Textos na Categoria 'Corpo e Alma'

O Catalisador Do Desejo Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como pessoas que não sentem qualquer aspiração pela espiritualidade podem alcançá-la se isso requer uma memória latente dela, um sabor esquecido? Por que elas sofrem inutilmente?

Resposta: As pessoas sofrem desnecessariamente, e é por isso que temos que levar a  elas o método de desenvolvimento sem os golpes. Então, mesmo se a pessoa não tem genes espirituais (informações sobre estados anteriores), ela irá recebê-los dos outros graças à inclusão mútua.

É como em nosso mundo quando você está descansando em uma poltrona em frente à TV com uma xícara de café, assistindo a um jogo de futebol, e você acha que não precisa de mais nada. Mas, de repente, eles mostram algum comercial que lhe convence que você precisa muito de algum objeto. Você imediatamente esquece tudo sobre futebol e começa a pensar em como comprar essa coisa. O anúncio tira o seu senso de tranqüilidade e desperta os seus desejos.

Nós não entendemos o quão dependentes estamos da influência do ambiente. Se não tivéssemos essa influência, seríamos como animais em uma floresta. Afinal de contas, de acordo com os desejos dos nossos corpos, nós não precisamos de nada além das necessidades vitais.

Tudo o que está além dos limites da necessidade são coisas que desejamos apenas devido à influência da sociedade, que me pressiona e me convence de que eu preciso de uma coisa, e outra, e uma terceira, e então eu sinto que tenho que obter essas coisas.

Se de todas as direções, através de todos os meios de informação de massa, a sociedade agora começa a me dizer que eu preciso da espiritualidade, então, além das necessidades normais deste corpo animal, tudo o que eu vou precisar é da espiritualidade. Isto é tudo que temos a fazer: colocar-nos sob a influência do ambiente certo. E eu não preciso de mais nada! Não é necessário que o gene espiritual desperte em mim, porque o ambiente externo irá realizar todo esse trabalho.

Genes espirituais despertam nas pessoas especiais que, de repente, recebem esse tipo de infusão de Cima e se lançam para a frente. Este é um cuidado especial de Cima. Mas outras têm que se desenvolver apenas em virtude do ambiente.

Portanto, se não construirmos o ambiente certo em torno de toda a humanidade, se não disseminarmos este conhecimento em todo o mundo, então o mundo terá que avançar apenas pelo preço de um enorme sofrimento.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/06/11, “Introdução Geral do Livro ‘Panim Meirot uMasbirot’”

O Amor É Uma Rua De Mão Dupla

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos explicar às pessoas que o amor é necessário?

Resposta: Você pode amar comer peixe no almoço, você pode amar o seu filho pequeno, ou pode amar o próximo ou o Criador. As mesmas palavras designam noções completamente diferentes.

Vale a pena enaltecer o amor ao próximo a uma pessoa que ama peixe? Como você pode descrever-lhe o prazer de doar? O que ela vai entender? Que ela tem que dar o peixe para outra pessoa? Isso é amor?

O que significa amar o próximo? Ele tem um significado completamente diferente. Amar o próximo significa anexar o desejo dele ao seu e trabalhar com o seu desejo a fim de satisfazer o desejo dele. Então, nós dois nos fundimos num todo, onde eu o satisfaço e ele me satisfaz.  No que ele se satisfaz? Em seu desejo. Seu desejo em relação ao meu é como Malchut em relação a Zeir Anpin. Eu sou como o Criador, e ele a criação. Este é o meu trabalho.

Assim, o “amor” é a relação entre o Criador e a criação. Somente isso é o amor – a atitude da criação para com o Criador. Se eu posso construir este tipo de atitude para com os outros, ou em outras palavras, se eu adquiro a qualidade do Criador (a qualidade de doação), e por meio dela eu me relaciono com o desejo do próximo como faz o Criador, verifica-se que o Criador está dentro de mim, e eu realizo as ações necessárias em relação ao próximo. Isso significa que eu amo o próximo.

Nós não temos o direito de usar a palavra “amor” em qualquer outro sentido, contexto, ou caso. Caso contrário, nós vamos confundi-la com o nosso “amor por peixe”.

