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Sem Externalidade Não Há Internalidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se nós estamos lidando com o desenvolvimento interior, espiritual, por que as atividades externas, como a participação em aulas e Convenções, são tão importantes?

Resposta: Tudo começa com o nível inanimado. Até eu atravessar os três primeiros níveis da natureza inanimada, vegetal e animal, eu não vou chegar ao nível falante e ao nível do Criador.

Nesse sentido, é impossível parar no meio do caminho ou cancelar algo se for “desnecessário”. Assim, eu me levanto da cama pela manhã, escovo os dentes, lavo o rosto, e venho para a aula… Em tudo isso eu devo ser rigoroso e pontualmente correto, sem vacilar.

Mas não, “hoje eu estou num estado de espírito filosófico. Eu estou sentado em casa sozinho e penso na vida. Eu não quero estar sob a influência do grupo. Eu não quero estar junto com os amigos. Pelo contrário, eu preciso de um tempo, ficar longe deles. Afinal, uma pessoa é uma criatura independente e não depende de ninguém. Então, eu não vou ser dependente do grupo e não vou fazer o que os outros fazem. Eu preciso ser maior do que eles”.

As conclusões são aparentemente corretas e lógicas, mas estão erradas na raiz. Não está apenas escrito: “Eu habito no meio do meu povo”. O crescimento só é possível dentro do grupo, dentro de muitos, estando mutuamente integrados uns com os outros, sem quaisquer condições. O Criador me traz para o grupo e diz: “Tome”. E depois é a minha escolha se eu tomo o presente Dele. Ou eu o recuso com orgulho? Todos os níveis são construídos um sobre o outro, sem anular o anterior, mas acrescentando-lhe um novo atributo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 21/01/14, Escritos do Baal HaSulam

É Proibido Andar No Mesmo Lugar

Dr. Michael LaitmanA pessoa não deve insistir na etapa anterior, mas deve entrar imediatamente no próximo nível e habituar-se a essa mudança de estados. Se nós paramos num determinado estado, isso não é bom. Todas as mudanças são para o bem; o principal é que deve haver mudanças.

Está escrito: (Isaías 02:03) “Pois de Sião sairá a lei”, ou seja, sair do estado anterior, mesmo o melhor. Isto é, mesmo que seja uma queda de um estado mais elevado, da alegria à tristeza. Isso não importa; só que deve haver tantas mudanças quanto possível, porque elas determinam a taxa de avanço.

Nós sempre avançamos pisando com o pé esquerdo ou com o pé direito, que é a forma como o movimento é feito. Portanto, a principal coisa é não ficar numa perna só no mesmo local, mas sim se mover o tempo todo: da linha esquerda para a direita, ou da linha direita para a esquerda. A principal coisa é sair do estado anterior e entrar num novo nível de conexão.

As subidas e descidas acontecem o tempo todo. Dizem que o Vidente de Lublin disse ao seu aluno que estava reclamando sobre as constantes subidas e descidas que ele passara por 400 subidas e descidas na parte da manhã. Não é necessário pensar que ele as contou. Ele simplesmente sabia o número de níveis que havia subido; isto é, o nível em que ele tinha estado antes e o nível que ele havia subido. E é assim que ele sabia que eram 400. Além disso, 400 é um número que simboliza conclusão.

Quanto mais mudanças internas acontecem numa pessoa, melhor. E não é necessário analisá-las para saber se são boas ou ruins. Não há mudanças ruins! Baal HaSulam escreve: “Eu estou feliz com a maldade que se revela”; você vê, se elas são reveladas isso significa que é possível corrigi-las. Mesmo que seja ruim para mim, eu estou feliz que posso corrigir este mal. Por isso, é bom que você esteja passando por muitas subidas e descidas.

Além disso, isto ajuda os amigos. Todo mundo passa por muitas mudanças internas, e através da integração nós transmitimos essas subidas e descidas ao outro. Então, segue-se que todo mundo ganha e avança rapidamente.

Da Lição Preparatória para a Convenção de Arava 30/01/14

Mediadores Integrais

Dr. Michael LaitmanConvenção de Educação Integral, Workshop 2:  O grupo nos fornece os meios que nos permitem constantemente ansiar pelo direito de sentir que toda a minha vida, meus pensamentos e sentimentos, tudo deriva do Criador e é organizado dessa maneira, para que através da conexão, nos voltemos a Ele.

