Textos na Categoria 'Ciência'

Um Sábio Infeliz

Dr. Michael LaitmanPergunta: O conhecimento é o mais alto grau que nos permite compreender o todo da realidade. Isto é o que se expressa em Eclesiastes pelo rei Salomão. No entanto, como resultado, ele chegou à conclusão de que “Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza; e aquele que aumenta a ciência, aumenta a dor” e “o homem sábio deve morrer assim como o tolo”. Por que a aquisição de sabedoria e conhecimento não lhe trouxe a felicidade desejada?

Resposta: Porque sabedoria e conhecimento são apenas uma maneira de alcançar a felicidade. Para ser feliz é toda a nossa vida. Nós não precisamos de nada além de sentir o que aproveitar. Em última análise, a única coisa que eu quero é desfrutar a vida.

Nós podemos vestir isso em diferentes coisas, eventos, fenômenos, mas queremos desfrutar, nos satisfazermos. Por prazer, eu quero dizer nos preenchermos de vida, porque não temos nada, exceto a vida. Portanto, nós queremos senti-la como gratificante e agradável.

O que significa que uma pessoa vive? Ela tem um espírito que tanto a oprime ou a faz feliz. Eu quero que este espírito seja preenchido com vitalidade. Como já disse, eu sempre preciso me renovar para fazer isso. Assim, quando eu quero riqueza, poder, conhecimento, ou coisas ainda menores, como uma família, sexo ou comida, é apenas para receber prazer.

Se você remove o prazer da comida, a pessoa come porque tem apenas que sustentar o corpo, assim como uma pessoa que está doente. Se ela não recebe prazer do sexo, ela recebe tratamento, pois, caso contrário não sente nenhum prazer da vida. Se não há alegria na família, ela se divorcia.

O mesmo se aplica à riqueza, onde olhamos para o nosso ambiente e esperamos ganhar independência e segurança. E agora vemos que a qualquer momento tudo pode ser perdido. Hoje, o poder é muito transitório e não do jeito que era no passado, quando havia reis.

Por fim, você chega à sabedoria e vê tudo o que acontece. O que você descobriu? Olhando para todas as fontes de prazer, você vê que elas não contêm nada, assim como a própria sabedoria. O que você alcançou ao compreender toda a criação, que você pode ver de ponta a ponta? Tudo funciona e tudo está vazio.

Então você se encontra num beco sem saída e literalmente bate na parede, porque não há mais para onde ir. Se você é um homem sábio, se você vê as consequências de cada ação e tarefa, você não começa isso. Você não tem nada para fazer. O que resta é apenas cometer suicídio.

Hoje, nós falamos da ciência como a revelação de todo o mundo. Isso implica que você não é apenas um acadêmico que estuda insetos, vivos ou eletrônicos, mas um grande filósofo, um sábio. E essa é uma sabedoria completamente diferente.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/05/14

O Livro Do Zohar Como Um Guia Para A Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar fala exclusivamente sobre a conexão entre todos os elementos do sistema geral. Depois de descer, Malchut do mundo do Infinito, que inclui todo o mundo do Infinito com suas quatro fases da difusão da Luz direta, nos é dada para que façamos o nosso trabalho no sistema superior, nos reinos onde a criação genuína (a alma) habita.

A alma é quebrada e tem que voltar a emergir com suas partes quebradas. Para isso, ela tem que subir através dos mundos, e depois se unificar com os mundos; a alma e os mundos voltam a HaVaYaH, às quatro fases da Luz direta.

O Livro do Zohar, bem como outras fontes Cabalísticas, descreve o que a pessoa atinge como resultado do seu esforço espiritual. Os Cabalistas revelam apenas o que realmente descobrem em seu caminho.

Nas ciências do nosso mundo, como por exemplo a física, existem livros que explicam leis materiais, livros didáticos. Existem inúmeros livros populares de não-ficção que descrevem a história da física. Eles retratam como foram feitas as principais descobertas na física, como as leis que foram descobertas há séculos ajudam os cientistas a chegar às inovações atuais, etc. Quando nós lemos os livros, é como se nós seguíssemos as rotas dos físicos que exploraram as leis da natureza e participássemos do processo.

