Textos na Categoria 'Casamento'

A Família É Um Elevador Para o Próximo Nível

Pergunta: No passado, um homem e uma mulher eram conectados através de uma casa compartilhada e a educação de seus filhos. Hoje, qual é a medida de sua responsabilidade mútua no seio da família?

Resposta: Hoje em dia, homens e mulheres são completamente independentes um do outro. Eles estão preparados para estarem casados apenas com a condição de que alcançarão um propósito maior devido ao que é apropriado para eles mudarem, e, desta forma, através da ajuda mútua e da realização, eles atingem este nível. A família pode existir por causa disso. E por causa de outra coisa mais, ela não pode.

Estamos vendo uma desintegração absoluta da família, seu declínio é enorme. Nós já vemos pessoas que não querem assumir o ônus de uma família sobre si mesmas. As pessoas não querem nada. E, se a necessidade para isto é despertada, então uma pessoa atrai o que ela requer de uma casa, ou ela constrói uma parceria temporária por um certo número de semanas ou meses, e vai embora depois disso. [Leia mais →]

Compreensão Do Problema Universal

Dr. Michael LaitmanPergunta: A causa dos confrontos e conflitos entre os casais é uma colisão entre suas características egoístas. Quão necessário é que eles aprendam o mecanismo destas características, a fim de entender a razão pela qual eles têm conflito e ter a capacidade de superá-los?

Resposta: As pessoas precisam conhecer o mecanismo da interação das características egoístas, estudá-lo e controlá-lo. Como as pessoas não são apenas atores, elas precisam criar o próximo estado dentro de si. Portanto, a aprendizagem integral é um estudo sério que inclui não só educação, mas também treinamento. Nós as informamos sobre a evolução da família: por que existe a necessidade dela, porque ela está se dividindo em duas entidades, em duas forças opostas, por que esses objetos se conectam e como, apesar de seu ego mútuo, e assim por diante.

Aqui nós estamos trabalhando em um problema universal, no caso de dois jovens: um rapaz e uma moça. O que os empurra um para o outro? Os hormônios. Mas se você aborda isso de forma sensata, então, certamente, um grande problema da cosmogonia é resolvido aqui, uma ascensão para o próximo nível de toda a humanidade, por meio de um casal familiar normal. E isso depende apenas da sua consciência do que pode consolidá-los juntos.

Eles podem vir até nós especificamente porque neste momento a natureza prepara todos os tipos de conflitos neles e nós precisamos dar um novo sentido à sua existência, um novo nível de significado. Portanto, leve isto muito a sério, pois no final eles vão se tornar os criadores do próximo nível dentro deles. Como se diz: “Um homem e uma mulher, a Shechina entre eles”, ou seja, o próximo nível da natureza.

Em continuação, eles vão estar subindo o tempo todo. Se estabelecermos um padrão para eles e apoiá-los, então o conceito de família vai adquirir um significado completamente diferente. Quando uma opinião pública é criada na sociedade que irá uni-los de uma forma como essa, que os obrigará e apoiará um pouco, relações completamente diferentes surgirão entre as pessoas.

O que os une? Primeiro são os hormônios e depois de um tempo são as obrigações mútuas, enquanto que na sociedade integral isso lhes permite alcançar uma meta superior, que eles não serão mais capazes de se separar. Eles vão começar a olhar para o outro de forma completamente diferente. Tudo vai ficar em um nível completamente diferente com eles: tanto a casa comum, o sexo e as conversas, tudo, porque eles vão começar a ter uma satisfação completamente diferente.

Eu gostaria de explicar tudo isso a eles não do ponto de vista da psicologia regular, mas do ponto de vista da psicologia egoísta que simplesmente traz e contrai tudo, até uma fonte, o ego, que deve ser superado sem destruí-lo, mas sim, usá-lo para as necessidades de elevação ao nível seguinte. A psicologia normal dá à pessoa dá um “tranquilizante”, enquanto que a educação integral e a informação dão a possibilidade de usar esse ego, a fim de superá-lo sem aniquilá-lo. Desta maneira, a pessoa pode crescer espiritualmente. E quando ela se eleva espiritualmente, ela cria uma nova sociedade, uma nova comunidade, e uma nova terra.