Em geral, o mundo está dividido em duas partes:

  • Pessoas que receberam um despertar do Alto, do Criador, a fim de avançar até Ele. O Criador leva essas pessoas a um grupo, “coloca a mão da pessoa sobre a boa sorte e lhe diz: ‘Tome-a'”. Então, cabe à pessoa a possibilidade de escolher ou não, ou seja, ser incorporada no grupo, tornar-se parte da corrente geral contra o seu ego ou não. Esta é a nossa escolha.
  • O resto da humanidade vive individualmente, por enquanto cada um na sua, num movimento Browniano aleatório. O ego se desenvolve na humanidade, é claro, mas de forma gradual, e não num fluxo grupal.

As pessoas que fluem junto com o grupo precisam fortalecer e construí-lo de forma consciente. A principal coisa é entender que no momento em que elas se tornam parte de um dos nossos grupos ou do grupo geral, elas não têm mais nada privado ou individual. Tudo o que acontece com elas é apenas resultado de estar num movimento comum com a gente. Agora tudo o que elas recebem é através do centro do grupo e não importa se isso é consciente ou não. Depois, ele se espalha para todos e cada um recebe de acordo com os esforços que tem que fazer no fluxo comum em direção à conexão, em direção ao centro.

É a mesma coisa quando se trata do nosso movimento em direção ao Criador. Tudo o que nós queremos focar Nele, dizer a Ele, pedir a Ele, de modo a atrair Sua doação sobre nós, a influência da Luz Circundante, etc., que tudo isso também possa vir somente através do centro do grupo. Isto significa que o centro do grupo é muito importante para nós, como um ponto a partir do qual nós podemos subir em nosso apelo ao Criador e, através dele, como através de um cordão umbilical, nós recebemos tudo e damos tudo.

Vamos imaginar que por meio do nosso cordão umbilical espiritual nós recebemos e damos tudo. Só através deste cordão nós estamos conectados à fonte da vida. Imagine que você é um embrião num útero, e que através deste cordão, através do centro do grupo, nós recebemos a nossa vida, toda a força espiritual, tudo o que existe.

Quando nós encontramos a conexão com o cordão umbilical, começamos a perceber a forma como tudo é construído, e como tudo realmente desce até nós a partir da Providência superior. O nosso mundo é apenas o mundo dos resultados e, portanto, nada nasce nele. Nós começamos a perceber como podemos afetar a Providência superior e evocar a melhor subida.

Assim, nós chegamos a um desenvolvimento consciente porque encontramos a conexão com a nossa fonte, e começamos a fazer a conexão entre nós, a extrair tudo Dele e a responder a isso corretamente. Apesar de “não há outro além Dele”, no final o Criador é uma fonte passiva simples. Tudo o que acontece é somente através da nossa doação, de acordo com nosso pedido.

Portanto, como podemos doar à fonte através deste cordão umbilical? Através do centro do grupo, é claro, de outro modo não haveria qualquer contato com ela. Nós descobrimos isso a fim de transcendermos todas as nossas deficiências, e nos conectar a fim de receber a resposta do Alto, sentindo a cooperação entre nós e o Criador através do tubo, através da linha. Nós estudamos sobre a linha na Cabalá e ela vai como um tubo do mundo de Ein Sof (Infinito) até o nosso mundo.

Nós servimos como um nível superior para o público e temos que usar esse tubo de modo que as pessoas sejam alimentadas por nós e sejam gradualmente atraídas para cima. Parece que nós sentimos o ponto de contato com a Luz, com o Criador, com o nível superior, mas por alguma razão nós realmente não corremos para encontrá-lo e usá-lo, a fim de começar a passar a energia positiva de cima para baixo em direção a nós e a energia negativa de baixo para cima.

A crise que se desenvolve em torno de nós é para nos ajudar com isso. No final, se não despertarmos a tempo, ela também vai chegar até nós, não só espiritualmente, mas também no sentido corpóreo normal. Afinal, a crise é destinada somente a nos despertar para uma conexão rápida com a imensa força, com a abundância, com a Luz superior, que inclui tudo, a fim de transmiti-la através de nós para o mundo externo.

Se não fizermos isso a tempo, o mundo não nos tratará muito bem. Ela se refere especificamente a nós e à sabedoria da Cabalá, uma vez que somos os únicos que têm que realizar a correção. Se fizéssemos tudo em tempo, não veríamos uma crise e não sentiríamos nada negativo. Nós estaríamos tomando medidas preventivas constantes.

