Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

A União É Como Um Punho Apertado

Dr. Michael LaitmanEm nosso mundo, a centelha da espiritualidade (o ponto no coração) não despertou em muitas pessoas. As que despertaram estão em minoria em relação ao resto da humanidade que é atraída apenas para os prazeres corporais deste mundo. No entanto, as pessoas que anseiam em revelar o Criador têm força qualitativa, e se elas se unirem, podem alcançar uma força maior do que a força do resto da humanidade.

É possível ser grande em termos de quantidade e em termos de qualidade. A qualidade é mais importante do que a quantidade. Assim, se dez pessoas, que verificam a meta e querem alcançá-la, se unem, a força criada por elas é maior do que a força externa da humanidade, de todos os bilhões de pessoas ao redor do mundo.

É tanto mais significativo que elas não sejam afetadas pela influência da ampla sociedade e sua força quantitativa. Assim, através da criação de um grupo não tão grande, elas podem avançar. A pessoa cai sob a influência do ambiente e sua única livre escolha é escolher um ambiente adequado para si.

Se ela constantemente se anula cada vez mais perante este pequeno grupo, ela pode ter certeza que vai atingir a meta desta forma. Conforme a sua anulação e conexão com os amigos numa concentração cada vez maior, ela constantemente se aproximará da meta. Afinal, a meta é encontrada no centro deste pequeno grupo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/04/12, Escritos do Rabash

A Época Da Livre Escolha

Dr. Michael LaitmanÉ difícil falar sobre o Holocausto porque este tema está intimamente ligado aos sentimentos das pessoas. É mais fácil discutir as guerras que ocorreram milhares de anos atrás, apesar de terem sido muitas vezes travadas entre os nossos povos, por exemplo, entre os judeus helenistas e aqueles que aderiram aos princípios fundamentais. No geral, o povo de Israel certamente comnadou muitas guerras com os inimigos externos: os romanos e outros.

Nós sabemos que todas as guerras passadas foram resultado de Israel não cumprir o seu objetivo. Sabemos da Tanach e Gemara que se o povo de Israel agisse corretamente, nenhuma nação reinaria sobre nós. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo “Arvut (Garantia Mútua)”. Mesmo antes, o Ari tinha dito que se tivéssemos permanecido como fiadores uns dos outros, como no período do Primeiro Templo, e se não tivéssemos caído dele, as forças impuras não teriam ganhado poder sobre nós.

No entanto, a nossa queda estava prevista no programa da criação, de modo que neste mundo, como analogia do mundo espiritual, passaríamos pela quebra dos reis de DaHGaT (a destruição do Primeiro Templo) e a quebra dos reis de TaNHYM (a destruição do Segundo Templo). Em nosso mundo material nós também tínhamos que passar por essas duas quebras, e é por isso que caímos do nível espiritual até o fundo.

Na época, o rabino Akiva riu quando viu o terreno baldio no lugar do Templo. “Eu nunca acreditei que isso iria acontecer”, disse ele, “e desde que o Segundo Templo foi destruído, agora não há dúvida de que o terceiro se levantará e que a redenção completa virá”. Portanto, essas duas destruições e o longo exílio foram necessários. Pode-se dizer que ainda não havia liberdade de escolha: todos os estados eram determinados pela interação da Luz com o vaso no caminho.

E hoje, quando chegamos ao nível mais inferior e atingimos o maior egoísmo, um novo mundo está começando a emergir. Ele já está “arredondando”, já manifesta a quebra, e como o Baal HaSulam diz, nós estamos no limiar da redenção.

Como conseqüência, novas leis estão agora agindo em nós, não os princípios “mecânicos” que anteriormente nos impulsionavam juntamente com toda a humanidade. Em paralelo com o seu desenvolvimento, nós passamos por vários estados de subidas e descidas por todo o caminho até o presente momento, mas deste ponto em diante, uma nova época está começando, a era da livre escolha.