Nós estamos falando sobre como o Criador, a qualidade de doação, se veste em mim. Antes de tudo, nós temos que realizar o princípio: “Não faça aos outros aquilo que você mesmo odeia”. É assim que eu me torno neutro. Depois disso eu tenho que adquirir o desejo dele em vez do meu. O desejo de outra pessoa se torna mais importante para mim e, portanto, ela se torna maior do que eu. Eu estou pronto para fazer tudo por ela, assim como faria para um filho doente em nosso mundo. Eu estou totalmente em “curto-circuito” no seu desejo; isso é o que me faz agir.

É exatamente por isso que eu sou semelhante ao Criador, como Zeir Anpin que recebe um pedido de Malchut. Quanto mais o desejo de outra pessoa é capaz de me fazer doar, maior eu sou do que ela. Este é o amor. Você vê como isso é diferente de nossas noções atuais?

Quanto mais eu posso doar a outra pessoa, mais eu forneço-lhe a Luz da correção. Afinal, há a garantia mútua entre nós. Eu não satisfaço seu desejo egoísta, mas revelo dentro dela o desejo de estar em um sistema comigo, de modo que a Shechina reine entre nós. Então, o que devo dar-lhe? Eu lhe dou o meu apoio da garantia mútua, que ela também fornece a mim, ao revelá-lo em seu desejo. Este é o amor.

Ninguém está satisfazendo o egoísmo do outro. Eu não revelo o desejo egoísta na outra pessoa, mas o desejo do apoio mútuo, a fim de revelar o Criador no relacionamento entre nós. O Criador não pode ser revelado em qualquer indivíduo ou apenas na minha atitude para com outra pessoa, a menos que seja fortalecida pela mesma atitude dela. O amor não funciona em uma direção. Ele é uma rua de mão dupla. Ele exige uma rede de conexão por onde os impulsos da doação fluem, uma rede permeada por sentimentos de amor, relações de garantia mútua e reciprocidade que nos fortalecem mutuamente.

Nesse meio tempo, o egoísmo permanece abaixo, sem fazer quaisquer cálculos para satisfazê-lo. Afinal, nós nos elevamos acima dele, conectados por nossa intenção mútua em prol da doação. E quando ele atinge um determinado nível de unidade, criando uma rede acima de nós, nós revelamos o Criador, a qualidade mútua de doação e amor entre nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/06/11, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”

O Embrião Da Alma E O Seu Crescimento

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você pode explicar a ligação entre uma pessoa, a sua alma, e o Criador? Está a dizer que a pessoa não tem alma até a desenvolver?

Resposta: Todas as pessoas têm um ponto na alma, semelhante a uma gota de sêmen. Precisamos de força para a desenvolver. Tal como uma gota de sêmen se liga ao útero, recebe nutrição da mãe, e começa a crescer, nós também precisamos ligar-nos à sociedade e anular-nos em relação a um grupo adequado, como se fosse a barriga da mãe.

Se eu me anulasse, não seria um corpo estranho dentro do grupo, tal como uma gota de sêmen não é recebido como algo estranho. É por isso que o corpo não o rejeita, e o embrião pode crescer.

De forma semelhante, eu anulo-me perante o grupo e recebo a sua força. Então, o meu ponto espiritual, o começo da minha alma, começa a crescer. Neste crescimento, ele segue exactamente as mesmas fases do embrião dentro da mãe. Isto é explicado ao longo de milhares de páginas nos livros de Cabalá. Estas etapas da nossa alma são designadas em conformidade, tais como “concepção, aleitamento, maturação” (Ibur, Yenika, Mochin).

Se a pessoa não começa este processo, por outras palavras, se não revela a dimensão superior que existe fora dela de uma forma ou de outra através da sua ligação com os outros, então o seu corpo morre, e este ponto da alma permanece um mero ponto. Uma vez mais, veste-se num corpo e acompanha-o, dando-lhe a oportunidade para crescer.

Contudo, quando uma pessoa atinge, mesmo o mais pequeno, o primeiro degrau espiritual, ela sente-se já pertencer a outra dimensão, uma dimensão espiritual e eterna. É eterna porque o corpo pode morrer e decompor-se; a pessoa não mais se associa a ele, mas sim ao estado espiritual que atingiu.