Mas nós estamos ficando para trás. No momento nós ficamos um pouco para trás. Eu espero que seja o suficiente, e que mais tarde comecemos a compreender a responsabilidade que temos para com o mundo e entendamos que a crise é a falta da força superior que deve ser transmitida ao mundo através de nós.

Portanto, como podemos nos organizar o mais rápido possível, a fim de entrar em contato com o Criador, com o mundo externo, e ser os condutores da Luz superior, da abundância? Afinal, esta é a solução para todos os aspectos da crise. Nós temos que sentir que somos os condutores que conectam o mundo superior e o mundo inferior; isso é o que temos que fazer.

Diz: “O superior deve aprender com o inferior”. Nós temos que entender melhor como devemos nos voltar ao Criador, com base em nossa disseminação integral e nossa educação integral ao nos dirigir ao público. É como quando nós finalmente começamos a apreciar a forma como nossos pais nos trataram quando nos tornamos pais. Quando nós começamos a amarrar as deficiências que são evocadas no público com a solução integral global, com a ascensão espiritual que o Criador espera que façamos, é como se incluíssemos as duas extremidades:

  • Por um lado, as massas com suas necessidades diárias aparentemente simples.
  • Por outro lado, o valor superior que o Criador coloca diante de nós, a conexão e a obtenção de um sistema que inclui tudo, onde Ele é revelado como a força que revive.

É assim que nós nos desenvolvemos em geral, graças ao fato de que estamos entre o martelo e a bigorna. Por um lado, há o público, as massas, e por outro lado o Criador. Nós temos que equilibrar as ações do Criador que nos estimulam a nos conectar, que descem do alto e são cumpridas nas massas na forma de problemas e necessidades humanas simples, e nós elevamos os problemas simples através de nós a um nível mais elevado de conexão com o Criador, acima do tempo e do espaço, acima de tudo que já está em nós, para o espaço espiritual.

Esta é a nossa singularidade, como nós começamos a conectar os dois mundos em nós e a amarrá-los a nós. Esta é a qualidade especial do grupo que pode executar esse trabalho, para conectar, incluir e amarrar os dois mundos opostos dentro dele. Sendo uma parte integral, nós incluímos toda a humanidade e baixamos o Criador nela do Alto. Assim nós atingimos a sensação que se situa entre os dois sistemas opostos da criação. Esta é a nossa singularidade e nossa satisfação final.

O objetivo final do ser criado é realmente cumprido no grupo, ou seja, na conexão da humanidade, a partir do centro, a partir de nós, e se espalhando para círculos mais amplos. Nós já estamos puxando aqueles que estão atrás de nós, convidando-os a se juntar a nós, sem puxá-los para o nosso nível, mas simplesmente agindo de acordo com o nível de seu desejo e entendendo a crise como uma aspiração à conexão.

Nós sentimos que a crise atual é espiritual, enquanto eles a sentem no nível corporal. No entanto, em geral, a solução é uma só e é para chegar a uma equivalência de forma com o Criador e saber como entrar em contato com Ele, para que Ele e nós nos conectemos de acordo com a condição da equivalência de forma. Este é o método.

Da Semana Mundial do Zohar “Convenção de Educação Integral” Dia Um 02/02/14, Workshop 2

Educação Integral Das Massas

Dr. Michael LaitmanNós somos escolhidos no sentido de que recebemos de Cima o desejo nos chamando a aprender, ansiando pela conexão com o Criador e a revelação do Criador, que deve ocorrer antes de toda a humanidade.

Já está se aproximando a necessidade do próximo estado; a natureza move toda a humanidade para frente. Mas as pessoas não têm e não terão o seu próprio desejo. Milhares ou alguns milhões se juntarão a nós, mas é uma pequena fração de toda a humanidade. Não haverá mais.

A cabeça é sempre assim: pequena, como o microprocessador de um computador, mas ela define e decide tudo. As partes restantes percebem esta micro parte.

Portanto, nós somos este “chip”. Nós temos que nos conectar ao resto da humanidade, começar a trabalhar com as pessoas, entendê-las, nos unir a elas, encontrar um vocabulário adequado, criar um dicionário apropriado, várias imagens, exemplos e desenvolver workshops adequados, etc.

Nós ensinamos às crianças pequenas tudo o que os adultos têm, apenas num nível abaixo, com exemplos e ações simples. Para que as pessoas sintam seu próximo nível desejável em sua conexão, nós temos que incentivá-las, atraindo-as constantemente com alguma coisa.