Após a quebra, após a queda e a inclusão mútua com o mundo, hoje tudo está pronto para a correção. Nós somos os únicos que percebem essa correção através das boas ações e do pedido que vem das almas quebradas. No entanto, essas almas perdidas não são capazes de pedir e realizar boas ações. O que podemos fazer?

Nós estamos tentando nos unir num todo, como antes da quebra, antes da destruição do Templo. Mesmo se não possamos realizar isso, os nossos esforços é que são as “boas ações”. Eu continuo tentando até o momento em que imploro por ajuda, até eu clamar: “Salva-me”. Dessa forma eu elevo MAN, o pedido de correção e, em resposta, a ajuda vem do Alto, chamada MAD.

E nisso nós temos livre-arbítrio: podemos acelerar nossa história, o processo que temos de percorrer. Se não realizarmos a cada segundo tudo que somos capazes, através de nossa livre escolha, então o estado em falta e não realizado não chega como um amanhecer muito aguardado na propriedade da misericórdia (Hassadim), mas transforma-se nas propriedades de superação (Gevurot). Como conseqüência, no lugar de “águas paradas” surge “águas turbulentas”, em vez das águas de Bina surgem as águas do dilúvio, e assim por diante. Em vez de avançar no caminho da Torá e da Luz, no amai ao próximo como a si mesmo, nós vagamos, impulsionados por problemas que não nos fazem avançar, mas simplesmente nos obrigam a realizar as ações que perdemos. Afinal de contas, de uma forma ou de outra, somos obrigados a completá-las.

Isso levanta uma pergunta. No começo, eu era capaz de produzir determinada ação, auxiliado pela unificação dentro do grupo, através da compreensão e do sentimento, da inclusão mútua com os amigos, apoio mútuo, e assim por diante. Eu conseguia alcançar isso sem uma necessidade premente, mesmo que isso significasse aumentar artificialmente a importância desta ação aos meus olhos. Mas agora, quando estou sendo estimulado por catástrofes e pela necessidade, será que estou realmente realizando o meu livre arbítrio? Não. Será que eu estou indo em direção ao fim da correção como um animal que foge dos golpes de um chicote? E este é o desenvolvimento espiritual? Onde está o livre arbítrio nisso?

A única coisa é que as desgraças vão nos levar a pensar e refletir, e através de sua ajuda, vamos começar a tatear e reconhecer o mal. No entanto, para isso, teremos que pagar, e neste caso a nossa livre escolha será muito mais complexa e multifacetada. Afinal, não existem concessões aqui; a pessoa ainda tem de ir pelo seu livre arbítrio através de cada degrau dos 125 degraus da subida, desde o ponto mais baixo até o fim da correção. Caso contrário ela não será um “ser humano”.

Assim, nós elevamos um pedido de correção (MAN) e receber uma resposta (MAD) de Bina. Se isso não acontecer, nós fazemos a transição para as propriedades da superação, Gevurot. Isso significa miséria e desastres, tanto pessoais quanto coletivas, incluindo o Holocausto. Em geral, este processo assola toda a humanidade, mas o povo de Israel é afetado várias vezes mais, uma vez que não está cumprindo sua função.

No final da “Introdução ao Livro do Zohar“, Baal HaSulam escreve sobre o fato de que o mundo está dividido em duas partes: interna e externa, “Israel” e as “nações do mundo”. “Israel” também é dividido em duas partes: a interina inclui aqueles que estudam a sabedoria da Cabalá para se corrigir, e a externa inclui aqueles que não se preocupam com a correção. Por sua vez, a parte interna das “nações do mundo” é seus “justos”, e a parte externa é seus “ímpios”, “aqueles que causam danos”.

Um mecanismo de conexão age dentro deste sistema: a maneira como as duas partes se relacionam dentro de “Israel” é a mesma como elas se relacionam dentro das “nações do mundo”. Portanto, quando aqueles que estudam a sabedoria da Cabalá se elevam, correspondentemente, dentro das “nações” as pessoas que anseiam por união e boa convivência também ganham força.

