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Escapando-se de Si Mesmo Em Outro

Dr. Michael LaitmanO que significa escapar de si mesmo, do seu Egipto?

Eu agarro-me a tudo o que eu posso possivelmente carregar e corro só para me esconder a mim mesmo. Mas, para onde fugir, se há absoluta escuridão Egípcia à minha volta? Estou trancado dentro do meu desejo; então, para onde posso eu fugir dele? Afinal, eu não tenho nada mais.

Eu posso ser incapaz de fazer isto por minha conta, mas eu preciso de aspirar por isso. Caso contrário, eu não tenho chance de sobreviver. A pessoa pega todos os recipientes (vasos) dos Egípcios e foge do Egipto à noite, no escuro. Para onde pode ela fugir se há escuridão à sua volta? O próximo estado também é  escuro, mas ela sente que está mais próxima da liberdade.

Mesmo se agora eu odeio os outros e não estou conectado a eles, eu ainda sei que o próximo estado é mais avançado. Por outras palavras, eu saio dos meus desejos para os desejos do meu próximo tanto quanto eu posso. Eu simplesmente fujo. Contudo, eu não vejo qualquer Luz neles por agora. Eu preciso de mostrar a minha prontidão de sair deles apesar da escuridão.

Eu alcanço o Mar Final (o Mar Vermelho), e estou pronto para saltar nele, dado que eu vejo que não há nada a brilhar para mim atrás, e eu sou incapaz de permanecer no meu ego por mais tempo. Estou pronto a matá-lo só para entrar nos desejos comuns, os desejos do meu próximo.

Apesar do facto de que eu não receberei nada para mim mesmo, eu vejo que o próximo grau (o espiritual) está lá. A pessoa compreende que os desejos externos das outras pessoas são de um grau superior em relação aos seus próprios desejos internos.

A Fonte de Pesach

Dr. Michael LaitmanNós estamos nos sete dias especiais do feriado de Pesach (Páscoa Judaica). Ao longo destes dias nós devemos manter uma intenção correcta e ininterrupta, pois esta é uma época especial. Nós não celebramos rituais religiosos ou costumes. Estamos muito distantes das acções que as pessoas realizam simplesmente porque lhes foram ensinadas a o fazer quando crianças, ou porque são conduzidas por objectivos egoístas de receber uma recompensa, seja neste mundo ou o próximo.

Em primeiro lugar, os que estudam Cabalá querem revelar o Mundo Superior e as acções espirituais, e apenas depois que eles percebem suas consequências (ramos), estão eles preparados para também respeitar e observá-las com a mesma intenção que as acções espirituais acima.

Abraão e seus estudantes foram os primeiros a alcançar a conexão entre as raízes e os ramos. Antes de então, Abraão era um fabricante de ídolos e um sacerdote na antiga Babilónia. Mas tendo revelado o mundo espiritual e sua consequência no material, tendo descoberto as forças que descem do mundo espiritual para o nosso mundo material, e tendo colocado-o em movimento, ele criou a linguagem dos ramos. Esta linguagem é uma descrição do Mundo Superior (as raízes) usando palavras deste mundo (os ramos).

Foi quando que ele revelou toda a realidade, tanto material quanto espiritual, como um todo. É por isso que ambas as acções, espiritual e material, fundiram – se dentro dele num todo, e foi assim que ele ensinou seus estudantes.

Disto está escrito que os antepassados (os primeiros Cabalistas) observaram toda a Torá até antes de a receberem no Monte Sinai. Certamente, eles revelaram a Torá ao alcançarem o mundo espiritual com suas acções espirituais. Baseando-se nisso, eles levaram a cabo as mesmas acções no nosso mundo, percebendo toda a realidade como um todo.

O Milagre Da Saída Do Egito

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capitulo “Bo (Venha ao Faraó),”… E o Senhor teu Deus te retirou de lá..Recorda-te deste dia em que tu saíste do Egipto…E te retirou de Sua presença, com Seu grande poder, fora do Egipto…O Senhor te retirou disso…Cinquenta vezes é o êxodo do Egipto mencionado na Torá….

Cinquenta é o grau completo, as dez Sefirot de Malchut junto com as quarenta Sefirot de Bina. Malchut na sua totalidade precisa de se elevar acima de si mesma, até ao seu grau completo. Estas duas forças precisam de ser sentidas dentro da pessoa – uma contra a outra.

Desta forma, a salvação não virá até que nós terminemos o exílio, depois de alcançarmos a horrível sensação de que não temos qualquer força para sairmos do nosso egoísmo, e sentirmos ao mesmo tempo que é absolutamente necessário fazermos isto! Quando nós sentirmos plenamente esta oposição, as águas do Mar Vermelho (em hebraico chamado de Mar Final) se abrirão, e nós iremos atravessá-lo.

A pessoa não sabe como ele é revelado. Isto é chamado um milagre. Porém, este milagre é causado pela própria pessoa, quando ela chega a um beco sem saída. Por um lado, a pessoa não compreende como é possível sair – ela não tem poder ou força para isto. Além do mais, ela não compreende que pode haver certa força de Cima que pode, de alguma forma, mudar a sua natureza. Por outro lado, esta força que existe acima da natureza é revelada.

Isto ocorre apenas como um milagre. Ocorre acima desse estado, dessa natureza, que é chamada “Egipto” e que compreende todo o sentido interno da pessoa.