Nós mesmos experimentamos descidas e subidas, e de acordo com isso, precisamos nos fortalecer.

Os outros não passam por isso. Eles devem ser constantemente atraídos, abraçados, aquecidos e servidos. Nós precisamos explicar o método a eles na medida em que eles precisam entende-lo para estar conectados a nós e subir conosco. Nós os levamos como crianças na estrada, fazendo-os sentar-se e dirigindo-os. A criança está ao seu lado, ou até mesmo no seu colo, ou correndo nas proximidades sob a sua supervisão, porque ela não sabe o caminho e nem sequer tem que saber isso. Você não deve exigir nada das pessoas, exceto uma coisa: “Se você estiver conosco, tudo vai ficar bem”.

Este deve ser o nosso caminho para as massas. Sem ele, não podemos avançar para cima após a criação do nosso Kli coletivo. Nós vamos atingir o nível mínimo, mas não mais. Na verdade, nós recebemos um despertar, a fim de “puxar” a humanidade conosco. Nós temos que tratá-la muito a sério. Nós só seremos capazes de ascender dependendo do nosso sucesso com um público amplo. Se não tivermos sucesso, isso vai servir como lastro para nós, não nos deixando subir.

Amor Moderno Das Castas: Como Casamentos Reforçam A Desigualdade

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (de Slate):“Não é tão raro nos dias de hoje que pessoas se casem fora do seu grupo étnico ou religioso ou vivam numa região do país diferente de onde cresceram. Entre as pessoas com formação superior, em particular, a tendência não é tanto a de se casar dentro de sua comunidade quanto a de se casar dentro do seu grupo educacional. De vez em quando você vê um graduado da faculdade casado com alguém que abandonou os estudos (meus pais, por exemplo), mas é muito raro. Visto que rendimentos são normalmente medidos em nível doméstico para fins estatísticos, isso tem muita relevância para uma visão abrangente das tendências nacionais. Em particular, o “acasalamento seletivo” deste tipo é um dos principais motores de desigualdade de renda em nível doméstico.

“Qual o tamanho? Jeremy Greenwood, Nezih Guner, Georgi Kocharkov e Cezar Santos relatam num novo estudo que, se em 2005 o encontro entre maridos e esposas tivesse sido aleatório, o coeficiente de Gini (a medida de desigualdade de renda mais comum) teria sido de 0,34 ao invés de 0,43 do mundo real, uma diferença de cerca de 25 por cento.

Claro, dizer que a desigualdade seria menor se os casamentos fossem randomizados não está nos dizendo muito. Desde muito tempo que o marido de uma mulher com nível universitário é muito mais propenso a ter um diploma universitário do que seria sugerido por puro acaso. Mas vários fatores demográficos estreitamente relacionados mudaram dramaticamente ao longo das duas últimas gerações, de uma forma que tornou o acasalamento seletivo uma força econômica muito mais potente. E a relação entre os padrões de casamento e as outras tendências é um motor importante da desigualdade”.

Meu Comentário: O egoísmo governa o mundo, não o romance. Apenas a exigência de uma distribuição igualitária de renda e a educação de todos, como se todos nós pertencêssemos à mesma família, vão acalmar o mundo. Entretanto, ainda é preciso se convencer de que a nossa natureza nos leva à manifestação de rejeição e ódio em todas as suas formas para se chegar à realização do egoísmo como mal absoluto, a fim de buscar a maneira de corrigi-lo.

Um Lugar Que Foi Abençoado Pelo Criador

Dr. Michael LaitmanRabash, “Qual é a Vantagem no Trabalho que é mais do que a Recompensa”: E a principal preparação que é chamada de esforço, que a pessoa deve anular a si mesma, ou seja, o seu egoísmo… o que significa que ela anula a opnião dos senhorios e anseia pela opinião da Torá… como os sábios disseram “a Torá existe apenas naqueles que se matam por ela”, ou seja, em auto anulação, e não há auto dominação aqui, mas o domínio do Criador. Em seguida, o Criador pode dizer “todo lugar que Eu vou mencionar Meu nome”. Por que Eu posso mencionar Meu nome? Uma vez que a pessoa anulou a dominação deste lugar pelo Criador, então “Eu virei e te abençoarei” pode ser cumprido … que é a recepção da Shechiná“.

