Textos na Categoria 'Egoísmo'

A Raiz De Todos Os Exílios

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando estamos falando do feriado de Pessach (Páscoa), porque dizemos: “Lembre-se do Êxodo do Egito”? Afinal, houve outros exílios: da Babilônia, na Grécia e Roma — mas recordamos apenas o êxodo do Egito. Qual é o significado disto?

Resposta: O exílio no Egito é a raiz de todos os exílios. Todos os outros exílios estão como que sobrepostos nele. Este exílio é o mais difícil e fundamental. A pessoa se eleva acima do seu egoísmo e, pela primeira vez, percebe o que é o mundo espiritual e o que significa sentir a propriedade de doação em vez da propriedade de recepção com que nascemos e na qual existimos.

Nós percebemos o mundo através dos sentidos que constantemente desejam desfrutar e se beneficiar de tudo. A revolução nos órgãos sensoriais — quando eu começo a “sair de mim”, a me identificar com o mundo, dar aos outros, sentir-me fora do meu corpo de modo que o meu coração permaneça lá — é chamado o êxodo do Egito. Todos os outros exílios já acontecem fora de mim.

De Kab TV “Cabalistas Escrevem: Noite do Seder da Páscoa” 04/03/13

Como Nasce A Sensação De Exílio?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que valores o povo de Israel tinha antes da descida para o Egito, no momento em que ele estava lá e depois da partida do Egito? O povo sofreu algum tipo de mudança ou processo?

Resposta: Sim, eles desceram para o Egito já com uma intenção “a fim de doar”, como os patriarcas.

A entrada no Egito é obrigatória em todos os níveis espirituais, uma vez que a pessoa corrige apenas o que está dentro dela. Assim, primeiro ela sente o problema; sua descoberta é chamada “estar no Egito” ou o “despertar do Egito” na pessoa. O exílio significa que todos os desejos e pensamentos são egoístas, e ela sente isso. Se você dissesse a alguém hoje que ele é um egoísta e se encontra no Egito, ninguém iria entender isso.

O sentimento interior do Egito é a sensação de que estou no exílio. Se eu sou apenas um egoísta, eu sei disso e me orgulho inclusive de me beneficiar à custa dos outros. Isso não é chamado de Egito. Egito, como o exílio, representa meu desejo de ser libertado da propriedade de recepção para mim mesmo e subir para a propriedade de doação. No entanto, ainda não sou capaz disso. O sentimento de exílio nasce de uma falta de correlação entre o que é desejado e o que é.

Este é um estado muito elevado e complicado. Sentir-se no exílio egípcio não é fácil; é um grau espiritual. Se a pessoa quer alcançar a espiritualidade, ela chega a um grupo, aprende e se conecta com os amigos para passarem juntos do ódio ao amor. Então, de repente, eles se sentem no exílio porque seu desejo egoísta os domina.

De Kab TV “Cabalistas Escrevem: Noite do Seder da Páscoa” 04/03/13

Uma Mensagem Para A Nuvem De Glória

Dr. Michael LaitmanO Midrash, “O Livro de Jetro”: Quando Jetro se aproximou do acampamento dos filhos de Israel, escreveu uma carta a Moisés dizendo: “Seu sogro Jetro chegou. Por favor, venha e me encontre. Se você não vier por minha causa, faça-o por sua esposa Séfora; se não for por ela, faça-o por seus dois filhos”. Jetro amarrou a carta em uma seta e lançou-a para a Nuvem de Glória. A Nuvem geralmente rejeitava tudo, mas ela deixou esta mensagem passar por causa de Moisés.

Esta passagem fala sobre um estado interno da pessoa. Não há nenhuma conexão entre a propriedade de “Jetro” e a propriedade de “Moisés”. Moisés separou-se de Jetro, e é por isso que Jetro diz: “nós temos a oportunidade de estabelecer uma conexão entre nós; se não entre você e eu, então entre você e Séfora; se não com Séfora, então com seus dois filhos”. Ele está procurando uma maneira de fazer uma conexão. “Lançar uma seta para a Nuvem de Glória” significa que Moisés permanece no próximo nível (superior) e este é impossível alcançá-lo.