Devemos atingir pelo menos o primeiro degrau. Então tornar-se-á mais simples avançar porque a pessoa começa a ver os passos que precisa de tomar.

Da Palestra em Roma 20/5/11

O Nível Humano Não Encolhe

Dr. Michael LaitmanO Baal HaSulam disse que estava feliz por ter nascido numa geração onde era possível disseminar a sabedoria da Cabalá. A Cabalá nos ensina como combinar as duas forças (de doação e recepção) em uma, como adicioná-las uma na outra para que a soma (Σ) se torne um “humano”.

Esta é realmente uma ciência, uma sabedoria. Isto não é fácil, é difícil. Nós estamos acostumados a seguir a corrente e, de repente, surge uma outra força, levando-nos para algum lugar. Para onde?

A integração das duas forças conduz a um resultado único. No mundo que nós vemos e sentimos há formas das naturezas inanimada, vegetal e animal. Nós pertencemos ao nível animal e ainda não alcançamos nada mais elevado. O nível humano, que começamos a descobrir dentro de nós, é um nível espiritual que abre um novo mundo à nossa frente.

Na natureza, um nível dá vida a outro. Os animais se alimentam de plantas e as plantas absorvem a força da natureza inanimada. No entanto, o nível inanimado não sabe o que significa crescer, desenvolver-se, viver, consumir, excretar, e sentir o ambiente. O nível vegetal, por sua vez, não entende o que significa ser um animal, mover-se, gerar descendentes, e viver em grupos, sem falar das sutilezas da existência dos “animais desenvolvidos”, as pessoas que vivem uma vida muito complicada.

O nível inferior não é capaz de entender o superior; é um mundo completamente diferente. Por enquanto, nós existimos no nível animal e somos governados pelos nossos desejos. Nós não entendemos o que é o nível humano. É impossível mostrar ou demonstrá-lo, do mesmo modo que um animal não pode demonstrar a sua visão de mundo a uma planta.

Além disso, a pessoa que integrou as duas forças (o ponto do coração e o coração, o desejo de prazer e o desejo de doar) e ascendeu ao nível humano do desenvolvimento não pode transmitir a sua sensação para aqueles que ainda o alcançaram. É possível dizer uma coisa: ela sente acima de todas as limitações do corpo físico, porque subiu para um nível diferente. Ela existe em conexão com todos os níveis anteriores e se alimenta deles; no entanto, ela está no seu nível.

Ao ascender ao nível humano (esperamos que isso ocorra o mais rápido possível), nós também preservaremos a relação com este mundo, com todas as suas formas de vida . No entanto, além disso, teremos sensações e intenções completamente diferentes. Nós sentiremos a eternidade e a perfeição no primeiro nível espiritual.

Todo o nosso problema é que queremos receber o prazer, a Luz Superior, embora ela não possa existir em nós, e desaparece imediatamente devido a um “curto circuito”, quando o positivo e o negativo se anulam. Assim, nós devemos trabalhar corretamente na terceira linha, entre essas duas forças.

Nós criamos uma combinação correta: nós colocamos uma espécie de “resistência” (R) no meio, através da qual o positivo e o negativo funcionam corretamente. Isso nos dá os resultados de seu trabalho, e nós recebemos a força deles. Na linguagem da Cabalá, a resistência entre o ponto no coração e o egoísmo é chamada de “tela” (Masach). Neste lugar nós recebemos e sentimos uma nova vida no nível humano (Adão).

Então, nós ficamos livres da morte. Toda vez que eu quero receber a Luz, eu não consigo me adaptar a ela. O prazer com o desejo desaparece, e eu provo um pouco da morte. Eu não tenho mais nada para apreciar e caio em desespero. Eu não quero nada e  recuo. No final, a pessoa “seca totalmente” por causa deste trabalho, e vê que não é bem sucedida. Ela começa a “desaparecer”. As naturezas animal, vegetal e inanimada diminuem gradualmente nela até que ela morre.

No entanto, se entendermos como unir corretamente as forças de doação e recepção dentro de nós mesmos, o positivo e o negativo, atingiremos um sentido da vida no nível humano, uma vida eterna e perfeita.