Nós já conhecemos esta fórmula. Um lugar é o desejo de receber e também o Criador que preenche este lugar, ou seja, que preenche o desejo. Nós consideramos o vaso como um lugar e também chamamos a Luz, que o preenche, um lugar. Tudo depende da fase a que nos referimos, se é o desejo ou a pessoa que o criou e preenche.

Diz-se: “Todo lugar que Eu vou mencionar o Meu nome”, onde o vaso está organizado de acordo com o nome do Criador, HaVaYaH, com todos os seus discernimentos, “Eu virei e te abençoarei”. A Luz vai vir e corrigir o vaso, e irá limpar o lugar certo para o Criador ser vestido.

É importante medir constantemente até que ponto nos aproximamos ou nos afastamos da Luz para que “não haja um deus estranho entre vocês”. Até que ponto o conceito do Criador, a força superior, todas as imagens que são representadas na nossa imaginação, tornam-se o atributo de doação que está vestido em mim. Eu posso medir o meu estado de acordo com o atributo que é recebido e de acordo com a minha atração por ele.

Claro, também há estados opostos, como a favor e contra, mas é entre essas duas direções, a partir destas duas inclinações que avançamos. Nós temos que verificar em que medida o conceito do Criador, que significa o atributo de doação que está vestido em nós, é mais desejável cada vez e em que medida nós esperamos por ele e somos atraídos por ele. Até que “Israel, a Torá e o Criador são um” no mesmo lugar.

Agora vamos realizar exercícios, tentando por enquanto nos anular e alcançar conexão somente entre nós. Como se diz “do amor dos seres criados ao amor do Criador”. Mas se nos lembrarmos também que fazemos isso para que nos tornemos um vaso onde seremos capazes de revelar o Criador um dia, a Luz superior nos influencia, conecta e organiza. Assim, nós vamos gradualmente sentir o lugar que estamos preparando para a revelação do Criador, e verificaremos se ele está pronto para a Luz Superior, para o atributo de doação se vestir nele.

Então, vamos começar a identificar movimentos naquele lugar, e se estamos recebendo o Criador ou não, se Ele entra em nós, ou se Ele sai. Vamos entender como podemos atraí-Lo ou afastá-Lo de nós, se quisermos subir para um nível superior, a fim de estar mais adaptado a Ele. Afinal de contas, nós temos que nos afastar Dele entre os níveis.

Quando todas essas ações se tornam familiares e estão sob o nosso controle, nós gradualmente alcançamos uma maior equivalência de forma com o Criador e Ele é gradualmente revelado a nós. Assim, nós podemos estabelecer o lugar, e a conexão entre nós começa. Após a conexão, a distância é criada, a qual nos ensina a retornar à conexão apesar da distância. Assim, nós podemos aprender a controlar esses processos tanto quanto podemos e a monitorá-los.

Isso só é possível com a ajuda do Criador, é claro, com a ajuda da força superior. Não devemos esquecer que Ele é o único que organiza e gerencia tudo, mas com a nossa participação ativa. Nós decidimos que queremos alcançar “torne o seu desejo Seu desejo”, e, assim, estabelecer o lugar.

Nós já estamos em processo de estabelecer o lugar, embora realmente não entendamos como fazê-lo, quais as fases que passamos, e o que mais temos que fazer. Na verdade, nada é claro. Não é uma fórmula com um desconhecido, mas sim uma fórmula com muitas incógnitas que temos que resolver. É um sistema integrado onde tudo está incorporado em tudo e depende de tudo.

Mas quando esta imagem desaparece, nós vemos que ela inclui muitos detalhes que estão interligados num único sistema, embora este seja muito nebuloso e incerto. É impossível agarrar-se a isso com as nossas mãos grosseiros, egoístas e primitivas.

Porém, trabalhando neste mundo, nós gradualmente começamos a elevar os seus componentes para o nível espiritual e a inserir em cada atributo, cada força, cada evento, em tudo o que acontece, o espírito do Criador, nosso anseio espiritual. Então nós começamos a ver outra imagem por trás da imagem deste mundo. Por trás dessa imagem, nós descobrimos um sistema de forças do mundo superior. É assim que estabelecemos o lugar para a revelação do Criador.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 23/01/14

A Estrutura Espiritual Dos Desejos

Dr. Michael Laitman“Disse então o Senhor a Moisés: ‘Fa­ça uma bacia de bronze com uma base de bron­ze, para se lavarem. Coloque-a entre a Tenda do Encontro e o altar, e mande enchê-la de água. Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés com a água da bacia. Toda vez que entrarem na Tenda do Encontro, terão que lavar-se com água, para que não morram. Quando também se aproximarem do altar para ministrar ao ­Senhor, apresentando uma oferta preparada no fogo…’” (Êxodo 30:17-20)

No trabalho espiritual a pessoa deve se purificar em todos os seus desejos.