Inversamente, se “Israel” ignora a Torá, a sabedoria da Cabalá, em outras palavras, se desconsidera o seu propósito, então, dentro da “nações” a pirâmide também se inverte: os externos se elevam e tomam o poder sobre todo o mundo . Claro, esses eventos são de longo alcance e têm um impacto negativo sobre “Israel”, cuja mensagem e propósito descem, dando lugar no topo aos ímpios e lançando ao fundo aqueles que estudam a Cabalá e que estão perto de espiritualidade. Assim é como a “hierarquia do poder” é colocada.

Isto é o que aconteceu conosco nos tempos de Hitler. Israel agiu em contrariedade com o seu papel, preferindo a materialidade à espiritualidade e, com isso, dentro das nações do mundo a parte destrutiva elevou-se acima do bem, até que a pirâmide inverteu-se. Nesse ponto, “aquele que traz dano” surgiu e fez o seu trabalho.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/04/2, Dia em Memória ao Holocausto

Ensinando a Cuidar do Mundo

Cada um de nós tem uma predisposição para a realização de ações que são desagradáveis ​​para aqueles que nos rodeiam. Podemos dividir atos certos ou errados em suas ações em relação a si mesmo e ações em relação à sociedade. Naturalmente, temos que ensinar uma pessoa a não causar auto-agressão, para não machucar-se fisicamente, pois embora mecanismos de auto-preservação existam dentro de nós, os impulsos destrutivos estão presentes também.

Da mesma forma, precisamos tratar o meio ambiente com cuidado e preocupação. O ambiente é essencialmente a natureza inanimada, vegetativa, e animada em que vivemos e que precisamos preservar.

É preciso ensinar a uma pessoa a atitude correta para com a ecologia desde a nossa comida, clima e toda a nossa existência depende disso. Vivemos dentro da natureza, e seu desenvolvimento vegetativo, animado e até mesmo as partes inanimadas são de grande importância para nós, pois recebemos tudo deles. É por isso que precisamos ensinar uma pessoa como tratar seu ambiente ecológico com grande cuidado. [Leia mais →]

Através Dos Óculos Da Visão Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: No método da educação integral, é dada especial atenção para a correlação entre a mente e os sentimentos. No mundo corpóreo do egoísmo e da alienação, os desejos e pensamentos estão bem escondidos dentro de uma pessoa e muitas vezes são inacessíveis por sua consciência. Geralmente, como regra, isso gera sentimentos negativos: raiva, irritação e dor. Qual é o caminho certo para conectar os sentimentos de modo que eles não impeçam a comunicação entre as pessoas?

Resposta: O método da educação integral, em primeiro lugar, leva em conta o fato de que os sentimentos e desejos são primários.
Nós não sabemos de onde vêm e como eles surgem em nós. Todas as qualidades de nossa mente e os pensamentos destinam-se à realização desses sentimentos e à nossa satisfação.

Nosso desejo básico é o desejo de desfrutar. Quem, o quê e como são as conseqüências. Divirta-se! É por isso que toda a nossa mente só se desenvolve na medida de nossos desejos e apenas para servi-los. Grandes desejos desenvolvem uma grande mente numa pessoa. O egoísmo, que cresce de geração em geração e ao longo da vida de uma pessoa, desenvolve sua mente.

Se tomarmos um animal, o seu desenvolvimento praticamente termina um par de semanas depois de seu nascimento. Ele já tem todos os seus instintos e se adapta ao ambiente. É por isso que os animais nunca cometem erros. Eles sabem como se comportar, como se salvar, e como interagir com o ambiente. Sua mente e os sentimentos estão instintivamente em equilíbrio. Também neste caso, o desejo é primário e a mente secundária. Um animal entende o que é capaz de realizar em seus desejos e o que não é, e isso limita a sua mente.

