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O Nosso Mundo é como uma Imagem na Tela do Computador


Para percebermos a verdadeira realidade, não devemos imaginar nada, exceto o nosso próprio desejo. Desde que nascemos nós temos sido condicionados a ver um filme que mostra o todo como estando fora de nós. Porém, este existe apenas dentro do nosso desejo. Temos de travar uma guerra interior com nós mesmos de forma a nos convencermos que tudo acontece dentro do desejo. Contudo, este facto não revoga a realidade, dado que o desejo é a realidade.

Normalmente, nós pensamos que um desejo é simplesmente quando queremos algo. Porém, o desejo é tudo. Uma parede que impede o nosso caminho também é um desejo – quando vamos contra ela, vamos contra um desejo. Tudo à nossa volta são desejos ou forças, que são retratados de certa forma na nossa tela ou ecrã. Quando olhamos para uma fotografia numa tela de computador, não pensamos que são objectos reais dentro do computador. Sabemos que a imagem é criada por forças eléctricas. Todavia, quando olhamos para o nosso mundo, não nos apercebemos disto, porque não vemos a tela na qual este mundo é projectado.

Embora, na realidade, tudo o que ocorre seja ainda mais simples. O que vemos numa tela de computador parece acontecer fora de nós, na tela, e daí a imagem entra no nosso olho, é processada, comparada com que está armazenado na nossa memória; então, ela é reconhecida com ajuda de processos electro-químicos no nosso cérebro. Porém, quando vemos o mundo, vemos-o dentro de nós mesmos, no nosso cérebro. Na realidade este também está projectado numa tela, em que forças eléctricas descrevem uma imagem. Entretanto, nós pensamos que esta imagem está localizada fora de nós.

Se nos aproximarmos desta percepção autêntica com a ajuda de O Zohar, então veremos um mundo de forças e qualidades diante de nós. Estas forças e qualidades são operadas por uma força geral, o Criador. Ao alcançarmos esta visão e realização, revelaremos o Criador, que é o nosso maior desejo. Esta revelação ocorre dentro do nosso desejo, dependendo da sua equivalência de forma com o Criador. Todo O Zohar está apontado apenas à revelação da percepção correta da realidade.

Qualquer Coisa Nova Tem que Começar do Zero


Para ir de uma forma a outra, qualquer pessoa precisa primeiramente parar de usar seus desejos anteriores. E somente depois disso, alguém decide como usá-los de uma forma nova. Rabash nos dá o exemplo de um alcoólatra que precisa primeiro parar de beber completamente, e só depois será capaz arrumar uma nova forma para si mesmo.

Na espiritualidade, cada novo nível é construído de novo, do zero. Rabbi Shimon, o autor do Livro do Zohar, caiu ao estado de “Shimon, o comerciante do mercado” antes de ascender ao mais alto nível do último, o estado corrigido. Existe uma lei que estabelece: “A altura da ascensão de alguém é igual à profundidade de sua descida”. E nunca alcançaremos sucesso a menos que adotemos essa atitude em relação à espiritualidade.

Então, alguém não pode arrastar consigo toda a bagagem do passado. Nós precisamos sempre apagar tudo completamente, e então construir uma nova atitude do zero. Se retivermos alguma coisa do passado, então isso não será novo e não teremos sucesso.

No nosso mundo isso não é óbvio e por isso parece ser possível construir algo novo sobre uma velha fundação. No entanto, a mesma lei também opera na nossa matéria física, e nós ainda acabamos falhando, mas não sabemos por quê. É porque tudo tem que começar do nível zero, para uma nova atitude. Precisa existir uma quebra total com relação a tudo o que veio antes. Se não internalizarmos esse princípio em espiritualidade, então o tempo escorrerá sem nenhum propósito.