De KabTV “Através do Tempo” 21/09/13

O Texto Que Irradia A Luz Da Correção

Pergunta: Qual é a diferença no trabalho entre os casais que estão envolvidos com o trabalho espiritual interior e aqueles que vêm para resolver os seus problemas materiais?

Resposta: Ao trabalhar com vários casais, não há diferença, exceto por uma distinção de vocabulário. Para estes e aqueles são dadas as mesmas condições e perguntas, mas elas são redigidas de forma diferente, nada mais do que isto.

Por exemplo, pegue um dicionário cabalístico, traduza-o em linguagem bíblica, e, de uma vez, ele torna-se mais compreensível. Afinal, nós estamos falando sobre a semelhança da natureza, a fusão de todas as suas partes em conjunto. E a família é a unidade mínima de adesão.

Pergunta: Ao trabalhar com as pessoas de fora, estamos planejando usar artigos que você já produziu. Temos notado que, quando este material é utilizado um ambiente completamente diferente é criado. Por que isto funciona, por que é tão importante?

Resposta: Eu peço aos meus alunos que leiam as fontes o tempo todo, porque a partir delas a Luz da correção é obtida. A mesma coisa vale para estes artigos também. Há alguma Luz neles, algum tipo de iluminação. Saindo com eles em você, você sempre sentirá que funciona melhor.

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Da Kab TV, “Através do Tempo” de 21/9/13

Fortalecimento Da Família Nuclear

Pergunta: Muitas vezes, um estado é criado em uma família em que um dos cônjuges, por exemplo, a esposa, diz: “Eu não agüento mais meu marido, eu estou literalmente enjoada dele”. Em um caso como este, precisamos recomendar ao casal entrar na educação integral, pois isso seria melhor do que se eles se divorciassem?

Resposta: A fase de decepção é um estágio natural pelo qual toda a humanidade passa. Portanto, não é necessário prestar atenção a isto. Se agora, dirigirmos o casal desapontado para uma nova meta, então eles continuarão tranquilamente sua existência com uma cooperação mais correta e próxima.

Eles não precisam se separar, absolutamente. No momento em que um dos cônjuges vê no outro o que ele via antes, é benéfico, mas, espiritualmente benéfico, então, certamente, essa união vai ser renovada com nova intensidade.

Pergunta: Como podemos explicar às pessoas que elas não devem separar-se?

Resposta: Em geral, eu não iria dizer-lhes que nós insistimos na continuação da existência de sua união, absolutamente, mas, sim, eu gostaria de sugerir que elas esclarecessem, de uma vez por todas, se são compatíveis um com o outro, se vale a pena divorciarem-se, ou faça alguma outra coisa de tal modo que ambos percebam o que está acontecendo, e parem de atormentar uma à outra, e percebam que a decisão está sempre nas mãos delas. Nós só realizamos um workshop onde tudo isso torna-se claro.

Ou seja, em vez delas lutarem por muitos meses, dentro de uma hora tudo vai ficar claro para elas, e após o workshop, elas sairão juntas em paz, já com pensamentos completamente diferentes, com outra intenção; elas não terão mais a intenção de divorciar-se.

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Da Kab TV, “Através do Tempo” 21/9/13

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A Dança Harmônica

Perguntas Após A Convenção, Parte 5

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando nós “batemos a cabeça” e desligamos todos os nossos sentimentos, emoções e pensamentos, onde podemos encontrar um ponto de apoio? Onde vamos começar a nossa subida?

Resposta: Ao realizar ações mecânicas.

Pergunta: Digamos que a pessoa tenha medo de que o seu desejo atinja o Machsom e se “torne realidade”; então, não haverá nada a aspirar. Você pode, por favor, explicar esta situação e nos dizer o que fazer com isso?

Resposta: Isso significa que a pessoa não tinha nenhum desejo de doar.

Pergunta: Isso pode desacelerar a nossa entrada na espiritualidade?

Resposta: Sim.

Pergunta: Você poderia, por favor, explicar por que precisamos de família a fim de avançar espiritualmente? Qual é a diferença entre homens e mulheres casados ​​e solteiros? Se todas as minhas verdadeiras ações estão se esforçando para se unir com o grupo e se preocupam com ele (e eu realmente acredito nisso), por que eu preciso encontrar a minha segunda “metade” na espiritualidade e formar uma família?