Mas uma pessoa tem um grande problema aqui. A questão é que quando seu egoísmo se desenvolve, ele dá a ela desejos que ela não é capaz de perceber. É por isso que ela se fecha, se isola, se torna mais brutal, competitiva, etc.

Se seus desejos se correlacionassem com todos os outros desejos (seus e do ambiente) para que eles se complementassem harmoniosamente, não haveria conflitos, e sua mente se expandiria infinitamente.

Como a sociedade integral é uma sociedade da inclusão absoluta de todos em todos, isto significa que a pessoa adquire os desejos de toda a comunidade. Ela entende o que importa para a sociedade e, consequentemente, sua mente deixa de ser pessoal e se torna parte integral, e raciocina com ela. É como colocar óculos de visão integral do mundo, e ela entende que ela e o mundo são um todo, o que é bom para mim e o que é bom para o mundo é a mesma coisa.

Naturalmente, não há qualquer contradição nesta correlação harmoniosa entre ela e o mundo. Ela pode simplesmente se abrir sem medo; ela entende, vê e sente tudo em conformidade com o isso, e participa ativamente de cada ação, em tudo. Todas as suas razões para ser infeliz ou competir com os outros desaparecem.

Então, nós precisamos trazer a pessoa a esse estado sem limitar seus desejos, pensamentos e mente, e precisamos agir de uma maneira completamente diferente desde o início para lhe explicar que ela está incluída em todos os outros e que certo desejo comum está sendo criado.
Esta coletividade de todos os desejos é essa coisa nova que estamos criando. Nós estamos criando o sistema de “Adão”, o nosso desejo comum e nossa mente comum em conformidade com ele. Algo integral surge acima de nós, e nós existimos nele.

Desta forma, nós não prestamos nenhuma atenção à pessoa, mas apenas ao seu objetivo, sua inclusão nesta coletividade, o próximo nível do nosso desenvolvimento. Nós não a limitamos; ela não sente que está sob pressão. Ela não tem nada a esconder. Ela praticamente permanece como está, mas todo o seu desenvolvimento é dirigido no sentido da integração.

A harmonia entre os sentimentos e a mente se desenvolve como à medida que ela começa a sentir uma interconexão cada vez maior entre ela e os outros, como a que o mundo atual impõe a nós, mas ainda não estamos preparados.

A educação integral pretende direcionar o homem a começar a sentir o “nós”, a humanidade coletiva, e agir com base nela. Só então ele vai sentir como seu estado é livre. É exatamente aí que seu livre arbítrio e a liberdade de comportamento vão se manifestar, mas apenas uma vez que ele se inclua neles.

Mas se ele sai novamente deste estado, ele cai em seu pequeno egoísmo e os mesmos problemas começam de novo. Desta forma, a natureza nos ajuda, mostrando-nos que o descanso só pode ser encontrado na integração, e no isolamento numa prisão e na ausência de liberdade.

Da “Palestra sobre Educação Integral” # 9, 15/12/11

Escolher Nascer

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o significado da expressão “Não há coerção na espiritualidade”?

Resposta: Não há coerção no mundo espiritual porque, no final, tudo depende do esforço da pessoa.

Neste mundo recebem-se leis, e no mundo superior, doação. Em ambos os casos sou obrigado a obedecer, e isso é coerção Afinal, essas são as leis da natureza.

Pegue a lei da gravidade, por exemplo, esta é uma força fixa, que imediatamente me puxa para o chão. Você consegue resistir à sua coerção? “Eu não quero que ela opere em mim, eu tenho meus próprios planos”. Isso não vai funcionar. A lei funciona, quer você goste ou não. É o mesmo ocorre com as leis da doação e recepção. Toda realidade está repleta de coerção.