Existem dois tipos de livros Cabalísticos. O primeiro tipo são os textos escritos de cima para baixo, começando com a Luz do Infinito, como o ARI escreveu: “Saibam que no princípio da criação, havia apenas a Luz Superior que preenchia tudo”. No entanto, esses livros não descrevem o caminho da realização humana; ao contrário, eles descrevem a formação da criação desde o momento de seu surgimento de sua raiz superior do estado mais distante de nós.

Há livros que são escritos de forma diferente, de baixo para cima, de acordo com a nossa forma de ascender espiritualmente. É assim que o Rabash escreveu seus artigos. Seus escritos gradualmente nos levam a mundos espirituais, e ele faz todos os esforços para aumentar o nosso progresso como um avô paciente ensinando seus netos: “Vamos fazer isso, e agora vamos fazer aquilo”. É como se ele abrisse a espiritualidade junto conosco. Ele explica as etapas do nosso progresso e nossa compreensão dos estágios do nosso desenvolvimento.

O Livro do Zohar abraça ambas as tendências. Por um lado, cada parte do Livro do Zohar esclarece passo-a-passo os métodos de alcançar a revelação. Por outro lado, os autores imediatamente nos falam de onde vem a revelação e por que. É semelhante a um guia que nos conduz no caminho dizendo: “Vamos dar um passo e vocês vão ver o que está à sua frente e o que devem revelar”.

O Livro do Zohar me acompanha a cada passo, explicando-me um pouco com antecedência o que eu tenho que compreender e esperar. Eu tenho que dar um passo à frente para o desconhecido, e O Livro do Zohar me diz com antecedência exatamente o que vai acontecer conosco depois.

É por isso que o Livro do Zohar é diferente de outros livros Cabalísticos que foram escritos para aqueles que já atingiram os mundos superiores. Mesmo O Estudo das Dez Sefirot não explica como elevar MAN, mas, em vez disso, descreve os processos que ocorrem nos Partzufim espirituais, enquanto que O Livro do Zohar é escrito para nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/11/14, Escritos do Baal HaSulam

Filhos Do Universo, Parte 7

Dr. Michael LaitmanO grande desenvolvimento da humanidade não presta atenção ao universo, e ainda é o lugar onde podemos encontrar nossas raízes. Nos enormes espaços abertos do universo, nós encontraríamos a força, aglomerados de outros tipos de matéria, antimatéria, etc.

É claro que os seres humanos exploram o universo, mas não dão a sua pesquisa o peso suficiente, porque eles estão certos de que o nosso futuro depende de quem é mais forte, mais rico ou mais poderoso. Nosso avanço não visa compreender a natureza em sua plena revelação, nem incentivar o reconhecimento de nossas deficiências.

Eu presumo que o universo é completa doação e que a força de doação criou e organizou tudo o que existe. Finalmente, através da combinação de certas forças, a doação gerou os níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza.

O universo continua a desenvolver a matéria no sentido de um nível especial, qualitativamente novo, no qual a matéria de repente se questiona sobre a força que a lançou: “De onde nós viemos? Quem somos nós?”.

Nós sabemos que o pensamento por trás de qualquer ação está no resultado para o qual a ação foi concebida. Nós reagimos ao resultado; no entanto, nós nunca prestamos atenção suficiente, nem nunca alocamos energia suficiente para esclarecer o que exatamente está nos influenciando.

Por outro lado, nós reconhecemos que somos o resultado da atividade desta força. Ao explorar a natureza humana, nós vemos claramente que não possuímos qualquer livre arbítrio nem desfrutamos de liberdade de ações. Nós somos pré-condicionados por nossos genes, instintos, cálculos sobre lucros e perdas, utilizando fórmulas primitivas.

Aqui está o problema: como podemos explorar o universo, a sua evolução e os processos que passamos se dedicamos toda a nossa energia para outras coisas?

Um dos meus alunos trabalha no Grande Colisor de Hádrons, na Suíça. Ele me disse que no início houve debates intermináveis ​​sobre se era ou não era bom começar um projeto tão enorme e caro. No entanto, o custo do Colisor é equivalente ao custo de manter as tropas americanas no Afeganistão durante uma semana.

Então, é óbvio que não aplicamos esforço suficiente para explorar a natureza. Eu lamento muito por este estado das coisas. Se nós conhecêssemos a natureza suficientemente bem e difundíssemos melhor o conhecimento para as massas do que fazemos hoje, reconheceríamos nossas deficiências. Nós descobriríamos a falta de novas propriedades: as de doação.

