo, vai sofrer. Ao longo do desenvolvimento humano o egoísmo do homem foi constantemente crescendo e esforçando-se para satisfazer-se o máximo possível. Hoje, quando o ego humano perdeu a esperança de obter satisfação, depara-se com uma crise.

Isso incentiva as pessoas a se aproximarem de nós, embora elas não saibam de quem e como se aproximar. Para tornar o caminho delas mais fácil, devemos disseminar a sabedoria da Cabalá e explicar que há um método de correção da crise. Quando elas se juntarem a nós, juntos começaremos a trabalhar na linha média e, assim, alcançar o mundo do Infinito.

O que vamos ganhar, como resultado? Vamos alcançar a eternidade e a perfeição. Nós nos elevaremos acima da nossa realidade, acima do ponto da criação do nosso Universo e do mundo inteiro, até a realidade superior.

Atualmente, o ponto no coração desperta em muitas pessoas: já há milhões delas. E as pessoas cujo ponto no coração ainda não foi revelado sentem a crise, além do egoísmo. Elas sentem que lhes falta a força positiva, sem a qual não podemos viver. Elas sabem que devem corrigir a crise, sentem que a solução está oculta na união, mas não sabem como fazer isso.

Em um mundo global e integral, tudo deve ser unificado; a natureza nos mostra isto. Hoje, ela mostra que devemos alcançar o mundo do Infinito, que somos um todo. É exatamente isso que a crise veladamente nos aponta e dirige.

Nas pessoas que deveriam conduzir a humanidade para este objetivo, a crise revela o ponto no coração, uma força positiva, que elas podem adquirir do grupo e do estudo. Com a ajuda dele, elas podem se mover em direção ao mundo do Infinito de forma independente. E aqueles cuja crise não dá a força de unificação, mas sentem que lhes falta essa força, gradualmente receberão explicações daqueles cujo ponto no coração despertou, se juntarão a eles, e junto com eles aspirarão à meta.

Da Lição 2 da Convenção na Espanha,, 04/06/11

A Necessidade Da União Está Amadurecendo

Dr. Michael LaitmanO tema do nosso Congresso é “União: o Futuro do Mundo”. Eu estou muito emocionado, porque depois de muitos anos estudando Cabalá, a união do mundo e a necessidade dela estão finalmente começando a se tornar aparente.

Ao longo de bilhões de anos de desenvolvimento do nosso mundo, bem como no processo de vários eventos antes de sua concepção, tudo evoluiu justamente para este ponto – o ponto de percepção da necessidade de união. Somente agora ele está começando a despertar, a ser expresso, e mostrar a sua necessidade. E você e eu estamos no centro desta realização.

Tudo começou quando a única força da natureza, a força de doação, ou o Criador, que é a mesma coisa, começou a atuar, emanando e criando a matéria. Primeiro, ela criou a matéria espiritual, ou seja, o desejo: o desejo de ser preenchido, o desejo de sentir a si mesmo e tudo ao redor.

Este desejo se desenvolve sob a influência da força inicial, a força da natureza. As fases de seu desenvolvimento são chamadas de “as quatro fases da expansão da Luz Direta”. Todo o propósito do desenvolvimento da criação, ou do desejo, encontra-se em torná-la semelhante à natureza, em ter que alcançar uma harmonia saudável, ou em outras palavras, alcançar a equivalência e adesão com o Criador, pois a adesão é alcançada através da equivalência de forma. É necessário que a matéria, ou seja, o desejo que está em oposição à Luz, oposto à qualidade de doação, finalmente passe por todas as fases do seu desenvolvimento e perceba que o melhor e mais elevado estado é a equivalência com a Luz, a equivalência com a natureza perfeita, a harmonia e união com ela.

No entanto, para atingir este estado, é necessário primeiro sentir que você é totalmente oposto a ela, ou seja, sentir-se em uma qualidade que é completamente oposta à Luz, experimentar o egoísmo, a crueldade, o desejo de pensar só em si mesmo, apenas a sensação de si, a incapacidade de sentir alguém ou de pensar em outra pessoa, a menos que seja para seu próprio benefício, a menos que traga benefícios pessoais, a menos que isso signifique usar os outros. É assim que as qualidades, que são as mais opostas à Luz, precisam ser expressas na criação.

