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O Desejo Não Tem Nacionalidade


Recebi uma pergunta: Se lermos o Livro do Zohar em outro idioma, ele continua tendo o mesmo efeito como em Hebraico ou Aramaico?


Minha resposta:
Não importa em que idioma se lê o Livro do Zohar. Todos no mundo terão que estudar esse livro e cada pessoa o lerá em seu próprio idioma.

Mesmo que o Zohar contenha partes que falam sobre os elementos que compõem as letras do Hebraico, tais como as linhas e os pontos que formam as letras, elas não são realmente letras, mas símbolos, marcas, e formas que designam forças. Não importa se você está olhando para uma letra do alfabeto Hebraico ou somente um símbolo, o que é importante é seu significado. No final, é tudo sobre o desejo da pessoa, e o desejo não possui idioma ou nacionalidade. É somente isso – um desejo.

Quando você traduz para outros idiomas as palavras “doce”, “amargo” ou “azedo” – cada leitor ainda irá sentir esses sabores. O Zohar fala sobre sensações, e uma vez que as palavras que soam diferente evocam as mesmas sensações nas pessoas, ler em outro idioma não impede o alcance de ninguém.

Mantendo o Ponto de Contato com o Livro do Zohar


Recebi uma pergunta: Se uma pessoa ao ler o Zohar foi capaz de, por um momento, encontrar um ponto de contato com ele, então como pode se apegar a ele?

Minha resposta: A pessoa vai se apegar a ele se não sentir medo de nada o que virá a seguir e desde que esteja pronta para reconstruir essa conexão uma e outra vez sob quaisquer circunstâncias que aparecer. Se ele estiver morto de medo de perder a sensação dessa conexão, significa que lhe falta confiança e não está suficientemente conectado com os outros. Além disso, ele não entende que seu progresso acontece na qualidade de doação, que sempre cresce, se desenvolve e se intensifica dentro dele. Porém, não pode se desenvolver se ele tem medo e se limita. Se ele está preocupado com o futuro, então ele está sendo operado pelo egoísmo ao invés de pelo desejo de doar.

Quando a Escuridão e a Luz se Tornam uma Unidade


Tudo vem do Criador, a Força Superior. Ambas a Luz e a escuridão vêm d’Ele, como está escrito: “Ele que criou a Luz e a escuridão”. “Quando desejo revelá-lo, eu tenho que tomar essas duas forças e as unir corretamente. Agora mesmo elas parecem opostas uma a outra e eu não entendo como duas forças opostas podem vir da mesma fonte – por exemplo: bem e mal, luz e escuridão, impureza (Klipa) e santidade, que se encontram em luta constante.

Então, como é possível uni-las? No nosso mundo frequentemente vemos qualidades e ações que são diametralmente diferentes umas das outras – aquelas que são maravilhosas e boas, ou más, repulsivas e horríveis. Como é possível combiná-las e atribuir a elas uma mesma fonte – o Criador?

Na espiritualidade essas divisão e diferença entre as qualidades são muito maiores que no nosso mundo. Apesar disso, temos que construir um sistema interno que conecte essas forças opostas, porque assim é como elas realmente existem – em paz e harmonia, uma complementando a outra. Nenhuma delas pode existir sem a oura.

Ao construir esse sistema dentro de mim, eu começo a entender sua raiz, a ver de onde vem essa oposição e o que realmente está acontecendo. Nós ainda não entendemos isso. Isso não faz sentido para nós até que ganhamos a habilidade de construir a nós mesmos acima do Machsom, na espiritualidade. Até lá, nós podemos estar em um extremo ou em outro, ou separados dos dois, mas somos incapazes de estar em unidade e harmonia com duas forças opostas.

Ao trabalhar para unificar duas forças opostas em mim, eu construo um ponto de contato entre elas, um sistema onde elas se unem a despeito de serem opostas. Nenhuma anula a outra, como acontece no nosso mundo; ao contrário, elas duas alcançam total harmonia. O espaço que eu construo em mim é meu “eu”, minha alma, que é igual ao Criador.

O Criador é um, mas em relação a mim Ele se separa em duas forças – uma positiva e outra negativa, um mais e um menos. Eu conecto essas duas forças em mim em um único sistema, e acontece que esse sistema que eu construo entre o mais e o menos é completamente igual ao Criador.

Dessa maneira, eu alcanço o Criador através de Suas ações. Eu com isso construo em mim um ser humano que é semelhante ao Criador. Eu sou um no sistema de Malchut, e eu sou como o Criador no sistema de Keter. Todo nosso trabalho repousa no alcance dessa equivalência.

A Igualdade é Baseada no Conhecimento da Natureza Interna da Pessoa

É impossível alcançar uma distribuição igual e justa sem o conhecimento da natureza interna de cada pessoa. Qualquer apoio social ou muletas não vai ajudar aqui.