Resposta: Neste mundo, nós devemos corresponder ao mundo superior. É por isso que a pessoa deve ter uma família, se for possível. Com isso, nós aceleramos o nosso caminho espiritual, sem desacelerá-lo.

Uma Cobertura Atraente Ou Uma História Sem Fim?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ao tentar compreender um pouco mais profundamente a relação com o sexo oposto, a pessoa descobre que não está familiarizada consigo mesma, com camadas inteiras de si mesma. Ela precisa de orientação, treinamento…

Resposta: O desenvolvimento humano chegou ao ponto do “reconhecimento do mal” na situação atual. Sem o “reconhecimento do mal” é impossível se transformar em Adão (nível humano). Por outro lado, a crise no reino do amor ainda não fez as pessoas abandonarem a busca de sua “outra metade” e elas se movem em massa para substitutos artificiais para o sexo, drogas e outras fontes que distorcem o assunto original.

Se olharmos para o problema de um ponto de vista histórico e sistêmico, nós agora temos a oportunidade de participar no processo de correção da espécie humana, incluindo e através das relações entre os dois sexos.

Pergunta: Mas hoje é muito difícil para as pessoas encontrar um parceiro compatível para si…

Resposta: Basicamente, não há mais parceiros compatíveis. Hoje ninguém declara seu amor antes de saber o nome do seu parceiro. Mas isso é exatamente do jeito que era no passado, quando as pessoas sentiam que foram feitas uma para outra à primeira vista.

Hoje nós aprendemos que precisamos nos ajustar um ao outro através de um trabalho de aproximação mútua. A fim de nos conectar verdadeiramente, nós devemos trabalhar juntos, pelo menos durante alguns meses e, às vezes, por um ou dois anos. Só então nós começamos a nos ajustar um ao outro e há uma conexão interna entre nós, que torna possível “difundir-se”, penetrar um no outro, como café e água que se misturam e não permanecem mais como eram, mas juntos criam algo novo. Só depois de penetrarmos pelo menos um pouco um no outro mentalmente é que podemos entender como continuar este processo de integração mútua. Esta penetração recíproca é o verdadeiro acasalamento, o acasalamento entre almas. Então nós estamos prontos para casar, estar ligados por muitos anos. Pois nós já adquirimos um programa de mútua interpenetração mental, entendemos como podemos fazer isso e estamos dispostos a sustentar isso mutuamente.

É por isso que o meu professor, o Rabash, dizia que no início não deve haver rejeição externa entre as pessoas, e todo o resto depende dos esforços coletivos, por meio dos quais a família vai florescer, e não descansar sobre os louros, mas desenvolver o relacionamento cada vez mais.

Pergunta: Mas como pode uma pessoa decidir começar este trabalho, mesmo antes de começar a “disseminação”? Afinal, ela é impulsionada pelo amor, ou seja, os sentimentos, e não pela razão.

Resposta: É necessário se livrar de todas as “vestimentas” sujas da alma em que está vestida: as preferências egoístas, os padrões de “Hollywood”, e os vários estereótipos que a maioria estabelece.

Nós julgamos o sexo oposto de acordo com os sinais externos artificiais. Portanto, se nós falamos sobre uma verdadeira mudança, antes de tudo, nós devemos trabalhar com uma multidão de solteiros para que eles entendam a sua natureza e por que não conseguem construir relacionamentos estáveis. A pessoa necessita de uma abordagem saudável para si mesma e para com os outros: um pouco menos dos padrões de Hollywood e da Internet, menos chats polvilhados de emoticons.

Nós falamos através de emoticons, olhamos para a vida através do prisma de modelos. Mas, na verdade, eu preciso ser como uma criança que pode se apaixonar sem reservas, como nos dias em que adereços externos não me interessam. Eu realmente não vejo meu amante, porque ele se dissolve numa névoa de desabafos emocionais, como se alguém pressionasse um botão invisível e eu estivesse “pegando fogo” por ele. Eu devo retornar a um estado como esse.

Para isso, nós precisamos nos livrar de toda a “vestimenta” sob as quais nós prendemos através da pressão da sociedade, seja a influência da Internet, livros, filmes, contratos sociais, ou apenas as avaliações de outra pessoa do que é bom e o que é ruim. Eu tenho que me tornar mais natural, mais perto da natureza, mesmo que seja mais simples e egoísta, não importa. Eu não quero mais depender de todo mundo.