Você é livre somente quando você escolhe. Que tipo de escolha é essa? A escolha é mudar da recepção para a doação com a ajuda do grupo, da Luz que Reforma, e do professor. Na verdade, recepção e doação significam uma lei, uma força. Sua escolha está em como você a obedece: positiva ou negativamente. Você faz essa escolha por si mesmo.

Então, qual é a sua escolha? Vale a pena ou não aderir à doação? Você sabe tudo o que aconteceu previamente e algo que vai acontecer no futuro. Nós ainda não podemos sentir e tocar o lugar onde a escolha é feita. No entanto, na verdade, um vazio incrível se abre para você lá.

Muitas vezes, nós mencionamos a fábula do verme que vive dentro de um rabanete. Quando ele faz um furo na casca, um mundo inteiro é revelado a ele. É uma abertura muito estreita, e é escolha do verme nascer ou não. Cada vez que você faz uma escolha outra pequena parte de você nasce, e você entra no novo mundo que já está preparado para você.

Embora seja uma ação muito leve e tênue da minha parte, é como se eu operasse um enorme sistema simplesmente apertando um botão. O lugar onde eu faço a escolha é exatamente a “espiritualidade”, onde não há coerção. Eu abro um novo mundo para mim, e minha atitude para com ele se torna livre.

A lei opera em ambos os lugares, mas quando eu entro no mundo da doação, eu adquiro a liberdade: tudo isso é meu, o desejo de receber corrigido com a intenção de doar, e eu o controlo. Eu sou realmente livre; com este desejo, eu posso realizar qualquer ação de doação que eu queira. Esta é a única coisa que eu quero, e não há restrições.

Por isso se diz: “Não há coerção na espiritualidade”. Eu nasci e transcendo de uma maçã podre para um mundo maravilhoso, com sol, ar fresco e pássaros que cantam. Quando eu atravesso essa passagem estreita, eu adquiro uma nova atitude que está baseada na doação e me adapto ao grande mundo. Nele, eu sou livre.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 15/02/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Onde Está A Democracia?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Criador limita a minha liberdade de acordo com as leis da natureza; mas, e se eu não quiser isso? Afinal, Ele não me pediu. Onde está a democracia?

Resposta: Na verdade, o Criador desenvolve as pessoas modernas de forma diferente, e, consequentemente, elas fazem perguntas relevantes sobre Ele. É assim que deve ser. É por isso que nosso mundo está mudando, de modo que as questões sobre Ele sejam despertadas em nós. Como resultado, todas as perguntas e exigências devem ser dirigidas ao Criador. Tudo é feito para a pessoa alcançar o desespero.

Por um lado, parece que já há liberdade neste mundo e que eu posso fazer o que quiser. Por outro lado, minha mente “infantil” gradualmente percebe que o mundo é controlado por um sistema de leis e que eu não posso fazer o que eu quiser de forma alguma. Há uma diferença entre o que é desejável e o que é.

Gradualmente, eu entendo que tudo é sobre as leis do mundo, que são regras rígidas. Elas são reveladas a mim de forma mais clara e me obrigam cada vez mais. Como resultado, eu não me sinto tão confortável e bem, mas no geral é assim que eu aprendo.

No início, a criança gosta de tudo e seus pedidos são realizados. Mais tarde, nós começamos a limitá-la. Nós ensinamos a ela as regras da vida e exigimos coisas dela. É assim que ela cresce.

Você está falando de democracia, de liberdade. Mas, que tipo de liberdade é essa? Liberdade de quê? Liberdade para quê? Liberdade em que condições? Afinal, você não está vivendo no vácuo, você já tem determinados atributos, você já é alguma coisa.

Para você, “liberdade” é quando você imediatamente obtém tudo que deseja: “Eu quero um palácio”, e lá vai você. “Eu quero ser forte e inteligente”, e lá vai você. Desta forma, você está livre de quaisquer limitações, você é onipotente.

