Textos na Categoria 'Convenções'

A Resolução Da Alma

Dr. Michael LaitmanÉ muito importante verificar-se: “O que me preocupa?” Cada momento que eu me sinto vivo e bem, eu estou cheio de preocupações. Então o que me preocupa?

Eu estou preocupado com meu próprio bem-estar, tranquilidade, realização, o que vai me fazer mais feliz: paz, segurança, comida e bem-estar familiar?

Ou eu estou preocupado com os amigos, como uma mãe com um bebê, buscando o que lhes falta e o que deve ser feito por eles? Eu me preocupo com o grupo como uma fiel babá? Isso significa que tenho que verificar a intenção das minhas preocupações.

Toda a criação desceu gradualmente ao nosso mundo no qual existimos na forma física e na situação mais inferior. Nós sentimos como se estivéssemos desconectados do mundo espiritual, quando, na verdade, isso não pode acontecer. Portanto, este mundo é chamado de mundo imaginário.

Nós achamos que existimos num mundo vasto, cheio de objetos físicos. No entanto, na verdade, é tudo espiritual, mas nós não reconhecemos ou sentimos isso.

Portanto, é muito importante verificar com que eu estou preocupado em cada momento. Entrar no mundo espiritual significa continuar a se preocupar com o que é essencial e vital na vida: comida, sono, saúde, dinheiro e relacionamentos com as pessoas, mas no fundo, eu sempre estou preocupado com o pensamento de como organizar o grupo para que ele se torne a Shechina (Divindade), um local para descobrir o Criador.

Eu devo me habituar a ser feliz com a minha preocupação com o grupo. Se eu paro de me preocupar com isso, então eu me preocupo porque não estou preocupado com os amigos. Isto deve se tornar habitual. Em nosso mundo, o hábito se torna uma segunda natureza.

Suponha que eles me dão um bebê que é um estranho, por quem não tenho sentimentos. Mas eu não tenho outra escolha, sou obrigado a me preocupar com ele dia após dia. Eu começo a me preocupar com ele, e ele se torna importante para mim. Em última análise, eu começo a pensar o tempo todo. É a mesma coisa em relação ao grupo. Nós devemos atingir este estado que é possível apenas graças à determinação, e retornar constantemente aos meus pensamentos sobre o grupo.

E depois de todos esses bons planos sobre como cuidar do grupo, sobre o meu apoio a ele ao atrair a Luz até ele, sobre o Criador e dar-Lhe satisfação, eu devo me perguntar onde Ele está e onde eu estou inconscientemente. Eu sempre devo esclarecer porque estou fazendo tudo isso. Certamente, eu espero receber alguma recompensa, mas o que exatamente?

Pode ser que nesse meio tempo, eu não esteja pronto para imaginar uma recompensa para mim. Pode ser que eu entenda que depois, pelo meu esforço, eu exija controle, respeito e transcendência da vida e da morte, algo tangível e muito importante para mim. E aqui eu devo examinar o que é mais importante para mim: a minha recompensa ou a capacidade de dar satisfação aos amigos e o Criador?

Será que eu posso renunciar à recompensa, ou pelo menos parte dela? E quando me abstenho de uma recompensa, não a substituo por algo mais, além de fama e da busca por honra?

O que significa dar prazer ao Criador? De que forma eu posso fazer isso e com quais desejos eu sinto isso? Através do que eu vou sentir que o Criador recebe prazer de mim? É necessário tentar separar meus desejos e a separação em tantas partes quanto possível e ver como trabalhar com eles. Quanto mais parâmetros eu tiver, mais vou desenvolver minha percepção.

É como pixels numa tela de computador que determinam a sua resolução: em um centímetro quadrado pode haver 200 pixels, poderia haver mil ou dez mil. Quanto mais pontos existirem, melhor, e mais clara se torna a imagem.

Acontece a mesma coisa também com nossos desejos. Quanto mais nós os examinamos, mais perto chegamos da verdade, da verdadeira percepção.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição #4

Aquele Que Coloca Tudo Em Movimento

Dr. Michael LaitmanDurante o nosso estudo, nós primeiro descobrimos as ações do nosso ego em cada estado. Isso é chamado de um outro deus. É quando eu penso que faço as coisas por mim mesmo e que a minha vida é determinada pelos outros, como os líderes mundiais que mantêm a lei e a ordem, aqueles que estão perto de mim, os que estão distantes, amigos e inimigos. Em suma, eu vejo muitos fatores operacionais, tanto positivos quanto negativos.