Só é possível chegar a isso numa grande sociedade de pessoas como eu, de solteiros, onde todos nós juntos estamos aprendendo a reconhecer a nós mesmos: quem e o que somos, qual é a nossa natureza, como nos relacionamos com nós mesmos, com um parceiro, com o mundo e assim por diante. Pois, gradualmente, nós deixamos de ser dependentes de todas as normas externas que nos chegam do outro lado do oceano.

Tudo depende do contrato social. Se ele muda, então nós olhamos para essas coisas de forma totalmente diferente. As fotos modernas são infundadas, imaginárias. Primeiro de tudo, nós precisamos tirá-las do “pedestal” e, ao mesmo tempo, não depois, mas especificamente em paralelo, criar valores completamente diferentes, de modo que não sejamos atraídos para conexão externa, mas para uma conexão interna. Afinal, a conexão externa é frágil e fugaz. Muitas vezes ela já terminou na manhã seguinte, enquanto nós podemos desenvolver a conexão interna infinitamente.

De qualquer forma, nós precisamos aprender juntos, com a cooperação mútua dentro do grupo. Fazer workshops compartilhados e outros meios que tornam possível a construção de uma relação diferente entre nós. Só então eu sentirei que mulher está  realmente mais perto de mim, no sentido mais profundo e verdadeiro. É possível contar com este sentimento, pois eu vou parar de ver as externalidades, mas vou me concentrar apenas na sua essência, na interioridade. A mulher não será mais apenas uma “cobertura” para mim, mas será como um valioso “livro”, no qual uma nova profundidade de emoção e intimidade mental é descoberta. E a expectativa dessa conexão vai chegar imediatamente à corda oculta dentro de mim. Depois disso, eu adiciono o componente externo a essa centelha.

Desta forma, nós construímos a ordem correta de prioridades e abordagem mútua, uma abordagem completamente oposta em relação a que está acontecendo hoje. Isso é porque eu não estou à procura de uma esposa para mim, mas sim uma conexão interna na mente e nos sentimentos. Eu quero preencher o espaço que ficou vazio desde o meu primeiro amor.

Cabe a eu alcançar o fundamento de todas as correções. Se o vazio não fosse deixado em mim após a primeira sensação, eu não teria nada pelo qual viver. Todo o resto dos sentimentos é transitório e superficial em comparação com este sentimento. O desejo básico para conexão interna obriga-me a procurar satisfação, apesar de eu mesmo não saber o que realmente quero satisfazer.

Somente este vazio me acompanhou ao longo da minha vida, me empurrou para encontrar e atingir. É só a minha alma que eu posso satisfazer através da conexão com o outro. E sua parte essencial é a conexão chamada de “família”, “marido” ou “mulher”. Aos poucos, isso é adicionado à base do meu desenvolvimento, cobrindo o meu amor, cobrindo gradualmente o mundo inteiro. Este é o começo da alma humana, suas duas fundações, o macho e a fêmea, que estão conectados entre si e no seu desenvolvimento incluem tudo.

Da Discussão sobre Formação Integral 6/20/13

“A Diminuição Da Procura Por Maridos”

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (do The New York Times): “Antigamente, as mulheres pareciam mais ansiosas do que os homens em se casar. Hoje tais generalizações não se aplicam mais”.

“É a preferência das mulheres (a procura por maridos) ou a preferência dos homens (a oferta de maridos) que está impulsionando a tendência de menos casamento? É difícil dizer, mas algumas assimetrias de gênero são aparentes. Por exemplo, uma pesquisa recente de negros solteiros em idade de se casar pela primeira vez constatou que apenas 25 por cento das mulheres estavam buscando um relacionamento de longo prazo, em comparação com 43 por cento dos homens”…

“Como um compromisso contratual, o casamento tem um preço. Ele oferece custos e benefícios para os potenciais parceiros. O contrato envolve compromissos de apoio financeiro e assistência à família em termos que podem ser completamente igualitários”…

“As mulheres estão dispostas a pagar um preço mais alto pelo casamento do que os homens se elas tiverem poucas alternativas, como quando suas oportunidades de independência econômica são restritas. Um aumento na oferta de mulheres que queiram se casar impulsiona o preço do casamento para baixo para os homens”.