Mas, você não escolheu sua mente e personalidade, o que significa que você não está totalmente livre. Além disso, seus desejos dependem dos valores com os quais você foi educado, o que também não é liberdade. Já existem condições preliminares em você, que influenciam você. Então, que tipo de liberdade é essa? Não é do jeito que você a imagina. Você simplesmente não esclareceu isso.

Por outro lado, o Criador realmente quer que você seja livre. Então, você estará livre do que Ele inseriu em você e em vez disso, você vai construir os atributos opostos acima disso. Você vai encontrar a verdadeira liberdade entre os 613 “pecados” e os 613 “mandamentos”, o que é algo novo, um terceiro fator, a linha média, o mundo espiritual. Ele não existe sem você. Se você não o criar, ele não vai existir.

Entretanto, não se esqueça: você é uma criatura e, portanto, não é livre, você está limitado em suas qualidades e desejos.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 15/02/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

O Fenômeno Da Luz

Dr. Michael LaitmanQuando nós falamos sobre a Luz, nós nos referimos ao fenômeno que ocorre no desejo. Isso significa que eu quero fazer o bem a alguém sem quaisquer considerações pessoais de benefício próprio. Quanto mais eu me analiso, mais eu vejo que realmente não tenho vontade de benefício pessoal. Esta é a Luz: É como se algum espírito estivesse vestido em mim e eu quisesse dar, amar os outros, e querer apenas o bem-estar dos outros, porque com isso eu agrado o Criador.

Quando eu trabalho num grupo, eu atraio a Luz que Reforma que constrói no meu “corpo” (no meu desejo) o fenômeno chamado Luz. Assim, a Luz circundante (Ohr Makif) influencia o desejo para que ele possa sentir o fenômeno da Luz internamente.

Pergunta: De onde vem a Ohr Makif?

Resposta: Ela vem de um nível superior. Eu não posso recebê-la dentro de mim e por isso ela me “cerca” e prepara o meu desejo, meu vaso, a fim de entrar nele mais tarde. Esta Luz também está dentro de mim, mas eu não a sinto ainda. É como se ela estivesse agindo à distância: Algo amadurece em mim, mas eu sinto isso indiretamente, de acordo com os resultados.

De uma forma ou de outra, tudo está dentro da pessoa: todas as luzes e todos os mundos, incluindo o mundo de Ein Sof (Infinito).

Pergunta: Para sentir isso, eu tenho que trabalhar em grupo?

Resposta: Você tem que seguir o conselho dos Cabalistas, que chamamos de “fé dos sábios”, e realizar as suas recomendações. Você é levado ao grupo pelo Alto, e começa a trabalhar nele, mesmo sem questionar nada. Só mais tarde é que a questão do livre arbítrio surge, quando você entende o que está acontecendo e pode encontrar o caminho de volta e perceber: “Então é isso que eu deveria fazer! Eu deveria amar os amigos…”.

Você se aproxima do trabalho mútuo e, partir de um “círculo de estudo”, você se torna um todo, adquire um só coração e um só pensamento, faz grandes esforços coletivos e age na frente um do outro, a fim de evocar a deficiência nos amigos e aumentar a grandeza do Criador aos seus olhos.

Então, as pessoas descobrem “o campo que o Criador abençoou”. Elas não vagam no campo como os filhos de Jacó, mas sim adquirem a força de José, que os une e os leva através da terra do Egito à Terra de Israel. Este é todo o nosso trabalho, onde começa o nosso livre arbítrio.

Da 4ª parte da Lição Diária da Cabalá 12/02/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Deve Haver Um Equilíbrio Entre A Mente E O Coração

Dr. Michael LaitmanEm certos momentos, nós somos capazes de sentir um anseio pela doação, aproximação, abraço, união dos corações, mas no momento seguinte, nós esfriamos. Isto é porque nós não estamos corrigidos, e nossa impressão vem do ego.