Cada vez que eu fico mais forte, eu vejo que não é assim. Eu simplesmente olho para o que está acontecendo de errado e atribuo essas ações aos que me rodeiam. Mas quando a situação se esclarece, eu vejo que o Criador os coloca em movimento e que eles realmente não entendem o que está acontecendo. Ele é o único que os opera, a fim de me influenciar. Assim, mais uma vez eu descubro que não há outro além Dele.

Isso ocorre em cada estado. Cada vez eu finalmente descubro que não há nenhuma outra força diante de mim, mas Ele.

Isto também se aplica a mim: agora parece que estou me esforçando, agindo ou fazendo alguma coisa, organizando a minha conexão com os outros e que eu sou independente em meus pensamentos e desejos, mas é tudo mentira. O Criador governa tudo.

Por que vemos uma imagem diferente? É assim que seremos capazes de corrigir o vaso, os nossos desejos, e nossa capacidade de perceber e ver que não há outro além Dele e que só Ele opera na realidade.

Onde eu posso revelar isso? Nos estados, desejos e pensamentos que agora me fazem sentir confiante em saber que somos todos independentes. É em relação a essa noção que está escrito: “Como a vantagem da Luz sobre a escuridão”. Quanto mais eu atribuo uma independência mais definida e determinada a diferentes fatores, mais claramente eu finalmente descubro que não há outro além Dele.

Submetendo-me a diferentes mudanças que me guiam a favor e contra a unicidade do Criador, eu finalmente começo a descobri-Lo, não apenas em situações diferentes, mas também na intensidade, na espessura (Aviut) do meu desejo, não só em sua largura, mas também em sua profundidade. Eu vejo cada vez mais como ele opera em mim em cada detalhe externo.

Verifica-se então que, em vez dos amigos e do grupo, eu estou lidando com o Criador. Mas isso não significa que eu deveria desrespeitá-los. Pelo contrário, nesse meio tempo, eles alcançaram a equivalência de forma e por isso eu me identifico com eles como me relaciono com o Criador. Por isso, é dito: “do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Acontece que em todos os problemas e contradições, e em todas as minhas missões pela fonte desta vida de sofrimento, eu fui trazido à única fonte e vejo que na verdade é o Criador que apresenta toda esta realidade para mim. Anteriormente, a força contra ela me confundiu ao me mostrar que os outros são os culpados por tudo que acontece, inclusive eu, já que eu fiz tantos esforços. Agora, verifica-se que somente a Luz opera a favor e contra.

Eu, por outro lado, sou apenas um espectador, olhando para a obra de Deus, na única força que opera em toda a realidade.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição # 3

O Amor Neutraliza O Ego

Dr. Michael LaitmanA Convenção acabou e nós estamos prestes a voltar aos nossos grupos, a fim de nos conectarmos com outras pessoas. Nós estamos prestes sair deste grande salão e nos separarmos do nosso Grupo de Dez.

É claro, nós devemos manter contato com eles, mas devemos ver que tudo o que é adicionado ao meu Grupo de Dez, ou o que lhe falta, quando eu volto para casa é calculado desde Cima e é realmente com isso que eu deveria trabalhar.

O Criador nos deu tais condições de propósito e eu não deveria sentir pena que não estou ao lado do mesmo pequeno grupo ao qual me acostumei tanto nos últimos dias e com quem quero ficar para sempre. Não! Eu vou trabalhar com o mundo inteiro e com o meu grupo local.

Nós devemos atingir um estado onde há várias pessoas com quem eu possa trabalhar em todos os lugares, seja virtual ou fisicamente. Pode haver diferentes Grupos de Dez na manhã, ao meio-dia e à noite. Isso é apenas o começo e nós nos atemos a um determinado Grupo de Dez para sentir que lá podemos encontrar uma resposta, calor, intimidade e compreensão mútua.