Da  Lição 1 da Convenção na Espanha, 03/06/11

Acima Da Matéria Do Egoísmo

Dr. Michael LaitmanÀ medida que nós superamos o egoísmo, apesar de tudo o resto, fazemos uma descoberta maravilhosa: nós começamos a perceber que, em essência, o mundo inteiro existe dentro e não fora de nós. E isso é lógico, porque eu realmente não sei o que existe fora.

A pessoa só percebe o que entra em seus sentidos e, através do sistema nervoso, atinge o seu cérebro, que processa a “imagem” final. Esta é a maneira como percebemos o mundo. Basta cortar um nervo para fazer parte da nossa realidade desaparecer dos nossos sentidos.

Assim, à medida que a pessoa se eleva acima de si mesma, vê que sua percepção não está de modo algum no exterior, mas que depende totalmente de seus sentidos, desejos, pensamentos, sensações e mente. E quando nós sabemos como alterar esses parâmetros, podemos expandir a nossa percepção e elevar-nos acima dos limites dos cinco sentidos.

É daí que vem o nome “sabedoria da Cabalá”, que literalmente significa “recepção”. A pessoa que a utiliza, gradualmente sai dos sentidos físicos do corpo animal e expande as sensações até o infinito. Enquanto vive em nosso mundo, ela avança até o nível onde não se associa mais com o corpo físico, uma vez que percebe uma realidade muito maior acima dela.

Agora, ela não conduz mais a sua vida com a percepção dos cinco sentidos. Mesmo depois que o corpo morre, a pessoa permanece na realidade que adquiriu acima dele. Ela não sente a morte, uma vez que uma nova dimensão entrou em sua percepção antes da morte do corpo.

Desta forma, a pessoa vive em dois níveis: o nível material, como todos nós, e o nível “imaterial” que se eleva acima do egoísmo.

Da Palestra em Roma , 20/05/11

Imortalidade Real

Pergunta: Quando uma pessoa se eleva sobre todos os seus interesses materiais e se conecta com a natureza superior, o criador, a morte física já não tem significado para ela, não é?

Resposta: Isso é verdade. Quando eu perguntei ao meu professor sobre isso no início do meu caminho, ele disse que uma pessoa que estuda a Cabala tem que alcançar um estado no qual ela começa a tratar a vida de seu corpo material como uma camisa: É como se ela trocasse de roupa suja fora no final do dia, a joga na lavanderia e amanhã coloca uma nova. Nosso corpo é exatamente assim.

Essas coisas são reais. Elas vêm do estudo de “Sí mesmo”, quando eu saio da percepção da minha vida dentro dos meu desejos corporais. Agora, vivemos para o nosso corpo material! Mas se eu sair desta sensação e ter contato com a realidade superior, acima disso, eu imediatamente começo a sentir o fluxo eterno da vida.

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Do Congresso de Roma de 20/05/2011

Material relacionado:
A Cabalá É A Física Do Mundo Integral
Sentir O Sopro De Eternidade
Liberdade: Alcançar a Eternidade

O Livro Que Conecta O Céu E A Terra

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial na Torá que mesmo O Livro do Zohar é só um comentário dela?

Resposta: Os registros que Moisés fez em pergaminho são a expressão material, através de símbolos materiais, das ações espirituais da Luz no desejo. Moisés escreveu em um livro tudo que ele ensinou a seus estudantes. Durante o curso de 40 anos vagando no deserto, eles escreveram toda a Torá, atravessando todo o processo registrado, tanto em corpos como na espiritualidade. Esse é todo o caminho desde o exílio do Egito (material e espiritual), através do deserto (material e espiritual), e na terra de Israel (material e espiritual). Tudo isso se realiza na conexão entre a raiz e o ramo. Moisés expressou todo esse processo na sua forma concreta, e simbólica.

O Zohar expressa o mesmo processo num nível diferente, numa forma diferente, porque o desejo geral de desfrutar que o Criador criou havia, naquela época, avançado bastante e fora aperfeiçoado pela influência da Luz. Desta forma, esse desejo, que passou por altos e baixos, pela destruição do Primeiro e do Segundo Templos, o exílio, e depois alcançou a última quebra antes do último exílio, tinha que receber o método que é apropriado para o final do exílio, para a nossa época.