Quando na espiritualidade eles dizem que “alguém envia uma mensagem (ou um representante/intermediário) para outro porque é impossível aproximar-se diretamente dele”, isso significa que duas propriedades (recepção e doação) são incompatíveis e não se entendem. Jetro é a propriedade de recepção (egoísmo), enquanto que Moisés representa a propriedade da doação. Essas duas propriedades são incompatíveis dentro de uma pessoa, de modo que deve haver um “adaptador” que as conecte. A única coisa que a propriedade denominada “Jetro” é capaz de fazer é elevar seus desejos e “enviar uma mensagem para a Nuvem de Glória,” isto é, para a propriedade de Moisés, a qual ele é incapaz de se aproximar e compreender.

A separação que existe entre Moisés e Jetro é essencial e indispensável. Neste ponto, juntos eles começam a criar uma conexão. É o momento quando as propriedades egoístas começam a se manifestar no povo de Israel. O povo de Israel saiu do Egito sem corrigir essas propriedades; eles simplesmente receberam estas qualidades sem implementá-las.

Este é o momento quando estas qualidades começam a se corrigir gradualmente; Jetro é a manifestação das mesmas propriedades egoístas, mas agora elas têm um desejo de alcançar o nível de Moisés. Este nível já está “semeado” em Jetro, já que Moisés passou 40 anos junto com Jetro (a distância entre Malchut e Bina), colocando este ponto nele. Este ponto é a “seta” que Jetro envia a Moisés. Naturalmente, Moisés muda seu caminho e o enfrenta, uma vez que nenhum homem é capaz de rejeitá-lo, pois ele percebe como este é essencial para ele.

Moisés diz a Jetro tudo o que aconteceu com ele. Jetro começa a sentir o que ele está falando e abençoa o Criador por tudo o que Ele fez por Israel. Essas duas propriedades dentro de uma pessoa começam a sentir uma à outra e são incorporadas uma na outra. Antes de tudo, Moisés tem que fazer o trabalho no nível de Bina e, em seguida, continuar a usar suas qualidades inferiores (chamadas “povo”), ou seja, que o trabalho espiritual é sempre feito primeiro no plano mais fino e só depois os desejos mais espessos, grosseiros são adicionados a ele.

Moisés transfere a Torá a Jetro na medida em que a Torá entra no egoísmo e começa a trabalhar no seu interior. Depois que Jetro recebe a Torá, ele por sua vez explica a Moisés como trabalhar com o egoísmo.

A distância entre Malchut e Bina são 40 degraus (ou 40 anos). Jetro é Malchut que sobe ao nível de Bina e se une a ela. Moisés, em seguida, inclui-se em Jetro e começa a trabalhar nele, que é Bina que desce a Malchut.

Moisés entregou a Torá a Jetro sob a forma alegórica; ele abrangeu parcialmente os degraus que já foram cobertos por Moisés e o povo, ou seja, as qualidades que já tinham sido corrigidas. Em seguida, Jetro diz a Moisés como trabalhar com o egoísmo, isto é, Malchut que sobe a Bina cria o sistema que trabalha com o egoísmo. Desde então, o nível superior (Bina) tem que incorporar o egoísmo, a fim de descobrir como trabalhar com ele e criar um sistema de correção gradual do “egoísmo dentro do egoísmo”. É por isso que Jetro e Moisés têm que ser incluídos um no outro, em vez de ficarem distantes.

Depois que Moisés transfere a Torá para Jetro na forma que ele mais precisa para voltar ao seu povo e corrigir seus desejos inferiores (Jetro é uma etapa transitória para abaixar os desejos que apoiam “seu povo”), Moisés recebe de Jetro um sistema que funciona com o egoísmo. Ele começa a perceber as maneiras de dividi-lo em dezenas e centenas de milhares de partes e aprende a trabalhar com a espessura (Aviut) dos desejos, ou seja, com algo que está ausente em Bina por causa de sua transparência. Quando a espessura se aproxima de Bina, surge a necessidade de iniciar um sistema hierárquico. Isto é como o sistema é construído, embora não seja muito típico para Israel.

Israel é uma propriedade de Bina, a qualidade de doação. No entanto, o povo de Israel saiu do Egito tendo absorvido o egoísmo em sua totalidade. Neste momento, eles começaram a “organizar” o egoísmo e perceber como trabalhar com ele passo a passo. Devido a Jetro, o povo de Israel adquiriu a chance de aceitar o sistema que visa o egoísmo.