Mas nós podemos sentir o mesmo quase que imediatamente em qualquer outro grupo. Se eu estou cercado de amigos de todo o mundo que estão avançando em direção a um objetivo, eu posso sentar em qualquer grupo e imediatamente sentir que estes são os mesmos amigos.

Não faz diferença se eu conheço bem ou não essas pessoas no mundo corpóreo. Se nós temos um objetivo comum, eu posso me conectar a elas como se as conhecesse há anos. Não faz nenhuma diferença o quão bem nós nos conhecíamo anteriormente.

É muito importante expressar o amor a todos os amigos, para que cada pessoa no grupo, no Grupo de Dez, sinta que é amada. O sentimento de amor neutraliza o ego se a pessoa deseja anular seu ego. Isto é porque o amor dos amigos evoca em mim um sentimento tão tranquilo que eu deixo de me preocupar comigo mesmo.

Então eu posso subir acima do meu ego! Eu estou livre de me preocupar comigo e posso doar e dar o meu amor como um presente para os outros porque já não tenho que pensar em mim mesmo.

É um ponto muito importante. Nós podemos concordar que vamos mostrar intencionalmente o nosso amor a um dos amigos e, assim, libertá-lo de seus problemas e preocupações. Experimentem e vejam como isso funciona bem, mesmo que não trabalhemos dessa maneira de propósito em relação a um dos amigos, cada um de nós ainda deve sentir que o grupo se preocupa consigo.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 4

Um Grupo De Dez Como Uma Ferramenta Para Adesão

laitman_934Se você quiser explorar a força superior, a sabedoria da Cabalá diz que é necessário criar um instrumento adequado para isso. É como os cientistas que criam instrumentos de medição: microscópios, telescópios, aceleradores de partículas, etc. Mas eles são apropriados apenas para substâncias físicas. Então, como podemos explorar a força que age em nós, na nossa essência?

Para isso, os Cabalistas recomendam a construção de uma estrutura de dez pessoas (Minyan) que tentam criar a interconexão completa entre si. Elas estabilizam a característica da Luz em seu ambiente, se estão prontas para isso ou não, por que querem criar um todo único de si mesmas acima de seus egos.

Tal estrutura já contém duas forças dentro dela: a nossa força egoísta natural e a força geral de doação, ou seja, o Criador. E o cálculo é simples: quanto mais nós superamos a força da separação com a ajuda do poder de unificação, mais nós correspondemos, nos assemelhamos e igualamos à Luz Superior.

Mesmo quando a doação sobe para um valor de um por cento, nesse grau nós nos assemelhamos a Luz e a sentimos. Nós a sentimos na medida em que o desejo de doar domina o desejo de receber.

Se nós tentamos fazer um esforço, apesar de nossa incapacidade de superar o nosso desejo egoísta, nós começamos a prestar atenção para onde há uma deficiência, quão fracos ainda estamos, por que não temos sucesso. Em seguida, um grito, um pedido, uma oração se desenvolve em nós para que a Luz nos ajude, nos dê força, e então nos conectamos. Certamente não temos o poder de nos conectarmos por nós mesmos. Isso vem apenas da Luz.

É assim que nós avançamos: a Luz age e nos influencia de acordo com nosso pedido; nós superamos nosso desejo de receber, absorvemos mais do desejo de doar; nos conectamos entre nós cada vez mais forte… Está escrito sobre isso: (Baba Batra 9b) “De centavo em centavo se acumula uma grande soma de dinheiro”.

Então chega o momento em que realmente podemos nos unir. Então, cada um sente como desaparece na conexão comum entre nós. “Eu” e os “amigos” já não existem; todos se fundem num só. E agora, neste estado de “união”, nós sentimos satisfação, a Luz Superior, o Criador, habitando entre nós.

Então nós podemos investigá-Lo. Em outras palavras, nós construímos e ativamos um dispositivo chamado “grupo”, um “Grupo de Dez”, (um Minyan); e agora podemos avançar, estabilizando-nos cada vez mais em diversas formas de conexão. E o Criador, de acordo com a nossa conexão mútua, será revelado cada vez mais.

Através da sua influência, a Luz também vai nos despertar para camadas cada vez mais profundas do ego. Nós sentimos resistência, descida, e todos os tipos de distúrbios, que possibilitam que nos voltemos à Luz Superior com força ainda maior para que ela venha e adquira o poder para vermos nossos defeitos e os métodos para a sua correção.