Então, além do desejo de receber que já temos, nós também obteríamos o poder de doação que nos permitiria explorar a natureza a partir de um novo ângulo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 10

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você está dizendo que até agora nós temos estudado a natureza de uma forma limitada, subjetiva, já que baseamos nossos estudos em nosso ego que limita cada pesquisa.

Isso significa que não devemos inventar novos telescópios, microscópios e aceleradores de partículas, mas sim algo que seja totalmente diferente. Que tipo de instrumento nós precisamos para estudar o universo?

Resposta: Nós precisamos de um novo programa para a humanidade. A natureza nos fez egoístas, e, nesse sentido, não somos muito diferentes do nível animal. Nós só inventamos diferentes ferramentas e instrumentos e agora temos bombas atômicas e outras armas em nossas mãos, em vez de um pedaço de pau. Nós temos avançado na mesma direção através da nossa evolução.

Mas, se quisermos realmente sair de nossa bolha e não continuarmos sendo o verme que vive no interior do rabanete amargo, que percebe isso como todo o seu mundo, nós precisamos prestar mais atenção e fazer mais esforços para a aquisição de uma segunda natureza. Nós temos que tentar nos programar de novo nesse sentido, de modo que os dois tipos de natureza serão integrados dentro de nós: tanto a nossa velha natureza que recebe e a nova natureza que doa e dá.

Então, nós vamos ver realmente a outra metade do universo, do mundo, ou mesmo mundos, e também vamos ver a razão para tudo o que acontece. Na verdade, ao estuda a natureza da doação é que nós atingimos e aprendemos sobre nossa raiz e seu plano. Caso contrário, se ficarmos dentro, não vamos descobrir ou saber nada sobre nós mesmos e simplesmente continuaremos a melhorar os nossos brinquedos mecânicos e tecnológicos e nada mais do que isso.

O novo nível é a tecnologia interior de uma pessoa, sem quaisquer truques inteligentes que criamos com o ego. É um método de aquisição do poder de doação, e é a parte da natureza que nós só temos que adquirir para que ela esteja vestida em nós e forme o sistema de uma percepção paralela dentro de nós.

Pergunta: Como isso afetará nossas vidas diárias?

Resposta: Em primeiro lugar, nós vamos descobrir como e para que devemos viver e como melhorar nossas vidas. O próprio universo se originou a partir destas duas forças, e estabelecendo a cooperação mútua destes dois sistemas de recepção e doação dentro dele, nós nos elevamos sobre eles até o pensamento que criou o universo. Assim nós realmente ascendemos, e não apenas simbolicamente, ao estado infinito eterno.

De um modo geral, nós nos desenvolvemos rumo a esta questão básica de um jeito ou de outro. Não é apenas uma questão sobre a razão de nossos sofrimentos e o sentido da nossa vida amarga, mas sobre a razão básica inicial, sobre a sua finalidade. Só o universo será capaz de nos fornecer uma resposta quando subirmos acima da atração egoísta, que, por enquanto, é simbolizada pelo nosso planeta Terra.

Pergunta: Onde está o campo de trabalho onde podemos desenvolver adequadamente as forças de doação dentro de nós? Trata-se das minhas relações com o universo ou com outras pessoas?

Resposta: Trata-se de relacionamentos com outras pessoas, porque elas são, na verdade, a matéria mais desenvolvida. É pela cooperação mútua e por minhas interações com elas que eu posso desenvolver uma segunda natureza.

Isto me permite descobrir coisas novas no universo. Quando eu saio de mim mesmo, eu vejo uma dimensão diferente através do prisma da força de doação em que o espaço não tem significado. Eu olho para o mundo acima da matéria.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 8

laitman_527_03Hoje nós estudamos a natureza apenas com o poder de receber, que é o nosso atributo inicial, primário. Eu sempre aspiro a receber o que é bom para mim. É assim que eu vivo e é assim que eu sou; este é o meu pensamento consciente e meu inconsciente e não posso pensar de outra maneira.

Isso é porque eu nasci como resultado da evolução da natureza inanimada, vegetal e animal. Cada matéria aspira a se diferenciar e classificar da maneira mais eficiente ao resistir a qualquer coisa que possa causar-lhe mal, descansando em paz o melhor e mais seguramente possível em relação às outras partes. Portanto, eu me preocupo constantemente em como fornecer tudo o que preciso na melhor, mais segura e mais confortável maneira em relação aos outros.