Sistemas sociais funcionarão por algum tempo, mas então o sistema inteiro desmorona tão logo a sociedade se torne mais interconectada. Perdemos a habilidade de regulá-lo, desde que agora precisamos estabelecer igualdade e justiça em escala global. Aqui os desejos de misericórdia, justiça e paz não podem substituir a verdade, e é quando emerge a crise.

A crise econômica é o resultado do desejo das pessoas de receber sem limites. Eles incharam bolhas financeiras além dos limites racionais, negligenciando a fórmula que equilibra o dar e receber numa proporção razoável, e esqueceram que é necessário distribuir algo e fazer alguma coisa pelos outros.

Está sendo revelado agora o quanto estamos fora de controle da situação e a nossa inabilidade para equilibrar a sociedade. É dessa forma que a Natureza nos empurra para a revelação da verdade e para o alcance das almas.

Uma alma é a parte interna da pessoa, sua base de vida. Se for possível alcançar a alma de outra pessoa, se alcançará todas as propriedades daquela pessoa, e então naturalmente se poderá conectar com essa pessoa conhecendo-se do que ela é capaz e o que se pode pedir dela.

Nós estamos indo agora para o maior princípio da Torah: “Ama o próximo como a ti mesmo”, devido ao qual nos conectamos uns aos outros. Isso significa que nos entendemos e sentimos uns aos outros e assim somos capazes de compartilhar com justiça. A humanidade não resolverá o problema da sua sobrevivência sem aprender e agir de acordo com esse princípio!

Ordenando Nossos Desejos


Temos muitos desejos e temos que ordená-los. Não podemos conectar uma parte desses desejos de doar ao próximo dessa forma. Mesmo que eu entenda que todos os meus desejos são direcionados à autogratificação, e eu não tenha outros desejos além desses, eu ainda sou capaz de usá-los para me conectar com outras almas – eu posso trabalhar com eles na linha média, na “tela De Hirik”.

Por um lado, existe um desejo de receber prazer, mas por outro lado, eu posso trabalhar com ele para doar. Eu conecto a linha direita e a linha esquerda, usando essa conexão para conectar-me com o próximo. Isso é chamado “rezando para o público”, uma prece que eu elevo e recebo em resposta a força do Alto habilitando-me a criar a correta conexão. Está em minha capacidade desejar que isso aconteça; eu elevo MAN e recebo a força chamada “a chave” (Miftecha) que me deixa revelar os céus – o Mundo Superior.

Além disso, existem outros desejos ou partes de desejos que eu não posso conectar a outros. Eu só posso fazer isso até certo limite, mas não mais adiante. Por isso eu golpeio esses desejos ou partes de desejo e os jogo fora. Eu não trabalho com eles por agora, mesmo que mais tarde eu possa ter as forças para fazê-lo, porque eu verei que, ao não usá-los para me conectar com outras almas, eu perco muito e causo dano. Porém, por agora, eu não percebo o mal neles; eu somente vejo que sou incapaz de trabalhar com eles e assim eu simplesmente os descarto.

Quanto aos desejos que sou capaz de usar para me conectar com o próximo, eu trabalho com eles em parceria. Essa parceria é chamada “a tela De Hirik”.

Isso é como a pessoa sempre trabalha dentro de si mesma, ordenado seus desejos, forças e qualidades, e os unificando em diferentes grupos para constantemente criar uma atitude especial para com o próximo a partir daí. Mas, enquanto parece a ele que está se relacionando com o próximo, ele sempre revela que em realidade isso é parte dele mesmo. Dessa maneira, ele tenta ascender desse quadro imaginário para o mundo espiritual, onde ele revela que nós estamos todos conectados a um corpo da alma comum.

Essa é a condição para revelar o Criador, a Força Superior – nós temos que nos tornar “um homem com um coração”.

A Revelação Acontece Trocando-se as Imagens Materiais por Forças



Recebi uma pergunta:
Como o Livro do Zohar quer nos dirigir?

Minha resposta: O Zohar nos dirige somente ao nos revelar o mundo dentro de nós e lá encontrar todas as possíveis noções internas – eu mesmo, o mundo, e os níveis inanimado, vegetativo, animado e humano. Afinal de contas, tudo que podemos imaginar agora, inclusive nós mesmos, está dentro de nós.

Se eu me relaciono com o Livro do Zohar dessa maneira, sabendo que ele me revela a mim mesmo, então o livro vai me falar de mim. Tudo que eu leio no Livro do Zohar acontece dentro de mim. Eu sou essencialmente uma tela, e a força do desejo pinta várias formas, essa força também pinta objetos inanimados, ou o mundo vegetativo, ou o mundo animado, ou o mundo humano. Todas essas pinturas aparecem dentro do meu desejo de desfrutar e elas são desenhadas pela força do desejo.