A Singularidade De Pesach É A Luz Da Fé

Dr. Michael LaitmanAs raízes espirituais também têm influência sobre seus ramos materiais. Tudo é determinado pela ordem de disseminação das forças da Luz, que afectam a nossa matéria: o desejo de receber prazer. Há uma periodicidade e causalidade especial na afeição destas Luzes.

Elas têm um mecanismo, que coloca em marcha e controla tudo desde o topo do Mundo de Atzilut. De lá, Arich Anpin, Aba ve Ima, YESHSUT, e ZON, que existem em relações especiais mútuas, nós recebemos mudanças, que são chamadas: ano, mês, semana, dias, minutos, noites, assim como muitos estados diferentes e mais internos. Nós estamos a falar sobre qualidades e a combinação de qualidades, que têm uma grande influência sobre este mundo.

Se a pessoa deseja conectar-se a si mesma à raiz espiritual e se colocar sob uma maior influência da Luz Superior, de forma a se aproximar dela, então ela deve usar estes períodos de especial influência do alto sobre nós. Se a pessoa deseja ascender espiritualmente, então, durante tais períodos no nosso mundo, chamados feriados, ela precisa de se unir com as intenções que pertencem a tais influências.

No livro do ARI, Os Portões das Intenções, ele explica como uma pessoa deve agir durante tais períodos especiais de influência sobre o nosso mundo, como Rosh HaShana, Sukkot, Pesach (Páscoa), Shavuot, e etc. Se estamos a falar sobre Pesach, a sua característica mais significativa é a Luz de Hassadim. Quando a pessoa recebe a Luz de Hassadim pela primeira vez na vida, ela recebe a qualidade de doação e eleva-se acima do seu ego.

Desta forma, compensa pensarmos mais sobre a Luz Superior, que, nesta altura, tem um poder maior de nos elevar acima do nosso egoísmo e nos manter acima dele, na qualidade de doação. Subsequentemente, nós já seremos capazes de avançar mais e sentir o mundo espiritual com todos os seus detalhes.

Então nós devemos passar todos os dias de Pesach pensando sobre a unificação entre nós e a Luz Superior, que eleva cada um de nós acima do seu egoísmo pessoal. Esta precisa de ser a nossa principal intenção ao longo de todo o feriado.

Aprendendo Sobre O Mundo Superior Desde O Mundo Inferior

Dr. Michael LaitmanEm seu livro, Portões das Intenções, o ARI explica o significado de todas as ações espirituais da Páscoa e seus reflexos nos costumes materiais. Os mandamentos (Mitzvot) referem-se à correção dos 613 desejos egoístas (da alma) em altruístas, com a ajuda da Luz Superior (a Torá). Muitos estão familiarizados com seus reflexos ou cópias materiais nos costumes ou tradições (Minhagim) do feriado.

Muitos seguem essas tradições porque estão dispostos a realizar ações corporais (costumes), sob a condição de que elas vão ajudá-los a alcançar os resultados, a executar ações corporais (mandamentos). Esta é a única razão pelas quais essas tradições são seguidas.

Quanto mais nós nos perguntamos sobre o objetivo e o significado de cada ação material (tradição), mais ela nos ajudará a conectar-nos mais fortemente às suas raízes espirituais. Desta forma, vamos aprender sobre o Mundo Superior desde o Mundo Inferior. É apenas a sua conexão à raiz que dá a um costume a importância e o direito de existência.

O Elixir Da Vida Ou O Veneno Mortal

Dr. Michael LaitmanDepois da destruição do segundo Templo (a destruição da qualidade de doação e amor do nível de Neshama), as pessoas deixaram de sentir a espiritualidade (a qualidade de doação). Assim, em vez de executarem acções de doação e amor (mandamentos), tudo o que sobrou para elas foram tradições corpóreas, as cópias das acções espirituais. A partir da época da destruição do segundo Templo, as pessoas continuaram a seguir estas tradições.

Os Cabalistas, que foram líderes ao longo destas gerações, apoiaram seguir estas tradições e costumes na nação. Gradualmente, à medida que o egoísmo cresceu e houve uma descida das gerações, as pessoas perderam o entendimento da conexão entre as tradições e sua desejada execução espiritual. Elas simplesmente levaram a cabo acções mecânicas, pensando que isto era o que o Criador exigia da pessoa. Foi-lhes prometida uma recompensa por isto neste mundo e no outro mundo.

Está escrito no Talmud que se não há conexão entre a performance corpórea e a espiritual, as acções corpóreas são sem vida e elas matam a pessoa. As acções corpóreas que não estão conectadas à espiritualidade distanciam ainda mais a pessoa da espiritualidade e do Criador, pois elas satisfazem a pessoa. Está também escrito no Talmude que “o Criador não se preocupa da forma como um animal é morto (isto é, se isso é ou não feito correctamente de acordo com os rituais), dado que os mandamentos são dados para que a pessoa seja corrigida através deles”.

Se a pessoa procura uma conexão entre suas acções materiais e suas raízes espirituais, quando ela executa estas acções, ela se recorda a si mesma sobre a espiritualidade, e neste caso compensa-lhe executá-las. Contudo, se esta conexão não existe, realizar acções mecânicas pode distanciar a pessoa do desenvolvimento espiritual, dado que ela se satisfaz com acções e “mandamentos” corpóreos, e não sente que algo lhes falta.

Sem a conexão com a espiritualidade, a Torá se tornará um veneno mortal para a pessoa. Em vez de amar os seus próximos, ela irá sentir que é perfeita e ficará cheia de orgulho em consideração aos outros, pensando que todos lhe devem, e este é o veneno da morte espiritual.