Da Kab Tv “Mistérios do Livro Eterno”, 11/03/13

Pragas Em Prol Da Vida Futura

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o Hagadá da Páscoa (Pessach) fala com satisfação sobre as pragas do Egito?

Resposta: Em primeiro lugar, quando uma pessoa está sob o controle do seu ego, parece que estas pragas são realizadas nela, porque ela não se separa do seu egoísmo. Porém, depois de ter saído do seu ego, ela sente como se esses golpes ocorressem em outro corpo, em algum estado passado, que não pertence a ela, mas ao seu egoísmo.

Afinal, ela já se separou do seu ego, e é por isso que estas pragas são suavizadas. Esta suavidade provoca uma alegria especial na pessoa.

O êxodo do Egito acontece em cada novo grau. Sempre que o egoísmo é revelado, é necessário superá-lo, fugir e subir acima dele, e depois corrigi-lo para doação, para que o anjo da morte se transforme em anjo da vida, o anjo bom. É como um miniêxodo do Egito em cada grau, em “todas as gerações”, porque, dessa forma, nós subimos os degraus.

Quanto mais cresce o nosso egoísmo e nós subimos acima dele, o corrigimos e levamos até o nosso grau, mais ele nos ajuda a crescer. Nós nos conectamos mais fortemente como um povo e assim afetamos o mundo, passando a metodologia, e depois a força que permite subir acima do egoísmo, unindo e revelando o mundo espiritual.

No entanto, apenas a força superior é capaz de nos tirar do nosso egoísmo, e não nós mesmos. Como nós nos conectamos, damos à Luz a oportunidade de afetar a nossa conexão e realizá-la. Afinal, não podemos unir por nossa própria conta; somos capazes apenas de pedir e realizar esforços, que a Luz superior influencia e concretiza este estado. Assim, nós sentimos dentro do nosso vínculo recém-formado a saída.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

Quatrocentos Anos De Preparação Para O Êxodo

Dr. Michael LaitmanO Egito de hoje, que mantém o povo de Israel no exílio, e o Faraó, que não nos permite sair da escravidão, são o nosso ego e as relações egoístas entre nós. É o que não nos permite ser um povo livre do egoísmo e sentir o grau seguinte, tanto no sentido espiritual quanto material. É por isso que não conseguimos eliminar a ameaça externa e o ódio  das outras nações contra nós. Tudo isso é por causa do egoísmo interior que nos governa em vez da propriedade de amor e doação mútua.

Antigamente, nós aparentemente conseguimos sair dessa escravidão, para marcar o futuro quando também seríamos capazes de sair do nosso Egito interior, da escravidão para a liberdade. Hoje nós somos escravos porque somos dependentes do mundo inteiro e do nosso egoísmo, que nos governa de todos os lados. Nós só precisamos perceber que estamos numa situação terrível e perigosa.

O mais importante é sentir que temos um dever conosco mesmo, com o mundo inteiro e o Criador, e temos que realizar o objetivo. Esta missão é confiada ao povo de Israel porque nós recebemos o método de correção e conexão, e somos obrigados a implementá-lo.

Depois de termos nos reunido hoje na mesa festiva, vamos discutir essas questões, e isso é chamado de preparação para o êxodo do Egito. Para sair do Egito, a pessoa se prepara por “400 anos”, ou seja, ela passa por quatro estágios completos do egoísmo. No início ela tem que experimentar como se o egoísmo a avançasse e lhe trouxesse vantagem, o que é chamado de “sete anos de saciedade”. Mais tarde virão os “sete anos de fome” e as pragas do Egito. Então, ela não tem escolha a não ser fugir.

É importante passar da percepção material desses eventos para a percepção espiritual e manter a Páscoa com esse espírito.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

Na Busca Pelo Último Remanescente Do Ego

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a refeição do Seder diferentes gerações se reúnem à mesa, e o mais velho é obrigado a falar a seu filho sobre o Êxodo do Egito. Qual é a mensagem que esta história transmite à nova geração, que também pode ser vista simplesmente como um evento histórico?