Isso se refere à estrutura espiritual dos nossos desejos. Os desejos, como nossos corpos, são compostos por uma cabeça e um corpo.

A principal coisa é nossas mãos e pés, o que nós tomamos e para onde estamos indo. Portanto, é necessário lavá-los, pois eles constituem o instrumento para o nosso avanço, a nossa cooperação mútua.

E o próprio corpo é apenas a Sefira Tifferet, que é passiva em relação às mãos e os pés. Para onde seus pés levam você e o que você toma em suas mãos é responsabilidade da cabeça. Mas antes a cabeça deve fazer um balanço, e só depois é possível lavar as mãos e os pés, ou seja, purificar os desejos de uma intenção egoísta.

“Eles terão que lavar-se com água, para que não morram” simboliza que após a purificação dos desejos, a pessoa não está mais separada da Luz Superior; ela não recebe em seu próprio benefício, porque esta é a morte espiritual.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 09/02/13

O Papel Das Religiões No Processo De Correção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Diz-se no Alcorão: “O Todo-Poderoso não precisa de ajudantes”. Por que então a Cabalá nos ensina que temos que nos tornar parceiros e assistentes do Criador?

Resposta: As religiões se originam das linhas direita, esquerda e média. O Islamismo deriva da linha direita em relação ao Criador; o Cristianismo vem da linha esquerda e o Judaísmo se origina da linha do meio. É por isso que o calendário muçulmano é baseado no movimento lunar, o calendário cristão é baseado em ciclos solares, e o calendário judaico é baseado em ambos e é construído de acordo com a linha do meio.

É verdade que o Alcorão diz: “que o Senhor não precisa de ajudantes”. Isso porque a participação humana é impossível, em ambas as linhas direita e esquerda. As pessoas só começam a participar quando a linha do meio é construída a partir das linhas direita e esquerda. Assim, nós subimos para nos tornar parceiros com o Criador, tornando-nos semelhantes a Ele.

É por isso que a Cabalá fala sobre a parceria entre o homem e o Criador. Esta não é uma prática comum no judaísmo, uma vez que ele surgiu após a destruição do Templo e o povo de Israel caiu de seu nível espiritual. Hoje, depois de dois mil anos de exílio, nós começamos a corrigir a devastação que aconteceu após o colapso do Primeiro e do Segundo Templos. Nós temos que estabelecer uma linha média dentro de nós, ou seja, devemos subir acima do nosso ego.

As religiões são construídas de forma que elas não exigem que as pessoas se livrem de seus egos. Pelo contrário, as religiões usam o ego para nos atrair, nos envolver, nos acalmar, e prometem uma vida tranquila, saúde, sucesso e bem estar. As religiões são uma estrutura associada ao exílio, pois são totalmente adequadas ao exílio. Nós não rejeitamos este fenômeno!

No entanto, agora nós vivemos numa era em que as pessoas de todas as crenças começam a subir acima de suas religiões e a se esforçar para alcançar o Criador. Por um lado, elas não têm outra escolha, porque suas vidas são tão imprevisíveis! Nosso desejo interno avança e exige que nós conheçamos e revelemos o Senhor. Em cada um de nós há uma centelha: nos filhos de Israel, a centelha é uma consequência de sua etapa espiritual anterior; nas nações do mundo, é resultado de uma penetração mútua com os filhos de Israel durante o período de exílio.

É por isso que hoje, tantas pessoas começam a despertar. Quando a pessoa está pronta para alcançar o Criador, ela não precisa de religião, mas deve estudar Cabalá, já que a Cabalá é a sabedoria da revelação do Criador às criaturas neste mundo material. Esta é a diferença entre todas as religiões (as linhas direita, esquerda e do meio) e a “religião” autêntica (Cabalá), como Baal HaSulam define em seus escritos. Em seu artigo “A Essência da Religião e Seu Propósito”, Baal HaSulam escreve que há apenas uma religião autêntica: a sabedoria da Cabalá que nos leva à realização do Criador através da obtenção de Suas propriedades.