Esse atributo é típico de todas as formas de matéria, incluindo a natureza inanimada que passivamente se protege. No nível vegetal, o ambiente já é utilizado: os organismos produzem substâncias úteis do solo, consomem oxigênio ou dióxido de carbono, etc.

Processos metabólicos ocorrem neles, e eles sabem como usar o ambiente a fim de crescer à sua custa. Criaturas no nível animal crescem não só graças ao ambiente inanimado, mas também graças ao vegetal e o animal. Os animais comem as plantas e outros animais.

Ao mesmo tempo, todos os organismos se desenvolvem e se multiplicam, e tudo é baseado no desejo inicial de se proteger o máximo possível, afastando-se de qualquer coisa que seja prejudicial e aproximando-se do que é benéfico. Tudo isso é a essência da força egoísta de recepção que está em todas as criaturas.

Quanto ao homem, ele conseguiu nesse sentido mais do que todos os outros níveis. Ele tem prazer ao tomar recursos de outros, mesmo que não precise deles, uma vez que isso o eleva e torna mais importante quando comparado com outros ao seu redor. Ele se livra e se afasta daqueles que podem prejudicá-lo e mantém próximos somente aqueles de quem pode se beneficiar. Ele não se avalia no âmbito do ambiente mais próximo, mas em relação a todo o mundo ao longo do tempo.

O ego humano é altamente desenvolvido, e sua percepção, a sua visão do mundo, está enraizada em nosso programa interno. Não importa o que eu percebo com os meus sentidos, eu só vejo o que quero ver e não o que realmente acontece na realidade.

Eu não presto atenção em nada que não pertença a minha existência corpórea, ao meu desejo de receber. Coisas neutras que não são prejudiciais ou benéficas para mim não estão no meu campo de visão. Eu simplesmente não posso identificá-las.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 9

Dr. Michael LaitmanNós somos muito limitados. Nós estudamos todo o universo e a nós mesmos através dos nossos cinco sentidos, calculando nosso ganho e perda.

Isso nos limita muito, porque não vamos além de nós mesmos e não vemos realmente o que está do lado de fora. Em vez disso, nós passamos tudo através do nosso sistema interno e decidimos se ele nos faz sentir bem ou mal.

Como resultado, há muitos fenômenos que não vemos e nós não distinguimos as muitas forças no nosso universo ou em universos paralelos. É porque elas simplesmente não nos interessam e não afetam o nosso ego, o nosso desejo de receber prazer.

Se eu pudesse identificar a conexão entre uma coisa e meu sucesso, eu certamente iria estudá-la e descobrir um novo fenômeno. Se eu não vejo essa conexão, eu sou cego para qualquer fenômeno.

A razão é que eu não tenho uma segunda força, a força de doação. Eu sou totalmente feito de força de recepção.

Comentário: Mas há também fenômenos nos quais vemos a conexão, mas não podemos distingui-los. Por exemplo, nós gostaríamos muito de saber sobre os desastres naturais com antecedência para que pudéssemos nos proteger deles. Isto é muito benéfico, mas ainda estamos desprotegidos em face de furacões, terremotos, etc.

Resposta: Claro que existem fenômenos que acreditamos existir, mas eles são como a matéria escura. Nós assumimos que eles existem e que são relacionados a nós, mas não podemos identificá-los. Mas isso é uma questão de busca num nível diferente.

Eu, por outro lado, estou falando de uma falha fundamental em nossa percepção, sobre o fato de que não está em nosso poder realmente ver de forma alguma, nem mesmo teórica ou hipoteticamente.

Se adquiríssemos a força de doação, a força para sair de nós mesmos e se pudéssemos remover a limitação de nossas mentes e desejos egoístas, nós estudaríamos verdadeira e objetivamente o que é externo a nós. Nós estudaríamos isso com uma mente e coração externos.

Então nós poderíamos revelar mundos inteiros e completar a imagem distorcida e fragmentada que vemos hoje.

Agora parece que vivemos numa bolha que é totalmente atraída para dentro e colapsa em si mesma. Nós vemos, sentimos e estudamos somente o que é percebido pela gravidade egoísta. É também onde existe o nosso universo, que parece tão imenso e infinito para nós. É tudo dentro dessa pequena bolha de nossa percepção.