Resposta: Nós todos saímos do Egito juntos: jovens e velhos, mulheres, crianças, homens e idosos, juntamente com todo o gado, o que significa com os desejos que estão em níveis inferiores ao homem. Eles levam do Egito os vasos de ouro e prata, que se referem aos diferentes desejos, todos os desejos egoístas que podem ser elevados acima do nosso ego e podem ser transformado em doação, em vez de recepção. Isso é chamado de “Êxodo do Egito”.

É por isso que nós temos que conectar, nos sentar numa mesa e conversar sobre isso, ressaltando o quanto é importante para nós estar focados numa única direção: a liberdade da nossa natureza.

Pergunta: O que simboliza o Afikoman (um pedaço de pão sem fermento que é escondido) que procuramos de acordo com o costume na refeição festiva, e por que as crianças o procuram?

Resposta: O Afikoman simboliza a nossa disponibilidade para sair do nosso ego com toda nossa força. São as crianças que o procuram, porque elas incorporam as forças mais fracas de todas as “gerações” numa pessoa. Elas são os desejos menores, subdesenvolvidos, que levam a pessoa à frente.

Quanto mais velha a geração, mais conhecimento ela tem; e quanto mais jovem a geração, mais enérgica ela é. A refeição do Seder simboliza a conexão entre as gerações, quando todos se reúnem e nós saímos do Egito, toda a família. Existe certa divisão de trabalho na família e o papel da geração mais jovem é o de puxar na direção que a geração mais velha está mostrando.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

A “Escola” De Jetro

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que Moisés precisou passar 40 anos com Jetro, sacerdote de Madiã? O que isso significa no sentido espiritual?

Resposta: Jetro, assim como o pai de Abraão, Terá, era um sacerdote, um especialista em todas as religiões e ídolos, ou seja, um servo do seu ego. Em particular, se Terá tivesse escutado seu filho Abraão, eles trabalhariam juntos e poderiam ter começado a correção do mundo. Mas isso era impossível sem o exílio do Egito, o êxodo e a recepção da Torá, pois a pessoa precisa mergulhar completamente no ego. Portanto, Terá era contra Abraão, e Abraão foi forçado a fugir dele, longe da Babilônia.

Moisés, como Abraão, é um nível completamente diferente: ele já estava no ego, passou por todas estas fases e deixou o Egito. Os quarenta anos que ele passou com Jetro, ou seja, a sua união mútua, a conexão através da filha de Jetro (Zípora ou Séfora), o ego de Jetro que deu à luz às crianças, ou seja, o próximo nível, tudo isso é a combinação do Jetro egoísta e o Moisés altruísta dentro de uma pessoa.

Moisés passa por um processo que o endurece a partir do estágio com o ego para voltar novamente ao Egito, às profundezas do ego. Assim, só Jetro poderia ensinar Moisés e o povo de Israel a trabalhar com esse ego que estava começando a ser descoberto. Portanto, a leitura semanal da Torá chamada “Jetro” começa logo após o êxodo do Egito, quando é necessário começar a corrigir os egípcios, todo o ego da pessoa, e Jetro leva sua filha Séfora, os filhos dela com Moisés, netos de Jetro, e vai até Moisés.

Em outras palavras, chega o momento em que estas características começam a emergir dentro de uma pessoa e mostram como proceder. Por enquanto o ego completo que partiu do Egito (os vasos que foram tirados do Egito), começa lentamente a emergir no seio do povo, e isso significa que Moisés precisa julgar as pessoas.

Julgar significa explicar onde as características de doação estão, onde as características de recepção estão, com qual perspectiva é necessário agir e juntar-se acima de nós mesmos, a fim de descobrir a nossa conexão para o próximo nível, o Criador. Ou seja, a correta cooperação mútua é necessária aqui. Mas onde está essa hierarquia neste egoísmo?

A característica de doação está prestes a expandir: expansividade de alma, um coração aberto. Ela é dispersa sobre a superfície da área, como água. E o ego trabalha continuamente de forma vertical. E estes dois parâmetros estão como que não integrados.