“Se a oferta de mulheres que querem se casar diminui, os termos do casamento se movem em favor das mulheres. Elas são propensas a receber uma parcela maior da renda conjunta e tempo de lazer. Maridos se tornam mais propensos a abandonar algum poder de decisão e fazem mais tarefas domésticas e cuidados infantis”.

“A dinâmica do mercado de casamento significa que o poder de barganha de uma noiva é parcialmente determinado pelo número de outras opções que seu noivo tem (e vice versa). As condições do casamento complicam os efeitos da melhoria da situação econômica das mulheres. Por um lado, os homens devem gostar da perspectiva de partilha das receitas com uma mulher com renda elevada. Por outro lado, eles podem acham que é difícil se adaptar a um novo papel social”…

“Esses economistas também argumentam que os casais em que a mulher ganha mais do que o marido estão menos satisfeitos com seu casamento e são mais propensos ao divórcio”…

“A demanda por compromissos de longo prazo parece ser cada vez menor entre mulheres e homens. Philip Cohen persuasivamente afirma que devemos parar de lamentar esta mudança e nos adaptar a um mundo em que menos adultos se casam”.

Meu Comentário: A família é a base da civilização e vai existir enquanto a civilização existir. No passado, os bolcheviques sonharam com sexo livre e educação dos filhos em colégios internos, mas a natureza sempre coloca tudo de volta em seu lugar. A principal coisa é constantemente tentar se esforçar para a harmonia com a natureza, estudando-a.

Resgatando Do Esquecimento O Amor

Dr. Michael LaitmanTodo mundo sabe que a vida familiar não é fácil, e ela não deveria ir à deriva. Se nós, como um casal, avançamos no caminho do desenvolvimento mútuo, então podemos definir três “territórios” na nossa relação:

• O território indivisível onde o amor reina entre nós.

• O território comum onde estamos de acordo e realizamos análises. Este é um local de livre escolha que também podemos preencher com amor.

• O território individual de cada um, onde o outro parceiro nunca entra. Aqui, a pessoa olha para as coisas do seu próprio ponto de vista, prefere alguma coisa, não aceita algo, mesmo em contraste com o outro, e pensa em algo privado. Afinal, todos nós somos pessoas, sistemas complexos.

Estes territórios, por sua vez, subdividem-se em partes menores, mas nós estamos limitados à divisão geral.

A questão é que não conseguimos sem o amor primário, básico. É como em casamentos reais onde os cônjuges sequer se conhecem antes e não têm um ponto de contato comum, um ponto de amor. No entanto, os jovens de hoje, como regra, casam-se com base em alguma atração pelo outro, são impulsionados por pelo menos uma centelha que acontece entre eles.

Pergunta: Como parceiros podem construir seu relacionamento corretamente, a fim de atiçar essa centelha, estender o território comum?

Resposta: Em primeiro lugar, nós nos voltamos para a mente, não para os sentimentos. Um sentimento caloroso que ocorreu uma vez já desapareceu, e a memória dele é deformada por diversas camadas de fases posteriores. As pessoas sequer percebem que isso é uma coisa natural, hormonal, material, e, além disso, está sujeita a vários hábitos e padrões, tão artificiais quanto mutáveis. Por exemplo, se eu cresci acostumado à proximidade da família, então o meu sentimento é mais estável, e se o meu parceiro corresponde a minha natureza física, ele tem um impacto maior no nível subconsciente.

Em suma, um flash do sentimento familiar foi espontâneo, sem pensar, e agora queremos envolver a mente para analisar essa explosão. Só a mente vai nos ajudar a recuperá-lo do passado, esse belo passado quando estávamos habituados a andar de mãos dadas e a viver em harmonia, incapazes de partir, e éramos tão apaixonados que parecíamos um par de idiotas com sorrisos perpétuos em nossos lábios. Nós queremos recriar esse sentimento para que ele adoce a nossa vida e lhe dê um gosto, um significado, e desta forma, também sejamos capazes de irradiar calor e envolvimento pelos nossos filhos e entes queridos. Eu sequer menciono que, de acordo com inúmeros estudos, a harmonia na família fortalece a saúde e promove a longevidade.

É por isso que precisamos nos voltar para a mente.