A menos que adquiramos uma segunda força que nos permitirá sair dos limites de nossos atributos, não vamos descobrir o que está do lado de fora.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Dez Kg De Esforço

Dr. Michael LaitmanPergunta: O dinheiro está associado a vários aspectos de nossas vidas. Essas conexões são tantas que criam uma estrutura especial: dinheiro e status, dinheiro e tradição, dinheiro e autoestima. Uma pessoa define-se com a ajuda do dinheiro. Tudo isso irá desaparecer um dia?

Resposta: Não, apenas a forma vai mudar. Antigamente a pessoa andava com sacos cheios de ouro; hoje temos o que queremos em todos os lugares, mediante a apresentação de um cartão de plástico. Mesmo que isso não seja óbvio, a pessoa vai entender logo que o seu investimento na sociedade lhe dá a capacidade de satisfazer-se. E é possível medir isso.

Desenvolvendo-se nesse sentido, a pessoa adquire ferramentas de avaliação. Eu invisto dez quilogramas de esforço na sociedade, e em resposta, recebo da sociedade a mesma quantidade de quilogramas de satisfação. Junto com isto, a pessoa se sente livre e não é obrigada a ninguém. De acordo com o que ela investe na sociedade, ela recebe em troca.

Você quer ser satisfeito unicamente e apenas no nível físico ao satisfazer-se com o que é necessário para a existência? Vá em frente! Todo o resto de suas necessidades e a satisfação dependem de seu grau de inclusão na sociedade, na medida em que você a sente, e na medida em que você investe esforço.

Você não está limitado, se não se expõe ao perigo e não participa da competição com outros, de tal forma que se você tomar, nada será deixado para os outros. Quanto mais a sociedade se torna mais coesa, mais a pessoa recebe satisfação interna.

Pergunta: Se, graças à ciência, nós descobrimos fontes inesgotáveis de energia, e em vez de um carro, todos terão sua própria máquina voadora, você acha que isso vai ser negativo?

Resposta: Eu não sou contra o avanço tecnológico e acolho positivamente cada desenvolvimento moderno no campo da nanotecnologia. Seria bom se energia barata fosse desenvolvida e pudéssemos purificar a Terra. Mas o que estou dizendo é que, através do desenvolvimento de seus desejos e aspirações, a pessoa vai começar a sentir que as coisas do mundo são limitadas, que não a preenchem.

Pergunta: Como podemos avaliar nosso sucesso? Geralmente nós o conectamos com algum tipo de realização: uma pessoa adquire, constrói ou conquista algo.

Resposta: Existem muitas profissões e empresas que não trazem dinheiro à pessoa, mas a autoconsciência e autoestima. E isto é mais importante. Por exemplo, o trabalho dos médicos é muito difícil, ainda que não recebam um salário alto. Então o que os mantém em sua profissão? É o respeito pela profissão e a importância que a sociedade dá à profissão. E assim é como vai ser com todos.

Então por que não ser competitivo? Você será. Haverá o mesmo incentivo e respeito. Eles escrevem sobre mim no jornal e as crianças me tratam com respeito. Uma sensação de importância e satisfação permanecerá, mas que não terá uma forma física.

Pergunta: Isto significa que falamos de um processo de mudança fundamental em nossa percepção?

Resposta: Não será muito, porque já vivemos assim hoje. É necessário apenas mudar os valores. Isto vai acontecer porque é inevitável, já que a natureza nos obriga. Então, não vale a pena para nós nos opormos a ela; pelo contrário, temos que ajudá-la

De KabTV “Uma Nova Vida” 30/08/12

Os Filhos Do Universo, Parte 4

Dr. Michael LaitmanAs pessoas que estudam as leis do universo sentem que todo o universo é um programa, um pensamento. A característica mais importante desse sistema é que ele é unificado. Todas as suas partes estão interconectadas. Isto é verdadeiro mesmo no âmbito de nossas atuais mentes racionais.

Cada parte do sistema originado pelo Big Bang continua a se desenvolver em várias direções, dando assim origem a uma multiplicidade de fenômenos. No entanto, todos os seus elementos agiram de acordo com as leis do sistema.