Em nosso mundo, essa criação é o homem, que passa por uma enorme quantidade de fases de desenvolvimento ao longo da história, até atingir a sensação e, o mais importante, a percepção de que é completamente oposto à força da natureza. Este é um processo muito difícil e demorado. Ao longo de centenas de milhares de anos nós avançamos e o egoísmo ficou gradualmente mais forte dentro de nós. Externamente, nós vemos como o homem desenvolveu-se em sua formação social até atingir o estado atual. Como um todo, esse egoísmo, esse desejo sempre nos empurrou para a frente até o presente momento.

Agora, como ultimamente, estamos começando a nos convencer de que esse egoísmo, essa natureza que temos, é realmente nosso inimigo, e nosso único inimigo. Ao separar-nos uns dos outros, ele literalmente nos priva da possibilidade de viver normalmente, mesmo no nível deste mundo material.

Nós estamos nos tornando cada vez mais fechados, cruéis, separados, assustados, e estamos assumindo uma postura defensiva, privando-nos de uma vida normal e perdendo o sentido da existência. E de fato: Por que vivemos? Só para nos defender e proteger? Somente para nos colocarmos em algum tipo de limites e viver nele determinado período de tempo com certo nível de conforto e segurança? Isso é tudo?

É assim que se sente o homem neste mundo, a medida que se torna cada vez mais cruel, por natureza, com o tempo. Nós fazemos assim. O nosso egoísmo nos leva a isso.

No final, tudo isso está sendo expresso como uma enorme crise. Em alguns países, a crise se faz sentir mais, e em outros menos, mas ela está amadurecendo. Não importa o quanto a ocultemos, não podemos fazer nada em relação a isso. Ela se expressa cada vez mais na economia, na estrutura social, na diminuição do papel da família, e em todos os problemas que surgem na nossa sociedade, como a crise da educação, drogas, terrorismo e assim por diante.

Em todas as áreas da atividade humana o homem está enfrentando várias crises, mas no final é tudo uma crise de nossa oposição à natureza. Naturalmente, isso só pode ser corrigido nesta essência.

Nós não podemos corrigi-lo de outra maneira. Vemos como os líderes mundiais estão tentando, como as autoridades são incapazes de fazer qualquer coisa, e mesmo os tiranos, que usam o dinheiro e os exércitos que estão à sua disposição, são incapazes de mudar algo. O mundo está inexoravelmente caminhando para uma grande ruptura. A força e o poder ainda estão tentando manter o mundo nos limites anteriores, mas já não conseguem fazer isso.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

Viver De Acordo Com Regras Diferentes

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá explica que, se nós quisermos voltar à nossa raiz (que é exatamente o que nós almejamos, o que é importante para nós), teremos que nos elevar acima do nosso universo, para uma dimensão maior, acima da Machsom (a barreira que nos separa da espiritualidade). Em outras palavras, nós devemos realizar uma ação oposta à quebra desse desejo criado de modo único: nós precisamos nos conectar uns com os outros novamente.

O nosso egoísmo não desaparece na nossa conexão; pelo contrário, ganhamos a força para superá-lo. Assim, a força da nossa união é 620 vezes maior do que era inicialmente, no momento de nossa criação, e é por isso que nós sentimos e entendemos a nós mesmos, a realidade, e o Criador do jeito que eles são. É por isso que nós crescemos no nosso mundo e nos desenvolvemos a partir dos níveis vegetal, animal e humano, onde o nível humano implica equivalência com o Criador.

Nós nos desenvolvemos por muitos anos no nível humano, até que o nosso ego se tornou tão grande que não podíamos conviver uns com os outros como antes. Nas gerações anteriores, estávamos conectados uns com os outros. Cada um sentia como se pertencesse a uma família, tinha uma casa, pais, filhos e netos. Ele sabia que tinha parentes e amigos que poderiam ajudá-lo nos momentos difíceis. As pessoas estavam ligadas às suas famílias e viviam em grandes famílias, clãs e tribos.

Hoje, nós rapidamente nos desconectamos dos nossos parentes, e os nossos filhos vão se afastando de nós ainda mais rápido. A conexão entre nós está perdida e não sentimos necessidade dela. A família não parece algo obrigatório. Não importa que estejamos sozinhos; nos sentimos livres assim. Nosso desejo egoísta tem crescido tanto que não nos importamos com nossos familiares e dificilmente nos interessamos por nossos amigos.