Primeiro de tudo, nós concordamos a respeito de quanto o meu parceiro pode exigir de mim e eu dele. Todo mundo rejeita alguma parte do seu conforto, em outras palavras, o seu egoísmo, e apóia e incentiva o parceiro no dia a dia, nos negócios e discussões. Nós demonstramos essa abordagem em relação ao outro como um bom exemplo.

Em segundo lugar, cada um de nós se transforma e se relaciona com o outro como com a melhor, mais importante, mais inteligente e única pessoa no mundo. Nós não nos afastamos do exagero, não evitamos palavras elevadas e elogios. Pelo contrário, nós as buscamos. Por exemplo, eu faço uma lista de vinte linhas, embora não seja tão fácil, e a utilizo o máximo possível. O hábito torna-se uma segunda natureza. Eu realmente começarei a ver na minha “metade” o que eu atribuo a ela.

Inicialmente, ninguém exige sentimentos sinceros de mim. Eu imagino uma bela rainha no meu estilo: Uma bela, altamente sensível e maravilhosa anfitriã, uma mãe perfeita, atraente, sexy, e assim por diante. Eu me identifico com a minha mulher como se ela atendesse a todos esses parâmetros, até que realmente reconheço todas essas qualidades nela.

Em essência, nós usamos o mesmo princípio no grupo de trabalho com os amigos, elevando-os aos nossos olhos.

Portanto, eu descrevo mentalmente uma imagem da melhor esposa do mundo, a imagem que engloba todos os aspectos da vida, todas as situações. No entanto, ela não se limita a fantasias. Eu trabalho em mim mesmo para realmente tratar minha esposa como se ela fosse essa imagem. Eu literalmente “programo” a mim mesmo e a nossa relação.

Pergunta: Então, eu tenho que ignorar a realidade?

Resposta: Não há nenhuma realidade objetiva. Eu sempre vejo as coisas que descrevo na “tela” da minha consciência. Na verdade, eu não noto minha parceira, apesar de vivermos juntos. Eu estou tão acostumado com ela que, apenas ocasionalmente, não vou me concentrar nas fronteiras mais importantes por trás da aparência externa. Além disso, por natureza, os homens são mais superficiais, enquanto a mulher parece mais profunda, e, nesse sentido, é mais fácil para ela superar obstáculos externos.

De qualquer forma, depois de ter descrito um ideal para mim, eu o “visto” na minha parceira. De agora em diante, ela é exatamente assim para mim e a questão não está na aparência. Eu infundirei internamente todas as suas qualidades com perfeição. Deixe que seja egoísta. “Esta é minha esposa, e, assim, é o melhor que pode existir”.

Claro, isso exige esforço. Eu gero esta atitude como se visse um ideal descrito diante de mim. Todas as virtudes do mundo se concentram nele. Eu a coloco mentalmente num pedestal, sobre o trono da rainha, e não a desço desta altura, não importa o quê. Tudo nela é perfeição, e se eu não gosto de algo, é porque o egoísmo cobre meus olhos.

Eu repito: a principal coisa nessa imagem não são os detalhes externos, mas o respeito, a reverência, com os quais estou imbuído, o valor dos ganhos ideais aos meus olhos. Precisamente este valor, esta atitude, eu transfiro para minha parceira. Nada impede que a minha imaginação seja transformada na direção certa e torne-se programada com certa visão.

Nós estamos mutuamente envolvidos com um parceiro neste trabalho interior, de forma deliberada e consciente. Nós discutimos isso. Nós mostramos uns aos outros exemplos em todas as situações, aceitamos o outro como perfeito. Na verdade, os nossos olhos vêem uma imagem diferente, embora mais tarde isso mude. No entanto, nós mudamos para um novo relacionamento, por enquanto planejado, mas sério.

Por exemplo, a casa está uma bagunça e eu não suporto. Ao mesmo tempo, eu me comporto com minha esposa como se ela tivesse colocado tudo em seu lugar. Eu aceito a ordem do jeito que ela vê. Eu não estou procurando por desculpas. Inicialmente, eu quero e me obrigo a ver tudo nela, e tudo o que depende dela, como perfeito.

Estas são as nossas concessões conscientes, mútuas, a rejeição da atitude egoísta. Trabalhando desta forma, em uma semana eu de repente descubro que tudo mudou. Acontece que eu realmente a vejo como perfeita em tudo, como ela me vê. O amor floresce em nosso território comum.