O ego concorda em ceder por um instante e adere-se ao outro egoisticamente para sentir a conexão. Então, eu me sinto orgulhoso de que consegui me conectar, e é isso que me segura. No entanto, um minuto depois, uma nova Reshimo (reminiscência) esfria meu entusiasmo.

Às vezes, a pessoa está pronta para saltar do décimo andar. Por um momento, ela está pronta para fazer qualquer coisa devido ao desespero que sente em seu coração partido, mas, no segundo seguinte, ela já se arrepende e começa a pensar logicamente. Isso acontece dessa forma porque deriva do primeiro e único desejo egoísta que a pessoa tem.

Como nós podemos estar no estado corrigido por um longo período de tempo, tanto em mente quanto em coração, e não lamentarmos a decisão que tomamos, embora ela seja maior do que nós e contra nossa natureza? Como nós podemos conscientemente nos lançar como se estivéssemos indo do décimo andar para o ar livre e, supensos no ar, soubermos o que está acontecendo conosco, estarmos pronto para isso e desejarmos que isso aconteça?

Este não é um passo louco e precipitado vindo do desespero de um coração partido, mas de uma decisão clara e racional. Isso só pode ser feito se você tiver outra força, a força de doação, agindo contra a força de recepção. A Luz que influencia a pessoa lhe permite manter-se desta forma e alcançar uma decisão inteligente.

Uma ação espiritual nunca ocorre de acordo com o desejo do coração por si só; ela deve ser deliberada, calculada no coração e na mente. Quanto mais a Luz superior age e brilha sobre a pessoa, mais ela é capaz de tomar a decisão certa, dando sua própria vida, sua alma, e, ao mesmo tempo, aderindo-se à decisão por um longo tempo, até que complete esse nível e suba para o nível seguinte.

Com relação ao nível atual, ela nunca vai mudar sua decisão. Quando o próximo nível vier e um desejo crescer, ela vai cair e subir novamente para o próximo estado. O sinal para tal avanço é uma constante sensação de felicidade.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/01/12, Escritos do Rabash

Indiferença É Pior Do Que O Ódio

Dr. Michael LaitmanO ódio é inseparável do amor. Este princípio deve ser enraizado em mim para que se torne o meu programa em relação ao mundo, através do qual eu olho para tudo. Desta forma, eu sempre estarei na linha média, no terço médio de Tifferet (Klipat Noga) no ponto do meu livre arbítrio.

Caso contrário, não posso me orientar e não sei onde estou: na área de doação ou recepção, ou num completo nevoeiro. Até eu formar duas linhas opostas, eu não estou no mundo, que pode ser uma realidade.

Portanto, nós passamos por muitos altos e baixos, até começarmos a entender a fraqueza de estar apenas na linha direita ou apenas na linha de esquerda. Estar apenas na direita ou na esquerda é um estado egoísta, Klipah Ismael ou Esaú.

E se eu estou na linha direita e na linha esquerda, a fim de conectá-las e elevar-me acima delas, de modo que a linha direita é sempre um pouco maior do que a esquerda (como sempre há uma inclinação para a direita), então eu construo a linha média.

Mas ambas estão presentes e se apoiam mutuamente. Através deste sistema de duas linhas, é possível ver a importância da doação, em comparação à recepção. E se não há recepção, como podemos verificar?

Portanto, o ódio e a rejeição devem existir. A pessoa que não está em estreito contato com seus amigos, não quer se conectar, e fica à margem, pode ter excelentes relações com os outros, pode ser um bom amigo, tranquilo, e calmo, mas não se envolveu no trabalho.

Por outro lado, alguém que é argumentativo e volátil, e que não consegue se dar bem com ninguém, pode ser capaz de estabelecer um contato interior com os amigos. Não somente precisamos considerar este critério de seleção julgado por tais aparências exteriores, mas todo mundo precisa se examinar interiormente.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/01/12, Escritos do Rabash

Como Você Pode Resistir Ao Amor?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“: “Naturalmente, quem recebe essa Providência aberta tem certeza que não vai pecar de novo, como tem certeza que não vai cortar sua própria carne e causar a si mesmo terrível sofrimento. Além disso, tem certeza que não vai negligenciar uma Mitzva sem realizá-la no instante que chega às suas mãos, tanto quanto tem certeza que não vai negligenciar nenhum prazer mundano ou um grande lucro que chega às suas mãos”.