Antes, nós tínhamos um monte de amigos. Participávamos de vários clubes e conhecíamos pessoas que tinham interesses em comum. Hoje, a pessoa dificilmente tem um amigo. As pessoas preferem ficar sozinhas. Elas são indiferentes em relação a seus países e podem se deslocar para locais diferentes com o coração leve. O mundo tornou-se redondo e sem fronteiras.

Além disso, o desenvolvimento do ego nos trouxe a um ponto onde perdemos nossa conexão egoísta natural. O ego nos preparou para um estado onde podemos nos unir pelos laços de uma nova conexão que é realizada e completada por nós, de modo que todas as fronteiras e diferenças naturais entre nós, que foram causadas ​​pelo egoísmo, desaparecem, e podemos subir ao nível “humano”, organizado não pelo grau de parentesco, mas de acordo com a afinidade espiritual.

Da Lição 2 na Convenção de Madrid, 03/06/11

O Declínio Do Desenvolvimento Egoísta

Dr. Michael LaitmanNós vivemos na primeira geração de pessoas que despertam para descobrir o significado da vida e entender porque vivem. Nas gerações anteriores, nós costumávamos viver como animais. Nós tínhamos somente o egoísmo, o desejo de desfrutar, que constantemente nos empurrava adiante, e através dele tentávamos nos preencher numa corrida sem fim, de um prazer a outro. Porém, nós nunca estávamos satisfeitos, porque o prazer é oposto ao desejo de receber da pessoa, como os dois polos de um circuito elétrico, que são opostos um ao outro.

 

Tão logo a Luz toca o vaso desejando entrar nele, ocorre imediatamente a aniquilação, um “curto circuito”, e eles se anulam. Toda vez que desejamos desfrutar algo, basta só tocar o prazer, e ele desaparece. Nós sentimos o gosto da comida, mas ele se vai. Nós vemos algo belo, mas o charme desaparece. Sentimentos positivos não permanecem conosco, e nós não somos capazes de acumular ou adicioná-los ao nosso “cofrinho” dia a dia.

No final, nós vemos que nossa geração está em desespero. As pessoas não têm nada para se satsifazer; elas não sentem sabor ou prazer. Elas usam drogas para escapar e se acalmam com medicamentos e antidepressivos. Por quê?

Nosso desejo egoísta, que foi crescendo através da historia, parou seu desenvolvimento. Por milhares de anos, ele foi ganhando força, e nos parecia que continuaríamos a encontrar grandes prazeres em novos desejos. O sentimento de prazer é o sentimento da vida. Mas, hoje, nosso desejo de receber está completamente saciado, e nós caímos no desespero e desamparo, não vendo qualquer possibilidade de nos mover para nenhum outro lugar.

Esse é um tempo especial, uma condição especial, e por isso o Baal HaSulam escreveu que estava feliz de ter nascido numa era onde é possível disseminar a sabedoria da Cabalá. Por que isso é possível? “Cabalá” significa recepção em hebraico. Ela nos ensina como alcançar sabedoria, como nos satisfazer com prazer infinito, como não sentir o prazer desaparecer e nossa morte quando todos os prazeres desaparecem. A sabedoria da Cabalá nos leva ao prazer sem fim, isto é, à vida eterna.

Além disso, a Cabalá nos leva a um grau onde nos tornamos senhores de nossas vidas. Junto com o desejo de receber super saciado, “o ponto no coração” (•) é revelado na pessoa, o que é uma qualidade adicional, o desejo de doar.

O positivo e o negativo, o desejo de doar e o desejo por prazer existem na mesma pessoa, e ela adquire a liberdade de escolha. Agora, ela tem duas forças, e ao desenvolvê-las uma contra a outra, a pessoa começa a controlá-las. Ela decide que caminho tomar e qual medida de desejo usar.

Assim, ela está evoluindo em três linhas: ela cria a linha média das linhas direita e esquerda. De fato, essa linha média é chamada “humano” (Adão), porque a pessoa a cria; ela forma sua essência interna, e como resultado, pertence a ela. Antes disso, em todas as nossas reencarnações, nós nos desenvolvemos da mesma forma que os animais, empurrados por nosso desejo egoísta, e recebemos mais prazeres de acordo com suas ordens. 