Não existe tal coisa como a coincidência. A anarquia, que é tão típica na sociedade humana, não é possível na estrutura do universo. Tudo o que existe tem causas e consequências. Isso significa que, de acordo com a lei de interação entre os diversos elementos e forças, os efeitos depois do Big Bang constituem um sistema unificado, fechado.

Não é por acaso que no tempo antigo as pessoas sabiam como prever o seu destino, previram os grandes eventos que ocorreram na face da Terra, previram o clima e outros fenômenos que ocorreram sob a terra e no ar só de olhar para as estrelas. Isso significa que as experiências ao longo de milhares de anos de exploração do céu, da natureza, do clima, e dos seres humanos lhes permitiu rastrear conexões que existiam entre todos os elementos. Eles foram capazes de criar várias tabelas que refletem vários campos do conhecimento, tais como astrologia, astronomia e muitas outras ciências.

No longo prazo, todos nós estamos buscando a conexão, uma vez que, consciente ou inconscientemente, reconhecemos que tudo o que existe constitui um sistema unificado, global.

Nós temos que admitir que o progresso do universo não é apenas com relação ao nascimento ou difusão de partículas de matéria que ainda existem hoje. Para ser franco, essa é a nossa percepção subjetiva, ao passo que a questão mais importante é totalmente ignorada: isso é realmente assim ou é algo que imaginamos em nossos órgãos de percepção?

A pessoa deve julgar de acordo com o que os seus olhos veem. Assim, as partículas que se espalharam começaram a se reunir em grupos. Com o tempo, a energia inicial gerou vários tipos de massas e objetos. Não importa se eles eram nuvens de gás, estrelas, ou material planetário, etc. Todas estas partículas foram reunidas por uma força de concentração e atração entre as substâncias. Em outras palavras, por um lado, o processo de difusão dos elementos continua, mas, por outro lado, eles se reúnem e se unem.

A tendência de difusão destina-se a preencher o universo. O Big Bang criou o lugar, ou seja, o espaço que consideramos sem fim (ainda que não exista justificativa deste fato). É como se nós olhássemos num buraco escuro e disséssemos que é sem fundo. A questão permanece: será que o nosso universo realmente se expande ou o modelo de engrandecimento reflete apenas a nossa percepção dele? Nós devemos sempre ter isso em mente.

O problema é que quando nós tomamos medidas do universo, não adicionamos a ressalva de que o fazemos apenas de acordo com a nossa percepção humana.

Assim, há uma tendência de preencher o espaço onde as partículas foram criadas pela energia explodida de acordo com o programa universal de base. Como podemos ver, o processo de criação da matéria se refere a partículas, pedaços de matéria, reunindo-se em blocos maiores e tomando várias formas (positivas e negativas) ao se aproximar ou desconectar e se afastar uma da outra.

Desnecessário dizer que nós estamos simplesmente usando os termos que fazem parte do nosso vocabulário corrente. Até agora, este processo demonstra uma dinâmica rápida, que continua a uma velocidade que está muito além da nossa compreensão.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Filhos Do Universo, Parte 5

Dr. Michael LaitmanNós encontramos muitas surpresas quando estudamos os atributos físicos do universo. Se antes nós acreditávamos que a radiação e as partículas não podiam penetrar sólidos, nós sabemos agora que isso não é assim.

O microcosmo abriu uma imagem verdadeiramente surpreendente diante de nós. Muita coisa mudou em nossa compreensão do universo e do lugar do homem nele.

Além disso, é tudo porque nós nos recusamos a seguir toda uma abordagem ideológica, concordando que não entendemos, sentimos ou conhecemos a criação, e que temos que estudá-la desde o início. Assim, a ciência tem se afastado da religião e deixou suas limitações, o que foi muito útil.

Essa luta durou séculos e até hoje os ecos da igreja e as objeções de outras instituições religiosas a uma grande variedade de abordagens científicas ainda são ouvidos. Embora este estudo não acompanhe sua fé, as crenças básicas foram aceitas, uma vez que ajudaram a controlar as pessoas e as coisas. O nosso conhecimento do universo é muito limitado, e ultimamente temos chegado à conclusão de que a nossa visão da realidade é parcial e fragmentada. Mesmo que fôssemos capazes de compreendê-la como um todo, os dados da investigação indicam que pode haver universos paralelos. Nós simplesmente ver isso sem pressupostos, nossas fórmulas não concordam, e por isso temos de levar em conta esta possibilidade.