Este é o caminho, 125 níveis, que ao ascende-los nós finalmente alcançamos “equivalência de forma” com o Criador. Desta forma, nós descobrimos quão importantes são as características de medo e ansiedade para nós. Afinal de contas, apenas a preocupação e o medo, “Será que sou capaz de doar?”, nos empurram para frente.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 3

Não É O Sábio Que Aprende

Laitman_165Quando nós lemos os livros de Cabalá, somos capazes de atrair a Luz Superior que Reforma. Por isso, é muito importante na hora da aula manter a intenção correta em todos os momentos, lembrando o que se quer com todos e qualquer palavra que é lida.

Pode ser que eu não entenda nada nessas palavras sobre o próprio assunto. Eu vim para a aula e ouvi que era necessário abrir um livro. Eu o abro, leio e não entendo nada, porque as coisas escritas lá são completamente novas para mim. Mas isso não é importante, eu penso só na minha intenção: O que eu quero alcançar ao sentar e estudar?

Baal HaSulam escreve na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, item 155, que os Cabalistas também projetaram seus livros para pessoas que ainda não estão em níveis espirituais e não entendem o que está escrito. Mas, precisamente graças ao estudo dos textos que elas não entendem e não por uma questão de entendimento, mas para receber a Luz, elas avançam.

É dito: “Não é o sábio que aprende”. Durante a aula, é importante decidir que eu não aspiro ao conhecimento. “Conhecer” significa conexão, subir ao nível adequado. “O Estudo das Dez Sefirot” fala sobre níveis tão altos que vai levar um longo tempo para eu alcançá-los.

Mas eu exijo a Luz que Reforma, o poder superior que vai me influenciar, corrigir, elevar, purificar e conectar. Eu peço que ela diferencie entre os desejos que são possíveis de corrigir e os desejos que são impossíveis de corrigir dentro de mim, de modo que ficará claro para mim o que devo trabalhar.

Isso ocorre porque existem tais desejos e pensamentos que valem a pena que eu os distinga e não toque. E outros, pelo contrário, devem ser despertos e descobertos. Por meio deles, eu posso me comunicar com o grupo e com o Criador.

Da mesma forma, eu preciso descobrir de que forma é possível ajudar o grupo: não é pelos meus desejos, mas pelos desejos dos amigos. Então eu me volto ao Criador e peço especificamente força em relação a esses desejos, para levar a Luz que Corrige para o grupo.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 4

Quando Tudo Não Está Certo

laitman_202_0A sabedoria da Cabalá conduz uma pesquisa muito mais precisa e objetiva do que qualquer outra ciência. No decorrer deste estudo, nós aprendemos que há apenas uma força, um fator, que atua na realidade. Portanto, nós a caracterizamos com a frase “Não há outro além Dele”.

Este não é um nome ou uma definição, é apenas a maneira que queremos enfatizar a singularidade desse fenômeno. Estudando a nós mesmos e toda a realidade em todos os graus e níveis, nós podemos ver que somente a Luz Superior opera e organiza tudo.

E seu corolário, a partir de certo ponto, dividiu-se em dois. A Luz Superior afeta alguma coisa e nós determinamos se a matéria é contrária à Luz de acordo com suas propriedades ou corresponde a ela. Esta é a característica principal da matéria: a capacidade de permanecer num estado de oposição ou equivalência.

Por conseguinte, os nossos experimentos podem mostrar resultados contrários. Se a matéria dos nossos desejos é oposta à Luz, nós a sentimos como escuridão. Se nós nos preparamos para o encontro com a Luz e correspondemos a ela, pelo menos parcialmente, nós sentimos isso como uma bênção.

Não há nada na Luz, seja bom ou ruim, apenas a propriedade que se manifesta em doação, amor, satisfação, avanço e desenvolvimento. E tudo depende do vaso, do ser criado.

Nisso, a preparação do vaso para receber a luz é realizada pela mesma Luz. Na verdade, ela é primordial; ela marcou o início da criação, todo o processo. Ela fez com que toda a matéria se desenvolvesse. Mas a matéria em si é desprovida de qualquer capacidade de realizar qualquer coisa.