Hoje, nós não podemos controlar nossos desejos porque temos somente um pequeno ponto no coração. Nós nos reunimos e estudamos a sabedoria da Cabalá que explica como desenvolver esse ponto para que tenhamos dois grandes desejos. Então, nós não seremos mais governados desde o Alto pela força do egoísmo; pelo contrário, nós manteremos duas forças em nossas mãos e seremos capazes de subir acima dessa vida.

Da Lição 1, Convenção na Espanha, 03/06/11

Quando A Crise Se Torna Insuportável

Dr. Michael LaitmanA crise que sentimos hoje é um indicador da nossa falta de unidade entre nós. Em essência, a crise deixa-nos ver que somos egoístas e individualistas completos que vivem num mundo global. E este é o problema. A Natureza está a revelar-nos a globalidade do mundo, mas a nossa natureza egoísta é completamente oposta a ela.

Esta diferença ou abismo entre as duas é sentida por nós como crise. É por isso que sentimos dor e confusão em tudo o que fazemos, e é a razão porque somos colhidos por doenças e infortúnios. Isto vem da falta de semelhança entre o nosso desejo egoísta e a Luz superior.

Por isso, temos de ver a crise actual como o ponto inicial da ascensão da humanidade para o estado especial do qual descendemos, de acordo com o programa contido na partícula informativa que nasceu pela Luz. Nós nascemos aqui, no nosso universo, e agora estamos a voltar a esse estado perfeito.

A parte da humanidade na qual o ponto no coração veio à superfície está a desenvolver-se com a ajuda de duas forças. Tudo o que precisamos são das condições correctas: o grupo, estudo, e o professor. A segunda parte da humanidade está a atravessar um processo de desenvolvimento e a atingir um estado de crise que se está a tornar insuportável. Aqui é quando surge uma questão: O que é que significa “insuportável”?

A sensação de sofrimento horrível pode levar a humanidade a guerras, aniquilações, e todo o tipo de problemas. É exactamente isto que está a acontecer: parte da população está a esquecer-se de tudo através de drogas, outros participam em terrorismo, e outros ainda não estão preocupados com nada – eles afundaram-se completamente no roubo. O egoísmo está a quebrar-se em todas as direcções. Devido à falta de satisfação interior as pessoas sentem que não sabem o que fazer com elas próprias.

Estes fenómenos negativos estão a expor toda a extensão de desespero e descrença que a humanidade sente hoje. E as pessoas não são as culpadas disto. Elas sentem uma pressão interior muito grande, que está a causar explosões de violência. Então o que pode ser feito para aliviar a sua situação?

Já falámos sobre a disseminação da ciência da Cabalá. Esta é a salvação. Se disseminarmos a sabedoria da ciência da Cabalá antes do ego das pessoas vir à superfície, então iremos salvar o mundo de grandes problemas. Por isso, tudo depende das pessoas com um ponto no coração.

Nada depende do mundo e não devemos esperar que seja feita qualquer acção por outras pessoas que não têm um ponto no coração. Elas não têm a força positiva que é capaz de subjugar os seus egos. Elas são apenas transportadoras de um enorme desejo egoísta, e apenas nos dão uma adição da sua insatisfação e dor.

Temos de processar este enorme desejo, sintonizá-lo, e juntos com ele aspirar à unidade. Temos de continuar a estudar e, em resposta, aumentar a disseminação, com ênfase especial na necessidade de nos unir. Somos aqueles que têm de unir em um o nosso desejo comum quebrado– o nosso vaso espiritual comum. Mesmo que ele esteja quebrado, contém partes que estão interligadas, apesar de elas terem qualidades de desejo completamente diferentes. Por isso, se todos os outros se juntarem a estes desejos interligados, eles ficarão também incluídos nesta ligação.

É assim que uma parte da humanidade constrói activamente uma ligação entre cada um, enquanto que a outra parte da humanidade participa no processo de forma passiva.