Todas as outras religiões eram ativas durante o exílio. Seu objetivo era nos levar até o nosso tempo, de modo que a partir de agora nós vamos começar o processo de autocorreção. Durante o exílio, o objetivo das religiões é educar as pessoas, apoiá-las de forma civilizada, e proporcionar-lhes conhecimento, moralidade e ética. As religiões cumpriram seus papéis. Elas agiram dentro da humanidade, deixando-nos assim avançar. As religiões serviram os interesses humanos.

No entanto, hoje o seu papel acabou; este fenômeno é evidente em todas as religiões. Em breve, nós vamos testemunhar enormes transformações, aumento da resistência e grandes lutas. A época da correção foi lançada. Nada pode detê-la. O mundo está se degradando dia após dia, como um carrinho rolando ladeira abaixo com uma velocidade tremenda. É por isso que hoje em dia todas as religiões terão que cumprir e ajustar-se à sabedoria da Cabalá. Vamos esperar que isso aconteça de uma forma suave, civilizada e que as religiões acabem por aceitar seus novos papéis e lugares.

As religiões são importantes para a nossa autocorreção, na medida em que começam a aplicar o princípio do “Amar o nosso próximo como a nós mesmos”. Todas elas têm esse princípio “no papel”. Tudo o que elas devem fazer é começar a implantar essa doutrina na prática; não há nada mais que possamos esperar delas. Como resultado, elas vão rever a si mesmas, e virão apoiar a sabedoria da Cabalá, dando-lhe a chance de corrigir todo mundo, sem exceção.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 23/01/14, Escritos do Baal HaSulam

Nove Etapas No Caminho Para A Unidade, Ponto 8

Dr. Michael LaitmanEm Preparação para a Convenção Integral

O Bom Futuro do Mundo

A realidade em que nos encontramos é retratada sob a influência da Luz sobre o desejo. Nós podemos mudar a relação entre a Luz e o desejo, consciente ou inconscientemente, consistentemente, em etapas, inteligentemente, com os nossos próprios poderes, através de um trabalho compartilhado, ou como se por acaso, como está escrito: “O Senhor cumprirá o seu propósito para comigo” (Salmos 138:8).

No entanto, em todas as circunstâncias, a realidade que percebemos, tanto a física como a espiritual, é retratada por meio da ação da Luz sobre o desejo. E quando alcançamos a equivalência da Luz e do desejo, complementando-os, fazendo a paz entre eles, nós trazemos paz para o mundo inteiro.

Por isso, mesmo as pessoas sem um ponto no coração que não estão preparadas para criar uma conexão entre a Luz e o Kli e igualar sua forma por meio da Masach e Ohr Hozer, veem o mundo de forma diferente. Elas não o veem como o mundo espiritual, porque não existem componentes espirituais para suas sensibilidades. No entanto, uma vez que também aspiram à unidade através de vários desejos, seja falando de um desejo por dinheiro, segurança, educação, honra ou controle, elas serão liberadas de todos os problemas em suas vidas.

Claro que, gradualmente outros problemas serão descobertos, a fim de avançá-las ainda mais, mas elas vão ver que o mundo está chegando mais perto do bem o tempo todo. E este já é o bom caminho, o caminho da Torá, e não o caminho do sofrimento. Como resultado da unidade proveniente da influência inconsciente da Luz sobre elas, elas vão ver as mudanças para melhor. Elas vão descobrir o sistema operacional da realidade, ou seja, vão sentir que, graças às boas relações entre elas, o mundo está mudando, mudando sua percepção, sua reação interna ao que está acontecendo.

Será que elas vão ser mais saudáveis? Sim. Será que vão descobrir outros fenômenos positivos? Sim. Haverá menos desastres naturais? Sim. Nós ainda vamos ver como uma pessoa vai ativar as forças internas conectadas à natureza do inanimado, vegetal e animal.

Cabe a nós entender que temos a arma mais forte que pode existir. Todas as forças da natureza são para nós, e até mesmo o Criador, na verdade, quer dizer-nos: “Por favor, usem-Me. Tudo está em suas mãos”.

Quando nós trouxermos a paz para o mundo, as pessoas vão estar envolvidas apenas numa conexão circular. Talvez parte delas trabalhe cerca de uma hora por dia, e com o resto do tempo, todo mundo vai estar envolvido com pensamentos sobre como assemelhar-se ao Criador e sentir prazer em fazê-lo.