Considere de onde as partículas atômicas (prótons, elétrons, nêutrons, etc.) extraem força para se mover sem parar e tão rapidamente? Elas não param, não diminuem a velocidade, há bilhões de anos. Como pode ser isso?

A Luz as supre com energia. Ela é primordial e age. Caso contrário, cada partícula acabaria parando, o que de acordo com os físicos é equivalente ao seu desaparecimento. Toda a matéria existe devido ao poder da Luz, a força de doação. Esta força dá energia à matéria morta através do seu desejo, de modo que ao receber, ela começasse a se mover.

Por que a matéria tem que se desenvolver nos graus da natureza inanimada, vegetal, animal e humana? Para se tornar como a Luz no fim do desenvolvimento. Em direção a esse objetivo, a Luz empurra todas as partículas e seus compostos, sejam eles átomos, moléculas, incluindo os organismos biológicos ou formas espirituais, inerentes à matéria, que já é capaz de realizar a doação, semelhante à Luz, até que finalmente os dois se tornam iguais.

A Luz faz tudo isso. Não existe qualquer outra força agindo no processo. Nós dizemos sobre tudo isso: “Não há outro além Dele”.

No entanto, essa força superior quer dar algo maior ao ser criado, matéria morta originalmente como pó, como é dito: “Pois do pó és, e ao pó retornarás”. A Luz quer dar vitalidade a esse pó, não nos graus em que ele inevitavelmente se desenvolve, transformado na natureza vegetal, animal e humana. Não, o ser criado se destina a se desenvolver numa direção particular acima de sua natureza e adquirir uma natureza superior.

Isto se torna possível devido à quebra dos vasos, pois a Luz “corrompeu” o desejo que ela criou, cortou-o em várias partes, penetrou a matéria à força e deixou nela um desejo egoísta de receber para satisfação própria, a inclinação de desfrutá-la, de desejá-la e fazer só isso.

Como resultado, o desejo se tornou completo oposto ao Criador. Agora, não é apenas o ser criado, um produto, porque tem seu próprio impulso para resistir ao Criador, para estar em antagonismo com Ele. A força dominante, o poder exigente, foi revelado no desejo.

Então, a Luz Superior, o Criador, começa a “brincar” com o desejo que é oposto a ela. Um determinado sistema de relações é formado e se desenvolve entre eles; eles se influenciam mutuamente.

O ser criado começa a entender que está num mundo complexo. Primeira ele se comporta em nosso mundo como o “animal superior”, cria a ciência, a cultura, a educação, e formas de sociedade humana se desenvolvem… até que uma crise ocorra. Então, o desejo percebe que algo está errado aqui.

Hoje, a humanidade entrou exatamente nesta época; ainda não é a verdadeira crise do paradigma básico, mas o seu limite. A partir desta época, a moral deve ser feita: nós estamos no sistema, numa rede de forças.

Todos interagem harmoniosamente, criando uma única rede, focada na matéria, ou seja, na natureza vegetal, animal e humana, a fim de levá-la à autorrealização. Em outras palavras, para que ela comece a perceber o que ela é.

Isso se torna imediatamente claro: é possível compreender apenas se o ser criado aprende quem o controla, quem está do outro lado. De fato, é possível investigar e compreender qualquer coisa apenas a partir do oposto, como o preto sobre um fundo branco.

Portanto, nós percebemos que “não há outro além Dele” a partir do estado oposto, quando temos a certeza de que não há ninguém além de nós mesmos. Aos nossos olhos, nós mesmos somos a força ativa na realidade, e ninguém mais.

Com esta confiança, nós vamos em frente de forma ousada e decidida, até que sob uma chuva de golpes “em nossos próprios corpos”, nós aprendemos que algo está errado. Algo não vai bem na medida em que a crise global vem, e não há nenhum sucesso em nada. Nada ajuda, nem a razão ou os sentidos, nem a ciência ou a cultura.

Acontece que somos estúpidos, ingênuos, e não podemos sequer estabelecer nossa vida ou as relações cotidianas normais. Mesmo os animais de alguma forma se tornam confortáveis. E nós, ao contrário, destruímos as vidas daqueles que estão próximos e distantes, usando toda a nossa força e conhecimento.