Assim como vemos imagens na tela do computador, existe uma “câmera fotográfica” dentro de nós que cria uma ilusão de realidade que aparece diante de nós. Mas, na verdade, não existe realidade; tudo é nosso desejo que desfruta ao receber essas impressões da força que age dentro dele. Nós, sucessivamente, discernimos essas imagens como objetos inanimados, plantas, animais e pessoas, dependendo do nível do desejo em que eles são pintados.

Então, enquanto leio o Livro do Zohar, tenho que imaginar que eu sou um pequeno mundo e tudo está dentro de mim; o oceano, montanhas, cores, sons, árvores, pessoas e todos os eventos acontecem dentro de mim. Então, eu gradualmente começo a trocar as imagens que são descritas pelo Zohar pelas qualidades e forças. Ao invés de reagir às palavras desse livro imaginando animais, pessoas, árvores e tudo o que acontece a eles, eu gradualmente começo a discernir essas qualidades dentro de mim. Essencialmente, existem duas qualidades – recepção e doação, mas elas podem estar presentes em vários níveis e serem expressas de diferentes maneiras.

Temos que tentar reconhecer tudo o que é descrito nesse livro. Tão logo façamos a transição para o mundo de forças, começaremos a ver a verdade e a entender que todas as imagens que vemos agora são um mundo imaginário, e em realidade, são somente forças. E então, por trás dessas forças, gradualmente começaremos a discernir uma Única Força – o Criador.

É assim que devemos ler o Livro do Zohar.

Avançando Atráves do Sonho deste Mundo Usando o Livro do Zohar


Não seremos capazes de revelar o mundo espiritual sem estudar o Livro do Zohar. Não é porque esse livro seja tão poderoso e capaz de acelerar muito nosso desenvolvimento, que ao invés de andar a pé ou a cavalo, voaremos em um avião. Ao contrário, sem ele, nós simplesmente seremos incapazes de nos concentrar na interna e espiritual realidade e veremos somente a tela externa que nos mostra esse mundo material e ilusório.

Nunca seremos capazes de avançar através dessa tela e de revelar as forças que operam por trás dela, criando a projeção desse filme (este mundo); ou avançar ainda mais longe, além dessas forças e qualidades para o raio de Luz, o projetor; e então ainda mais além – para o Criador, a fonte de todas as forças, qualidades e sentido.

Como é possível ir do quadro externo às forças, aos pensamentos, intenções e ações do Criador relativo a nós, para entender por que Ele está nos mostrando esse filme? O que Ele quer nos dizer ao nos mostrar esses animais, pessoas e tudo o que acontece nesse mundo? Por que Ele nos dá a sensação da nossa vida, como se tivéssemos um passado, um tempo em que nascemos para nossas vidas atuais e o sentimento de que eventualmente nós teremos que morrer, e enquanto isso somos cercados por um mundo inteiro e outras pessoas. Por que Ele nos faz ver esse filme?

Tenho dito a mim mesmo que toda minha vida de hoje não é real! Eu quero penetrar através dessa vida para a verdade e a encontrar: O que é que Ele quer? Por que Ele me amarra com cordas e me controla como a uma marionete, fazendo parecer que estou vivo? Por que Ele faz tudo desse jeito, e quem é Ele? E o que vem depois?

Essas perguntas vão me guiar para a resposta.

Atividades Paranormais são Produtos da Imaginação


Recebi perguntas sobre atividades paranormais, eclipse solar e se os Cabalistas podem escolher morrer:


Pergunta:
Eu desejaria saber, existem fantasmas? Eu testemunhei várias atividades paranormais e queria saber se é tudo imaginário ou se tem alguma coisa a ver com o mundo espiritual. Essas atividades demonstram que algumas pessoas são mais próximas do mundo espiritual do que outras?

Minha resposta: Essas atividades são imaginárias. A Cabalá é um método para realisticamente alcançar o Mundo Superior pela obtenção de sentidos e qualidades que se comparem a ele.


Pergunta:
Superstições à parte, por que existem tantas pessoas interessadas no eclipse do dia 22 de Julho? O que esse fenômeno revela (se revela) sobre nossa percepção da realidade e ele tem qualquer importância na Cabalá?

Minha resposta: Isso não é nada mais do que superstição. É um reflexo do medo das pessoas de perder suas vidas e entrar na escuridão de todo modo. Isso é porque no nível animado, nós percebemos o Sol como a fonte de tudo!


Pergunta: 
Um Cabalista poderia morrer se ele desejasse?