Depois, há dúvidas sobre a conexão entre os universos, e sobre a passagem de um para outro num nível mais elevado que nos rodeia, mas que não é acessível em nossa percepção. Caso contrário, os nossos dados atuais não se alinham.

É claro, nós estamos buscando vida inteligente em outros planetas. Na minha opinião, ela não está lá, e o nosso pobre planeta é o único onde vivem seres inteligentes, poluindo e estragando a natureza inanimada, vegetal e animal.

Que planeta maravilhoso ele poderia ser se fosse simplesmente coberto com plantas. Nós também podemos adicionar alguns animais, mas algumas pessoas já é demais.

Falando de forma séria e geral, a vida neste planeta é de fato um fenômeno raro. Para que a vida surgisse, tinha que haver combinações muito específicas de diferentes parâmetros e forças da natureza que permitiram que partículas se conectassem em novas formas e adquirissem atributos novos e únicos de procriação no processo de evolução biológica. Este é um nível totalmente novo em relação ao resto do universo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Quando Tudo Não Está Certo

laitman_202_0A sabedoria da Cabalá conduz uma pesquisa muito mais precisa e objetiva do que qualquer outra ciência. No decorrer deste estudo, nós aprendemos que há apenas uma força, um fator, que atua na realidade. Portanto, nós a caracterizamos com a frase “Não há outro além Dele”.

Este não é um nome ou uma definição, é apenas a maneira que queremos enfatizar a singularidade desse fenômeno. Estudando a nós mesmos e toda a realidade em todos os graus e níveis, nós podemos ver que somente a Luz Superior opera e organiza tudo.

E seu corolário, a partir de certo ponto, dividiu-se em dois. A Luz Superior afeta alguma coisa e nós determinamos se a matéria é contrária à Luz de acordo com suas propriedades ou corresponde a ela. Esta é a característica principal da matéria: a capacidade de permanecer num estado de oposição ou equivalência.

Por conseguinte, os nossos experimentos podem mostrar resultados contrários. Se a matéria dos nossos desejos é oposta à Luz, nós a sentimos como escuridão. Se nós nos preparamos para o encontro com a Luz e correspondemos a ela, pelo menos parcialmente, nós sentimos isso como uma bênção.

Não há nada na Luz, seja bom ou ruim, apenas a propriedade que se manifesta em doação, amor, satisfação, avanço e desenvolvimento. E tudo depende do vaso, do ser criado.

Nisso, a preparação do vaso para receber a luz é realizada pela mesma Luz. Na verdade, ela é primordial; ela marcou o início da criação, todo o processo. Ela fez com que toda a matéria se desenvolvesse. Mas a matéria em si é desprovida de qualquer capacidade de realizar qualquer coisa.

Considere de onde as partículas atômicas (prótons, elétrons, nêutrons, etc.) extraem força para se mover sem parar e tão rapidamente? Elas não param, não diminuem a velocidade, há bilhões de anos. Como pode ser isso?

A Luz as supre com energia. Ela é primordial e age. Caso contrário, cada partícula acabaria parando, o que de acordo com os físicos é equivalente ao seu desaparecimento. Toda a matéria existe devido ao poder da Luz, a força de doação. Esta força dá energia à matéria morta através do seu desejo, de modo que ao receber, ela começasse a se mover.

Por que a matéria tem que se desenvolver nos graus da natureza inanimada, vegetal, animal e humana? Para se tornar como a Luz no fim do desenvolvimento. Em direção a esse objetivo, a Luz empurra todas as partículas e seus compostos, sejam eles átomos, moléculas, incluindo os organismos biológicos ou formas espirituais, inerentes à matéria, que já é capaz de realizar a doação, semelhante à Luz, até que finalmente os dois se tornam iguais.

A Luz faz tudo isso. Não existe qualquer outra força agindo no processo. Nós dizemos sobre tudo isso: “Não há outro além Dele”.

No entanto, essa força superior quer dar algo maior ao ser criado, matéria morta originalmente como pó, como é dito: “Pois do pó és, e ao pó retornarás”. A Luz quer dar vitalidade a esse pó, não nos graus em que ele inevitavelmente se desenvolve, transformado na natureza vegetal, animal e humana. Não, o ser criado se destina a se desenvolver numa direção particular acima de sua natureza e adquirir uma natureza superior.