Essa é a nossa natureza e não podemos ir contra ela. Nossa natureza má é mais forte do que a nossa mente. Não intelecto não ajuda a lidar com ela. Nós gostaríamos de estabelecer relações saudáveis; nós produzimos tanto que poderíamos criar um paraíso na terra para todos, mas não somos capazes disso. Em vez disso, temos apenas dificuldades e problemas, ameaças e medo do amanhã.

Assim, a minha natureza reina sobre mim e eu não posso fazer nada sobre isso.

Como resultado, as pessoas se tornam conscientes de toda a baixeza de sua própria natureza. E isso, de fato, é o melhor ponto de partida. Baal HaSulam o indica na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, explicando que perguntas nós fazemos no final do nosso desenvolvimento: “Qual é o sentido da nossa vida, os anos que nos custam tão caro?” “Por que estou aqui?” – e em seus pensamentos apenas esta pergunta persistente permanece.

Em última instância, explica Baal HaSulam, esta pergunta deve nos levar à realização da necessidade da revelação do Criador. Se uma pessoa está pensando para que ela vive, qual o significado da sua vida, ela finalmente chega à conclusão: “Há algo acima de mim. O fato é que não posso organizar a minha vida. Até a minha natureza está além de mim”.

A solução é formulada da seguinte forma: “Venha e veja que o Criador é bom”. Em outras palavras, a partir de uma necessidade real nós realmente podemos chegar à revelação do Criador, e então veremos que Ele age em tudo. Nós veremos que toda a distância percorrida foi necessária apenas para obter golpes e finalmente compreender que a nossa única saída é revelar a força que age no ser criado e o faz se mover.

Da Convenção de Los Angeles “Dia Dois” 31/10/14, Lição 3

Trabalho Bilateral

laitman_942Nossa conexão com o outro indica que estabelecemos uma aliança que nos obriga a estar preocupados em geral com todo o grupo, ou pelo menos por enquanto, com o nosso Grupo de Dez.

De acordo com este critério, será que eu posso analisar se estou desconectado dessa preocupação ou não? Será que eu penso neles o tempo todo ou não? O quanto sou atraído a eles e mantenho meus pensamentos neles mostra onde estou.

Graças à nossa capacidade de realizar ações físicas dentro de um pequeno grupo (um Grupo de Dez), o trabalho espiritual se torna um trabalho físico simples, visível e acessível para o escrutínio, análise e exame. Eu posso contar quantas vezes por dia eu pensei nos amigos, como me preocupei com eles, como elevei seu humor e lhes dei elevação e entusiasmo sobre a meta, e os alimentei com confiança e felicidade.

Eu preciso examinar a mim mesmo o quanto me adaptei ao princípio: “O fim da ação está no pensamento inicial”. O estado final é a conexão com o Criador. Por isso eu me conecto com os amigos agora. Portanto, eu preciso verificar se estou realmente pensando na minha conexão com o Criador ou será que esqueci completamente dela?

Se eu esqueço do Criador, toda a minha conexão com o Grupo de Dez não é boa. Ela não leva a nada, exceto dano. Esta será uma conexão egoísta regular, onde não há espiritualidade, como entre fãs de futebol ou uma unidade de combate militar.

Portanto, eu tenho que estar preocupado com isso o suficiente para falar disso, pelo menos, se ainda não tenho nenhum sentimento a respeito. Eu devo me lembrar que estou pronto para me conectar com os amigos, a fim de conquistar a adesão com o Criador. Isso significa que estou conectado para atingir a completa característica de doação.

Assim, já agora, desde o início, eu mostro aos amigos o quanto quero isso. Eu estou pronto para investir muita energia neles; para inspirar e servi-los. Eu estou pronto para fazer qualquer coisa por eles, a principal coisa sendo chegar ao Criador.

Por outro lado, eu posso me voltar ao Criador com um pedido para me ajudar a trabalhar com os amigos, para que eu seja capaz de ajudá-los, para se conectar e elevá-los. Pois é claro que eu mesmo não tenho força para isso, só posso pedir em nome dos amigos.