Nós não entendemos isso. O que significa “Providência aberta”? Se eu revelar o bom e o benevolente, parece que eu estou livre de todas as minhas preocupações, deitado nos braços do Criador como um bebê deitado nos braços de sua mãe. Será que ele não tenta resolver nada, entender nada? Não, ele é simplesmente envolvido com amor.

Será que este amor nos enfraquece? Ele não nos faz perder o nosso poder de auto-preservação?

Este é o problema. O amor dos pais estraga as crianças. Se ele as tratam apenas com amor, os filhos não têm limites e, finalmente, começam a odiar os pais.

Baal HaSulam escreve sobre o amor dos pais (na Carta 2): “Venha e veja um maravilhoso costume nesse amor, onde, aparentemente, se o filho é filho único de seu pai e sua mãe, ele é obrigado a amar seu pai ou sua mãe mais, porque eles mostram um amor maior por ele do que os pais que têm muitos filhos.

Mas não é assim na realidade, mas sim o contrário, que se os pais estão fortemente ligados aos seus filhos por seu amor, então o valor de amar os filhos é minimizado, até, por vezes, os filhos sentirem que “qualquer sentimento de amor em seu coração se extingue “, que é a lei da natureza que está no mundo.

E a razão é simples, que o amor de um pai a seu filho é natural… e o filho não tem medo que este amor possa diminuir, e ele não espera que seu amor crescerá, o qual é chamado de “amor absoluto”; então, gradualmente, o filho cresce preguiçoso mostrando as boas obras de seu pai… e isso se torna sua segunda natureza, próxima ao ódio…”

As crianças precisam de duas forças; não podem se manter numa única força. Cada pessoa precisa de duas “rédeas”: a força de recepção e a força de doação; uma “casca” do lado da recepção e uma “casca” do lado de doação. Só isso nos dá algum “sistema de coordenadas”, e nos coloca em algum lugar.

Mas se todo mundo me trata carinhosamente, isso me confundirá e irritará. Eu tenho que decidir, estabelecer-me em algum lugar. Meu cérebro não consegue aguentar isso e pode finalmente chegar a odiar.

Como posso proteger-me quando o Criador é revelado, para que eu possa lidar com a revelação de Seu amor? Como posso criar bordas em torno de mim, os limites, para não perder a minha independência, meu “eu”? Como posso estabelecer a minha atitude para com ele também?

Afinal de contas, eu não devo me esconder do amor do Criador. Ele quer revelá-lo a mim ao máximo, e eu pareço rejeitar; “Não, isso é o suficiente. Eu já vejo que você está me tratando bem”. Isto seria mostrar desprezo a Ele.

Assim, a revelação do Criador traz muito mais problemas do que Sua ocultação. A pessoa tem que estabelecer sistemas internos que lhe permitirão gerenciar a si mesma sob limitações muito mais rigorosas. Esta é a subida aos níveis espirituais: limitações mais rigorosas, a fim de trabalhar acima do egoísmo e construir outras Masachim (telas) maiores .

Ao mesmo tempo, quanto mais forte é o desejo, mais forte é o amor. Em nosso mundo nós também amamos crianças desobedientes mais do que crianças tranquilas. O amor absoluto é realmente percebido em desejos e vasos “maus”. É lá que ele é sentido como positivo ou negativo e, de lá, finalmente, ele recebe uma resposta do Criador. Finalmente, quando os piores vasos de uma pessoa são corrigidos, ela pode devolver o mesmo amor absoluto para o Criador…

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 24/01/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot