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Revelando A Quebra


Uma pergunta que recebi: Como poderia Aba ve Ima (pai e mãe) permitir a quebra dos Kelim, dado que foi culpa deles que isso ocorreu? Em outras palavras, será que eles permitiram que a Luz descesse devido a tanto amor?

Minha Resposta: Não, este não foi um caso de demasiado amor, ou de falta de compreensão ou fraqueza associados a uma mãe que é excessivamente cuidadosa. A razão foi a falta de conhecimento do único fator que era impossível prever antes do tempo.

Aba ve Ima (pai e mãe) não sabiam que quando a conexão com o Criador fosse revelada ela poderia trazer tal tremendo prazer à criatura. Contudo, a criatura não tinha uma tela (a intenção correcta para o receber).

Recordemos o exemplo do hóspede e do anfitrião. O anfitrião quer tratar o hóspede do fundo do seu coração, porque o ama. O hóspede, porém, recusa e, finalmente, concorda ser tratado apenas para agradar ao anfitrião. Desta maneira, o hóspede expressa o seu amor ao anfitrião, em vez de simplesmente satisfazer o seu próprio apetite, embora ele esteja muito esfomeado.

A pessoa que quer amar o Criador e dar tudo o que tem para Ele, vê os presentes preparados para ela e sabe que ela os irá obter; todos os prazeres desta mesa já foram experimentados. Todavia, ela retribui o Anfitrião com tudo o que recebeu D’Ele.

Ao o fazer, a pessoa descobre a quem ela quer verdadeiramente dar de volta. Ela revela a grandeza do Criador, assim como um tremendo prazer originado da conexão entre a pessoa e o Criador. E ela não tem poder de resistir a esse prazer. Este estado é impossível de se imaginar antes de recebermos a Luz (o presente). Ao agir assim, a pessoa gradualmente sobe ao nível do Criador e chega a receber o status do Anfitrião.

Além do mais, esta sensação não podia ser revelada no início, porque o Criador queria que a criatura fizesse esta revelação independentemente, de forma a alcançar este status por si mesma. Todas as outras acções da criatura não são independentes, uma vez que elas simplesmente se revelam através da corrente das Reshimot (seus genes informativos internos).

O ponto da livre acção por parte da criatura reside em alcançar o status do Criador, assim como fazer todas as revelações que acompanham este processo. Este ponto de livre acção é revelado precisamente por virtude da quebra dos recipientes (vasos) – Shevirat Kelim.

O Criador não pode dar esta realização directamente à criatura, mas apenas por meio de um “desvio”; para que a criatura faça esta descoberta por si mesma e quebre. Quebrar significa que a pessoa compreende que não o pode fazer por si mesma, porque está além dela. A pessoa é incapaz de dar tanto e sacrificar tal tremendo prazer. Então, ocorre uma quebra.

Depois da quebra, a pessoa adquire a chance de alcançar este status. Isso acontece gradualmente, em porções pequenas, com a excepção do “coração de pedra” – o ponto no qual o prazer de alcançar o status do Criador está concentrado no momento da quebra. Porém, finalmente, até mesmo este ponto é corrigido.

Em outras palavras, a quebra é a grande revelação do abismo que separa o Criador da criatura, o qual Criador não permite à criatura sentir directamente. É por isso que a criatura se deve quebrar e revelar o seu mal.

O Mundo Inteiro Pertence-lhe


Apenas lhe parece que há muitas outras pessoas à sua volta que estão a estudar juntamente consigo. Você vê desejos externos à sua volta apenas porque a sua visão está defeituosa. Mas agora imagine que eles são todos os seus desejos internos, que você é incapaz de controlar. É similar a como você não consegue dominar a sua inclinação ao mal. É por isso que estes desejos lhe parecem externos a si, e você tem de os conectar juntos.

Se você conectar estas qualidades e as controlar, você irá ver que, na verdade, tudo no exterior lhe pertence. É como uma impressão do que você tem dentro. Dentro de si há muitas qualidades, desejos, e aspirações, mas você não tem poder sobre elas. É por isso que você vê muitas pessoas fora de si, e todo um mundo feito de estrelas, planetas, objectos inanimados, vegetativos e animados, pessoas que agem em oposição a si, e pessoas que você quer usar para as suas necessidades, ou até pessoas que você quer matar ou fugir delas.
 
Tudo isto é assim porque você é construído desta maneira no interior; é por isso que você vê o mundo desta maneira. Se você receber uma força de Cima que lhe dê o poder sobre todos os seus desejos, então você imediatamente irá revelar que o mundo inteiro lhe pertence, que as outras pessoas não estão separadas de si, e não estão fora de si. Você irá sentir o seu próprio eu dentro de cada uma delas.

Criando Um Recipiente Unificado Para a Luz


Uma pergunta que recebi: Você disse que O Zohar pode apenas ser estudado quando você se torna uma parte do recipiente (vaso) da alma comum. Como é que eu me torno parte dele?

A Minha Resposta: Uma pessoa não consegue fazer nada por si própria; isso é trabalho do Criador. Você deve apenas esperar que Ele faça isto, isto é, desejar, esperar, e influenciar as cosias de tal maneira que faça isto acontecer, o quanto você for capaz. Você tem de colocar toda a sua energia nisto e esperar que a salvação do Criador venha. Isto é tudo o que podemos fazer.

Nós estamos à volta do Monte Sinai e a gritar, como está escrito, “Os filhos de Israel gritaram do trabalho”. A união do desejo comum atrai a Luz Circundante de acordo com o principio da equivalência de forma, porque a Luz Circundante vem de uma fonte. Quando desejamos tornar-nos como um homem, de forma a revelarmos o recipiente (vaso) comum da alma (o Kli), então ele torna-se revelado.