Isso significa que este é um trabalho de duas vias: do grupo para o Criador e do Criador para o grupo. No trabalho do grupo para o Criador, eu estou embaixo, para mim o grupo é um nível superior, e o Criador está acima desse nível superior. A diferença é quem serve como o canal que conecta, o transmissor.

Se eu quero chegar ao Criador por meio do grupo, eu uso o grupo como um canal que me conecta com o Criador. E se eu recebo energia do Criador para doar ao grupo, eu sou o canal que conecta o grupo com o Criador.

Eu devo imaginar constantemente este esquema, para ver mais de forma mais correta e precisa onde me encontro, especialmente durante a aula.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição 4

O Kit De Ferramentas Da Luz

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá, em contraste com outras sabedorias, investiga a matéria interna mais elevada, o desejo que está no nível humano.

Desejos nos níveis inanimado, vegetal e animal aparecem para nós neste mundo. Nós podemos investigar, entender e usá-los. Ao investigá-los, nós criamos uma ciência.

Mas não há ciência que investigue o desejo no nível humano. A psicologia tenta chegar a isso, mas sem sucesso. Por quê? Porque o investigador deve estar num nível superior ao objeto, o sujeito, que está sendo investigado.

Sendo uma pessoa neste mundo, eu posso explorar a matéria inanimada (física, química e afins), vegetal (botânica) e animal (biologia, zoologia, etc.). Afinal, eu estou num nível superior.

No entanto, a matéria do nível humano, o nosso mundo interior, não pode ser investigada a partir do nosso nível. Assim, a psicologia e a psiquiatria são desprovidas de uma base sólida, real e científica.

Mas, com a ajuda da sabedoria da Cabalá, nós podemos criar esta base, e graças a isso, podemos investigar de forma mais verdadeira e objetiva todo o resto das camadas inferiores dos níveis inanimado, vegetal e animal. Por enquanto, nós temos a oportunidade de levar em conta os erros nas investigações da natureza desses níveis inferiores, onde fazemos as distorções geradas pela nossa própria natureza humana.

Portanto, a sabedoria da Cabalá é especificamente uma ciência no sentido pleno da palavra, e é muito mais precisa do que outras ciências, pois com ela nós investigamos a substância da criação, o desejo de receber, nos níveis inanimado, vegetal, animal e falante, e usamos um aparato exclusivo chamado Luz Superior.

Quando os físicos estudam a matéria num acelerador de partículas, eles induzem colisões e observam os resultados.

Conosco é a mesma coisa: a Luz vem e faz uma colisão, ou seja, ela realiza um Zivug de Hakaa (acoplamento de golpe). Primeiro a colisão é feita e depois o acoplamento. Com a ajuda deste experimento, nós analisamos e aprendemos sobre o que está acontecendo no encontro entre o desejo de receber e o desejo de doar, entre o Criador e a criação.

Do Congresso em Los Angeles 02/11/14, Lição 3

Futebol E Carnaval Não São Mais Uma Atração

Laitman_049_01Comentário: Nós gostaríamos de passar nosso bastão, nosso amor, nossa atitude sincera aos nossos amigos da América Latina e América do Norte e pedir aos amigos que têm a possibilidade de estar lá, que definitivamente venham se encontrar com você e seus amigos.

Resposta: Eu espero muito por isso; eu estou indo para as nações da América Latina e América do Norte com a grande esperança de me encontrar com meus alunos. Eu quero ver que eles estão avançando na mesma direção que a nossa “equipe russa” avançou em Sochi. Eu gostaria que existisse grupos semelhantes lá.

Nós vemos com que velocidade o mundo está evoluindo. Basta pensar, os brasileiros não querem mais ver futebol! Isso diz alguma coisa! Aqui ainda estamos presos em futebol, enquanto lá isso não é mais assim, embora para os sul-americanos o carnaval e o futebol sejam as coisas mais importantes na vida.

Este é um fenômeno muito interessante. Juntamente com o cansaço, isolamento e distância, algum tipo de consciência aparece, e não apenas algo vago e passivo. Eles não querem isso! Especialmente agora, quando eles perderam, isso dá um impulso ainda maior para a conscientização continuada.