Portanto, Jetro diz a Moisés: “É preciso construir outro sistema, na forma de uma pirâmide, para dividir o seu ego todo em partes, dezenas, centenas, milhares, dezenas de milhares. Você precisa retornar ao estado quando você entrou no Egito, 12 irmãos. Assim, você também sai de lá, as mesmas doze tribos, como riachos, 12 linhas. Mas em cada um deles você precisa se ajustar de acordo com os níveis egoístas. Portanto, para cada nível deve haver a sua própria hierarquia: as suas próprias leis, chefes e subordinados. Você agora trabalha não apenas para doar e amar, você trabalha com o ego que é necessário nesse nível com uma qualidade que é possível corrigir”.

Se Moisés não tivesse passado por essa escola com Jetro, se ele não tivesse se conectado com o ego e começado a trabalhar com ele um pouco, então, quando voltou para o Egito, ele não teria sido capaz de resistir ao Faraó, não teria tido contato com ele. Porque antes, Moisés simplesmente fugiu do Faraó depois de um confronto com ele.

E agora ele retorna para o Egito, isto é, ele se volta de novo para o seu ego e diz ao faraó: “Eu preciso tirar o meu povo (as características de doação) de você”. Além disso, ele tira dele enorme o ego que depois deve ser corrigido ao longo de quarenta anos no deserto. Mas ele não poderia fazer isso se a característica de doação numa pessoa não estivesse conectada no início ao sistema egoísta chamado Jetro.

E Jetro extrai de Moisés o método de trabalhar com o ego e retorna para o seu povo para ensinar o método a eles. Nós vemos como uma conexão constante e mútua das duas características ocorre dentro de uma pessoa. Este é o sistema de correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 11/03/13

“Por Que Esta Noite É Diferente De Todas As Outras Noites?”

Dr. Michael LaitmanPergunta: A noite do Seder da Páscoa (Pessach) é uma noite especial para o povo de Israel. Pensa-se que nesta noite este povo nasceu e começou sua nova jornada. Portanto, de que forma esta noite do êxodo do Egito é tão singular?

Resposta: A pessoa começa a sentir que se encontra no exílio do Egito, na escravidão do seu ego, que é chamado de Faraó, e que é necessário afastar-se do seu domínio, fugir, ainda que ela não consiga fazê-lo. Ela começa a gritar internamente, não está mais preparada para suportar uma vida assim. Ela se esforça em relação ao grupo, o ambiente, o professor e os livros. Ela realmente sente que está na prisão, na escuridão.

Aos poucos, ela se afunda num estado chamado de “escuridão do Egito”, a noite do êxodo do Egito. Esta noite é a escuridão absoluta; nenhuma esperança resta para ela, nenhuma chance na vida. Ela não se sente preparada para continuar a viver dentro do seu ego, já que odeia todo mundo e é incapaz de se relacionar bem com alguém.

Ele se esforça para amar os amigos, para amar o outro como a si mesmo, mas percebe o contrário, que ela se torna cada vez pior. O Faraó nela, seu ego, torna-se mais forte e mais brutal. Então, no final, a pessoa está quebrada, pois vê que não tem nenhuma chance de sair desta servidão.

Ela passa por estados internos muito difíceis, que, em última análise, são reunidos: todas as suas tentativas de fugir do seu ego, de superá-lo, todas as vitórias do ego que mostram à pessoa o quão fortemente o Faraó está segurando-a por dentro. Ela realmente se encontra no meio da luta de duas forças: por um lado, a pessoa empurra, uma vez que deseja ficar livre, e, por outro lado, o ego agarra suas pernas e não a deixa fugir.

Em última análise, estas duas forças atingem o ápice da luta entre elas, e a pessoa se encontra entre elas e sente uma escuridão absoluta. Este estado é chamado “a noite do êxodo”, a escuridão do Egito. Assim, de repente ela ouve um chamado de dentro desta escuridão: “Você tem que fugir! Você está pronta para fazer isso! Você pode se levantar e fugir do seu ego, aqui e agora, à meia-noite, isto é, do estado mais escuro. Não leve nada com você para o novo estado, exceto as coisas que você realmente precisa para doar, a realização da unidade, a conexão, o amor”.

Neste caso, a pessoa está pronta para sair e fugir do seu ego, quer subir acima dele. Isso é chamado de seu nascimento espiritual.