Da 2ª Lição de Convenção de Madrid 04/06/11

A Fórmula Para Voltar À Bondade

Dr. Michael LaitmanA pessoa que abre O Livro do Zohar, abre para revelar o Criador. Por definição, a ciência da Cabalá é o método de revelação do Criador para a criação neste mundo. Caso contrário, por que a Cabalá e toda a Torá seriam dadas para nós? O Criador se revela na pessoa através do desejo de doar e amar. Este desejo é igual ao Criador em qualidades, e o Criador se revela nele de acordo com a lei de equivalência de forma.

Mas como podemos fazer isso se cada um de nós é apenas um pequeno egoísta? Nós lemos O Livro do Zohar, que fala dos nossos estados corrigidos, nos quais estamos ligados por uma boa conexão entre nós, e desejamos que isso se torne realidade dentro de nós. Nesse caso, nós recebemos uma impressão desses bons estados, que já existem no infinito. Essa impressão, a influência das forças de nossos estados corrigidos sobre o nosso estado atual, é chamada de “Luz Circundante” ou “a Luz que nos leva de volta à fonte de bondade”.

Então, de acordo com a fórmula: “Eu criei a inclinação ao mal e eu dei a Torá para a sua correção, porque a Luz nela leva de volta à fonte”, nós voltamos à fonte – o Bom que faz o Bem. Assim, nós revelamos o Criador, o Bom que faz o Bem, a nossa raiz.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/05/11, O Zohar

“As Coisas Que Vêm Do Coração, Entram No Coração”

Dr. Michael LaitmanShamati # 25: Com respeito às coisas que vêm do coração, entram no coração. … A questão é que quando alguém ouve as palavras de seu professor, imediatamente concorda com ele, e resolve observar as palavras de seu professor com o seu coração e alma. Mas, depois, quando ele sai para o mundo [para um ambiente diferente] , vê, cobiça, e é infectado com uma multiplicidade de desejos vagando pelo mundo, e ele e sua mente, seu coração, e sua vontade, são anulados perante a maioria.

… Ele se confunde com seus desejos e é levado como ovelha para o matadouro. Ele não tem escolha; ele é obrigado a pensar, querer, desejar, e exige tudo o que a maioria exige. Nesse caso, há apenas um conselho: apegar-se ao seu professor e aos livros [no nível interno]. Isso é chamado de “[Ser alimentado] da boca dos livros e da boca dos autores”.

Uma pessoa que nasce e vive neste mundo material desenvolve-se em um ambiente que está longe da espiritualidade e, obviamente, não consegue entender nada no caminho espiritual. Mesmo que ela tenha uma aspiração à espiritualidade, esse ponto está imerso no desejo egoísta, que é cercado pela sociedade egoísta. Portanto, ela não tem nenhuma chance de se desenvolver corretamente.

Só uma pessoa que faz o seu caminho no ambiente correto merece o desenvolvimento espiritual. Este é um ambiente que tem um professor, e um grupo que realiza os conselhos do professor. Além disso, este grupo deve estudar as fontes Cabalísticas autênticas, mas isso já é o resultado da forma como eles aceitam a orientação do seu professor.

Portanto, a linha de fundo é que o desenvolvimento do grupo depende do professor, o Rav (que significa “grande”). À medida que os estudantes são capazes de anular a sua opinião em relação à opinião do professor, é assim que eles vão se desenvolver. Isso porque o ambiente espiritual é baseado na opinião, no pensamento e no método do professor, bem como no reconhecimento de sua  autoridade.

Uma condição necessária para o aluno é veificar constantemente quem e o que determina a sua opinião. Afinal, ele está sob a influência de duas forças e deve sempre decidir que a opinião do professor tenha força maior do que sua própria opinião. E se ele não sente qualquer tipo de luta e resistência, isso significa que ele não fez esta verificação e, em vez disso, pensa que está tudo bem do jeito que é.

Às vezes, o aluno vai contra a opinião do seu professor e acha que ele tem uma compreensão melhor de como deve agir a partir do ponto de vista da sua lógica e razão. Isto é, ele não anula a si mesmo. Mas, anular-se significa que ele vai contra a sua vontade, contra a sua lógica.

Se ele permanece nessa resistência, isso significa que ele escolhe o caminho espiritual e avança sobre ele. Mas, se não houver oposição e luta interior, então surge a pergunta: Será que ele não chega a compreender que está sempre seguindo a sua própria opinião, o tempo todo pensando que está avançando corretamente?