É por isso que O Livro do Zohar foi escrito, e seus autores foram os sucessores de muitas gerações de Cabalistas, começando com Abraão até a destruição do Templo. O Rabbi Shimon foi estudante do Rabbi Akiva, que revelou uma grande Luz, e assim, ele foi capaz de expressar isso no Livro do Zohar.

A própria Torá está dividida em duas partes: oral e escrita. Isso vem da diferença entre Zeir Anpin e Malchut. Zeir Anpin do mundo de Atzilut é a “Torá oral”, enquanto que Malchut do mundo de Atzilut é a “Torá escrita”.

A Torá é a revelação da Luz. A Luz que chega a Malchut contém tudo que é necessário para transformar Malchut. Mas essa Luz ainda não se realizou na prática; desta forma, é chamada de “Torá oral”. Por enquanto, isso significa trabalhar com as telas.

Sob a influência da mesma Luz em Malchut, mudanças internas acontecem e são impressas em Malchut; isso se chama “Torá escrita”. Ela fala somente das ações da Luz nos desejos desde o começo da criação até seu final. Isso ocorre porque não há nada na existência além dos desejos.

Entre esses desejos alguns sentem que existem por si mesmos, separados de todos os outros. Esses somos nós. Esses desejos contêm qualidades que podem ajudá-los no caminho da correção. É por isso nós recebemos a sensação de carência, nossa própria carência de correção, a compreensão do mal. Assim é que nós nos percebemos.

São exatamente esses desejos que precisam receber “a Torá”– as instruções explicando como eles podem participar da sua própria correção por sua livre escolha, como eles podem atrair a Luz ao desejarem ser corrigidos mais rapidamente, ao invés de esperar que a Luz venha e os sacuda.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 29/05/11, Shamati

Os Problemas Do Faraó

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando a pessoa tenta sair do Egito, isto é, do amor próprio, ela recebe golpes que consegue ultrapassar somente pedindo ajuda ao Criador. Mas, além disso, também existe o egoísmo material, terreno, que recebe golpes no seu nível, tais como problemas com suas famílias, saúde, rendimento, e etc.. Como podemos nos relacionar com esses problemas?

Resposta: Não importa que tipo de problema apareça em minha vida, primeiro e principalmente eu preciso vê-los como uma perturbação que vem do Criador. Mesmo se estou com dor, eu ainda preciso subir acima dessa perturbação através da fé acima da razão. A despeito de tudo, eu sei que tenho que fazer cálculos acima do distúrbio e não sob seu peso. Eu preciso estar em contato com seu “remetente”, o Criador.

Quanto a ações responsáveis, no âmbito desse mundo eu tenho que resolver todos os problemas através dos métodos comumente aceitos. Quanto a banco, trabalho, família, e saúde, eu tenho que tomar conta de tudo tal qual qualquer pessoa em nosso mundo.

Assim, você constrói uma atitude bilateral quanto aos problemas.

– Primeiro de tudo, eles vêm do Criador e você está lidando somente com Ele. Você quer ter essas perturbações porque elas dão a você a oportunidade de subir acima do conhecimento e ficar em contato com o Criador. Então você está tratando corretamente as perturbações e você mesmo começa a amá-las e respeitá-las. Afinal, não importa quanto elas o perturbem, não importa quanto sal elas colocam em suas feridas, e não importa quanto angustiantes elas são; isso é exatamente o que o ajuda a subir acima delas.

-Em segundo lugar, você resolve os problemas que chegam da forma costumeira no mundo material.

Ambas as dimensões precisam estar presentes em sua atitude. Você atribui os problemas ao Criador, e ao mesmo tempo você quer trabalhar com eles. Nós não expulsamos o Faraó de nossas vidas, mas nós apreciamos seus problemas. Afinal, somente através deles nós o podemos rejeitar e nos separar dele, e assim ascender cada vez mais alto.

O Faraó é minha carne mais preciosa, meu centro, meu ponto mais sensível, minha criança, a corda mais importante e admirável dentro de mim.

Pergunta: Mas o Faraó resiste à união dos amigos. O que os problemas materiais tem que ver com isso?

Resposta: Eles também me distraem do trabalho interno. Não é por acidente que tantos Cabalistas experimentaram problemas materiais. O Criador deliberadamente os fez ficar doentes e serem desprezados pelas pessoas ao seu redor. Isso foi para dar a eles um lugar onde eles pudessem superar.

Afinal de contas, tudo isso é o resultado do endurecimento do coração do Faraó. O desejo gradualmente se revela dentro de você e em conformidade a ele você experimenta vários problemas, nos outros e em você mesmo.

Pergunta: Eu tenho que pedir ajuda nesses casos? Afinal, o Criador nos ajuda somente com respeito a uma coisa – a unificação.

Resposta: Está correto, e os problemas dificultam que você faça isso. Quando você está doente, é difícil para você se concentar no amor pelos amigos. Provavelmente, você esquece tudo isso. E isso significa que você precisa pedir ajuda. Não há ninguém além d’Ele. Tudo vem do Criador, mas isso acontece através de canais diferentes.

Você tem que alcançar a meta, mas seu corpo, seu “pequeno burro”, está doente e não pode carregar você. Assim, o que devemos fazer? Deixá-lo morrer? Mas, você precisa dele no caminho.

Por que você percebe esse mundo separadamente do trabalho espiritual? Mesmo pequenas perturbações podem ser úteis se você trabalha com elas corretamente. Não importa o que nos aconteça, o importante é que isso vem de uma única Fonte, até que realmente sintamos que estamos no exílio espiritual.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/11, Shamati

Amigos Do Meu Ponto No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Uma parte de mim realmente quer ir à Convenção, mas outra parte se opõe tão fortemente a isso que eu não quero ver ninguém. O que devo fazer?

Resposta: Você tem que fazer sua livre escolha. Você deve entender que ambas as partes de você, como todos os pensamentos e desejos que despertam em nós a todo o momento, chegam até nós do Criador. Estas são as condições que são definidas para nós; não é o “eu” real.

Quem decide não é o meu corpo, que fica doente e não quer ir à Convenção, nem o meu humor. Nós agimos como um mecanismo, onde todos os sinais elétricos internos são controlados pela força superior de acordo com o programa que nos conduz a certo estado.

A vida, a morte e todos os estados intermediários são determinados de Cima e não há nada de acidental em nenhum deles. Portanto, em cada estado eu tenho que separar-me e olhar para este “mecanismo”, isto é, o meu corpo, seu humor, e tudo nele, de fora. O objetivo disto é ver que isso é o trabalho do Criador e compreender o que Ele quer me dar agora, e para qual estado Ele quer conduzir o meu “burro” (Hamor, burro em hebraico, significa Homer, matéria). Assim, eu entenderei como trabalhar com ele e não me identificarei com este “burro”.

Quanto mais vezes por dia a pessoa for capaz de separar-se de si mesma dessa forma e olhar para si de fora, como para um corpo onde certos tipos de forças são despertados, sem se identificar com isso, mas sim usá-lo como meio para atingir o objetivo, mais rápido ela alcançar o sucesso. Essa é também a forma como devemos tratar os amigos em todos os aspectos. Não olhe para os seus rostos ou personalidades, mas sim para seus desejos internos na forma pura, que não dependem de nada externo. Este é o amigo do meu ponto no coração.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 22/03/11, Prepração para a Convenção NÓS!

Será Que Somos Realmente Tão Diferentes?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos unir o mundo inteiro, se as nações, países e religiões são tão diferentes entre si, em todos os sentidos?

Resposta: Essas são diferenças egoístas. Quando nos unimos espiritualmente elas desaparecem e nós nos tornamos como um homem com um coração.

As diferenças terrestres realmente não nos separam. Uma pessoa gosta de temperar sua comida com pimenta e outra não. Uma pessoa tem certos formalismos e outra pessoa outros. Isso não nos faz diferentes. Pelo contrário, é exatamente aí que começamos a respeitar um ao outro.

Being dissimilar does not obstruct us from coming together spiritually. On the contrary, by uniting above our egoistic differences, we make them even more powerful and all of that power is aimed at spiritual unity.

Ser diferente não nos impede de unir-nos espiritualmente. Pelo contrário, ao nos unirmos acima de nossas diferenças egoístas, nós as tornamos ainda mais poderosas e todo esse poder é destinado à união espiritual.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11