Nós temos de nos preparar para o Congresso em Fevereiro, para que sejamos capazes de unir o nosso desejo e revelarmos um desejo comum. Ele só pode ser revelado dentro de todos juntos, dentro de toda a nação, que inclui homens e mulheres. É sobre isso que lemos na história sobre a recepção da Torá no sopé do Monte Sinai, assim como no êxodo do Egipto. Está escrito que isto se tornou possível graças às mulheres justas.

Todos os nossos desejos têm de se unir, venham eles da esquerda ou da direita, sejam eles grandes ou pequenos – eles têm de se tornar como um. Esperamos que quando aceitarmos esta acção mútua, revelemos um desejo suficiente para ser influenciado pela Luz Circundante.

O Elevador Espiritual


Como funciona o “elevador espiritual”? É como uma incrível escada rolante em que estamos todos conectados, de tal maneira que todos podem ajudar uns aos outros a ascender. Cada pessoa tem a sua metade superior dentro do Nível Superior, e a sua metade inferior dentro do nível inferior.

Desta forma, cada um de nós está sempre conectado ao Nível Superior, porque a parte superior do seu Partzuf espiritual (Galgalta ve Eynaim) entra na parte inferior (AHP) do Grau Superior.

Contudo, uma pessoa sente o AHP do Nível Superior como escuridão, pois este é mais doador. Um grau maior de doação é sentido como escuridão, pois não o queremos. Todavia, se uma pessoa supera o seu egoísmo e se torna “pequena” ao usar apenas Galgalta ve Eynaim, apenas os Kelim de doação, e se ela deseja se conectar com o Nível Superior, independentemente do que está a acontecer nesse nível, então ela cancela o seu ego (AHP), o desejo egoísta. Se uma pessoa não o deseja sentir, como se ele não existisse, então ela conecta-se ao Superior e eles tornam-se um todo. O seu Galgalta ve Eynaim (Keter e Hochma) e o AHP do Superior (Bina, Zeir Anpin, e Malchut), juntos, formam um Partzuf completo com as dez Sefirot completas (Gadlut de Min Ha Aleph).

O Superior, por sua vez, tem o mesmo tipo de conexão com o Superior em relação a ele. Desta maneira, nós todos nos unimos e operamos como um corpo comum. Todos nós estamos conectados como uma corrente, em que todo o elo atravessa outro elo, e ambos partilham uma parte comum. A única diferença entre uma corrente normal e nós, é que não há qualquer partes livre  da corrente das nossas almas – a minha parte superior está sempre conectada ao Grau Superior, e a minha parte inferior está conectada ao grau inferior. Não há nada em mim que esteja livre de estar conectado com uma parte ou outra. Eu estou sempre completamente conectado a todos os outros; na verdade, esta é a todaa minha essência.

A nossa salvação reside em nos tornarmos conscientes desta conexão. É por isso que, independentemente do meu estado, independentemente de eu me sentir bem ou mal, eu devo sempre dirigir-me às pessoas que precisam de mim para ajudá-las. Elas são as pessoas que aspiram pelo mesmo objectivo que eu. Se eu me unir com elas, eu irei ser capaz de absorver toda a energia que elas têm. Eu tenho tudo o que preciso para fazer isto, porque estou conectado a elas; eu só preciso despertar esta conexão.

Se uma pessoa se encontra num estado em que não compreende ou sente nada, ela é indiferente e experimenta a escuridão, e ela está num mau humor; isto significa que ela não é suficientemente activa. Tudo depende dela, porque tudo o que ela precisa já foi preparado para ela.

Aprender a Construir a Perfeição


Apenas ao corrigir o que não está já corrigido é que nós podemos aprender a compreender o Criador e nos tornarmos similares a Ele. No nosso mundo uma criança aprende ao construir uma casa de blocos ou ao reunir um puzzle. Tudo se constrói a partir de peças quebradas do todo. Primeiro, a criança tem que desmontar um brinquedo para ver o que está lá dentro, e, então, ela monta todas as peças novamente para ganhar de novo a sua forma perfeita; é assim que ela se desenvolve.

Na espiritualidade, nós avançamos da mesma maneira. Temos de saber quais são as nossas falhas ou transgressões, onde a quebra ocorreu e como o repará-la – conectando todas as partes desmontadas cada vez mais, e colocando mais as partes quebradas juntas novamente. A percepção e a realização vêem do Criador para a criação, do todo e perfeito para o imperfeito. Quanto maior a distância entre a perfeição e imperfeição, mais conexões de um para o outro irão haver e mais significativa será a sabedoria resultante. A Sabedoria nasce da sua união, sob a condição de que há disparidade de forma e separação entre eles. Desta forma, quanto mais quebrado, separado, confuso, desiludido, e oposto à perfeição eu sou, tanto melhor.

Se eu sou capaz de aplicar todos os esforços possíveis, usando todos os recursos disponíveis a mim, então eu devo começar a montar a perfeição a partir da imperfeição, de forma a deixar a “escuridão brilhar como Luz”, e trazer todas as partes para a harmonia e equilíbrio dentro de uma fonte. Isto significa que eu compreenderei quem é o Criador – Aquele que criou esta criação quebrada. A palavra “criação” (Beria) significa “tirada além dos Seus limites”. No principio o Criador fez o mal, uma propriedade que é oposta a Ele e deu-nos a oportunidade de O conhecer apenas ao criar as conexões certas, e ao atravessar o processo de correcção. É por isso que não nos devemos queixar sobre as nossas dificuldades; elas vêm até nós para que ao as corrigirmos, construímos a perfeição.