Veja como eles estão sendo guiados de Cima! Afinal, para eles o futebol era toda a sua vida: a salvação da revolução, da pobreza, de tudo! As pessoas estão começando a entender que é necessária uma decisão radical; devaneios em jogos não são permitidos.

Espanta-me que isso esteja vindo justamente de lá. Quando pessoas como estas parecem saber naturalmente como romper com todas as dificuldades e se contentar com pouco, já sentindo que não podem se realizar por meio disso, é maravilhoso!

Da Convenção em Sochi “Dia Um” 13/07/14, Lição 1

A Verdadeira Oração

laitman_943Baal HaSulam, Fruto do Sábio, Artigo “A Hora Errada de Reunir o Rebanho”: É proibido separar-se da sociedade e pedir para si mesmo, até mesmo para agradar ao Criador.

A pessoa deve se dirigir ao Criador com os pensamentos mais puros e desejos ideais que não sejam para o seu próprio benefício, mas para o benefício dos outros, ou em prol Dele. Porém, se ela ora ao Criador para si, sozinha, a oração não vai subir a Ele. Em vez disso, ela vai ficar com a pessoa que ora.

Nós podemos continuar a gritar por mil anos, mas isso não vai nos ajudar. O sistema espiritual não ouve pedidos solitários. Uma única pessoa é incapaz de elevar o desejo de estar conectada com outros, o desejo que provoca a correção do Alto. Esse pedido tem que ser elevado em conjunto com outros desejos semelhantes, como parte de um desejo comum de se unir. Então, a Luz que preenchia esses desejos antes da quebra, quando todos os desejos eram um todo, desce automaticamente.

Orar por toda a sociedade é o único tipo possível de oração. Aqueles que estão afastados de seu entorno, bem como aqueles que oram apenas para si, danificam e destroem suas almas. A Luz não vai responder a tal apelo. É dito: O Criador diz a todos os homens orgulhosos: “Nós não podemos habitar na mesma morada, você e eu”.

É impossível sair do seu próprio entorno se a pessoa não usa as vestimentas do orgulho. A sua separação do grupo implica automaticamente que a pessoa se torna mais egoísta. O desprendimento do grupo é resultado de vários “movimentos” espirituais, não físicos. Não importa quão justificada a sua separação pareça, ela sempre é um resultado do seu orgulho, malícia e egoísmo aumentado.

Orar sozinho faz com que a pessoa involuntariamente abandone a sua comunidade, arruinando sua alma, a aspiração ao Criador. A sensação de que a alma está inserida numa comunidade corrigida, em cada dos nossos amigos, não como uma parte distinta, mas como um elemento inseparável de todo o sistema, significa a correção completa do corpo (o desejo geral).

A categoria “nós” se torna a única que realmente existe. A sensação de “eu-idade” (“I-ness”, em inglês) desaparece, uma vez que ela nos é dada apenas para nos fazer entender que estamos fora da escada espiritual.

“Eu-idade” só existe neste mundo. O menor grau espiritual, assim como todos os outros 125 passos espirituais, baseia-se unicamente em “nós” e a sensação de “nós” se torna maior a novo cada passo. O “eu” desaparece no nível deste mundo que é chamado de mundo imaginário, uma vez que existe apenas em nossos desejos quebrados.

A espiritualidade é sentida apenas no “nós”. Esta noção inclui eu, você, ele e outros amigos conectados juntos. É um nível espiritual bem fraco do mundo de Assia onde esclarecimentos e quebras ainda ocorrem. O mundo de Yetzirah não é nada disso. Lá, no mundo de Yetzirah, tudo está verdadeiramente conectado num todo. O mundo de Beria é um elo preparatório para alcançar uma correção completa no mundo de Atzilut.

Isso explica por que nunca devemos esquecer que a espiritualidade só pode ser sentida por meio da conexão entre nós. É dito que o mínimo Kli (vaso) é constituído por dois. Dez pessoas constituem uma estrutura ideal. Isto é afirmado no Zohar e em artigos do Rabash.

Por milhares de anos, a humanidade não teve tais condições maravilhosas! Nós temos que tirar proveito do nosso estágio de desenvolvimento e implantar a transição do “eu” para “nós” da forma mais eficiente possível.

Da Convenção em São Petersburgo 20/09/14, Lição 4