Minha resposta: Ele não pode e não iria querer, porque isso o afastaria da sua missão de vida.

Construindo a Linha Média Durante a Leitura do Livro do Zohar


O Zohar: O Criador disse a Noé: “Entre na arca com toda a sua família”. Uma das qualidades do homem, que ele define como o Criador, dirigi-se à sua outra qualidade chamada Noé. Noé é a qualidade de doação e amor, a aspiração por elevar-se acima do ego. A qualidade chamada Criador fala com esta qualidade chamada Noé, a fim de elevá-la ainda mais. É por isso que o Criador diz: “Entre na arca!”, o que significa: Fortifique-se na qualidade de doação.

Está escrito sobre a entrada na arca: “O Criador (Havaya), Zeir Anpin, disse”, e está escrito sobre a saída: “Elokim disse”, referindo-se à Nukvah de Zeir Anpin. Está escrito que o dono da casa, Zeir Anpin, permite que Noé entre na arca. A arca é a qualidade de doação (Bina). Se uma pessoa (a qualidade de Noé que aspira à doação) entra na arca (Bina), ela sente que nada pode prejudicá-la – ela está a salvo de todas as suas outras qualidades, que discordam de Noé. O resto das qualidades do homem são egoístas e podem prejudicar seu progresso espiritual; é por isso que ele quer separar a qualidade de Noé das demais e avançar apenas com ela. Por enquanto, ele deixa as outras qualidades sozinhas, faz uma restrição sobre elas, ocultando-as.

Então a senhora, Nukvah de Zeir Anpin, diz para ele sair. Ele entrou com a permissão do senhor, Zeir Anpin, mas saiu com a permissão da senhora, Nukvah de Zeir Anpin. Isso se refere a duas forças que influenciam uma pessoa: a força Zeir Anpin e a força de Nukvah, o julgamento e a misericórdia. Através da influência destas duas rédeas, nós nos aproximamos do objetivo.

Assim, nós descobrimos que o senhor levou o convidado para a casa, e a senhora o retirou para fora, como está escrito: “Elokim disse a Noé: Saia da arca!” Elokim é a força masculina, a força que vence. Ela tem a permissão para retirar o convidado para fora, mas não tem o direito de deixá-lo dentro.

Mesmo que estas duas forças sejam opostas, elas atuam em conjunto a fim de nos fazer avançar. Nós não podemos avançar somente com a ajuda de uma força que nos empurra para frente. Nós também precisamos da força que nos empurra para trás. Nós somos sempre controlados por elas, como duas rédeas. Se nós entendermos que estas duas forças nos influenciam para o nosso próprio bem, e equilíbrarmos a força da esquerda com a da direita, então nós as uniremos e construiremos a linha média.

Uma Ponte Estreita para o Mundo Espiritual


O Livro do Zohar foi escrito por um grupo de grandes Cabalistas cuja envergadura jamais existira em toda a história. Eles criaram uma ponte de linguagem, informação, forças, sensações e Luz, conectando nossas sensações e a compreensão do mundo revelado, com a sensação e a compreensão do mundo oculto.

Quando nós estudamos O Livro do Zohar, escrito por eles, e tentamos entrar no estado que eles desejam nos transmitir, nós somos como um bebê que avidamente abre os olhos e a boca, a fim de absorver o que sua mãe está lhe dizendo. Ele não entende nada, mas simplesmente olha para ela e manifesta sua alegria através do movimento.

Nós devemos fazer esforços semelhantes para entendermos nossos professores. Para fazer isso, nós devemos nos conectar da mesma forma que os dez autores do O Livro do Zohar estão conectados. Mesmo que o leiamos sem qualquer explicação, começaremos gradualmente a sentir as novas reações e movimentos internos. Dentro de nós, num nível subconsciente e inconsciente, surgirá um novo reino ou mundo e se tornará mais habitual.

Nós chamamos as nossas lições de “Um Estudo do O Livro do Zohar“; porém, na realidade, este livro não é estudado, mas revelado, e a revelação acontece através de nossa aspiração e disposição de sentir o mundo oculto. A disposição deve ser expressa através da união entre nós, semelhante à união entre os autores deste livro. É a união de todos os pontos no coração – as aspirações em relação à equivalência com o Criador. É assim que os Cabalistas descrevem a condição necessária para a utilização correta do O Livro do Zohar.

No processo de leitura deste livro, eu forneço pequenos esclarecimentos, a fim de ajudá-los a “agarrar” o texto, semelhante às explicações de um adulto a uma criança durante um jogo.
Sempre que os Cabalistas escrevem sobre o O Livro do Zohar, eles não se referem a ele como O Livro do Zohar, mas simplesmente como O Livro. Isso expressa o seu desejo de mostrar que não há nenhum outro livro igual no mundo!