Em uma palavra, “sem dor, sem ganho”. O amor vem quando eu mostro ao meu parceiro um exemplo que eu o aceito, que ele é muito bem-vindo, apesar de todo o negativo que vejo nele. Eu demonstro amor, o mesmo amor em relação ao meu próprio bebê, que é sempre irresistível aos meus olhos, seja do jeito que for.

No final, um conto de fadas vai se tornar realidade, e o amor que cresceu e ficou mais forte entre nós não exigirá nenhum truque. Qualquer problema nos proporcionará novas oportunidades para concessões, comprometimentos, e ainda mais amor.

É por isso que se diz que o amor cobre todas as transgressões. Ele só pode crescer com a sua ajuda. Se não fosse por ele, eu sequer teria olhado para a minha esposa. Desta forma, qualquer olhar revela algo ruim para mim. Esta é a natureza humana.

Este é o lugar onde o trabalho começa, onde devemos aprender a olhar a vida objetivamente, sem a dependência de nossos próprios desejos, fantasias e paixões. Nós estamos construindo o mundo por nós mesmos, sem ansiedade. Com nossa atitude conjunta nós recuperamos o desejo esquecido até que ele substitua a realidade anterior.

De “Conversas sobre uma Nova Vida”, 30/07/13

A Sociedade Como A Casa Dos Pais Para Toda A Família

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em minha opinião, é muito importante que esclareçamos que o verdadeiro “eu” está especificamente dentro do grupo, pois muitas vezes nós podemos tentar esclarecer os nossos verdadeiros desejos só por nós mesmos, e nós nos enganamos. Nós descobrimos amanhã que já queremos algo diferente do que queríamos ontem.

Resposta: É impossível esclarecer isso sozinho. Só uma discussão compartilhada pode nos fornecer os valores avançados, corretos.

Pergunta: E aí? Será que vai haver um padrão único para todos?

Resposta: Cada um vai encontrar o seu próprio padrão, pois não há duas pessoas que sintam o mesmo mundo. É como se nós víssemos um mundo, mas cada um o compreende de forma diferente.

Pergunta: Como eu posso preservar minha individualidade se eu trabalho dentro do grupo e ouço os desejos de todo o resto?

Resposta: As outras pessoas me mostram as fases pelas quais devo avançar para descobrir a minha natureza, descobrir meu verdadeiro espaço. Especificamente, graças a tudo isso, eu ouço dos outros. Eu finalmente esclareço qual é o meu espaço.

Agora, nós queremos construir um relacionamento com um parceiro, mas depois, nosso casal terá que trabalhar em relações mais amplas com casais, com toda a humanidade. O grupo é o modelo de toda a humanidade e me ajuda a descobrir o meu espaço interior. Este espaço exige não só a conexão com um parceiro, mas, em última análise, o desenvolvimento e a conexão com toda a humanidade como uma família, transformando-nos numa única pessoa.

Sem o grupo, é impossível se dar bem, já que o Kli externo, o vaso, a força externa, deve me ajudar a abrir o Kli interno, meu sistema interno de conexão com alguém. Deve haver um nível superior adicional, com a ajuda do qual eu posso esclarecer o meu nível, como um pai e uma mãe fazem por um filho.

Todo o grupo fala e esclarece a necessidade interior da pessoa de estar em contato com os outros. O contato com os outros começa com aquelas pessoas que estão naturalmente mais próximas de nós, como um parceiro, mas nós não podemos construir uma verdadeira conexão entre os cônjuges, se não nos encontrarmos dentro de uma sociedade. A sociedade nos ajuda a descobrir essa deficiência da forma correta: se eu quiser olhar para a minha parceira corretamente, para vê-la por dentro, e ela quiser me ver para que nós dois realmente nos conectemos.

Se nós quisermos descascar todas as Klipot de nós mesmos e verdadeiramente estar conectados desta maneira, onde eu a satisfaço e ela me satisfaz, nós precisamos de um ambiente que nos sustente e nos ajude a encontrar todos os espaços e esclarecer a forma de preenchê-los. Tudo isto só é possível com a ajuda do ambiente.

Os amigos num grupo me ajudam a ver o que eu quero. Eles revelam isso em mim para que eu comece a ver isso, mas eles não veem isso. Eu sinto a mim mesmo; ninguém pode sentir outra pessoa.