De KabTV “Cabalistas Escrevem: A Noite do Seder da Páscoa”, 04/03/13

Nós Supervalorizamos Tudo

Dr. Michael LaitmanNas notícias (do PsyBlog): “Não importa o que – um par de jeans, um carro ou até mesmo uma casa -, no momento em que um objeto se torna sua propriedade, ele passa por uma transformação.

“Como você o escolheu e o associa a si mesmo, o seu valor é imediatamente aumentado. Se alguém se oferece para comprá-lo de você, as chances são de que você pretenda cobrar muito mais do que ele está disposto a pagar.

“Esse é um viés cognitivo chamado de ‘efeito dotação’.

“É a razão pela qual algumas pessoas têm sótãos, garagens e galpões cheios de porcarias das quais não conseguem se separar. Uma vez que você possui algo, você tende a definir o seu valor financeiro mais do que outras pessoas o fazem.

“Quando testado experimentalmente, o efeito dotação pode ser surpreendentemente forte. Um estudo descobriu que os donos de ingressos para uma partida de basquete  supervalorizaram os ingressos por um fator 14. Em outras palavras, as pessoas queriam 14 vezes mais do que os outros estavam dispostos a pagar. No entanto, esta é uma proporção particularmente elevada e a mesma pode variar dependendo do objeto.

“O efeito dotação é particularmente forte para coisas que são muito pessoais e fáceis de associar com o “eu”, como uma joia do seu parceiro. Da mesma forma, nós também supervalorizamos coisas que tínhamos por um longo tempo”.

Meu comentário: Esse é o efeito do nosso egoísmo. A perda é sentida de forma mais dolorosa do que uma oportunidade perdida na aquisição de um valor equivalente, porque o egoísmo inclui uma coisa em “sua” posse, e o “meu” tem mais valor do que o “fora de mim”.

Condenados À Extinção?

Dr. Michael LaitmanHoje eu compreendo a imagem da realidade no desejo de receber, e como resultado disso, sinto-me cansado o tempo todo e não quero abrir as janelas da minha percepção mais ampla, e existem aqueles que preferem fechá-las completamente. Limito-me o tempo todo porque o meu desejo é muito pequeno, muito estreito.

Nós construímos todos os tipos de dispositivos que ampliam a nossa visão de mundo: telescópios, microscópios, receptores de rádio, e descobrimos uma realidade que é muito mais rica do que a realidade que sentimos sozinhos. Mas nós tentamos contrair e até mesmo limitar este segmento da realidade encontrado dentro do alcance da nossa visão.

No final, eu fico cansado e fechado até morrer. Eu morro porque concordo com a morte e quero contrair meus instrumentos de percepção. O quadro se torna repulsivo para mim e eu gradualmente desapareço juntamente com o desaparecimento da minha vida. Isto é o que acontece com o desejo de receber.

Por outro lado, com o desejo de doar, que eu construo acima do desejo de receber, eu me abro e descubro uma realidade que se encontra fora de mim, fora do desejo de receber. Esta é uma realidade eterna, e ela começa a me suprir com forças de vitalidade. Agora, mesmo que o meu corpo morra de uma forma natural, eu já vivo em outra “região” que se encontra para além do tempo e do espaço. Lá eu recebo a Luz que flui de todos os lugares.

Em nosso mundo, nós nos movemos de um lugar outro onde nós vemos uma espécie de realidade nele. Mas se eu me movesse perto da velocidade da luz, como resultado de uma mudança na percepção do espaço, eu iria ver a realidade que me rodeia por todos os lados. E o problema aqui não é a minha visão, mas sim a própria luz que, aparentemente, me atinge dessa forma. De acordo com isso, eu saio de uma compreensão “linear” e entro numa “circular” na Luz Circundante (OM, Ohr Makif).

Nós contraímos o tempo precisamente desta forma. Com isso, distância e tempo são “zerados”, e eu não apenas recebo a Luz de todos os lados, mas começo a perceber toda a realidade existindo em círculos; eu subo acima do tempo. Agora ele não existe mais para mim; ele simplesmente não pode existir. Não existem mais espaços entre “hoje” e “amanhã”, nenhum espaço entre dois momentos. Eu recebo tudo igualmente de todas as direções, tudo está equilibrado, mutuamente anulado, e eu me encontro em todos os lugares o tempo todo num todo integrado, na realidade unificada da criação.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/03/13, “Introdução ao Livro do Zohar“