Nós ainda não entendemos como isso pode ser, mas é assim que vai ser. Isso vai se tornar o centro da vida. Além das necessidades, as pessoas vão se envolver apenas com a conexão com os outros, em levar a conexão entre eles a uma maior profundidade, maior sensibilidade, até que o corpo físico e o mundo material sejam descobertos como imaginários.

Outro mundo começará a se desdobrar, conexões para além deste mundo vão ser descobertas, e nós vamos ver que todas essas “teias de aranha” são interdependentes. Como resultado, as pessoas vão começar a entender a sabedoria, o pensamento da criação que está latente em todas as suas partes. Isso é chamado de o brilho da Divindade, a revelação da Divindade, ou seja, tudo respira, uma coisa depende da outra.

Preparação para a Convenção Integral, Nove Etapas no Caminho para a Unidade, Ponto 8

A Linguagem Especial Da Torá

Dr. Michael LaitmanA Torá, Êxodo, “Tetzaveh“, 29:43-46: Lá me encontrarei com os israelitas, e o lugar será consagrado pela minha glória. Assim consagrarei a Tenda do Encon­tro e o altar, e consagrarei também Arão e seus filhos para me servirem como sacerdotes. E habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. Saberão que eu sou o Senhor, o seu Deus, que os tirou do Egito para habitar no meio deles. Eu sou o Senhor, o seu Deus. Na presença da força Superior (o Criador), a Luz se veste num Kli (vaso) corrigido; então, desejos modificados “saturam” o universo inteiro com a Luz superior da espiritualidade.

Pergunta: Em geral, tudo o que está escrito na Torá pode ser entendido da seguinte forma: “Aja como está escrito, e o Senhor aparecerá em você como uma marca”. É isso mesmo?

Resposta: Se você considerar literalmente o que está escrito na Torá, você verá imagens extremamente duras e sangrentas. É realmente difícil entender como todos conseguem considerar estas imagens sagradas e adorá-las se tudo o que elas descrevem é uma vida muito primitiva de “selvagens” que viveram milhares de anos atrás.

Ainda hoje nós vemos pessoas se matando e se relacionando com assassinatos como uma espécie de “sacrifício”. Esta é uma enorme dissonância com a grandeza de doação e amor! Estas imagens simplesmente não são sublimes ou espirituais!

Eu não me surpreendo com o conteúdo da Torá (afinal de contas, as pessoas que a escreveram entendiam do que se tratava). Pelo contrário, eu me espanto que hoje as pessoas continuem percebendo essas imagens como “santidade” ou “ações especiais” que o Criador nos manda seguir.

Como pode algo escrito na Torá não nos encorajar pelo menos a esclarecer a essência das palavras da Torá? Isso contradiz o nosso intelecto, a vida… tudo! No entanto, as pessoas vivem “felizes” e a consideram Escrituras Sagradas.

Como ela é sagrada? Se nos damos conta de que se trata de doação, amor, conexão entre nós, e correção do nosso egoísmo, então é santidade. Se percebermos tudo literalmente, digamos, queimar um touro, então o que há de sagrado nisso?!

Está em total dissonância, com o que está acontecendo na materialidade e na espiritualidade, e, portanto, tem que levantar várias questões. No entanto, nós não fazemos essas perguntas. Parece que a humanidade está num estado de hipnose profunda.

Mesmo hoje, todas as religiões do mundo preservam certos rituais pagãos antigos para que as pessoas atribuam propriedades superiores. Por causa de sua ignorância e falta de compreensão, elas são como crianças pequenas que jogam jogos definidos diante delas, e sua participação coletiva e a ignorância coletiva se apoiam.

Para quem escreveu a Torá, estes “cenários” eram apenas símbolos, uma linguagem específica que descrevia o processo da correção humana. As pessoas tinham uma visão clara do que é descrito. É por isso que nós devemos sempre ter em mente que “amar o próximo” é a essência geral da Torá. É o principal pensamento que a permeia.

Não há outras ações! Se eu queimo um touro ou construo um templo nada vai mudar! Tudo o que nós podemos esperar é o surgimento de novas religiões, que brigam entre si e usam slogans “sagrados” para se matar, agindo, assim, diretamente em oposição à Torá que nos ensina a “amar o próximo”.

Eu sinto muito pela humanidade quando leio as porções da Torá. As pessoas são incapazes de compreender e aceitá-las corretamente. Eu espero que no futuro próximo essa situação mude e que as pessoas entendam que somente ações espirituais que levem à autocorreção são o conteúdo da Torá.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/08/13