Da Palestra sobre Educação Integral 20/06/13

Fazendo Test-Drive No Carro Da Família

Dr. Michael LaitmanJuízo e misericórdia estão presentes nas relações familiares e sempre precisam estar em equilíbrio. Por um lado, como um egoísta, eu quero usar a minha parceira, assumindo totalmente que minha esposa precisa fazer o que eu exijo dela e isso é chamado por mim de “juízo”. E “misericórdia” significa que eu me desprendo totalmente, levando em conta o que minha esposa quer de mim, e tento construir o modelo ideal. Como eu poderia me relacionar com ela se não tivesse o meu interesse egoísta e estivesse pretendendo apenas servi-la totalmente?

Agora eu preciso encontrar o equilíbrio entre estes dois extremos: juízo e misericórdia, que é chamado de “linha média”. Isto requer experiência, trabalho mútuo, um processo em que cada um ensina o outro. Mas nós já começamos a trabalhar com a nova criatura: com a pessoa em nós que está pronta para considerar o parceiro, para compreendê-lo, ser sensível a ele, e amá-lo como a si mesma.

Numa forma como esta você pode abordar não só a sua esposa, mas também começa a ser sensível a outras pessoas. Depois de um exercício como este com o seu parceiro, você sente que está preparado para se conectar com as pessoas e abordá-las: na rua, no trabalho, em todo lugar onde se encontram. Elas vão começar a se submeter a sua influência, porque você está se relacionando a elas com a “linha média”, com a proporção certa, na medida em que a pessoa se aproxima de você, assim como você também.

De forma automática você chega a um equilíbrio com o mundo e começa a sentir que pode controlá-lo. Você vê que a “linha média” é a lei fundamental da natureza, segundo a qual todo o universo funciona, com exceção da sociedade humana, pois o ser humano foi criado como um egoísta. E agora você corrige isso e equilibra o seu ego. Ao aprender a considerar sua esposa desta maneira, você começa a considerar todos os outros da mesma forma quando você constrói a “linha média” compartilhada nas relações com eles.

A primeira linha é chamada de “juízo”; é o que eu exijo para mim do outro. A segunda linha é chamada de “misericórdia”, o que significa que dou à minha esposa tudo o que ela quer de mim, quando eu me separo totalmente dos meus desejos. É como se eu a trouxesse comigo mesmo.

Nós somos dois egoístas que estão de frente um para o outro. Se eu satisfaço o meu ego, isso é chamado de juízo em relação a minha esposa, e se eu satisfaço o seu ego, isso é chamado de misericórdia. Eu preciso colocar essas duas linhas numa forma como esta para que uma terceira linha seja formada: a “linha média”. Isso significa alcançar a adesão, um pacto. Nosso objetivo é aproximar estes dois egoístas e levá-los à conexão. A primeira condição obrigatória, sem a qual é impossível começar a trabalhar, é a disponibilidade de cada um para sentir o desejo do outro.

O equilíbrio é baseado na medida em que cada um deles está preparado para se anular. Nós não podemos satisfazer esses dois desejos egoístas que estão de frente um ao outro até o fim. Apenas com a condição de que um lado reduza um pouco suas pretensões, nós poderemos satisfazer um pouco o outro lado.

Pergunta: Mas como você sabe o limite em que precisa ceder? Você vê, você disse que isso não tem que ser o amor absoluto, sem quaisquer limites. Eu devo mostrar que reajo à relação do parceiro e levar isso em conta?

Resposta: É necessário encontrar o ponto de equilíbrio, como se você estivesse dirigindo um carro com foco no objetivo que quer alcançar. É assim que nós precisamos verificar se estamos nos aproximando da meta: Nós estamos nos aproximando uns dos outros? Nós vemos que o parceiro reage aos nossos esforços para se aproximar da maneira certa?

Eu viro o volante da nossa família para a direita e tento inserir tanta compaixão quanto possível na minha relação, e vejo até que ponto isso funciona bem, e quando o desvio se torna grande demais, eu preciso ajustar o volante. E a minha esposa também vira o volante, ou seja, nós começamos a gerir, a nos “dirigir”. Nós já estamos trabalhando acima da nossa natureza! Nós nos tornamos seres humanos que se elevam acima de seus instintos naturais.

De KabTV “A Nova Vida # 46” 01/08/12