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/11, Shamati

O Egoísmo Está Finalmente No Limite!

Dr. Michael LaitmanPergunta: No “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, o Baal HaSulam escreve que no nosso mundo o desejo de receber se materializa em sua forma plena, desejada e adequada. Para que ele serve?

Resposta: Para a correção. Caso contrário, por que ele precisaria descer a escada dos mundos espirituais? Além disso, no nível mais baixo ele passou por ciclos de vida uma e outra vez, até tomar a forma adequada atual. Mesmo em nosso mundo o desenvolvimento acontece “de acordo com a programação”, e agora, no século XXI, nós estamos começando a nossa subida de volta. O nosso estado atual é a forma desejada e adequada.

Este ponto foi incutido em nós desde o começo da criação, e tivemos que alcançá-lo. Agora é o início exato do nascimento do homem ou da criação. Até agora não houve criação. Houve apenas um desejo, que se desenvolveu de acordo com um programa estabelecido para atingir determinado estado onde surge um ponto de liberdade, o ponto de nossa independência.

Pergunta: Nós estamos falando de um desejo egoísta totalmente formado, mas a “forma desejada” soa como uma coisa positiva.

Resposta: Claro, este é um estado positivo. É exatamente assim que a Torá define o terrível egoísta desejo que atingiu sua forma plena. É aqui que a criação começa, porque agora ela pode formar, expressar e sentir a si mesma.

Enquanto a pessoa não sentir que ela é má, completamente oposta ao Criador, enquanto não perceber todo o horror de estar nesta posição, ela não será capaz de trabalhar em si mesma. Portanto, nos limites do processo de correção, este é um estado bom, pois leva à formação de um ser humano.

No entanto, se você acha que a “bondade” é quando você se sente bem, tudo bem, vá em frente e sinta-se bem. Mas isso é inútil. Em um estado dirigido à meta, a pessoa sente a sua oposição ao Criador, e é exatamente isso que a motiva a agir.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/05/11 , “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

Brincar De Gato E Rato Com O Egoísmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Cabalá tem me ensinado a aceitar todos os problemas que se atravessam em meu caminho com um sorriso. Isso é errado?

Resposta: A ciência da Cabalá dá à pessoa a força para sentir, após todos os problemas, que eles têm uma razão. E não importa se você está chorando ou sorrindo pelos infortúnios. A coisa mais importante é que você os utilize beneficamente, para dar um passo a frente. A infelicidade deve ser percebida como uma força que obriga você a avançar.

Mas nós devemos avançar mesmo antes de receber o golpe, assim como nos desenhos animados do Tom e Jerry, onde um enorme gato persegue um rato pequeno. Eles sempre mostram como o rato foge do gato, que está prestes a pegá-lo, mas o rato sempre foge. É assim que devemos correr em direção à meta, enquanto que os problemas continuarão nos perseguindo, correndo atrás de nós o tempo todo. Mas tente escapar deles!

Nós temos que entender que os problemas são exatamente o que nos permite correr para o lugar certo e muito rapidamente. Devemos tentar ser o rato inteligente.

Da  2a Lição da Convenção em Roma em 21/05/11

Movimento Perpétuo Da Criação

Dr. Michael LaitmanO nosso desejo de desfrutar está constantemente mudando e crescendo. Há um motor interno nele que continua girando e, assim, revelando o nosso desejo de desfrutar, uma camada após a outra.

Se eu não estou em sintonia com este motor e não corrijo meu desejo de receber, para que ele seja preenchido com a Luz, esse desejo revela a escuridão para mim, e eu me sinto pior. Entretanto, o motor continua girano, enquanto eu, não tendo corrigido o meu desejo anterior, estou atrasado e tampouco posso corrigir o meu estado atual. Isso torna a minha vida muito mais difícil e decepcionante. Dia a dia estou me sentindo mais infeliz.

Portanto, se a pessoa entende que nada há de vir do Criador, e que é a criatura quem deve fornecer tudo, se ela percebe que a natureza foi concebida de modo a revelar-nos todo o nosso desejo de receber e tudo que devemos fazer é alcançar a correção, somente então ela percebe a realidade da maneira correta. Tudo depende de nós. A bola está conosco.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/05/11, “Introdução ao Prefácio à Sabedoria da Cabalá”