Isto se torna possível devido à quebra dos vasos, pois a Luz “corrompeu” o desejo que ela criou, cortou-o em várias partes, penetrou a matéria à força e deixou nela um desejo egoísta de receber para satisfação própria, a inclinação de desfrutá-la, de desejá-la e fazer só isso.

Como resultado, o desejo se tornou completo oposto ao Criador. Agora, não é apenas o ser criado, um produto, porque tem seu próprio impulso para resistir ao Criador, para estar em antagonismo com Ele. A força dominante, o poder exigente, foi revelado no desejo.

Então, a Luz Superior, o Criador, começa a “brincar” com o desejo que é oposto a ela. Um determinado sistema de relações é formado e se desenvolve entre eles; eles se influenciam mutuamente.

O ser criado começa a entender que está num mundo complexo. Primeira ele se comporta em nosso mundo como o “animal superior”, cria a ciência, a cultura, a educação, e formas de sociedade humana se desenvolvem… até que uma crise ocorra. Então, o desejo percebe que algo está errado aqui.

Hoje, a humanidade entrou exatamente nesta época; ainda não é a verdadeira crise do paradigma básico, mas o seu limite. A partir desta época, a moral deve ser feita: nós estamos no sistema, numa rede de forças.

Todos interagem harmoniosamente, criando uma única rede, focada na matéria, ou seja, na natureza vegetal, animal e humana, a fim de levá-la à autorrealização. Em outras palavras, para que ela comece a perceber o que ela é.

Isso se torna imediatamente claro: é possível compreender apenas se o ser criado aprende quem o controla, quem está do outro lado. De fato, é possível investigar e compreender qualquer coisa apenas a partir do oposto, como o preto sobre um fundo branco.

Portanto, nós percebemos que “não há outro além Dele” a partir do estado oposto, quando temos a certeza de que não há ninguém além de nós mesmos. Aos nossos olhos, nós mesmos somos a força ativa na realidade, e ninguém mais.

Com esta confiança, nós vamos em frente de forma ousada e decidida, até que sob uma chuva de golpes “em nossos próprios corpos”, nós aprendemos que algo está errado. Algo não vai bem na medida em que a crise global vem, e não há nenhum sucesso em nada. Nada ajuda, nem a razão ou os sentidos, nem a ciência ou a cultura.

Acontece que somos estúpidos, ingênuos, e não podemos sequer estabelecer nossa vida ou as relações cotidianas normais. Mesmo os animais de alguma forma se tornam confortáveis. E nós, ao contrário, destruímos as vidas daqueles que estão próximos e distantes, usando toda a nossa força e conhecimento.

Essa é a nossa natureza e não podemos ir contra ela. Nossa natureza má é mais forte do que a nossa mente. Não intelecto não ajuda a lidar com ela. Nós gostaríamos de estabelecer relações saudáveis; nós produzimos tanto que poderíamos criar um paraíso na terra para todos, mas não somos capazes disso. Em vez disso, temos apenas dificuldades e problemas, ameaças e medo do amanhã.

Assim, a minha natureza reina sobre mim e eu não posso fazer nada sobre isso.

Como resultado, as pessoas se tornam conscientes de toda a baixeza de sua própria natureza. E isso, de fato, é o melhor ponto de partida. Baal HaSulam o indica na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“, explicando que perguntas nós fazemos no final do nosso desenvolvimento: “Qual é o sentido da nossa vida, os anos que nos custam tão caro?” “Por que estou aqui?” – e em seus pensamentos apenas esta pergunta persistente permanece.

Em última instância, explica Baal HaSulam, esta pergunta deve nos levar à realização da necessidade da revelação do Criador. Se uma pessoa está pensando para que ela vive, qual o significado da sua vida, ela finalmente chega à conclusão: “Há algo acima de mim. O fato é que não posso organizar a minha vida. Até a minha natureza está além de mim”.

A solução é formulada da seguinte forma: “Venha e veja que o Criador é bom”. Em outras palavras, a partir de uma necessidade real nós realmente podemos chegar à revelação do Criador, e então veremos que Ele age em tudo. Nós veremos que toda a distância percorrida foi necessária apenas para obter golpes e finalmente compreender que a nossa única saída é revelar a força que age no ser criado e o faz se mover.

Da Convenção de Los Angeles “Dia Dois” 31/10/14, Lição 3